segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O aterro-lixão de Terra de Areia-RS

Segunda-feira. 8 horas da manhã. Quase 30 graus. Fomos a Terra de Areia, no Rio Grande do Sul, conhecer o lixão que recepciona o lixo urbano de Passo de Torres.

Nosso grupo era composto do Secretário Municipal de Saúde, do encarregado da Vigilância Sanitária e do diretor do jornal Nortesul. A nova prefeita da cidade, Janaína Silveira Scheffer, estava presente. Uma das bombas que está em suas mãos é o problema do lixo, que já virou caso de polícia.

Putz! Pegamos a estrada errada e caímos no lixão de Capão da Canoa. Fétido. Sujo. Eivado de crimes ambientais. Mas ouvimos aquele discurso de fazer o social, trabalhar com reciclagem, ajudar os trabalhadores que não são empregados mas donos de uma cooperativa...

A prefeita suspirou: ainda bem que não era ali que estava o lixo da sua terra!!

Voltamos pra estrada. Perguntamos pro motorista de um caminhão de lixo e ele nos ensinou onde era o lixão de Terra de Areia: “dobra pra esquerda e vai... é mais adiante, lá no Canto da Coruja”.

Fizemos isso. No meio das árvores, já vimos a montanha de lixo a céu aberto. Nem vou falar do cheiro...

Mas a placa na frente do empreendimento atestava que o lixão está licenciado até 2014**. Já sabíamos disso porque a empresa já enviou a papelada pra participar da futura licitação para destino e tratamento do lixo que Passo de Torres está promovendo.

Conversando com o técnico, ele também nos contou que faz o social: a reciclagem garante o sustento de 58 trabalhadores; atende a 6 municípios; recebe, em média, 85 toneladas diárias de lixo no verão; faz a coisa certa, dentro da lei... e que o grande problema dele é a chuva!

Só que não precisa ser expert pra perceber – através da visão e do olfato – que todo aquele blablablá era mentira. Ele recebe, cata, vende o que dá pra vender e o restante ele joga no lixão...

O lixo de Passo de Torres chegou até lá porque o transportador do lixo ajeitou as coisas. Tudo de boca. Não tem contrato nem nada.

Quando eu disse que estava satisfeita com tudo o que vira e ouvira, ele finalizou seu discurso com a ‘grande novidade’: - eu vou fazer um igual a esse ali no Sombrio-SC. Já ta tudo arranjado!

Sabendo como nosso órgão licenciador funciona, e da omissão generalizada, entendi que ele tava falando a verdade!

** -http://www.fepam.rs.gov.br/spogweb/e016/licenciamento.asp?atan=26461

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AUTORA : Ana Echevenguá, advogada ambientalista, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Águas. OAB/SC 17.413.

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