quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Tendências negligenciadas na precipitação anual revelam riscos subestimados em todo o mundo

Uma reanálise das tendências anuais mundiais de precipitação demonstra que o risco para os sistemas humanos e ambientais tem sido subestimado.

Como resultado, pesquisadores encontraram que mais de 38% da população global e mais de 44% da área terrestre experimentaram tendências de precipitação negligenciadas.
University of Maine*

chuva
Chuva. Foto: EBC

Abordagens de análise de tendências convencionais examinam mudanças na precipitação média anual ao longo do tempo, e erroneamente assumem que mudanças na alta e baixa precipitação seguem o mesmo caminho, de acordo com Anne Lausier, doutoranda em engenharia civil e ambiental da UMaine e bolsista de pesquisa de pós-graduação da National Science Foundation. Shaleen Jain, professor associado de engenharia civil e ambiental.
O registo histórico da precipitação anual é resumido pela função de distribuição de probabilidade (PDF), onde a frequência com que a precipitação ocorre dentro de um determinado intervalo ocorre e a probabilidade de excedência (não-excedência) acima (abaixo) de um dado limite pode ser facilmente estimada .
Em seu artigo, “Overlooked Trends in Observed Global Annual Precipitation Reveal Underestimated Risks”, publicado na revista Scientific Reports, Lausier e Jain apresentam uma tipologia de tendência inovadora usando regressão quantílica e oferecem uma análise abrangente das tendências negligenciadas em todo o mundo.
Sua tipologia de tendência, em vez de se concentrar apenas nas tendências de média e mediana, estende as análises para as caudas superior e inferior do PDF para avaliar a influência combinada do risco e da variabilidade em vários limiares.
As tendências mais negligenciadas incluem um aumento do risco de condições extremas de umidade e aumento da variabilidade encontrados em partes do centro-oeste dos Estados Unidos, norte do Canadá, centro-sul da Ásia e Indonésia – regiões que abrigam quase 860 milhões de pessoas.
Por outro lado, a nova análise abrangente encontrou 840 milhões de pessoas expostas a um risco reduzido de condições de chuva, particularmente na África Austral, América do Sul e partes do norte da Ásia, indicando uma diminuição na incidência de totais anuais elevados.
Estima-se que 630 milhões de pessoas são afetadas por um risco aumentado de condições de seca em partes do sul da Europa, oeste dos EUA, sul do Canadá e norte da África.
Mais de 40% das áreas agrícolas de sequeiro do mundo estão expostas a tendências negligenciadas, incluindo partes da África meridional e ocidental e do centro-oeste dos EUA.
“A adaptação humana à mudança climática requer a compreensão da probabilidade de sofrer impactos prejudiciais”, escrevem Lausier e Jain. “Miscaracterização de riscos para sistemas humanos e ambientais pode subestimar a urgência da adaptação climática ou levar a estratégias inadequadas. Nossos resultados mostram que a população significativa e as áreas de terra na escala global correspondem às mudanças no risco e na variabilidade da precipitação, e são descaracterizadas pelas abordagens convencionais. ”
“Estimativas de risco não confiáveis ou errôneas são uma preocupação especial para contextos e comunidades mais vulneráveis”, dizem os pesquisadores. “Nossos resultados ressaltam como as tendências negligenciadas em termos de extensão espacial, regionalidade e severidade têm implicações para uma série de sistemas humanos e ambientais. A aplicação de nossa abordagem em futuros estudos climáticos permitirá a avaliação de riscos em metas de adaptação mais adequadas ”.
Referência:
Overlooked Trends in Observed Global Annual Precipitation Reveal Underestimated Risks
Anne M. Lausier & Shaleen Jain
Scientific Reportsvolume 8, Article number: 16746 (2018)
https://doi.org/10.1038/s41598-018-34993-5

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/11/2018
"Tendências negligenciadas na precipitação anual revelam riscos subestimados em todo o mundo," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/11/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/11/14/tendencias-negligenciadas-na-precipitacao-anual-revelam-riscos-subestimados-em-todo-o-mundo/.


EcoDebate - Edição 3.093 de 14 / novembro / 2018


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Menos desperdício, mais conscientização

Por Marta Moraes (Ascom/MMA) – 
Com este lema, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) promoveu, nesse sábado (10/11), na Ceasa-DF, atividades para combater o desperdício de alimentos.
Brasília – A cada mês, a Central de Abastecimento (Ceasa) da capital federal joga fora 200 toneladas de alimentos considerados sem valor de mercado. No entanto, segundo o órgão, metade disso ainda poderia ser consumido. Para falar deste assunto de forma mais prática, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) realizou na Ceasa-DF, nesse sábado (10/11), o encerramento da Semana de Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos, promovida pelo MMA de 5 a 10 de novembro, em Brasília.
O Chef Fábio Marques ensina como aproveitar integralmente os alimentos
A programação contou com quatro tendas e incluiu oferta gratuita de oficinas de combate ao desperdício e demonstrações de receitas, com dicas sobre como tirar o melhor aproveitamento dos alimentos, evitando o descarte daquilo que ainda pode ser consumido. Houve ainda apresentação sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) e seu valor nutricional.
Durante o evento, os chefs de cozinha Fernando Souza e Fábio Marques, do projeto “Desafio da Xêpa – Do Lixo ao Luxo”, e técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) mostraram ao público como fazer receitas usando integralmente os alimentos. Os legumes e as verduras utilizadas foram doados pela Associação dos Produtores e varejistas da Ceasa-DF (Aprova).
Estima-se que quase 30% de todos os alimentos do mundo acabam no lixo. Vinte e cinco milhões só no Brasil anualmente. Os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre o desperdício no país são de 2013. Arroz, feijão, milho, tomate e cebola lideram o ranking do desperdício.
PLANEJAMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO
Segundo a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Rejane Pieratti, a perda acontece na produção, no transporte e na distribuição nos supermercados e mercearias. Já o desperdício acontece na casa das pessoas. “Arroz, carne vermelha, feijão e frango são os alimentos mais jogados fora. O planejamento na nossa casa é fundamental para se evitar o desperdício. A maioria das pessoas vai ao supermercado e compra itens que não vai usar, que acabam estragando na geladeira”, afirmou.
Magali Soares, de 79 anos, feirante há oito anos, ficou encantada com o evento. “A gente tem sempre de aprender e se cuidar. Evitando o desperdício, cuidamos melhor do mundo e das pessoas, pois muitas passam fome. É só ter um olhar novo para os alimentos”, disse.
O projeto “Desafio da Xêpa – Do Lixo ao Luxo”, dos chefs de cozinha Fernando Souza e Fábio Marques, nasceu das visitas que faziam à Ceasa para comprar alimentos. “Sempre que viemos aqui na Central, percebemos que muitos alimentos são jogados fora. Foi daí que surgiu a ideia de ajudarmos a promover a conscientização que todos nós precisamos ter: chefs e consumidores. Não é possível jogar tanto alimento no lixo, pois muitas pessoas passam fome. Resolvemos unir a nossa profissão e o combate ao desperdício”, afirmou Fábio.
A Emater-DF participou do evento com a elaboração de dois pratos: uma farofa com sementes e casca da abóbora e folhas e talos de cenoura, e um curau com a polpa da abóbora. Durante o evento, a extensionista rural Ana Paula Rosado explicou que dá para aproveitar quase tudo. “Na maioria dos alimentos podemos utilizar a casca, as folhas, as sementes. Coisas que vão direto para o lixo, muitas vezes têm mais nutriente do que aquilo que consumimos. A casca da abóbora, por exemplo, é rica em fibras e vitamina A. Já as folhas da cenoura são ricas em fibras e vitamina C”, alertou. Fábio Pinheiro, técnico da Emater-DF, acrescentou que o que desperdiçamos poderia ajudar a reduzir a fome no mundo, pois daria para alimentar milhões de pessoas.
O VALOR DAS PANCS
Alice Worcmam, da ONG Organicidade, trouxe para o encerramento da Semana várias Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) coletadas nos jardins da Torre de TV, que nasceram de forma espontânea. “Folhas de bougainville podem ser usadas como corante natural em um risoto por exemplo. Desde 2006, as Pancs estão ganhando espaço e deixaram de ser vista como mato. Apesar de pouco conhecidas, elas trazem muitos benefícios. Há uma grande biodiversidade: são condimentos, legumes e hortaliças que se adaptam melhor até mesmo do que as plantas convencionais, além de serem uma fonte maior de proteína”, afirmou.
Alice é fundadora do grupo Organicidade, que há quatro anos se aliou à Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, na busca pela educação, pesquisa, produção e projetos relacionados às plantinhas comestíveis não convencionais.
A feirante Lucia Maria Silva, de 31 anos, que vende legumes e verduras há sete anos na Ceasa-DF, também aprovou a iniciativa. “Vou levar para casa a lição de aproveitamento integral dos alimentos. Vejo muito desperdício aqui na feira. As receitas estão aprovadas e, além de tudo, são mais saudáveis”, disse.
Orientações sobre planejamento de compras, reaproveitamento de toda a sacola da feira e de todas as partes do alimento, conservação e durabilidade, entre outras informações, estão disponíveis no hotsite  da Semana Nacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos 2018.
(#Envolverde)

Carbono como moeda

Por Iniciativa Empresarial em Clima(IEC), para NEO MONDO –
Como a precificação de carbono já está sendo utilizada por negócios e governos para estimular a inovação, decidir investimentos e fortalecer a competitividade na nova economia do clima
Os efeitos das mudanças climáticas são cada vez mais sentidos nas diferentes esferas da vida e em todo o globo. O aumento das temperaturas causado pelas atividades humanas tem desequilibrado ecossistemas, levando espécies à extinção e multiplicando ameaças para saúde, segurança energética, alimentar e hídrica a ponto de ser classificado no topo da lista de riscos globais do Fórum Econômico Mundial. Ao mesmo tempo que o sistema econômico é parte desse problema – uma vez que o preço que pagamos por produtos e serviços não reflete os impactos socioambientais causados ao longo de seus ciclos de vida – já começa a ser parte da solução à medida que sinais de preço para as emissões de gases de efeito estufa começam a ser adotados em diferentes países.
Assista ao vídeo sobre precificação de carbono para saber mais
Conhecida como precificação de carbono, essa proposta consiste em atribuir um custo aos impactos gerados pelo aumento de gases de efeito estufa na atmosfera, causado pela queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra para a produção dos insumos, manufatura, distribuição e consumo dos produtos e serviços que consumimos.
A precificação de carbono já é uma realidade em 42 países e 25 governos subnacionais com sistemas de comércio de emissões e/ou tributação de carbono implantados ou adotados oficialmente com data para iniciar operação[1]. Essas 67 jurisdições representavam em novembro de 2017 quase metade da economia global, e suas iniciativas de precificação cobrem 15% das emissões globais de GEE, ou 8 bilhões de tCO2e. Com a oficialização em dezembro de 2017 do sistema nacional de comércio de emissões (cap and trade) na China – cuja operação deve começar até o fim de 2018 –, as iniciativas de precificação ampliarão sua cobertura para 20% a 25% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Que negócio é esse?
A precificação do carbono pode ser mandatória ou voluntária. Na versão mandatória, os principais instrumentos utilizados atualmente são a tributação, o sistema de comércio de emissões (cap and trade) ou uma combinação entre os dois anteriores. Seguindo o princípio de poluidor-pagador, ambos mecanismos permitem a internalização dos custos gerados pelas emissões de carbono, ou seja, as empresas passam a incorporar esses custos externos (involuntários) às suas decisões de negócios.
Seja qual for o instrumento adotado, a política de precificação estipula o limite total de emissões para um determinado período, geralmente definido em relação a uma linha de base (baseline). Na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil ao Acordo de Paris, por exemplo, há uma meta de corte de 37% nas emissões de GEE entre 2005 (linha de base) e 2025. O documento brasileiro também incluiu uma meta indicativa de redução de 43% nas emissões até 2030 também ante 2005 e considera utilizar mecanismos de mercado para acelerar a redução das emissões. O governo brasileiro participa desde 2011 do projeto PMR – Parceria para Preparação do Mercado -, uma iniciativa administrada pelo Banco Mundial para apoiar a preparação de políticas de mercado de carbono em diversos países em desenvolvimento. É prevista para os próximos cinco anos a cobrança de um imposto sobre emissões ou a instauração de um mercado de carbono.
Assista ao vídeo sobre precificação de carbono para saber mais
O Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia é pioneiro e o maior mercado de emissões do mundo. Também há mercados regulados em países como Suíça, Nova Zelândia e Coreia do Sul, e em diversos governos subnacionais, como o estado da Califórnia, as províncias de Québec e Ontário, a cidade de Tóquio e várias cidades chinesas, como Pequim, Shenzen e Xangai.
Na América Latina, já começaram a cobrar tributos sobre as emissões de carbono México (2014), Chile (2017) e Colômbia (2017). Há ainda uma aliança para fomento de um mercado de carbono das Américas – a Paris Declaration on Carbon Pricing in Americas, assinada pelos governos nacionais do Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, México e subnacionais da Califórnia, Washington, Alberta, British Columbia, Nova Scotia, Ontario e Quebec. Mais informações na factsheet sobre precificação de carbono, elaborada pelo CDP e Cebds.
No Brasil, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) vem conduzindo, desde 2013, uma simulação de Sistema de Comércio de Emissões (SCE), possibilitando às empresas brasileiras operarem em um mecanismo similar a um cap and trade. Neste sistema são utilizadas informações reais de emissões de GEE[2], porém as transações ocorrem com moeda fictícia, uma vez que o objetivo da simulação é preparar grandes empresas brasileiras para, futuramente, atuarem em um ambiente regulado.
Estímulo à inovação
Políticas de precificação de carbono bem formuladas também estimulam a inovação e novas formas de crescimento econômico, baseadas em tecnologias, processos e serviços neutros ou pouco intensivos em carbono.
Há um consenso crescente entre lideranças empresariais brasileiras de que a precificação de carbono pode incentivar investimentos, garantir a competitividade das empresas e estimular a inovação tecnológica de baixa emissão no País. A exemplo disso, 28 CEOs e CFOs de grandes empresas e organizações assinaram a carta de apoio do setor privado à precificação, elaborada pela IEC – Iniciativa Empresarial em Clima, com apoio da Carbon Pricing Leadership Coalition(CPLC), coordenada pelo Banco Mundial.
[1] World Bank. State and trends of carbon pricing 2017. Disponível em http://documents.worldbank.org/curated/en/468881509601753549/pdf/120810-WP-PUBLIC-wb-report-171027.pdf
[2] As informações de emissões de GEE utilizadas no âmbito da simulação de SCE do FGVces são as disponibilizadas pelas empresas no Registro Público de Emissões do Programa Brasileiro GHG Protocol.
Empresas e investidores estão se antecipando à adoção da precificação de carbono, onde ela ainda não é implementada, com o intuito de reduzir riscos regulatórios, alocando recursos para tecnologias de baixo carbono, em consonância com os preços futuros previstos para as emissões de GEE. Conhecida como precificação interna de carbono, esse prática emergiu no decorrer desta década como instrumento para planejamento estratégico das companhias e gestão de riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas. Tem sido, ainda, uma ferramenta importante para a empresa antecipar-se a regulações mais restritivas no futuro para as emissões.
O relatório Putting a price on carbon: integrating climate risk into business planning, publicado pelo CDP em outubro de 2017, mostra que um grupo de 607 empresas relataram que já implementam a precificação interna do carbono. Outras 782 companhias informaram que planejam adotar o instrumento até 2019. No Brasil, segundo o estudo, 16 empresas relatam utilizar ou estarem prestes a adotar a precificação interna de carbono.
Sobre a IEC
A Iniciativa Empresarial em Clima (IEC) é uma ação coordenada por cinco organizações: Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Instituto Ethos, CDP, Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces) e Rede
Brasil do Pacto Global das Nações Unidas. Conta ainda com a parceria da Envolverde e do INSTITUTO NEO MONDO para ações em comunicação.
Seus principais objetivos são o alinhamento de agendas e atuações conjuntas das empresas para promover uma economia de baixo carbono no Brasil. Além disso, busca a construção de uma agenda propositiva ao governo a partir da articulação do grupo.
Em 2018, a IEC está trabalhando em duas frentes: Precificação de Carbono e Adaptação.
Para saber mais:
Confira os estudos produzidos pelos parceiros da IEC:
CDP e Cebds. Factsheet sobre precificação de carbono. Disponível também em vídeo.
CEBDS (2016). Precificação de carbono: o que o setor empresarial precisa saber para se posicionar. Publicado em parceria com CDP e We Mean Business.
FGVces (2017). Diretrizes Empresariais para Precificação Interna de Carbono. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas.
FGVces (2018). Gestão e Precificação de Carbono: Riscos e Oportunidades para Instituições Financeiras, encomendado pela Febraban – Federação Brasileira de Bancos ao Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas
(#Envolverde)

Brasil apresenta avanços em convenção sobre biodiversidade

Por: Waleska Barbosa/Ascom MMA – 
Começa nesta terça a 14ª Conferência das Partes (COP 14) da Convenção sobre Diversidade Biológica. Ministro Edson Duarte participa do segmento de alto nível da reunião.
Brasília – O governo brasileiro participa, entre esta terça-feira (13) e o dia 29 deste mês, em Sharm El Sheikh, no Egito, da 14ª Conferência das Partes (COP 14) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). A reunião internacional terá o objetivo central de monitorar os avanços das deliberações da CDB e estabelecer novas medidas de conservação, uso sustentável e compartilhamento justo e igualitário dos
Os países-membros da CDB vão discutir e negociar diversos itens, na programação que inclui reuniões das partes sobre os Protocolos de Nagoia (NP/MOP3) e de Cartagena (CP/MOP9). O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, participará do segmento de alto nível, nos dias 14 e 15, que terá o tema “Investindo em biodiversidade para as pessoas e o Planeta”, e o desafio para a integração de políticas de conservação da biodiversidade em setores como infraestrutura; manufatura e processamento; energia e mineração; e saúde.
Além de participar das negociações sobre temas relevantes para o país, o Brasil vai apresentar ao mundo as recentes conquistas na conservação da sua biodiversidade, incluindo a notável expansão, nos últimos dois anos, do Sistema Nacional de Áreas Protegidas. Hoje, o país tem 18% dos ecossistemas terrestres e 26% dos marinhos, em áreas de proteção.
A conservação dos recursos naturais em áreas protegidas e outras medidas efetivas de conservação (OECM) no Brasil é fundamental para promover não apenas a conservação da biodiversidade, mas também para a redução das desigualdades sociais e da pobreza. Áreas protegidas e OECM têm o potencial de conciliar conservação e desenvolvimento sustentável.
“Estima-se que o Brasil detém em torno de 20% da biodiversidade mundial conhecida, mantendo mais de 60% de seu território cobertos com vegetação nativa e, hoje, tem um mosaico de áreas protegidas cobrindo cerca de 30% de seu território”, afirma o ministro Edson Duarte.
SEGMENTO TÉCNICO
A delegação brasileira também atuará no segmento técnico, com atenção para temas de interesse do Brasil, como planejamento territorial, biodiversidade costeira e marinha, biossegurança, acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios, mecanismos de financiamento, contas econômicas ambientais, grandes áreas marinhas protegidas e espécies ameaçadas de extinção.
De acordo com Edson Duarte, o governo federal atua com políticas públicas voltadas para a manutenção da floresta em pé, buscando formas de construir um modelo de desenvolvimento que garanta qualidade de vida, desenvolvimento econômico para populações tradicionais e manutenção dos serviços ecossistêmicos da floresta, além de ações de comando e controle para combater o desmatamento ilegal.
O ministro destaca ainda que, diante da necessidade de uma estratégia financeira abrangente para a implementação das políticas ambientais, o país tem lançado instrumentos inovadores e soluções eficazes para o financiamento da biodiversidade, como as Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), a conversão de multas ambientais, a repartição de benefícios derivados do acesso a recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais a eles associados e o engajamento do setor privado por meio do desenvolvimento de ferramentas de gestão de negócios.
EVENTOS PARALELOS
No dia 19, o Brasil coordenará um evento paralelo em que apresentará as inovações e os resultados alcançados com a experiência do país em Acesso e Repartição de Benefícios (ABS, na sigla em inglês), com o objetivo de disseminar as lições aprendidas com o modelo brasileiro e oferecer cooperação técnica aos países que ainda não possuem políticas nessa área em suas leis domésticas.
O Brasil foi um dos pioneiros no estabelecimento de regulamentações sobre o acesso aos recursos genéticos e o conhecimento tradicional associado, bem como à partilha justa e equitativa dos benefícios, em um processo que resultou na aprovação da Lei nº 13.123, de 2015, que fornece o marco jurídico para o acesso e a partilha de benefícios no Brasil.
A COP 14
A Conferência das Partes (COP) é o principal órgão da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD, na sigla em inglês) das Nações Unidas. A cada dois anos, os países signatários reúnem-se para firmar pactos e analisar o andamento das metas estabelecidas anteriormente.
A COP estabeleceu sete programas temáticos de trabalho (zona costeira e marinha; águas continentais; agricultura; áreas secas e semi-áridas; florestas; montanhas e ilhas), que correspondem a alguns dos principais biomas do Planeta. Para cada temática, são associados visão e princípios básicos para orientar o trabalho futuro.
CDB
Adotada no Brasil em 1992, durante a Rio-92, e em vigor desde 29 de dezembro de 1993, a CDB tem como objetivo estabelecer as normas e princípios que devem reger o uso e a proteção da diversidade biológica em cada país signatário. A partir dela, são criadas as regras para assegurar a conservação da biodiversidade, o seu uso sustentável e a justa repartição dos benefícios provenientes do uso econômico dos recursos genéticos, respeitada a soberania de cada nação sobre o patrimônio existente em seu território. A CDB já foi assinada por 194 países e ratificada por 168.
OS PROTOCOLOS
O Protocolo de Cartagena e o Protocolo de Nagoia são acordos internacionais suplementares à CDB. O Protocolo de Cartagena visa assegurar um nível adequado de proteção no campo da transferência, da manipulação e do uso seguros dos organismos geneticamente modificados (OGMs) resultantes da biotecnologia moderna que possam ter efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica, levando em conta os riscos para a saúde humana, decorrentes do movimento transfronteiriço. O Protocolo entrou em vigor em 11 de setembro de 2003, mesmo ano em que o Brasil ratificou o documento.
O Protocolo de Nagoia tem por objetivo viabilizar a realização do terceiro objetivo da CDB: a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais a eles associados. Entrou em vigor em 2014. O Brasil assinou o Protocolo em 2011, mas o Congresso Nacional ainda não ratificou o documento, o que limita a participação brasileira nas discussões relativas ao Protocolo, onde participa apenas como ouvinte, e que ocorrem em paralelo às negociações da CDB. Apesar disso, o Brasil participará ativamente das discussões sobre ABS realizadas no âmbito da COP14.
(#Envolverde)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Cientistas identificam o mecanismo de desaceleração do aquecimento global no início dos anos 2000

O aquecimento global nunca parou nos últimos cem anos

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*
O aquecimento global tem sido atribuído ao aumento persistente dos gases de efeito estufa atmosféricos (GEEs), especialmente em CO 2 , desde 1870, o início da Revolução Industrial. No entanto, a tendência ascendente na temperatura média global da superfície (GMST) diminuiu ou até mesmo parou durante a primeira década do século XXI, embora os níveis de CO 2 continuassem a subir e atingissem quase 400 ppm em 2013.
Este episódio tem sido tipicamente denominado o hiato do aquecimento global ou desaceleração no aquecimento. O hiato é caracterizado como uma tendência quase zero ao longo de um período. Detecção descobriu que o hiato apareceu durante 2001-2013 / 2002-2012 com variabilidade interanual extremamente fraca em algumas sequências GMST, e a desaceleração nos outros.
O hiato é frequentemente atribuído à variabilidade climática interna, forçamento externo ou ambos, envolvendo um aumento de aerossóis na estratosfera durante o período de 2000-2010, a fase negativa da Oscilação Interdecadal do Pacífico (IPO) acompanhava ventos intensificados, absorção extensa de calor pelo oceano profundo ou um número extremamente baixo de manchas solares durante o último ciclo de atividade solar.
Um novo estudo do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências revela que o aquecimento global nunca parou nos últimos cem anos, com taxa máxima de mudança após a Segunda Grande Guerra Mundial e uma taxa quase constante (0,08 o C / 10a) durante a Segunda Guerra Mundial. últimas três décadas. No entanto, o principal resfriamento contra o aquecimento global vem da variabilidade interanual da temperatura que coincide com a variabilidade da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial médio-oriental. Portanto, o hiato é apenas um equilíbrio decadal entre o aquecimento global e o resfriamento resultante da temperatura anômala da superfície do mar no Pacífico equatorial.
O hiato terminou em 2014, quando um novo evento de El Niño Oscilação Sul (ENSO) foi desenvolvido na região equatorial do leste do Pacífico, causando um rápido aquecimento na Terra. Por outro lado, a oscilação climática multidecadal segue um caminho descendente com aumento no resfriamento.
“Nosso estudo sugere que as condições climáticas futuras provavelmente dependerão da competição entre o resfriamento multidecadal e o aquecimento global se o ciclo climático multidecadal se repetir, como foi experimentado durante a segunda metade do século XX”, diz o Dr. DAI Xingang, o principal autor do estudo.
Anomalias na temperatura média da superfície global (GMST)
Anomalias na temperatura média da superfície global (GMST) com referência ao período 1961-1990 e seus desvios padrão (STDEVs). ( a ) A corrida de 3 anos significa GMSTs de 1980–2016 e ( b ) os STDEVs de 13 anos em GMSTs do HadCRUT4, Cowtan & Way, NOAA-antigo, NOAA-novo, GISTEMP, ERA-Interim e NCEP- Conjuntos de dados R2. Os números foram gerados usando o Excel

Referência:
Dai Xin-Gang and Wang ping. 2018. Identifying the early 2000s hiatus associated with internal climate variability[J]. Scientific Reports, 8: 13602 (https://www.nature.com/articles/s41598-018-31862-z ).

*Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/11/2018
"Cientistas identificam o mecanismo de desaceleração do aquecimento global no início dos anos 2000," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/11/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/11/13/cientistas-identificam-o-mecanismo-de-desaceleracao-do-aquecimento-global-no-inicio-dos-anos-2000/.