segunda-feira, 17 de junho de 2013

PORTO ALEGRE : A quem interessa espionar a cidadania que vai às ruas?


Veja relato do P2 presente no ato chamado pelas feministas no último sábado em Porto Alegre. Integrante do CEA presente, já havia registrado a presença de tal P2 quando da prisão truculenta dos jovens que estavam acampados em defesa das árvores do Gasômetro.
Homem que disse ser do serviço de inteligência da Brigada quis prender Marcelo Branco
Um homem que se identificou como integrante do serviço de inteligência da Brigada Militar quis prender, por volta das 15h20min deste sábado (15), junto ao Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção, o ativista do movimento Software Livre, Marcelo Branco. O “crime” de Marcelo Branco? Fez fotos deste homem que estava fotografando ativistas e lideranças de movimentos sociais que participavam de um ato contra o Estatuto do Nascituro. Alguns participantes do ato reconheceram o homem de outras manifestações recentes em Porto Alegre e relataram o fato para Marcelo que decidiu registrar a sua presença no ato com uma foto. O cidadão não gostou e foi para cima do ex-coordenador de mídias sociais da campanha de Dilma Rousseff, dizendo que era policial da inteligência da Brigada e que ele seria preso por ter tirado uma foto dele. Marcelo Branco pediu que ele apresentasse alguma identificação que confirmasse que fosse policial, o que não aconteceu.
Segundo o relato de Marcelo, o auto-proclamado agente secreto – o que é um tanto curioso, aliás – chamou alguns brigadianos que estavam próximos que confirmaram que o dito cujo era policial, mas não consumaram o pedido de prisão feito pelo mesmo. Disseram apenas para Marcelo Branco que aquilo era um “problema pessoal” entre ele e o agente da inteligência. Marcelo não foi preso, mas ficou no ar um profundo mal-estar entre os participantes do ato: por que, afinal, um integrante do serviço de inteligência da Brigada estava fotografando participantes de um ato contra o Estatuto do Nascituro, numa tarde de sábado, no Parque da Redenção? Em uma democracia, serviços de inteligência de polícias, em tese, existem para coletar informações que ajudem as forças de segurança a enfrentar quadrilhas do crime organizado, tráfico de drogas, de armas, assaltos a bancos, etc.
Cabe lembrar que esse tipo de prática foi utilizado – e criticado – durante o governo de Yeda Crusius. No dia 30 de abril de 2009, por exemplo, um homem, apontado por manifestantes como sendo agente da PM2, o serviço secreto da Brigada Militar, usou indevidamente o nome da Carta Maior ao infiltrar-se em uma manifestação de servidores públicos contra o governo Yeda, em Porto Alegre, e fazer fotos dos manifestantes. (Ver: Homem usa crachá falso da Carta Maior para espionar manifestação). Conforme profissionais da imprensa assinalaram na época, não era a primeira vez que servidores de órgãos de segurança disfarçaram-se de fotógrafos para espionar manifestações de sindicatos e movimentos sociais. Acreditava-se que esse tipo de prática havia sido abolida na instituição. Aparentemente, não foi.
Foto: Marcelo Branco
Fonte: RSUrgente

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