segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

SOBRE MARINA SILVA

Na sua apreciada coluna semanal, intitulada "COMPORTAMENTO", o médico psiquiatra de Porto Alegre, Montserrat Martins, escreveu a bela crônica "Coisas de mulher", que reproduzo abaixo. Fala sobre MARINA SILVA, ex-ministra do meio ambiente do Brasil. Montsserat generosamente me encaminha e-mail contendo suas produções literárias e me autoriza sempre a usá-las em meu blog, dando-lhe o devido crédito.
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"Numa acirrada partida de xadrez, na casa de um tio em Soledade, fomos distraídos pelas risadas cúmplices entre minha namorada e minha priminha então com dez anos, que tinham acabado de se conhecer. Curioso, quis saber o assunto e a garotinha respondeu, sorridente: "Coisas de mulher". Assuntos que alguns homens tentam desvendar, como as crônicas do David Coimbra sobre conversas nos banheiros femininos. Lembrei dessas coisas quando um jornal de Gramado criou um Suplemento Feminino e encomendou perfis de mulheres em evidência em 2009, suponho que variadas, tipo assim da Angelina Jolie até a Madre Teresa de Calcutá. Não sei quem escreveu sobre a Dilma, me encarregaram de escrever sobre a Marina e eu topei pela liberdade que me deram, que incluiu até uma referência ao Olívio Dutra. Aí vai minha opinião, é a que segue.

Gosto de fazer "pesquisas de opinião" por conta própria, quando a situação me leva a conversar com pessoas desconhecidas, do nada pergunto "em quem vai votar pra presidente?". Um funcionário de um clube de Porto Alegre (onde meu filho disputava campeonato de skate) me disse que votaria na Marina Silva porque está cansado da velha politicagem, confia nela como esperança de honestidade. Já um taxista de Brasília respondeu que não sabia em quem votar e quando perguntado sobre Marina disse que "não votaria porque, pra ser sincero, eu sou machista".

Achei coerente a resposta de não votar em Marina por ser machista. Na verdade, talvez seja o único motivo coerente. Porque ela representa uma nova mulher em todos os sentidos. È uma líder combativa e corajosa, desde os tempos de seringueira como Chico Mendes, mas tem uma doçura que está ficando até rara hoje em dia. É simples e culta ao mesmo tempo, é inteligente sem perder a humildade. Um adolescente me disse, outra vez, que a Marina "é feia" e acho que ela ainda não se dedicou, na verdade, a ser um pouco mais vaidosa, o que não seria pecado. Se quisesse, podia usar pinça nas sobrancelhas, mas talvez isso tenha a ver com alguma forma de "naturalismo", não sei bem se é isso, como aqui no Sul parece sagrado não aparar aquele bigodão do Olívio. Mas na verdade eu nunca consegui imaginar a Marina feia e tirando aquele adolescente não sei quem mais a vê assim, tamanha a beleza que ela irradia quando fala. Tenho de me cuidar pra não falar muito isso, minha namorada é bem vaidosa e sabe que é amada, mas eu admiro tanto a Marina que ela já deve andar com um pouco de ciúmes.

Faz sentido imaginar que Marina Silva não queira ficar uma hora por dia se maquiando porque ela dedica sua vida às causas que dão sentido à vida, mesmo que também lhe dêem olheiras. Desde problemas básicos de sobrevivência dos trabalhadores mais simples, que vem de sua origem humilde, até os problemas mais complexos do desenvolvimento sustentável. De como fazer com que os modos de produção das empresas e os planos de governo sejam capazes de preservar nossa principal riqueza, os recursos naturais. De como fazer a política partidária incluir valores humanos e de convivência harmoniosa. Em 2009, ela contribuiu na liderança de um novo projeto para o país, evitando que as eleições de 2010 sejam um mero plebiscito entre os candidados dos governos dos últimos oito anos e dos oito anos anteriores."
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AUTOR : Montserrat Martins (médico psiquiatra, P. Alegre)

CAOS NO CLIMA - 1

Os efeitos do aquecimento global podem ser vistos no Brasil e em praticamente todo canto do planeta. O ambientalista inglês, David Attenborough, correu o mundo para registrar o que já está acontecendo. O resultado está no documentário "Climate Chaos", produzido pela BBC.

CAOS NO CLIMA - 2

CAOS NO CLIMA - 3

CAOS NO CLIMA - 4


O relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, é o resumo de centenas de pesquisas apresentadas por 2,5 mil cientistas. Só o que foi consenso entrou nas 20 páginas do documento.

São páginas cinzentas: o documento confirma dados que o Fantástico antecipou na semana passada e é a prova dos nove para alguns temas apresentados na nossa série Caos no Clima.

Mais dias quentes e menos dias frios. Segundo o IPCC, isso vai acontecer com mais de 99% de certeza, ou seja, vai acontecer e ponto final. As tempestades fortes vão ficar mais comuns: disso, os cientistas têm mais de 90% de certeza. As áreas de seca devem se expandir, com mais de 66% de certeza. Aumento da intensidade dos ciclones: mais de 66% de certeza.

Há outros prognósticos sombrios. O nível do mar deve aumentar entre 20 e 60 centímetros até o fim do século. A conclusão do relatório: nos últimos cem anos a terra esquentou 0,74ºC, mas nos próximos cem anos deve esquentar muito mais -- 3ºC.

Com três graus a mais na temperatura média da Terra, agora confirmados pela ciência, o planeta vai mudar. Nós, humanos, vamos sentir mais calor e acabar nos adaptando. Mas e os animais?

Os cientistas estimam que, no fim do século 21, metade de todas as espécies animais estarão sob risco de extinção. (...)

Aquecimento amplificado

Mudanças lentas no cenário terrestre, como o derretimento de massas de gelo, ampliam o aquecimento promovido pela emissão de gases de efeito estufa. A conclusão é de uma pesquisa publicada neste domingo (20/12) na revista Nature Geoscience, logo após a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15).

O estudo investigou um outro período de aquecimento global, ocorrido há cerca de 4,5 milhões de anos. Segundo o trabalho, uma pequena elevação nos níveis de dióxido de carbono atmosférico esteve associada com um aquecimento global substancial durante o Plioceno Inferior.

O estudo destaca que a sensibilidade da temperatura da Terra a aumentos nos níveis de dióxido de carbono é maior do que as estimativas feitas por modelos climáticos que incluíam apenas mudanças mais rápidas.

O dióxido de carbono e outros gases estufa acumulam o calor na atmosfera, promovendo o aumento nas temperaturas atmosféricas e na superfície dos oceanos. Respostas relativamente rápidas ao processo incluem alterações nos níveis e no comportamento do vapor de água atmosférico, das nuvens e do gelo marinho.

Ana Christina Ravelo, professora de ciências oceânicas na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo, destaca que essas alterações de curto prazo provavelmente disparam mudanças de longo prazo em outros pontos, como na extensão dos mantos de gelo continentais, na cobertura vegetal e na circulação oceânica profunda, que levam a um aquecimento global adicional.

“A implicação é que esses componentes mais lentos no sistema terrestre, uma vez que têm tempo de se alterar e de se equilibrar, podem amplificar os efeitos de alterações pequenas na composição de gases estufa na atmosfera”, disse.

Os pesquisadores usaram amostras obtidas a partir de perfurações no fundo do mar em seis diferentes locais pelo mundo para reconstruir os níveis de dióxido de carbono nos últimos cinco milhões de anos no planeta.

Eles verificaram que durante o Plioceno Inferior e Médio (de 5 milhões a 3 milhões de anos atrás), quando as temperaturas médias globais estavam de 2º C a 3º C acima das atuais, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera era semelhante aos níveis atuais, ou 30% maior do que os valores pré-industriais.

“Uma vez que não há indicação de que o futuro se comportará de modo diferente do passado, podemos esperar alguns graus a mais de aquecimento mesmo se mantivermos as concentrações de dióxido de carbono nos níveis atuais”, alertou Mark Pagani, professor de geologia e geofísica na Universidade Yale e outro autor do estudo.
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FONTE : (Envolverde/Agência Fapesp)

A Natureza não conta : projeto econômico de Lula e Serra é o mesmo

Em entrevista especial ao IHU On-line, a economista Leda Paulani afirma que "a lógica do sistema capitalista é contrária a qualquer uso racional dos recursos naturais".

A professora analisa o desenvolvimento da economia brasileira nos últimos anos, trazendo dados importantes como a passagem do primeiro para o segundo mandato de Lula, a crise econômica, as perspectivas para 2010 e a atual taxa cambial brasileira. “Dada a forma que a sociedade se organiza hoje, se simplesmente desacelerar o crescimento no mundo todo, se joga bilhões de pessoas na miséria. É uma contradição enorme. Como vai se defender, num país como o Brasil, que o país não cresça mais?”, disse ela na entrevista que concedeu por telefone.

Leda Paulani é doutora em Teoria Econômica pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da universidade de São Paulo. Em 2004, recebeu o título de Livre-docência da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, onde, atualmente, é professora. É presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política e pesquisadora Sênior da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Escreveu Lições da Década de Oitenta (Sao Paulo: EDUSP, 1995), A Nova Contabilidade Social (São Paulo: Editora Saraiva, 2000), Modernidade e Discurso Econômico (São Paulo: Boitempo Editorial, 2005) e Brasil Delivery: Servidão financeira e estado de emergência econômico (São Paulo: Boitempo Editorial, 2008).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – É possível que a economia brasileira alcance, em 2010, o padrão de crescimento da China?

Leda Paulani – Creio que não. Os 8% que a China cresceu esse ano? Não. Deve ficar, se nada acontecer, perto dos 4,5%.

IHU On-Line – O que explica, no caso brasileiro, a rápida retomada do crescimento logo após a grave crise econômica internacional?

Leda Paulani – Na realidade, a economia brasileira já vinha com uma aceleração do crescimento por conta desse aumento da oferta de crédito para a população de renda mais baixa, o crédito consignado, e o aumento do salário mínimo real. Tudo isso fez o mercado crescer. O consumo estava crescendo, o investimento estava, ainda que pouco, reagindo. A economia vinha nesta toada e a crise deu uma “brecada” nisso. Agora, passada essa fase mais aguda da crise, o crescimento foi retomado em função dessas variáveis, que já estavam colocadas desde antes da crise.

IHU On-Line – Diante da atual taxa cambial brasileira, podemos dizer que estamos diante de uma excessiva valorização do real diante do dólar?

Leda Paulani – Esta é uma questão muito controversa. Sempre há quem diga que não há taxa de câmbio
"Se nossa moeda se valoriza demais, como vem acontecendo, começamos a perder mercado interno e externo"

tecnicamente correta. Eu não concordo com isso. Acho que um país como o Brasil teria que tomar cuidado com esse preço, que é extremamente importante. Se nossa moeda se valoriza demais, como vem acontecendo, começamos a perder mercado interno e externo. Outras conseqüências num médio prazo podem advir daí, como a desindustrialização etc. Acho que, como a moeda brasileira vem de um processo de quase cinco anos de valorização ininterrupta, não podemos dizer que não há conseqüências.

IHU On-Line – O BNDES tem fornecido sucessivos aportes de recursos. Qual é o papel que o banco joga hoje na estratégia do governo?

Leda Paulani – O BNDES é um instrumento múltiplo, pode ser utilizado de várias formas e, para o governo brasileiro, é um privilégio ter um instrumento como esse. O banco tem um papel importante porque pode, num contexto de retração completa do crédito, acabar melhorando um pouco essa situação, tornando-a menos drástica. Por outro lado, ele também pode ser usado, como foi, por exemplo, na época das privatizações do governo FHC, para financiar os compradores das empresas estatais brasileiras.

IHU On-Line – Pode-se falar em um “Lula 2”, a partir do segundo mandato, sob a perspectiva da política econômica?

Leda Paulani – Se compararmos a segunda gestão com a primeira, digamos que há o chamado desenvolvimentismo ou políticas desenvolvimentistas que começaram a ter um espaço nesse segundo período. A crise, de certa forma, acabou praticamente exigindo esta mudança de postura do governo. Se o governo tivesse se mantido durante a crise com a mesma postura que tinha no primeiro mandato, a crise teria sido muito profunda aqui no Brasil.

IHU On-Line – Como a senhora avalia as teses de que o crescimento econômico progressivo, a obsessão em aumentar o PIB, está na contramão da crise climática?

Leda Paulani – Acho que esta tese é absolutamente correta. A lógica do sistema capitalista é contrária a qualquer uso racional dos recursos naturais, simplesmente porque, para o sistema, quanto mais vende melhor. Mesmo para o trabalhador isso também é verdade, pois o emprego depende disso. Na realidade, a vida da maior parte das pessoas do planeta depende do sucesso dos negócios capitalistas. Um exemplo: uma pessoa pode ter quatro pares de sapato, seria o suficiente para ela ter satisfeitas suas necessidades de agasalhar o pé. Porém, evidentemente, que para quem produz sapato o interessante é essa pessoa ter 40 ou 400 sapatos, ainda que para viabilizar a produção nesse nível se tenha que destruir muitos recursos naturais, alterar o clima ou produzir gases tóxicos. Então, essa tese é absolutamente verdadeira. Acho que esta questão ambiental vai se tornar cada vez mais a grande questão a ser discutida. Como se acomoda a lógica do sistema capitalista, levando em conta o capitalismo global, com a finitude dos recursos do planeta?

IHU On-Line – A partir disso, o mundo deveria de fato desacelerar o crescimento econômico?

Leda Paulani – Dada a forma que a sociedade se organiza hoje, se simplesmente desacelerar o
"Como vai se defender, num país como o Brasil, que o país não cresça mais? E os milhões e milhões de pessoas que não tem outro jeito de viver a não ser arrumando emprego?"
crescimento no mundo todo, bilhões de pessoas serão jogadas na miséria. É uma contradição enorme. Como vai se defender, num país como o Brasil, que o país não cresça mais? E os milhões e milhões de pessoas que não tem outro jeito de viver a não ser arrumando emprego? Este é o grau da contradição.

IHU On-Line – Como a senhora vê a opção brasileira em investir pesadamente em matrizes energéticas que exigem enormes estruturas: hidrelétricas, nuclear e o pré-sal?

Leda Paulani – Acho que energia é um bem estratégico, então o governo de cada país tem a obrigação de cuidar de seu abastecimento energético. Já vivemos dois apagões para saber como é complicado quando essas coisas falham. Evidentemente que hoje, tendo em vista este cenário de problemas ambientais cada vez mais agravados, tem que se procurar as fontes menos poluidoras e gerar energia da forma menos poluidora possível. O Brasil, neste ponto, é privilegiado porque tem “n” quantidades de água e pode produzir energia hidrelétrica, que é muito barata para o país e polui muito menos que a energia térmica, por exemplo.

Nós também temos a possibilidade do etanol, mas aí já existem uma série de outras conseqüências. Com relação ao pré-sal, a questão é que o mundo ainda vai continuar precisando de petróleo durante muito tempo, e por mais que seja muito mais caro extrair petróleo nessas camadas, ele vai se viabilizar economicamente. Para o Brasil isso não é ruim, a não ser pelo fato de que se pode, por conta de se tornar um país exportador de petróleo, acabar sofrendo daquilo que chamamos, na macroeconomia, de “Doença holandesa”, e acabar só produzindo petróleo e se tornar dependente de produção externa para tudo mais. Isso acontece com os países produtores de petróleo hoje, tanto os árabes quanto a Venezuela, por exemplo.

IHU On-Line – Estaríamos ainda presos a uma concepção de desenvolvimento tributária da sociedade industrial?

Leda Paulani – Sim, com certeza. O padrão de vida e sociedade que temos hoje ainda está moldado à indústria, a grande revolução do Ocidente no final do século XVIII. Isto pauta tudo, até hoje.

IHU On-Line – O governo está mais ‘desenvolvimentista’ e menos ‘monetarista’?

Leda Paulani – Eu diria que o governo está mais desenvolvimentista, mas não diria que está menos monetarista. Acho que o governo ainda tem uma postura muito conservadora e nossa taxa de juros ainda é uma das mais elevadas do mundo. Nossa taxa de juros caiu, só que na maior parte do mundo desenvolvido as taxas de juros são praticamente negativas, então nossas taxas de juros ficam extremamente atrativas, para o capital estrangeiro, por exemplo. As taxas de juros foram realmente muito elevadas e continuaram elevadas, apesar da queda em termos absolutos. Não diria que o governo está menos monetarista. Está mais desenvolvimentista, mas não é contraditório continuar a ser monetarista, de certa forma.

IHU On-Line – Pensando 2010, a senhora vê diferenças entre o projeto econômico de Serra e Dilma?

Leda Paulani – Não, nenhuma diferença. Para mim é o mesmo projeto há muito tempo. Quando o Lula se elegeu pela primeira vez, se imaginava que seria outro projeto, mas não era verdade, e cada vez mais está ficando claro que é o mesmo projeto. São administrações competentes da realidade capitalista, num contexto de transformações mundiais, mas não acho que tenha realmente nenhuma diferença substantiva.
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FONTE : (Envolverde/IHU-OnLine)

sábado, 26 de dezembro de 2009

TRANQUILIZANDO OS ANIMAIS NAS FESTAS DE FIM DE ANO

Propus-me a conscientizar o maior número possível de pessoas sobre os danos que causamos aos animais ao usar pirotecnia, para que nas festas deste ano eles não sofram. Nas festas do ano passado tive que ver as consequências da infeliz pirotecnia: cachorros perdidos, atropelados, aturdidos e agonizando longe de seus guardiães - que nunca mais encontrarão - .Somente na província de Neuquen contei mais de 100.

Quando praticas a pirotecnia, teu cachorro, gato, cavalo sente: palpitações, taquicardia, salivação, tremores, sensação de insuficiência respiratória, falta de ar, náuseas, atordoamento, sensação de irrealidade, perda de controle, medo de morrer.

Essas alterações provocam na conduta do animal tentativas descontroladas de escapar, incentivada pelo estado de pânico, podendo durar vários minutos e em casos severos podem variar de 1 a várias horas, dependendo do tempo que dure o estímulo (barulho provocado por fogos nas festas de final de ano).

Para minimizar este sofrimento, indicamos abaixo a receita de florais da terapeuta Martha Follain:

Florais de Bach

ATENÇÃO: Quando for mandar manipular a fórmula Floral, lembre de avisar que a mesma não poderá conter CONSERVANTES, portanto, O ÁLCOOL, A GLICERINA E O VINAGRE DE MAÇÃ estarão FORA! Nesta fórmula, somente poderá entrar ÁGUA MINERAL, e, embora, nas farmácias de manipulação costumem dizer que esta fórmula só dura dois dias, NA GELADEIRA, ela durará QUINZE DIAS, com certeza! Mande fazer, em qualquer farmácia de manipulação (aquela que avia receitas):

RESCUE + CHERRY PLUM + ROCK ROSE + MIMULUS + VERVAIN + SWEET CHESTNUT

DOSAGEM

* Para aves pequenas: 2 gotas da fórmula, 4 vezes ao dia, pode ser colocada no bebedouro;
* Para aves médias: 4 gotas da fórmula, 4 vezes ao dia, pode ser colocada no bebedouro;
* Para cães de pequeno e médio porte e gatos: 4 gotas da fórmula, 4 vezes ao dia, diretamente na boquinha;
* Para cães de grande porte e gigantes: 6 gotas, 4 vezes ao dia, diretamente na boquinha de seu amigão;
* Para cavalos ou animais de grande porte: 10 gotas, 4 vezes ao dia, para cada litro.

Para se ter absoluto sucesso no tratamento, é interessante que se tenha continuidade no mesmo, não esquecendo de ministrar as gotinhas regularmente. Aconselha-se a começar o tratamento, pelo menos, 5 dias antes do natal e estendê-lo até o dia 3 de janeiro, já que algumas pessoas insistem em prolongar a barulheira!
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AUTORA : Virgínia Bagés, Argentina

Gibraltar e mais ao sul

Há 5,5 milhões de anos, o Mediterrâneo ficou isolado dos oceanos durante cerca de 350 mil anos. Secou quase completamente. Quando o Atlântico conseguiu fluir para o Leste, preencheu o espaço hoje ocupado pelo mar com uma impressionante e veloz inundação. Então nasceria o penhasco de Gibraltar que guardaria as duas margens entre a atual Espanha e o norte da África. Foi o que uma equipe de cientistas espanhóis descobriu e foi publicado na prestigiosa revista Nature.

Se a natureza não tivesse gerado esse fenômeno, muitos problemas geopolíticos teriam sido evitados. Isso foi muito antes de, pelo Tratado de Utrecht, de 1713, o uso militar da “rocha” passasse para o domínio da Grã-Bretanha. Desde então, sutilmente a Espanha questiona se foi uma cessão perpétua de soberania como reclama Londres.

Quase três séculos depois, a representante de Gibraltar, Kaiana Aldorino, como uma beleza natural mais de paisagem, foi proclamada Miss Mundo. Nem tudo é pacífico ao redor do penhasco, pois, uns dias antes, a política de Gibraltar deteve alguns guardas-civis espanhóis que haviam entrado na zona britânica perseguindo alguns contrabandistas galegos. Depois de mútuas desculpas, a disputa não teve maiores consequências. Ainda estava quente o incidente em que a tripulação de um navio britânico foi acusada de praticar tiros contra a bandeira espanhola. Afirmou-se que era uma boia que tinha cores semelhantes às espanholas.

Não são os primeiros atritos hispano-britânicos, nem serão os últimos, enquanto persistir o confuso estado colonial do penhasco, sobretudo desde que, há décadas, as duas nações são membros plenos da União Europeia, onde é insólito um exemplo de colonialismo dentro de um mercado comum. Pelo menos, a colaboração entre os governos britânico e espanhol conseguiu minimizar a transformação da cidade de Gibraltar em um paraíso fiscal, zona de passagem livre de capitais de origem suspeita e meca do contrabando regional.

Mas os casos de impacto no precário modus operandi entre Madri e Londres que deixa a fronteira aberta são recentemente mais frequentes que o desejável. Um submarino nuclear da Royal Navy acostou em Gibraltar com a desculpa de fazer reparos. As autoridades locais tentaram colocar uma equipe de futebol para competir nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Fifa. O príncipe Charles teve a genial ideia de iniciar sua viagem de lua de mel com a princesa Diana a partir do penhasco, provocando o boicote da família real espanhola à cerimônia nupcial em Londres.

O penhasco e sua região são ponto de referência para emaranhados de segurança que se estendem aos Estados norte-africanos e além. Canárias, Marrocos, e também Mauritânia e Senegal, modificaram o núcleo de preocupação de segurança da Espanha, tradicionalmente desenhado pelo eixo Baleares-Gibraltar-Canárias.

Ao aeroporto da ilha canária de Lanzarote chegou, vinda de El Aaiún, a ativista saariana Aminetu Haidar, declarada em greve de fome. Deixou de cabelo em pé os governos marroquino e espanhol, pois por um lado foi insolitamente expulsa por Rabat e, por outro, Madri afirma que entrou legalmente. O incidente fez renascer a polêmica do antigo território espanhol, objeto de dura disputa entre Argélia e Rabat. Além disso, incomoda os Estados Unidos, que não desejam que a sensível zona do oeste do Magreb esquente muito.

A secretária de Estado, Hillay Clinton, pediu urgência aos governos espanhol e marroquino para solucionar o problema. A administração de Obama evita forçar muito o governo de Hassan II, a fim de evitar que um enfraquecimento da monarquia autoritária dê lugar à influência do fundamentalismo islâmico, mal inclusive maior, como bem demonstra o fato de o vizinho do sul, a Mauritânia, ser incapaz de evitar a infiltração da Al Qaeda.

Três cooperantes espanhóis, pertencentes a uma ONG humanitária de Barcelona, foram sequestrados enquanto se dirigiam em missão por uma desértica região próxima à capital da Mauritânia, Nuakchot. Levavam doações de alimentos e remédios para serem distribuídas a outros países da região. A Al Qaeda reivindicou o sequestro. Sem meios para controlar seu próprio território, a Mauritânia é uma das nações candidatas a se converter em um “Estado falido” e cair nas garras do fundamentalismo. Se conseguir estabelecer uma base na região, a pinça do leste se uniria às margens do Atlântico, ameaçando não apenas o Marrocos, mas também as Canárias.

Isto ocorre quanto os atritos sobre Gibraltar estão distraindo as energias de Madri, diante de Ceuta e Melilla, os sobreviventes enclaves espanhois no norte da África, cabeça-de-praia da imigração ilegal e do tráfico de drogas. O mais lamentável da situação é que a necessidade de estabilidade, que tanto buscam Washington e Madri, tem o preço da manutenção do status quo na Argélia e sobretudo no Marrocos, à custa da sobrevivência do autoritarismo, disfarçado este último de monarquia benevolente, e da firmeza de perfil militar do regime argelino de Abdelaziz Bouteflika.
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AUTOR : Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami (IPS/Envolverde)

Resultado da COP-15 coloca em xeque negociações multilaterais

O fracasso das conversações climáticas em Copenhague põe mais uma vez em dúvida a efetividade do sistema de negociações multilaterais que exige um consenso, por enquanto impossível, para a tomada de decisões urgentes.

"A governança global não passa pela Organização das Nações Unidas (ONU), cujo mecanismo de negociações é pouco efetivo", afirma Eduardo Viola, professor da Universidade de Brasília, que estuda a geopolítica da mudança climática. Assim demonstram processos similares que se desenvolvem no âmbito da ONU, como o desarmamento nuclear ou a Rodada de Doha, na Organização Mundial do Comércio.

Um acordo inclusive informal entre as "três superpotências climáticas", China, Estados Unidos e a União Européia, é indispensável para destravar um tratado mundial ainda invisível no horizonte, uma vez que as duas primeiras são "irresponsáveis" nesse tema, declarou o professor.

"A China parece menos irresponsável porque se oculta atrás dos Estados Unidos", porém sua proposta de reduzir a intensidade de produção de carbono em 40% equivale a um aumento de 80% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, o que tornaria impossível conter o aquecimento global em 2ºC, sustentou Viola.

Acordo para disfarçar o fracasso

Os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam "uma crise de governabilidade" por causa da paralisante "capacidade de resistência das minorias", que limita o poder do presidente Barack Obama, que enfrenta três desafios cruciais: aprovar a reforma do sistema de saúde, a lei climática e conter a perda de popularidade, avaliou. A tarefa se agiganta porque "a metade da população norte-americana nem sequer acredita em mudança climática", advertiu.

Em Copenhague tentou-se, no último momento, disfarçar o fracasso da COP-15 através de um acordo entre Estados Unidos e o grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China). A tentativa não funcionou e provocou uma divisão no Grupo 77 (G77), que representa mais de 130 países do mundo em desenvolvimento em seu intento de manter vigentes as regras do Protocolo de Quioto.

Debaixo deste Protocolo, em vigor desde 2005, somente 37 nações ricas e industrializadas assumem metas compulsórias de redução das emissões contaminantes, mas o acordo perdeu força por causa da não adesão dos Estados Unidos.

De qualquer forma, a negociação direta entre Obama e o Basic aponta na mesma direção de disfarçar a dificuldade de chegar a um consenso entre 194 países, cujas desigualdades e heterogeneidades se ampliam, na questão climática.

O malogro da COP-15 estava previsto por Roberto Smeraldi, diretor da ong Amigos da Tierra/Amazônia Brasileira, que só espera um acordo global de fato para 2011 ou "quem sabe no próximo ano", tempo necessário para "amadurecer uma liderança" capaz de adotar alguma ação que arrastará os demais.

Acordo exigirá liderança com credibilidade

Segundo sua avaliação, "os avanços não passam pela negociação diplomática, que busca acordos por um mínimo denominador comum", insuficiente neste caso, a não ser pela economia e por um país líder que “assuma a dianteira”, como acontece nas corridas, algum tempo depois do inicio, quando todos estão juntos.

Essa liderança, "com massa crítica e credibilidade", só pode vir de países que encabeçam as emissões de gases de aquecimento e com condições econômicas que lhes permitam assumir a vanguarda, explicou. A Europa poderia fazê-lo, mas não o fez, e condicionou suas metas às ofertas de outros grandes emissores, exemplificou à IPS.

Entre as possíveis iniciativas nesse sentido Smeraldi apontou a imposição unilateral de sanções a produtos com alta intensidade de carbono e a destinação de bilhões de dólares, como se fez para salvar os bancos na recente crise financeira, em tecnologias limpas, obrigando os demais a seguir o exemplo para não perder competitividade.

"Sería ilógico que a diplomacia se adiantasse à economía e obtivesse um acordo vinculante em Copenhague”, explicou. Porém há sinais promissores, como a forte presença de empresários na COP-15, mesmo que sua voz não tenha sido ouvida nos debates, mostrando suas tecnologias, produtos e serviços.

Brasil pode ter uma liderança parcial

As mudanças na economia são rápidas, observou Smeraldi, citando como exemplo a Internet e a migração do capital financeiro para a China: em 2002, entre os 20 maiores bancos do mundo 17 eram britânicos ou norte-americanos, hoje são somente três, e os quatro primeiros são todos chineses.

O Brasil, em sua opinião, tem condições de liderar, porem parcialmente, por suas características específicas de possuidor de enormes reservas florestais e seus avanços na “civilização da biomassa”, prevista por Ignacy Sachs, polonês naturalizado francês que se auto-define como "eco-sócio-economista".

Este país sul-americano está entre as seis "potências climáticas", com poder limitado em relação às três "superpotências" para encaminhar soluções globais, porém que realizou "uma revolução em sua política climática este ano", assumindo metas voluntárias de redução de emissões e do desmatamento, reconheceu Viola.

A decisão da ex-ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, de deixar o partido governista, o Partido dos Trabalhadores, em agosto, para preparar sua candidatura à presidência da República pelo Partido Verde, foi um dos "fatores convergentes" da mudança de rumo do governo brasileiro, pois colocou o clima e o ambiente na agenda eleitoral, destacou.

Outro fator, segundo Smeraldi, foram as iniciativas dos governos estaduais. O estado de São Paulo, que concentra um terço do produto interno bruto nacional, adotou uma meta de 20% de redução absoluta de gases de efeito estufa até 2020, além dos estados amazônicos, que pressionaram por uma inclusão das florestas na negociação climática.

Há três anos o governo brasileiro “nem sequer admitia incluir o desmatamento nas negociações, só na COP-13, realizada em Bali, aceitou a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd) como geradora de créditos de carbono ou os fundos climáticos”, recordou.

Discurso contraditório

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o mais aplaudido em Copenhague, por reivindicar um forte tratado vinculante e oferecer contribuições brasileiras para a sua concretização, mas contradisse suas políticas internas, observou Sergio Santos Filho, secretário executivo da ong Instituto Socioambiental (ISA).

Lula "anistiou" o desmatamento praticado pelos ruralistas, suspendendo suas multas e concedendo prazos de três anos para cumprir regras ambientais, uma semana antes de falar na COP-15, e está cedendo a pressões dos agricultores na reforma do Código Forestal, destacou o ativista.

Além disso, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foco orientador do governo, segue os velhos paradigmas da expansão econômica, intensiva em carbono, disse ele.

O fracasso de Copenhague é grave porque a situação do clima se agrava a cada ano e as negociações não avançam no ritmo necessário, advertiu. Em cinco anos se derreterá o gelo do Ártico, elevando o nível dos oceanos, disse Filho.

O excesso de chuvas no sul do Brasil e as secas no norte amazônico já não podem explicar-se simplesmente pelo fenômeno periódico do El Niño, concluiu.
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FONTE : Mario Osava, da IPS (IPS/Envolverde)

Muito além da COP-15

Foram duas semanas de trabalho intenso, muitas expectativas e um final decepcionante? Não, não é assim que quero deixar registrada a minha participação na COP-15 em Copenhague. É preciso fazer uma análise se não de Poliana, mas que mantenha uma boa distância da opinião daqueles que acreditam ver nos resultados da conferência o fim da linha na luta contra as mudanças climáticas.

Baixar a guarda e jogar tudo para o alto, talvez seja o caminho mais fácil e natural, se considerarmos todos os prognósticos até chegarmos a fatídica e última semana do encontro.

Pois foi um grande banho de água fria. Ainda mais ao lembrar que durante o período que estivemos em contato direto com os participantes das mais variadas matizes, muitos com larga experiência nesse tipo de conferência, eram possíveis de serem encontradas opiniões diversas, mas em praticamente todos os casos havia algum otimismo. Fiz várias entrevistas e elas demonstravam com quase unanimidade que Copenhague teria um acordo, não o acordo dos sonhos, mas algo acima do razoável.

Os experientes negociadores brasileiros, por exemplo, acreditavam nesse bom acordo e, claro, com muitas lacunas em aberto que seriam solucionadas ao longo do próximo ano. Ninguém apostava num acordo “corajoso, ambicioso e com força de lei”, como pregavam os países em desenvolvimento e os manifestantes das ONGs que diariamente pressionavam as lideranças mundiais a assumir compromissos efetivos. Mesmo assim, não havia quem apostasse num acordo tão tímido.

Ao final, o interesse particular prevaleceu de maneira pouco inteligente, pois a ausência de um acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa vai custar mais caro em recursos, em vidas e em riquezas da biodiversidade do planeta.
Mas, como diziam os velhos militantes da esquerda brasileira: - a luta continua, companheiro! Copenhague não era a última trincheira dessa batalha, outras virão. O que precisa ficar bem claro é que a COP-15, mostrou de maneira muito clara, a importância e a urgência que o tema das mudanças climáticas passou a ter na agenda das discussões mundiais.

A participação de 5 mil jornalistas do mundo todo, mais de uma centena de chefes de estado e milhares de integrantes de delegações nacionais e organizações da sociedade civil comprovaram o sucesso desse encontro. Os semblantes carregados dos líderes mundiais ao falar do aquecimento global não deixam dúvidas: a busca pelo desenvolvimento sustentável, ou melhor, menos insustentável está na ordem do dia e assim irá permanecer ao longo dos próximos anos.
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FONTE : Reinaldo Canto, especial para a Envolverde (Jornalista, consultor e palestrante, foi correspondente da Envolverde na COP-15 em Copenhague)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Vozes do Clima -

As mudanças climáticas nos biomas brasileiros Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal estão dificultando a vida das populações locais. O modelo de desenvolvimento baseado nas monoculturas de eucalipto, soja, cana-de-açúcar, expulsa estas populações de seus territórios e cria graves conflitos sócio-ambientais.


FONTE : Fátima Mello da FASE/REBRIP – Rede Brasileira Pela Integração dos Povos

Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar
Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde de menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem pra acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira uqe o jacarandá
Antes de virar poltrona ports armário
Mora no dicionário vida eterna secular

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é

Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d’arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, massaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, anjico, amargoso gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

História de Hachiko

Todo ano em 8 de abril ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya, em Tóquio. São centenas de amantes de cães que se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko, fiel companheiro do Dr. Eisaburo Ueno, um professor da Universidade de Tóquio.

Mas, quem foi Hachiko? Que houve de tão extraordinário em sua vida para granjear a admiração e o respeito de tantos que assistem a tal reunião de caráter solene? O artigo intitulado "Velho e fiel cão espera pelo retorno do dono por dez anos", publicado na edição do Asahi Shinbun de 4 de outubro de 1933, lança luz sobre estas questões.

O texto impresso fez um registro histórico de uma das mais bonitas, se não, a mais bela e ímpar história de lealdade, fidelidade e incondicional amor de um cão para com seu dono. De tão incrível era a história contada nas entrelinhas do artigo que a atenção de todo o povo japonês se voltaria para ela; nada menos que o mundo acabaria se rendendo a tal registro épico!

Diga-se, de passagem, que a comovente história do Chu-ken Hachiko (o cachorro fiel Hachiko) rendeu um livro e um filme chamado "A História de Hachiko", mas, sobretudo, colaborou sobremaneira para que a reputação da raça se tornasse conhecida e famosa em todo o mundo, além de impulsionar um apaixonado movimento de restauração e preservação da raça Akita em seu país de origem, o Japão.

O nome do protagonista e aspirante ao estrelato da história contada pelo Asahi Shinbun, e que ficou conhecido em todo o mundo, era Hachiko, um cão branco da raça Akita; o coadjuvante, seu próprio dono, o Dr. Eisaburo Ueno.Pode-se dizer que a história toda teve seu início muito antes daquele 4 de outubro de 1933, data em que o artigo veio a público.

O "Era uma vez..." desta história teve seu ponto de partida em novembro de 1923, portanto, exatos dez anos antes. Naquele mês e ano nasceu Hachiko, na cidade de Odate, província de Akita.

Em 1924, Hachiko foi enviado a casa de seu futuro proprietário, o Dr. Eisaburo Ueno, um professor do Departamento Agrícola da Universidade de Tóquio. A história dá conta de que o professor ansiava por ter um Akita há anos, e que tão logo recebeu seu almejado cãozinho, deu-lhe o de Hachi, ao que depois passou a chamá-lo carinhosamente pelo diminutivo, Hachiko. Foi uma espécie de 'amor à primeira vista', pois, desde então, se tornariam amigos inseparáveis!

O professor Ueno morava em Shibuya, subúrbio de Tóquio, perto da estação de trem que levava (e que leva até os dias de hoje) o mesmo nome. Como fazia do trem seu meio de transporte diário até o local de trabalho, já era parte integrante da rotina de Hachiko acompanhar seu dono todas as manhãs. Caminhavam juntos o inteiro percurso que ia de casa à estação de Shibuya. Mas, ainda mais incrível era o fato de que Hachiko parecia ter um relógio interno, e sempre às 15 horas retornava à estação para encontrar o professor, que desembarcava do trem da tarde, para acompanhá-lo no percurso de volta a casa.

Entretanto, algo de trágico estava para acontecer no dia 21 de maio de 1925 — mal se sabia, mas, reescrevia-se ali um novo desfecho para a história. Hachiko, que na época tinha pouco menos de dois anos de idade, à hora certa, lá estava na estação como de costume, pacientemente (e de rapinho abanando!) à espera de seu dono. Só que o professor Ueno não retornaria naquela tarde de 21 de maio; sofrera um derrame fatal na Universidade que o levara a óbito. Destarte, ainda que alheio da realidade, naquele dia o leal e fiel Akita esperou por seu dono até à madrugada.

Após a morte do professor Eisaburo Ueno, conta a história que seus parentes e amigos passaram a tomar conta de Hachiko. Mas, tão forte e inexpugnável era o vínculo de afeto para com seu amado dono — lealdade, fidelidade e incondicional amor levados ao extremo —, que no dia seguinte à morte do professor ele retornou à estação para esperá-lo. Retornou todos os dias, manhã e tarde à mesma hora, na incansável esperança de reencontrá-lo, vê-lo despontar da estação de Shibuya. Às vezes, não retornava à casa por dias!

Foi assim dez anos seguidos repetindo a mesma rotina (quiçá, já não tão feliz), razão pela qual já era uma presença familiar e pitoresca para o povo que afluía à estação. E ainda que com o transcorrer dos anos já estivesse visivelmente debilitado em conseqüência de artrite, Hachiko não se indispunha a ir diária e religiosamente à estação. Nada nem ninguém o desencorajava de fazer sua peregrinação!

A história tem seu triste clímax em 8 de março de 1935, quando aos 11 anos e 4 meses, Hachiko é encontrado morto no mesmo lugar na estação onde por anos a fio esperou pacientemente por seu dono, onde durante dez anos se tinha mantido em vigília.

Hachiko, como não poderia deixar de ser, tornou-se um marco, um referencial de amizade talvez jamais igualável em qualquer era anterior ou futura na história. Sua descomunal lealdade e fidelidade receberam o reconhecimento de todo o Japão. Em 21 de abril de 1934, praticamente um ano antes de sua morte, uma pequena estátua de Hachiko, feita de bronze pelo famoso artista japonês Ando Teru, foi desvelada em sua honra numa cerimônia perto à entrada da estação de Shibuya, local onde morreu. Era a memória de Hachiko sendo imortalizada.

Durante a 2ª Guerra Mundial, para aplicar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas, e, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko.

Após a guerra Hachiko foi duramente esquecido; todavia, como toda história que se preze precisa ter um final feliz, em 1948 a The Society For Recreating The Hachiko Statue — entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko — convidou Ando Tekeshi, o filho de Ando Teru (escultor da estátua original), para esculpir uma nova estátua. Até os dias de hoje a réplica encontra-se colocada no mesmo lugar da estátua original, em símbolo de um tributo à lealdade, confiança e inteligência de uma raça, a Akita.

Todos que passam pela estação de Shibuya, em Tóquio, podem ver e comover-se com a imponente estátua de Hachiko, erguida em sua memória, eternizando a história de paixão e lealdade incomparável desse cão por seu dono. A efígie, esculpida em bronze e que repousa sobre um pedestal de granito, ergue-se como uma silenciosa prova do lugar ocupado pelos Akitas na história cultural e social do Japão.

A estação de Odate, em 1964, recebeu a estátua de um grupo de Akitas; anos mais tarde, em 1988, também uma réplica da estátua de Hachiko foi colocada próxima a estação. [Fotos — À direita, "Jovem Hachiko e seus amigos". Escultor: Zenichiro Aikawa, nascido em Akita. À esquerda, "Estátua de Hachiko na estação de Odate, Akita Prefecture". Escultor: Yoshio Matsuda, nascido em Akita]

A história de Hachiko atravessa anos, passa de pai para filho, sendo até mesmo ensinada nas escolas japonesas - no início do século para estimular lealdade ao governo, e, na atualidade, para exemplificar e instilar o respeito e a lealdade aos anciãos. Apesar de Hachiko ter sido um cão, deixou uma grande lição de vida 'animal' para todo bom amigo.

Na atualidade, viajantes que passam pela estação de Shibuya (provavelmente o ponto de encontro mais popular em Shibuya) podem comprar presentes e recordações do seu cão favorito na Loja "Shibuya No Shippo" (ou "Tail of Shibuya"), localizada no Memorial de Hachiko.

Hachiko foi empalhado (para conservar-lhe as formas) e submetido à substâncias que o isentam de decomposição, e o resultado deste maravilhoso processo de conservação está agora em exibição no Museu de Artes de Tóquio.

Quase setenta anos decorreram desde a morte do Chu-ken Hachiko, mas ele nunca será esquecido! A história por detrás da estátua de bronze perpetua-se no tempo, e continua esquentando os corações da população local e de turistas do mundo inteiro.
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FONTE : Sites, o filme Hachiko Monogatari 1ª edição e livros online na internet.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Papai Noel existe - em nossos sonhos... ou a ressaca pós-COP 15 !!

A COP 15 acabou com nossos sonhos de um Planeta descarbonizado e uma sociedade mais justa? Claro que não! Porque não acreditamos mais em ‘papais noéis’ e sabemos que o mundo melhor que a gente deseja depende de mudanças em várias direções e não apenas de cima para baixo! É sempre bom lembrar que este mundo melhor não precisa começar, necessariamente, no outro, mas em nós, claro, de acordo com a capacidade e a responsabilidade diferenciada de cada um.

Para quem já viu este filme antes, na ECO 92 e no Protocolo de Kioto, sabe muito bem que não deve esperar muito dos representantes dos países do mundo quando se trata de tomar decisões de interesse comum a toda a humanidade, pois não estão ali para representarem a si próprios, mais aos seus países, onde os interesses conservadores para que tudo permaneça como está são fortes e ocultos, irrigados por fartos dólares de setores da economia viciados em carbono. Não é por acaso que estes setores são também os maiores financiadores de campanhas eleitorais, não por que estejam preocupados com a Democracia e o interesse comum, mas com seus próprios interesses! Fazem uma escolha por corromper corações e mentes para prosseguirem usufruindo e poluído um meio ambiente que é de todos, doa a quem doer, na esperança de que serão capazes de se salvar no caso de um colapso planetário! Os líderes dos impérios Maia, Incas, Astecas, e do povo da Ilha de Páscoa tiveram atitude semelhante e agarraram-se às suas riquezas e poder, e tiveram o privilégio de serem extintos por último! Quando não aprendermos com as lições que a vida nos oferece, prosseguimos repetindo erros.

Saber das fragilidades da Democracia, onde cada voto tem peso diferente em função de cada país, deve servir para nos ajudar a não depositar nossas esperanças nesses encontros de líderes mundiais, embora sejam necessários por fazerem parte do processo de mudança. E como os EUA vem sendo de longe o maior beneficiário com o saque ao Planeta, qualquer acordo global para este país significará ter de pagar a conta pelo desastre e ainda ter de cortar na própria carne de sua economia viciada em carbono. Então, não devemos nos iludir achando que a mudança virá dos EUA. Não virá, a não ser que uma nova economia, de baixo carbono, lhe seja favorável economicamente. Então, não alimentemos ilusões e esperanças de que desse ‘mato sairá algum cachorro’, por que só sairão mais lobos para comerem os carneiros de sempre...

O que estamos assistindo nos últimos anos é um processo de ruptura, em que uma economia de mais de 250 anos baseada na queima de combustíveis fósseis e no desmatamento começa a ceder lugar a outra economia, das energias renováveis e da floresta em pé! Esta nova economia limpa ainda não é a dominante, mas a cada dia que passa se torna mais e mais visível, substituindo a outra suja, independente das mudanças de cima para baixo! Quando o MDL ( Mecanismos de Desenvolvimento Limpos ), medida proposta pelo Brasil no Protocolo de Kioto, entrou em vigor em 2005, quando a Rússia assinou o Protocolo, alcançando 55% dos países signatários, já encontrou um intenso mercado de créditos de carbono em andamento, o surgimento de novas tecnologias limpas, e indústrias em processo de gestão ambiental na busca da ecoeficiência no uso de materiais e na gestão de seus resíduos e negócios.

Talvez até consigamos com alguma dificuldade migrar definitivamente de uma economia suja e suicida para outra limpa e comprometida com a vida, mas a nossa mudança mais desafiadora está na capacidade de sermos mais generosos, solidários e menos egoístas, gananciosos e indiferentes com a dor e o sofrimento alheios, pois talvez até consigamos dar uma sobrevida à nossa espécie sobre o planeta, mas valerá a pena se perdermos a nossa humanidade?
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AUTOR : WILMAR BERNA, escritor e jornalista, editor da Revista e do Portal do Meio Ambiente. www.escritorvilmarberna.com.br (Envolverde/Rebia)

É a treva: rumo ao desastre - LEONARDO BOFF

Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:”É a treva”. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius.

ltrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:”faltou-nos inteligência” porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?

Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.

Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.

Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos “pro tempore” e pratica trabalho infantil em vários paises.

Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?

Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um “louco” numa sociedade de “sábios”, foi o presidente Evo Morales: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra”.

Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.
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AUTOR : Leonardo Boff é Teólogo (Envolverde/O autor)

Marina Silva diz que Brasil deveria ter contribuido com o Fundo Verde

A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, pré-candidata do Partido Verde à sucessão presidencial de 2010, classificou de “pífio” o resultado do encontro em Copenhague, na Dinamarca. Na avaliação de Marina, o Brasil perdeu a chance de fazer a diferença contribuindo para o fundo de ajuda aos países pobres.

"Um país que colocou US$ 10 bilhões no FMI pode investir recursos para ter solidariedade com os países que precisam”, disse a parlamentar, considerando ter sido um equívoco o país não ter aderido ao fundo. “Se o Brasil tivesse aderido, mostraria que, se um país em desenvolvimento pode colocar 10% do valor total que está sendo investido, os países ricos poderiam colocar muito mais”.

Essa adesão, segundo ela, seria uma ação simbólica, que poderia dar exemplo aos demais participantes da COP-15. Um total de 192 países participaram da conferência.

Perguntada se o PV saiu fortalecido depois do encontro da ONU, ela respondeu que o ideal seria que todos ganhassem. "O ideal seria que tivéssemos saído de lá com um acordo à altura da quantidade de chefes de Estado que estavam e à altura da importância política dos homens que estavam lá, mas, infelizmente quem teve o maior senso de responsabilidade, mais uma vez, foi a opinião pública.”

Ela afirmou ainda que foi para a COP-15 com a expectativa de que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apresentasse um reposicionamento sobre as metas de redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa. Esse mesmo comportamento, na opinião dela, deveria ter sido tomado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A senadora evitou fazer avaliações sobre o desempenho das autoridades brasileiras que participaram da conferência. Segundo ela, isso seria um ato de prepotência. Ela falou ainda que tem participado do encontro, desde a edição de 2003, porque tem preocupações com as ações em nível mundial para a preservação do meio ambiente.
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FONTE : Marli Moreira (Envolverde/Agência Brasil)

Retrospectiva Copenhague, segundo o Greenpeace

1º dia
Nossa contagem regressiva para o início de Copenhague chega ao fim. Os relógios espalhados por capitais pelo Greenpeace e a campanha Tique Taque são zerados.

Dois jornais brasileiros – Zero Hora e Diário Catarinense - se juntam a outros 56 jornais de 44 países e publicaram o editorial “Uma escolha para a História”. O texto é um apelo aos líderes do mundo para que se tome uma ação decisiva contra as mudanças climáticas.

2º dia
Brasil assume papel conciliador para resolver impasse da negociação.

ONGs, incluindo Greenpeace, pedem audiência com a ministra Dilma Roussef em Copenhague.

5º dia
Relatório diz que rebanho bovino brasileiro corresponde a quase metade das emissões brasileiras.

6º dia
Pessoas de todo o mundo se reúnem em protestos sobre o clima. No Brasil atividades foram realizadas em oito capitais: Porto Alegre, Manaus, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Brasília e Recife.

Ministra Dilma chega em Copenhague.

7º dia
Dilma deixa a entender em sua primeira coletiva de imprensa Brasil “vai se fazer” de pobre. Defende acordo tímido para o clima: 50% até 2050, um alvo mais modesto do que o defendido até em setores do governo brasileiro.

8º dia
Dilma reforça que o Brasil não pode se comprometer com financiamento para outros países porque senão estaremos dando um passo maior que nossas pernas.

9º dia
Dilma apresenta publicamente a posição oficial do Brasil na COP.

Dilma se encontra com representantes de ONGs brasileiras. Redd é o principal assunto da reunião.

10º dia
Equipe do Greenpeace e do WWF tentam passar a noite no Bella Centre, mas são expulsas.

Dilma anuncia o custo das metas de redução de emissões brasileiras até 2020: US$ 166 bilhões. Desse total, US$ 113 bilhões em empreiteiras e empresas de energia.


12º dia
Lula faz discurso na plenária da COP 15: se diz frustrado e vai embora.
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FONTE : (Envolverde/Greenpeace)

Fracasso de Copenhague só servirá para redobrar nossos esforços.

Assistimos com perplexidade o fraco resultado da COP-15, isso após as intensas discussões que vinham ocorrendo há muitos meses e que foram intensificadas nas duas semanas de realização da conferência na Dinamarca. Não chegamos ao acordo “corajoso, ambicioso e com força de lei”, tal qual se ouvia por todos os cantos e representava o desejo da maioria presente ao Bella Center, palco central da convenção.

A falta de avanços concretos e, sobretudo a indefinição quanto à participação efetiva dos governos locais no âmbito dos processos decisórios no acordo climático, nos deixa mais apreensivos, principalmente quando se considera que é nas cidades, comunidades e rincões, como a pequena ilha de Tuvalu ou o isolado município do Manaquiri (AM), que os primeiros impactos do aquecimento global transforma moradores tradicionais em vítimas.

Mas independente desse encerramento pífio, engendrado principalmente pelos países desenvolvidos, já tínhamos consciência que o caminho ainda seria longo e que Copenhague representaria apenas mais uma etapa.

O trabalho de participação e valorização dos governos locais no âmbito das discussões sobre o presente e o futuro do bioma Amazônia foi iniciado há vários meses pela Prefeitura de Manaus por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). O pioneirismo que foi empreendido na convocação da primeira Cúpula Amazônica de Governos Locais, atendida de pronto pelos nossos municipalistas da grande Amazônia internacional e os inúmeros países visitados, as diversas reuniões e encontros com dirigentes locais de todo o mundo, trouxeram importantes conquistas para Manaus e para a Amazônia.

Não foi por outra razão, que o Prefeito Amazonino Mendes esteve em Copenhague, não só representando a população da nossa cidade, mas também falando por todas as cidades da América Latina e Caribe afiliadas a CGLU (Cidades e Governos Locais Unidos). A voz da nossa região pode ser ouvida por todos os países do mundo e terá de ser assim daqui em diante.

Será impensável não levar em conta, em qualquer projeto que envolva a Amazônia, as pessoas que residem nas cidades da região. Também não fará mais sentido pensar o bioma amazônico sem considerar a sua dimensão e presença nos 9 países da América do Sul. Qualquer ação proposta para a Amazônia deve ultrapassar as fronteiras nacionais e ser pensado como um todo.

Estamos muito conscientes dos desafios que teremos pela frente nessa etapa pós-Copenhague. São desafios que envolvem a busca por novas parcerias, a consolidação das já existentes e um olhar cada vez mais atento aos anseios da população de nossa cidade.

Manaus, capital da Amazônia aumenta sua responsabilidade com a COP-16, que na Cidade do México, no final de 2010, tem a responsabilidade de não trocar a fama pela vergonha, como vimos acontecer na COP15.

E aos pessimistas de plantão, deixo aqui um recado: É preciso destacar que o grande mérito e legado que Copenhague nos deixou não é a mesquinhez dos que estavam mais preocupados em saber quem iria pagar a conta para mitigar os altos custos que certamente as mudanças climáticas vão trazer. Copenhague deverá ser lembrada como a etapa em que, definitivamente, sustentabilidade e meio ambiente deixaram de ser assuntos apenas para ambientalistas militantes, mas passaram a ser temas que fazem parte da agenda mundial e que interessa a todos os habitantes em qualquer canto do planeta.
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FONTE :Marcelo Dutra, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus (Envolverde/O autor)

TAP ganha prêmio planeta terra da Unesco

Programa de Compensação de Carbono da TAP reconhecido como "Produto Sustentável Mais Inovador" de 2010.

A TAP foi premiada pela UNESCO e pela União Internacional de Ciências Geológicas com o “Prêmio Planeta Terra 2010”, atribuído na categoria “Produto Sustentável Mais Inovador”, em reconhecimento do Programa de Compensação de Emissões de dióxido de carbono (CO2) da companhia. O Prêmio foi entregue em Lisboa a Fernando Pinto, Presidente - Executivo da TAP, por Luísa Sousa Otto, Project Manager da UNESCO para o International Year of Planet Earth.

A TAP foi a primeira companhia aérea do mundo a lançar, em 5 de Junho de 2009 (Dia Mundial do Ambiente), o Programa de Compensação de Emissões de CO2, em parceria com a IATA (International Air Transport Association). Este programa está disponível no site www.flytap.com e proporciona aos passageiros da companhia a oportunidade de compensarem, de forma voluntária, as emissões de CO2 resultantes dos seus voos, contribuindo assim para projetos de redução de emissões em países em desenvolvimento apoiados pela TAP.

Ao entregar o prêmio a Fernando Pinto, Luísa Sousa Otto salientou: “O Board do International Year of Planet Earth (IYPE), que analisou o Programa de Compensação de Emissões de CO2 da TAP, considerou-o um projeto inovador que representa um grande avanço na sustentabilidade da aviação”.

Fernando Pinto agradeceu o prêmio atribuído à companhia, afirmando na ocasião: “A TAP está fortemente envolvida e empenhada nas questões da responsabilidade ambiental, tendo eleito o ambiente como uma das suas prioridades máximas para 2009. Este prêmio da UNESCO enche-nos de satisfação e orgulho, ao reconhecer os esforços desenvolvidos pela empresa ao longo deste ano, e traduz-se num incentivo para prosseguirmos o nosso trabalho”, reforçando ainda que, “a indústria do Transporte Aéreo tem, recentemente, dado passos significativos nesse âmbito, os quais demonstram a sua preocupação crescente com as questões ambientais, através do lançamento de projetos concretos e medidas efetivas para a preservação sustentada do Ambiente.”

A importante distinção agora recebida reconhece o forte envolvimento e empenho da TAP nas questões de responsabilidade ambiental. A par do lançamento do Programa de Compensação de Emissões, e entre outras iniciativas relevantes, destaca-se o projeto dirigido ao público interno, designado Agir Eco, cujo conceito se baseia na renovação do compromisso de proteção do ambiente pela companhia, mobilizando e envolvendo todos os trabalhadores da TAP em ações concretas do dia-a-dia.

O compromisso ambiental assumido pela TAP permite também que a empresa lidere destacadamente o ranking de “Sustentabilidade” das empresas tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
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FONTE : (Envolverde/Assessoria)

Problemas climáticos já afetam produção de frutas no Brasil

Apesar da queda de 11,6% no volume de vendas, o setor espera retomada em 2010.

O Brasil deve fechar o ano com redução de 11,6% no volume de exportações de frutas nacionais, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), com base nos dados da Secex (Secretaria de Comercio Exterior). De janeiro a novembro, foram exportadas 707 mil toneladas de frutas, no mesmo período do ano passado foram 811 mil toneladas. Em 2009, o valor total do comércio internacional de frutos deve girar em torno dos US$ 561 milhões.

De acordo com Moacyr Saraiva Fernandes, presidente do Ibraf, essa redução de mais de 10% no volume de exportação é decorrente de diversos fatores, "mercados deprimidos, preços baixos e divergências climáticas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, além da decisão dos importadores em reduzir os contratos, foram alguns dos responsáveis pelo cenário que é visto hoje."

O clima prejudicou algumas culturas nesse ano, a região Nordeste foi a mais afetada e, consequentemente, as produções de banana, manga, abacaxi e uva sofreram quedas na exportação.

Já com a crise econômica, houve uma retração de compra por parte dos importadores, além de cortes nos financiamentos para as operações pré-embarque de muitos exportadores. Outro fator financeiro responsável por essa quebra na exportação foi a valorização do real com relação ao dólar, "com a valorização de 25%, desde janeiro de 2009, muitos exportadores reduziram as vendas externas e focaram no mercado interno, que se apresentou mais lucrativo", analisa Fernandes.

A pauta de exportações de frutas processadas também fechará em queda este ano, impulsionada pelo suco de laranja congelado, que teve uma redução 41% até novembro comparado com o mesmo período do ano anterior. Para o presidente do Ibraf "a dificuldade maior para as exportações de suco de laranja refere-se a queda de consumo mundial de cerca de 17% no período de 2001 a 2009, e também a grande concorrência de bebidas de frutas inovadoras".

Para 2010 a expectativa é por uma recuperação na demanda por parte dos países desenvolvidos. "A Europa e os Estados Unidos são os principais destinos das frutas brasileiras, com a recuperação da economia acreditamos que a busca pelos produtos deve voltar a crescer", ressalta Fernandes. O executivo, no entanto, alerta que uma maior valorização da moeda nacional e a ausência de ferramentas compensatórias por parte do governo podem prejudicar essa recuperação e impedir o alcance da meta.

Novos mercados

Para diminuir a dependência do setor nos mercados Europeu e Norte Americano, o Ibraf em parceria com a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos - Apex-Brasil, realizou um estudo para analisar os mercados potenciais para as frutas e seus derivados no exterior, visando incluir novos mercados no Projeto de Promoção das Exportações das Frutas Brasileiras e seus Derivados - Brazilian Fruit.

Países como Emirados Árabes, Arábia Saudita, África do Sul, Angola, Rússia, Hong Kong e China, aparecem neste estudo como mercados em expansão para as frutas brasileiras e seus derivados. "Estamos preparando o planejamento do projeto para 2010/2011 e dedicaremos esforços para promover o setor nestes países também" complementa Fernandes.

Perfil Brazilian Fruit

O programa Brazilian Fruit é realizado desde 1998 pelo Ibraf, em parceria com a Apex-Brasil, com o objetivo de promover as frutas brasileiras e seus derivados no exterior, consolidando a imagem do Brasil como grande produtor e exportador de frutas frescas e processadas com qualidade, diversidade e salutabilidade.

Em 1998 o projeto teve início com a promoção de 4 frutas frescas, atualmente agrega mais de 20 produtos frescos e processados. Os frutos desta iniciativa, podem ser percebidos nos resultados das exportações: em 1998 foram exportadas 296 mil toneladas de frutas frescas, já em 2008, o volume saltou para 888 mil toneladas. Quanto às frutas processadas em 2007 foram exportados US$ 2,7 bilhões.

Além do aumento das exportações, cabe destacar nos últimos anos o crescimento no número de empresas exportadoras, dos tipos de frutas exportadas e de seus respectivos países de destino.
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FONTE : (Envolverde/Ibraf)

Desmatamento da Amazônia cresce no segundo semestre de 2009

O desmatamento da Amazônia cresceu 21% em novembro deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo pelo menos 75 km² de floresta, contra 61 km² em novembro de 2008, de acordo com o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

No acumulado de agosto a novembro – os quatro primeiros meses do calendário oficial do desmatamento – a devastação já soma 757 km², 29% maior que no mesmo período do ano passado, quando o acumulado foi de 586 km². O dado confirma a tendência de crescimento do desmate na Amazônia registrada pelo Imazon em outubro.

Os números divulgados nesta terça-feira (22/12) mostram que em novembro o Pará foi responsável por 69% do desmatamento, com 51 km². O Amazonas aparece em segundo lugar, com 8 km² (11% do total) de novas áreas desmatadas, seguido por Mato Grosso, com 5 km² (6% do total registrado no período).

O levantamento também destaca as áreas de florestas degradadas, ainda em processo de desmate, que em novembro somaram 29 km². Por causa da cobertura de nuvens, foi possível observar 68% da região. “A região não mapeada corresponde a grande parte do Amapá (76% do Estado) e 51% do Acre”, de acordo com o relatório.

A estimativa do Imazon é paralela aos números oficiais de alerta de desmatamento, calculados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), que só deve divulgar os dados de novembro no próximo ano.

Há um mês, o Inpe anunciou a taxa anual de desmatamento da Amazônia Legal, medida de agosto de 2008 a julho de 2009, quando a floresta perdeu 7.008 km², menor resultado dos últimos 21 anos.
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FONTE : Luana Lourenço (Envolverde/Agência Brasil)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Principais pontos do Acordo de Copenhague

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, produziu um acordo climático na sexta-feira com Brasil, Índia, África do Sul e China. Mas o pacto, chamado de Acordo de Copenhague, fica longe das ambições que existiam antes da conferência do clima.

Veja, a seguir, os principais pontos:

*OBJETIVOS A LONGO PRAZO

"De acordo com a ciência, pedem-se profundos cortes nas emissões globais (...), o que permitiria manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados".

*ACORDO LEGALMENTE VINCULANTE

Uma proposta adjunta ao acordo pede para que seja fixado um acordo legalmente vinculante até o fim do próximo ano.

*FINANCIAMENTO DAS NAÇÕES POBRES

O texto diz: "Os países desenvolvidos deverão promover de maneira adequada (...) recursos financeiros , tecnologia e capacitação para que se implemente a adaptação dos países em desenvolvimento."

O documento menciona como particularmente vulneráveis e com necessidade ajuda os países menos desenvolvidos, os pequenos Estados, ilhas e as nações da África.

"Os países desenvolvidos fixam o objetivo de mobilizar conjuntamente 100 bilhões de dólares ao ano antes de 2020 para enfrentar as necessidades dos países em desenvolvimento. Os fundos virão de uma ampla variedade de fontes, públicas e privadas, bilaterais e multilaterais."

Um anexo contém os seguintes compromissos financeiros a curto prazo entre 2010 e 2012:

União Européia - 10,6 bilhões de dólares

Japão - 11 bilhões de dólares

Estados Unidos - 3,6 bilhões de dólares

*REDUÇÃO DAS EMISSÕES

Detalhes dos planos de mitigação estão em dois anexos do Acordo de Copenhague, um com os objetivos do mundo desenvolvido e outro com os compromissos voluntários de importantes países em desenvolvimento, como o Brasil.

*VERIFICAÇÃO

Um ponto de discrepância no pacto, principalmente porque a China se negou a aceitar controles internacionais, é o que trata do monitoramento dos compromissos das nações em desenvolvimento.

*PROTEÇÃO DE FLORESTAS

O acordo "reconhece a importância de reduzir as emissões produzidas pelo desmatamento e degradação das florestas" e concorda promover "incentivos positivos" para financiar tais ações com recursos do mundo desenvolvido.

*MERCADO DE EMISSÕES DE CARBONO

Mencionados, mas não em detalhes. O acordo diz: "Decidimos seguir vários enfoques, incluindo as oportunidades de usar is mercados para melhorar a relação custo-rendimento e para promover ações de mitigação.
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FONTE : Reuters, reuters.com

Acordo climático traz à tona falhas da ONU

Um tímido acordo climático foi alcançado no sábado depois que duas semanas de negociações se recuperaram após quase caírem por terra. O resultado deixou clara a vulnerabilidade do processo da ONU, que depende de um consenso, e pode marcar a diminuição da importância do órgão.

As principais negociações aconteceram entre aproximadamente 30 países, e o mais importante resultado envolveu apenas cinco deles: Estados Unidos, China, Brasil África do Sul e Índia.

O acordo final não tem força legal e deixa em aberto a adesão dos países. O resultado fica distante da convenção climática ampla da ONU.

"Não acho que seja o fim para o papel ambiental da ONU, mas é um novo modelo dentro do arcabouço," disse Jennifer Morgan, diretora do programa de energia e clima do Instituto dos Recursos Mundiais.

Ela apoiou "absolutamente" o papel dos chefes de Estado. Líderes mundiais voaram para Copenhague para participar dos últimos dias de reuniões, e o presidente Barack Obama foi importante para conseguir acabar com o impasse.

"Acho que essa é a história dessa conferência. Os chefes de Estado chegaram aqui e fizeram um acordo um pouco independente do processo da ONU. (Mas) ainda haverá muitos papéis importantes para a Convenção Climática da ONU."

O secretariado de mudanças climáticas da ONU ajudaria a monitorar as ações de países em desenvolvimento para controlar as emissões de gases causadores do efeito estufa, uma das questões mais complicadas da conferência da ONU, disse Morgan, como exemplo de papéis que a comissão poderá desempenhar.

Decisões da ONU têm de ser feitas por unanimidade entre países diferentes como os EUA e pequenas ilhas do Pacífico como Tuvalu, que tem apenas 12 mil habitantes.

Essa regra ameaçou inviabilizar a conferência de Copenhague, que aconteceu de 8 a 17 de dezembro --alguns países em desenvolvimento insistiram que qualquer texto fosse revisado numa sessão plenária com os 193 países-membros.

Fontes dizem que os anfitriões dinamarqueses estavam relutantes em fazer isso, com medo de que levaria muito tempo para o grupo criar uma versão preliminar do texto, algo que poria a perder vários dias de negociações. Na última noite, uma sessão plenária ilustrou claramente o problema que é chegar a uma opinião unânime sobre uma versão final do texto.

A intervenção direta do secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, foi necessária para resgatar o Acordo de Copenhague. Ban mediou o acordo para que países que estavam relutantes em assiná-lo, como a Venezuela e a Bolívia, participassem.

A decisão de sábado apoiou o objetivo de se criar um fundo anual de 100 bilhões de dólares até 2020 para ajudar os países pobres a lutar contra as mudanças climáticas. Ela também aceitou a opinião científica de que é importante limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius. Não houve metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa e nenhum compromisso de que todos os países um dia vão assinar o tratado que sucederá o Protocolo de Kyoto.

PRINCIPAIS ECONOMIAS

A principal autoridade ambiental da ONU, Yvo de Boer, disse que era exatamente o trabalho das Nações Unidas criar uma solução para um problema global, que pode causar um impacto aos países menos poderosos politicamente.

"Pode-se argumentar que seria muito mais eficiente apenas abordar as mudanças climáticas nos encontros do Grupo dos 20," cujos membros são responsáveis pela maioria das emissões de carbono, disse ele.

"(Mas) não está certo do ponto de vista tanto ambiental quanto da igualdade", porque isso excluiria muitos países, "que já estão na linha de frente das mudanças ambientais".

Parte da razão de ser da ONU, disse de Boer, "é assegurar que abordemos temas globais como as mudanças climáticas de modo igualitário, levando em conta as preocupações de todos."

A contagem regressiva para um acordo na sexta-feira envolveu 28 países, dizem fontes, inclusive países desenvolvidos como os EUA, a Europa e outros países emergentes grandes, como a Índia, a China e pequenos ilhas-Estado como Granada e as Maldivas.

O agrupamento acabou por se concentrar nas maiores economias, um grupo de negociações climáticas que lembrava o Fórum das Maiores Economias, um grupo que o ex-presidente americano George W. Bush reuniu para discutir o tema paralelamente à ONU e que muitos acusam de ter impedido um acordo mais amplo antes.

O resultado incompleto de Copenhague demonstra "uma fraqueza inerente" do processo de negociação sobre o meio ambiente da ONU, disse Andrew Light, coordenador de política internacional de clima no Centro para o Progresso Americano.

"Precisamos começar a buscar outras opções, ou pelo menos começar a usar alguns fóruns alternativos," disse ele, sugerindo o G20 e o Fórum das Maiores Economias.

Mas muitos países apoiaram com veemência o papel das Nações Unidas, exatamente porque ela preservou sua voz. "Não se pode chegar a um acordo que envolva apenas um número limitado de países," disse o embaixador brasileiro responsável por mudanças climáticas, Sergio Serra.

"Talvez em algumas ocasiões isso possa ser um motor para mobilizar os outros, mas eles nunca vão fazer um acordo sozinhos, porque o acordo não terá legitimidade. Portanto, a ONU continuará no centro de tudo isso."

"O processo da ONU é seguro," disse Dessima Williams, chefe da aliança de pequenos países-ilha. "Acho que houve questões de confiança, mas não acho que o processo desandou. O que é necessário agora é remendar alguns buracos e, sim, construir um pouco de confiança em torno do resultado da conferência."
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FONTE : Gerard Wynn, Richard Cowan e Emma Graham-Harrison e Alister Bull em Washington (Reuters, reuters.com)

Copenhague, um escândalo histórico

Não se deixe enganar pelas aparências se todos os discursos políticos dos 193 chefes de Estado e de governo ressaltarem os avanços da a 15a Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas. As declarações visam a tornar menos evidente para a opinião pública mundial que a maior reunião diplomática da história, realizada durante os últimos 12 dias, em Copenhague, é também o maior fracasso da história das negociações contemporâneas sobre a questão climática.

Aliás, é mais do que isso: é um escândalo.

Pasme: o texto “aprovado” por Estados Unidos, China, Brasil e Índia ainda não existe. Negociadores estão neste momento, 0h34min em Copenhague – 21h34min em Brasília – tentando encontrar mínimos consensos para justificar em um documento o que “líderes” acordaram sem ler.

A própria sobrevivência do Protocolo de Kyoto – o único mecanismo minimamente eficaz de política climática já elaborado – e de seu irmão natimorto, o documento que vinha sendo produzido há dois anos no grupo de trabalho LCA, está ameaçada nesta noite assustadora, em Copenhague.

A COP-15, cujos procedimentos formais prosseguem no Bella Center, terá como resultado um texto sem força de lei, com metas enfraquecidas de redução das emissões de CO2, sem instrumentos de financiamento, sem meios de verificação das ações ambientais nos países emergentes. A lista de falhas poderia se estender por várias páginas, e cada um de seus parágrafos deixaria claro que são vãos os esforços que presidentes como Barack Obama, dos Estados Unidos, e Nicolas Sarkozy, da França, estão fazendo para explicar o inexplicável.

A conferência de Copenhague, desenhada há dois anos, na COP-13, em Bali, na Indonésia, deveria marcar o apogeu da maturidade dos líderes políticos mundiais, convencidos pela gravidade da ameaça do aquecimento global – cada dia mais comprovada pela comunidade científica. O resultado, entretanto, é o inverso: prova que a economia, a geopolítica, as rivalidades nacionais ou a simples desconfiança mútua – originada na Guerra Fria, no caso da clara oposição entre Estados Unidos e China –, ainda são preponderantes.

Não bastasse, a dimensão do impasse nas negociações da COP-15 e o discurso de Obama a jornalistas norte-americanos – aliás, por que o presidente dos Estados Unidos não pode atender à imprensa estrangeira? – revelam mais: um dos pilares da Convenção do Clima, assinada no Rio de Janeiro, em 1992, está em xeque. O princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada, pelo qual países industrializados admitiam sua culpa histórica pela poluição que jogaram na atmosfera, não será mais a regra básica do jogo em uma próxima COP.

Se houver uma próxima COP.
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FONTE : O ESTADO DE SÃO PAULO (http://www.estadao.com.br/)

Acordo parcial sobre clima deixa nova reunião para 2010

A 15ª Conferência das Nações Unidas contra o aquecimento global terminou a semana, em Copenhague, com um acordo parcial entre Estados Unidos, China, Índia, África do Sul e Brasil, para controlar a emissão de poluentes. As primeiras informações são de que não houve um acordo mais amplo, e que vários presidentes e chefes de Estado deixaram a cúpula antes do encerramento do encontro nesta sexta-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que a conferência teve progresso, mesmo que o resultado das negociações não seja uma obrigação legal e que não seja suficiente para alcançar as metas de aquecimento global até 2050. Ainda assim, ele classificou o acordo como um "avanço significativo e sem precedentes". "Será preciso fazer mais antes que o mundo seja capaz de organizar um tratado obrigatório. É preciso construir uma confiança entre as nações ricas e os países em desenvolvimento", afirmou Obama.

O chefe da delegação da China disse que o acordo conjunto fez do encontro de cúpula um sucesso. Xie Zhenhua, que também é vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, disse que o primeiro-ministro Wen Jiabao também está feliz com o acordo.

Não está claro se a União Europeia, a Rússia e o Japão irão aderir ao acordo parcial dos EUA com as quatro nações. Segundo informações da agência "Associated Press", o Brasil está no acordo, mas isso não foi confirmado pelo governo brasileiro. A saída antecipada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Dinamarca não deixou claro se o Brasil aceitou os termos.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que uma nova conferência sobre as mudanças climáticas será realizada na Alemanha em seis meses.

Acordo

Hoje, um funcionário da Casa Branca disse que países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram em listar suas ações nacionais e compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo ele, haverá um mecanismo para enviar recursos para ajudar os países em desenvolvimento a pagar por tecnologia e projetos para se ajustarem às mudanças climáticas, como a elevação dos níveis dos mares.

O acordo estabelece como alvo um aumento de 2 graus Celsius da temperatura global. Espera-se que os países forneçam informações sobre a implementação das ações para cortar as emissões de dióxido de carbono, com meios para consultas internacionais e análises sob diretrizes definidas, disse o funcionário.

Detalhes sobre os passos para o corte de gases de efeito estufa - que devem ser aprovados pelo Congresso norte-americano - ainda não estão disponíveis. A chamada questão de transparência é um entrave nas discussões entre Estados Unidos e China.
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FONTE : informações da Dow Jones (AE-AP, Agencia Estado).

REPERCUSSÃO-Reações ao acordo de clima em Copenhague

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou a um acordo sobre mudanças climáticas após uma reunião com os líderes de China, Índia e África do Sul, disse uma autoridade norte-americana nesta sexta-feira.

O acordo, no entanto, está longe do que se esperava da conferência em Copenhague.

Veja a seguir as reações:

SÉRGIO SERRA, EMBAIXADOR BRASILEIRO PARA QUESTÕES CLIMÁTICAS

"É muito decepcionante, eu diria, mas não é um fracasso... se nós concordarmos em nos encontrar novamente e lidar com as questões que ainda estão pendentes".

XIE ZHENHUA, DIRETOR DA DELEGAÇÃO DA CHINA PARA QUESTÕES CLIMÁTICAS

"O encontro teve um resultado positivo, todos devem ficar felizes. Para os chineses, isso era nossa soberania e nosso interesse nacional."

PORTA-VOZ DA COMISSÃO EUROPEIA

"Um acordo é melhor que acordo nenhum. O que poderia ser acordado hoje fica bem aquém de nossas expectativas. Mas mantém nossas metas e ambições vivas. Fala às necessidades dos países em desenvolvimento. Foi o único acordo disponível em Copenhague".

TIM JONES, MOVIMENTO DE DESENVOLVIMENTO MUNDIAL, GRUPO DE LOBBY ANTIPOBREZA

"Essa cúpula vem sendo uma completa confusão do início ao fim, culminando em um fracasso vergonhoso e monumental que condenou milhões de pessoas em todo o mundo ao sofrimento inominável."

"Dizer que esse acordo é de qualquer maneira histórico ou significativo é deturpar o fato de que esse acordo é desprovido de conteúdo real. É na verdade sem significado".

STEVE SAWYER, SECRETÁRIO-GERAL DO CONSELHO GLOBAL DE ENERGIA EÓLICA

"Com base nos esboços que li até agora (do acordo) ... uma declaração política como essa sozinha não faz muito mais do que mascarar o fato de que governos não conseguiram manter as promessas que fizeram uns aos outros (em Bali, na Indonésia, há dois anos, durante a inauguração das negociações de dois anos sobe o clima que deveriam ter terminado com um pacto)".

JOHN ASHE, PRESIDENTE DAS NEGOCIAÇÕES DO PROTOCOLO DE KYOTO

"Dado o ponto de onde começamos e as expectativas para essa conferência, qualquer coisa menos que um acordo vinculante é decepcionante".

"Por outro lado, sou um pouco realista e, portanto, reconheço que talvez as expectativas fossem muito altas e o fato de que há um acordo -- ainda não vi os detalhes, vi as versões anteriores, não vi esta última -- o fato de que agora há um acordo talvez nos dê algo no que colocar nossas esperanças".

"Espero que isso leve a trabalhos sérios em 2010 para que possamos concluir o que originalmente planejávamos fazer aqui em Copenhague, podemos concluir isso, talvez, até junho, ou, se não, até dezembro de 2010".

JOHN LANCHBERY, BIRDLIFE INTERNATIONAL

"Parece muito vago. Não há próximo passo, nada para ligar a um acordo final e como fazê-lo".

FRED KRUPP, CHEFE DO FUNDO DE DEFESA AMBIENTAL

O acordo anunciado pela Casa Branca "deixa os EUA no controle de seu próprio destino".

"É a vez de Senado se pronunciar" ao aprovar um projeto de controle da poluição causada por emissões de carbono.

"O acordo de hoje toma os primeiros passos importantes em direção à transparência e à responsabilidade em um acordo internacional de clima".

JAKE SCHMIDT, CONSELHO DE DEFESA DE RECURSOS NATURAIS

O acordo terá "grandes países se dirigindo na direção correta" para reduzir emissões de carbono.
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FONTE : Gerard Wynn (Reuters, reuters.com)

EUA e emergentes selam acordo em Copenhague

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e os líderes dos principais países emergentes selaram nesta sexta-feira (19/12/2009) um novo acordo climático, que é no entanto apenas um primeiro e insuficiente passo para combater a mudança do clima da Terra, segundo uma autoridade norte-americana.

De acordo com essa fonte, Obama obteve um "acordo significativo" com os primeiros-ministros da China, Wen Jiabao, e da Índia, Manmohan Singh, e com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, após um dia de profundas divisões entre os líderes de países ricos e pobres.

O Brasil também aprovou o acordo, que aparentemente deixa de lado outros participantes da conferência climática da ONU em Copenhague. Não há garantia de aprovação por parte de todas as 193 nações participantes. A ausência dos países da União Europeia foi considerada particularmente significativa.

As tensões entre China e Estados Unidos, os dois maiores emissores globais de gases-estufa, foram notavelmente agudas desde que Obama -- num recado dirigido aos chineses -- declarou que qualquer acordo para a redução das emissões se resumiria a "palavras vazias sobre uma página" se não fossem transparentes e tratadas com responsabilidade.

Ao longo do dia os negociadores sofreram para buscar termos aceitáveis para todos os 193 países no sentido de obter um novo tratado global para combater os efeitos mais perigosos da mudança climática, como secas, inundações, elevação do nível dos mares e extinção de espécies.

Um esboço discutido na sexta-feira incluía 100 bilhões de dólares anuais em ajuda climática aos países pobres até 2020, e metas para limitar o aquecimento e reduzir à metade as emissões globais de gases-estufa até 2050.

Mas ele abandonava as ambições prévias de que um eventual acordo de Copenhague fosse transformado no ano que vem em um texto juridicamente vinculante.

"Hoje, seguindo uma reunião multilateral entre o presidente Obama, o premiê Wen, o primeiro-ministro Singh e o presidente Zuma, um acordo significativo foi alcançado", disse a fonte dos

EUA.

"Não é suficiente para combater a ameaça da mudança climática, mas é um importante primeiro passo", afirmou o funcionário. "Nenhum país está inteiramente satisfeito com cada elemento, mas é um passo adiante, significativo e histórico, e um fundamento a partir do qual fazer mais progressos".

Pelo acordo definido pelos cinco países, as nações ricas e pobres concordam com um "mecanismo de financiamento" com reduções de emissões de modo a manter o aquecimento global médio em 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e em "fornecer informações sobre a implementação das suas ações".

Antes, o ministro indiano do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, disse à Reuters que a conferência, que começou em 7 de dezembro, estava "perto de ver um resultado juridicamente não-vinculante de Copenhague após 36 horas de negociações extenuantes, intensivas".

A União Europeia pressionava por um acordo forte para a limitação do aquecimento global a 2 graus Celsius, e que incluísse rígidas restrições das emissões de carbono por parte de outros países industrializados, especialmente os Estados Unidos.

Cientistas dizem que o aquecimento de 2 graus Celsius é o limite para que sejam evitados os piores efeitos do aquecimento global.

"Diante de onde começamos e das expectativas para esta conferência, qualquer coisa aquém de um resultado concertado e juridicamente vinculante fica abaixo da nota", disse John Ashe, que presidiu as negociações do Protocolo de Kyoto, o tratado climático hoje em vigor.
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FONTE : Peter Harrison e Jeff Mason (Reuters, reuters.com)

Sem o anjo ou o sábio, a COP-15 termina sem acordo

A 15ª Conferência das Nações Unidas para as questões do Clima, realizada em Copenhague, na Dinamarca, confirmou a previsão da maioria dos analistas e observadores, que já previam, algumas semanas antes de seu início, que um tratado formal, com metas compulsórias de redução de emissões, dentro dos níveis recomendados pelo IPCC não seria possível na COP-15.

O resultado havia sido insinuado pelo presidente Lula no meio da tarde da sexta-feira, em um discurso de improviso, em que ele confessou estar “um pouco frustrado” e, decepcionado, perguntou se seria preciso que “um anjo, ou um sábio descesse do céu para dar aos negociadores a inteligência que estava faltando para chegarem a um acordo”.

Em rápidas pinceladas, o documento fechado pelos principais protagonistas do encontro – leiam-se os maiores emissores do Planeta, EUA e China, alguns países emergentes, como Brasil, Índia e África do Sul, e as maiores potências da União Europeia – não tem nenhum valor prático no esforço de reverter o aquecimento global.

As metas de redução de emissões, ponto chave para o combate às mudanças climáticas, ficaram em aberto. Genericamente, ficou acertado que a meta global até 2050 é de redução de 50% das emissões em relação a 1990. De resto, a partir de 2012, quando vencem as exigências do Protocolo de Quioto, os países industrializados estarão teoricamente sem obrigações a cumprir, embora tenham concordado em assumir uma meta de redução de 80% de suas emissões até 2050.

Os emergentes, que já não precisam se preocupar com suas emissões, continuarão sem metas de mitigação. Para não deixar em branco o seu papel, os países em desenvolvimento concordaram em continuar os seus esforços voluntários e, para atender uma parte das exigências dos países ricos, vão “listar as suas ações e compromissos nacionais e os mecanismos de financiamento que utilizam, tentando manter a margem de mitigação necessária para que o aquecimento global não passe dos dois graus Celsius. Além disso, devem oferecer condições de consultas e análises internacionais, sob regras claras e definidas”.

O acordo é evasivo até em relação ao futuro das negociações. Sugere, em termos simples, que um tratado vinculante pode ser alcançado “tão logo quanto possível”, antes da próxima conferência, no México, em novembro de 2010. Mas não estabelece nenhuma data limite específica, embora declare que o acordo pode ser revisto e readequado em 2015.

Enfim, o resultado final da Conferência de Copenhague não pode ser considerado um avanço, mas um arranjo formulado de última hora na tentativa de não bloquear futuras negociações. Tanto que não agradou a ninguém, inclusive aos Estados Unidos, que foram um dos principais responsáveis pela paralisação que tomou conta do encontro nos dois últimos dias.

As informações veiculadas pela imprensa internacional deixam transparecer que no final da tarde de sexta-feira, o último dia da COP-15, havia apenas o esforço desesperado das principais nações negociadoras de conseguir um documento final capaz de dar uma satisfação pública que não os colocasse em más condições diante da opinião pública, entre eles, França, Inglaterra, Alemanha, Brasil, China, Índia, África do Sul e, como elemento surpresa, os Estados Unidos.

De acordo com o New York Times, esse documento só chegou a um consenso depois que o presidente norte-americano entrou sem ser convidado em uma sala onde se reuniam, com seus assessores, os líderes dos chamados Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China). Sob os protestos dos negociadores chineses, Obama disse, na hora, que não queria que eles negociassem em segredo.

Entretanto, citando como fonte um membro de alto escalão da equipe de Obama, o NYT diz que a invasão do presidente dos EUA “levou a novas conversas que cimentaram os temos chaves do acordo”. Ainda segundo o site do jornal, o embaixador brasileiro Sergio Serra, um dos negociadores, “confirmou que Obama teria realmente se juntado ao grupo e que, depois disso, muitas decisões foram tomadas, mas não disse que ele não havia sido convidado”.

Do ponto de vista diplomático, e até estratégico, o acordo pode ser considerado positivo na medida em que definiu algumas linhas de consenso sobre as quais as negociações podem continuar, mas, na prática, a maioria dos países considerou os resultados insatisfatórios, já que não contribuem em nada com o objetivo maior da Conferência, que era o de definir medicas eficazes para evitar que o aquecimento global exceda aos 2º Celsius até 2100.

O próprio membro da administração Obama ouvido pelo NYT admitiu que o acordo “não é suficiente para combater as conseqüências das mudanças climáticas”, embora acredite que tenha sido “um importante primeiro passo”. Entre os países emergentes, o descontentamento foi explícito. Para Sérgio Serra trata-se de “uma declaração política em forma de uma decisão da COP. Certamente é um resultado decepcionante".

A grande decepção, no entanto, foi da União Européia, que ficou insatisfeita principalmente com o não engajamento dos EUA, da China e de outros grandes emissores nos esforços de mitigação. Os europeus temem que suas indústrias fiquem em desvantagem competitiva, uma vez que esses países já estão se submetendo a um programa de redução de emissões.

A delegação chinesa, que desde o início assumiu uma posição conservadora, apresentando metas de mitigação insignificantes e nenhuma intenção de entrar no jogo de forma transparente, foi provavelmente a que saiu do encontro mais satisfeita, embora seja o maior emissor do Planeta. Para o principal negociador da China, Xie Zhenhua, COP teve um resultado positivo e "todos deveriam estar felizes".
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FONTE : Celso Dobes Bacarji, da Envolverde (Agência Envolverde)