sexta-feira, 3 de julho de 2020

O número de jogadores com problemas no Reino Unido é superior a 400.000

Um relatório da Gambling Commission revela que mais de 2 milhões de pessoas são viciadas no jogo ou correm o risco de desenvolver um problema. Uma tendência que se agravou durante o fechamento, à medida que explodiu a rotatividade dos cassinos online. A tentação ainda está lá Os ativistas pediram crackdowns sobre jogos de azar, cassinos e locais de apostas com cotações fixas, o que leva os jogadores a apostar cada vez mais. Mais de 2 milhões de pessoas no Reino Unido são jogadores problemáticos ou pessoas em risco de dependência, de acordo com o regulador do setor, que alertou que o governo e as partes interessadas não estavam fazendo o suficiente para enfrentar o problema. O relatório da Gambling Commission estimou que o número de britânicos com mais de 16 anos considerados como jogadores problemáticos aumentou em um terço em três anos, sugerindo que cerca de 430.000 pessoas sofrem de sérios vícios. Também encontrou um aumento no vício entre aqueles que apostam em terminais de apostas com probabilidades fixas controversas (FOBTs), que têm sido criticados por permitirem aos clientes de lojas de apostas gastar até £100 a cada 20 segundos. No início deste ano, o governo atrasou um relatório sobre a necessidade de reduzir o número desses terminais e limitar a transmissão de anúncios de jogos de azar na televisão. Jogos de azar: Uma extorsão escandalosa e organizada Com o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte não esperavam divulgar suas recomendações até outubro, o Diretor Executivo da Comissão de Jogos Tim Miller advertiu que nem o governo nem a indústria do jogo estavam se movendo com rapidez suficiente. “Estamos claramente comprometidos em tornar o jogo mais justo e seguro e estes números mostram que este é um desafio significativo”, disse ele. “O sucesso dependerá de nós, da indústria, do governo e de outros que trabalhem juntos com um objetivo comum de proteção ao consumidor. “O ritmo de mudança até agora simplesmente não tem sido rápido o suficiente – é preciso fazer mais para enfrentar o problema do jogo”. A GambleAware, a principal instituição de caridade do Reino Unido, que financia a única clínica especializada em vício do jogo em Londres, reiterou seus apelos à indústria para aumentar seu financiamento para o tratamento do vício. A GambleAware recebe cerca de £8 milhões por ano da indústria, mas solicitou que esta quantia fosse aumentada para £10 milhões. Mesmo isto é menos do que a doação sugerida pelo Conselho de Estratégia de Jogo Responsável, que é 0,1% do recorde de £13,8 bilhões que a indústria recebeu de jogadores britânicos no ano passado, ou £13,8 milhões. O regulamento do jogo on-line permanece inalterado O relatório da Gambling Commission, que levou quase dois anos para coletar e acompanhar casos de dependência do jogo até 2015, constatou que a taxa de problemas de jogo caiu de 0,6% em 2012 para 0,8% entre aqueles com mais de 16 anos de idade. Isto sugere um aumento de mais de 100.000 no número de jogadores problemáticos para 430.000, embora a comissão tenha descrito a taxa como “estatisticamente estável”. O número total de pessoas em risco sobe para mais de 2,3 milhões se incluirmos 2 milhões de pessoas consideradas em risco baixo ou moderado de dependência. Apesar deste aparente aumento, a Association of British Bookmakers declarou que o relatório da comissão mostrou que “os níveis de jogo problemático no Reino Unido são estáveis”. O Estado proibiu a publicidade em cassinos on-line durante o bloqueio, mas isso não diminuiu o aumento da freqüência durante esse período. “Procurar proibir um único produto de jogo simplesmente deslocará os jogadores problemáticos para outras áreas, em vez de atacar a causa raiz do problema”, disse a ABB. O órgão comercial exigiu uma maior cooperação dentro da indústria para reduzir os níveis de problemas de jogo. De acordo com o relatório da Comissão, cerca de 11,5% das pessoas que usam máquinas nas casas de apostas são jogadores problemáticos, em comparação com 7,2% em 2012. O jogo on-line representa um grande risco para o aumento do número de pessoas viciadas em jogos de azar. O acesso fácil e ilimitado proporcionado pelas plataformas de jogos apresenta um risco real à saúde da população, mas os estados não apóiam e cada vez mais novos cassinos como este, oferecem bônus cada vez mais atraentes para seduzir os jogadores. O trabalho está soando o alarme. Um porta-voz da Campanha por um jogo mais justo, que quer que a aposta máxima nas FOBTs seja reduzida para £2, disse: “O aumento da taxa de jogo problemático associado às FOBTs deve alarmar os legisladores. “Os livreiros disseram que, como a taxa geral de problemas de jogo na população é estática, as FOBTs não são prejudiciais. Os dados divulgados hoje, que mostram um aumento na taxa, prejudicaram totalmente o argumento dos livreiros. Carolyn Harris, deputada trabalhista do Swansea East “O problema não está indo embora, na verdade está ficando pior”. Embora o DCMS deva reduzir ao máximo as apostas em FOBTs, fontes em Whitehall já disseram ao Guardian que o Tesouro se opõe a duras restrições, temendo o impacto em sua tomada de impostos. Enquanto os ativistas de campanha citaram números nas FOBTs, a comissão também encontrou altas taxas de problemas com o jogo em outros setores da indústria. O vício do jogo em números: Cerca de 15,9% dos jogadores de pôquer em pubs e clubes foram definidos como jogadores problemáticos, enquanto a proporção mais alta foi de 20,1% para a prática relativamente rara de apostas escalonadas e o uso de intercâmbios de apostas. Os cassinos e caça-níqueis on-line, uma das formas de jogo de maior crescimento, tinham uma taxa de 10,6%. A Remote Gambling Association, que representa empresas online, disse: “Comparado com áreas como loterias e bingo, o jogo online é geralmente categorizado como ‘jogo mais difícil’ e ainda é provável que atraia uma proporção maior de jogadores problemáticos e de risco, e este estudo mostra isso. “Os níveis relativamente altos de regulamentação do jogo on-line também refletem isso, mas precisamos assumir a responsabilidade por isso e procurar proativamente maneiras de minimizar esses riscos para todos os consumidores”. Ele disse que os membros da RGA estavam trabalhando em várias iniciativas para identificar padrões de dependência e intervir mais cedo. O relatório constatou que as taxas de jogo problemático, definido como jogo “a ponto de comprometer, perturbar ou prejudicar as atividades familiares, pessoais ou recreativas”, também variam muito dependendo de fatores como sexo, idade, localização e etnia. Apenas 0,2% das mulheres têm um problema de jogo, este número sobe para 1,5% para os homens e 2,3% para os homens de 25-34 anos. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/07/2020

Água e saneamento: ‘O risco da privatização ocorre em um ambiente de regulação débil’

IHU O Senado aprovou em 24/06/2020 o novo marco legal do saneamento básico (PL 4.162/2019). O projeto, de iniciativa do governo, que havia sido aprovado em dezembro do ano passado na Câmara dos Deputados, segue agora para sanção presidencial. O texto abre caminho à privatização, pela concessão de serviços de estatais do setor para empresas que visam ao lucro, além de prejudicar a prestação do serviço pelas empresas públicas, ao tornar obrigatória a realização de licitações. A tendência à privatização do setor vai na contramão das tendências internacionais. Países como Estados Unidos e Alemanha reestatizaram seus serviços. A reportagem é publicada por Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE), 29-06-2020. Em comentário ao blog do CEE–Fiocruz, o pesquisador da Fiocruz Minas Léo Heller, relator especial das Nações Unidas para água e saneamento, afirma que não há evidências de que ampliar a participação privada seja solução para o “quadro dramático” que vive o país, quanto ao acesso a saneamento básico. “O cenário é bastante preocupante, os argumentos dos senadores são muito frágeis e mostram ou má-fé de alguns ou despreparo de outros. O sofismo é a marca principal da racionalidade dos votos, cuja narrativa expõe a existência de um déficit enorme de saneamento no país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste e nas favelas”, observa, ponderando que embora esse seja um diagnóstico do qual ninguém discorda, “não há casos na história do Brasil e na contemporaneidade em outros países, em que um quadro dramático como esse foi solucionado via privatização”. Para ele, a única leitura a ser feita da aprovação do marco legal é que há uma visão “estritamente ideológica”, segundo a qual o melhor modelo para nosso país é de um Estado mínimo, com transferência de funções naturalmente assumidas pelo poder público para o setor privado. “É preocupante confirmar que o nosso Legislativo é conservador, alinhado com uma visão de direita ultraliberal”, analisa. “O momento será de pensarmos como setor de saneamento, no futuro, lidará com o ambiente regulatório imposto pela nova legislação”. Confira o comentário na íntegra. “O risco da privatização ocorre em um ambiente de regulação débil, como é a regulação no Brasil, muito recente. Existem reguladores muito despreparados, tecnicamente frágeis. Trata-se de um ambiente que deixa em aberto às empresas privadas o exercício do que elas têm de mais nítido em seu DNA, que é a produção de lucro. Esses riscos para os Direitos Humanos – ou para sua a violação – se apoiam em três pilares: a premissa da maximização de lucros, que caracteriza a ação das companhias privadas; o entendimento do saneamento como um monopólio natural, existindo, assim, uma enorme dificuldade de regular um prestador único,em ambientes em concorrência e monopolista; e a assimetria de poder, em que muitas vezes as companhias privadas são muito poderosas, ou as empresas nacionais com grande capacidade de lobby, são favorecida sem sua relação com governos geralmente frágeis. Qual é a resultante disso? Mais exclusão, ou a não inclusão daquelas populações que sem acesso aos serviços, além de aumento de tarifas e acessibilidade financeira comprometida. Sem uma regulação adequada é muito provável que as companhias privadas não se interessem por atuar em determinados locais – Léo Heller É sempre bom relembrar que quem não tem acesso a serviços adequados de água e saneamento no Brasil são, principalmente, grupos concentrados em zonas rurais, onde esses serviços sempre foram abandonados pelo governo brasileiro, e as periferias das grandes ou médias cidades, ou cidades muito pequenas. São populações e regiões pouco atrativas para o capital privado, e esse é o grande risco. Sem uma regulação adequada, em um país que ainda não amadureceu na sua democracia, na forma como gere os serviços públicos fica muito arriscado, e é muito provável que as companhias privadas não se interessem por atuar nesses locais. E, não há mecanismos que as façam atuar. Seria, por exemplo, interessante que, em processos licitatórios para as novas prestações de serviços, fosse incluído um mix de situações, em que uma companhia que se interessasse em atuar no Rio de Janeiro, por exemplo, tivesse que abranger as vilas e favelas, independentemente da situação de regularização fundiária dessas áreas. Um subsídio cruzado que pode ser salutar para proteger as populações em situação de maior vulnerabilidade. (EcoDebate, 29/06/2020) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação. [IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Antropoceno: emergência e advertência global

IHU O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, que a partir da ação humana como força impulsionadora da degradação ambiental acelera o colapso global. Daí a crise sistêmica, pois esse rápido e progressivo avanço na deterioração das condições de vida possui um impacto que gera múltiplas facetas interconectadas em um fenômeno global. E por ser de ordem emergencial, também exige respostas imediatas, audazes, coerentes e catalisadoras de forças desaceleradoras e restaurativas. Uma tarefa nada simples, que exige, como primeiro passo, a compreensão de um cenário nada alentador. Com o tema “Antropoceno e a crise sistêmica”, José Eustáquio Diniz Alves, sociólogo, mestre em economia e doutor em Demografia, com longa passagem pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – ENCE/IBGE, esmiuçou questões centrais que permeiam esse momento inédito, que se apresenta como ameaça existencial para a humanidade e sua travessia civilizatória. Sua exposição, ocorrida no último sábado, dia 27 de junho, com transmissão online, inaugurou a série de debates intitulada “Ecologia, economia e trabalho no ciclo da vida”, que será promovida mensalmente pelo CEPAT, em parceria com diversos parceiros: Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR, Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, Comunidades de Vida Cristã – CVX e Observatório Nacional Luciano Mendes de Almeida – OLMA. José Eustáquio Diniz Alves iniciou sua apresentação citando o protagonismo juvenil de Greta Thunberg, fonte de inspiração na luta contra a crise climática, que se tornou símbolo do engajamento das novas gerações nesta luta emergencial. Em determinado momento do debate, também destacou a importância do lançamento da encíclica Laudato Si’, em 2015, que surge em um momento essencial do debate mundial sobre a problemática ecológica. Também fez menção ao livro de David Wallace–Wells, “A terra inabitável: uma história do futuro”, que apresenta, sem rodeios, um cenário horripilante das consequências da mudança climática, caso não haja uma guinada em nosso modelo de produção e consumo, associado ao crescimento econômico e populacional. Em contraposição aos negacionistas de plantão, José Eustáquio apresentou análises e estudos estatísticos, valorizando as mais recentes pesquisas científicas, dialogando com as ciências humanas. Entre os temas abordados, destacou o aumento de CO2 e da temperatura global no longo prazo, o crescimento demoeconômico global, a pegada ecológica, a biocapacidade e o déficit ambiental, a perda da biodiversidade, entre outros. Com um posicionamento muito claro, sem deixar de mencionar que os países mais ricos são os maiores poluidores do planeta, reconheceu que o déficit ambiental é um problema planetário, já que mesmo em regiões mais pobres, como na África, também é preciso, em aliança com outras nações, implementar medidas de enfrentamento ao desastre ecológico. Aliás, em resposta ao questionamento de uma das participantes, também reconheceu que é necessário combater a desigualdade, mas que a resposta à crise ecológica vai além, já que deve mudar as bases socioeconômicas em que a sociedades se sustentam, daí a necessidade de avançar em propostas como o decrescimento. Focado nas consequências da emergência climática e ambiental, a partir dos diversos gráficos que apresentou, elencou uma série de problemas que já estão presentes no planeta e que poderão se intensificar: perda de biodiversidade e ecocídio, inseticídio, ondas letais de calor, incêndios e queimadas, furacões e inundações, degelo do Ártico, Antártida, Groenlândia e glaciares, elevação do nível do mar e naufrágio dos deltas dos rios, desmatamento e desertificação, erosão dos solos, acidificação dos oceanos, crise hídrica, insegurança alimentar e pandemias, entre outros. Por fim, José Eustáquio Diniz Alves se mostrou muito preocupado com as limitações no avanço da agenda ambiental no mundo, principalmente com a emergência de lideranças negacionistas como Trump e Bolsonaro. Mas também não deixou de apontar que a questão fica ainda mais complicada quando se observa que mesmo em governos alinhados à esquerda, como, por exemplo, já tivemos no Brasil e na América Latina, a agenda ambiental ficou em segundo plano em comparação às prioridades de Governo, sempre orientadas ao crescimento econômico, com a contumaz voracidade em extrair recursos naturais. Entre as alternativas que apresentou para evitar o colapso sistêmico global, destacou: • Reduzir drasticamente o consumo de combustíveis fósseis e fazer a transição energética para fontes renováveis e a transição na indústria automobilística para carros elétricos e compartilhados; • Investir no transporte coletivo; • Decrescer os gastos militares e reduzir a produção e uso de instrumentos de guerra; • Decrescer a produção e o consumo de fertilizantes químicos e agrotóxicos e aumentar os investimentos na agricultura orgânica, na permacultura, etc; • Decrescer as áreas de pastagem e a produção e o consumo de proteína animal, promovendo a transição para uma dieta vegetariana ou vegana; • Aumentar as áreas de florestas, de vegetação nativa e a biodiversidade; • Decrescer as desigualdades, o consumo conspícuo, os bens de luxo, etc; • Garantir os direitos sexuais e reprodutivos e taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição; • Garantir o decrescimento demoeconômico (reduzindo a Pegada Ecológica), com qualidade de vida humana e ambiental. Abaixo, é possível acompanhar toda a exposição de José Eustáquio Diniz Alves, com a riqueza de todos os dados apresentados e o chamado a uma tomada de posição de todos, enquanto ainda há tempo, embora, conforme reconheceu, “a coisa é complicada”. Nota da redação: Sobre o tema “Antropoceno” sugerimos que leia, também: O Apartheid Ambiental É A Norma No Antropoceno A Utopia Na Era Do Antropoceno A Pandemia Da Covid-19: Entre Gaia E O Antropoceno Antropoceno: A Era Do Colapso Ambiental Frangos De Corte Modernos São Uma Característica Definidora Do Antropoceno Ecocídio No Antropoceno: 60% Dos Animais Silvestres Foram Extintos Em 44 Anos O Antropoceno É Um Alerta Sobre As Ações Humanas No Planeta O Implacável Antropoceno X A Resiliência Ecossistêmica (EcoDebate, 02/07/2020) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação. [IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

EcoDebate - Edição 3.465 de 03/ julho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura A covid-19 no primeiro semestre de 2020 e o Brasil e a América Latina como epicentros Califórnia bane veículos diesel A COVID-19 na capital paulista tem cor da pele, classe social e nível de escolaridade Antropoceno: emergência e advertência global Água e saneamento: ‘O risco da privatização ocorre em um ambiente de regulação débil’ O número de jogadores com problemas no Reino Unido é superior a 400.000 “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Queimadas na Amazônia – Junho registra maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos

Apesar dos volumosos recursos gastos em operações militares, as queimadas na Amazônia já surgem com força. Por Karen Mota Em junho de 2020, foram registrados 2.248 focos de calor no bioma Amazônia. Esse é o maior número de focos para o mês desde 2007, e representa um aumento de 19,57% em relação ao registrado em junho de 2019 (1.880). queimadas na Amazônia Fonte: INPE Queimadas Além disso, imagens de satélite mostraram uma série de grandes polígonos desmatados nos últimos meses, áreas que vêm sendo ignoradas pelas ações do governo brasileiro e do Conselho Nacional da Amazônia, liderado pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Cerca de um mês depois do decreto (10.341/2020), que autoriza o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ao custo mensal de R$ 60 milhões de reais, o equivalente a quase 80% do orçamento anual de fiscalização do Ibama, a resposta aos mais altos índices de desmatamento dos últimos anos continua inócua. [Veja as imagens de satélite aqui] “As queimadas contribuem simultaneamente para as crises globais do clima, da biodiversidade e com a catástrofe sanitária na região. O Brasil precisará fazer mais, muito mais, se quiser detê-las, fortalecendo os órgãos de controle, com planos permanentes e metas claras, e não de operações pontuais e custosas”, comenta Rômulo Batista, da campanha e Amazônia do Greenpeace. Com o início da temporada seca e com o período de queimadas criminosas batendo à porta, o quadro que vem se desenhando é catastrófico em muitos sentidos. Seja pela quantidade de árvores que vão tombar por conta dos incêndios, que pode levar à morte animais e colocar em risco nossa biodiversidade, seja pelo agravamento da vulnerabilidade das populações da Amazônia à Covid-19. “É difícil nutrir esperança de que a catástrofe ambiental que vimos no ano passado, marcada por uma série de queimadas criminosas, seja menor em 2020. Afinal, a contenção do colapso está nas mãos de um governo que joga contra o meio ambiente e vem se mostrando incapaz de combater a destruição do maior patrimônio de todos os brasileiros, a Amazônia”, completa Rômulo. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/07/2020

Falta de cumprimento das regras internacionais de meio ambiente pode afetar negociações entre o Brasil e demais países

Retomada econômica consciente depende do cumprimento de regras internacionais de meio ambiente, sob pena de inviabilização do acordo com a União Europeia e a participação do Brasil como membro da OCDE Por Marcella Motta e Ricardo Morato O Brasil ainda precisa trabalhar no cumprimento das regras ambientais contidas nos acordos internacionais dos quais o Brasil é parte. Esse cenário pode afetar negativamente a análise feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para acessão do Brasil à qualidade de membro. Quem faz o alerta é Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington e Londres e presidente do conselho superior de Comércio Exterior da FIESP, durante webinar do Veirano Advogados. O evento, realizado em 25 de junho, teve como tema “Brasil e OCDE: Ganhos Ambientais e Econômicos”, com o objetivo de debater os ganhos nacionais decorrentes da harmonização de normas ambientais brasileiras com os instrumentos da OCDE. Contou com a participação de Leopoldo Butkiewicz, diretor de Meio Ambiente e América Latina na Secretaria de Relações Internacionais do Ministério do Meio Ambiente; Rubens Barbosa, embaixador do Brasil na Inglaterra e nos Estados Unidos (1994-2004) e presidente do conselho superior de Comércio Exterior da FIESP e moderação de Ana Luci Grizzi, sócia da área Ambiental do Veirano Advogados. Segundo Ana Luci Grizzi, esta é uma pauta estratégica, em pleno andamento no Governo Federal e Governos Estaduais. “Apesar da pandemia e do cenário instável em que nos encontramos, a agenda não foi e nem será paralisada, já que representa um grande benefício econômico ao Brasil. Temos potencial para lançar o país à liderança de assuntos que podem nos trazer vantagens competitivas. Neste sentido, a OCDE apresenta enorme oportunidade, trazendo inovação e desenvolvimento ambiental como diretriz de planejamento estratégico. A base de trabalho é Federal e Estadual, com vários Estados se mobilizando em relação aos instrumentos que podem solucionar problemas nacionais diversos”. O Brasil já é parceiro-chave da OCDE desde 2009, tendo aderido a diversas normas, inclusive ambientais, durante os anos. O pedido de acessão à OCDE na qualidade de país-membro ocorreu 2017. A OCDE propõe a colaboração e a discussão de políticas públicas e econômicas que devem servir como modelo para os países-membros. Atualmente, representa aproximadamente 80% da economia mundial. No entanto, segundo Rubens Barbosa, o país ainda não segue a rigor os parâmetros propostos pela Organização. “A entrada no Brasil na OCDE o tornará um país normal. Nós não cumprimos as regras internacionais na área de comércio e meio ambiente, então, o grupo irá trazer a necessidade de seguirmos as práticas regulatórias, não por obrigatoriedade, mas por representar interesses. Precisamos ter em vista que o processo será bastante longo, dificultado ainda mais por conta das transformações ocorrendo na Europa, de reformulação de novas políticas industriais de meio ambiente, para adequação ao novo normal pós-pandemia. A evolução trará influência, possivelmente negativa, para o exame que a OCDE fará do Brasil”, analisa. Barbosa aponta que apesar de alguns setores nacionais não aderirem plenamente a uma reapresentação da política de meio ambiente e da retórica do governo, a questão da mudança de clima e meio ambiente não sairá da agenda global. “Após a pandemia, os temas ficarão ainda mais intensos, com questões ligadas à questão alimentar e saúde, por exemplo, em pauta. Somos exportadores de produtos primários. Sabemos que medidas de cautela e restrição serão tomadas por países exportadores. E o que estamos fazendo para nos adequar? Temos interesses a preservar, afinal, o consumidor tem papel importante e a política ambiental está diretamente relacionada às negociações comerciais. Não temos como evitar o assunto. Por realismo, tanto setor privado quanto governo terão de se ajustar às novas realidades”. Leopoldo Butkiewicz, por sua vez, informou que o Brasil se relaciona intensamente com OCDE desde 1990. “Certamente, somos o país mais engajado com a organização, mesmo não sendo membro efetivo. Trabalhamos para aderir às práticas e às políticas públicas, independentemente da aceitação no grupo. Já aderimos a 84 dos 254 instrumentos legais. 60 estão em processo de adesão. A aderência também é viável para outros 59. Apenas 20% permanecem em análise do governo e consultas públicas. Não há país no mundo que trate com mais seriedade a questão ambiental que o Brasil. Podemos sofrer uma série de restrições e ataques, mas a situação de hoje é que somos uma potência ambiental e temos a condição de demonstrar para outros países como se protege o meio ambiente efetivamente. 60% do nosso solo é de vegetação nativa. Também temos reservas indígenas, com vasto patrimônio. Podemos prover serviços ambientais para o mundo todo”. Butkiewicz reforça que o governo tem trabalhado para aprimorar o geoprocessamento dos dados, entender os gargalos nacionais e estabelecer medidas que os solucionem. “A OCDE trará a inteligência, transparência e capacidade de gestão que precisamos. Queremos internalizar todos estes ensinamentos e oferecer maior segurança jurídica aos investidores internacionais. Temos de valorizar o bem ambiental, com nomes bem estruturados, afinal, intervir erroneamente é aumentar a destruição. Temos muito o que ganhar com a adesão ao grupo. O trabalho está sendo feito e ainda seremos vistos com respeito”. Os debatedores também falaram sobre o andamento do acordo entre Mercosul e União Europeia, que estabelece diálogo político, cooperação e livre comércio. Para Rubens Barbosa, podemos enfrentar uma nova etapa, tão difícil quanto a primeira: o processo de ratificação no próximo ano. “Depois de um longo processo, com mais de 20 anos de estudos, o acordo foi finalizado, mas ainda não assinado. Pode começar a haver uma oposição dos parlamentos europeus, graças à política ambiental brasileira. Precisamos sair da defensiva e desenvolver uma nova política agrícola. Não se trata de gostar ou não. Devemos nos ajustar por pragmatismo, caso contrário, teremos dificuldade na aprovação do acordo e até mesmo nas finanças. Precisamos de resultados concretos de redução de desmatamento, controle de queimadas e garimpo ilegal. Só o discurso não é válido para a comunidade internacional. Temos que recuperar nossa credibilidade por meio dos resultados”. Leopoldo Butkiewicz conta que o Ministério do Meio Ambiente e seus secretários estão trabalhando com foco em criar instrumento de mercado para inserir na cadeia ambiental o valor que é dado pelos países europeus. “Vemos eles usando instrumentos de acordos e normas internacionais como barreiras não tarifárias para nossos produtos, é a maneira de se protegerem. Temos oportunidade de mudar o jogo e atacar os problemas que temos em diversos biomas. Procuramos países parceiros para desenvolver políticas públicas de governo, que também sirvam como políticas de estado”. O evento é parte da programação de debates on-line, criada pela equipe do Veirano Advogados durante o isolamento social, que aborda diversos temas relevantes para os negócios, com panoramas durante e pós-pandemia de Covid-19. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/07/2020

EcoDebate - Edição 3.464 de 02/ julho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Agronegócios e Insustentabilidade no Governo Bolsonaro Uma temporada no inferno Novo marco regulatório conseguirá resolver os gargalos do saneamento de décadas? Poluição microplástica se acumula mais fortemente em habitats costeiros Queimadas na Amazônia – Junho registra maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos Falta de cumprimento das regras internacionais de meio ambiente pode afetar negociações entre o Brasil e demais países “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Quilombolas e caiçaras alimentam a periferia de São Paulo

James, O fortalecimento das parcerias tem amenizado a angústia de vivermos uma pandemia. Devido a articulações e parcerias organizamos, em dois meses, a distribuição de 14 toneladas de alimentos! A Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), com sede em Eldorado (SP), e a comunidade caiçara da Enseada da Baleia, na Ilha do Cardoso, destinaram sua produção de comida de verdade para famílias da região do Capão Redondo, na zona sul, e da Vila Brasilândia, na zona norte da capital paulista. Organização dos produtos quilombolas na sede da Coorpequivale em Eldorado (SP) para distribuição na Brasilândia Flávia Nascimento / ISA São 14 toneladas de produtos cultivados com cuidado e qualidade, que levaram saúde, segurança alimentar e solidariedade à mesa de famílias que estão enfrentando dificuldades em razão da pandemia. O trabalho nas roças quilombolas dá vida, gera renda para as comunidades e dá esperança ao próximo numa relação de afetividade em um ato humanitário. Os carregamentos possuíam até 26 variedades de produtos como peixe seco, cará, inhame, laranja, banana, limão, mamão, rapadura, taiada, entre outros. A articulação envolveu o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Linha D’Água, e a ONG Bloco do Beco. O Instituto Brasil a Gosto fez parte da ação ao criar uma campanha de arrecadação de recursos com o apoio do Magazine Luiza, e a ação também teve apoio de organizações internacionais como a União Europeia e a fundação Good Energies. Leia mais aqui. Os produtos da roça fazem parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial do Brasil. A roça quilombola e a pesca artesanal caiçara aproximaram mundos que pareciam distantes antes da pandemia da Covid-19. Moradores das periferias de São Paulo, duramente atingidas pelo vírus, encontraram um traço de união e apoio, de comunidade para quilombo, de comunidade para comunidade, no alimento produzido com resistência e afeto. Junte-se ao ISA! Nos ajude a manter a produção de alimentos que são distribuídos a quem mais precisa. Quero me juntar ao ISA! Raquel Pasinato Instituto Socioambiental - ISA Mais informações sobre o ISA. Dúvidas ou comentários, ligue ou envie um whatsapp para (11) 93500 1149 e fale com Mariana Barros ou escreva para relacionamento@socioambiental.org

quarta-feira, 1 de julho de 2020

EcoDebate - Edição 3.462 de 01/ julho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura O Brasil fecha 1,487 milhão de empregos formais entre março e maio de 2020 Manaus é a metáfora do saneamento privatizado Reduzir desigualdades. Se não agora, quando? Pesquisadores revelam a conexão da poluição do ar com a mortalidade infantil Ásia supera Europa na geração de energia solar flutuante, diz relatório Empresas precisam considerar questões ambientais e sociais na retomada pós-pandemia “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

terça-feira, 30 de junho de 2020

Covid-19 – A propósito de cloroquina, medicina, heparina e tubaína, artigo de Momtchilo Russo

[Jornal da USP] O pior da pandemia viral atual (covid-19) é a ignorância em não seguirmos as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o que outros países europeus fizeram para evitar a catástrofe que ora se instala no Brasil, com o elevado número de mortes. Cloroquina e hidroxicloroquina são fármacos usados na prevenção e tratamento da malária, uma doença causada por um protozoário e transmitida pela picada de mosquitos. Estes fármacos sintéticos foram baseados no princípio ativo do quinino, uma substância natural amarga extraída da casca de uma árvore encontrada no Peru. Um fato anedótico que uso para ilustrar a aula de malária relaciona-se com os três problemas principais que os colonizadores ingleses tinham na Índia: mosquitos, calor e malária. Então eles inventaram uma bebida que resolvia os três problemas de uma só vez. Gim para deixar de se preocupar com as picadas dos mosquitos; água tônica com gelo para matar a sede e aplacar o calor; e quinino para matar o parasita causador da malária. Ou seja, uma solução perfeita para os três problemas. Em 1918, o uso de quinino foi recomendado para combater o vírus influenza responsável pela epidemia da gripe espanhola e, posteriormente, a cloroquina, nos surtos episódicos de influenza, sem terem a sua eficácia comprovada. O uso de hidroxicloroquina na covid-19 partiu de uma observação do médico francês Didier Rault, de Marselha, que notou melhora em alguns pacientes. Baseado nessa observação, o grupo do dr. Rault publicou um trabalho sobre o efeito benéfico do tratamento da hidroxicloroquina combinada com o antibiótico azitromicina na covid-19, porém o trabalho foi feito com número reduzido de pacientes e com problemas na análise estatística devido à retirada de alguns pacientes na análise dos dados, sofrendo críticas da comunidade científica, o que resultou, a pedido dos próprios autores, na retirada da publicação desse trabalho. Um dos problemas iniciais com o uso da cloroquina é que faltavam relatos concretos sobre sua eficiência na covid-19. Como a maioria dos pacientes, quase 90%, se recuperam da infecção, fica difícil determinar o efeito da cloroquina. Esse tipo de situação, quando não se tem certeza do que realmente funciona numa determinada doença, abre campo ao charlatanismo. Hoje há vários estudos que concluíram que tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina não é benéfico na covid-19, pelo contrário, pode até ter um efeito deletério. Portanto, recomendar o seu uso, como faz atualmente o Ministério da Saúde, fere um princípio básico da medicina, que é primum non nocere, ou seja, não infringir ao paciente danos desnecessários. Há um ditado na medicina que diz: “o paciente pode se curar com, sem e apesar do médico”. Apesar do médico se refere à possível ação iatrogênica, que são complicações resultantes do tratamento médico. Por causa disso, os médicos atuais seguem protocolos baseados em evidências. A recomendação do uso da cloroquina por três presidentes que compartilham a ignorância em relação ao mecanismo de ação da cloroquina é ilustrativa. Em comum, os três não têm nenhuma formação profissional ou conhecimento científico para opinar na medida que não entendem de vírus nem de terapia. O presidente do Brasil segue o presidente Trump, que preconizava e tomava cloroquina. Por outro lado, o presidente Maduro, da Venezuela, também defende o seu uso indicando que a defesa da cloroquina não é uma primazia de um tipo de governo. A defesa da cloroquina lembra o caso Lysenko, ministro da Agricultura na época de Josef Stalin. Lysenko estava convencido de que a genética de Mendel (leis baseadas em cruzamento de plantas que determinam a herança genética de pais para filhos) era uma teoria burguesa e demitiu todos os cientistas que a apoiavam. A consequência disso foi sentida na agricultura da União Soviética, que colapsou. Analogamente, foram afastados os ministros da Saúde do Brasil que se recusaram a indicar a cloroquina e/ou o fim do distanciamento social e até hoje não foram substituídos, o que se traduziu num aumento exponencial no número de internações hospitalares em algumas cidades, levando ao colapso o Sistema Único de Saúde. O uso da cloroquina no Brasil virou um problema ideológico até entre docentes e pesquisadores. Há alguns meses, foi redigido um documento endereçado ao ministro da Saúde e assinado por 31 pesquisadores pedindo urgência na aplicação da cloroquina. Chama a atenção que os signatários dessa carta pertencem a um organismo denominado Docentes pela Liberdade (DPL), como se houvesse professores e pesquisadores contrários a essa causa. Em uma visita ao site do DPL, verifica-se que o grupo se autodefine como: apartidário, formado por docentes e profissionais de qualquer área, cujo interesse é recuperar a qualidade da educação no Brasil, romper com a hegemonia da esquerda e combater a perseguição ideológica. Esse documento foi publicado no site Brasil Sem Medo, que tem em seu conselho editorial Olavo de Carvalho, guru do presidente e de seus filhos. Não à toa, parte da diretoria do DPL foi contratada para trabalhar em diferentes postos do governo. Ou seja, ao contrário do que afirma em seu site, DPL é um grupo partidário identificado com o governo atual. Lamentavelmente, o governo brasileiro ignorou um achado importante feito pela médica Elnara Marcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês e da Universidade de São Paulo, mostrando o efeito benéfico da heparina, uma droga anticoagulante, na covid-19. Igualmente relegado foi o avanço do conhecimento na covid-19 feito por pesquisadores brasileiros do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), coordenado pela professora Marisa Dolhnikoff, mostrando que o tromboembolismo (coagulação exagerada do sangue) está associado com a patologia da covid-19. Inclusive, a orientação atual dos médicos – que também merecem ser destacados – do Hospital das Clínicas da FMUSP é utilizar heparina. Vale lembrar que um tipo de heparina na covid-19 foi também desenvolvido no Brasil pelo grupo da dra. Helena Nader da Unifesp. Tampouco um teste que identifica a presença do vírus desde o primeiro dia da infecção, desenvolvido no Hospital Albert Einstein, foi destacado pelo governo. Além dessas, inúmeras iniciativas inovadoras das universidades brasileiras foram ignoradas, incluindo as iniciativas do meu instituto (ICB/USP), que estabeleceu um teste sorológico para covid-19 ultrassensível. Para finalizar, o presidente brasileiro cometeu um erro e um ato falho quando afirmou que quem é de direita toma cloroquina e quem é de esquerda toma Tubaína – porque a esquerda não toma Tubaína, quem toma Tubaína é o povo. Tubaína tem apelo popular devido ao baixo custo. Ao associar a Tubaína ao que ele mais odeia, que é a esquerda, o presidente revela, por um ato falho, o seu viés de classe, qual seja, o seu desprezo pelo povo brasileiro ao se referir à Tubaína de forma pejorativa. A política atual do Ministério da Saúde em insistir na cloroquina e ser contra o isolamento social é, respectivamente, uma charlatanice e uma excrecência quando comparada ao que se preconiza na OMS e na maioria dos países. Essa orientação capitaneada pelo presidente levará o Brasil logo mais ao topo de óbitos. A culpabilidade dessa catástrofe deve ser imputada a alguém. Quem é o responsável? Quem vai julgar a charlatanice da cloroquina? Quando os culpados serão julgados por atos necropolíticos? Qual tribunal irá julgá-los? O que precisamos fazer para reverter essa tragédia anunciada? Por Momtchilo Russo, professor titular do Departamento de Imunologia do ICB/USP e do Departamento de Moléstias Infecciosas da FMUSP Do Jornal da USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/06/2020

Desmatamento no Cerrado afeta o clima e pode reduzir a produção de milho no Brasil

Como o desmatamento e a agricultura estão alterando o clima do Cerrado Deforestation in the Cerrado affects the climate and may reduce corn production in Brazil Dartmouth College* O Brasil é um dos três principais produtores mundiais de soja e milho, e seu setor agrícola é responsável por um quinto da economia do país. As práticas de desmatamento e limpeza de terras têm sido associadas a reduções na biodiversidade e aumentos de temperatura, fluxo de corrente, ocorrência de incêndios e emissões de dióxido de carbono. Segundo um estudo de Dartmouth publicado na Nature Sustainability , essas práticas de limpeza de terras no Brasil também estão alterando o clima e podem reduzir significativamente a produção de milho. O estudo examina o Cerrado, um bioma localizado no coração do Brasil, onde a maioria da soja e milho para exportação é cultivada. O Cerrado brasileiro é muito menos protegido que a Amazônia. Pesquisas anteriores descobriram que a Amazônia está sendo salva às custas do Cerrado. Se você possui terras na Amazônia, legalmente, é obrigado a proteger 80% das terras; no entanto, se você possui terras no Cerrado, precisará proteger apenas 20% da terra. Como resultado, apenas 3% de todo o Cerrado é protegido legalmente. Para examinar os impactos do agronegócio e das mudanças climáticas nas principais áreas agrícolas do Brasil, os pesquisadores usaram um modelo climático regional do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica. Eles executaram o modelo durante um período de 15 anos, de 2000 a 2015, usando seis cenários diferentes de cobertura da terra: Brasil antes do desmatamento, Brasil com desmatamento observado em 2016, Cerrado com apenas soja cultivada em uma estação (cultivo único) , Cerrado com soja e milho cultivados na mesma estação (corte duplo) e desmatamento na Amazônia são estados com corte único e corte duplo. Nesta região, a soja é plantada como a colheita primária e o milho é a colheita secundária. A equipe comparou cada um dos cenários ao Brasil antes da limpeza da terra. Eles examinaram diferentes variáveis, incluindo a evapotranspiração – quanta água é reciclada de volta para a atmosfera, o início e o final da estação chuvosa, as chuvas do Cerrado e da Amazônia e os limites críticos de temperatura agrícola. Soja e milho no Brasil dependem de chuvas. Apenas 6% das terras cultivadas no Brasil são irrigadas. Menos árvores devido ao desmatamento reduzem a evapotranspiração, que diminui a água reciclada de volta na atmosfera e pode levar a menos chuvas. Para investigar como as mudanças climáticas devido ao desmatamento afetam a produção de soja e milho, os pesquisadores usaram um modelo estatístico de colheita baseado nas relações observadas entre clima e produtividade. Para que o milho prospere, as noites devem ser frias. Noites acima de 24 graus Celsius (referidas neste estudo como “noites quentes”) podem danificar o milho. O estudo fornece evidências de que o desmatamento degradou o clima no Cerrado brasileiro, uma região que depende da produção de sequeiro. Os dados revelaram as seguintes conclusões principais: * Todos os cenários de limpeza de terras continham significativamente mais dias de estação de crescimento com temperaturas superiores à temperatura crítica para o cultivo bem-sucedido de milho. * Com as reduções nas taxas de evapotranspiração, o balanço água / energia é afetado significativamente em todos os cenários de limpeza do solo, principalmente durante períodos importantes de desenvolvimento da colheita. * Os resultados demonstraram que, com noites mais quentes (24+ graus Celsius), a produção de milho foi reduzida de 6 a 8% quando comparada com os anteriores cenários de limpeza de terras. O cenário mais conservador de limpeza de terras demonstrou que havia oito noites mais quentes do que antes da limpeza, em comparação com 20 a 30 noites mais quentes no cenário mais extremo. Os rendimentos da soja não foram afetados, mas a soja é muito mais resistente a temperaturas mais altas. “Nossas descobertas revelam como as práticas de desmatamento no Cerrado brasileiro está minando a produção agrícola de sequeiro, que é uma das principais razões pelas quais o Cerrado é desmatado”, explicou a coautora Stephanie A. Spera , professora assistente de geografia e ambiente na Universidade de Richmond, que era pós-doutorado no Instituto Neukom de Ciência da Computação em Dartmouth na época do estudo. Sob o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, o desmatamento no Brasil é o mais alto desde 2008, já que o desmatamento na Amazônia aumentou 55% de janeiro a abril de 2019, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e as ações de fiscalização do desmatamento são bastante reduzidas. A pandemia do COVID-19 reduziu ainda mais a fiscalização do desmatamento. “A Amazônia e o Cerrado menos conhecido são incrivelmente vulneráveis aos impactos do clima. Quanto tempo essas regiões serão capazes de sustentar a produção agrícola sob a mudança do uso da terra é uma questão essencial para o Brasil e o suprimento mundial de alimentos”, acrescentou Spera. * Do Dartmouth College, com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate. Referência: Spera, S.A., Winter, J.M. & Partridge, T.F. Brazilian maize yields negatively affected by climate after land clearing. Nat Sustain (2020). https://doi.org/10.1038/s41893-020-0560-3 in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/06/2020

EcoDebate - Edição 3.462 de 30/ junho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura As Fases do Ciclo de Vida do Produto Baseado no Marketing Sustentável para Empresas de Palmito no Brasil Ignorância e incompetência: grandes aliadas do coronavírus Covid-19 – A propósito de cloroquina, medicina, heparina e tubaína A tragédia do crescimento, uma metafísica do neoliberalismo As máscaras ajudam ou atrapalham na hora do exercício físico? Desmatamento no Cerrado afeta o clima e pode reduzir a produção de milho no Brasil “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Saiba em quais lugares o contágio pelo novo coronavírus pode ser maior

Estudo mostra que interação direta aumenta risco de contrair covid-19 Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tornou mais fácil identificar lugares onde, segundo pesquisadores, a chance de ser infectado pelo vírus SARS-Cov-2, responsável pela pandemia de covid-19, é bem maior. Os resultados parecem comprovar o que já é protocolo sanitário em todo o Brasil: a residência é o lugar mais seguro para as pessoas nesse momento. A equipe de virologistas responsáveis pelo levantamento coletou amostras de lugares públicos de alta circulação na cidade de Belo Horizonte. O método utilizado foi parecido com os testes realizados para detectar a presença do vírus no organismo: o swab – um tipo de cotonete alongado que, quando friccionado contra superfícies, coleta o material em repouso – foi usado em pontos de ônibus, corrimãos, entradas de hospitais e até mesmo bancos de praças. Das 101 amostra colhidas, 17 continham traços do novo coronavírus. “Para se avaliar o risco de um determinado local, levamos em consideração três elementos: o número de pessoas que podem portar a infecção, o nível de aglomeração esperado nos ambientes e a chance de haver pessoas com a infecção no local”, explicou o infectologista e professor de medicina da UFMG, Matheus Westin. O médico lembra, ainda, que objetos também podem ter partículas infecciosas inertes. Frutas, verduras, caixas e outros itens que ficam expostos podem carregar o vetor de infecção. O estudo classificou as áreas de risco de acordo com os três pilares sanitários identificados pelos médicos. Veja o infográfico: Infográfico mostra a escala de perigo de contaminação por covid-19. Linha de frente O estudo mostrou também que profissionais que trabalham na linha de frente de combate ao novo coronavírus estão muito mais suscetíveis ao contágio, já que a proximidade com infectados é inevitável. “Todas as formas de assistência direta envolvem proximidade. Desde os cuidados primários, como administrar medicação ou conversar com o paciente, aos procedimentos invasivos, como ajustar o ventilador mecânico, aspirar as vias aéreas ou entubar o paciente, tudo isso cria um grande risco de transmissão”, argumenta Westin. Segundo o médico e professor, o investimento em equipamentos de proteção individual (EPIs) de qualidade é crucial, e pode definir se o profissional médico será contaminado ou não ao tratar pacientes. “Boa parte desse equipamento é de uso único. A troca deve ser periódica. Mas não dá pra esquecer que o profissional de saúde, ao chegar em casa, deve lavar bem com água e sabão as vestimentas hospitalares para remover traços de contaminação das roupas”, informou. Por Pedro Ivo de Oliveira, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/06/2020

As cidades mais envelhecidas do Brasil não são as mais atingidas pela covid-19, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] A pandemia do novo coronavírus causa mais vítimas fatais entre a população idosa. Na China 80% dos óbitos foram pessoas de 60 anos e mais, no Brasil são 73%. Alguém poderia imaginar que os municípios mais envelhecidos (com maior proporção de idosos na população) seriam os mais atingidos. Mas não é bem assim que tem ocorrido, como veremos a seguir. O envelhecimento populacional ocorre em função da transformação da estrutura etária que acontece em função do aumento da proporção de idosos no conjunto da população e a consequente diminuição da proporção de jovens. Populações envelhecidas são uma novidade na história do mundo e do Brasil. No passado, a estrutura etária era rejuvenescida em todos os lugares, pois a esperança de vida era baixa e os casais tinham que gerar grande número de filhos para se contrapor ao elevado número de óbitos precoces. Porém, a partir do momento em que as taxas de mortalidade e natalidade declinaram, teve início um processo de mudança da estrutura etária, com redução imediata da base da pirâmide e um alargamento, no longo prazo, do topo da distribuição de sexo e idade. Desta forma, o envelhecimento é o resultado, esperado e inexorável, da transição demográfica. Uma maneira de medir o envelhecimento populacional é por meio do Índice de Envelhecimento (IE), que é a razão entre o número de pessoas idosas sobre os jovens (crianças e adolescentes). Trata-se de uma razão entre os componentes extremos da pirâmide etária. O IE pode ser medido pelo número de pessoas de 60 anos e mais para cada 100 pessoas menores de 15 anos de idade, segundo a seguinte fórmula: Índice de Envelhecimento (IE) Uma população é considerada idosa quando o topo da pirâmide é maior do que a sua base, ou seja, quando o Índice de Envelhecimento (IE) é igual ou superior a 100. Como já dito, o envelhecimento populacional é um fenômeno novo na história da humanidade. O primeiro país do mundo a ter a quantidade de idosos (60 anos e mais) maior do que a quantidade de jovens com menos de 15 anos foi a Suécia, em 1975. O número de países idosos passou para 3 em 1980 e chegou a 52 países em 2015. O Brasil ainda é considerado um país jovem, mas em processo acelerado de envelhecimento. No ano 2010, segundo as projeções do IBGE (revisão 2018), havia 48,1 milhões de jovens de 0 a 14 anos e 20,9 milhões de idosos com 60 anos e mais. O Índice de Envelhecimento (IE) era de 43,4 idosos para cada 100 jovens, conforme mostra o gráfico abaixo. Em 2018, o número de jovens caiu para 44,5 milhões e o de idosos subiu para 28 milhões, ficando o IE em 63 idosos para cada 100 jovens. O Brasil vai se tornar um país idoso em 2031, quando haverá 42,3 milhões de jovens (0-14 anos) e 43,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Nesta data, pela primeira vez, o IE será maior do que 100, ou seja, haverá 102,3 idosos para cada 100 jovens (veja a coluna vermelha no gráfico). Mas o envelhecimento populacional continuará sua marcha inexorável ao longo do século XXI. No ano de 2055, as projeções do IBGE indicam o montante de 34,8 milhões de jovens (0-14 anos) e de 70,3 milhões de idosos (60 anos e mais). O IE será de 202 idosos para cada 100 jovens. Ou seja, haverá mais do dobro de idosos do que jovens. diminuição da população jovem (0 a 14 anos) e do aumento da população idosa (60 anos e mais) ao longo do século XXI O gráfico acima não deixa dúvidas quanto à diminuição da população jovem (0 a 14 anos) e do aumento da população idosa (60 anos e mais) ao longo do século XXI. Durante mais de 500 anos, o Brasil foi um país com uma estrutura etária jovem, mas a partir de 2029 será um país com uma estrutura etária idosa. E não haverá mais volta. O futuro do Brasil é ser um país “grisalho”. Mas este processo de envelhecimento do país não acontece de forma uniforme, pois existem municípios que já estão mais avançados na transformação da estrutura etária e outros que ainda possuem uma estrutura muito rejuvenescida. Em geral, os municípios que foram pioneiros na transição da fecundidade também são pioneiros no envelhecimento. Mas a estrutura etária também é afetada pela migração, assim há municípios envelhecidos em função da perda de jovens e/ou do ganho de idosos. A tabela abaixo, com base na estimativa populacional municipal de 2015, do IBGE, mostra os 10 municípios com a estrutura etária mais envelhecida (maior IE) do país. Nota-se que os 10 municípios recordistas do envelhecimento estão todos no Rio Grande do Sul (RS) e são municípios com menos de 5 mil habitantes. O município de Coqueiro Baixo com apenas 1.563 habitantes tinha, em 2015, 660 idosos (de 60 anos e mais) e apenas 94 jovens (de 0 a 14 anos). Ou seja, tinha 7 vezes mais idosos do que jovens e o IE era de 702,1 idosos para cada 100 jovens. Forquetinha era o segundo município mais idoso (com IE de 480,2) e Cotiporã o décimo município mais idoso do país (com IE de 233). O Rio grande do Sul é um dos estados brasileiros pioneiros na transição da fecundidade. Mas o alto envelhecimento populacional destes 10 municípios pequenos, provavelmente, foi reforçado pela perda de população jovem que procura os grandes centros em busca de oportunidades de estudo e/ou trabalho. os 10 municípios com a estrutura etária mais envelhecida (maior IE) do país Segundo o Ministério da Saúde, até 24 de junho de 2020, Coqueiro Baixo, Rolador e Capão Bonito do Sul não registraram nenhum caso da covid-19. Forquetinha registrou 1 caso, Cruzaltense 7 casos, Canudos do Vale 4 casos, Santa Cecília do Sul 14 casos, Coronel Pilar 1 caso, Cotiporã 7 casos e nenhuma morte entre estes municípios. Santa Teresa teve 12 casos e 1 morte. A tabela abaixo, também com base nas estimativas do IBGE, para 2015, mostra os 10 municípios mais populosos com a estrutura etária mais envelhecida (IE acima de 100) do país. Niterói, no Rio de Janeiro, com quase meio milhão de habitantes, tinha 96,8 mil idosos (60 anos e mais) para 80 mil jovens (0 a 14 anos), com um IE de 120,9 idosos para cada 100 jovens. Santos, em São Paulo, com população de 433,9 mil habitantes, tinha 93,4 mil idosos e 73,3 mil jovens, com IE de 127,4. São Caetano do Sul, em São Paulo, a cidade com maior IDH do país, tinha 33,7 mil idosos e 25 mil jovens, em 2015, com IE de 134,6. Em décimo lugar, Socorro, em São Paulo, com 39,5 mil habitantes, tinha 7,5 mil idosos e 7,1 mil jovens, com IE de 105,1. os 10 municípios mais populosos com a estrutura etária mais envelhecida (IE acima de 100) do país Niterói é, entre as grandes cidades do país (mais de 40 mil habitantes) a mais envelhecida. Mas como mostra a tabela abaixo não foi a mais atingida pela pandemia. O coeficiente de incidência de Niterói é de 10,7 mil casos por milhão (acima da média da cidade do Rio de Janeiro), mas o coeficiente de mortalidade foi de 349 óbitos por milhão (bem abaixo da capital fluminense que tem uma estrutura etária menos envelhecida). Niterói é, entre as grandes cidades do país (mais de 40 mil habitantes) a mais envelhecida Para efeito de comparação, a tabela abaixo mostra os 10 municípios com a estrutura etária mais rejuvenescida (menor IE) do país. Nestes 10 municípios, o número de idosos não chega nem a 10% dos jovens. Por exemplo, Ipixuna, no Amazonas, com uma população total de 26,8 mil habitantes, tinha 11,5 mil jovens de 0 a 14 anos e somente 1,1 mil idosos (com 60 anos e mais) e um IE de 9,4 idosos para cada 100 jovens. O município de Jordão, no Acre, com população total de7,5 mil habitantes, tinha 3,6 mil jovens e somente 175 idosos, com IE de apenas 4,8. Em geral, estes municípios muito rejuvenescidos tem forte presença indígena. os 10 municípios com a estrutura etária mais rejuvenescida (menor IE) do país Até o dia 23/06, Ipixuna teve 3 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, Porto de Moz teve 392 casos e 22 mortes e Oiapoque teve 1.196 casos e 10 mortes. O contraste com os municípios mais envelhecidos é muito grande, pois há mais mortes nos municípios mais rejuvenescidos. A tabela abaixo mostra os 10 maiores municípios brasileiros com IE abaixo de 20 idosos para cada 100 jovens. Macapá, capital do Amapá, com população de 456 mil habitantes em 2015, tinha 141,6 mil jovens e apenas 24,7 mil idosos, com IE de 17,5 idosos para cada 100 jovens. Parauapebas, no Pará, com 189 mil habitantes tinha IE de 10,8 e o município de Santana, no Amapá, com 112,2 mil habitantes, tinha IE de 18. Estes 10 municípios são de tamanho médio e possuem uma estrutura etária muito rejuvenescida. os 10 maiores municípios brasileiros com IE abaixo de 20 idosos para cada 100 jovens Dos 5.570 municípios brasileiros em 2015, 531 cidades possuem Índice de Envelhecimento (IE) acima de 100, sendo, portanto, municípios envelhecidos. Em 2643 municípios o IE estava entre 100 e 50 idosos para cada cem jovens. Em 2162 municípios o IE estava entre 50 e 20 idosos para cada cem jovens. E em 234 municípios o IE estava abaixo de 20 idosos para cada cem jovens. Observa-se, portanto, que menos de 10% dos municípios brasileiros em 2015 estavam classificados como cidades onde a população tem uma estrutura etária envelhecida. Porém, como visto no primeiro gráfico, o Brasil está em processo acelerado de envelhecimento e em 2029 terá, na média, uma estrutura etária envelhecida. Assim, a tendência para as próximas décadas é que um número cada vez maior de cidades passe a ter um Índice de Envelhecimento acima de 100. O envelhecimento é inevitável e o Brasil precisa se preparar para saber lidar com esta nova realidade demográfica. Como mostrei no artigo “A pandemia da covid-19 e o envelhecimento populacional no Brasil” (20/04/2020), a região mais atingida no Brasil pela covid-19 foi a região Norte que é a que possui a estrutura etária mais rejuvenescida, enquanto o Sul, que é a região mais envelhecida, foi a menos impactada pela pandemia. Isto mostra que a demografia não é destino e que existem outras variáveis que explicam o impacto do Sars-CoV-2 sobre a população. O importante a destacar é que os municípios mais envelhecidos não foram os mais impactados pela pandemia. Referência: ALVES, JED. A pandemia da covid-19 e o envelhecimento populacional no Brasil, Portal do Envelhecimento, 20/04/2020 https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/a-pandemia-da-covid-19-e-o-envelhecimento-populacional-no-brasil/ Nota da redação: sobre o tema envelhecimento populacional sugerimos que leia, também: Envelhecimento Populacional Continua E Não Há Perigo De Um Geronticídio Apesar Da Covid-19 As Tendências Do Envelhecimento Populacional Permanecem O Envelhecimento Populacional Compromete O Crescimento Econômico No Brasil? O Envelhecimento Populacional No Brasil O Envelhecimento Populacional Segundo As Novas Projeções Do IBGE As Diferentes Velocidades Do Envelhecimento Populacional in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/06/2020

EcoDebate - Edição 3.461 de 29/ junho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura As cidades mais envelhecidas do Brasil não são as mais atingidas pela covid-19 Biodiversidade: a peça mais importante para um futuro sustentável O novo normal pós pandemia: procurando caminhos Marco regulatório do saneamento é absolutamente silencioso e omisso em relação aos direitos humanos Saiba em quais lugares o contágio pelo novo coronavírus pode ser maior “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Cientistas mapeiam grilagem em florestas públicas na Amazônia

Grilagem na Amazônia – Área equivalente a duas vezes o estado do Rio de Janeiro foi irregularmente declarada como imóvel rural no sistema do governo; mais de 2 milhões de hectares já foram desmatados. Por Cristina Amorim Um novo artigo científico de autores brasileiros, publicado nesta segunda-feira (23) na revista “Land Use Policy”, mapeia a grilagem em florestas públicas não-destinadas na Amazônia. Dos 49,8 milhões de hectares de florestas sob responsabilidade estadual e federal, mas ainda não alocados a nenhuma categoria de uso, 11,6 milhões de hectares foram declarados irregularmente como imóveis rurais, de uso particular, no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (CAR). Essa área equivale a dois estados do Rio de Janeiro. O impacto da grilagem se traduz facilmente em desmatamento. Nessas áreas, os pesquisadores identificaram 2,6 milhões de hectares derrubados até 2018, uma área do tamanho de Sergipe. Tal destruição gerou a emissão de 1,2 bilhão de toneladas de CO2, o principal gás do efeito estufa. Oitenta por cento da área desmatada (2,1 milhões de hectares) apresenta registro no CAR, demonstrando a intenção de uso privado de uma área pública. Se toda a área registrada até hoje como propriedade privada fosse legalizada, de 2,2 a 5,5 milhões de hectares poderiam ser derrubados nos próximos anos – isso seguindo os limites de desmatamento definidos pelo Código Florestal, quando muitas vezes o desmatamento é maior que o permitido. Nos últimos anos, a grilagem de florestas não-destinadas aumentou. Em 2019, foi a categoria fundiária onde mais se derrubou floresta na Amazônia, de acordo com dados do sistema de alertas de desmatamento do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Deter. A tendência se mantém em 2020. Passo a passo Para fazer a análise, os pesquisadores primeiro limparam as sobreposições das florestas não-designadas no Cadastro Nacional de Florestas, do Serviço Florestal Brasileiro, que conta com 62 milhões de hectares, com outras áreas na base fundiária da Amazônia. Com isso, chegou-se a 49,8 milhões de hectares de florestas públicas, próxima ao tamanho da Espanha, que ainda não foram destinadas para proteção ou uso sustentável de seus recursos naturais, como previsto na Lei de Gestão de Florestas Públicas, de 2006. Deste quinhão, os estados da Amazônia possuem uma área maior (32,7 milhões de ha) do que o governo federal (17,1 milhões de ha). A grilagem dessas áreas tem como objetivo frequente a especulação fundiária. “Na Amazônia, observamos a seguinte dinâmica: um grileiro entra na área pública e a registra como dele ou no nome de laranjas; depois desmata a área, coloca algumas cabeças de gado para se dizer pecuarista e tenta de todos os jeitos a regularização, ou espera um desavisado comprar a terra. Uma vez vendida, essa terra entra no sistema de produção agropecuária, e o novo dono e seus produtos carregam esse passivo, enquanto o grileiro passa para a próxima área”, explica o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), um dos autores principais do estudo. O CAR, como registro de regularidade ambiental da propriedade, autodeclarado pelo ocupante, entra nessa equação como uma tentativa de se forjar uma ocupação regular. Por isso, é preciso barrar a validação desses cadastros falsos no sistema. “Esses registros estão na base de dados do governo. Para atuar contra a ilegalidade, é fundamental que o poder público atue para, no mínimo, avaliar a legalidade da ocupação destas áreas, pois isso é roubo do patrimônio público”, diz Moutinho. A pesquisadora Claudia Azevedo-Ramos, da UFPA (Universidade Federal do Pará), que liderou o estudo, destaca o papel dessas florestas. “É preciso destinar essas florestas para fins de proteção e uso sustentável. Preservar esses ecossistemas significa respeitar os direitos das populações tradicionais e indígenas, que muitas vezes são expulsos pelos grileiros, além de manter a chuva e o clima estáveis, fundamentais para a produção agrícola na Amazônia.” A despeito de a legislação brasileira definir categorias potenciais de destinação para as florestas públicas, e resguardar essas áreas como domínio público, os autores destacam que, desde 2019, todos os programas de designação dessas áreas foram desmontadas pelos governos federal e estaduais. “Estas florestas pertencem aos brasileiros. Aos governos, cabe protegê-las e garantir que não sejam entregues à especulação e à usurpação de seus recursos naturais. Preservar as florestas públicas é garantir que a Amazônia mantenha suas funções climáticas e socioambientais, com benefícios para todo o planeta”, explica Azevedo-Ramos. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/06/2020

Estudo indica que consumir uma a três xícaras de café por dia pode reduzir o risco de hipertensão

Estudo com 8.780 participantes concluiu que ingestão moderada de café pode reduzir em 20% risco de hipertensão Pesquisa com 8.780 participantes mostra que consumo moderado de café pode reduzir risco de hipertensão em 20%; estudos recentes mostraram que efeito benéfico do consumo moderado de café é atribuído aos polifenóis, compostos bioativos, que são encontrados em abundância nessa bebida Por Júlio Bernardes, Jornal da USP A associação entre o consumo de café e o risco de hipertensão é investigada em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Com base na análise dos hábitos de consumo da bebida, dados sociodemográficos, de estilo de vida, exames de sangue e medição de pressão arterial de um grupo de 8.780 funcionários públicos, o estudo concluiu que a ingestão moderada de café (uma a três xícaras por dia) pode reduzir em 20% o risco de hipertensão. Os resultados do estudo são detalhados em artigo da publicação científica Clinical Nutrition, no último dia 7 de junho. A pesquisa usou dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil), feito com 15.105 funcionários de seis instituições públicas brasileiras de ensino superior e pesquisa. “Através de um questionário padronizado foram obtidos dados sociodemográficos, como idade, sexo, cor da pele, renda familiar per capita, nível educacional”, relata Andreia Miranda, pós-doutoranda da FSP que realizou o presente estudo. “Além disso, também foram obtidos dados de estilo de vida, entre os quais prática de atividade física, hábito de fumar, ingestão de bebida alcoólica, bem como o histórico médico-familiar, uso de medicação, além de medição do peso e altura e avaliação do consumo alimentar por meio de um questionário específico.” Durante a pesquisa foi realizada a coleta de sangue para análises bioquímicas e também foi aferida a pressão arterial dos participantes por um enfermeiro previamente treinado. “Para o presente estudo, foram excluídos da amostra os indivíduos com diagnóstico de hipertensão no início da pesquisa, aqueles que apresentavam histórico prévio de doença cardiovascular (infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e cirurgia cardíaca), além dos que não tinham informação sobre o consumo de café”, explica a pesquisadora. “Dessa forma, foram analisados 8.780 participantes, com seguimento médio de quatro anos.” O consumo de café foi obtido por meio de um questionário de frequência alimentar, sendo agrupado em quatro categorias: quem nunca ou quase nunca tomava café, quem bebia menos de uma xícara por dia, de uma a três xícaras por dia e mais de três xícaras por dia. “Foi definido que o tamanho das doses de café é de 50 mililitros (50 ml), o que corresponde a uma xícara pequena”, relata Andreia. “A presença de hipertensão foi definida com o valor de pressão acima de 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg), o uso de medicação anti-hipertensiva ou ambos.” Consumo de café consumo de café Consumo de café foi obtido por questionário de frequência alimentar, agrupado em quatro categorias: quem nunca ou quase nunca tomava café, quem bebia menos de uma xícara por dia, de uma a três xícaras por dia e mais de três xícaras por dia – Foto: Marcos Santos/USP Imagens Para analisar a relação entre o consumo de café e o risco de hipertensão foi utilizado um método estatístico, conhecido como regressão de Poisson, que permitiu calcular o risco relativo e o respectivo intervalo de confiança. “O modelo final foi ajustado de acordo com outras variáveis descritas na literatura que poderiam influenciar no resultado, tais como idade, sexo, cor da pele, nível educacional, renda, tabagismo, consumo de álcool, prática de atividade física, índice de massa corporal (IMC), consumo de frutas e vegetais, ingestão de sódio, potássio e gordura saturada, açúcar de adição, uso de suplementos, e níveis séricos de glicose, colesterol total e triglicerídeos”, aponta a pesquisadora. “Em estudos prévios, já é bem documentado que o tabagismo é um fator de risco, fortemente associado com a ingestão de café e que pode exercer influência no desenvolvimento de doença cardiovascular, em especial na hipertensão. Por esse motivo, na pesquisa foi avaliado o efeito da interação do café com o tabagismo.” A pesquisa apurou que o consumo médio de café é de 150 ml por dia, o equivalente a três xícaras. “A maioria dos participantes relatou consumir a bebida com cafeína, filtrada/coada e com adição de açúcar, o que corresponde ao hábito tradicional de consumo de café pelos brasileiros. Durante os quatro anos de acompanhamento, um total de 1.285 participantes desenvolveu hipertensão”, destaca Andreia. “Dessa forma, foi possível observar uma associação significativa inversa entre o consumo moderado de café e a incidência de hipertensão. Ou seja, comparativamente às pessoas que nunca ou quase nunca tomavam café, o risco de hipertensão foi aproximadamente 20% menor naqueles que ingeriam de uma a três xícaras por dia”. “Estudos recentes mostram que o efeito benéfico do consumo moderado de café é atribuído aos polifenóis, compostos bioativos que são encontrados em abundância nessa bebida.” Como foi verificada uma interação significativa entre o hábito de fumar e a ingestão de café, novas análises estatísticas foram realizadas. “Verificou-se então uma diminuição do risco de hipertensão somente em pessoas que nunca fumaram e tomavam de uma a três xícaras por dia”, afirma a pesquisadora. Entre os fumantes e não fumantes, bem como na maior categoria do consumo de café, ou seja, quem tomava mais de três xícaras por dia, não se verificou associação significativa no risco de desenvolver hipertensão. “Esses achados não permitem afirmar que haja um risco nessa população ou se trata de uma dose prejudicial para a saúde”, diz Andreia. “Em resumo, os resultados mostram o efeito benéfico da ingestão de uma a três xícaras de café por dia e a importância de moderar o consumo dessa bebida para a prevenção da hipertensão.” A pesquisa teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e contou com a colaboração dos professores Alessandra Goulart, Isabela Benseñor e Paulo Lotufo, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário (HU) da USP e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da professora Dirce Marchioni, da FSP. Os resultados da pesquisa são apresentados no artigo Coffee consumption and risk of hypertension: A prospective analysis in the cohort study, publicado no Clinical Nutrition Journal. Do Jornal da USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/06/2020

EcoDebate - Edição 3.460 de 26/ junho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura O Brasil terá sua pior recessão em 2020 e a pior década perdida da história A Medicina só funciona por adesão Esforço para combater o coronavírus deve motivar novas medidas para reduzir poluição do ar Saúde no trabalho em casa Cientistas mapeiam grilagem em florestas públicas na Amazônia Estudo indica que consumir uma a três xícaras de café por dia pode reduzir o risco de hipertensão “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Cientistas apontam situação gravíssima das florestas na Amazônia Maranhense

Amazônia Maranhense – Assegurar medidas de proteção, assim como de restauração das florestas secundárias, é a saída para evitar o colapso ambiental na região Um artigo recentemente publicado na revista Land Use Policy mostra que a porção de Amazônia existente no estado do Maranhão já perdeu 76% das suas florestas originais e que um quarto da vegetação florestal remanescente está degradada por incêndios criminosos e pela atividade madeireira ilegal. Segundo os autores, a região também tem sido alvo de queimadas, desmatamento ilegal e muita violência, em particular contra os povos indígenas e as populações tradicionais. Publicado por cientistas de diferentes centros e universidades, entre os quais estão o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as Universidades Estadual e Federal do Maranhão (UEMA e UFMA, respectivamente), o Conselho Consultivo da Reserva Biológica do Gurupi e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o estudo apresenta dados do alto grau de fragmentação dessas paisagens florestais e evidencia a inexistência de áreas contíguas de florestas nativas, com tamanho mínimo para o manejo florestal sustentável por empresas madeireiras. “No Estado do Maranhão é imperativo que políticas públicas garantam a conservação e a restauração florestal, assim como a produção agrícola sustentável. Mas, as tendências apontam para a direção oposta”, aponta o trabalho, coassinado por Celso H.L. Silva Junior, Danielle Celentano, Guillaume X. Rousseau, Emanoel Gomes de Moura, István van Deursen Varga, Carlos Martinez e Marlúcia Martins. Retrocessos ambientais – Segundo o artigo, o ano de 2019 foi marcado por diversos retrocessos ambientais no Brasil, que resultaram no aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia. Isso causou prejuízos sócio-econômicos e ambientais severos, incluindo grandes emissões de carbono para a atmosfera. Entre os muitos reveses ambientais, aponta ainda o texto, o ano passado foi marcado pelo enfraquecimento da fiscalização do desmatamento e das políticas de mudança climática no Brasil, que catalisaram o aumento do desmatamento ilegal na Amazônia e alarmantes taxas de incêndio. Além disso, mudanças no código florestal (Lei Federal nº 12.651 / 2012), como a indefinição do prazo de extensão para o Cadastro Ambiental Ambiental (Lei nº 13.887 / 2019) e a tentativa de regularização de terras públicas obtidas de forma ilegal, por meio do Projeto de Lei nº 2.633/2020 (antiga Medida Provisória nº 910/2019, conhecida como “MP da Grilagem”), provavelmente aumentarão o desmatamento, retardando políticas de regularização e de restauração de passivos. Restauração florestal – Nesse contexto de alta destruição, a restauração da floresta é considerada a principal medida ambiental para enfrentar as mudanças climáticas. De acordo com um estudo global, 3,6 milhões de hectares da Amazônia Maranhense são considerados Hotspots Globais, ou seja, áreas em estado de conservação altamente crítico, mas ainda aptas à restauração. A melhor estratégia para restaurar florestas como a Amazônia seria assegurar condições adequadas para a regeneração natural, protegendo a vegetação secundária – ou seja, incrementar processos que facilitem que o ecossistema se reabilite por conta própria em médio e longo prazos. “As florestas secundárias que se formam através desse processo de regeneração são importantes para conservar a biodiversidade, garantir a regulação hidrológica e sequestrar carbono da atmosfera. Sem falar dos muitos benefícios que trazem de volta para a produção agrícola: regulação do clima local, polinização, controle biológico de pragas, entre outros”, aponta o estudo. Amazônia maranhense – Atualmente, a Amazônia Maranhense tem 2,5 milhões de hectares de florestas secundárias, ou seja, que já sofreram alguma forma de degradação, este montante é quase equivalente à área de florestas intocadas (primárias), calculadas em 2,4 milhões de hectares. Para os pesquisadores, a conservação, o manejo e a restauração das florestas na região, inclusive através de práticas agroflorestais e silviculturais, representam uma oportunidade de desenvolver cadeias produtivas sustentáveis com geração de emprego e renda. Na atual conjuntura global (de crise climática) e estadual (de estresse hídrico e degradação do solo), toda cobertura florestal (primária e secundária) deve ser conservada na Amazônia Maranhense, assim como devem ser fomentadas práticas agrícolas adaptadas aos solos vulneráveis da região. No entanto, não há proteção legal para as áreas que já sofreram alguma forma de alteração e, somente entre 2014 e 2018, cerca de 830 mil hectares foram desmatados. “Regular a proteção e a recuperação do patrimônio ambiental é um dever do Estado, assim como garantir a proteção das populações indígenas e rurais”, afirmam os autores. Uma ameaça adicional às florestas secundárias se esconde no Projeto de Lei Estadual 003/2020, aprovado em maio deste ano, que institui o Zoneamento Ecológico-Econômico do Bioma Amazônico no Maranhão e autoriza a redução da Reserva Legal, prevista no Artigo 14 (§ 3º). Segundo os especialistas, a medida poderá levar ao desmatamento legal e autorizado de mais de um milhão de hectares de áreas em regeneração, o que equivale à emissão de até 50 milhões de toneladas de carbono na atmosfera. “O Estado precisa criar mecanismos de proteção das Florestas secundárias e de fomento da restauração, porque o modelo de desenvolvimento atual tem resultado em degradação e pobreza”, argumentam. Serviço: O artigo “Amazon forest on the edge of collapse in the Maranhão State, Brazil”, publicado na Revista Land Use Policy em junho de 2020, está disponível no link: https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2020.104806. Fonte: Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/06/2020

Terras Indígenas na Amazônia são as Áreas de Proteção que mais sofrem pressão por desmatamento, revela Imazon

Desmatamento – Relatório mostra que a TI Yanomami foi a mais pressionada entre fevereiro e abril deste ano. A Terra Indígena é uma das mais vulneráveis para a Covid-19. Por Stefânia Costa De acordo com o Imazon*, das dez Áreas Protegidas que mais sofreram pressão por desmatamento, cinco são Terras Indígenas. A TI Yanomami (RR/AM) foi o maior alvo dos criminosos responsáveis pela destruição ilegal da floresta. As TIs Alto Rio Negro (AM), Raposa Serra do Sol (RR), Uaçá I e II (AP) e Kayapó (PA) também registraram ocorrências de devastação no interior da área protegida. O avanço do desmatamento, além de trazer prejuízos ambientais para essas áreas, pode resultar ainda em riscos à saúde dessas comunidades tradicionais. A Terra Indígena Yanomami, a primeira no ranking das APs mais pressionadas, está no ranking das TIs mais vulneráveis para a Covid-19, segundo levantamento feito pelo Instituto Socioambiental em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais. As TIs Raposa Serra do Sol e Alto Rio Negro também estão na lista das mais suscetíveis a ter surtos da doença. Na última semana, a TI Kayapó perdeu uma de suas maiores lideranças para o coronavírus: Paulinho Payakan. “É preciso gente para desmatar e há muita invasão justamente nas Unidades de Conservação e nas Terras Indígenas. Essas pessoas podem levar o coronavírus para esses territórios”, explica o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr. O estudo apresenta ainda as Áreas de Proteção mais ameaçadas: APA do Tapajós (PA) e Parna Mapinguari (AM/RO). Somente o estado de Rondônia tem cinco das dez APs mais ameaçadas de fevereiro a abril deste ano. Já no ranking das APs mais pressionadas durante esse período, aparecem ainda a APA Triunfo do Xingu (PA), APA do Tapajós (PA) e a Florex Rio Preto-Jacundá (RO). Ameaça e Pressão – O Instituto classifica ameaça como a medida do risco iminente de ocorrer desmatamento no interior de uma área protegida. É utilizada uma distância de 10 km para indicar a zona de vizinhança de uma AP, onde a ocorrência de desmatamento indica ameaça. Já o termo pressão é definido como a ocorrência do desmatamento no interior da área protegida, que pode levar à perdas ambientais e até mesmo redução ou redefinição de limites da AP. De fevereiro a abril deste ano, o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon detectou um total de 885 km² de desmatamento na Amazônia. 53% das células de desmatamento indicam ameaça e 47% mostraram a pressão em APs. O número de células com ocorrência de desmatamento de fevereiro a abril de 2020 é 216% superior ao registrado de fevereiro a abril de 2019. Estudo – O relatório do índices de ameaça e pressão de desmatamento em Áreas Protegidas é divulgado trimestralmente pelo Imazon. O estudo é produzido com base em dados de alertas de desmatamento do SAD, Sistema de Monitoramento desenvolvido pelo Instituto. São utilizados apenas os indicadores de desmatamento para determinar ameaça e pressão em uma unidade de conservação, entretanto, outros fatores também oferecem risco para a área, como extração madeireira, atividades de garimpo e hidrelétricas. Para ver o relatório completo, clique aqui. * Imazon – O Imazon é um Instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável. desmatamento nas terras indígenas in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/06/2020

É alto o risco de surgir uma nova pandemia a partir da Amazônia, avalia cientista

Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, afirma que desmatamento e perturbação da vida selvagem são alguns dos elementos que originaram o novo coronavírus Por Renato Santana Fogo, desmatamento, fragmentação florestal, perturbação da vida selvagem, aumento do fluxo de humanos (garimpeiros, madeireiros, desmatadores, etc) entre áreas perturbadas de floresta e concentrações urbanas são elementos que criam sérias condições para o surgimento de pandemias a partir da Amazônia. “Os fatores de risco estão todos lá. Não ter surgido uma epidemia massiva na região da floresta até hoje é pura sorte”, avalia Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). “A falta de fiscalização e de políticas públicas contribuem para o surgimento de doenças, pois favorecem a retirada de animais de seu habitat e o contato não planejado com humanos”, explica. Desde que os primeiros casos do novo coronavírus começaram a surgir, muito tem se discutido sobre a origem da pandemia. Um estudo publicado na revista Nature Medicine aponta que são altas as probabilidades de que a doença tenha relação com a transmissão animal. Até o momento, suspeita-se que os primeiros casos na Ásia tenham sido transmitidos a partir de morcegos ou pangolins. O consumo de carne silvestre é um hábito bastante presente também no Brasil. Estudo publicado na Revista de Ciências da Saúde na Amazônia apontou que, no município de Rio Branco (AC), 78% dos entrevistados disseram consumir este tipo de produto. “A paca (Cuniculus paca) e o tatu (Gênero Euphractus) são as espécies mais procuradas”, diz a pesquisa, segundo a qual “pratos preparados à base de carnes silvestres em restaurantes apresentaram uma aceitabilidade de 100%”. E não é apenas no Acre. No estado do Amazonas, o consumo de tartarugas-da-amazônia tem colocado a espécies em situação de vulnerabilidade. A alta demanda pela carne desses animais estimula a caça e o tráfico ilegais, criando uma crise de saúde pública, uma vez que boa parte das vezes o produto não tem origem adequada. “Estamos no século das zoonoses. A cada quatro meses, a ciência identifica um microrganismo, bactéria, vírus ou protozoário que vira patógeno no corpo humano. A maioria, felizmente, não se propaga. Mas outros têm grande capacidade de contágio, como o novo coronavírus”, explica Nobre. Para Malu Nunes, mestre em Conservação da Natureza e Ciências Florestais e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, é preciso garantir formas eficazes de proteger a floresta. “A sociedade como um todo precisa entender que a degradação e o tráfico de animais estão diretamente relacionados à propagação de doenças. É uma questão de saúde pública. Há bem pouco tempo, ninguém imaginaria a humanidade passando por uma pandemia tão grave e com consequências tão sérias. Se não houver meios que impeçam o desmatamento e outros problemas ambientais, será cada vez mais comum termos de lidar com este e outros tipos de consequências, igualmente perturbadores”, diz Malu. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/06/2020

EcoDebate - Edição 3.459 de 25/ junho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura O Marketing Sustentável como Ferramenta para os Negócios Ecoturísticos no Brasil, por José Austerliano Rodrigues e Izabel Cristina da Silva Injustiça socioambiental fere a dignidade da vida, artigo de Gilvander Moreira Plantio de novas florestas é parte da solução para as mudanças climáticas, mas não é tudo Terras Indígenas na Amazônia são as Áreas de Proteção que mais sofrem pressão por desmatamento, revela Imazon Cientistas apontam situação gravíssima das florestas na Amazônia Maranhense É alto o risco de surgir uma nova pandemia a partir da Amazônia, avalia cientista Transição para renováveis no mercado de energia é puxada por países em desenvolvimento “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Nuvem de gafanhotos pode chegar ao Brasil nos próximos dias

Nuvem de gafanhotos destrói lavoura de milho na Argentina e pode chegar ...

terça-feira, 23 de junho de 2020

Covid-19: Pessoas com sintomas que adiam atendimento aumentam o risco à própria saúde

covid-19 Manter-se saudável é o desejo de todos, ainda mais em tempos de pandemia. Mas, cuidar da própria saúde ganhou mais preocupação. Com medo da contaminação, muita gente ficou sem saber se devia ir ao médico ou não, quando seria seguro aguardar um pouco para pedir ajuda. Este cenário incerteza acaba fazendo as pessoas postergarem um atendimento, deixando a própria saúde em risco. Mas ninguém precisa deixar de cuidar de si para se proteger contra a covid-19, a vida continua. Por receio de se contaminarem, muitas pessoas estão evitando ir ao médico e, até mesmo, vêm adiando solicitar atendimento. Porém, esse comportamento pode levar a consequências muitos perigosas, uma vez que pode estar atrasando a resolução de um problema de saúde mais sério. Um dado da Ecco Salva que confirma esta tendência é a redução entre 10 e 15% nos chamados por atendimento verificada em junho. Por outro lado, as ligações de clientes pedindo orientação médicas mais que dobraram, o que indica que a pessoas ainda estão preocupadas com sua saúde. Segundo Juradilson de Santis, diretor-médico da Ecco Salva em Curitiba com mais de 20 anos de experiência em atendimentos de emergência, explica que devemos estar atentos e não postergar sintomas como dores no peito, principalmente os portadores de problemas do coração, hipertensão e diabetes. “Entre os sintomas que merecem atenção estão a sensação de formigamento em braços e pernas com perda de força, e a perda de sensibilidade na face ou mesmo desvios na boca, que podem ser sinais de um acidente vascular cerebral (AVC)”, alerta Santis. Outros sintomas e situações em que o atendimento não deve ser adiado: – confusões mentais em pacientes que antes eram normais; – traumas com impacto de força grande ou moderado; – dores abdominais de média a grande intensidade que não sedem com medicação; – dificuldade respiratória importante mesmo sem sinais de gripe ou resfriado. Santis destaca também o cuidado aos sintomas respiratórios. “Nos casos da chamada síndrome gripal devemos estar atentos a febres que não cedem com uso de antitérmicos ou que sejam persistentes, piora da sensação de cansaço ou dificuldade para respirar devem ser indicativos para procurar atendimento médico”, sentencia. O Brasil tem um histórico problemático capacidade de atendimento, especialmente com relação à saúde pública. Atender a uma demanda crescente nas cidades tornou-se um grande desafio para o sistema de saúde brasileiro, que precisaria de investimento em infraestrutura complexa, com equipamentos, hospitais, unidades de pronto atendimento, pessoal capacitado e uma série de processos de excelência. Neste contexto, o Atendimento Pré-Hospitalar (APH) atua como um filtro do que irá chegar às unidades médicas, sejam públicas ou particulares. Do contrário, uma série de atendimentos que poderiam ser solucionados no local vão parar nos hospitais, gerando filas, congestionando o sistema e afetando a qualidade do serviço de saúde como um todo. Em outra frente, APH pode ser a diferença entre a vida e a morte, pois muitas vezes a pessoa não pode esperar chegar a um hospital para ser atendida. Por isso existem empresas especializadas neste tipo de atendimento. A Ecco Salva é uma delas, tendo como diferencial de mercado oferecer planos para Pessoa Física. 92% dos casos resolvidos no local As estatísticas da Ecco Salva apontam que cerca de 92% dos casos atendidos são solucionados no local da ocorrência, sem a necessidade de deslocamento até um hospital. É mais comodidade e conforto para o cliente, e menor transtorno para a família. “O APH é conhecido por salvar vidas, pois é responsável por controlar e parar a evolução dos possíveis danos que podem levar à morte, principalmente, estando distante do ambiente hospitalar adequado. Dessa maneira, atua ativamente na redução de possíveis sequelas, intervindo o mais precocemente possível na ocorrência”, esclarece Santis, que é médico emergencistas e perito médico judicial. O atendimento médico se inicia bem antes da equipe médica chegar ao local onde o cliente está. “O médico regulador, presente 24 horas por dia na central de comunicação avalia cada caso e define a resposta mais adequada, seja apenas um conselho médico ou até o envio de uma equipe de atendimento ao local da ocorrência com a estrutura mais adequada ao caso”, esclarece ele, explicando que os atendimentos são realizados conforme protocolos de atendimento e técnicas especiais. Por isso, as equipes médicas passam por treinamentos e reciclagens constantes. O lado bom de tudo o que estamos vivendo é que todo mundo passou a falar mais de saúde e querer se cuidar. A atenção de todos está redobrada e é hora de adotar a prevenção e o cuidado com a saúde como hábitos permanentes. Bons hábitos, como ter uma alimentação natural, dormir bem, praticar exercícios regularmente e visitar o médico periodicamente é o plano ideal para uma viver com qualidade. Mas que todos tenham consciência de que é importante ter bom senso e colocar sua saúde e de seus familiares em primeiro lugar e buscar ajuda sempre que for necessário. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/06/2020

EcoDebate - Edição 3.457 de 23/ junho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Covid-19, Ciência e a participação do Brasil na OMS, por Benisio Ferreira da Silva Filho, Vinícius Bednarczuk de Oliveira e Ivana Maria Saes Busato Coronavírus: Mais de um milhão de casos no Brasil, artigo de Juacy da Silva Investidores internacionais pressionam governo brasileiro sobre crise ambiental Commodities agrícolas foram as grandes responsáveis por incêndios na Amazônia, segundo estudo Covid-19: Pessoas com sintomas que adiam atendimento aumentam o risco à própria saúde “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

segunda-feira, 22 de junho de 2020

EcoDebate - Edição 3.456 de 22/ junho / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura A temperatura global em 2020 pode ser recorde, artigo de José Eustáquio Diniz Alves Análise – Um milhão de infectados e os erros do Brasil no combate à covid-19 É muito provável que o ano 2020 (> 99,9%) esteja entre os dez mais quentes já registrados Pandemia escancara necessidade de diminuição na emissão de poluentes Arborização Urbana: Estudo vincula o crescimento da copa das árvores à diminuição da mortalidade humana Mortalidade de indígenas por covid-19 na Amazônia é maior do que médias nacional e regional, revela estudo Inverno exige mais cuidados para evitar o coronavírus “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

domingo, 21 de junho de 2020

Natura &Co divulga seu Compromisso com a Vida para 2030

O grupo alcançará emissões líquidas zero de carbono 20 anos antes do compromisso estabelecido pela ONU, protegerá a Amazônia, promoverá a inclusão e a igualdade e transformará a maneira de fazer negócios por meio da economia circular e da regeneração Junho de 2020 – A Natura &Co (Avon, Natura, The Body Shop e Aesop – “o grupo”) divulga hoje seu Compromisso com a Vida, um plano abrangente de sustentabilidade que intensificará suas ações para enfrentar algumas das questões globais mais urgentes, incluindo a crise climática e a proteção da Amazônia, a defesa dos direitos humanos e a garantia de igualdade e inclusão em toda a sua rede, além de abraçar a economia circular e a regeneração até 2030. Por meio de três pilares, o Compromisso com a Vida da Natura &Co busca: Enfrentar as mudanças climáticas e proteger a Amazônia: Atingir emissões líquidas zero de carbono até 2030 para suas quatro marcas, 20 anos antes do compromisso firmado pela ONU. Reduzir as emissões de carbono alinhadas às metas científicas, rastreando as emissões em toda a cadeia de valor e de seus fornecedores; da extração de matérias-primas ao descarte de embalagens. Com base em um forte histórico de cumprimento da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica e expansão da prática, aplicar o Protocolo de Nagoya e pagamentos de ABS (acesso e compartilhamento de benefícios, em inglês) para evitar a perda de biodiversidade. O grupo fará parceria com a Aliança Baseada na Ciência (Science Base Targets) para estabelecer uma nova modelagem para a preservação da natureza. Intensificar suas ações para proteger a Amazônia, aproveitando a experiência de mais de 20 anos da Natura na região. Atualmente, a Natura preserva 1,8 milhão de hectares de terra, uma área equivalente a metade da Holanda. O grupo terá como objetivo contribuir para a preservação de 3 milhões de hectares até 2030. A Natura &Co promoverá esforços coletivos para garantir o desmatamento zero da Amazônia até 2025. Defender os direitos humanos e sermos mais humanos: Criar condições melhores, mais gentis e mais inclusivas para que suas redes prosperem. As medidas incluem aumentar a diversidade em 30%, levando em consideração a diversidade racial ou étnica, a diversidade sexual e a identidade de gênero, além de desfavorecidos social e economicamente e pessoas com deficiência. Ir além da meta dos 30% de mulheres em posições de liderança dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, aumentando sua meta para 50% até 2023. A Natura &Co garantirá paridade de gênero e remuneração igual até 2023 entre toda sua força de trabalho. Garantir que todos os seus associados recebam renda digna (living wage) até 2023. Além disso, acompanhar e promover o aumento do lucro, da saúde e da educação de seus mais de seis milhões de consultoras e representantes durante esse período, promovendo um modelo de negócios confiável, e estender esses cuidados também às 35 mil pessoas que vivem em comunidades fornecedoras de matéria prima ao Grupo. Aumentar o seu compromisso de ser uma empresa que retribui à sociedade por meio de suas quatro marcas, aumentando em 20%, a até US$ 600 milhões, os investimentos nas principais causas nas quais atua (como ações de desenvolvimento sustentável, conscientização sobre o câncer de mama, combate à violência doméstica e educação). Intolerância à violação dos direitos humanos em conformidade com os princípios orientadores da ONU até 2023 para toda a sua rede, especialmente para sua cadeia de fornecedores. Além disso, em relação a esse grupo, a Natura &Co aplicará rastreabilidade e/ou certificação completa até 2025. Por fim, o grupo promoverá programas para ingredientes críticos nos próximos anos, especificamente para óleo de palma, mica, álcool, algodão, papel e soja. Abraçar a economia circular e a regeneração: Avançar para além de um modelo econômico circular capaz de regenerar mais do que é necessário para a produção garantir a circularidade de embalagens até 2030 e garantir que 100% de seus materiais sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis. Aumentar o uso de plástico reciclado para 50% e compensar a quantidade equivalente de embalagem onde a infraestrutura de reciclagem não existe para atingir 100% do descarte responsável de plásticos. O grupo também garantirá circularidade da fórmula, com o uso de 95% de ingredientes renováveis e 95% de fórmulas biodegradáveis até 2030 em todas as suas quatro marcas. Finalmente, por meio de um programa de investimento significativo, desenvolver ainda mais soluções regenerativas, incluindo comunidades de comércio justo, sistemas de extração regenerativa e soluções de resíduos em plástico até 2030. Roberto Marques, Presidente Executivo do Conselho e CEO do Grupo Natura &Co “Entendemos o momento crítico em que vivemos e o papel que as empresas precisam desempenhar para se engajarem e se comprometerem com uma sociedade melhor, mais sustentável e mais inclusiva. Ainda precisamos fazer muito mais para ser a geração que restaura nosso planeta e protege seu povo. Alinhada aos nossos princípios orientadores, a Natura &Co espera fazer parte do diálogo e da solução. Somos a geração que tem o conhecimento e a tecnologia para conter o aumento das temperaturas globais, pôr um fim à questão global dos resíduos e criar igualdade para aqueles que mais precisam. Mas agora precisamos avançar mais rápido. Precisamos agir e ser responsáveis pelo que fazemos”, afirma Roberto Marques, Presidente Executivo do Conselho e CEO do Grupo Natura &Co. Silvia Lagnado, Crescimento Sustentável da Natura &Co Silvia Lagnado, Crescimento Sustentável da Natura &Co, afirma: “Como empresas, estamos unidas, com a ambição de nos tornarmos carbono zero em dez anos, inovar com soluções regenerativas como parte de nossa busca de circularidade total e tomar ações ousadas em direção a mais igualdade e inclusão em nossa rede. Não conhecemos o caminho em detalhes, mas temos certeza do destino e estamos abertos à colaboração acima da concorrência”. Para alcançar essa ambição e ajudar a impulsionar a mudança necessária, a Natura &Co está se envolvendo com a sociedade civil para: Convidar seus parceiros, concorrentes, comunidade empresarial, a academia e as ONGs a se juntarem na tomada de posição. Desafiar o status quo – acreditando que ninguém detém todas as respostas e que as etapas que foram tomadas podem ser melhoradas coletivamente. Trabalhar em conjunto na elaboração e modelagem de um novo mundo do qual todos possam se orgulhar. Mudança de escala requer liderança, comprometimento, colaboração e inovação. Todos precisam fazer sua parte. Além do que já está fazendo, a Natura &Co está convocando indústrias, consumidores, marcas e governos a se unirem para mudar fundamentalmente o sistema e implementar uma visão regenerativa que criará um mundo mais justo e verde. Confira aqui o vídeo manifesto da Natura & Co. Sobre a Natura &Co A Natura &Co é um grupo global de cosméticos, multicanal e multimarcas, que inclui Avon, Natura, The Body Shop e Aesop. A Natura &Co registrou receita líquida de R$ 14,4 bilhões em 2019 e R$ 32,9 bilhões em termos proforma, incluindo a Avon. As quatro empresas que formam o grupo estão comprometidas em gerar impacto econômico, social e ambiental positivo. Por 130 anos, a Avon defendeu as mulheres: fornecendo produtos de beleza inovadores e de qualidade, vendidos principalmente para mulheres, por meio de mulheres. Fundada em 1969, a Natura é uma multinacional brasileira no segmento de cosméticos e cuidados pessoais, líder em vendas diretas. Fundada em 1976 em Brighton, Inglaterra, por Anita Roddick, a The Body Shop é uma marca global de beleza que busca fazer uma diferença positiva no mundo. A marca de beleza australiana Aesop foi criada em 1987 com o objetivo de criar uma gama de produtos excepcionais para a pele, cabelos e corpo.