sábado, 22 de setembro de 2018

IDIS vai lançar campanha por uma cultura de doação!

Se você é um ONG que capta recursos, SE LIGA!
Dia 27 de novembro, o Brasil e o mundo celebram o Dia de Doar. Um dia para sensibilizar cada vez mais a sociedade sobre a importância da doação de recursos para organizações e projetos sociais, culturais, ambientais e esportivos.
Este ano, no começo de novembro, o IDIS vai lançar uma campanha para contribuir com a cultura de doação no Brasil. Vamos convidar as pessoas a pensarem sobre qual é a paixão de cada um. Qual é a preocupação de cada um. O que cada um quer mudar no mundo, afinal… Todo mundo tem uma causa. Qual é a sua? Com essa convocação, queremos atrair as pessoas para descobrirem qual é a causa delas a partir de um quizz online.
São três passos, apenas:
1. Descubra qual é a sua causa
2. Doe para uma organização social que defende a sua causa!
3. Conte para todo mundo e inspire as pessoas a fazerem o mesmo!
Mas para ser um sucesso e para que as pessoas consigam efetivamente contribuir, as ONGs precisam estar prontas para receber! Por isso, se liga ONG!
Estamos nos preparando e convidamos todas as organizações a se prepararem também!
1. Atualize o seu cadastro Mapa das OSCs do IPEA, porque ele é um dos caminhos que vamos indicar para o doador encontrar um ONG para doar.
2. Cheque se o seu site tem as seguintes informações:
a/ A causa da sua organização
b/ Uma explicação clara do que a sua organização faz pela causa
c/ Os resultados alcançados até agora
d/ Uma chamada / convite para doação
Esteja pronto em novembro para nos ajudar na campanha e receber mais apoio para o seu trabalho!
Saiba mais em: http://www.idis.org.br/seliga/ (#Envolverde)
Sobre o IDIS
O IDIS, Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, fundado em 1999, é organização pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil e na América Latina, e tem como missão promover e estruturar o investimento social privado no Brasil, como instrumento de desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável.

O novo e-book da Tomra Sorting Recycling aponta a necessidade de melhoria nos índices de reciclagem de papel e papelão

O e-book para download analisa as pressões comerciais e regulatórias sobre a reciclagem de papel, papelão e papel impresso, e apresenta uma nova tecnologia que reduz a complexidade e os custos, aumentando as taxas de recuperação.
A TOMRA Sorting Recycling publicou um e-book com sugestões para empresas que selecionam papel e papelão para destintagem e reciclagem. A nova publicação on-line aborda a intensificação das pressões comerciais e regulatórias para o aumento dos índces de recuperação da celulose destintada e que o atendimento dessas demandas exigirá novas soluções técnicas. O e-book apresenta soluções excecionalmente eficaz.
O novo e-book – gratuito para download em https://leads.tomra.com/ebook/paper/ abre com a declaração: “Deinking needs rethinking”. Isso ocorre porque o fornecimento de papel destintado e reciclado já é insuficiente para atender a demanda, e essa demanda está crescendo. Os líderes mundiais em reciclagem de papel e papelão, na Europa e América do Norte, fizeram grandes progressos nas últimas duas décadas, mas agora oa índices de reciclagem estão se estabilizando. A Europa reciclou 72,5% de todo o papel que consumiu em 2016, mas a Declaração Europeia sobre Reciclagem de Papel estabeleceu a meta de reciclar 74% até 2020, e este é um desafio sério porque todas as “vitórias fáceis” foram conquistadas.
Scrap of paper from paper cutter
As regulamentações futuras só intensificarão as pressões sobre os setores de papel e impressão para melhorar as taxas de reciclagem (e, portanto, também de redução de consumo). Um indicador de tendências futuras ​​é o objetivo da Comissão Europeia em transformar a Europa em uma “economia circular”. Padrões de certificação como o EU Ecolabel e a marca de qualidade Blue Angel da Alemanha, já rígidos, devem se tornar ainda mais exigentes. Mesmo agora, as políticas de compras públicas estão sendo alteradas para encorajar mais destintagem e reciclagem de papel e papelão.
Outro exemplo de aperto das regulamentações é o embargo da China, o “National Sword” que entrou em vigor no início deste ano. Durante anos, a China consumiu quase metade de todas as exportações globais de papel, mas agora todos os materiais recicláveis que chegam ao país devem ter níveis de pureza superiores a 99,5%, e isso significa que muito mais triagem de papel, destintagem e reciclagem tem que ser feito “em casa”.
Entretanto, podemos fazer mais, como reporta o E-book da TOMRA. Considerando que as fibras de papel são recicladas em média 3,6 vezes na Europa (de acordo com o Conselho Europeu de Reciclagem de Papel), no resto do mundo a média é de apenas 2,4 vezes. Existe a necessidade ou o potencial de aumentar os índices de reciclagem de papel, em todos os lugares. Além de maior ênfase na reciclabilidade, na concepção e fabricação de produtos de papel, também deve haver melhorias nas técnicas de remoção de tinta de produtos de papel e na triagem de materiais adequados para esse processo de destintagem.
Nova tecnologia simplifica a seleção de papel para destintagem e aumenta os indices de recuperação
A segunda seção do e-book da TOMRA analisa uma nova tecnologia que pode melhorar a seleção do papel e papelão para remoção de tinta, com resultados impressionantes. Essa nova solução é SHARP EYE – um avanço feito com o aprimoramento da tecnologia FLYING BEAM® da TOMRA, que já era a melhor tecnologia de sensores do mercado.
Como o primeiro sistema de leitura por infravermelho (NIR) com digitalização de cada ponto (sem qualquer necessidade de iluminação externas), o FLYING BEAM® focaliza intensamente a área da esteira que está sendo escaneada, distinguindo até as menores diferenças moleculares dos materiais que passam pela linha de reciclagem. A combinação da máquina AUTOSORT da TOMRA e do SHARP EYE foi calibrada para identificar materiais adequados para remoção de tinta – e efetivamente selecionar  – e naqueles casos em que um processo de duas etapas era necessário para recuperar papel reciclável acima de 90%, agora é possível alcançar taxas tão altas quanto 96% com um passo.
O material de alimentação enviado através do AUTOSORT normalmente contém polímeros e cartolinas marrom e cinza. É onde a precisão excecional do AUTOSORT em detetar diferenças de materiais é uma vantagem significativa: para máquinas menos sofisticadas, o papelão cinza pode ser muito parecido com o jornal cinza, o papelão branco pode parecer papel branco de escritório e os cartões de supermercado também podem parecer papéis. Ao ser capaz de dizer a diferença, a AUTOSORT evita a seleção excessiva que desperdiçadamente descarta materiais bons utilizáveis.
Detail of rollers with cyan, magenta and yellow colors (CMYK) in the offset printing machine
A qualidade dos insumos – que varia de país para país, de acordo com a legislação e a dinâmica comercial – determina se o processo de uma etapa ou de duas etapas é necessário com o AUTOSORT, mas o novo processo da TOMRA aumenta a eficiência obtida em apenas um passo. Isso reduz o tempo necessário, o maquinário necessário e a energia consumida na separação da celulose, para ajudar a atender à crescente demanda por papel reciclado de alta qualidade.
Os proprietários das máquinas de última geração da AUTOSORT podem se beneficiar desse progresso, atualizando para o TOMRA AUTOSORT com a tecnologia SHARP EYE.
Sobre a Tomra Sorting Recycling
A TOMRA Sorting Recycling projeta e fabrica sistemas de seleção por sensores para a indústria global de reciclagem e gestão de resíduos. Mais de 5.500 sistemas foram instalados em 80 países em todo o mundo.
Responsável pelo desenvolvimento do primeiro sensor infravermelho de alta capacidade (NIR) do mundo para aplicações de triagem de resíduos, a TOMRA Sorting Recycling continua a ser pioneira na indústria com dedicação à recuperação de frações de alta pureza de fluxos de resíduos que maximizam rentabilidade e lucro.
A TOMRA Sorting Recycling faz parte da TOMRA Sorting Solutions, que também desenvolve sistemas baseados em sensores para a separação, descascamento e análise de processos para a indústria de alimentos, mineração e outras indústrias.
A TOMRA Sorting é de propriedade da empresa norueguesa TOMRA Systems ASA, que está listada na Bolsa de Valores de Oslo. Fundada em 1972, a TOMRA Systems ASA tem um volume de negócios de cerca de € 750m e emprega mais de 3.500 pessoas.
Para obter mais informações sobre a TOMRA Sorting Recycling visite https:// www.tomra.com/pt/sorting/recycling  ou siga-nos no LinkedInTwitter or Facebook.

Primavera chega para renovar a vida

Por Ulisses Capozolli, cortesia para a Envolverde –
Às 22h54 de amanhã, sábado, pelo horário oficial de Brasília, começa a primavera no hemisfério sul e o outono no Norte. O deslocamento aparente do Sol, do hemisfério norte para o sul, faz com que ele cruze o equador (ou o equador celeste, a projeção do equador da Terra na esfera celeste) às 22h54, estabelecendo praticamente a mesma duração do dia e da noite em ambos os hemisférios. Ainda que permaneçam ligeiras diferenças.
Mas, se a Terra gira em torno do Sol, por que falar de um deslocamento do Sol em relação à Terra? Tudo uma questão de ponto de vista para observadores localizados na Terra. O ponto central, neste caso, é que a Terra se desloca em torno do Sol com uma inclinação de 23 graus e 27 minutos (23° 27’) do seu eixo de rotação em relação à eclíptica, o plano de órbita da Terra e demais planetas em torno do Sol. Para compreender o que é a eclíptica, imagine uma pequena experiência. Corte uma melancia pela metade e coloque uma das partes sobre uma mesa e a outra exatamente sobre a primeira, mas sob a superfície da mesa. Parecerá que a mesa dividiu as duas porções da melancia (o Sol) como se fosse uma lâmina afiada. A superfície da mesa, nesta pequena experiência mental, é a eclíptica, o plano de órbita dos planetas em torno do Sol. Você pode-se perguntar pela razão de a Terra ter essa inclinação em seu eixo de rotação e a resposta é: não sabemos. Supostamente, ela pode ter resultado do impacto de um corpo com a Terra que teria dado origem à Lua, quando a Terra ainda era muito jovem, um mundo quente demais para abrigar a vida que surgiria muito tempo depois no leito dos oceanos.
A origem da Lua, que forma um sistema planetário binário com a Terra, por seu porte significativo em relação à Terra, tem atormentado a ciência ao longo do tempo. A Lua poderia estar passando pelas proximidades da Terra, viajando pelo interior do Sistema Solar vinda de um ponto desconhecido e ter sido agarrada gravitacionalmente pela Terra, desejosa de uma companhia? Durante certo tempo essa possibilidade esteve sob considerações. Até que cálculos demonstraram que esse agarrão teria sido impossível. A Terra não teria tido “força” suficiente para deter a Lua de sua errância cósmica. Então começou a tomar força a ideia do impacto de um corpo, esse sim um errante cósmico, com a Terra. O choque teria arrancado parte do corpo da Terra e projetado esse material no espaço, onde ele voltou a coalescer (condensar-se em torno de um centro de gravidade) para formar um corpo: a Lua. Essa hipótese foi inicialmente considerada pelo astrônomo inglês George Howard Darwin (1845-1912) segundo filho do naturalista Charles Robert Darwin, o pai da seleção natural. Para Darwin filho, o Oceano Pacífico teria sido a cicatriz deixada pelo impacto do corpo que deu origem à Lua.
A inclinação do eixo de rotação da Terra combinada com a translação, o giro da Terra em torno do Sol, dá origem às estações. E as estações são marcadas por diferenças na radiação solar, o que significa mais ou menos luminosidade e calor nos diferentes hemisférios. Com a variação do calor, há uma variação na quantidade de chuva ou neve. As formas de vida, desde as colônias celulares primitivas que se formaram nos oceanos, se adaptaram às estações do ano e, atualmente, a vegetação é o melhor exemplo disso. As plantas renovam suas folhagens na primavera. Folhas são antenas biológicas para captação de energia solar e as flores as estratégias de reprodução, em boa parte dos casos com a oferta de frutos para a vida animal: humanos, esquilos, aves, toda uma longa e fascinante teia de vida que caracteriza a Terra. O único mundo repleto de vida em toda a vastidão do Sistema Solar. A única fonte de vida conhecida no Cosmos, investigada por sondas espaciais e telescópios de grande porte.
Como a vegetação, as árvores em especial, podem prever as estações do ano? As árvores, toda a vegetação, tem memória, ainda que seja de um tipo distinto da memória animal. A memória das árvores está localizada na extremidade das raízes e isso não é resultado do puro acaso. As raízes sugam e bombeiam água para o corpo de uma árvore e se dão conta do fluxo do tempo entre as diferentes estações. Elas se preparam para o fluxo das chuvas. A abundância de água fará com que as árvores cresçam ou se reproduzam, ou façam as duas operações ao mesmo tempo. Tudo organizado pelo complexo e fascinante mecanismo da vida. A vida, enquanto processo organizativo, é o contraponto do caos, da desorganização. A organização depende de uma fonte de energia e, na Terra, essa fonte principal é uma estrela bem próxima: o Sol. Algumas árvores podem florescer antes da primavera, como ocorre com os ipês, as plantas símbolo do Brasil em sua diversidade de cores. Por que os ipês se antecipam à primavera? Por uma estratégia refinada. Florindo antes, os ipês atraem uma massa de polinizadores que não será tão grande quando todas as outras árvores florescerem. O que significa dizer que as árvores têm não apenas memória, mas também refinadas estratégias de sobrevivência. A primavera, deste ano, chega em um momento tenso e de certa maneira trágico para o Brasil. Mas que, também por isso, é um momento de rara possibilidade de mudanças. O desejo que acompanha essa postagem é que cada um de nós, brasileiros, possa se dar conta da singularidade da Terra no céu, da força e da determinação da vida, para inspirar nossas decisões. A brutalidade e a destruição não combinam com a vida. Elas estão associadas ao caos. À desorganização. À morte. Ao banimento da vida. (#Envolverde)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Brasil tem a maior biodiversidade de árvores do mundo; Das 8 mil espécies encontradas no país, mais de 2 mil estão ameaçadas

Castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa)
Por: SOUZA, Síglia Regina. Imagem mostra a árvore da Castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa), espécie nativa da Amazônia e encontrada em vários estados da região norte do Brasil. Fonte: Unidade: Embrapa Amazônia Ocidental

Cerca de 14% das mais de 60 mil espécies de árvores catalogadas no mundo são encontrados no Brasil, o que dá ao país o título de detentor da maior biodiversidade de árvores do planeta.

A informação é de um estudo desenvolvido em 2017 pela Botanical Gardens Conservation International com base nos dados de 500 jardins botânicos. Completando esse cenário, a Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, feita pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, indica que 2.113 espécies de árvores presentes no Brasil encontram-se ameaçadas.
Quando pensamos na extinção de uma espécie, precisamos pensar nela como integrante de uma realidade maior. Com o desaparecimento de uma árvore, é como se o ecossistema perdesse um órgão. Isso enfraquece todo o bioma”, explica o professor do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Carlos Augusto Figueiredo.
Confira abaixo sete espécies de árvores ameaçadas no Brasil:
  1. Pau-brasil: a árvore que batizou o país começou a ser explorada em 1503. Com altura entre 10 e 15 metros, a espécie era encontrada em grande quantidade na Mata Atlântica e chegou a ser considerada extinta. Foi redescoberta em Pernambuco, em 1928. Em 1978, por meio da Lei nº 6.607, o dia 3 de maio foi instituído como o dia oficial do pau-brasil.
  2. Castanheira-do-Brasil: nativa da Amazônia, pode atingir entre 30 e 50 metros de altura e chegar a 2 metros de diâmetro. É uma das árvores mais altas da região amazônica, crescendo nas margens de grandes rios.
  3. Braúna: natural da Mata Atlântica e com altura que varia entre 20 e 25 metros, a braúna possui cor acastanhada e, quanto mais o tempo passa, mais escura sua casca se torna.
  4. Cedro-rosa: de grande porte, essa espécie pode ser encontrada em diferentes biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado e também na Mata Atlântica, sendo mais abundante entre os estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Alcançando até 30 metros de altura, a árvore produz um fruto que, ao abrir para soltar suas sementes, assume a forma de uma flor de madeira.
  5. Araucária: também conhecida como pinheiro-do-paraná, a árvore símbolo do estado produz uma semente conhecida como pinhão, usada na alimentação de animais silvestres, domésticos e do homem. “Uma árvore que se encontra em perigo impacta o ecossistema de duas formas. A primeira é que muitos animais, em especial as aves, usam as árvores como suas ‘casas’, como é o caso do pica-pau. O outro fator é que esses animais dependem de algumas espécies de árvores para se alimentar, como é o caso da araucária. Com uma quantidade cada vez menor desta espécie na natureza e com os frutos também sendo consumidos pelo homem, aves que dependem da semente para alimentação, como o papagaio-charão e o papagaio-de-peito-roxo, que atualmente estão ameaçados de extinção, são prejudicados. Uma alternativa para este problema é o plantio de Araucárias de forma comercial, o que seria uma maneira sustentável para a produção dos frutos para a alimentação humana e da fauna, reduzindo conflitos”, ressalta Paulo de Tarso Antas, biólogo, consultor da Fundação Pró-Natureza (FUNATURA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
  6. Mogno: também conhecido como Aguano, Araputanga e Acapú. Natural da Amazônia, a espécie tem sua cor como uma característica predominante – varia do marrom avermelhado ao vermelho. Com crescimento rápido, a árvore pode atingir 4 metros com apenas dois anos de idade.
  7. Jequitibá-rosa: chega até 50 metros de altura e é nativa da Mata Atlântica. O exemplar de jequitibá-rosa de Santa Rita do Passa Quatro é considerado a árvore mais antiga do Brasil, com idade estimada de 3.000 anos.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/09/2018
"Brasil tem a maior biodiversidade de árvores do mundo; Das 8 mil espécies encontradas no país, mais de 2 mil estão ameaçadas," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/09/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/09/21/brasil-tem-a-maior-biodiversidade-de-arvores-do-mundo-das-8-mil-especies-encontradas-no-pais-mais-de-2-mil-estao-ameacadas/.


Cheias extremas aumentam na bacia do Rio Amazonas nos últimos 30 anos

A frequência das cheias extremas na região da bacia hidrográfica do Rio Amazonas teve um aumento de cinco vezes nos últimos 30 anos, segundo estudo que analisou uma pesquisa temporal iniciada em setembro de 1902 com registros diários dos níveis de água no Rio Amazonas feitos no Porto de Manaus.

Publicado nesta quarta-feira (19) na revista Science Advances, o estudo Intensificação Recente dos Extremos de Inundação da Amazônia Impulsionada pela Circulação Reforçada de Walker  mostra que nos primeiros 70 anos da série, o intervalo entre as cheias extremas com níveis de água que ultrapassaram 29 metros – valor de referência para acionar o estado de emergência na cidade de Manaus – aconteciam aproximadamente a cada 20 anos. Nas últimas três décadas esse regime mudou e atualmente as cheias extremas acontecem em média a cada quatro anos.
Municípios em situação de emergência no Amazonas chegam a 39 - Foto Defesa Civil/AM
Estudo pode ser utilizado para aperfeiçoar os modelos de previsão das cheias na Amazônia Central  – Defesa Civil/AM
Os pesquisadores apontam que o aumento do número de enchentes está relacionado à intensificação da circulação de Walker, um sistema de circulação de ar movido pelo oceano originado pelas diferenças de temperatura e pressão atmosférica sobre os oceanos tropicais Atlântico e Pacífico.
“Esse aquecimento do Atlântico e simultaneamente o esfriamento do Pacífico resultou no aumento das cheias na maior bacia hidrográfica do mundo”, explica o pesquisador Jochen Schöngart do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
O ano de 2017 – não incluído no estudo – registrou o nível de água acima dos 29 metros. Como é esperado que o Atlântico Tropical continue aquecendo mais rápido que o Pacífico Tropical nas próximas décadas, os cientistas esperam mais eventos com alto nível de água.
Schöngart explica que esse conhecimento pode ser utilizado para aperfeiçoar os modelos de previsão das cheias na Amazônia Central e servir de subsídio para políticas públicas voltadas para a região, com previsões mais precisas e feitas com maior antecedência.
“Isso permite que as políticas públicas podem preparar as populações nas áreas urbanas e nas regiões rurais para enfrentar as consequências dessas cheias severas que sempre impactam a qualidade de vida dessas populações. Eles perdem moradia, sofrem várias doenças, serviços básicos como água potável são bastante restritos e principalmente nas áreas alagáveis ao longo dos rios que vem da Cordilheira Andina, atividades econômicas como a pecuária e a agricultura ficam bastante restritas resultando em enormes prejuízos econômicos e sociais para essas pessoas”, diz.
O estudo é resultado de uma oficina internacional que Schöngart organizou com cientistas da Universidade de Leeds (Reino Unido), no Inpa, em janeiro de 2016, para fazer uma abordagem do conhecimento atual sobre as mudanças recentes do clima e da hidrologia na bacia amazônica e teve a participação de Jonathan Barichivich (Universidade Austral de Chile), Jhan Carlo Espinoza (Instituto Geofísico del Perú) e Manuel Gloor, Roel J. W. Brienen, Kanhu C. Pattnayak e Philippe Peylin, todos da Escola de Geografia da Universidade de Leed.
Por Leandro Melito, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/09/2018
"Cheias extremas aumentam na bacia do Rio Amazonas nos últimos 30 anos," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/09/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/09/21/cheias-extremas-aumentam-na-bacia-do-rio-amazonas-nos-ultimos-30-anos/.

O Antropoceno é um alerta sobre as ações humanas no planeta

O Antropoceno é um alerta sobre as ações humanas no planeta. Entrevista especial com Etienne Turpin

IHU
A palavra Antropoceno é relativa à área da Geologia, diz respeito aos efeitos da ação do ser humano sobre os mais variados sistemas da Terra. Entretanto, mergulhar no conceito é entrar num complexo emaranhado. Primeiro, porque não é consenso no campo científico a existência dessa como uma nova era na escala geológica e, segundo, porque há inúmeras interpretações acerca dessa ideia de “efeito dos humanos sobre os ecossistemas”. Fato que não pode ser negado é que, desde que o homem fica em pé, domina a agricultura e passa a viver assentado, o planeta vem se transformando de forma exponencial.
Por isso, o filósofo e pesquisador Etienne Turpin vai além da busca conceitual e compreende o “Antropoceno como um alerta sobre os efeitos agregados das ações humanas sobre humanos, não humanos e vários sistemas entrelaçados”. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, acrescenta que “tem a ver com intensidade e velocidade, e como os efeitos agregados das ações humanas(muitas vezes não intencionais) que se acumulam. Mas esses efeitos não se acumulam igualmente em todos os lugares, nem para todas as pessoas ou para cada grupo de pessoas”.
E se desde que o homem começa o processo de domesticação das plantas já há alterações em todo globo, imagine quando constrói cidades e passa por cima dos mais inúmeros e diversos ecossistemas. É por isso que o tema do Antropoceno não pode ser um objeto restrito apenas a estudos de campos como GeologiaEcologia, mas também deve se estender a áreas como Design e Arquitetura. “A arquitetura tem sido bastante resistente ao ‘impacto’ há algum tempo. Talvez desde o desvio do discurso da autonomia no discurso da arquitetura na América do Norte e na Europa, a disciplina se apegou a uma ideia de independência que a tornou cada vez mais retrógrada e reacionária, senão totalmente irrelevante para as preocupações contemporâneas”, aponta Turpin. Para ele, é preciso que tenhamos consciência de que “somos, em graus variados, reféns do Antropoceno, a imagem do Homem como Mestre da Natureza”.
Nesse sentido, talvez o caminho para se pensar numa saída seja romper com esses limites disciplinares. “Até mesmo a ideia de que a multidisciplinaridade como tal é uma chave de ouro para o bloqueio da complexidade parece um pouco como um slogan neoliberal nos dias de hoje. Não que eu seja contra, mas o que precisamos é de modelos mais ágeis e convincentes de investigação e intervenção”, acrescenta. Assim, Turpinconcebe um enfrentamento aos dilemas ambientais e sociais originados pelo Antropoceno para além do debate acadêmico e disciplinar. “Na minha prática, eu trabalho cruzando vários formatos para construir alternativas, porque acredito que seja possível e urgente fazê-lo”, diz. Nesse sentido, observa que “a Filosofia pode ser praticada melhor em vários registros em que o pensamento faz parte do conjunto”, por isso vai associar essa a tantas outras práticas como editor de livros, curador de mostras, designer, entre outras, como forma de pensar saídas ao Antropoceno. “Esse trabalho não tem a ver com prever o futuro, mas se concentra em projetar uma infraestrutura criteriosa, atentando cuidadosamente para estas trajetórias do Antropoceno”, finaliza.
Etienne Turpin é filósofo, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e diretor fundador do Anexact Office, escritório de arquitetura em que atua. Suas pesquisas se baseiam no design das cidades de Jacarta, na Indonésia, e Berlim, na Alemanha. Também é membro fundador do User Group, cooperativa internacional de propriedade de trabalhadores que desenvolve infraestrutura humanitária, software de código aberto e ferramentas de coleta de dados geoespaciais. Com sua parceira Anna-Sophie Springer, Turpin é pesquisador do ReassemblingNature.org, onde trabalham a partir da exposição sobre o significado das coleções de história natural no Antropoceno.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – De que forma o Antropoceno, como era geológica e ambiental, tem produzido transformações nas formas de vida e hábitos humanos em escala global?
Etienne Turpin – Em nosso escritório de pesquisa em design (anexact office), entendemos o Antropoceno como um alerta sobre os efeitos agregados das ações humanas sobre humanos, não humanos e vários sistemas entrelaçados. Isso tem a ver com intensidade e velocidade, e como os efeitos agregados das ações humanas (muitas vezes não intencionais) que se acumulam. Mas esses efeitos não se acumulam igualmente em todos os lugares, nem para todas as pessoas ou para cada grupo de pessoas. Usamos o demonstrativo proximal “este” para qualificar as nossas discussões: o que este Antropoceno nos diz sobre poder político, controle social e imagens da natureza? Como no breve filme-palestra Conspiracy of the Anthros, filmado no Rio Ciliwungde Jacarta, este Antropoceno está conectado, mas é distinto de outras instanciações.
Para saber mais, veja o filme, em inglês, Conspiracy of the Anthros:



IHU On-Line – Como o Antropoceno, enquanto espírito do tempo, joga luz sobre certas ilusões epistemológicas da Modernidade? Que ilusões em especial ele ilumina?
Etienne Turpin – Esta é uma pergunta mais para Bruno Latour, que lida com essas heranças da Modernidade de modo bastante explícito. Não estou tão certo quanto ele da profundidade ou da amplitude da ilusão. Certamente, durante a colonização europeia, havia uma divisão clara e distinta entre humanos e natureza. Talvez seja por isso que Walter D. Mignolo e Catherine E. Walsh insistem em usar o termo modernidade-colonialidade.
De qualquer forma, essa divisão não desapareceu porque provou ser uma ilusão. No mínimo, por ser um limite ilusório, é guardado mais febrilmente agora do que nunca. No Brasil, o trabalho de Paulo Tavares é especialmente importante para desmontar o quadro epistemológico da modernidade-colonialidade, no que diz respeito às histórias indígenas. Se existe uma prática de arquitetura no Brasil hoje que mostra como a prática pode se envolver em trabalhos críticos, situados e urgentes é a agência Autônoma de Tavares.
Paisagens esculpidas que cobrem a costa da Guiana FrancesaPaisagens esculpidas que cobrem a costa da Guiana Francesa, no norte da Amazônia. Quase invisíveis a partir do solo, esses grandes aglomerados foram descobertos através das “arqueologias fotográficas” multicanal produzidas por Stéphen Rostain, nos anos 1980. (Foto: cortesia Stéphen Rostain)
IHU On-Line – Esse novo rearranjo produz impactos no campo do design e da arquitetura? Explique.
Etienne Turpin – A arquitetura tem sido bastante resistente ao “impacto” há algum tempo. Talvez desde o desvio do discurso da autonomia no discurso da arquitetura naAmérica do Norte e na Europa, a disciplina se apegou a uma ideia de independência que a tornou cada vez mais retrógrada e reacionária, senão totalmente irrelevante para as preocupações contemporâneas. Não posso falar sobre a situação no Brasil, mas eu lecionei no Canadá, nos Estados Unidos, na Austrália e na Rússia. Eu vivo e trabalho na Europa e faço alguns workshops, mas realmente não leciono no verdadeiro sentido da palavra. De qualquer forma, estou bastante cético em relação ao que vi na última década.
Em 2013, depois de organizar o Simpósio The Geological Turn no Taubman College, na Universidade de Michigan, altos funcionários e administradores me disseram que, apesar do enorme sucesso da própria conferência, “ninguém nunca vai se importar com o Antropoceno”. Milhares de conferências depois, sem falar da enxurrada de livros, artigos populares, publicações acadêmicas, parece claro que muitas pessoas se importam, sim, com essas preocupações. Então, eu me pergunto por que esses arquitetos-acadêmicos estavam tão ameaçados pela discussão do Antropoceno na época. Será porque a gravidade e a complexidade do problema que ele ajuda a delinear torna a arquitetura e suas tradições especialmente cúmplices da implacável destruição do planeta?
Em última análise, como o próprio capitalismo, a disciplina tentará fazer do Antropoceno um tema do qual ela possa extrair frases discursivas úteis e, então, ir à caça da próxima coisa na tentativa de representar a si mesma como um relevante campo de estudo. É um problema realmente óbvio para mim: a arquitetura acadêmica está interessada na representação habilidosa e inteligente dos problemas, de tal modo que a autoria, o poder e o controle permaneçam incontestados. Enquanto essa vontade de dominação através da representação não for superada, a disciplina simplesmente se tornará cada vez mais como um marketing tridimensional. Se isso soa muito crítico, deveríamos pelo menos admitir que a maioria das escolas de arquitetura estadunidenses hoje poderiam ser subsumidas pelas faculdades de Administração como um subcampo do marketing com poucas mudanças em seu currículo.
Assista, em inglês, aos vídeos das conferências do Geological Turn.
IHU On-Line – Ainda faz sentido a divisão categórica entre natureza e cultura? Como o Antropoceno produz uma nova deontologia?
Etienne Turpin – A divisão entre natureza e cultura às vezes é pragmática, mas não é nem categórica nem ontológica. Eu acho que é importante aceitar que existem processos independentes da mente e da cultura, chamemo-los de realidade, natureza ou do que você quiser. Ao mesmo tempo, há pouca realidade ou natureza, pelo menos na Terra, que não seja de alguma forma afetada pelo efeito agregado das atividades humanas com as quais devem interagir. Isso é algo que tentamos escrever recentemente a respeito de cidades, mosquitos e dengue – como as suposições humanas sobre essas divisões realmente orientam a política urbana e/ou os processos urbanos que ficam ainda mais fora de controle à medida que tentam ganhar o controle?
Veja o artigo, em inglês, Our Vectors, Ourselves.
fêmea do Aedes aegyptiÀ esquerda: uma fêmea do Aedes aegypti em voo, o abdômen distendido pela ingestão recente de sangue de um fotógrafo biomédico do CDC. À direita: uma superfície exoesquelética externa do Aedes aegypti feminina é estendida, tornada transparente por uma massa vermelha intra-abdominal de sangue de vertebrados. (Fotos: James Gathany – CDC | Universidade de Notre Dame)
IHU On-Line – Poderíamos dizer que o Antropoceno inaugura uma nova estética? De que ordem?
Etienne Turpin – Eu tentei escrever sobre essa estética, tanto em artigos anteriores, quanto na coleção que editei com Heather Davis, intitulada Art in the Anthropocene[Arte no Antropoceno, em tradução livre], publicado pela Open Humanities Press em 2015. No artigo “A estética não intencional do Antropoceno” [em tradução livre], eu argumentei que essas estéticas estão todas ao nosso redor, incluindo algumas mais óbvias, como as montanhas de lixo e as gigantescas chaminés industriais. Vivemos em meio a montanhas de lixo que ajudaram a produzir o Antropoceno como cascas desprezadas da acumulação industrial-capitalista. Podemos imaginar essa estética como caracterizada pelas externalidades territoriais e encarnadas da imagem do progresso sob o capitalismo.
IHU On-Line – De que forma podemos compreender o paradoxo de que o Antropoceno, justamente a era em que a ação humana interfere diretamente na autopoiésis da terra, tornou os seres humanos ainda mais reféns da natureza?
Etienne Turpin – Em uma recente exposição sobre o Antropoceno que eu organizei com Anna-Sophie Springer no contexto de uma colaboração de longo prazo chamada Reassembling the Natural, nós interviemos na exposição de um museu de história natural, reorganizando-o, criticando-o e introduzindo 18 obras de arte contemporânea para contestar a pedagogia do excepcionalismo humano que é ubíquo no museu em condições normais. Após três meses de visitação, recebemos os comentários do livro de visitas – os visitantes ficaram furiosos. Fomos acusados de destruir o museu de história natural!
Parece claro agora que, à medida que as pessoas se tornam cada vez mais conscientes das catástrofes ecológicas iminentes (sejam elas referentes à extinção, às mudanças climáticas etc.), elas se apegam ainda mais fortemente a uma imagem da natureza que está na raiz do problema! Se somos, em graus variados, reféns do Antropoceno, a imagem do Homem como Mestre da Natureza – como Ele é apresentado em quase todos os museus de história natural – torna-se um mito que deve ser defendido para não admitirmos a nossa precariedade.
Sugiro aos leitores ver as imagens da exposição de Hamburgo.
IHU On-Line – Como o Antropoceno, mais especificamente o aquecimento global, exige uma nova forma de relação com as comunidades/populações mais fragilizadas pelo rearranjo climático? Em particular, qual a contribuição do design e da arquitetura nesse sentido?
Etienne Turpin – Minha prática tem sido uma extensa etnografia institucional e trabalho de campo, então, acho que, se os arquitetos estão se perguntando: quem são as partes interessadas nesse projeto, eles já estão muito atrasados. Se você precisa se perguntar para quem é o seu projeto, você já entendeu tudo errado. A pesquisa em design, software e infraestrutura humanitária em que eu tenho trabalhado, tanto com o anexact office quanto com a cooperativa de propriedade dos trabalhadores User Group, começa atendendo às condições in loco. Onde estamos? O que está acontecendo? O que faz as coisas se moverem? O que faz as coisas pararem?
Isso significa se sentar, ouvir, estar na cidade e fazer parte de suas alegrias e tristezas, de seus potenciais e seus limites. Os designers não são observadores privilegiados! Eles podem fazer parte de uma conversa, fazer parte de uma narrativa, fazer parte do processo, e eles têm algumas habilidades úteis, é claro. Mas, se você não consegue ver uma cidade ou um sistema pelo que eles são, ou seja, como eles funcionam, o que os residentes podem fazer uns com os outros (para fazer referência ao brilhante trabalho de AbdouMaliq Simone), você acaba de volta ao jogo da representação. Há quanto tempo Foucault falou sobre a indignidade de falar pelos outros? No entanto, a arquitetura ainda não captou a indignidade de representar os outros! Se há alguma contribuição que a arquitetura pode fazer, é definitivamente a de ir ao encontro das lutas pela justiça social e ambiental, e pela integridade climática, com humildade – não como um especialista com respostas, mas para ouvir e aprender com os que estão na linha de frente.
IHU On-Line – Quais os limites da arquitetura enquanto disciplina para enfrentar os desafios colocados pelo Antropoceno? Como a multidisciplinaridade pode contribuir nesse sentido?
Etienne Turpin – Cada disciplina é uma herança do Holoceno, portanto, nesse aspecto, a arquitetura é como qualquer outro campo de pesquisa. Agora, vemos as disciplinas competindo umas com as outras sobre quem é o árbitro apropriado do Antropoceno. Incrível, não? De fato, Isabelle Stengers previu esse triste resultado em sua entrevista com Heather Davis, publicada pela Open Humanities Press em Architecture in the Anthropocene [A arquitetura no Antropoceno], em 2013.
Mas agora eu estou longe demais da academia para dar uma resposta adequada, para ser perfeitamente franco. Eu sinceramente não sei como esses debates disciplinares ainda podem persistir, para que fim, com quanta energia desperdiçada e para quê?! Até mesmo a ideia de que a multidisciplinaridade como tal é uma chave de ouro para o bloqueio da complexidade parece um pouco como um slogan neoliberal nos dias de hoje. Não que eu seja contra, mas o que precisamos é de modelos mais ágeis e convincentes de investigação e intervenção, não de um slogan de “vamos todos juntos”.
Em um projeto de software de código aberto que eu ajudei a desenvolver na Indonésia a partir de 2013, a equipe de pesquisa original era composta por mais de 15 disciplinas distintas. Desde então, dezenas de pessoas de outros campos também vieram trabalhar no projeto, apoiaram-no e passaram por ele, e depois por outros projetos ou áreas de pesquisa. Por estar embasada em uma realidade concreta, ela é restringida de tal modo que torna esses vários compromissos epistemológicos valiosos, mas apenas parcialmente. Ninguém pode narrar o projeto inteiro a partir de uma disciplina – engraçado, essa parece ser uma boa maneira de mantê-lo trabalhando, e de mantê-lo trabalhando em conjunto.
Assista ao vídeo, em inglês, How to Make a Report (Como fazer um relatório, em tradução livre):



IHU On-Line – É possível construir alternativas aos dilemas ambientais e sociais originados pelo Antropoceno para além do debate acadêmico? De que maneira pode-se integrar outros interlocutores na discussão, como, por exemplo, as populações atingidas pelas mudanças climáticas?
Etienne Turpin – Sim, eu acho que é possível. Pelo menos, na minha prática, eu trabalho cruzando vários formatos para construir alternativas, porque acredito que seja possível e urgente fazê-lo. Formei-me como filósofo, mas acho que a filosofia pode ser praticada melhor em vários registros em que o pensamento faz parte do conjunto. Como editor (e, ocasionalmente, como escritor), eu trabalho com o setor de publicações porque ainda acredito que os livros (e as ideias que eles transmitem) são consequentes para essa condição que podemos chamar de Antropoceno. Como curador, acho que as exposições ainda são um espaço para desafiar as narrativas culturais dominantes e para reformular os modos de ver o Antropoceno. Como designer que trabalha cruzando o design urbano, o software de código aberto e a infraestrutura humanitária, gosto de pensar no nosso trabalho como anastrófico. Se uma catástrofe é o passado se separando, uma anástrofe é o futuro se unindo. Como podemos fazer design para as convergências do Antropoceno (mudanças climáticas, luta política, migração, conflito etc.), permitindo a colaboração, a cooperação e a criatividade em participantes humanos e não humanos? Esse trabalho não tem a ver com prever o futuro, mas se concentra em projetar uma infraestrutura criteriosa, atentando cuidadosamente para estas trajetórias do Antropoceno.
Veja, em inglês, o Manifesto do Design Anastrófico:
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(EcoDebate, 20/09/2018) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]


EcoDebate - Edição 3.057 de 21 / setembro / 2018


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]