segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Encuentro con Takumã Kuikuro. Incendios en Xingu (Brasil) y las brigadas...

Cineasta Takumã Cuicuru registra incêndios no Xingu

Indígenas do Xingu lutam contra desmatamento e incêndios

James, Você sabe o que o desmatamento tem a ver com os incêndios na Amazônia? No Território Indígena do Xingu, Mato Grosso, o avanço da destruição no entorno da área protegida provoca o ressecamento da floresta, o aumento de temperaturas e, como consequência, incêndios. Só em setembro, mais de 7,5 mil focos de calor foram detectados, um aumento de 174% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em setembro, imagens de densas nuvens de fumaça sobre a aldeia Ipatse circularam nas redes sociais, e na TI Wawi, o rio Wawi secou pela primeira vez. Relatos como esses são cada vez mais comuns. Até pouco tempo atrás não se tinha registro de incêndios descontrolados no Xingu. De uma média de 82 focos de calor por ano entre 1995 e 2000 no TIX, passaram a ser registrados 1,9 mil focos de calor, em 2020 o número já passa de 2,1 mil focos de calor. Nas cabeceiras do rio Xingu, no entorno do TIX, 40% das nascentes foram destruídas. Ali, os indígenas assistiram a uma mudança brutal em seu entorno: nos últimos 30 anos, aproximadamente 66% das florestas nas adjacências da terra indígena foram desmatadas. Fazendas de gado deram lugar a grandes monoculturas de grãos. Por conta dessas mudanças, o cotidiano no TIX agora vive a imprevisibilidade das chuvas e incêndios descontrolados. Saiba mais aqui. Com a derrubada da floresta, o solo fica exposto, absorvendo e emitindo mais calor, o que provoca uma perda do serviço de resfriamento. Impacta, ainda, os processos de evapotranspiração da floresta, responsável pelas chuvas. O resultado? A floresta fica mais inflamável e suscetível aos incêndios. Agora os indígenas têm que responder a uma condição que não foi gerada por eles. Dizer que eles são os provocadores dos incêndios é muito tacanho. Essas populações estão tendo que dar conta de enfrentar invasões, tentativas de tomadas de seus territórios, e ainda controlar o fogo. Frente a isso, os indígenas têm trabalhado na construção de acordos comunitários para os trabalhos que envolvem o uso e manejo do fogo, promovendo ações de prevenção aos incêndios junto às aldeias e monitoramento dos focos de calor dentro do território. A floresta é necessária para a vida dos indígenas e eles não querem colocar em risco aquele ambiente porque sua vida está pautada naquela floresta. Seus conhecimentos e forma de viver estão ali. Eles estão fazendo o seu esforço de adaptar-se a essa nova condição. Por isso é tão importante que apoiemos os povos xinguanos no combate aos incêndios, desmatamento e, para que eles permaneçam vivos, com saúde e a floresta permaneça de pé. Junte-se ao ISA! Faça parte da luta contra os incêndios e desmatamento no Xingu. Quero me juntar ao ISA! Katia Ono Instituto Socioambiental - ISA Mais informações sobre o ISA. Dúvidas ou comentários, ligue ou envie um whatsapp para (11) 93500 1149 e fale com Mariana Barros ou escreva para relacionamento@socioambiental.org

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Dietas saudáveis evitariam mais de 2/3 das mortes por doenças cardíacas

A má alimentação é a principal causa de mortes por doenças cardíacas em todo o mundo European Society of Cardiology (ESC)* Mais de dois terços das mortes por doenças cardíacas em todo o mundo poderiam ser evitadas com dietas mais saudáveis. Essa é a descoberta de um estudo publicado hoje no European Heart Journal – Quality of Care and Clinical Outcomes, um jornal da European Society of Cardiology (ESC) As descobertas foram feitas no Dia Mundial da Alimentação , que destaca a importância de dietas saudáveis a preços acessíveis e sustentáveis para todos. “Nossa análise mostra que dietas não saudáveis, pressão alta e colesterol sérico alto são os três principais contribuintes para mortes por ataques cardíacos e angina – chamadas coletivamente de doença isquêmica do coração”, disse o autor do estudo, Dr. Xinyao Liu, da Central South University, Changsha, China. “Isso foi consistente tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.” “Mais de seis milhões de mortes poderiam ser evitadas reduzindo a ingestão de alimentos processados, bebidas açucaradas, gorduras trans e saturadas e adição de sal e açúcar, aumentando a ingestão de peixes, frutas, vegetais, nozes e grãos inteiros. Idealmente, devemos comer 200 a 300 mg de ácidos graxos ômega 3 de frutos do mar todos os dias. Além disso, todos os dias devemos ter como objetivo 200 a 300 gramas de frutas, 290 a 430 gramas de vegetais, 16 a 25 gramas de nozes e 100 a 150 gramas de grãos inteiros ”, acrescentou. O estudo analisou dados fornecidos pelo Global Burden of Disease Study 2017, que foi realizado em 195 países entre 1990 e 2017 (2). Em 2017, havia 126,5 milhões de indivíduos portadores de doença isquêmica do coração e 10,6 milhões de novos diagnósticos da doença. A doença isquêmica do coração causou 8,9 milhões de mortes em 2017, o que equivale a 16% de todas as mortes, em comparação com 12,6% de todas as mortes em 1990. Entre 1990 e 2017, a prevalência, incidência e mortalidade padronizadas por idade por 100.000 pessoas diminuíram 11,8 %, 27,4% e 30%, respectivamente. Mas os números absolutos quase dobraram. O Dr. Liu disse: “Embora tenha havido progresso na prevenção de doenças cardíacas e na melhoria da sobrevida, especialmente em países desenvolvidos, o número de pessoas afetadas continua a aumentar devido ao crescimento e envelhecimento populacional”. Os pesquisadores calcularam o impacto de 11 fatores de risco na morte por doença isquêmica do coração. Estes eram dieta, pressão alta, colesterol alto sérico de lipoproteína de baixa densidade (LDL), glicose plasmática elevada, uso de tabaco, índice de massa corporal (IMC) alto, poluição do ar, baixa atividade física, função renal prejudicada, exposição ao chumbo e álcool usar. Especificamente, eles estimaram a proporção de mortes que poderiam ser interrompidas eliminando esse fator de risco. Assumindo que todos os outros fatores de risco permaneceram inalterados, 69,2% das mortes por doenças isquêmicas do coração em todo o mundo poderiam ser evitadas se dietas mais saudáveis fossem adotadas. Enquanto isso, 54,4% dessas mortes poderiam ser evitadas se a pressão arterial sistólica fosse mantida em 110-115 mmHg, enquanto 41,9% das mortes poderiam ser interrompidas se o LDL sérico fosse mantido em 0,7-1,3 mmol / L. Cerca de um quarto das mortes (25,5%) poderiam ser evitadas se a glicemia de jejum sérica fosse mantida em 4,8-5,4 mmol / L, enquanto a erradicação do tabagismo e do fumo passivo poderia interromper um quinto (20,6%) das mortes por doença cardíaca isquêmica . Notavelmente, o uso do tabaco foi classificado como o quarto maior contribuinte para mortes por doença isquêmica do coração em homens, mas apenas o sétimo em mulheres. Entre 1990 e 2017, a prevalência global do tabagismo diminuiu 28,4% nos homens e 34,4% nas mulheres. O IMC elevado foi o quinto maior contribuinte para mortes por doença isquêmica do coração em mulheres e o sexto em homens. Para as mulheres, 18,3% das mortes por doença isquêmica do coração poderiam ser evitadas se o IMC fosse mantido em 20-25 kg / m2. Em ambos os sexos, as contribuições percentuais de poluição do ar e exposição ao chumbo para mortes por doença cardíaca isquêmica padronizada por idade aumentaram conforme o país de residência se tornou menos desenvolvido. O Dr. Liu disse: “A doença isquêmica do coração pode ser amplamente evitada com comportamentos saudáveis e os indivíduos devem tomar a iniciativa de melhorar seus hábitos. Além disso, são necessárias estratégias geograficamente adaptadas – por exemplo, programas para reduzir a ingestão de sal podem ter o maior benefício em regiões onde o consumo é alto (por exemplo, China ou Ásia Central). ” Referências: 1 Dai H, Much AA, Maor E, et al. Global, regional, and national burden of ischaemic heart disease and its attributable risk factors, 1990–2017: results from the Global Burden of Disease Study 2017. Eur Heart J Qual Care Clin Outcomes. 2020. doi:10.1093/ehjqcco/qcaa076. 2 GBD 2017 Diet Collaborators. Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2019;393:1958–1972. * Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

Mais de 3 mil plantas não convencionais podem ser usadas na alimentação. Conheça as PANCs

Existem mais de três mil plantas alimentícias não convencionais catalogadas no Brasil – ricas em nutrientes e com alto teor de proteína – e que podem ser incluídas em nossa alimentação, mas ainda não são conhecidas pela população. Por Andreza Rossini As PANC, acrônimo para Plantas Alimentícias Não Convencionais, estão em quase todo lugar: nas pracinhas, em terrenos, no jardim, horta ou em canteiros de rua e são consideradas apenas um ‘matinho’ para quem não sabe sobre essa possibilidade alimentar. De acordo com o biólogo amazonense e criador da sigla PANC, Valdely Ferreira Kinupp, esses vegetais são espécies espontâneas ou silvestres, orgânicos pela própria essência, e com grande variedade de nutrientes que melhoram as funções do corpo e ajudam a prevenir várias doenças. “Consumir Pancs é uma forma de valorizar a biodiversidade, reestabelecer a saúde e experimentar novos sabores. Além disso, é possível aumentar o repertório alimentar com incontáveis pratos da culinária brasileira não convencional”, explica Valdely, que esteve em Curitiba, à convite do Centro Europeu e em parceria com o Festival Sustentável Curitiba Santé, para participar de uma aula especial do curso de especialização em Cuisine Santé. De acordo com o diretor acadêmico do Centro Europeu, Rogério Gobbi, a vinda do Valdely a sede de gastronomia demonstra, mais uma vez, que a escola prioriza a inovação e o fortalecimento do conceito da gastronomia saudável e sustentável em seus cursos de formação. “Buscamos trazer para os nossos alunos os profissionais com maior conhecimento técnico, científico e inovador que fará toda a diferença na sua formação profissional”, afirma Rogério. Durante sua passagem por Curitiba Valdely gravou na sede de gastronomia do Centro europeu, – ao lado do chef Renhard Pfeiffer – a receita de um Baião de PANCs (confira receita abaixo). Sustentabilidade e nutrição Incluir as PANCs no dia a dia também é uma iniciativa sustentável. Isso porque, segundo Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), somente 30 espécies de plantas fornecem 95% da demanda humana por comida, em um universo de incríveis 30 mil variedades. Valdely destaca os benefícios diretos e indiretos de incluir as PANCs na alimentação. “Entre os benefícios diretos estão uma alimentação mais orgânica e saudável, que pode ser produzida em pequenas áreas em casa residenciais. Já o benefício indireto é uma contribuição para o planeta, tendo em vista que estamos falando de alimentos sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos”, completa. Outra dica do biólogo é para que as pessoas busquem informações sobre como identificar as PANCs indicadas para a alimentação humana. “Elas não são convencionais, não estão na merenda ou nas feiras, as pessoas leigas devem fazer cursos e se qualificar para identificar as PANC. O que pode ser feito é ir às feiras orgânicas e começar a encomendar plantas do agricultor, como ortiga, picão branco, preto ou uma fruta diferente”, orienta Valdely. Entre as espécies de PANCs estão a ora-pro-nóbis, também chamada como carne-de-pobre, possui alto teor de proteína,a é rica em vitaminas do complexo B, A e C, fibras e fósforo. As folhas são sua parte comestível, podendo ser consumidas secas ou frescas, cruas ou cozidas, e até acrescentada a massas de pães. Já a bertalha também é trepadeira com folhas e caules verdes, carnosos e suculentos, com aparência similar à do espinafre. É rica em vitamina A, vitamina C, cálcio e ferro. As folhas e os ramos novos devem ser consumidos logo após a colheita, refogados ou em substituição ao espinafre e à couve, ou em omeletes, quiches e tortas. Crua, pode ser ingerida junto a saladas verdes. Festival Curitiba de Cozinha Santé O Festival Curitiba de Cozinha Santé – que este ano será diferente e tem o lançamento previsto para 20 de outubro pelo site curitibasante.com.br – contará com uma aula específica sobre PANCs. Reinhard Pfeiffer , um dos idealizadores do evento, explica que o objetivo desta edição é entrar na casa das pessoas levando consciência através de receitas saudáveis e saborosas. Outra surpresa para esta edição é o lançamento de um e-book com mais de 40 receitas ‘plant based’ e fotos autorais que o público ao adquirir as aulas/palestras irá receber. O valor do vídeo + o ebook custará r$ 79,90 através do ecommerce curitibasante.com.br. CONFIRA A RECEITA DE BAIÃO DE PANCs BAIÃO DE PANC (Chef Reinhard Pfeiffer) Tempo: 50min (+5min de descanso) Rendimento: 6 porções Dificuldade: fácil Ingredientes • 2 xícaras (chá) de arroz vermelho (cozido) • 2 colheres (sopa) de gengibre ralado • 5 colheres sopa de manteiga de garrafa • ½ xícara de tofu defumado picado (substituto do bacon) • 1 cebola roxa picada • 1 pimenta dedo de moça picada • 1 pimentão vermelho picado • 1 xícara de cogumelos portobelo (laminados) • 3 dentes de alho picados • Cominho (despertar no fogo antes) • 2 xícaras (chá) de feijão-de-corda ou carioca cozido al dente (salgar quente após cocção) • 4 e 1/2 xícaras (chá) de caldo de legumes (salsão, cenoura, tomate, cebola, ervas) • Sal e pimenta-do-reino a gosto • 1 xícara (chá) de queijo coalho em cubos (grelhar antes) • 2 colheres de coentro picado • Páprica defumada • 1 xícara de PANC picadas • 1 xícara de tomate cereja confitado • Manteiga de garrafa (para finalizar) Modo de preparo: – Aqueça a manteiga (1 c sopa) com o gengibre fresco até começar a fritar. – Acrescente o arroz vermelho e refogue demoradamente. – Junte o caldo de legumes fervente e o sal. Quando o caldo retomar à fervura, abaixe o fogo, tampe a panela e cozinhe por cerca de 35 minutos. – Destampe e cozinhe por mais 10 minutos ou até a água secar. Desligue o fogo e mantenha o arroz por 5 minutos em panela tampada para finalização do cozimento. Reserve. – Numa frigideira, doure os cogumelos na manteiga de garrafa , o tofu defumado e a pimenta dedo de moça, salgue, tempere com pimenta e acrescente o feijão, o arroz e o queijo coalho . Tempere com pimenta, páprica, coentro e finalize com as Panc e os tomates confitados. – Acrescente mais manteiga para dar um brilho. Desligue o fogo e transfira para uma travessa. RECEITA DE BAIÃO DE PANCs in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

Pecuária é causa de desmatamento na Amazônia, diz relatório

Relatório evidencia desmatamento causado pela pecuária na Amazônia Legal brasileira Levantamento da ONG Mercy For Animals aponta relação entre o aumento da área de pastagem e a perda da cobertura natural em região dominada comercialmente por grandes frigoríficos como JBS, Minerva e Marfrig Por Mauricio Sacramento Um relatório inédito produzido pela ONG Mercy For Animals evidencia a relação direta entre o desmatamento da Floresta Amazônica e a abertura de novas áreas de pastagem para a pecuária em municípios do Pará e Rondônia. O relatório, que combina análise de dados e imagens de satélite de alta resolução, aponta que, dos 25 municípios com maior área desmatada na Amazônia Legal em 2019, 10 estão entre os 50 municípios com a maior população de bovinos do país. Juntos, esses 10 municípios foram responsáveis por quase 30% da área desmatada na região em 2019 — uma escala equivalente a uma vez e meia o tamanho da cidade de São Paulo — e por 22,5% das queimadas. Apesar de representarem apenas 1,2% do total de 772 municípios da Amazônia Legal, esses 10 municípios abrigam 9,8% da população de bovinos existente no território e 12,5% das pastagens localizadas no bioma amazônico. Todos estão situados na zona de compra de matadouros pertencentes às três gigantes do setor frigorífico no Brasil — JBS, Minerva e Marfrig. Dos 66 matadouros com inspeção federal (SIF) em operação na Amazônia Legal em 2019, 38 (57,5%) pertenciam à JBS (26), Marfrig (8) e Minerva (4). Juntas, essas três empresas são responsáveis por aproximadamente 70% dos abates de bovinos criados na Amazônia. “De janeiro a junho deste ano, o desmatamento aumentou 25% em comparação com o mesmo período em 2019, e a pecuária continua sendo a principal causa dessa destruição” afirma Sandra Lopes, diretora-executiva da Mercy For Animals no Brasil. “É muito preocupante que algumas das maiores empresas alimentícias do Brasil como JBS, Minerva e Marfrig estejam direta ou indiretamente associadas ao desmatamento da Floresta Amazônica. A Amazônia é fundamental para o nosso planeta e para o clima. É urgente que empresas, governos e pessoas atuem para protegê-la, ou o nosso futuro estará em risco”. A Mercy For Animals convidou a ativista vegana Nina Rosa para narrar o vídeo que apresenta os resultados da investigação e retomou a campanha Por Trás do Fogo. Lançada em 2019 para conscientizar a população sobre a conexão entre a pecuária e o desmatamento, a campanha contou com a participação de diversas celebridades. **Clique aqui para acessar o relatório completo e o vídeo da campanha Por Trás do Fogo Maiores índices de desmatamento e maiores populações de bovinos do país Dos três municípios com as maiores taxas de desmatamento na Amazônia em 2019, São Félix do Xingu e Porto Velho — 2º e 3º colocados no ranking nacional de desmatamento, respectivamente — exibiram uma correlação particularmente forte entre o tamanho da população de bovinos e a extensão do desmatamento no período de 2008 a 2018. Nesse período, a taxa de conversão de floresta em pastagem em Porto Velho e São Félix do Xingu foi consideravelmente superior à da Amazônia. Enquanto no bioma a área de pastagem aumentou em média 8,7%, em Porto Velho e São Félix do Xingu o aumento foi de 43,3% e 25,5%, respectivamente. Levantamentos indicam que, no período, 2.716 km2 de floresta em Porto Velho e outros 3.590 km2 em São Félix do Xingu foram desmatados, enquanto a população de bovinos nesses municípios aumentou 71,4% e 24,4%, respectivamente. JBS, Minerva e Marfrig De 2015 a 2017, o Brasil exportou 1,3 milhões de toneladas de carne bovina proveniente da região amazônica. As três maiores empresas brasileiras do setor frigorífico, JBS, Minerva e Marfrig, foram responsáveis por 69,5% do total das exportações. Porto Velho e São Félix do Xingu desempenharam um papel proeminente nesses números. No mesmo período, estiveram entre os cinco maiores fornecedores de carne para exportação da Amazônia e representaram 6,3% do total de exportações de carne bovina do bioma. Juntas, JBS, Minerva e Marfrig foram responsáveis por 49,8% das exportações de carne oriunda de Porto Velho e 74,5% das de São Félix do Xingu. Só a JBS exportou 47,8% da carne bovina proveniente de Porto Velho, enquanto a Marfrig ocupou o primeiro lugar nas exportações de São Félix do Xingu, enviando para fora do país 40% da carne produzida no município para o mercado internacional. Histórico Em meio século, de 1970 a 2019, 718.918 km2 da Floresta Amazônica foram destruídos, ou cerca de 17% da cobertura florestal anterior a 1970, o equivalente a uma área maior que a França continental, a Inglaterra e a Bélgica juntas. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de 1990 a 2005, mais de 80% da área desmatada na Amazônia brasileira foi transformada em pastagem. No mesmo período, a população de bovinos do Brasil aumentou 40%, e o país tornou-se o maior exportador de carne bovina do mundo. A expansão da pecuária nos estados amazônicos foi responsável por 80% de tal crescimento. Em 2018, havia 86,6 milhões de bovinos na região. Naquele mesmo ano, o pasto ocupava 534.317 km2 da paisagem Amazônica, o equivalente a 75,5% da área desmatada. Em 2019, a taxa de desmatamento da Amazônia brasileira aumentou drasticamente, atingindo proporções não registradas em mais de 10 anos. Foi desmatada uma área de 7.701 km2 de floresta primária, o equivalente a cinco cidades de São Paulo ou 713.100 campos de futebol, a maior parte sem autorização das autoridades competentes. Em 2020, o dano ambiental deverá ser ainda mais grave. De janeiro a junho, a taxa de desmatamento aumentou 25% em comparação com o mesmo período em 2019. Junho de 2020 foi o 14º mês de aumento ininterrupto das taxas de desmatamento e o pior mês de junho desde 2015. A indústria da carne brasileira estima que, nos próximos 10 anos, o consumo, a produção e a exportação de carne aumentarão. Em 2029, a produção brasileira de carne bovina poderá atingir 12,9 milhões de toneladas, um aumento de 18,7% em 10 anos. Por sua vez, em 2029, o consumo interno poderá ser 11,8% maior do que em 2019. No entanto, espera-se que as exportações sejam o principal motor do crescimento, com um aumento de 36,3%. Para satisfazer os mercados nacional e global de carne, o Brasil terá que abater 52,6 milhões de bovinos em 2029, um aumento de 17,7% em relação a 2019. Nos atuais níveis de produtividade, isso exigiria ainda mais desmatamento para pastagem, o que teria um efeito devastador sobre a Amazônia, assim como sobre o Pantanal e o Cerrado, outros dois biomas em perigo por conta da expansão da atividade pecuária. Neste cenário, as proteínas vegetais aparecem como uma solução para atender à crescente demanda por proteínas de maneira sustentável. A categoria de produtos plant-based é impulsionada não só pelos consumidores vegetarianos, que já representam 14% da população no Brasil, de acordo com o IBOPE Inteligência (2018), mas também, e principalmente, pelos consumidores flexitarianos, que buscam produtos inovadores para reduzir o consumo de alimentos de origem animal. Atualmente, de acordo com pesquisa da DuPont (2019), 67% dos brasileiros declara ter um alto interesse em consumir mais alimentos plant-based. Saúde, sustentabilidade e ética são alguns dos principais fatores que influenciam essa mudança de comportamento. Segundo estudo publicado pela Lux Research (2015), as proteínas vegetais deverão representar um terço do mercado global de proteínas até 2054. Para mais informações sobre a Mercy For Animals, acesse www.mercyforanimals.org.br in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

Recuperação econômica após a pandemia pode impulsionar os esforços climáticos

Os planos de estímulo global para a recuperação econômica após a pandemia poderiam facilmente cobrir políticas favoráveis ao clima, sugere um novo estudo Pelo Imperial College London* Governos em todo o mundo estão planejando pacotes de estímulo para impulsionar a economia após as perturbações causadas pela pandemia COVID-19. Até agora, mais de US $ 12 trilhões de dólares foram prometidos em tais pacotes. Essa resposta é três vezes maior do que os gastos de recuperação da crise financeira global de 2008-2009 e representa cerca de 15% do produto interno bruto (PIB) global. Uma nova análise publicada na Science , liderada por pesquisadores do Imperial College London, Climate Analytics em Berlin e do Electric Power Research Institute dos Estados Unidos, mostra que se apenas um décimo desse dinheiro fosse investido a cada ano nos próximos cinco anos nos planos de recuperação positivos para o clima para o sistema energético global, o mundo poderia ser colocado no caminho para cumprir as metas do Acordo de Paris. O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura média global neste século para bem abaixo de 2 ° C acima das temperaturas pré-industriais e buscar esforços para mantê-la em 1,5 ° C. Isso exigirá uma redução no uso de combustíveis fósseis, uma mudança para fontes renováveis ??de baixo carbono, como a energia solar e eólica, e grandes melhorias na eficiência energética. No entanto, os esforços atuais dos governos em todo o mundo são insuficientes para atingir as metas do Acordo de Paris. Em vez disso, as políticas de hoje estão nos levando a um mundo 3 ° C acima das médias pré-industriais. Essas temperaturas mais altas trarão maiores riscos e impactos mais severos, como secas, inundações e tempestades. A nova análise mostra que um caminho ambicioso para um mundo de 1,5 ° C está bem ao nosso alcance se apenas uma fração do financiamento COVID-19 for investido em uma recuperação “positiva para o clima”, com o duplo objetivo de estimular a economia global e acelerar o implantação de fontes de baixo carbono e medidas de eficiência energética. Isso poderia ser alcançado, por exemplo, por meio de estímulos diretos e investimentos, bem como por meio de políticas de apoio, como incentivos e descontos. O autor sênior Dr. Joeri Rogelj, do Grantham Institute — Climate Change and the Environment at Imperial, disse: “Nossas descobertas mostram que investir em soluções para limitar o aquecimento a 1,5 ° C está dentro do orçamento. Na verdade, o aumento de Os investimentos em energia de carbono necessários nos próximos cinco anos para colocar o mundo no caminho certo para cumprir as metas do Acordo de Paris são cerca de oito vezes menores do que o estímulo total do COVID-19 ”. A primeira autora, Marina Andrijevic, da Climate Analytics and Humboldt University, disse: “Se apenas uma fração desse dinheiro fosse investido em planos de recuperação positivos para o clima, o mundo poderia alcançar energia de carbono zero líquido em meados do século. Não se trata de desviar dinheiro do estímulo COVID-19 ou outros investimentos de baixo carbono na indústria, pesquisa e desenvolvimento, mas proporcionando a solução ganha-ganha de uma economia impulsionada que simultaneamente ajuda nossos esforços para deter as mudanças climáticas. ” Poucos países declararam em detalhes completos para que usarão seus pacotes de recuperação, mas as prioridades imediatas provavelmente serão apoiar os sistemas de saúde, preservar meios de subsistência e estabilizar o emprego. Além disso, os governos buscarão investimentos que possam fomentar a recuperação econômica no longo prazo. Vários relatórios, incluindo uma pesquisa com mais de 230 especialistas em todo o mundo, mostraram como uma recuperação verde pode apoiar esse objetivo, fornecendo benefícios de curto e longo prazo, incluindo criação de empregos e redução do risco de investimento em tecnologias verdes. O Dr. Rogelj acrescentou: “Os pacotes de recuperação positiva para o clima fornecem muitos benefícios que os governos procuram para sair desta crise: eles podem aumentar o emprego e estimular a inovação, acelerando assim o desenvolvimento de tecnologias necessárias para uma transformação global de baixo carbono.” A análise da equipe mostra que uma recuperação positiva para o clima também precisa de um forte foco de curto prazo em evitar ativamente uma recuperação poluente, como pacotes de estímulo que salvam os combustíveis fósseis. Os investimentos nesses setores devem continuar nos próximos anos, mas há fortes evidências para redirecionar esse financiamento para uma recuperação positiva para o clima e para apoiar a transição por outros meios, como a requalificação de funcionários. A análise mostra que isso será mais fácil para alguns países do que para outros. Os EUA e a União Européia foram os que mais prometeram na recuperação pós-pandemia e também precisam investir o menos proporcionalmente em energia de baixo carbono para estar no caminho para atingir as metas do Acordo de Paris. Enquanto isso, economias emergentes como a Índia propuseram menos financiamento para a recuperação da pandemia, mas exigem proporcionalmente mais investimentos para fornecer às suas populações energia confiável, limpa e acessível . O coautor Dr. David McCollum, do Electric Power Research Institute e da University of Tennessee, disse: “As diferentes situações entre as economias desenvolvidas e emergentes nestes tempos de crise nos lembram da necessidade de olhar além das fronteiras e colaborar internacionalmente. que uma recuperação positiva para o clima beneficia a todos, em todos os lugares. ” COVID-19 recovery funds dwarf clean energy investment needs BY MARINA ANDRIJEVIC, CARL-FRIEDRICH SCHLEUSSNER, MATTHEW J. GIDDEN, DAVID L. MCCOLLUM, JOERI ROGELJ SCIENCE16 OCT 2020 : 298-300Science (2020). DOI: 10.1126/science.abc9697 https://science.sciencemag.org/content/370/6514/298 * Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020