sexta-feira, 20 de novembro de 2009

As arbitrariedades contra ambientalistas seguem no CONSEMA-RS

A crise ambiental que se instalou no Rio Grande do Sul, está exposta pela proposta de alteração do Código Estadual do Meio Ambiente, que seria a pá de cal sobre a legislação ambiental. Mas estamos todos os dias expostos e vulneráveis à propostas imorais e contrarias aos interesses de sociedade. O governo do Estado do Rio Grande do Sul esta interferindo no processo de sucessão das entidades da sociedade civil que tem vagas no Conselho Estadual do Meio Ambiente. Através da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, com parecer jurídico da Casa Cívil, impede que as entidades ambientalistas indiquem suas representações e representantes, por intermédio e deliberação da Assembléia Permanente das Entidades em Defesa do Meio Ambiente – APEDeMA, espaço que congrega entidades de distintas regiões do Estado.

Mais uma vez a Apedema vem a público para denunciar as arbitrariedades desta gestão do Estado, e solicitar apoio de todos para que neste dia 20 de novembro, esta sexta-feira, às 14:00, participem da 123ª REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSEMA – Conselho Estadual do Meio Ambiente.

Os direitos da sociedade civil organizada, são seus direitos.

Participe e acompanhe a 123ª Reunião CONSEMA

Dia 20/11 às 14 horas na sede da SEMA(Rua Carlos Chagas, 55, 11º andar – sala 1108)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Eletrobrás elaborou cartilha com propaganda enganosa sobre projetos de hidrelétricas no rio Tapajós

A Eletrobrás fez uma espécie de cartilha com material publicitário patrocinado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em que apresenta “um novo conceito em hidrelétricas” inspirado em plataformas de exploração de petróleo em alto mar.

Seria hilário se não fosse trágico. As autoridades do governo federal em especial do MME e da Casa Civil estão tão embriagadas com essa orgia energética que acabam ficando criativos. A Eletrobrás está apresentando nesse folhetim uma chamada “inovação” na construção de hidrelétricas na Amazônia. O tom é de ufanismo, tipo, “hidrelétricas do bem” (isso significa que para eles as outras que estão sendo construídas não são) ou “desmatamento cirúrgico” (inspirado no Bush) ou ainda “reflorestamento radical”.

Essa peça publicitária com propaganda enganosa será distribuída à população na região do Tapajós. O conteúdo, além de conter frases de efeito, é subliminar, faz crer que a construção é iminente, passa batido sobre o processo de licenciamento ambiental e tem ilustrações que levam a falsa impressão de que não haverá impactos ambientais e sociais graças ao novo conceito de “usinas plataforma”.
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FONTE : Telma Monteiro

Mulheres são as principais vítimas das mudanças climáticas

O Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, divulgou nesta quarta-feira o ‘Relatório Sobre a Situação da População Mundial 2009′; as mulheres são maioria entre 1,5 bilhão de pessoas que vivem com US$ 1 ou menos por dia.

As mulheres de países pobres estão entre as maiores vítimas dos desastres provocados pelo aquecimento global, embora elas não sejam responsáveis pela maioria das ações que poluem o planeta, de acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa.

“O Relatório Sobre a Situação da População Mundial 2009 chama a atenção para as áreas litorâneas do planeta, que são especialmente atingidas por enchentes devido às mudanças climáticas.

O documento, que foi divulgado ao mesmo tempo em 120 cidades do mundo, diz que as mulheres pobres são vulneráveis principalmente pela condição de desigualdade com os homens que enfrentam em muitos países. Elas são maioria entre 1,5 bilhão de pessoas que vivem com US$ 1 ou menos por dia.

Os pesquisadores afirmam que é preciso investir na emancipação dessas mulheres, com acesso amplo a educação e saúde, porque assim elas aprenderão a fazer controle familiar, o que as levará a comandar famílias menores, mais saudáveis e mais prósperas.

Papel
A mulher também é apontada para um papel multiplicador que levaria adiante a ideia de que é preciso diminuir a poluição do planeta para combater o aquecimento”.

Para a diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas, Thoraya Ahmed Obaid, é preciso transformar as 3,4 bilhões de mulheres do mundo em agentes da mudança, em vez de relegá-las à condição de vítimas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

TEM ÁGUA NA LUA ! - Montserrat Martins

A Nasa anunciou oficialmente este mês a descoberta de água na Lua, o que anima os cientistas em suas pesquisas que incluem até as origens da vida e do Universo. Bilhões e bilhões de dólares serão gastos nesses projetos, mas quem pode criticar um investimento em ciência, capaz de reverter em benefícios para toda a humanidade ?

Ao mesmo tempo, a água no nosso planeta não tem recebido ainda a atenção proporcional à sua importância, ao contrário, tem sido tratada como se fosse um recurso inesgotável. Após a reação de choque inicial, na época das notícias sobre a mortandade dos peixes no Rio dos Sinos, parece que nos acostumamos com a agonia daquele rio, assim como com o emperramento do projeto pró-Guaíba. Não que faltem verbas, ou financiamentos internacionais. Mas problemas nas prestações de contas fizeram estancar esses recursos e também nos conformamos com isso, ao que parece, pois aparentemente esse tipo de informação não provoca clamor popular, nem vende revistas como vendem as fofocas sobre as vidas fictícias dos personagens de novelas, ou sobre as contratações no futebol.

Sabemos que a Gisele Bündchen é casada com um quarterback, uma posição importante no futebol americano, mas quem conhece o projeto Água Limpa que a sua família desenvolve no município de Horizontina? Trata-se da preservação das nascentes dos lajeados e das matas ciliares às margens destes, num modelo de uso sustentável que poderia ser reproduzido em todos os municípios, pois prevê apoio e assessoria técnica aos agricultores locais.

Tomara que a notícia sobre a água na Lua seja tema de filmes e programas sensacionalistas de TV prometendo decifrar os mistérios do universo, que chamem a atenção do público para a relação da água com a vida. Que se debata cada vez mais a raridade das condições de vida como a de nosso planeta e de suas condições climáticas propícias à espécie humana, a mesma que está destruindo tais condições favoráveis. Pois quando se diz que "o desmatamento na Amazônia diminuiu" não significa que temos mais verde na região e sim que o desmatamento continua, só que num ritmo um pouco menor. E porque nossa indignação não se faz ver ?

É verdade que a vida é complicada, estressante, temos problemas demais e nos sentimos frustrados, impotentes, para pensar o que fazer com as questões graves que as autoridades não enfrentam. Mas não é só isso, não são só os governos que negligenciam esses assuntos, mas todos nós. Somos imediatistas e essa é a razão maior da nossa desgraça. Queremos diversão e lucros com urgência e não nos habituamos a pensar a longo prazo, sobre o esgotamento do maior patrimônio de todos, a natureza. Não sabemos o que fazer com tanto plástico, com tanto lixo, muito menos com os resíduos radioativos das usinas nucleares.

Apatia e passividade estão entre nossos maiores inimigos. Claro que frustrações desanimam, mas vejam por exemplo a Diza Gonzaga, em sua luta na prevenção de acidentes. Ao contrário do que fazemos na maior parte do tempo, ela não se entregou, não se acomodou, não passou a preencher o vazio com os noticiários sobre celebridades. Por falar nisso, eu também não sabia o que é um quarterback, mas aí ninguém tem culpa, se eu ainda não tinha lido as revistas certas.
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AUTOR : Montserrat Martins, médico psiquiatra de P. Alegre

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Já somam 355 as espécies da fauna catarinense em avaliação para a Lista Vermelha

A elaboração da Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção em Santa Catarina já alavanca números preliminares. Até agora, 355 espécies, dos 14 grupos de fauna, encontram-se em análise pelos pesquisadores que participam do trabalho.

“A destruição dos “habitats” é uma das justificativas mais citadas para a possível inclusão de uma espécie na Lista Vermelha. Entretanto vai além. “Destruir a biodiversidade implica também em eliminar espécies que sequer conhecemos”, afirma a coordenadora executiva do projeto, Fabíola Schneider.

A Mata Atlântica é um bom exemplo. Santa Catarina é o terceiro estado com maior número de hectares neste bioma e nos últimos três anos perdeu uma média de 25.983 ha, Atualmente restam no Estado aproximadamente 17,5% de toda a área original, segundo pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e Fundação SOS Mata Atlântica.

A Lista Vermelha possibilitará ao Estado dispor de uma caracterização mais concreta da sua biodiversidade. Todo trabalho tem como base os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que desde 1963, é referência em assuntos voltados à conservação da biodiversidade.

A etapa final ocorrerá em fevereiro do ano que vem, quando será realizado o IV Fórum de Discussão sobre as Espécies Ameaçadas. Neste encontro, a lista consolidada durante todo processo, será analisada por consultores, pesquisadores e especialistas, que avaliarão as propostas finais de cada coordenador.

O projeto estará finalizado em julho de 2010 e a Lista Vermelha será entregue à FATMA para, posteriormente, ser submetida ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) para publicação.

Sobre a IGNIS

A IGNIS Planejamento e In-Formação Ambiental, ONG fundada em 1997 com sede em Itajaí, é a entidade responsável pela execução do Projeto Lista de Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção em Santa Catarina. O projeto iniciou em 2007, de forma voluntária, e atualmente agrega mais de cem profissionais de diversas universidades e institutos de pesquisa do país. Mais informações:

Fabíola Schneider
Coordenadora Executiva
Fone: (47) 3344-2864
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FONTE : Thatiana Sousa Sestrem
Assessoria de Comunicação
Av. Sete de Setembro nº 1047 . Sala 02
Fazenda . Itajaí . Santa Caterina
Fone: 47 3344.2864
contato@ignis.org.br
www.ignis.org.br

sábado, 14 de novembro de 2009

NATUREZA EM S. CATARINA : Belas e preciosas companheiras

Começa em 20/11/2009 e segue até o dia 22, em Joinville, mais uma edição da Festa das Flores, que vai oferecer ao visitante exposições de espécies raras, além de várias atrações culturais

Terça-feira, em Joinville, começa mais uma edição da Festa das Flores. Um evento muito esperado, principalmente para quem cultiva espécies há anos e aproveita a festa para expor o que eles chamam de “preciosidades”.

A festa acontece no Complexo Expoville, na Rua Quinze de Novembro, 4305. A entrada é franca e a programação oferece exposições, shows, dança, folclore e gastronomia.

Pode ser herança genética, cultural, um hábito passado de pai para filho ou adquirido por uma geração. O fato é que há poucas explicações para que Joinville concentre um número tão grande de cultivadores amadores de orquídeas. A beleza, vulnerabilidade e o difícil cuidado com essa espécie pode ser um dos motivos.

Cultivadores como Egon Baumer, de 81 anos, e Isaías Hoffmann, 73, exercitam a paciência ao esperar até uma década para ver o florescimento de uma orquídea.

Os dois são os associados mais antigos da Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas (Ajao), que tem atualmente 153 sócios. Cerca de 60% têm mais de 60 anos. A Ajao organiza a exposição de flores desde a primeira Festa das Flores. E são nas exposições que eles mostram, orgulhosos, a dedicação de anos a fio a todos os que visitam a festa.
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FONTE : Diário Catarinense, sucursal de Joinville (15/11/2009)

SANTA CATARINA : AMBIENTE X DESENVOLVIMENTO

Por que a relação entre órgãos ambientais e empresários dispostos a investir no Estado é tão complicada

Em 1994, o empresário Bassan Hanna fez a primeira tentativa de conseguir autorização para construir um condomínio diferenciado, com área residencial e hotéis abastecidos por águas termais, em Santo Amaro da Imperatriz. A história dele ilustra a delicada e nem sempre amistosa relação de forças entre órgãos ambientais preocupados em reduzir o impacto no meio ambiente e empreendedores dispostos a garantir a viabilidade econômica dos novos negócios.

O último documento exigido pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) foi entregue por Bassan no ano passado. Passados 14 anos, ele recebeu a Licença Ambiental de Operação (LAO). Em 2009, as primeiras obras começaram a despontar nas Termas do Tabuleiro. Apenas para conseguir todas as licenças junto aos órgãos ambientais, foram 10 anos, conta o Bassan, sócio do empreendimento de capital árabe.

– Os setores de energia, infraestrutura e turismo são os principais interesses de empresários árabes, que estudam a construção de uma marina, de um hotel cinco estrelas na Capital e de um complexo turístico na Lagoa da Conceição. Mas há dificuldades. Esbarramos na insegurança jurídica e na demora para conseguir as licenças. Alguns empresários desistiram.

Segundo Bassan, na saga que foi conseguir liberar o Termas do Tabuleiro, cada vez que mudava o técnico nas vistorias, outro tipo de documentação era exigida. O que demandava mais tempo para fazer estudos e conseguir o documento. O último entrave foi um sistema de esgoto, que teve que ser refeito.

– Os órgãos ambientais exigiram 22% de área de preservação. Nós mantivemos 60% da área preservada dos 400 mil metros quadrados.

Fase de construção é muito mais rápida

O investimento de R$ 90 milhões já está com grande parte das unidades comercializadas. A previsão para a conclusão de todo o projeto é de três anos, quase cinco vezes menos tempo do que o período que levou para ser aprovado.

– Depois da Moeda Verde (operação da Polícia Federal que apurou supostas irregularidades na concessão de licenças ambientais), ninguém mais quer ficar responsável pela assinatura – avalia Bassan.

Um dos envolvidos na operação Moeda Verde, o empresário Fernando Marcondes de Mattos, dono de diversos equipamentos turísticos no Estado, entre eles o Costão do Santinho Resort, teve prejuízos milionários por conta de um embargo.

– Sem qualquer sustentação técnica, o Costão Golf foi embargado e isso me custou R$ 10 milhões. O maior prejuízo é a insegurança jurídica. Porque o projeto foi aprovado e, de repente, alguém surgiu com uma ação pública que o Ministério Público (MP) aceitou e parou todo o projeto – alerta.

Segundo Marcondes, os empresários precisam de regras claras: um plano diretor objetivo e gerenciamento costeiro como diretrizes para nortear o desenvolvimento sustentável.

– É preciso que as regras sejam para todos. O MP foca somente nos grandes empreendimentos, enquanto favelas se multiplicam em áreas de mangue, numa ocupação desordenada contra a qual ninguém faz nada.

Outro empreendimento bilionário aguarda as licenças ambientais para iniciar a implantação. Um grupo espanhol espera investir R$ 2,5 bilhões em Governador Celso Ramos, no Quinta dos Ganchos, um residencial turístico de 1,2 mil hectares.

Investidores desistiram de detalhes do projeto

– Nós demos entrada no termo de referência em 2007, mas tivemos que pedir autorização ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) por causa da proximidade com as ilhas do Arvoredo e Anhatomirim, duas Áreas de Preservação Permanente (APPs) – explica o administrador geral do empreendimento, Enrico Luiz Soffiatti.

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) foi concluído em outubro de 2008 e protocolado na Fatma. Um ano depois saiu a autorização do ICMBio.

– A licença mais difícil é a LAP (licença ambiental prévia), porque dá a viabilidade do projeto. Depois, basta cumprir as determinações. Eu acho que demora porque falta pessoal na Fatma, os técnicos estão desmotivados, com receio de responder pelos seus atos – avalia Soffiatti.

Se a LAP for concedida ainda este ano, como o empresário espera, a licença para instalação deve sair até julho do ano que vem, e o projeto, concluído em 2014. Mas os investidores tiveram que abrir mão de detalhes.

– A marina foi reduzida em 25%, de 1 mil para 750 vagas, e desistimos de fazer uma praia, porque só 10% do aterro previsto foi permitido.

Fatma promete agilidade

Depois da Operação Moeda Verde, que derrubou tanto a credibilidade da Fatma com a opinião pública quanto a autoestima dos funcionários, o presidente da fundação, Murilo Flores, prepara uma reestruturação que promete dar mais agilidade e transparência ao licenciamento ambiental no Estado.

Flores faz questão de esclarecer que licença ambiental não é um ato burocrático como a concessão de um alvará, embora seja simples em alguns casos. A demora ocorre, explica ele, por causa dos estudos mais detalhados que são necessários para garantir a integridade do meio ambiente.

– Muitas vezes, precisamos fazer cálculos, simulações matemáticas, avaliar o comportamento das correntes marítimas, nos casos de marinas, observar os efeitos na fauna e na flora. É um processo que envolve observação orgânica e requer grande aprofundamento – explica.

Além de precisar da anuência de outros órgãos ambientais, como o Ibama, o ICMBio e o Iphan, a Fatma depende também dos próprios empresários.

– Temos problemas internos, precisamos de mais gente e estamos contratando. Serão 78 novos funcionários, entre biólogos, geólogos e engenheiros de alto nível técnico. Mas também ocorre displicência por parte dos interessados, que trazem estudos incompletos e demoram até dois anos para entregar um documento solicitado. Em 99% dos casos de demoras excessivas, a responsabilidade é do empreendedor – justifica.

Atualmente, a Fatma tem apenas 280 funcionários efetivos e um total de 500 pessoas, com os profissionais cedidos e terceirizados. Mas o contingente é insuficiente para atender a uma demanda crescente.

– Nós licenciamos desde postos de gasolina até empreendimentos de US$ 1 bilhão, como o estaleiro de Biguaçu, do Eike Batista – argumenta.

Sistema online irá elevar a transparência

Flores promete para o início de 2010 a implantação de novo rito de licenciamento, que está em processo de informatização. Ele prevê o monitoramento online de todas as etapas.

– O empreendedor vai poder acompanhar pela internet em que fase o processo está. No momento da entrada, vai disparar um cronômetro. Cada vez que a Fatma pedir um documento, o cronômetro será interrompido. E só volta a andar quando a documentação for entregue. Desta maneira, todos saberão a responsabilidade da demora.

A própria Fatma terá prazos máximos para cumprir. O sistema prevê a emissão de relatórios que devem melhorar o trabalho dos técnicos.

– A Fatma é parte dos problemas, mas não é culpada por tudo. Alguns processos, pela complexidade, realmente demoram. Temos que lidar também com suspensões judiciais.

Um exemplo é a fábrica de fosfato da Bunge em parceria com noruegueses, a IFC, em Anitápolis, cuja Licença Ambiental Prévia (LAP) demorou quatro anos. E quando foi concedida, a ONG Montanha Viva conseguiu paralisar o processo na Justiça.

Apenas processos de pequenas centrais hidrelétricas, a Fatma tem 200, que estão sendo avaliados por ordem de entrada. Projetos de interesse público não entram na fila, como obras de saneamento da Capital ou desassoreamento do Rio Itajaí.

– Mas obras importantes de Florianópolis, como a Via Expressa Sul e a Beira-Mar Continental estão liberados. Já a duplicação do acesso ao aeroporto é mais complicada porque entra no mangue, reserva federal que depende do ICMBio.

Sapiens Parque quer se tornar referência

Para não incorrer na máxima “em casa de ferreiro o espeto é de pau”, o Sapiens Parque, empreendimento que rebecerá iniciativas inovadoras no Norte da Ilha e cujas diretrizes são justamente sustentabilidade e desenvolvimento, adotou uma estratégia de implantação segmentada. Para cada fase de instalação foi feito um pedido de licença ambiental.

O diretor executivo do projeto, José Eduardo Fiates, explica que o licenciamento, entre o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA-Rima) e a Licença Ambiental Prévia (LAP), demorou três anos e meio. Mas isso foi uma questão de opção.

– O Sapiens quer seguir todas as diretrizes dos órgãos ambientais. Precisamos de licenças do Ibama, anuência dos ministérios públicos federal e estadual. Fizemos mais de 40 audiências públicas com a comunidade no processo do estudo ambiental – conta ele.

O masterplan, plano básico do projeto, foi modificado sempre que necessário e a proposta final acabou beneficiando o parque.

– Foi um tempo muito bem investido. Não é tempo perdido, já que vamos evitar problemas futuros na fase de implantação, afinal é uma área de 4,5 milhões de metros quadrados, com potencial total construtivo de 1,3 milhão de metros quadrados.

Na fase zero, que já possui licenciamento para instalação, foram construídos 15 mil metros quadrados, ou seja, algo como 0,1% do potencial. Na fase 1, que ainda precisa de licença prévia, serão mais 155 mil metros quadrados.

O projeto atende a todas as condicionantes, como acesso, infraestrutura, asfalto, energia e urbanismo na área em que está se implantando. A ideia é que o impacto seja apenas positivo no ambiente onde o Sapiens está se inserindo.

– Chegamos à Fatma com um estudo completo para não termos problemas e para facilitar o trabalho dos técnicos. O objetivo do Sapiens Parque é ser referência em tecnologia e práticas sustentáveis. Temos que dar o exemplo – resume.
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 15 de novembro de 2009.