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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Diversidade de espécies de árvores aumenta a resistência da floresta às secas

As florestas ricas em espécies, como as florestas tropicais úmidas de folhas largas, que têm uma média de 65 espécies de árvores, mostraram a maior resistência à seca Chinese Academy of Sciences* Uma equipe de pesquisa liderada pelo Prof. WANG Tao e pelo Dr. LIU Dan, do Instituto de Pesquisa do Planalto Tibetano da Academia Chinesa de Ciências, revelou que a diversidade de espécies de árvores pode aumentar a resistência à seca em quase metade das florestas do mundo. Suas descobertas foram publicadas na Nature Geoscience em 19 de setembro. A seca extrema pode reduzir fortemente o crescimento das florestas e até mesmo levar à sua morte. A diversidade de espécies de árvores pode aumentar a resistência à seca da floresta. No entanto, este efeito só foi demonstrado para um pequeno número de tipos de floresta; se é aplicável a diferentes tipos de florestas ao redor do mundo que sofrem secas extremas não foi bem compreendido. Neste estudo, usando observações de satélite globais e dados de riqueza de espécies de mais de 700.000 parcelas florestais, os pesquisadores estimaram o efeito da diversidade de espécies de árvores na resposta à seca das florestas em escala global. Eles descobriram que as florestas ricas em espécies, como as florestas tropicais, que têm uma média de 65 espécies de árvores, mostraram a maior resistência à seca. Em contraste, florestas pobres em espécies, como florestas xéricas, que possuem apenas duas ou três espécies de árvores, apresentaram a menor resistência à seca. Além disso, os pesquisadores mapearam o efeito global da diversidade de espécies na resistência à seca na floresta. Com base em seus resultados, eles previram que a maior riqueza de espécies teve um efeito positivo na resistência à seca em quase metade de todas as florestas globais, com o maior efeito em florestas secas e propensas à seca, como florestas xéricas ou florestas secas subtropicais. “Estimamos que a conversão das plantações florestais atuais de monoculturas para uma mistura de quatro espécies poderia aumentar a resistência à seca das florestas plantadas globais em 3,2%, com o maior incremento encontrado nas florestas secas”, disse o Prof. WANG, autor correspondente do estudo. Essas descobertas enfatizam a importância de restaurar a diversidade de espécies de árvores para ajudar as florestas a resistir a secas frequentes e intensas que podem ocorrer como resultado do aquecimento global. “A restauração da diversidade de espécies e o plantio multiespécies devem ser incluídos na política florestal, especialmente para florestas secas”, disse o Dr. LIU Dan, primeiro autor do estudo. Dan Liu et al, Drought resistance enhanced by tree species diversity in global forests, Nature Geoscience (2022). DOI: 10.1038/s41561-022-01026-w Henrique Cortez *, tradução e edição. in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Apenas um terço das crianças de 10 anos consegue ler e compreender

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alerta para níveis de aprendizagem alarmantemente baixos: estima-se que apenas um terço das crianças de 10 anos em todo o mundo seja capaz de ler e entender uma história simples. Durante a Cúpula da Educação Transformadora, evento paralelo aos debates de alto nível da Assembleia Geral, o UNICEF apresenta a Learning Crisis Classroom na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, para chamar a atenção para a necessidade urgente de transformar os sistemas educacionais em todo o mundo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) fez um alerta para os alarmantes níveis de aprendizagem globais. Estima-se que apenas um terço dos meninos e meninas de 10 anos de idade em todo o mundo consegue ler e entender uma história simples. Antes da pandemia de COVID-19, metade dos meninos e meninas de 10 anos podiam ler e entender. “Escolas com poucos recursos, professores mal pagos e mal qualificados, salas de aula superlotadas e currículos arcaicos estão minando a capacidade de nossas crianças de atingir todo o seu potencial”, disse a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “A trajetória de nossos sistemas educacionais é, por definição, a trajetória de nosso futuro. Precisamos reverter as tendências atuais ou enfrentar as consequências de não educar uma geração inteira. Baixos níveis de aprendizado hoje significam menos oportunidades amanhã”. O fechamento prolongado de escolas e a falta de acesso ao aprendizado de qualidade durante a pandemia da COVID-19 expuseram e exacerbaram uma crise de aprendizagem pré-existente que deixou milhões de crianças em idade escolar em todo o mundo sem habilidades básicas de matemática e alfabetização, alerta o UNICEF. Sala modelo Para chamar a atenção para a crise da educação e a necessidade de transformar o aprendizado em todo o mundo, o UNICEF divulgou publicamente a Learning Crisis Classroom, uma sala de aula modelo que representa a escala de crianças que não conseguem aprender habilidades fundamentais essenciais. A instalação estará em exibição na entrada de visitantes da sede das Nações Unidas em Nova Iorque entre 16 e 26 de setembro. Um terço das carteiras escolares da sala de aula modelo é feita de madeira e está em pleno funcionamento com uma mochila icônica do UNICEF colocada atrás de cada cadeira, representando o um terço das crianças de 10 anos globalmente estimadas como capazes de ler e entender uma história escrita simples – o marcador de proficiência mínima em compreensão de leitura. Os dois terços restantes das carteiras são quase invisíveis e feitos de material transparente para significar que 64% das crianças são incapazes de ler e entender uma história escrita simples aos 10 anos. À medida que os líderes se reúnem na Cúpula da Educação Transformadora, cujo encerramento acontece nesta segunda-feira (19), o UNICEF está pedindo aos governos que se comprometam a alcançar todas as crianças com educação de qualidade. Está pedindo novos esforços e investimentos para rematricular e manter todas as crianças na escola, aumentar o acesso à aprendizagem corretiva e de recuperação, apoiar os professores e fornecer-lhes as ferramentas de que precisam e garantir que as escolas ofereçam um ambiente seguro e de apoio para que todas as crianças estejam prontas para aprender. #Envolverde

Parques naturalizados: um novo conceito para aumentar a rede de áreas verdes urbanas

Programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, disponibiliza informativo sobre esses espaços e sua importância para a saúde das crianças e jovens São muitos os benefícios que as brincadeiras ao ar livre, na natureza, trazem para a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento integral de crianças e jovens. Para incentivar o brincar livre com elementos naturais, mesmo nas grandes cidades, promovendo o convívio e o lazer, o programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, elaborou o informativo “Parques Naturalizados: paisagens para o brincar natural”. Parque naturalizado é um conceito que propõe a utilização de elementos como troncos, galhos e a própria topografia e vegetação dos terrenos para criar lugares mais atraentes e desafiantes para as crianças, e ampliar a rede de áreas verdes urbanas. Eles podem ser criados tanto em espaços públicos, aproveitando áreas abandonadas, como em terrenos privados, de escolas, clubes ou condomínios. São áreas multifuncionais e com menor custo de instalação, já que reaproveitam materiais existentes do próprio território, como podas de árvores. Os brinquedos e mobiliários encorajam experiências sensoriais e motoras que estimulam a criatividade, tanto para bebês quanto para crianças com e sem deficiência, de todas as idades. Esses espaços, quando montados em terrenos antes abandonados, trazem mais verde e lugares de convívio para as cidades. O microparque naturalizado Seu Zequinha, implementado em Fortaleza (CE), por exemplo, recuperou uma grande área antes degradada. A estratégia foi elaborada dentro da rede Urban 95, da Fundação Bernard Van Leer no Brasil, em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis, e teve o apoio técnico do Jardins das Brincadeiras e do programa Criança e Natureza, do Instituto Alana. Os parques naturalizados podem ser realizados em um sistema híbrido de compromisso entre a comunidade e a gestão pública, com o apoio das secretarias de urbanismo e meio ambiente dos municípios. “Os parques naturalizados são sistemas vivos e em transformação, que podem e devem conter as marcas e vestígios das atividades e desejos das crianças, ao mesmo tempo em que têm seus equipamentos e paisagens cuidados e mantidos. São espaços repletos de possibilidades de interação, exploração e criação, que incentivam o brincar livre, a convivência, o vínculo entre as famílias, a cidade e seus espaços públicos, com a natureza e o prazer de estar a céu aberto, incentivando a valorização das áreas verdes, a saúde e o bem-estar da comunidade”, avalia JP Amaral, coordenador do programa Criança e Natureza, do Instituto Alana. Sobre o Instituto Alana O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança #Envolverde

terça-feira, 27 de setembro de 2022

9 em cada 10 brasileiros são contra liberar a caça no Brasil, aponta pesquisa

Levantamento feito pelo Instituto Datafolha a pedido do WWF-Brasil mostra ainda que eleitores reprovam candidatos que apoiam a caça A cada dez brasileiros, nove não aprovam a ideia de autorizar a caça no país. A informação faz parte de um levantamento do Instituto Datafolha feito a pedido do WWF-Brasil. Para a pesquisa, foram entrevistadas em todas as cinco regiões do país 2.088 pessoas, a partir dos 16 anos, que responderam duas perguntas: “Você concorda com a ideia de autorizar a caça de animais no Brasil?” e “Votaria em quem apoia a caça no Brasil?”. Do total de pessoas pesquisadas, 90% discordam da ideia de autorizar a caça, 9% concordaram e 1% não soube responder. A rejeição é maior entre as mulheres (92%) e residentes nas regiões metropolitanas, com 93%. A opinião feminina é também majoritária quando o tema é a possibilidade de votar em candidatos que apoiam a caça, com 91% afirmando que não votariam em quem defende essa pauta, frente a 88% da população geral. A rejeição é mais forte entre as mulheres e moradores das regiões metropolitanas, ambos com 91%. Apenas 10% dos entrevistados votariam em candidatos que apoiam a autorização da caça no país e 3% não soube responder. Os dados demonstram uma sensibilização forte, contrária à autorização da caça em dois grupos específicos: mulheres e residentes nas regiões metropolitanas. Uma possível razão para isso é o aumento da violência em decorrência de mais armas em circulação nesses centros. “Todos sofremos com a grande circulação de armas. Mães perdem seus filhos em brigas de trânsito, vizinhos se matam entre si por bobagens, apenas porque um teve acesso facilitado a uma arma de fogo”, afirma Raul do Valle, coordenador de Incidência política do WWF-Brasil. “Estamos vendo, chocados, um aumento nos casos em que pais de família matam esposa, filhos, parentes e depois se matam. O aumento na circulação de armas em nossa sociedade é uma tragédia e só tende a piorar se as coisas não mudarem”. Apesar de a caça ser liberada apenas para espécies como o javali, que é considerado um invasor, a quantidade de CACs (colecionadores, atiradores e caçadores) aumentou exponencialmente no Brasil nos últimos anos. Desde 2018, o número de armas para essa categoria pulou de 350,6 mil para 1.006.725 neste ano. Os dados são do Exército e foram obtidos pela Lei de Acesso à Informação, por meio dos Institutos Igarapé e Sou da Paz. A região amazônica, notadamente conhecida pelos conflitos fundiários, foi uma das que registrou maior aumento na quantidade de armas em circulação, com 700% desde 2018. A liberação da caça esportiva no país faria aumentar ainda mais as hipóteses para aquisição de armas com amparo legal, dado que atualmente são poucas as hipóteses de caça legal (subsistência e controle de pragas). Isso aumentará também as chances de que armas compradas legalmente venham a cair nas mãos do crime organizado, aumentando a periculosidade desses grupos, algo que já vem sendo noticiado. “Recentemente, apreenderam armas compradas por um CAC nas mãos de uma quadrilha de roubo a carros fortes. Estamos falando de um problema grave de segurança, não apenas ambiental: mais armas em circulação significa mais violência comum e do próprio crime organizado, que já é imensa” avalia Raul do Valle. Impacto para os animais Outro aspecto sério envolve crueldade com animais em extinção e o uso de cães para a caça. “Muitos caçadores deixam os cães vários dias sem alimentação suficiente e os estimulam a ser mais agressivos. Por isso, caçam a presa impiedosamente”, explica Gabriela Moreira, coordenadora do Projeto Pró-Espécies no WWF-Brasil. “Sem falar que caçadores inexperientes podem colocar em risco nossa fauna, atingindo animais que estão sob o risco de extinção ou fêmeas com seus filhotes. Quem vai se responsabilizar por esse risco”, pergunta. A opinião dos brasileiros vai contra a atuação do Congresso, onde existem projetos de lei como o PL 5544/2020, que dispõe sobre a autorização para a caça esportiva de animais no território nacional. O projeto aguarda a criação de uma comissão especial designada pela Mesa Diretora do Congresso Nacional. A pressão da sociedade segue intensa para coibir sua aprovação. Entre as espécies ameaçadas que costumam ser alvo de caçadores estão a arara-azul, o tatu-bola, o mico-leão-dourado e o boto-cor-de-rosa. Sobre a pesquisa A pesquisa ouviu 2088 brasileiros com 16 anos ou mais de todos os estratos socioeconômicos de 5 a 8 de julho de 2022, margem de erro máxima de 2 pontos percentuais, uma amostragem que espelha a demografia do país segundo os mais recentes dados disponíveis do IBGE. Sobre o WWF-Brasil O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 26 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Conheça a ONG. #Envolverde

Cupins e o aumento das temperaturas globais

Por Jornal da Unicamp – Estudo publicado na Science e que contou com a participação de pesquisadores da Unicamp relaciona ação de insetos com mudanças climáticas Um estudo internacional que acaba de ser publicado na capa da revista Science revelou que cupins desempenham um papel essencial na reciclagem da madeira em ecossistemas naturais. Sem a sua existência, vários biomas no mundo teriam acumulado uma grande pilha de matéria orgânica morta. Esses insetos são os responsáveis pela decomposição da madeira, especialmente em locais quentes e com pouca umidade, em que microrganismos, principais decompositores, são pouco abundantes em épocas da seca. A pesquisa, liderada pela bióloga Amy Zanne, da Universidade de Miami, é resultado de uma colaboração entre cem pesquisadores de diversas instituições ao redor do mundo. Durante a investigação, os participantes aplicaram o mesmo método experimental em 130 locais distribuídos nos seis continentes, buscando estudar o comportamento de cupins em variadas condições de temperatura e umidade. Na Unicamp, ela contou com a participação do ex-aluno André Mouro D’Angioli, que contribuiu com o artigo como parte de seu doutorado em Ecologia, defendido no Instituto de Biologia (IB) sob a orientação do docente Rafael Oliveira. Foto de uma mulher que aparece da cintura para cima. Ela é branca, tem o cabelo branco e curto e está usando uma blusa vermelha. Ela está sorrindo.A bióloga Amy Zanne, pesquisadora da Universidade de Miami e professora-visitante no Instituto de Biologia (Foto: Evan Garcia, Universidade de Miami) De acordo com D’Angioli, a intenção dessa parceria internacional foi verificar em quais regiões do planeta e em que condições climáticas havia uma maior influência de cupins – em comparação com bactérias e fungos – na decomposição da madeira morta, e como esses bichos são afetados por alterações na temperatura e precipitação. “Esse é um dado relevante, porque a madeira é um importante componente de estocagem de carbono. Então, quanto mais rápido ela decompõe, mais rápido perdemos o carbono que está armazenado na matéria orgânica e mais rápido ele é enviado como gás carbônico para a atmosfera”, esclarece. Os resultados apontam que, caso as previsões sobre mudanças climáticas se confirmem, as áreas onde o clima é mais quente e seco – como as formações campestres e savânicas do Cerrado – irão se expandir. Como consequência, os ambientes em que cupins são importantes decompositores se ampliarão, gerando um cenário de retroalimentação em que o aumento da emissão de gás carbônico causará a elevação das temperaturas globais. Estas, por sua vez, ampliarão o espaço de atuação dos cupins, que liberarão mais gás carbônico conforme decompõem o material orgânico morto. “Em termos práticos, estamos entendendo como funciona o sistema terrestre e a interface entre um componente biótico, que são os cupins, a vegetação e um componente abiótico, que é o clima”, explica Oliveira. “A gente precisa entender como esses elementos ciclam na Terra, especialmente o carbono, porque assim poderemos predizer o que acontecerá com diferentes ecossistemas, caso o clima se torne mais quente e mais seco”, complementa. Composição com duas fotos. Na imagem à esquerda há um homem de pé em um campo aberto. Ele é branco, usa chapéu, camisa xadrez, mochila e está sorrindo. Na imagem à direita há um homem abaixado em uma área de floresta. Ele é branco, tem o cabelo curto, barba rala, está usando calça escura e camiseta branca e está sorrindo. André Mouro D’Angioli (à direita) que contribuiu com a pesquisa sobre os cupins como parte de seu doutorado em Ecologia, defendido no IB sob a orientação do docente Rafael Oliveira (à esquerda) (Fotos: acervo pessoal dos pesquisadores) Diferencial O grande diferencial da pesquisa foi a possibilidade de investigar a atuação dos cupins em uma ampla variedade de regiões, com diferentes níveis de temperatura e umidade, garantindo, assim, resultados mais robustos. Como existe uma extensa distribuição biogeográfica de espécies de cupim em todo o mundo, focar o estudo em apenas um ambiente traria resultados bem menos eficientes sobre a atuação deles na decomposição de materiais orgânicos como a madeira. Essa cooperação em larga escala, revela a bióloga Amy Zanne, permitiu obter mais evidências sobre como o carbono circula através do planeta. “Além disso, como nosso protocolo era simples e de fácil aplicação, puderam se juntar ao projeto desde alunos de pós-graduação até professores seniores. Isso nos permitiu ter uma rede de pessoas e aprender muito uns com os outros”. O modelo de experimento conduzido pelos cem colaboradores consistiu em inserir blocos de madeira de um tipo de pinus nos seus respectivos ecossistemas. Uma parcela dos blocos foi envolvida com uma rede de proteção para evitar que os cupins os comessem, enquanto outra parte ficou livre para a atuação desses insetos (as malhas foram perfuradas na área que ficou em contato com o solo, permitindo a entrada de cupins por tuneis subterrâneos, mas evitando a entrada de outros insetos). Dessa forma, foi possível comparar a a decomposição realizada pelos cupins daquela feita por microrganismos como bactérias e fungos, verificando quem possuía uma atuação mais relevante. Composição com duas fotos. Na imagem à esquerda aparecem redes em formato retangular distribuídas em um campo aberto. Na imagem à direita há uma jovem abaixada atrás de um cupinzeiro.Método simples e barato para coletar dados permitiu realizar experimentos em ecossistemas de vários países (Fotos: Jamie Cleverly e Rebecca Clemen) “Eu considero este trabalho um modelo de planejamento, porque é muito simples, não envolve tecnologia, somente uma boa ideia e um desenho experimental padronizado e elaborado”, argumenta Oliveira. Para ele, este é um exemplo do caráter plural que a ciência deve ter, especialmente na ecologia. “Boa parte dos estudos ditos globais têm uma super-representação do hemisfério norte – Estados Unidos e Europa. Com este artigo, pudemos ter uma amostragem de diferentes biomas no mundo, de forma mais equitativa”, explica. Nos experimentos conduzidos por D’Angioli, por exemplo, os blocos de madeira foram inseridos em oito áreas formadas por campo, savana e floresta, localizados em três regiões específicas do Brasil: a Serra da Canastra, em Minas Gerais, uma estação ecológica em Brasília e no município de Itirapina, no Estado de São Paulo. Após os preparativos e a instalação das armadilhas, em 2016, houve dois anos de trabalho de campo e mais um ano para processar as amostras e obter os dados para escrever a tese, que focava na análise dos ciclos biogeoquímicos de elementos do cerrado. Atualmente, Zanne e Oliveira estão dando sequência ao estudo sobre cupins com novas investigações sobre a sua importância para ecossistemas brasileiros. Por esse motivo, a pesquisadora veio à Unicamp como professora-visitante para desenvolver pesquisas na Chapada dos Veadeiros. “O papel de regiões tropicais e savanas na estocagem e liberação de carbono ainda é muito pouco estudado. Como a Chapada possui esses ecossistemas, além de uma diversidade de cupins que determina a ciclagem de carbono a partir de diversos materiais, fez sentido para mim que essa nova etapa da pesquisa fosse realizada aqui”, finaliza a pesquisadora. #Envolverde

Enfrentando invasões e omissão do governo, povo Karipuna leva “pedido de socorro” a países e órgãos internacionais

Por Cimi – Durante esta semana, uma delegação de 13 indígenas da Terra Indígena Karipuna participou de audiências e reuniões com diversas embaixadas denunciando o aumento das invasões à sua terra “Viemos aqui pedir ajuda, socorro. Pedimos que vocês nos ajudem a cobrar o Estado brasileiro para que ele faça valer a Lei maior do país e proteja nosso território”. Este foi o apelo que o cacique André Karipuna e outras lideranças da Terra Indígena (TI) Karipuna, em Rondônia, levaram a embaixadas e representantes de 21 países entre os dias 19 e 23 de setembro. Durante esta semana, uma delegação de 13 indígenas da TI Karipuna presente em Brasília (DF) participou de audiências e reuniões com diversas embaixadas e com a Delegação da União Europeia no Brasil, levando seu relato sobre a situação no território Karipuna e seu pedido de apoio. Os indígenas também se reuniram com a Sexta Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), com parlamentares das Comissões de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia (Cindra) e de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados e com representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil. Mais uma vez, o povo Karipuna também levou suas reivindicações à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e à Fundação Nacional do Índio (Funai), onde as lideranças foram recebidas. A desesperança com a atuação dos órgãos públicos ligados ao poder Executivo, entretanto, motivou também os pedidos de apoio internacional. “Pedimos apoio para cobrar que o Estado brasileiro cumpra sua função de proteger e fiscalizar nosso território. Já percorremos o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, e nada é feito. Faz sete anos que estamos lutando contra as invasões em nossa terra e elas só aumentam. Estamos sendo ameaçados, pressionados por grileiros e fazendeiros”, denunciou o cacique André Karipuna. Há pelo menos sete anos o povo Karipuna denuncia a grave situação de seu território. Em 2017, as invasões se intensificaram e os indígenas identificaram a ocorrência de loteamentos ilegais no interior da terra indígena – ou seja, o desmatamento e a divisão de grandes partes de sua terra em “lotes”, vendidos ilegalmente a pretensos proprietários. Naquele ano, a situação dos Karipuna foi classificada pelo MPF como de “iminente genocídio”. Isso porque o povo, quase dizimado após um desastroso contato conduzido pela Funai na década de 1970, chegou a ficar reduzido a apenas oito pessoas. Atualmente, são 61 pessoas – um povo “em fase de crescimento”, como define André Karipuna – o que faz desta uma população especialmente vulnerável. Apesar de terem obtido na Justiça Federal decisões judiciais que determinam a proteção de sua terra, na prática, o Estado tem falhado em proteger de forma sistemática o território. As operações pontuais de fiscalização são insuficientes para garantir a segurança do povo Karipuna. Nesta terra, como tem ocorrido em quase todo o território nacional, a política de desmonte dos mecanismos de proteção e fiscalização ambiental levada a cabo pelo governo Bolsonaro têm resultado no aumento das invasões e no avanço do desmatamento. “Estamos muito preocupados com o que está acontecendo agora no nosso território”, afirmou Katika, anciã Karipuna e uma das oito sobreviventes da experiência traumática de contato que quase exterminou seu povo. “Estamos cercados por madeireiros, fazendeiros, grileiros e pescadores. A Funai, que deveria nos proteger, não protege”. “Me preocupo não apenas com minha vida, mas com todo o meu povo”, explicou a anciã, repetidas vezes, ao longo da semana. Apesar da idade avançada, da dificuldade de locomoção e da barreira da língua, Katika fez questão de explicar, didaticamente, os motivos de sua aflição. Com a ajuda de seus filhos André e Andressa, garantiu que sua mensagem fosse traduzida e repassada a embaixadores, secretários e representantes de países e instituições. “Os invasores não querem só a nossa madeira, eles querem roubar a nossa terra. Enquanto eu estiver aqui, vou lutar, e depois que eu não estiver mais, a luta Karipuna continua”, repetiu, pacientemente, a diferentes interlocutores. Sua mensagem foi reforçada por seu irmão Aripã, também ancião Karipuna e também sobrevivente do contato. “Estamos no meio de muitos invasores. Nos preocupamos também com nossos netos. O que eles vão comer, como vão viver?”, questionou Aripã. “Estão derrubando nossa mata, os peixes estão sumindo, os animais estão morrendo. Pedimos que nos ajudem a cobrar o governo brasileiro a combater as invasões na nossa terra”. A TI Karipuna possui 153 mil hectares demarcados, homologados e registrados como patrimônio da União ainda na década de 1990. A gravidade da situação no território motivou a viagem inédita de uma delegação de 13 pessoas de diferentes gerações Karipuna à capital federal, com crianças, adultos e anciões. Isolados O povo também expressou sua preocupação com a situação dos indígenas em situação de isolamento voluntário que vivem em seu território – e que estão ainda mais vulneráveis à ação de invasores. Há registros de dois grupos de indígenas isolados no interior da TI Karipuna – nenhum deles reconhecido pela Funai. “Estamos sofrendo muito com as invasões de fazendeiros, grileiros, pescadores”, afirma Andressa Karipuna. “Não podemos nem sequer circular e buscar alimentos em nosso território. E se para nós já está assim, imaginamos como estão nossos parentes que vivem em isolamento em nossa terra”. “A Funai não reconhece, mas a gente já viu eles. Já vimos vestígios, como armadilhas para caça e tapiris, e também já vimos eles. Então, é certo que estão lá. Já enviamos vários documentos relatando isso à Funai, mas eles dizem que não têm informação”, relata Andressa. Os dois grupos de indígenas em isolamento voluntário fazem parte dos 117 registros de povos isolados contabilizados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no país, conforme dados do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil de 2021. Semana de lutas Durante a semana, o povo Karipuna realizou encontros individuais com embaixadores e representantes das embaixadas de países como Suíça, Chile, Espanha, Alemanha, Nova Zelândia, Bolívia e Austrália. Além disso, a delegação participou de uma reunião com a Delegação da União Europeia no Brasil, que contou com a presença de representantes de 16 Estados-membro. O Cimi, o Greenpeace Brasil e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apoiaram e acompanharam as atividades e denúncias do povo Karipuna em Brasília. Enquanto a delegação Karipuna percorria embaixadas e órgãos públicos, na Europa, Adriano Karipuna também fazia uma semana de denúncias internacionais, buscando angariar apoio e dar visibilidade à luta de seu povo. Também participaram da mobilização em Brasília indígenas dos povos Piripkura, Kasharari e Uru-Eu-Wau-Wau, que vivem com os Karipuna na aldeia Panorama, no interior da TI. “A situação é gravíssima. Todos na aldeia Karipuna sabem o que é passar noites e noites em claro, preocupados. Neste último ano, os invasores avançaram até muito perto da aldeia, e o povo está cada vez mais ilhado. Recentemente, o povo encontrou picadas – marcações feitas no meio da floresta – dos invasores demarcando lotes para ocupação ilegal a cerca de um quilômetro das casas Karipuna. É muito perto”, explica Laura Vicuña Manso, missionária do Cimi Regional Rondônia. “Hoje, a TI Karipuna está cercada por 300 mil cabeças de gado, que pressionam a terra indígena. Mais de 11 mil hectares já foram desmatados no interior do território, e boa parte dessas áreas já tem pastagens”, contextualiza o porta-voz da Campanha Amazônia do Greenpeace, Danicley de Aguiar. Os indígenas pediram aos países da União Europeia, especialmente, que garantam salvaguardas de proteção aos territórios indígenas como critério para qualquer acordo comercial firmado com o Brasil. “Até chegarem na mesa das pessoas de fora, os produtos que estão sendo extraídos ilegalmente no Brasil já mataram muitos indígenas. Estão saindo do país coisas ilegais como se fossem legais”, resumiu André Karipuna. “Nós, povos indígenas, é que defendemos a Amazônia. Só tem vida nas florestas através de nós”. #Envolverde

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

EcoDEBATE - Boletim de 14.9.2022

Boletim de atualização da revista eletrônica EcoDebate Edição de 14/setembro/2022 Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Passado e futuro no bicentenário da Independência do Brasil A degradação do meio ambiente foi o lado mais negativo do legado dos 200 anos da Independência www.ecodebate.com.br Transição rápida para energia limpa é mais barata do que uma transição lenta Alcançar um sistema de energia líquida zero carbono por volta de 2050 é possível e lucrativo www.ecodebate.com.br Fast transition to clean energy is cheaper than slow or no transition at all Achieving a net zero carbon energy system by 2050 is possible and profitable www.ecodebate.com.br A ciência mais recente relacionada às mudanças climáticas Relatório se concentra em gases de efeito estufa, temperaturas globais, previsões climáticas e pontos de inflexão, mudanças climáticas urbanas, impactos climáticos extremos e alertas precoces www.ecodebate.com.br Overview of the latest science related to climate change Report focuses on greenhouse gases, global temperatures, climate predictions and tipping points, urban climate change, extreme weather impacts and early warnings www.ecodebate.com.br Soja ocupa 10% do Cerrado O Cerrado já perdeu quase metade de sua vegetação nativa e, com isso, está ficando mais quente e seco www.ecodebate.com.br Mudanças climáticas e impactos aceleram Aumento das temperaturas globais está alimentando condições climáticas extremas devastadoras em todo o mundo, com impactos crescentes nas economias e sociedades www.ecodebate.com.br Mudança climática já afeta produção agrícola em 28% do Centro-Oeste Número pode chegar a 50% na próxima década e a 70% em trinta anos; pesquisa comprova queda de produtividade e levanta discussão sobre o limite climático da agricultura no Brasil www.ecodebate.com.br