quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A respeito de cursos d’água e pessoas - Américo Canhoto

Na sua passagem pela vida cursos d’água e pessoas costumam delimitar seu espaço para transitar pela terra.

Delimitamos margens habituais que sinalizam aos outros o território que usaremos a maior parte do tempo.

Tanto uns quanto outros estão sujeitos a “cheias” quase sempre anunciadas.

De maneira mais sutil demarcamos até onde pode chegar nosso “por aqui”, até onde precisamos ocupar um território maior até que desagüemos e voltemos ao curso normal da vida.

Tanto cursos d’água quanto pessoas possuem “temperamentos” e reações diferentes; uns esvaziam mais rápido outros são mais lentos – há que respeitar uns e outros.

A natureza costuma acatar tanto os limites dos cursos d’água quanto das pessoas.

O problema somos nós que invadimos as margens e os alagados dos cursos d’água e dos indivíduos – depois reclamamos da respostas naturais e rotulamos as reações de fúria da natureza ou da natureza violenta das pessoas sobre nós.

Somos sujeitos a represar e a estourar causando os chamados estragos e calamidades.

Entre nós a “contenção das características da personalidade” represa sentimentos e emoções – e quando se rompem os diques os estragos sempre são dignos de nota.

Na natureza também.

Costumamos represar rios destruindo ecossistemas e depois gerações á frente colocamos a culpa na própria natureza.

Fazemos a mesma coisa com as pessoas através da educação e do sistema de cultura – depois reclamamos dos desastres sociais: violência de todos os tipos.

Nas enchentes e alagamentos naturais não há contaminação nem lama pútrida a causar doenças.

Nos “por aqui” do ser humano a contaminação se faz pela violência, vingança, palavras de baixo calão, mágoa, ressentimentos.

Catástrofes de todos os tipos podem ser evitadas através de simples observação e respeito aos limites de cada um.

Cuidado com a especulação imobiliária e afetiva – aprenda a controlar seu ego para que aprenda a respeitar e a respeitar-se.

Costumamos nos apossar de pedaços dos limites das pessoas, cursos d’água, encostas, terra – e depois, reclamamos e sofremos quando perdemos o que não nos pertence…
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FONTE : Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico. (EcoDebate, 20/01/2011).

Um comentário:

Jaqueline Sales disse...

Oportuníssimo o texto, amigo. É muito triste ver as lágrimas de desespero, ouvir os depoimentos de perda, mas é muito sério saber que o governo sozinho não conseguirá resolver a situação. Evitar tragédias naturais, a partir de agora, será um trabalho realizado em parceria povo e governo, pois do contrário nenhuma ação surtirá efeito.

Precisamos ensinar o governo a cuidar da Terra o mais urgentemente possível, e precisamos aprender a respeitar e a cuidar da natureza.
BeijUivoooooooooossss da Loba