sábado, 1 de outubro de 2016

Expedição Arara-Azul 2015


Sempre é muito gratificante acompanharmos o desenvolvimento deste projeto que conhecemos há anos,  e sentirmos de perto o amor que a equipe do projeto tem pelas araras, em especial a bióloga e professora Neiva Guedes que é a responsável pelo projeto há 26 anos.
Por causa de sua dedicação, as Araras-azuis saíram da lista de animais ameaçados de extinção do Ministério do Meio Ambiente em 2014. Embora a situação seja bem mais tranquila hoje, ainda há muito a ser feito, pois as araras-azuis no Pantanal tem uma alimentação restritiva, reprodução contida, estão muito suscetíveis a predadores e trafico de animais. Hoje com o projeto calcula-se que existam 5 mil, antes eram estimados 1500 indivíduos.
Para divulgar o projeto, criamos esta página parar mostrar um pouco da Expedição 2015, buscamos algumas matérias da Envolverde e outras mídias sobre o tema e por fim convidamos todos nossos leitores a visitarem o site e facebook do Projeto Arara Azul.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

OS DIREITOS URBANOS NA AMÉRICA LATINA

Nos últimos anos, o conceito de cidades inteligentes ganhou preponderância em relação ao desenho e funcionamento, mas, ao mesmo tempo, alimenta a dúvida se esse esquema contribuirá para que seus habitantes tenham acesso a diferentes direitos.
Por Emilio Godoy, da IPS – 
Cidade do México, México, 30/9/2016 –  “Por trás do conceito, há um trabalho de marketing muito grande, mais do que um trabalho real de conceptualização. Existe como uma ideia muito global, como a criação de infraestrutura urbana na qual se mesclam meios digitais e físicos”, opinou à IPS o cofundador da organização não governamental mexicana Medialabmx, Leonardo Aranda.
O especialista, cuja organização desde 2013 trabalha no desenvolvimento e na apropriação da tecnologia com fins sociais e culturais, disse que falta saber se as cidades inteligentes “se converterão em uma solução ou são apenas uma charada, na qual as grandes corporações buscam o investimento público muito grande que existe e encontram um discurso muito fácil de vender e que as cidades estão comprando”.
Para Aranda, as tecnologias podem ajudar a resolver problemas urbanos, mas também podem criar outros. “É um problema geral da tecnologia, não soluciona problemas por si só, tem a ver com seu desenho”, afirmou.
O Grupo Temático sobre Cidades Sustentáveis e Inteligentes da União Internacional de Telecomunicações as define com  cidades inovadoras que utilizam as tecnologias da informação e comunicação e outros meios para melhorar a tomada de decisões, a eficiência das operações, a prestação dos serviços urbanos e sua competitividade, para procurar a satisfação das necessidades econômicas, sociais e ambientais.
As cidades inteligentes, também conhecidas pelo termo inglês Smart Cities, estarão no foco da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Humano Sustentável (Habitat III), que acontecerá entre 17 e 20 de outubro, organizada pela ONU Habitat.
De fato, no rascunho da Declaração de Quito Sobre Cidades Sustentáveis e Assentamentos Humanos Para Todos, acordado no dia 10 deste mês, os Estados parte se comprometem a “adotar um enfoque de cidade inteligente, que faz uso de oportunidades da digitalização, energia limpa e tecnologias, bem como tecnologias de transporte inovadoras, proporcionando opções para a população tomar decisões mais amigáveis com o ambiente, e promover o crescimento econômico sustentável que permita melhorar a prestação de serviços.
Na América Latina, onde 80% de seus mais de 600 milhões de habitantes vivem em cidades, as metrópoles médias e grandes enfrentam o congestionamento no trânsito, a poluição do ar, o estresse hídrico, o crescimento desordenado, os assentamentos irregulares, o aumento da temperatura e trâmites burocráticos.Inicialmente, acreditou-se que o desenvolvimento de aplicativos para telefones e outros dispositivos inteligentes era a base do entorno digital urbano para atender problemas como tráfego, buracos nas ruas ou a qualidade do ar.
Não houve metrópole que não os criasse, mas essa visão logo ficou para trás.Em uma tentativa de paliar esses flagelos, várias cidades decidiram aplicar soluções inteligentes, cujos resultados ainda não são claramente visualizados.O Brasil incentiva o projeto de acesso a banda larga mediante a Rede de Cidades Digitais, que inclui 300 municípios. Além disso, o Rio de Janeiro implantou o Centro de Operações Rio, pelas mãos da transnacional norte-americana IBM.
A Colômbia, por sua vez, executa o Plano Vive Digital 2014-2018 e a cidade de Medellín representa o caso mais emblemático da região, porque coloca a tecnologia como um instrumento e não um fim.O projeto Cidade Inteligente, liderado pela Prefeitura da segunda cidade colombiana, incentiva o bom uso das tecnologias da informação e comunicação (TIC), ancorado em inovação social, sustentabilidade, governo aberto e participação da cidadania.
Por esses progressos, Medellín recebeu, em março deste ano, o prestigiado Prêmio à Cidade Global Lee KuanYew, concedido pela Autoridade para o Redesenho Urbano e pelo Centro para as Cidades Habitáveis de Cingapura, que distingue metrópoles socialmente inovadoras.
O Chile definiu cinco desenhos para cidades inteligentes. Em abril, a Prefeitura de Santiago anunciou que a plataforma DOM Digital, para trâmites e serviços, já estava online em três áreas territoriais das 52 existentes na região metropolitana.No Uruguai, o maior exportador de programas de informática da América Latina, o projeto Montevidéu 2030, busca se converter na plataforma de TIC mais desenvolvida da região.
Para a urbanista Zulma Bolívar, presidente do Instituto Metropolitano de Urbanismo Taller Caracas, a máxima autoridade na ordenação urbanística da Prefeitura Metropolitana de Caracas, a soma de governantes e cidadãos inteligentes gera cidades inteligentes.A funcionária dessa Prefeitura, em mãos opositoras ao governo federal da Venezuela, destacou que a política pública deve se integrar “a partirdo local” e oferecer resultados efetivos.
“O nome tem marketing. As cidades precisam primeiro atender o básico dos requerimentos para depois aspirarem algo tão sofisticado com a conexão à internet. Aceitamos e  procuramos assimilar a tecnologia e que esta ajude os processos, mas quando não se pode andar na rua com o celular na mão, que inteligência tem essa cidade?”, questionou a urbanista à IPS.
Para os cinco municípios da área metropolitana da capital, de aproximadamente seis milhões de habitantes, opera o Plano Caracas 2020, sobre os vetores de acessível e em movimento, segura e integrada, sustentável, produtiva e empreendedora, governável e cidadã. Mas a crise institucional e política venezuelana praticamente acabou com o projeto.
Em seu informe O Caminho para as Smart Cities: Migrando de Uma Gestão Tradicional Para a Cidade Inteligente, publicado em julho, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destacou que as cidades latino-americanas enfrentam desafios como segurança da sociedade, mobilidade urbana sustentável, gestão de riscos, prevenção e resposta a desastres, eficiência energética, gestão hídrica, manejo de resíduos, governo eletrônico e inclusão digital.
Mediante seu Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis, o BID assessora, desde 2011, 76 cidades da região em áreas como mudança climática, sustentabilidade ambiental,urbana e fiscal, e governabilidade. Pelo menos dez delas já contam com estudos de viabilidade em temas de gestão inteligente.
Os especialistas esperam que a Habitat III transmita detalhes sobre a melhor forma de avançar para cidades inteligentes.“A Declaração de Quito pode soar bem ou muito geral. A inovação pode significar um monte de coisas, gerar redes de transporte inteligente que permita mobilidade mista ou introduzir unidades novas com geolocalizadores”, que implicará muito investimento público, explicou Aranda.
Para Bolívar, a reunião deve atender as cidades pequenas, “onde inclusive não há sinal telefônico e não se pode nem mesmo usar um celular”. A urbanista pediu “que se consiga a equidade, que a distribuição de cargas e benefícios seja um pouco mais homogênea e que o habitat ofereça todos os serviços. Se algo devemos propor é que o beneficio seja coletivo e que ajude a governabilidade dos países”. Envolverde/IPS

Mundo pode exceder 2 graus já em 2050

emissoesAlerta é de relatório divulgado por pioneiros da ciência climática, que apontam que meta de 1,5oC do Acordo de Paris está “quase certamente perdida” devido à falta de ação no passado.
Por Claudio Angelo, do OC –
Um grupo de cientistas idosos e já sem papas na língua resolveu contar “a verdade sobre as mudanças climáticas” num relatório publicado nesta quinta-feira (29). E o que eles têm a dizer não é nada conveniente para o estado geral de oba-oba que se instalou no mundo após o sucesso do Acordo de Paris. Segundo o relatório, a meta mais alta do tratado do clima, de estabilizar o aquecimento global em 1,5oC, está “quase certamente perdida” devido às emissões de carbono do passado. E a meta mais baixa, de estabilização em menos de 2oC, pode ser perdida já em 2050 caso não seja feito um esforço de corte de emissões muito maior do que qualquer coisa que esteja na mesa de negociações hoje.
“Esse relatório reflete o drama dos cientistas que começaram a alertar para o problema”, disse ao OC o físico José Goldemberg, 88, presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Ele é um dos sete autores do documento, capitaneado pelo inglês Robert “Bob” Watson, 68, primeiro presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). “Os cientistas que começaram isso estão cansados, velhos e vão morrer em breve”, brincou Goldemberg. “Eles se sentem obrigados a alertar sobre a espada de Dâmocles que paira sobre a humanidade”, prosseguiu, a sério, referindo-se ao aquecimento global.
O relatório, publicado por uma fundação argentina, é um documento curto, de 12 páginas, que se propõe a responder a oito perguntas incômodas. Entre elas, “por que tem sido tão difícil agir sobre o clima?”, “por que o público não entendeu a urgência da mudança climática?” e “uma transição para as energias renováveis resolverá a mudança do clima?”
Uma das maneiras de encontrar essas respostas foi fazer o que cientistas físicos fazem de melhor: botar números sobre a mesa. Segundo eles, para estabilizar o aquecimento em menos de 2oC, as emissões globais (54 bilhões de toneladas de CO2 hoje) deveriam cair 22% até 2030. No entanto, se todos os compromissos dos países para o Acordo de Paris (as chamadas NDCs) forem cumpridos na íntegra, as emissões em 2030 estarão no mesmo nível das atuais. Se apenas a parte não-condicionada (ou seja, as reduções que os países farão mesmo na ausência de financiamento externo, por exemplo) for cumprida, as emissões em 2030 serão 6% menores do que as de hoje.
O “buraco” de implementação para cumprir a meta seria de 17 bilhões de toneladas, o equivalente a todas as emissões da produção de energia do mundo inteiro. Para que a porção condicional das INDCs seja cumprida, os países em desenvolvimento precisarão de dinheiro dos ricos, que em Paris prometeram US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020. Estamos em 2016 e pouco mais de 10% disso foi disponibilizado por governos desenvolvidos.
Segundo Watson e colegas, mesmo com os compromissos já adotados o aquecimento global tende a ultrapassar o limite de 2oC no meio do século. Apenas entre 2012 e 2015 a temperatura já subiu de 0,85oC além da média pré-industrial para 1oC, e há mais 0,4oC a 0,5oC de aquecimento já comprometido devido à inércia do sistema climático, por conta dos gases emitidos no passado e da inação nos últimos 20 anos.
“A principal preocupação não é quando o objetivo de 2oC será excedido, mas com os impactos da mudança climática resultantes de tal aumento”, escreveram os autores. “Eventos extremos climáticos dobraram em número desde 1990. Um aumento na temperatura global de 2oC no próximo par de décadas implica em dobrar novamente o número desses eventos.”
Para desespero daqueles que vêm alardeando a transição para uma matriz elétrica renovável – algo que começa a ganhar tração no mundo, com o crescimento explosivo da energia solar e a queda de seu preço – como a panaceia para a crise do clima, os cientistas dizem que apenas isso não vai dar conta do recado.
O que o grupo advoga é uma “mudança radical” na maneira como o mundo produz e usa energia, atingindo emissão líquida zero em 2060 a 2075. Porém, como a humanidade procrastinou no clima por 20 anos, isso exigirá “opções mais restritivas e caras”. Entre elas, a chamada captura e armazenagem de carbono (CCS) pelas plantas de combustíveis fósseis e as emissões negativas, com CCS em usinas de bioenergia (o chamado BECCS) – uma tecnologia que os próprios pesquisadores dizem ainda não estar demonstrada e que traz riscos diversos. “As INDCs inadequadas aceleraram a dependência dessas tecnologias”, afirmam Watson e seus coautores.
Eles dizem esperar que tal dependência possa ser “reduzida” por meio do aumento da ambição das INDCs, a partir de 2018. (Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

QUEM PAGA PELO DESPERDÍCIO ?

A quantidade de ouro em lixões pode ser maior do que em minas de onde ele é extraído. Foto: Shutterstock
A quantidade de ouro em lixões pode ser maior do que em minas de onde ele é extraído. Foto: Shutterstock
Por Washington Novaes*
Relatório divulgado há poucos dias na Europa informa que o velho continente poderia economizar mais de US$ 1,8 trilhão por ano com avanços na gestão do lixo. E um terço disso seria resultado apenas da economia no consumo de recursos naturais. O Brasil, segundo a empresa consultora (McKinsey), também poderia ganhar muito, já que cada pessoa produz em média 330 quilos anuais de resíduos.
Um dos exemplo apontados de desperdício no lixo é o da quantidade de ouro em lixões, que pode ser maior que a existente em minas de onde o metal é extraído. A vantagem poderia ser ainda maior para recicladores se se reduzisse a carga tributária sobre produtos reciclados, em alguns casos maior que a aplicada a materiais virgens.
É um sinal de avanço, por isso a apresentação em Santa Catarina do primeiro documento declaratório de resíduos industriais, por um acordo entre a Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes e a Fundação do Meio Ambiente. Já aderiram ao sistema 18 mil empresas da região. E foram emitidos 328,7 mil manifestos de transporte de resíduos (retoquejor.com.br). Com isso, é possível acompanhar todas as etapas da cadeia de destinação de resíduos sólidos no Estado – influenciando a produção, o transporte, o destino e o aproveitamento desses resíduos.
A iniciativa é importante por muitos ângulos. Por exemplo: as emissões de gases do efeito estufa no Brasil provenientes do setor de resíduos sólidos continuam a crescer e, segundo o relatório lançado em setembro, atingiram o maior número nos últimos 44 anos, com 68,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalentes – com aumento de 80% entre 2000 e 2014 e de 500% desde 1970. Embora essas emissões representem apenas 3,7% do total dos vários setores geradores (mudanças no uso da terra, energia, agropecuária e processos industriais), têm grande impacto na atmosfera por causa da geração de gases com maior potencial de aquecimento, como o metano (21 vezes mais potente que o dióxido de carbono) e o óxido nitroso (310 vezes mais potente).
Curiosamente, diz o estudo, as emissões de gases de efeito estufa em 2014 no País permaneceram estáveis em relação ao período anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento na Amazônia. O Brasil emitiu 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente – uma redução de 0,9% em relação a 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013. As razões ainda não foram explicitadas.
É possível que mais à frente os cientistas se deparem com dificuldades diante das taxas de desmatamento na Amazônia entre 2014 e 2015, que aumentaram 24%, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe (amazonia.org, 27/9). São dados a serem divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente na primeira semana de outubro.
De agosto de 2014 a junho de 2015 foram desmatados 6.207 quilômetros quadrados, ou 6,45% acima do estimado em fins de novembro. Os Estados que mais desmataram, pela ordem, foram Pará, Mato Grosso e Rondônia. Uma das hipóteses é a de que os sistemas de controle já não funcionem com a mesma eficácia – embora haja diferenças entre alguns Estados e outros.
Uma revisão recente realizada pelo Inpe mostra que a perda florestal, com base nos dados de 2015, é de 6.207 quilômetros quadrados, quando em novembro se calculava em 5.835 km2 (16% mais que em 2014). O novo número é 4,1 vezes a área da cidade de São Paulo (Observatório do Clima, 27/9). Um exemplo mais das altas taxas de desperdício de patrimônios valiosos.
Há poucos dias foram publicados (Folha de S.Paulo, 26/9, texto de Leão Serva) dados sobre o desperdício num setor como o de veículos. Segundo o texto, “a propaganda de carros continua oferecendo virilidade e glamour, enquanto entrega congestionamento, estresse, doenças e aquecimento global”. E por isso mesmo “metade dos moradores da maior cidade do Brasil buscam jeitos de usar menos o automóvel”, diante das “irracionalidades deste: gasta cerca de 95% do combustível para ‘levar a si mesmo’; um veículo médio pesa cerca de 1,5 mil quilos, o motorista 75 kg (5%); e os carros levam geralmente só uma pessoa: quer coisa mais irracional?” E segue “o desfile de irracionalidades”: o carro só é usado para rodar 20 km diários; a desvalorização é rápida; são altos os custos com IPVA obrigatório, seguro, manutenção – um total de 10%, fora a desvalorização de 20%. Ainda é possível falar em incentivos fiscais. E outro estudo assegura que a gasolina deveria custar cinco vezes mais que seu preço.
Para quem achar que são os únicos desperdícios, depois de não ter êxito na venda de suas empresas de energia térmica (altamente poluidoras) a Petrobrás está tentando agora (Folha de S.Paulo, 27/9) agrupar todas as unidades numa única empresa, “para oferecer depois uma participação a outro investidor”. O plano prevê investimentos de US$ 74,1 bilhões nos próximos cinco anos e estabelece nova metade vendas de ativos, de US$ 19,5 bilhões entre 2017 e 2018. Nesse processo, deixará de atuar nos segmentos de petroquímica, fertilizantes e biocombustíveis. Mas continuará com a energia térmica, “para usar quando o nível dos reservatórios das hidrelétricas estiver baixo”.
Mais desperdício? A Fundação Getúlio Vargas mostra que “46% das 851 obras contratadas com recursos do FGTS no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não foram concluídas, estão paralisadas” ou nem sequer foram iniciadas (Danielle Nogueira, O Globo, 26/9). Dos R$ 28,6 bilhões em financiamentos, R$ 17,5 bilhões foram para 398 contratos cujas obras estão pendentes.
Desmatamento, destinação do lixo sem nada pagar ao poder público, nenhum pagamento de custos pela poluição do ar, etc., etc. – assim vamos, desperdiçando sem cobrar custos. O poder público paga, transfere para quem não tem poder. (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde)
Washington Novaes é jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.

Duplicaram as ações para tornar o sistema financeiro mais verde, segundo o PNUMA




Anda
30/09/2016EDIÇÃO 895
CONTEÚDO ANDA
Elefante é libertado após 50 anos de abusos e exploração
CONTEÚDO ANDA
Tigres enclausurados em aquário nunca viram a luz do sol 
CONTEÚDO ANDA
Vacas cegas resgatadas se tornam amigas em santuário 
SOMOS UM - SILVIA LEONEL
A indústria agropecuária e sustentabilidade 
CONTEÚDO ANDA
Mais de 20 mil pessoas pedem o fim da exploração animal em circos na Suécia 
CONTEÚDO ANDA
Filhote morre após ser agredido e agonizar em uma mala fechada 
Compaixão
"Existe um ditado que diz: diga-me com quem ANDAs e te direi quem és. Então, se vc tá seguindo essa pegada, quer dizer que faz parte da minha turma. Defe..."
Lúcia Veríssimo
Atriz
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Importantes Zonas De Biodiversidade Permanecem Desprotegidas No Mundo, Diz PNUMA

As áreas de proteção ambiental cobrem quase 20 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de 15% do planeta, número que está pouco abaixo das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, que prevê 17% de cobertura em 2020. No entanto, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), as conquistas em número e tamanho têm de ser acompanhadas de melhoras em sua qualidade, com a proteção de lugares com maior diversidade biológica.
Vista aérea da Amazônia. Brasil é o país com o maior sistema de terras protegidas do mundo, com 2,47 milhões de quilômetros quadrados. Foto: EBC
Vista aérea da Amazônia. Brasil é o país com o maior sistema de terras protegidas do mundo, com 2,47 milhões de quilômetros quadrados. Foto: EBC
Com 14,7% da superfície da Terra e 12% de suas águas territoriais protegidas, o mundo está a caminho de cumprir um importante objetivo global de conservação, de acordo com novo relatório apresentado no início deste mês pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
No entanto, o relatório “Planeja Protegido 2016” mostrou que áreas cruciais de biodiversidade permanecem desprotegidas, enquanto espécies e habitats estão subrepresentados e uma gestão inadequada limita a efetividade dessas áreas.
“As grandes conquistas em número e tamanho das áreas protegidas das últimas décadas têm que ser acompanhadas de melhoras em sua qualidade”, disse o diretor-executivo do PNUMA, Erik Solheim.
“O mundo deve fazer mais para proteger de forma efetiva os lugares com maior diversidade biológica. As áreas protegidas devem estar mais bem conectadas, para permitir que as populações de animais e plantas se mesclem e se disseminem. Também é importante assegurar que as comunidades locais estejam envolvidas nos esforços de proteção. Seu apoio é crucial para a conservação no longo prazo”, completou.
“Hoje, o mundo enfrenta desafios ambientais e sociais críticos, como a mudança climática e a segurança alimentar e da água”, disse, por sua vez, Inger Andersen, diretor-geral da UICN. “As áreas protegidas têm um importante papel na conservação das espécies e nos ecossistemas que nos ajudam a fazer frente a esses desafios. Assegurar que sejam cuidadosamente mapeados e eficientemente administrados é crucial se quisermos continuar prosperando neste planeta”.
Segundo os cientistas da UICN e do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação do PNUMA, atualmente há 202.467 áreas protegidas que cobrem quase 20 milhões de quilômetros quadrados, ou 14,7% do planeta, com exceção da Antártida. Esse número está pouco abaixo das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, que preveem 17% de cobertura em 2020.
A cobertura de áreas protegidas caiu 0,7% desde o último relatório Planeta Protegido. Os cientistas acreditam que não se trata de uma diminuição real da cobertura de solos, mas uma consequência de fatores relacionados a fluxos de dados, tais como mudanças nas fronteiras, eliminação de alguns sítios de grande porte da Base de Dados Mundial de Áreas Protegidas ou de uma melhora na qualidade das informações.
A região da América Latina e do Caribe possui a maior área protegida do mundo, quase 5 milhões de quilômetros quadrados. Cerca da metade está no Brasil, país com o maior sistema de terras protegidas do mundo, com 2,47 milhões de quilômetros quadrados.
O Oriente Médio, por outro lado, tem o índice mais baixo de proteção de terras, com cerca de 3%, que equivale a cerca de 119 mil quilômetros quadrados.
A última década viu um progresso notável na proteção dos oceanos no mundo. O tamanho das áreas marinhas protegidas aumentou de pouco mais de 4 milhões em 2006 para quase 17 milhões de quilômetros quadrados atualmente, o que cobre 4% dos oceanos da Terra, quase o tamanho da Rússia. No entanto, apesar do crescimento, ainda resta muito a fazer para melhorar a qualidade das áreas protegidas, segundo o PNUMA.

Áreas de importância para a biodiversidade

Atualmente, menos de 20% das áreas-chave de biodiversidade do mundo estão completamente cobertas por áreas protegidas, enquanto menos de 20% dos países cumpriram seus compromissos para avaliar a gestão de suas áreas protegidas, o que levanta dúvidas sobre a qualidade e a eficácia das medidas de conservação existentes.
O relatório recomenda investir em áreas protegidas para fortalecer a gestão sustentável da pesca, controlar as espécies invasoras, fazer frente à mudança climática e reduzir os incentivos prejudiciais, como os subsídios, que ameaçam a biodiversidade.
A adoção dessas recomendações ajudaria a deter a perda de biodiversidade, melhorar a segurança alimentar e da água, permitir às comunidades vulneráveis fazer frente aos desastres naturais e conservar o conhecimento tradicional.

Novos dados

Desde que os dados do relatório foram coletados, foram declaradas novas áreas marinhas protegidas, como a recente expansão ordenada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, do Monumento Nacional Marinho Papahanaumokuakea no Havaí, oito novos sítios protegidos em Malta e grandes áreas marinhas protegidas no Chile e em Palau. Isso fez com que a taxa das águas territoriais protegidas aumentasse para 11,95%, ante 10,2% citado no documento.
O relatório Planeta Protegido 2016 avalia a forma com a qual as áreas protegidas contribuem para a realização do Plano Estratégico para a Diversidade Biológica e as metas pertinentes dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Nele se destacam estudos de pesquisa e casos atuais sobre o papel que as áreas protegidas desempenham na conservação da biodiversidade e do patrimônio cultural.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, 30/09/2016