quarta-feira, 5 de novembro de 2008

MINHOCAS : AMIGAS DO HOMEM !!!



"A minhoca é a melhor amiga do homem", segundo Darwin, que também dizia: "o arado é uma das mais antigas e preciosas invenções do homem, mas antes de sua invenção a terra já era arada pelas minhocas".
Os antigos egípcios, conhecedores do seu valor, já protegiam este patrimônio endeusando-as e punindo com pena de morte quem as maltratassem. É possível, pois, que o Egito não seja uma dádiva do Nilo e sim, das minhocas.
Historicamente, podemos fazer a seguinte cronologia:
1775 - O Reverendo Gilbert White, naturalista, faz os primeiros estudos reconhecendo o valor da minhoca;

1881 - Charles Darwin, naturalista, após 40 anos de pesquisas, publica o espetacular ensaio intitulado: "A formação do humus através da ação das minhocas";

1940 - Dr. George Sheffieid Oliver abandona a medicina e juntamente com o avô fazendeiro em Ohio IEUA, escreve :"Nossa amiga, a minhoca"; porém, foi o Dr. Thomas Barrett, quem primeiro criou-as em cativeiro, sendo portanto o "Pai da criação da minhoca em cativeiro". O Dr. Henry Hopp, do Departamento de Agricultura dos EUA, publica "A ação da minhoca na fertilidade do solo e na produtividade agrícola"; daí entende-se que foi os EUA, o primeiro país a promover a criação da minhoca com interesse comercial e que, hoje, envolve milhões de dólares;

1947 - Hug Carter, primo/irmão do Presidente dos EUA, inicia a comercialização da minhoca na pesca e já em 1973 possuía 15 milhões de minhocas, faturando 10 milhões de dólares na florescente indústria de vermicultura americana.
"A criação de minhocas" afirmava Ray Brown em 1976, da Associação de Marketing dos Criadores de Vermes de Fresno, "transformou-se numa indústria de quase 1 bilhão de dólares no mundo !"
Hoje existem muitos criadores por todo o Brasil e a minhocultura, segundo o Prof. Gilberto Righi do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da USP, deve ser encarada como "uma atividade zootécnica - econômica qualquer, como fonte de proteínas barata na criação de animais e produção de humus, adicionando renda extra ao produtor".
Atualmente, dentre os principais países criadores, destaca-se o Canadá, Inglaterra, Alemanha, Japão, Austrália e Itália, de onde vieram as primeiras espécies chamadas "Vermelhas da Califórnia" para o Brasil através do pioneiro criador Lino Morganti, em 1982. Antes disso, porém, o Prol. Victor Del Mazo Suarez, no Parque Ibirapuera, já estudava e publicava trabalhos sobre a criação de minhocas em cativeiro, como demonstram trabalhos, por exemplo:
"Instruções para fabricação de composto orgânico". Em alguns países, como os EUA, há subvenções e/ou empréstimos com juros baixos para estimular os criadores e em algumas cidades existem programas com a participação da comunidade, tanto na transformação do lixo doméstico em humus como na reciclagem de plantas e flores nos jardins das casas, onde, com a participação de funcionários públicos, há o reenvasamento e troca de vasos a domicílio, e não se espantem, gratuitas, política e ecologicamente corretas!

Objetivos da criação
A minhocultura é a única atividade agro-zootécnica que mensalmente dá ao produtor, colheitas de dois produtos: a minhoca (carne) propriamente dita e o seu humus.
A minhoca é mundialmente criada com as finalidades seguintes:
- Pesca, como isca;
- Composição de farinhas protéicas para diversos fins;
- Indústria farmacêutica para fabricação de medicamentos;
- Agricultura, recuperação de solos áridos;
- Transformação de resíduos orgânicos industriais, ecologia;
- Transformação de restos orgânicos agrícolas, sobras de culturas;
- Transformação de restos urbanos: esgoto e lixo;
- Alimentação animal, (minhoca viva ou em ração) para: aves, rãs, peixes, camarão, suínos, eqüinos, bovinos, etc...;
- Alimentação humana.
Já vimos anteriormente o pioneirismo e enriquecimento de Hug Carter com a criação e utilização da minhoca como isca para a pesca nos EUA. Hoje observamos também o exuberante crescimento dos sítios de lazer tipo pesque-pague nas nossas principais cidades e nas regiões de usinas hidroelétricas (Cesp, Cemig, Furnas, etc...).
Observando a composição e a qualidade de aminoácidos da farinha de Eisenia foetida ("minhoca vermelha da Califórnia" - MDM), fica fácil entender porque a minhoca desperta hoje tamanho interesse como fonte produtora de proteína animal.Biologia
Estudiosos do assunto acreditam que existam mais de 8.000 espécies destes animais, mas que somente são conhecidas aproximadamente 1.500. Seu comprimento varia de 0,5 mm até 8 m. De um modo geral, as que se adaptam ao cativeiro produzem uma média de 1.500 descendentes por ano, o que nos permite dizer que uma minhoca que nasce em janeiro será bisavó em dezembro do mesmo ano.
Com um tempo de vida médio de 6 a 7 anos, especialistas referem que algumas espécies vivem até 16 anos em habitats que se estendem dos trópicos aos pólos. Recuperando áreas áridas, servem ao homem e a terra há milhões de anos.
Na Escala de Classificação Biológica dos Seres Vivos, a minhoca está assim classificada:
- FILO: Annelida
- CLASSE: Oligochaeta
- ORDEM: Oligoqueta
- FAMÍLIA: Lumbricida
- GÊNERO: Lumbricus
Para se ter uma idéia de como é feita esta classificação, no Filo Annelida existem 3 Classes:
- Oligochaeta: poucos pêlos. Exemplo: minhocas
- Polichaeta: muitos pêlos
- Hirudine: sem pêlos.
Exemplo: sanguessugas Estes animais têm características em comum que os coloca no mesmo Filo, mas com diferenciações entre si que os dividem em Classes.
As minhocas são, portanto, animais metazoários, invertebrados, com simetria bilateral, corpo segmentado, interna e externamente por anéis. Para melhor entendimento, é como se esses anéis fossem botões superpostos e unidos por um fio. Cada botão (somito) tem uma correspondência tanto externa como interna. O número de somitos varia com as diferentes espécies podendo-se ter de 7 até 500 somitos.

Anatomia
Espécies
É muito difícil precisarmos quantas espécies de minhocas existem na Terra. Estudiosos citam números entre 3.500 e 8.000. A verdade é que cada região possui uma espécie de minhoca nativa, geralmente cinza, mas os pesquisadores e criadores conseguiram desenvolver e adaptar espécies comerciais dentre as quais incluem-se as vulgarmente chamadas "Vermelhas da Califórnia". Dentre as espécies comerciais, citamos:
- Eisenia foetida
De origem européia (região centro-ocidental), sua reprodução é antigônica (hermafrodita que se acasala para troca de esperma) com atividade sexual durante o ano todo, produzindo grande quantidade de vermicomposto, dejetos ou humus.
Nos anos 40, foi a pioneira da minhocultura americana. Com tamanho médio de 6 a 8 cm de comprimento, 0,3 a 0,5 cm de diâmetro e pesando cerca de 0,8 gramas, come diariamente a quantidade de alimento equivalente ao próprio peso, utilizando somente 3% deste para as suas necessidades vitais e expelindo 60 a 70% em humus.
- Lumbricus rubellus
Originária da Europa (região centro-ocidental), possui como habitat as camadas superficiais do solo. Também é antigônica e com atividade sexual durante todo o ano, produzindo grande quantidade de humus. Substituiu a E. foetida na continuidade da minhocultura americana.
- Eudrilus eugeniae
Com hábitos noturnos, esta espécie é originária da África Ocidental, vulgarmente conhecida como 'gigante africana". Sua reprodução é sempre antigônica com grande atividade sexual durante todo o ano.
Chega a atingir 30 cm de comprimento e na falta de alimentos foge em massa dos canteiros. Atualmente, esta espécie é a preferida dos pescadores nos principais centros criadores (Europa e EUA).
A diferenciação entre algumas espécies pode ser observada na extremidade do corpo ("rabo"); a minhoca Eisenia apresenta ponta arredondada e minhoca Eudrilus apresenta ponta cônica.

Sistema nervoso
Possui um sistema nervoso composto por um cérebro rudimentar, do tipo ganglionar escalariforme, que coordena todas as funções vitais e se estende longitudinalmente na parte ventral do corpo. atingindo todos os somitos.

Sistema digestivo
Possui um aparelho digestivo completo, composto de: boca (localizada na parte anterior - prostômio, pequena tromba), faringe, esôfago, papo (moela), estômago, intestino e ânus. Todo tubo digestivo é recoberto ainda pela dupla camada muscular interna, capaz de digerir grande quantidade de materiais, razão pela qual Aristóteles referia-se a elas como "os intestinos da terra". Dotada de glândulas calcíferas que neutralizam a acidez dos alimentos a fim de produzir o humus com pH neutro.

Sistema respiratório e circulatório
As minhocas não possuem pulmões. Sua respiração é cutânea, retirando o oxigênio do ar e do interior do solo através da pele que produz uma substância viscosa auxiliadora (líquido celomático), tanto para a respiração como para a locomoção, pois lubrifica o corpo facilitando sua penetração na terra, protegendo a minhoca e também afastando os predadores devido ao seu odor fétido.
Sabe-se também que é justamente esta substância que confere poderes medicinais à minhoca. Quanto à circulação, possuem 5 pequenos corações em forma de anéis que juntamente com duas redes de vasos - dorsal e ventral, que completam o sistema circulatório fechado.

Sistema renal excretor
Cada anel possui um par de rins rudimentares, os nefrídeos, que filtram o sangue e as impurezas do líquido celomático, formando assim a urina rica em uréia e nitrogênio que é lançada para o exterior através dos orifícios uriníferos, enriquecendo o solo com estas substâncias.

Sistema muscular e celomático
Para melhor entendermos a estrutura física da minhoca, devemos imaginá-la como sendo dois tubos, um dentro do outro e fechados nas extremidades. A epiderme e a dupla camada muscular externa envolveriam o tubo de fora e, internamente, teríamos o aparelho digestivo, com outra dupla camada muscular, ligado da boca ao ânus.
Entre a parede muscular e a parede digestiva existe uma cavidade, como se fosse o interior de uma bexiga, chamada celoma que é preenchida por uma substância, o líquido celomático. As paredes musculares são compostas de duas camadas, a circular e a longitudinal, que são responsáveis pelas funções digestiva, locomotora, de movimentação e penetração no solo, e que dão à minhoca uma força capaz de deslocar obstáculos 60 vezes superior ao seu próprio peso.
Esta dupla camada muscular é responsável pela composição de 70 a 85% de proteínas (peso seco). O líquido celomático, por sua vez, se ajusta às necessidades pressórias com a contração e expansão internas e é expelido sempre que necessário para estes ajustes de movimentos. Tem ainda a função lubrificadora, refrigeradora, protetora e curativa.

Sentidos

Visão e audição:
- não possuem olhos nem ouvidos e sim, células lenticulares fotossensíveis bastante desenvolvidas localizadas na pele, através das quais a minhoca percebe a luz e o som, fugindo de ambos os estímulos.
Tato:
- células neuroepiteliais responsabilizam-se pelas sensações que provocam a aproximação para o acasalamento, detecção de predadores, prevenção de agressões ambientais (stress) e seleção de alimentos.
Locomoção:
- as minhocas possuem em média 4 pares de pêlos ou cerdas em cada anel (somito) e através da fixação destes, da força muscular exercida e da lubrificação da pele é que elas locomovem-se cavando o solo e criando galerias por onde, posteriormente, infiltrarão a água e as raízes das plantas e ainda, promovendo melhor arejamento do solo. Sua localização é importante na diferenciação das espécies.
Regeneração:
A minhoca é, dentre os animais, a espécie que possui o maior poder de regeneração. Se segmentarmos uma minhoca a partir do 30º anel, ela conseguirá regenerar-se, "recriando a parte do corpo que foi segmentada.
A regeneração será tanto mais rápida quanto menor for o segmento a ser regenerado, tanto anterior como posteriormente". Existem pesquisas sobre a fantástica capacidade cicatrizante do minhocuçu (Rhinodrillus alatus e Glossoscolex spp) que se regenera em apenas 3 horas após ser cortado ao meio.

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