terça-feira, 21 de agosto de 2018

Empresa Atos lidera primeiro projeto de agricultura urbana vertical

A Atos, empresa líder global em transformação digital, lidera a realização do primeiro projeto no mundo de Agricultura Urbana Vertical. A agricultura vertical envolve a possibilidade de cultivar quantidades significativas de alimentos em camadas ou estruturas verticais, a fim de desenvolver a agricultura perto de vilas e cidades, ou para compensar a falta de terras aráveis em um ambiente hostil.
De acordo com relatório de 2017 da Allied Market Research, a prática está em rápido crescimento e quadruplicará em orçamento nos próximos anos. Agora também o setor se beneficiará das soluções digitais de última geração fornecidas pela Atos, que combinam análise de dados, Indústria 4.0 e agricultura de precisão.
O objetivo é utilizar e aproveitar ao máximo dados brutos e oferecer serviços novos e inovadores, como a manutenção assistida. O operador usa um touchpad equipado com realidade virtual para diagnóstico e solução de problemas; manutenção preventiva, que permite sinais de alerta antecipado em caso de dano ou prejuízo nos equipamentos. Esses sinais podem acionar alarmes no caso de uma falha iminente ou ajudar os operadores a estimar o ciclo de vida restante dos componentes, a fim de antecipar interrupções e otimizar a produção; otimização e implementação de métodos de cultivo de plantas, isto é, o conjunto de condições científicas que permitem o desenvolvimento de uma planta. A análise de dados permitirá identificar esses métodos para o melhor desenvolvimento possível da plantação.
“Em última análise, o projeto Agricultura Urbana Digital não será apenas digitalizado, gerenciado e otimizado remotamente, mas também a experiência e conhecimento adquiridos permitirão a implementação de novos modelos de uso de dados para uma agricultura mais ecológica”, explica Laurence Ponsonnet, diretor da Atos na região de Rhône-Alpes-Auvergne, uma das firmemente comprometidas com o projeto. (#Envolverde)

Líder 2030 Talks – Sustentabilidade empresarial: e a lei com isso?

Por Alice Marcondes, da Envolverde, especial para o Líder 2030 Talks – 
Sozinhas ações empresariais pelo desenvolvimento sustentável são importantes. Se alinhadas a políticas públicas e traçadas de forma a potencializá-las, podem ser transformadoras.
Vigora no Brasil desde 2010 a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A robustez e grandes avanços do texto são reconhecidos por especialistas, com destaque para a responsabilidade compartilhada, que inclui na equação da logística reversa a responsabilização dos fabricantes pelos resíduos que seus produtos deixam no planeta. Deveria ser o norte de empresas ao desenvolver e lançar um produto no País. Deveria ser sigla tão citada em um evento sobre sustentabilidade empresarial quanto o usual ‘DNA’ da organização. Não foi. A PNRS não ganhou nenhuma menção ao longo do evento de lançamento do Guia sustentabilidade para RH – 10 Desafios, assinado por Ricardo Voltolini, CEO da consultoria Ideia Sustentável.
A Política não foi citada nem ao menos no relato de Marcia Bertolini, Head de Recursos Humanos da Nespresso. Ela contou aos presentes sobre os esforços da empresa em ampliar suas taxas de reciclagem das capsulas de alumínios, que hoje beira os 25% em uma média mundial. Marcia falou sobre o treinamento de novos colaboradores, que inclui um dia na central de reciclagem de capsulas que a organização mantém em Barueri, da capacitação dos multiplicadores, que são funcionários nos pontos de venda que tem a missão de sensibilizar os consumidores na devolução das capsulas para reciclem nos pontos de coleta, da entrega e coleta de capsulas realizadas com carros elétricos e bicicletas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e até do engajamento dos colaboradores em campanhas internas para que reciclem suas próprias capsulas. Mas a conexão com a legislação nacional estruturante do tema não veio.
Questionada sobre o assunto, Marcia ressaltou que a mensagem da empresa é adaptada para cada público interno e que “a empresa segue as legislações e se esforça para aumentar seus números”.
Também não foram lembradas no encontro outras legislações, como o Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), ou ainda os ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma agenda positiva válida até 2030, que os países signatários, incluindo o Brasil, devem seguir. A omissão poderia se justificar pelo recorte temático do encontro, que tinha o objetivo de contar as experiências das empresas no envolvimento do departamento de recursos humanos na disseminação da cultura da sustentabilidade nas estruturas de cada organização. Porém, não seria destes homens e mulheres que cuidam de gente dentro das empresas o papel de conectá-los às regras que envolvem segundo setor e poder público na mitigação de impactos ambientais e criação de modelos de desenvolvimentos sustentável?
Ficaram nas entrelinhas. Foi possível ver o PNMC no relato de Claudia Politanski, VP de Recursos Humanos do Itaú Unibanco. Ela falou dos esforços do banco em adaptar a relação com os colaboradores, olhando jornada, entendendo pontos altos e baixos da convivência com a empresa, aplicando códigos de vestimenta mais liberais, valorizando a diversidade e reforçando o compromisso público do banco, por meio de programas como o Bike Itaú, que coloca as bicicletas laranjas à disposição da população em grandes centros urbanos como São Paulo, impactando positivamente aspectos como a mobilidade e o clima das cidades.
Estava lá também na história da Duratex, que para provocar em seus colaboradores a sensação de pertencimento em relação às mudanças climáticas incorporou em seus treinamentos de sustentabilidade, realizados nas suas mais de 20 unidades por todo o Brasil, um momento de fotos. “São imagens que remetem a escassez, mudanças climáticas e outros temas, mas que estão mais próximas da realidade daquelas pessoas. As pessoas olham a foto e falam sobre. Então a gente faz o link com os grandes temas mundiais da sustentabilidade”, explica Luciana Alvarez, gerente de sustentabilidade corporativa da Duratex.
Ela contou sobre um caso interessante, ocorrido em 2015, em um treinamento na cidade de Queimados (RJ). “Era uma foto de enchente e era a rua onde o colaborador morava. Ele contou como foi o dia e nós falamos de mudança climática. Isso gera pensamento sistêmico. Muda a atitude da pessoa na sua casa, no seu bairro”.
E como não ver um punhado de ODSs e na história da Ambev? Renato Biava, diretor de Gente e Gestão Ambev, contou que o incentivo ao voluntariado já era uma prática antiga da organização, mas que recentemente foi revista para potencializar resultados. “Entendemos que o voluntariado causava efeito positivo na sociedade mas que não era perene. Para mudar isso lançamos o programa VOA, onde a gente compartilha nossas ferramentas de gestão com ONGs. É uma consultoria de gestão que ajuda essas organizações a ampliar resultado. Até o nosso CEO é voluntário e dá aulas. São mais de mil colaboradores causando impacto positivo exponencial em cadeia. Isso melhora engajamento do time, que fica com mais orgulho da companhia”, avalia.
Sem muito esforço, era possível relacionar cada uma dos relatos dos líderes que estiveram no palco do evento às legislações e compromissos nacionais na pauta da sustentabilidade. Talvez o link claro não venha por um senso comum (e real) de que o conhecimento sobre o tema é ainda escasso e elitizado e que, especialmente quando a mensagem vai para públicos diversos, é preciso adaptá-la.
O Guia sustentabilidade para RH – 10 Desafios pode ajudar estas organizações a transporem seus muros na construção destas mensagens, expandindo o olhar de seus colaboradores para a sustentabilidade, conectando-os de forma mais efetiva ao que já existe sobre o tema, permeando vida pessoal e profissional e cruzando portas de uma empresa a outra. Isso inclui um olhar para políticas públicas e falar abertamente sobre elas. O conteúdo da publicação é uma ótima base para este avanço. (Plataforma liderança Sustentável/#Envolverde)

Ter saúde é o melhor remédio

por Leno Silva, especial para a Envolverde – 
Qual é a lógica de comercialização de medicamentos da indústria farmacêutica em parceria com as drogarias?
Recentemente fiz uma maratona para encontrar um remédio de uso contínuo na melhor condição de preço. Percorri cinco bandeiras diferentes de farmácia até me decidir pela compra, economizando mais de 80% do valor do produto original.
Remédio é essencial porque pode salvar vidas, eliminar dores, e proporcionar bem-estar nas mais diferentes situações pelas quais passamos no decorrer da nossa trajetória neste planeta.
Tratar de doenças é um negócio rentável e muito lucrativo para quem produz e para quem vende desde um simples analgésico até medicamentos de ponta, capazes de salvar vidas. Valorizo todos os recursos investidos em pesquisas para a cura dos distintos males pelos quais passamos em nossa existência, porque ter saúde é fundamental em qualquer fase da vida.
Contudo, num mundo em que praticamente tudo é mercadoria, ser saudável está diretamente ligado a quanto cada um de nós tem condições de investir nesse serviço essencial para viver bem desde o período de gestação até o momento em que nos despedimos desse plano.
Remédio é o tipo de produto de natureza social, cujo preço e a comercialização deveriam ser acessíveis a qualquer pessoa, principalmente aqueles que são indicados para o tratamento de doenças mais comuns. No meu caso, tive tempo para pesquisar o melhor preço, visto que em São Paulo hoje existe quase que uma farmácia em cada esquina.
E compartilho a dica que funcionou para mim neste caso: pergunte direto ao balconista qual o genérico mais barato, e não deixe de indagar se existe a promoção “Leve 3 e pague 1”. Se não questionar, você levará o remédio mais caro apenas porque o que vale para o “Deus” mercado é o lucro por produto, por cliente, e por toda a sua vida. Por aqui, fico. Até a próxima. (#Envolverde)

Projeto forma professores para tratar do tema sustentabilidade em salas de aulas

Projeto EcoAtivos, que propõe reflexões a educadores sobre sustentabilidade e consumo consciente, realiza formações em São Paulo. Criar uma cultura de sustentabilidade local e incentivar a liderança socioambiental de estudantes é o objetivo do EcoAtivos, iniciativa do programa Criança e Consumo, do Instituto Alana. O projeto busca conscientizar e ampliar o conhecimento de professores, gestores e comunidade escolar para a adoção de hábitos e atitudes mais sustentáveis, e tem o objetivo de apoiar o desenvolvimento de ações com foco no consumo responsável e no protagonismo dos estudantes.
Neste mês, o EcoAtivos realiza formações presenciais em São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME). As 350 vagas, divididas em seis turmas, são voltadas para diretores e coordenadores pedagógicos de Educação Básica das escolas de ensino fundamental. Em seguida, os participantes passarão por formação online e, depois, realizam de projetos em suas escolas, com crianças e comunidade.
O EcoAtivos surge da participação, em 2015, do Criança e Consumo no edital do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), ligado ao Programa de Estilos de Vida e Educação Sustentáveis, com o propósito de fortalecer a comunidade escolar para o despertar de uma nova cultura de sustentabilidade regional, a partir de temas relacionados ao consumo sustentável, ao meio ambiente e às mudanças climáticas.
“O projeto estimula estilos de vida saudáveis e sustentáveis, incentivando crianças a se tornarem agentes de transformação. As formações pretendem impactar professores e coordenadores pedagógicos, apoiando-os com conhecimento e metodologias participativas que tragam oportunidades de disseminação dessas boas práticas”, diz Mônica Borba, coordenadora geral e pedagógica do EcoAtivos.
Para Ekaterine Karageorgiadis, coordenadora do Criança e Consumo, a problemática ambiental está relacionada a diversos fatores, inclusive o estímulo ao consumismo desde a infância. “O EcoAtivos, em parceria com as secretarias de educação estaduais e municipais que receberão o projeto, busca sensibilizar toda a comunidade escolar para o impacto e consequências do consumismo para o meio ambiente, bem como apontar soluções por meio de políticas públicas e ação comunitária”.(#Envolverde)

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Parque Natural Municipal Barão de Mauá revela restauração de mangue devastado na Baía de Guanabara

Desastre ocorreu em janeiro de 2000 após o rompimento de um duto da Petrobras que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a um terminal na Ilha D’Água

ABr
Já se passaram mais de 18 anos que as imagens de aves com o corpo coberto por óleo rodaram o mundo e chamaram a atenção para um desastre ambiental de grandes proporções na Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro. Na época, quem viu as imagens da devastação das áreas afetadas, dificilmente poderia acreditar numa recuperação. Hoje, porém, surpreende a densidade da vegetação no manguezal na Praia de Mauá, no município de Magé (RJ), local apontado como o mais afetado no episódio. O trabalho intenso de ambientalistas tornou realidade a restauração e um parque vem sendo estruturado para promover o ecoturismo e a educação ambiental.
O desastre ocorreu em janeiro de 2000 após o rompimento de um duto da Petrobras que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a um terminal na Ilha D’Água. Foram liberados 1,3 milhão de litros de óleo cru, formando uma mancha escura que se estendeu por mais de 50 quilômetros quadrados. “Devido às correntes marítimas e ao vento, o óleo veio em direção à Praia de Mauá e, na maré alta, se espalhou por toda a área do mangue”, lembra Adeimantus da Silva, pescador na época. Hoje, ele é coordenador do trabalho de campo do Projeto Mangue Vivo, desenvolvido pelo Instituto Ondazul.
Adeimantus se tornou um especialista em mangue e é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de um processo bem-sucedido de plantio, que tem características peculiares em função contaminação. Guiando a Agência Brasilpor entre a vegetação, ele conta, orgulhoso, que 90 dos 116 hectares do manguezal já foram reflorestados e que é possível encontrar árvores com cerca de 20 metros de altura. No caminho, se nota também uma assustadora população de caranguejos que, segundo Adeimantus, se distribuem entre mais de 10 espécies diferentes. Também usufruem do ambiente cerca de 100 espécies de aves, entre residentes e migrantes, além de mamíferos como o mão-pelada (guaxinim) e o furão.
A exuberância da vegetação, no entanto, ainda não esconde todas as marcas do desastre. É possível notar pequenas poças onde há presença de óleo. “Isso ocorre quando o caranguejo faz um buraco muito profundo e o óleo que ficou depositado embaixo da terra sobe à superfície”, explica Adeimantus.
O Parque Natural Municipal Barão de Mauá, em Magé (RJ), revela a recuperação do manguezal em área afetada após o desastre que liberou 1,3 milhão de litros de óleo de um duto da Petrobras, em 2000.
A exuberância da vegetação ainda não esconde todas as marcas do desastre (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Primeiros esforços

A comoção gerada após o desastre estimulou os primeiros esforços de recuperação da área, que mobilizaram acadêmicos, ambientalistas, biólogos e voluntários sensibilizados com a situação, incluindo pescadores e catadores de caranguejos. Um consórcio de organizações não governamentais, liderado pelo Instituto Ondazul, fechou um acordo com o governo federal para gerir as ações emergenciais. Num segundo momento, houve apoio de empresas privadas. Na época, técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegaram a avaliar que, dada a dimensão do dano, seria impossível restaurar flora e fauna. Mas o Instituto Ondazul insistiu e criou o Projeto Mangue Vivo.
André Esteves, secretário-executivo do Instituto Ondazul e coordenador-geral do projeto voltado para a criação do parque, avalia que o mangue está até melhor do que antes do desastre. “Estamos no fundo da Baía de Guanabara. Aqui já era uma área contaminada por conta da poluição dos resíduos e da falta de cuidados”. Ele considera, porém, que o trabalho precisa ter continuidade e a dificuldade para a obtenção de recursos pode criar problemas para garantir a preservação do ecossistema. O Instituto Ondazul nunca recebeu verbas do poder público municipal e, em 2010, viu os patrocínios privados sumirem quando notícias relacionadas ao desastre já não tinham destaque na imprensa. “As empresas muitas vezes investem em ações ambientais como estratégia de marketing e querem mídia”, disse.
Para atrair novos investimentos, o Instituto Ondazul convenceu a Prefeitura de Magé a transformar o mangue em uma unidade de conservação ambiental. Em 2012, foi publicado o decreto criando o Parque Natural Municipal Barão de Mauá. A iniciativa abriu caminho para que a recuperação do mangue se beneficiasse de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2014 entre o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a petroleira Chevron. O acordo busca estabelecer ações de compensação ambiental por desastres causados pela empresa.
O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) ficou responsável por gerir os recursos previstos no TAC e aprovou o projeto do parque, autorizando um repasse de R$ 1,75 milhão. “Assinamos o contrato em junho de 2017 com prazo para execução em dois anos. É prevista a construção de uma sede, de um quilômetro de passarelas suspensas por dentro do mangue e uma torre de observação. Além disso, os recursos contemplam o plano de manejo do parque que está sendo desenvolvido e a conclusão do reflorestamento da área”, disse André. As obras devem começar nos próximos meses e ser concluídas em março de 2019.
A verba aprovada, porém, forçou uma revisão de todo o projeto, que originalmente tinha um orçamento de R$ 4 milhões e incluía dois quilômetros de passarelas, três torres de observação e uma sede mais robusta, com auditório e equipamentos voltados para a realização de cursos e atividades de educação ambiental. Uma área de lazer, com brinquedos e quadras esportivas, também constava na proposta, como um legado ao município. A ideia é que, com a atração de novos recursos, os planos iniciais possam ser retomados futuramente.
O parque também poderá se tornar um centro de produção de mudas de mangue. Foram produzidas sete mil mudas além da demanda e elas serão provavelmente doadas para outras áreas degradadas no país. Os manguezais ocupam atualmente uma área de aproximadamente 10 mil quilômetros quadrados em todo o Brasil. São formações vegetais típica de áreas alagadiças nas zonas litorâneas e desempenham importante função para o equilíbrio ambiental e para a manutenção da vida marinha, uma vez que abriga grande biodiversidade e é um berçário natural para várias espécies que ali se reproduzem e se alimentam.
Mudas de árvores nativas de áreas de mangue são plantadas no Parque Natural Municipal Barão de Mauá, em Magé (RJ).
Mudas de árvores nativas de áreas de mangue são plantadas no Parque Natural Municipal Barão de Mauá (Tomaz Silva/Agência Brasil)
“Não desativamos o viveiro e queremos continuar produzindo mudas. No entanto, isso não está contemplado no projeto aprovado pelo Funbio. Então precisamos conseguir recursos com algum patrocinador. E é importante, porque em todo o Brasil existem áreas degradadas de mangue e nós desenvolvemos uma técnica, uma expertise baseada em um trabalho totalmente artesanal. É um processo barato e também é bom para a região porque gera emprego. E além de ser doado, pode também ser vendido gerando receita para a manutenção do próprio parque”, disse André.

Vocação para o turismo

O grande desafio do momento é tornar o parque um espaço atraente ao turismo. Como a unidade é municipal, a continuidade da gestão do Instituto Ondazul depende de discussão a ser realizada com a prefeitura. Para André, o município tem nas mãos uma oportunidade de desenvolvimento, mas para isso precisará investir recursos, o que não fez até o momento. “É um ativo importante para ser utilizado em uma cidade com tanta carência. O parque é um case de sucesso. O turista pode vir aqui, assistir uma apresentação, ver imagens de todos os momentos dessa história, fazer o passeio, plantar uma muda. Ele sai em êxtase. E daí ele vai em outras atrações do município”, avalia.
Com 230 mil habitantes, Magé é o 10º município do estado do Rio de Janeiro com mais habitantes com rendimento mensal de até meio salário mínimo. De acordo com dados de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 38,2% dos moradores estão nessa condição. O município muitas vezes ocupa as páginas dos jornais devido a disputa política e a problemas de segurança pública. Os últimos três prefeitos não terminaram seus mandatos. Enquanto isso, no restante do estado, a população pouco sabe da sua riqueza natural e histórica. Além do mangue, Magé tem praias e cachoeiras. Fica também na cidade a primeira estação de trens do Brasil, inaugurada 1854.
É com base em todos estes elementos que o Instituto Ondazul aposta no parque como um instrumento capaz de ajudar Magé a se transformar em um destino turístico. Com quase nenhuma estrutura, já são recebidos no mangue atualmente entre 1,5 mil e 2 mil pessoas por ano. São organizadas com frequência visitas de escolas. Os passeios são guiados e precisam ser agendados levando em conta a tábua de marés, já que o mangue fica totalmente debaixo da água em parte do dia. Enquanto as passarelas suspensas não ficam prontas, os participantes precisam calçar galochas, já que pisam no solo enlameado durante todo o percurso.
Mas para alavancar de vez o turismo, André é consciente de que será preciso enfrentar um outro problema: a poluição da Baía de Guanabara. Na maré alta, toda a área do mangue é inundada e, quando o mar recua, deixa resíduos sólidos. O passeio pelo interior da vegetação revela um considerável volume de itens dispersos como chinelos, mochilas, papelão, garrafas e outros produtos plásticos. Uma ideia que vem sendo estudada é a colocação de redes que possam reter o lixo antes que ele alcance à vegetação. Em janeiro deste ano, um mutirão da limpeza com participação de voluntários recolheu mais de 3 toneladas de resíduos. Mas devido à poluição da Baía de Guanabara, o lixo volta a se depositar na área.
Por Léo Rodrigues, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/08/2018
"Parque Natural Municipal Barão de Mauá revela restauração de mangue devastado na Baía de Guanabara," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/08/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/08/20/parque-natural-municipal-barao-de-maua-revela-restauracao-de-mangue-devastado-na-baia-de-guanabara/.


{Boletim diário EcoDebate} Edição 3.038 de 20 / agosto / 2018


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Proposta de checklist para monitoramento da amostragem de efluentes líquidos

Pauta: Saneamento, Esgoto, Efluentes Líquidos


O descarte em corpos d’água de efluentes líquidos industriais não tratados gera impactos ambientais negativos. No caso de lançamento dos efluentes líquidos em sistemas de coleta de esgotos sanitários, é necessário atender a programas de monitoramento de efluentes líquidos, quando pertinente, regulados pela companhia de saneamento local. Em Minas Gerais, Brasil, alguns geradores de efluentes líquidos podem optar pelo lançamento na rede coletora da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA, desde que sigam os requisitos da Norma Técnica T187/5, que define limites máximos para algumas substâncias. O processo de amostragem dos efluentes líquidos, bem como sua correta representatividade, são desafios para os profissionais envolvidos.
Portanto, o objetivo deste artigo é apresentar uma proposta de checklist para verificação da qualidade da coleta de efluentes líquidos, baseado na norma técnica ABNT: NBR 9898/1987, no Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras – GNCPA e no Standard Methods of Examination of Water and Wastewater – SMEWW. Foi elaborada uma tabela comparativa das fontes consultadas e um checklist contendo perguntas que direcionam para a avaliação da coleta de efluentes líquidos.
O checklist foi testado em alguns empreendimentos, visando ajustá-lo da melhor forma à demanda dos usuários. Espera-se, portanto, aprimorar o sistema de gestão e, assim, assegurar ao máximo possível a preservação das características dos efluentes coletados, tornando o processo de amostragem dos efluentes mais criterioso.
Assegurar a representatividade do efluente para sua análise é uma forma de conseguir dados confiáveis das atividades industriais que são potenciais geradores de impactos ambientais negativos.
Colaboração de Marcos Paulo Gomes Mol
Pesquisador da Fundação Ezequiel Dias – Funed

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/08/2018