quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Fonte eólica responde por 60% do abastecimento de energia do Nordeste, diz ONS

ABr

eólica

A estiagem que há mais de seis anos atinge a Região Nordeste do Brasil, com forte impacto nas usinas da Bacia do São Francisco e afetando a geração de energia hidrelétrica, levou a fonte eólica a responder por mais de 50% da energia fornecida à região.
A afirmação foi feita ontem (30) pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, ao participar da conferência e exposição Brazil Windpower 2017, que discute até amanhã, no Rio de Janeiro, os rumos e avanços da energia eólica. Energia eólica é a transformação da energia do vento em energia útil,
O diretor lembrou que até 2008/9 todo o suprimento energético do Nordeste decorria de fontes hidrelétricas fornecidas pelas usinas da Bacia do São Francisco.
“Com a redução das chuvas e das afluências, tivemos que buscar nova fonte e foi aí a que apareceu a fonte eólica. O resultado tem sido excepcional, até porque a região é acometida por ventos excepcionais e razoavelmente constantes, o que proporciona uma capacidade de geração que se situa entre as melhores do mundo”, explicou.
Para Luiz Eduardo, é exatamente em decorrência da forte estiagem na Bacia do São Francisco que hoje a energia eólica tem “importância capital para a Região Nordeste, situação que deverá continuar por muito tempo, uma vez que não vislumbramos, a curto prazo, uma mudança das característica atuais”.
Ele disse, ainda, que é possível imaginar que, no futuro, com a chegada de outras fontes de energia, como a térmica, por exemplo, o sistema poderá oferecer alternativas e responder mais rapidamente ao principal problema decorrente da forte dependência da geração eólica que, por depender dos ventos, e, portanto, ser intermitente, precisa de outras fontes que compensem as variações dos ventos.
“A geração termoelétrica de rápida resposta é uma fonte boa, assim como a hidrelétrica, só que a estiagem está travando a fonte hídrica em razão da falta de chuva na região. Com a recuperação da cascata do São Francisco, que só será possível no médio e no longo prazos, poderemos usá-la como mitigador da intermitência da fonte eólica”, afirmou.
Fornecimento de energia garantido para o Nordeste
Luiz Eduardo, no entanto, garantiu que o fornecimento da energia para o Nordeste está assegurado. Embora hoje a solução de maior garantia para a região passe pela energia eólica, há ainda, segundo disse, uma contribuição significativa da energia hidrelétrica importada do Norte e do Sudeste.
“Hoje podemos dizer que o abastecimento do Nordeste, na maior parte do tempo, está sendo garantido pelos mais de 50% da energia eólica produzida na região. Depois, entra aí nesta equação a fonte térmica, além da energia hídrica que vem do Norte e Sudeste. Mas é evidente que embora assegurado, a complexidade da operação para viabilizar o abastecimento aumentou bastante”, acentuou.
Crescimento
O diretor do ONS disse que a energia proveniente de fonte eólica já responde em torno de 6% da capacidade da matriz energética brasileira, percentual que tende a se expandir até chegar em torno de 10% a 12% em 2021. “Este percentual deverá expandir dos atuais 10 mil megawatss para algo em torno de 14 a 15 mil megawats em 2021, o que é um crescimento significativo”, opinou.
No último dia 16 de julho, a energia eólica respondeu por 12,6% de toda a energia demandada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). No Nordeste, um novo recorde: 64,2% da energia consumida na região, no último dia 30 de julho, foram provenientes dos ventos.
Por Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2017

Amazônia: Área desmatada registrada pelo PRODES 2016 indica uma taxa de aumento de 27% em relação a 2015

INPE apresenta dados consolidados do PRODES 2016
A consolidação da medida da área de desmatamento na Amazônia do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foi finalizada com o cálculo de 7.893 km2 de corte raso no período de agosto de 2015 a julho de 2016.
A área desmatada registrada pelo PRODES 2016 indica uma taxa de aumento de 27% em relação a 2015, ano em que foram medidos 6.207 km2 de desmatamento. O desmatamento observado em 2016 significa uma taxa 72% menor em relação à área registrada em 2004, ano em que foi iniciado pelo Governo Federal o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm).
Com o PRODES, o INPE realiza o monitoramento sistemático anual da área desmatada na Amazônia Legal e produz, desde 1988, medidas anuais das taxas de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para avaliação e estabelecimento de políticas públicas relativas ao controle do desmatamento ilegal e gestão do território. Estes dados são úteis para toda a sociedade e são utilizados em ações de autogestão ambiental como a Moratória da Soja e Termo de Ajuste de Conduta da cadeia produtiva de carne bovina.
O mapeamento utiliza imagens de satélites da classe Landsat, em combinação que busca minimizar a cobertura de nuvens, para registrar e quantificar os eventos de desmatamento com áreas maiores que 6,25 hectares. Considera-se como desmatamento a destruição da estrutura florestal primária por corte raso, seguida ou não por ocorrência de fogo e independentemente da futura utilização destas áreas.
As tabelas abaixo apresentam a distribuição do desmatamento medido para o ano de 2016 nos Estados que compõem a Amazônia Legal e a comparação com as respectivas taxas consolidadas para o ano de 2015.


EstadoPRODES 2016
(km2)
Acre372
Amazonas1.129
Amapá17
Maranhão258
Mato Grosso1.489
Pará2.992
Rondônia1.376
Roraima202
Tocantins58
Total7.893
EstadosPRODES 2015
(km2)
PRODES 2016
(km2)
Variação
15-16 (%)
Acre26437241
Amazonas7121.12959
Amapá2517-32
Maranhão20925823
Mato Grosso1.6011.489-7
Pará2.1532.99239
Rondônia1.0301.37634
Roraima15620229
Tocantins57582
AMZ. Legal6.2077.89327

O PRODES computa como desmatamento as áreas maiores que 6,25 hectares onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – o corte raso.
O valor da taxa consolidada, obtida após o mapeamento áreas de desmatamento com a utilização de 214 imagens do sensor Landsat-8/OLI complementadas por imagens dos sensores ResourceSat-2/LISS-3 e CBERS-4/MUX, é aproximadamente 1.2 % abaixo do estimado pelo INPE em final de novembro de 2016, que foi de 7.989 Km2, cálculo feito à época com base em 89 imagens Landsat-8/OLI. As imagens utilizadas na estimativa inicial foram selecionadas de modo a cobrir a área onde foram registrados mais de 90% do desmatamento no período anterior (agosto/2014 a julho/2015) e também os 43 municípios prioritários para fiscalização referidos no Decreto Federal 6.321/2007, atualizado em 2009.
A tabela abaixo apresenta as variações encontradas entre as taxas estimadas e as consolidadas desde 2005.


Ano# CenasTx. Estimada (Km2)# CenasTx. Consolidada (Km2)Var. (%)
20057718.90021219.0141%
20063413.10021314.2869%
20077511.22422311.6514%
20088411.96821412.9118%
2009927.0082267.4647%
2010976.4512147.0009%
2011976.2382206.4183%
2012924.6562144.571-2%
2013865.8432135.8911%
2014894.8482165.0123%
2015965.8312166.2076%
2016897.9892147.893-1%

Seguem abaixo as evoluções das taxas de desmatamento anual medidas pelo PRODES para a Amazônia Legal e seus Estados constituintes:

Os gráficos abaixo mostram a série histórica do PRODES para a Amazônia Legal e seus Estados, além da variação relativa anual das taxas de desmatamento.

Desmatamento anual na Amazônia Legal (Km2)
(a) média entre 1977 e 1988, (b) média entre 1993 e 1994.

Desmatamento anual discriminado por Estado da Amazônia Legal (Km2)
(a) Média entre 1977 e 1988; (b) média entre 1993 e 1994.


Variação relativa anual das taxas do Prodes no período 2001 a 2016
Mais informações: www.obt.inpe.br/prodes


Informe do INPE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2017

Amazônia: Juiz federal suspende qualquer decreto sobre extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca)

ABr
O juiz Rolando Spanholo, da 21ª Vara Federal de Brasília, determinou a suspensão dos efeitos de “todo e qualquer ato administrativo tendente a extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca)”. A reserva foi extinta por decreto do governo federal no último dia 23 de agosto.
O magistrado atendeu a um pedido feito em ação popular aberta pelo cidadão Antônio Carlos Fernandes, segundo a qual a área de proteção não poderia ser extinta por meio de decreto, mas somente por projeto de lei, como previsto na legislação ambiental.
Spanholo destacou que o Artigo 255 da Constituição determina que áreas de proteção ambiental, e expressamente as que fiquem na região da Floresta Amazônica, só podem ser modificadas por projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.
Após descrever o texto constitucional, o juiz afirma que “o nosso Constituinte deixou expresso que, após outubro de 1988, somente lei em sentido formal poderá impor mudanças na forma de utilização dos recursos naturais”.
A decisão liminar do juiz foi proferida ontem (30), um dia depois de o governo federal anunciar que vai revogar o decreto da semana passada, para substituí-lo por um novo, mais detalhado, no qual pretende deixar claro não ser possível a exploração mineral em áreas indígenas ou outras áreas de conservação abarcadas pela Renca.
Para o juiz, o recuo anunciado “seria apenas pontual (para explicitar garantias contra o desmatamento em massa etc.), isto é, que estaria mantido o propósito central da medida impugnada pelo autor: a extinção da Renca por meio de simples ato administrativo, sem a observância da garantia constitucional”.
Por meio de comunicado enviado à imprensa, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai recorrer da decisão.
Repercussão negativa
A extinção da Renca por meio de decreto gerou questionamento de ambientalistas, celebridades, da população e da mídia internacional. “Vergonha! Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados”, escreveu no Twitter a modelo brasileira Gisele Bündchen dias depois da edição do decreto. Até o momento, a mensagem recebeu 9,2 mil curtidas e 6,6 mil retuites.
A área de proteção foi criada em 1984 pelo governo de João Figueiredo, último presidente do período militar. Na ocasião, foi definida a proteção da área de 47 mil quilômetros quadrados (km²), incrustada em uma região entre os estados do Pará e do Amapá.
Desde então, a pesquisa mineral e a atividade econômica na área passaram a ser de responsabilidade da Companhia Brasileira de Recursos Minerais (CPRM – Serviço Geológico Brasileiro) ou de empresas autorizadas pela companhia. Além do cobre, estudos geológicos apontam a existência de ouro, manganês, ferro e outros minérios na área.
Por Felipe Pontes, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2017

Museu do Amanhã: “O amanhã da Amazônia é hoje!”

O Santander e a The Nature Conservancy realizam, em parceria, o evento O Amanhã na Amazônia é Hoje, no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O evento foi pensado para promover uma discussão sobre as formas de desenvolvimento econômico na região, conservando a maior reserva de recursos naturais do planeta.
O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, e o head da TNC na América Latina, Joe Keenan, receberão convidados como o pensador Juan Carlos Castilla-Rubio, membro do Conselho Global de Recursos Naturais do Fórum Econômico Mundial; o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues; e a presidente do Ibama, Sueli Araújo, para discutir temas como a avaliação dos custos social e ambiental dos projetos de infraestrutura, logística e agronegócio realizados na região e a responsabilidade de quem financia essas obras.
Na ocasião, a TNC apresentará um estudo inédito sobre a bacia do Rio Tapajós, nova fronteira de desenvolvimento da Amazônia, que propõe um avanço controlado do desenvolvimento econômico. A proposta é planejar o território, promovendo a manutenção ou a conservação de áreas com importância única pelas suas riquezas de biodiversidade, culturais ou, ainda, fluxos hídricos, ao mesmo tempo em que permite o desenvolvimento de outras áreas aptas para a produção ou logística e infraestrutura, com eficiência e sustentabilidade.
Ainda na parte da tarde, um debate moderado por Izabella Teixeira, ex. ministra do meio ambiente, trará representantes de diferentes setores que estão diretamente ligados à região amazônica, como o de energia, o agronegócio, investidores, além de um representante das populações indígenas, para discutir como promover, agora, o desenvolvimento sustentável.
Data: 05 de setembro de 2017 das 9h às 17h
Local: Museu do Amanhã – Praça Mauá, 1 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
Confirmação de presença: envie e-mail para marina.marques@tnc.org ou ligue para 11 3514-5510 informando seu nome, e-mail e telefone.
PROGRAMAÇÃO
09:00 Café da manhã e boas vindas
 09:30 Abertura
           Sergio Rial, presidente, Santander
09:50 O desafio da proteção com desenvolvimento na Amazônia
           Suely Araújo, presidente, IBAMA
 10:20 O amanhã da Amazônia na quarta revolução industrial
           Juan Carlos Castilla-Rubio, fundador, Space Time Ventures
 10:50 Intervalo
 11:10 Amazônia hoje, abraçando o desenvolvimento de forma sustentável
           Roberto Rodrigues, coordenador, GV Agro
 11:40 Perguntas e respostas
           Mediação de Antonio Werneck, diretor executivo, TNC
 12:15 Almoço e networking
 13:30 Instrumentos para o desenvolvimento da Amazônia: Blueprint do Tapajós
Pedro Bara, gerente de Infraestrutura Inteligente, TNC Brasil
 14:15 Amazônia agora: promovendo o desenvolvimento sustentável
Moderação de Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente
Participantes:
  • Alexandre De Marco, produtor rural, Grupo BDM
  • Arnaldo Eijsink, produtor rural, Grupo JD
  • Eduardo Bastos, diretor executivo, Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau
  • Gil Maranhão Neto, diretor, ENGIE Energia
  • Hector Gomez, country manager Brasil, IFC
  • Kleber Karipuna, liderança indígena de base, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
16:00 Encerramento e coquetel

WWF – Quase 400 novas espécies descobertas na Amazônia

Cientistas descobriram 381 novas espécies de fauna e flora, incluindo macacos, golfinhos, anfíbios e répteis, na região amazônica em dois anos, informou na quarta-feira o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) 
Uma nova espécie foi registada a cada dois dias entre janeiro de 2014 e dezembro de 2015, a maioria em áreas de conservação ou zonas próximas.
De acordo com o relatório da organização ecologista, foram descobertas na selva amazónica 216 plantas, 93 peixes, 32 anfíbios, 19 répteis, 20 mamíferos – dois deles fósseis – e uma ave.
Entre os mais chamativos figura um macaco, com uma longa cauda avermelhada, avistado no noroeste do estado de Mato Grosso, uma nova espécie de golfinho de água doce, que se estima que tenha aparecido há 2,8 milhões de anos, e um pássaro com um canto muito peculiar.
Segundo os investigadores, quatro das espécies foram registadas na Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca), que tem sido, nos últimos dias, objeto de um intenso debate devido a um polémico decreto do Governo brasileiro que abria essa área de mais 47.000 quilómetros quadrados – uma superfície maior do que a Dinamarca – para a exploração mineira privada.
Essa área foi criada em 1984, ficando entre os estados do Amapá e do Pará, fronteiriços com o Suriname e Guiana Francesa.
Em resposta à onda de críticas, o Executivo decidiu alterar o decreto, mas a justiça federal brasileira determinou a sua suspensão, bem como a de “qualquer ato administrativo” que procure extinguir a Renca, uma decisão da qual Brasília já anunciou que vai recorrer.
Esta é a terceira edição do relatório, divulgada pelo WWF a par com o Instituto Mamirauá, elaborado por dezenas de cientistas que estudaram as espécies no terreno e contrastaram as novas descobertas com as bases de dados existentes.
Entre 2010 e 2013 foram descobertas 602 novas espécies, enquanto entre 1999 e 2009 o número escalou até às 1.200.
O documento destacou que, apesar dos esforços dos últimos anos, “existe, todavia, uma lacuna em termos de conhecimento sobre a real diversidade da Amazónia”, devido à vasta extensão do território ou à “a ausência de recursos para efetuar investigações”.
WWF ressalvou a importância de se “redobrar a atenção” naquela região, que “sofreu o impacto da deflorestação, da atividade agropecuária e de grandes obras de infraestruturas, como a construção de hidroelétricas e estradas”.
Baixe o relatório do WWF: https://goo.gl/y7XSz4
(Lusa/Envolverde)