sábado, 15 de janeiro de 2011

Lixo na moda e em vários modelos

Wafa Saab, alta executiva da companhia de tinta industrial libanesa Tinol, gosta de inovações que protegem o meio ambiente. Em seu braço leva uma bolsa nas cores rosa e azul, cheia de lixo. “Chama-se Bolsa de Lixo, porque é feita com material coletado em Gana”, explicou. A bolsa é o modelo mais popular dos produtos ambientais fabricados pela empresa Trashy Bags, criada em 2007 pelo empresário Stuart Gold.

Tanto agrada a vista quanto é prática. Alguns modelos podem carregar até 20 quilos. Cada uma é feita de 70 sacos plásticos usados. A ideia nasceu diante da propagação do lixo na capital de Gana, Acra. Os sacos plásticos, usados para venda de água potável, muitas vezes acabam nas ruas. Stuart se deu conta do problema e lhe ocorreu uma forma de proteger o meio ambiente e fazer negócios ao mesmo tempo.

O lixo é coletado em Acra por cerca de 60 funcionários da Trashy Bags, que processam, lavam, desinfetam e secam ao Sol os sacos antes de formar com eles amplas lâminas usadas na fabricação do produto. “Na Trashy Bags estimulamos as pessoas a nos entregarem os saquinhos vazios, pelos quais pagamos US$ 0,20 o quilo. Também recolhemos embalagens plásticas de sorvete, sucos de frutas e iogurte”, disse Stuart. As bolsas são vendidas no mercado por entre US$ 8 e US$ 50 cada uma.

Como diz o provérbio, o que para uns é lixo para outros é ouro. A Trashy Bags garante que desde sua criação reciclou cerca de 20 milhões de sacos plásticos, coletando cerca de 200 mil por mês. Conta com uma linha de 23 produtos, entre eles capa para netbook, porta-moedas, chapéus, sacolas de mão, esportivas e para compras. Além do Líbano, as sacolas são vendidas na Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, Japão e Estados Unidos. Stuart afirmou que as vendas são maiores entre os japoneses. “O perfil típico dos nossos clientes é de pessoas interessadas no meio ambiente”, afirmou.

Maya Mazloum, distribuidora exclusiva da Trashy Bags no Líbano, disse que no Oriente Médio as bolsas atraem um tipo específico de clientes. Os compradores “são, em sua maioria, pessoas que viajam muito e com grande cultura, interessados em temas ambientais”, acrescentou. “É essencial conscientizar sobre o impacto negativo dos humanos no meio ambiente. Realmente, creio que a Trashy Bags contribui para isso”, afirmou.

Nos últimos anos, o problema dos resíduos plásticos aumentou em todo o planeta. “No Líbano, está alcançando um nível crítico. Já não há lugar onde colocar o lixo”, disse o diretor da organização sem fins lucrativos IndyAct, Wael Hmaydan. Nas últimas semanas, um lixão que está localizado na região libanesa de Nehmeh causou mal-estar nos moradores das aldeias próximas, como Abey, que temem pelo surgimento de doenças. “Definitivamente, é um tema que está destacado na agenda política, e logo se tornará urgente. Grandes quantidades de lixo são produzidas diariamente”, destacou Wael.

O ativista acredita que a única forma de resolver o problema é com uma legislação “lixo zero”, como as aprovadas em Buenos Aires ou San Francisco, que procuram administrar o lixo de forma a eliminar progressivamente os aterros sanitários. “Iniciativas como as da Trashy Bags são boas ideias para se replicar no Oriente Médio, mas sozinhas não resolvem o problema. A solução é mudar a forma como usamos o lixo, por meio de uma legislação”. Contudo, Maya ressaltou que cada vez mais companhias adotam uma política ambiental. “É essencial para nós o apoio a este tipo de iniciativa positiva”, afirmou.
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FONTE : Mona Alami, da IPS. (Envolverde/IPS).

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