terça-feira, 31 de julho de 2018

RUMO ÀS TREVAS PELA AVENIDA DO CAOS - JAMES PIZARRO (pág.4, DIÁRIO DE S. MARIA, edição de 31.7.2018)

" Segurança, trabalho, saúde, educação ".
Preparem os ouvidos para os tempos que se avizinham. Rádio, TV, carros de som. Um exército midiático poderoso – movido por bilhões de reais – movimentará ruas e avenidas. Invadirá nossa privacidade. Contará histórias mirabolantes. Sempre achei estranha uma coincidência no currículo dos candidatos. Todos vieram de famílias pobres. Tiveram infância melancólica. Trabalharam duro para ajudar os pais. Não mentem que passaram fome porque são rosados e rechonchudos. Abraçam velhos professores para depois não lhes pagar o piso salarial previsto em lei. Pegam criancinhas no colo para as quais meses depois sonegam creches. Morrem de amor pela Natureza para conquistar votos dos ambientalistas e depois permitem que se desmate o país. Beijam idosos e se deixam fotografar com o pessoal da terceira idade e meses depois deixam faltar abrigos de ônibus, remédios de uso continuado e leitos para a terceira Idade.
Só de imaginar essa nojenta cantilena novamente nas propagandas eleitorais me dá urticária e náusea.
Os amigos e ex-alunos sabem que sempre fui contra a reeleição para cargos executivos. Dou de barato que se aumente de quatro para cinco ou seis anos o tempo do mandato de governador e presidente da república, desde que se proíba a reeleição.
O poder vicia. Traz erros. Corrupção. Protege os aliados. A lei passa a valer apenas para os inimigos.
Bilhões de reais gastos para fazer estádios para realizar três ou quatro jogos da Copa do Mundo. Enquanto diariamente assistimos na TV as noticias de escolas em péssimas condições, grande número delas em ruínas.
Milhões de reais são gastos em viagens desnecessárias, em escândalos denunciados pelas redes nacionais de TV.
Há no ar - só os surdos não ouvem e os cegos não enxergam - um oceânico desejo de mudança. Mudança radical. Em tudo. Só quem parece não sentir são os políticos em geral e os poderosos de plantão, em particular.
Ocorra o que ocorrer, nada acontecerá para a casta social monopolizadora do dinheiro e do poder, pois nada lhes faltará.
Ocorra o que ocorrer, a classe pobre seguirá iludida e feliz com a avalanche de esmolas travestidas de bolsas que cumprem a dolorosa, antiética e sublimar "missão" de amortecer consciências e ganhar votos.
Mas e a classe média, onde rebenta quase tudo, pois nem sonegar pode pois o implacável imposto de renda (salário é renda ?) já lhe desconta no contracheque os 27,5 % que equivalem a mais de quatro meses do seu salário anual ?
E a classe média, onde estão os profissionais liberais, os intelectuais, os que têm visão crítica das coisas e que - nas revoluções - são os primeiros a ser presos ou mortos porque incorrem no terrível pecado de ter inteligência e discernimento com os quais podem influenciar pessoas ?
Sim, este ano vai ter eleições.
Basta olhar as badernas nas ruas e estádios, assistir o número de assassinatos que aumenta diariamente e as reclamações de toda ordem para sentir que estamos num clima de desordem e desobediência civil, tudo temperado pela impunidade.
Sim, este ano vai ter eleições.
Estamos caminhando pela avenida do Caos.
Rumo às Trevas.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Estudo mostra que a acidificação dos oceanos está causando grande impacto na vida marinha


Em uma nova pesquisa, cientistas afirmam que cortes nas emissões globais de CO2 são essenciais para limitar mais danos aos recifes de coral e às florestas de algas.

University of Plymouth*
As emissões de dióxido de carbono (CO2) estão matando os recifes de coral e as florestas de algas, já que as ondas de calor e a acidificação dos oceanos prejudicam os ecossistemas marinhos, alertaram cientistas.
Oos pesquisadores dizem que três séculos de desenvolvimento industrial já tiveram um efeito marcante sobre nossos mares.
Mas se os níveis de CO 2 continuarem a subir como previsto, as próximas décadas e os níveis de pH da água do mar terão um impacto ainda maior e potencialmente catastrófico.
As correntes oceânicas na área significam que há níveis naturalmente baixos de CO2 de água superficial , semelhantes aos que teriam estado presentes antes da Revolução Industrial global. No entanto, os vazamentos vulcânicos indicam como o aumento dos níveis de COafetará a ecologia futura, tanto no noroeste do Oceano Pacífico quanto em todo o mundo.
O autor principal, Dr. Sylvain Agostini, Professor Associado da Universidade de Tsukuba Shimoda Centro de Pesquisa Marinha, disse: “Estes CO2 . Escoa fornecer uma janela vital para o futuro Houve mortalidade em massa de corais do sul de Japão no ano passado, mas muitas pessoas Apegam-se à esperança de que os corais consigam se espalhar para o norte, por isso é extremamente preocupante descobrir que os corais tropicais são tão vulneráveis ​​à acidificação dos oceanos, pois isso os impedirá de se espalharem para o norte e escaparem dos danos causados ​​pela água. é muito quente para eles “.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Tsukuba, no Japão, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e da Universidade de Palermo, na Itália.
Envolveu equipes de mergulhadores de mergulho que realizaram investigações ao longo degradientes submarinos de CO 2 criados por vazamentos vulcânicos, registrando como a fauna e a flora respondem à acidificação da água do mar.
Eles descobriram que, embora algumas espécies de plantas se beneficiassem das condições cambiantes, elas tendiam a ser ervas daninhas e algas menores que cobrem o fundo do mar, sufocando os corais e diminuindo a diversidade marinha em geral.
Essas espécies, e alguns animais marinhos menores, estão prosperando porque são mais tolerantes ao estresse causado pelo aumento dos níveis de CO2 .
Jason Hall-Spencer, professor de biologia marinha na Universidade de Plymouth, disse: “Nosso local de pesquisa é como uma máquina do tempo. Em áreas com níveis pré-industriais de CO2, a costa tem uma quantidade impressionante de organismos calcificados, como corais e Mas em áreas com níveis médios atuais de CO2 na superfície da água do mar , encontramos muito menos corais e outras formas de vida calcificadas e, portanto, menos biodiversidade, mostrando os grandes danos causados ​​pelo homem devido às emissões de CO2 nos últimos 300 anos e, a menos que consigamos reduzir as emissões de CO2, veremos, sem dúvida, uma grande degradação dos sistemas costeiros em todo o mundo. ”
Professor Kazuo Inaba, ex-diretor do Centro de Pesquisa Shimoda Marinha, acrescentou: “Os pescadores locais estão ansiosos para saber como a acidificação dos oceanos vai afetar sua subsistência correntes fluindo passado Japão trazer águas que têm naturalmente baixos níveis de CO2 e beneficiar de peixe a partir da matriz habitats calcificados em torno de nossas ilhas. Se formos capazes de cumprir as metas do Acordo de Paris para limitar as emissões, devemos ser capazes de limitar ainda mais os danos às florestas de algas, recifes de corais e todos os ecossistemas marinhos. ”
Área de estudo (Shikine-Jima, Japão) mostrando estações intertidal e subtidal, e a variabilidade espacial em p CO 2 . A distribuição espacial de p CO 2 foi calculada usando o algoritmo do vizinho mais próximo no software ArcGIS 10.2 ( http://www.esri.com/software/arcgis/ ).
Área de estudo (Shikine-Jima, Japão) mostrando estações intertidal e subtidal, e a variabilidade espacial em p CO 2 . A distribuição espacial de p CO 2 foi calculada usando o algoritmo do vizinho mais próximo no software ArcGIS 10.2 ( http://www.esri.com/software/arcgis/ ).

Referência:
Ocean acidification drives community shifts towards simplified non-calcified habitats in a subtropical temperate transition zone
Sylvain Agostini, Ben P. Harvey, Shigeki Wada, Koetsu Kon, Marco Milazzo, Kazuo Inaba & Jason M. Hall-Spencer
Scientific Reports volume 8, Article number: 11354 (2018)
https://doi.org/10.1038/s41598-018-29251-7
https://www.nature.com/articles/s41598-018-29251-7

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2018

Abrasco: Congresso de saúde coletiva defende política de redução de agrotóxicos

12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão 2018
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Agência Brasil
ABr
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) lançou no sábado (28), durante a 12ª edição do congresso da entidade, um dossiê atualizado sobre o uso de agrotóxicos no país. Denominado Dossiê Científico e Técnico contra o Projeto de Lei do Veneno (PL 6.299/2002) e a favor da proposta que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pnara), o documento foi produzido pela Abrasco e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), em meio às discussões sobre o projeto aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados no dia 26 de junho.
De acordo com o vice-presidente da ABA, Paulo Petersen, o dossiê reúne documentos relacionados aos dois projetos. “Compilamos um conjunto de manifestações de instituições acadêmicas e públicas, da sociedade civil e internacionais, como a ONU, e fizemos um comentário geral. Ele referenda, a partir de organizações científicas, manifestações científicas, mas que estão influenciando a arena política”.
O presidente da Associação Brasileira de Agroecologia, Paulo Petersen após lançamento da atualização do dossiê contra os agrotóxicos no 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, na Fiocruz.
Paulo Petersem, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia – Tomaz Silva/Agência Brasil

Conforme Paulo Petersen, o chamado PL do Agrotóxico muda a legislação anterior, de 1989, tirando as possibilidades de regulação pública na área de liberação de novos produtos e na identificação e comunicação, “de modo a tornar ainda mais oculto os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde coletiva e sobre o meio ambiente”.
Pelo projeto, a liberação de novos agrotóxicos deixaria de passar pela Anvisa, Ministério da Saúde e Ibama, que avaliam os riscos à saúde ambiental e à saúde pública, e passaria a ter uma predominância do Ministério da Agricultura, que tem uma perspectiva muito mais econômica. Também substitui o termo “agrotóxico” por “pesticida” ou “defensivos agrícolas”.
“O princípio da precaução, que deve prevalecer no uso do conhecimento científico para liberação de produtos e certas tecnologias sobre a natureza, vai sendo comprometido. Na verdade, é um grande desmonte da uma legislação anterior que está funcionando e é uma referência internacional. O discurso de que estamos modernizando, desburocratizando, vai na contramão de toda uma discussão na sociedade, na academia e no mundo”.
O dossiê contém manifestações contrárias à flexibilização no uso dos agrotóxicos de instituições como o Instituto Nacional do Câncer (Inca), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Pesquisador da Abrasco e professor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Marcelo Firpo afirmou que a discussão deve ser feita em torno do que é realmente relevante para o país.
“Sem dúvida, o progresso econômico, o desenvolvimento da economia, o pagamento das dívidas públicas e a redução do déficit da balança comercial são relevantes. Mas qual é o preço disso diante da morte e da doença de crianças, jovens, adultos, velhos e trabalhadores, que morrem em função de substâncias perigosa?”, questionou Firpo.
O pesquisador da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Marcelo Firpo após lançamento da atualização do dossiê contra os agrotóxicos no 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, na Fiocruz.
Marcelo Firpo, pesquisador da Abrasco – Tomaz Silva/Agência Brasil

Segundo ele, as mudanças propostas na regulamentação dos agrotóxicos representam um retrocesso no processo civilizatório, na garantia da saúde e da vida dos cidadãos. “É preciso esclarecer a sociedade o valor e os efeitos para a vida das pessoas, das famílias e para o sistema de saúde em decorrência do uso excessivo e que tornou o Brasil o maior consumidor mundial de agrotóxicos”, acrescentou.
A favor dos agrotóxicos
Entidades favoráveis à maior flexibilização para os agrotóxicos no país chamam o projeto de “Lei do Alimento mais Seguro”. O Sindicato Nacional da Indústria de produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) e a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF) divulgaram nota em que contestam a informação de que o Brasil seria o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.
De acordo com dados da FAO e da consultoria Phillips McDougall, o Brasil é o 13º país em uso defensivo agrícola por quantidade de produto agrícola produzido. Itália, França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Polônia, Japão, Coreia, Austrália, Canadá, Argentina e Estados Unidos se utilizam demais defensivos que o Brasil.
Segundo essas entidades, o “Brasil – um dos maiores produtores agrícolas mundiais – consegue fazer uso racional de defensivos agrícolas e produzir muito mais usando uma quantidade menor de defensivos que países considerados de primeiro mundo, mesmo em condições climáticas que favorecem a incidência de pragas e tendo múltiplas safras ao longo do ano, o que não acontece em países de clima temperado”.
Sobre o PL 6.299, a nota diz que a alteração “não exclui o rigor científico e a transparência no processo de registros, que são essenciais para segurança e desenvolvimento da indústria nacional”. Afirma ainda que “modernizar a legislação não significa flexibilizar ou facilitar o registro de defensivos agrícolas, mas sim incluir critérios objetivos na avaliação, respeitando metodologias científicas, que assegurem a competitividade da agricultura brasileira”.
Nota Técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revela que, “muitas vezes”, o debate sobre o uso de substâncias químicas “têm pouco embasamento científico”. “A filosofia de risco zero não é adequada, pois mesmo uma substância que aparentemente seja segura, como a água, quando consumida em quantidade exagerada pode levar a risco de vida”, diz a nota do Ministério.
“Nesse sentido, os pesticidas são ferramentas essenciais à produção agrícola brasileira e à manutenção do seu alto nível produtivo. A necessidade do uso dessas ferramentas torna ainda mais evidente sua utilização de forma correta, segundo as orientações estabelecidas por ocasião do registro do produto, no sentido de minimizar possíveis riscos de sua utilização”, defende a pasta. Conforme o ministério, as mudanças são para modernizar os termos e procedimentos, incluindo o aumento das multas, de R$ 19 mil reais para até R$ 2 milhões, no caso de não cumprimento da legislação.
Segundo os dados preliminares do Censo Agropecuário 2017, divulgado quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1.681.001 produtores rurais utilizaram agrotóxicos no ano passado, representando um aumento de 20,4% em relação a 2006.
O 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão 2018, terminou ontem (29), no campus de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).


Por Akemi Nitahara, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2018

Extensão global de manguezais foi reduzida pela metade em 40 anos, alerta UNESCO

A destruição de manguezais põe em risco a biodiversidade e a produção de alimentos em zonas costeiras

ONU
Formação de mangue em Cuba. Foto: Flickr (CC)/Anusa Kreft
Formação de mangue em Cuba. Foto: Flickr (CC)/Anusa Kreft
Em mensagem para o Dia Internacional de Conservação do Ecossistema de Mangues, lembrado em 26 de julho, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, alerta que manguezais estão ameaçados, sobretudo por conta do desenvolvimento das zonas costeiras. “Estima-se que, em 40 anos, a cobertura global de mangues foi reduzida pela metade”, afirmou a chefe da agência da ONU. Destruição ambiental põe em risco a biodiversidade e o ser humano.
“Os mangues constituem uma proteção contra tempestades, tsunamis e o aumento do nível do mar. Eles impedem a erosão da costa, regulam a qualidade da água costeira, mantêm áreas de pesca e contribuem para melhorar a segurança alimentar de muitas comunidades costeiras”, ressaltou a dirigente.
Audrey disse ainda que esses ecossistemas “também fornecem um habitat para espécies marinhas em perigo”. “Além disso, seus mecanismos naturais para armazenar o carbono da atmosfera, conhecidos como ‘estoques de carbono azul’, que realizam o sequestro de carbono e auxiliam a mitigar os efeitos dos distúrbios climáticos ao longo das costas”, completou a chefe da UNESCO.
Algumas das reservas da biosfera e geoparques da agência da ONU contam com mangues em seus territórios. Nessas localidades, o organismo internacional trabalha para acumular conhecimento sobre essas formações naturais, além de melhorar sua gestão e preservação. A UNESCO também visa criar estratégias para promover o desenvolvimento sustentável de tribos indígenas instaladas nesses ecossistemas.
Outra frente de atuação da instituição é a Iniciativa Carbono Azul, que tem a participação da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO. Realizado em conjunto com a ONG Conservation International e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o projeto busca combater as mudanças climáticas, protegendo e recuperando ecossistemas marinhos. Um dos focos do programa são os mangues, pântanos-de-maré e os prados marinhos.
Em 2018, o Equador sedia as comemorações globais da data em prol da proteção dos mangues, que estão presentes na Reserva da Biosfera do Arquipélago de Colón, em Galápagos. Audrey convidou a comunidade internacional a se inspirar no país latino-americano e a “renovar os nossos esforços para apoiar a preservação de um ecossistema que é essencial para o nosso planeta e para seus habitantes”.
Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2018


EcoDebate - Edição 3.024 de 30 / julho / 2018


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

sexta-feira, 27 de julho de 2018

A acidificação dos oceanos é um desafio para a ciência, governos e comunidades

pesquisa

University of Tasmania*
Um novo estudo do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos (IMAS), publicado na revista científica Nature Climate Change , destacou os desafios enfrentados por cientistas, governos e comunidades, à medida que níveis crescentes de CO2 são absorvidos pelos oceanos do mundo.
Pesquisadores descobriram que nos últimos séculos o pH da superfície do oceano caiu dez vezes mais rápido do que nos últimos 300 milhões de anos e que os impactos estão sendo sentidos em todo o mundo.
Estima-se que o custo econômico para os recifes de corais, pesca silvestre e aqüicultura do processo conhecido como acidificação dos oceanos chegue a mais de US $ 300 bilhões por ano.
A professora-associada Catriona Hurd, principal autora do estudo, que também incluiu pesquisadores da CSIRO Oceans and Atmosphere e ACE CRC , disse que a acidificação dos oceanos representa uma série de desafios significativos.
“Estudar como os oceanos vão mudar, à medida que absorvem mais CO2 da atmosfera, é um campo relativamente recente da ciência”, disse o professor associado Hurd.
“Quanto mais os cientistas olham para a acidificação dos oceanos, mais estamos chegando para entender como ela é complexa e quão amplos e diversos serão os impactos.
“O processo não está acontecendo a taxas uniformes em todo o mundo, e os cientistas descobriram uma grande variabilidade regional e local, impulsionada por diferenças físicas, químicas e biológicas nos oceanos”, disse o professor Hurd.
“A detecção de tendências e mudanças no pH também é complicada pela ampla gama de outros processos dinâmicos que estão afetando os oceanos, incluindo a circulação, temperatura, ciclagem de carbono e ecossistemas locais.
“Em algumas partes do mundo, como o Chile e a costa oeste dos EUA, algumas áreas de pesca já estão se adaptando à acidificação dos oceanos por meio de parcerias entre cientistas, indústria e governo.
“Outros impactos globais provavelmente exigirão colaboração e ação semelhantes em nível internacional”.
O Professor Associado Hurd disse que uma questão importante para os cientistas e formuladores de políticas é se os humanos devem tentar mitigar a acidificação dos oceanos alterando a química dos oceanos, ou se as comunidades devem simplesmente se adaptar.
“Mesmo que as emissões globais de carbono parassem hoje, espera-se que as futuras mudanças na acidificação do oceano sejam muito duradouras devido à quantidade de CO2 já presente na atmosfera e nos oceanos.
“Nosso desafio como cientistas é aumentar nossas observações e modelar as mudanças no pH dos oceanos em todo o mundo.
“Estaremos então em melhor posição para trabalhar com governos e comunidades para aumentar a conscientização sobre a ameaça da acidificação oceânica e para ajudar a desenvolver respostas”, disse o professor Hurd.
Referência:
Current understanding and challenges for oceans in a higher-CO2 world
Catriona L. Hurd, Andrew Lenton, Bronte Tilbrook & Philip W. Boyd
Nature Climate Change (2018)
https://www.nature.com/articles/s41558-018-0211-0

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/07/2018
 

EcoDebate - Edição 3.023 de 26 e 27 / julho / 2018


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Declínios populacionais de mamíferos e aves são ligados ao rápido aquecimento do clima

A taxa em que o nosso planeta está aquecendo é um fator crítico para explicar o declínio de espécies de aves e mamíferos, revela uma nova pesquisa publicada na revista Global Change Biology pelo Institute of Zoology (Zoological Society of London).

Institute of Zoology, Zoological Society of London*
Os cientistas estudaram 987 populações de 481 espécies em todo o mundo, para investigar como a taxa de mudança climática e mudança no uso da terra (de paisagens naturais a dominadas por humanos) interagem para afetar a taxa de declínio de mamíferos e aves, bem como se espécies localizado em áreas protegidas e tamanho do corpo teve uma influência. A taxa em que nosso clima está aquecendo foi a melhor explicação para a taxa observada de declínio populacional.
As aves foram as mais afetadas pelo rápido aquecimento climático, com os efeitos sendo duas vezes mais fortes nas aves em relação aos mamíferos, assim como as populações localizadas fora das áreas protegidas sendo mais severamente afetadas. Espécies como o maçarico -de-cauda-preta ( Limosa limosa ) na Alemanha e Senegal, gansos-de-peito-rosa no Canadá ( Anser brachyrhynchus ) e chacal-de-dorso-preto ( Canis mesomelas ) na Tanzânia foram apenas algumas das espécies destacadas em declínio populacional .
A principal autora, Fiona Spooner, do Instituto de Zoologia e do Centro de Pesquisas sobre Biodiversidade e Meio Ambiente da UCL, disse: “A razão pela qual achamos que as aves estão em pior situação é devido às estações de reprodução particularmente sensíveis às mudanças de temperatura. Achamos que isso poderia estar levando a uma dessincronização de seu ciclo de reprodução, levando aos impactos negativos que estamos vendo. As estações de reprodução dos mamíferos são muito mais flexíveis, e isso se reflete nos dados. ”
Esta descoberta é crucial, porque se a taxa em que o clima aquece excede a taxa máxima possível de animais sendo capazes de se adaptar às mudanças em seu ambiente – as extinções locais de animais começarão a se tornar mais proeminentes. A pesquisa enfatiza a urgência de entender a vulnerabilidade dos animais aos aumentos de temperatura e fornece uma imagem do que pode acontecer se não reduzirmos as mudanças climáticas.
Co-autor sênior, Dr. Robin Freeman chefe da Unidade de Indicadores e Avaliação do Instituto de Zoologia da ZSL disse: “Nossa pesquisa mostra que em áreas onde a taxa de aquecimento climático é pior, nós vemos uma queda mais rápida da população de aves e mamíferos. A menos que possamos encontrar maneiras de reduzir o aquecimento futuro, podemos esperar que esses declínios sejam muito piores ”.
“É importante ressaltar que nossa descoberta não sugere que as mudanças no uso da terra, como agricultura, desenvolvimento ou desmatamento, não desempenhem um papel no declínio de pássaros e mamíferos, ou porque o declínio está relacionado à mudança climática. gerações futuras para lidar. Pelo contrário, essa descoberta sugere que dados adicionais, incluindo dados de paisagem com resolução mais alta, são necessários para entender os mecanismos que impulsionam esses declínios ”.
Gareth Redmond-King, Chefe de Política Climática e Energia da WWF disse: “Este relatório fornece mais evidências da crescente ameaça que a mudança climática representa para a nossa vida selvagem, não apenas em todo o mundo, mas também aqui em nossas portas como as abelhas e papagaio muito amado.
“É por isso que precisamos urgentemente que o governo do Reino Unido tome medidas para cumprir as metas atuais de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas também para aumentar a ambição de construir um futuro sustentável e resiliente ao clima, no qual restauremos a natureza”.
Para mais informações sobre o trabalho da Unidade de Indicadores e Avaliações da ZSL. O departamento publica o Relatório do Índice do Planeta Vivo em conjunto com o WWF a cada dois anos. Este documento fornece uma visão geral do empolgante trabalho que será publicado em outubro de 2018.

Os pontos mostram a distribuição e a densidade das séries temporais da população usadas na análise. Os pontos preto e branco significam populações de aves e mamíferos, respectivamente, onde ambos os grupos taxonômicos estão presentes, os números de cada um são proporcionalmente representados com um gráfico de pizza. 77,4% dos locais possuem uma população. A camada de base do mapa mostra a taxa de mudança de temperatura, em graus por ano, entre 1950 e 2005, com base na análise do conjunto de dados de séries temporais de CRU TS v. 3.23 (Harris et al., 2014 )
Os pontos mostram a distribuição e a densidade das séries temporais da população usadas na análise. Os pontos preto e branco significam populações de aves e mamíferos, respectivamente, onde ambos os grupos taxonômicos estão presentes, os números de cada um são proporcionalmente representados com um gráfico de pizza. 77,4% dos locais possuem uma população. A camada de base do mapa mostra a taxa de mudança de temperatura, em graus por ano, entre 1950 e 2005, com base na análise do conjunto de dados de séries temporais de CRU TS v. 3.23 (Harris et al., 2014 )

Referência:
Spooner FEB, Pearson RG, Freeman R. Rapid warming is associated with population decline among terrestrial birds and mammals globally. Glob Change Biol. 2018;00:1–11. https://doi.org/10.1111/gcb.14361

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/07/2018