segunda-feira, 18 de junho de 2018

A perda de gelo na Antártica está contribuindo cada vez mais para a elevação global do nível do mar

University of California, Irvine*

A coautora Isabella Velicogna, professora de ciência do sistema da Terra da UCI, mostrada aqui na Groenlândia com o coautor Eric Rignot, também professor de Ciência do Sistema Terrestre da UCI. Foto de Maria Stenzel, para a UCI
A coautora Isabella Velicogna, professora de ciência do sistema da Terra da UCI, mostrada aqui na Groenlândia com o coautor Eric Rignot, também professor de Ciência do Sistema Terrestre da UCI. Foto de Maria Stenzel, para a UCI

A perda de gelo na Antártida fez com que o nível do mar subisse 7,6 milímetros desde 1992, com 40% do aumento ocorrendo apenas nos últimos cinco anos, de acordo com uma equipe de 84 cientistas. incluindo especialistas em liderança disciplinar da Universidade da Califórnia, em Irvine.
Sua avaliação das condições na Antártida é baseada em dados combinados de 24 pesquisas por satélite e atualizações das descobertas de 2012. Os resultados do projeto – conhecido como Exercício de Comparação Comparativa do Balanço de Massa da Massa de Gelo – foram publicados hoje na revista Nature .
Eles mostram que antes de 2012, a Antárctica perdeu gelo a uma taxa constante de 76 bilhões de toneladas por ano – uma contribuição de 0,2 mm por ano para o aumento do nível do mar. Mas desde então, houve um aumento de três vezes. Entre 2012 e 2017, o continente perdeu anualmente 219 bilhões de toneladas de gelo – uma contribuição ao nível do mar de 0,6 mm por ano.
“As medições de gravidade da missão GRACE [Gravity Recovery & Climate Experiment] nos ajudam a rastrear a perda de massa de gelo nas regiões polares e os impactos no nível do mar em pontos ao redor do planeta”, disse a coautora Isabella Velicogna, professora de Sistema Terrestre da UCI. Ciência. “Os dados dos satélites gêmeos do GRACE nos mostram não apenas que existe um problema, mas que ele está crescendo em gravidade a cada ano que passa”.
O GRACE é uma missão conjunta da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão .
A Antarctica armazena água congelada suficiente para elevar os níveis do mar global em 58 metros, e saber quanto gelo está perdendo é fundamental para entender os efeitos da mudança climática hoje e no futuro.
A perda de gelo do continente como um todo é uma combinação de aumento do derretimento na Antártida Ocidental e na Península Antártica, com um pequeno sinal do manto de gelo na Antártica Oriental.
A Antártida Ocidental experimentou a maior mudança, com perdas de gelo crescendo de 53 bilhões de toneladas por ano na década de 1990 para 159 bilhões de toneladas anuais desde 2012. A maior parte veio das imensas geleiras Pine Island e Thwaites, que estão recuando rapidamente devido ao degelo águas oceânicas.
No extremo norte do continente, o colapso da plataforma de gelo na Península Antártica provocou um aumento de 25 bilhões de toneladas na perda de gelo desde o início dos anos 2000. Acredita-se que o manto de gelo do leste da Antártica permaneceu relativamente estável nos últimos 25 anos.
“Com o número de estudos científicos focados nesta região, as ferramentas tecnológicas que temos à disposição e conjuntos de dados que abrangem várias décadas, temos uma imagem inequívoca do que está acontecendo na Antártida”, disse o co-autor Eric Rignot, Donald Bren Professor e cadeira de ciência do sistema da Terra na UCI. “Estamos confiantes em nossa compreensão da mudança da massa de gelo na Antártida e seu impacto no nível do mar. Vemos esses resultados como outro alarme de toque para desacelerar o aquecimento do nosso planeta ”.
Rignot, que liderou os estudos sobre o orçamento da massa de gelo para a avaliação, e Velicogna, que dirigiu a medição da gravidade, também atuam como cientistas pesquisadores no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. O projeto foi apoiado pela NASA e pela Agência Espacial Européia.

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/06/2018


Pré-sal, mudanças climáticas e o empobrecimento do Nordeste

refinaria

Por 350.org Brasil e América Latina

Como a nova lei que deu subsídios bilionários à indústria do petróleo vai agravar a pobreza na região mais vulnerável do Brasil

O petróleo das camadas profundas do pré-sal não só não trouxe o boom econômico tão propagandeado pelo governo federal, como está sendo entregue de bandeja para petroleiras multinacionais bilionárias. Para atrair o investimento dessas empresas, o governo aprovou em dezembro passado uma renúncia fiscal sem precedentes, que vale até 2040 e custará aos cofres públicos brasileiros, numa estimativa conservadora, pelo menos R$1 trilhão. A Lei nº 13.586, antiga MP 795/2017, impactará severamente o repasse de verba para os estados e municípios, principalmente da região Nordeste, a mais pobre e mais vulnerável do país.
Um estudo que analisa as implicações da nova lei, realizado pelo engenheiro mecânico e ex-consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo César Ribeiro Lima, em parceria com a 350.org Brasil, revela que a flexibilidade e abrangência das deduções previstas na lei podem gerar uma perda de arrecadação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de respectivamente R$ 735 bilhões e R$ 265 bilhões para União, estados e municípios.
Somente considerando a isenção da base de cálculo do IRPF, a perda de recursos para os estados e municípios brasileiros pode ser de R$ 338 bilhões. No caso da região Nordeste, a ausência de repasses do IRPJ poderá significar uma perda de receita de R$ 141,4 bilhões. Para a União, a perda total, contando IRPJ e CSLL, seria de R$ 662 bilhões. Se forem consideradas outras deduções, como bônus de assinatura, bens arrendados e impairments(danos, deterioração ou prejuízos), esse número pode ser ainda maior. Segundo Lima, portanto, com a nova lei o pré-sal passa a ser um “agente de empobrecimento do Nordeste”.
Essa mesma receita poderia ser direcionada para projetos sociais ou mesmo políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Com o montante de R$1 trilhão, por exemplo, o governo poderia garantir o investimento em, pelo menos, mais trinta anos no Bolsa Família, o maior programa de combate à pobreza do país. Ou então, com os 338 bilhões tirados dos estados e municípios, poderiam ser instaladas pelo menos 22,5 milhões de sistemas de energia solar fotovoltaica de 2,2 Kwp para residências médias com 3 a 4 moradores.
Assim sendo, a tão celebrada descoberta do pré-sal não só contraria os compromissos de combate ao aquecimento global e redução das emissões de gases do efeito estufa assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, como também pode significar um empobrecimento ainda maior dos estados e municípios brasileiros e, principalmente, nordestinos, justamente os que mais sofrem com os impactos das alterações no clima. Estas, por sua vez, têm como principais causadores no mundo, ironicamente, os próprios combustíveis fósseis.
“O governo brasileiro está fazendo o oposto do que deveria. Em vez de iniciar a transição para uma economia de baixo carbono, continua priorizando os combustíveis fósseis e de quebra ainda está empobrecendo sua própria população, especialmente as pessoas que vivem nas áreas mais vulneráveis do país. Todo esse montante está sendo efetivamente retirado de potenciais programas sociais ou relacionados a energias limpas. Isto é um assalto aos cofres públicos, não uma política de governo”, afirmou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina.
Ela lembrou ainda a responsabilidade da indústria do petróleo – e do próprio governo brasileiro, que as incentiva – na crise climática global. “Em vez de receber subsídios, essas empresas deveriam pagar por todos os danos que causam ao clima e às populações em todo o mundo. O governo precisa deixar de incentivar esse padrão destrutivo e fazer uma mudança permanente para um modelo de desenvolvimento sustentável, com justiça climática e social, baseado em uma matriz energética limpa, renovável, livre e acessível para todos”, frisou Nicole.
4a Rodada de Partilha e outros leilões à vista
Nesta quinta-feira (07), a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) realizou, no Rio de Janeiro, a 4a Rodada de Partilha de Produção, para venda de blocos do pré-sal, com expectativa de arrecadação de R$3,2 bilhões. Foram ofertadas quatro áreas para exploração – Itaimbezinho, Três Marias, Dois Irmãos e Uirapurunas -, localizadas nas bacias de Campos e Santos. Três delas foram arrematadas, com um total de R$3,15 bilhões arrecadados. Itaimbezinho, o bloco menos valioso da rodada, foi o único que não teve nenhum interessado. A Petrobras perdeu para petroleiras estrangeiras em duas áreas, mas exerceu seu direito de preferência e entrou nos consórcios vencedores com participação de 30%.
Não satisfeito, o plano do governo é leiloar nos próximos anos ainda mais blocos para exploração do pré-sal. Se extraído, todo esse petróleo tornará impossível alcançar as metas globais do Acordo de Paris. Estima-se que os campos de pré-sal contenham o equivalente a 176 bilhões de barris de petróleo bruto, ou 74,8 bilhões de toneladas de CO2, o que representa 7% do total de gases que ainda podem ser emitidos pela humanidade, considerando a meta para manter o aquecimento global abaixo de 2°C.
Elaborada pelo Ministério da Fazenda e enviada ao Legislativo em 17 de agosto sem nenhuma avaliação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a antiga Medida Provisória nº 795, mais conhecida como MP do Trilhão,propôs a renúncia fiscal e a criação de regime tributário especial para “atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos”. A MP foi aprovada no Congresso em 13 de dezembro e sancionada no dia 29 do mesmo mês.
Além de todo o impacto aos cofres públicos e ao clima do planeta, a lei ainda é incoerente com outras leis federais. Segundo Paulo César Lima, antes da promulgação da lei, os royalties do pré-sal e os bônus de assinatura não poderiam ser deduzidos em razão do art. 42 da Lei nº 12.351/2010. Além disso, a Lei de Diretrizes Orçamentárias impõe de forma explícita o limite máximo de 5 anos para concessão de benefícios fiscais, enquanto que o artigo 7º da nova lei estende esse benefício por mais de 20 anos.

Colaboração de Nathália Clark, da 350.org Brasil e América Latina, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/06/2018


EcoDebate - Edição 2.999 de 18 / junho / 2018


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

domingo, 17 de junho de 2018

Florestas e agricultura livre do desmatamento são parte da solução contra crise climática; vídeo

As florestas e a agricultura detêm mais de 30% da solução para a crise climática, mas atualmente recebem menos de 3% do financiamento para o clima.
É fundamental que façamos a transição para a agricultura livre do desmatamento, se quisermos deter o aquecimento global e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Confira neste vídeo da ONU Meio Ambiente.


Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/06/2018

Gestão Kairós realiza curso sobre Gestão e Valorização da Diversidade

A especialista Liliane Rocha, também colunista da Envolverde, será responsável pelo treinamento juntamente com especialistas convidados
A valorização e inclusão da diversidade nas empresas vêm sendo amplamente debatidas nos últimos tempos. Isso ocorre porque a diversidade é comprovadamente um grande diferencial social e também estratégico para as organizações que adotam práticas mais inclusivas em seus quadros funcionais e na visão do negócio.
Pensando nisso e para atender a uma demanda de mercado que busca profissionais que tenham entre suas qualificações o domínio sobre o tema diversidade, a Gestão Kairós consultoria de sustentabilidade e diversidade realiza o curso Gestão da Diversidade nas Organizações: da inclusão à vantagem competitiva.
Destinado aos profissionais da área de recursos humanos, de sustentabilidade, do terceiro setor, de entidades públicas, jornalistas, gestores entre outros que tenham interesse em se aprofundar no tema, o curso abordará conceitos relacionados à Valorização da Diversidade e da Inclusão no mercado de trabalho, o que deve ser considerado quando as empresas buscam implementar um programa de Diversidade e Inclusão, conceitos de Liderança Inclusiva e Diversitywashing.
Segundo Liliane Rocha, CEO e Fundadora da consultoria é comum que programas de diversidade não surtem os resultados esperados por falta de conhecimentos sobre o tema. “Com base em minha experiência de 14 anos trabalhando com o tema detectei que é comum as pessoas conhecerem alguns aspectos da diversidade, mas para que as empresas consigam adotar a diversidade em toda a sua complexidade, é necessário contar com profissionais que tenham habilidades para também operacionalizar essa gestão em cenários e culturas corporativas complexos. Esse curso tem o objetivo de fornecer conhecimento para isso”, explica Liliane.
Ao final do curso, que prevê conteúdos teóricos, práticos e a apresentação de cases por Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gestão Kairós, os participantes serão capazes de compreender e identificar as principais características relacionadas ao tema, além de terem subsídios para elaborarem planos ou políticas de Diversidade e inclusão nas empresas em que atuam.
Além disso, todos os alunos ganham o livro “Como ser um líder inclusivo” de autoria de Liliane Rocha.
Sobre o curso:
 O que: Curso Gestão da Diversidade nas Organizações: da inclusão à vantagem competitiva
 Quando: De 18 a 21 de junho, das 19h30 às 21h30.
 Onde: Av. Paulista, 1776 – 4º andar
 Inscrições e mais informações: contato@gestaokairos.com.br

EUA aprova compra da Monsanto pela Bayer e formação gigante no setor

A Bayer, companhia multinacional alemã, obteve a aprovação condicional da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, sigla em inglês) para a aquisição da Monsanto.
“O recebimento da aprovação do DOJ nos aproxima de nossa meta de criar uma empresa líder no setor agrícola”, disse o CEO da Bayer, Werner Baumann. “Queremos ajudar agricultores de todo o mundo a cultivar alimentos mais nutritivos de maneira mais sustentável”.
A Bayer já obteve quase todas as aprovações que são necessárias para o fechamento da transação. A empresa espera receber as aprovações pendentes necessárias para a conclusão da operação muito em breve.
A Bayer se tornará a única acionista da Monsanto Company após o recebimento das aprovações pendentes. De acordo com a aprovação condicional do DOJ, a integração da Monsanto com a Bayer pode ocorrer assim que os desinvestimentos para a BASF forem realizados. A expectativa é que isso aconteça em aproximadamente dois meses. (#Envolverde)

Em 24 horas, gaúchos vão de calor e tornados para geadas e neve

Júlio Ottoboni, jornalista e editor-chefe da Envolverde
Menos de dois dias após diversos tornados acompanhando uma severa tempestade terem devastado várias cidades do Rio Grande do Sul, deixando duas vítimas fatais e milhares de animais mortos, carretas tombadas e casas e carros destruídos, onde até então as temperaturas giravam na faixa de 28 graus a noite, receberam o alerta da Defesa Civil do estado para outro extremo climático.
O Rio Grande do Sul emitiu um alerta sobre a possibilidade de geada e temperaturas negativas “em várias regiões” do Estado entre quarta-feira (13) e sábado (16). Na manhã desta quarta-feira, os ventos chegaram a 51 km/h em Porto Alegre e atingiram 70 km/h em Cagunçu, no sul do Estado. Segundo a Somar Meteorologia, a frente fria se afastou do Rio Grande do Sul e deu lugar a uma massa de ar frio, que deixou as temperaturas baixas.
A sensação térmica de frio foi drasticamente intensificada pelos ventos que sopram sobre a região dos pampas. E chegou a ser negativa em diversas áreas do Estado, como na Campanha, nas Missões e na Serra Gaúcha. Ainda há a possibilidade de nevar em algumas localidades. Segundo moradores do interior do estado, na região dos pampas, onde há intensa atividade agropecuária, as pessoas estão amedrontadas com as variações repentinas no clima e com a ferocidade dos eventos. (Envolverde)