quinta-feira, 25 de abril de 2013

AS SEMENTES TRANSGÊNICAS

Novamente entra em debate no conselho de administração do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper/RS) a inclusão de sementes transgênicas no Programa Troca – Troca de Sementes de Milho do RS. A reunião acontecerá hoje, 23/04, às 13:30. Ainda dá tempo de repercurtir nas redes sociais e/ou ir até o local da reunião (Avenida Praia de Belas, 1768 em Porto Alegre).

Tal proposta é uma desculpa esfarrapada de que a disponibilidade de sementes não transgênicas não seria suficiente, e que o programa poderia dar acesso a sementes “mais produtivas” a custo baixo. O programa, desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, tem por objetivo facilitar a formação das lavouras dos pequenos produtores.

Infelizmente a conjuntura atual, não é mais a de 2012, quando foi possível suspender a inclusão dos transgênicos e manter-se o Milho Crioulo no programa troca-troca gaúcho.

Notícias recentes evidenciam que lavouras cultivadas com as variedades de milho com tecnologia Bt (geneticamente modificado), assim como áreas cultivadas com soja transgênica, foram atacadas severamente por lagartas na safra atual, incluindo a lagarta-do-cartucho que, teoricamente, deveria ser controlada por tal biotecnologia. Em apenas duas safras a lagarta desenvolveu resistência a essa tecnologia.

Além disso, pela primeira vez na história foi realizado um estudo completo e de longo prazo para avaliar o efeito que um transgênico e um agrotóxico podem provocar sobre a saúde pública. O transgênico testado foi o milho NK603, tolerante à aplicação do herbicida Roundup (característica presente em mais de 80% dos transgênicos alimentícios plantados no mundo), e o agrotóxico avaliado foi o próprio Roundup, o herbicida mais utilizado no planeta – ambos de propriedade da Monsanto. O milho em questão foi autorizado no Brasil em 2008 e está amplamente disseminado nas lavouras e alimentos industrializados, e o Roundup é também largamente utilizado em lavouras brasileiras, sobretudo as transgênicas.

Sendo assim, como aceitar que um programa de política pública estatal estimule oficialmente o cultivo de milho transgênico, aportando significativamente recursos financeiros para tal? Que interesse público é esse?

Fica o questionamento feito por Marília Gonçalves do Assentamento Tamoios em Herval-RS: Troca-troca de que? Troca de liberdade de plantio por algemas da Bayer? Troca de produção barata por pesos de agroquímicos? Troca de culturas originárias por cânceres europeus?”

As sementes devem ser livres! A soberania e a segurança alimentar deve prevalecer!

Mais Milho Criolo, mais biodiversidade; menos milho transgênico, menos multinacionais!



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