segunda-feira, 25 de agosto de 2014




Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Água, Amazônia, Biodiversidade, Energia, Parques
Ano 14
25/08/2014

 

Amazônia

 
  Confira a entrevista do secretário executivo do ISA, André Villas-Bôas, sobre os impactos das hidrelétricas na Amazônia aos povos indígenas, concedida ao site IHU On-Line Direto do ISA, 22/8.
  A hidrelétrica de São Manoel, de 700 megawatts de potência prevista para ser construída no Rio Teles Pires, na divisa Mato Grosso-Pará, obteve autorização para o início de suas obras. A licença de instalação da usina foi liberada na semana passada pelo Ibama. Na autorização, o órgão ambiental condicionou o licenciamento a 37 programas ambientais que deverão ser desenvolvidos ao longo da etapa de construção da usina. Orçada em R$ 2,3 bilhões, a usina sempre esteve envolvida em uma série de polêmicas e questionamentos, por causa de seus impactos socioambientais. A Funai chegou a encaminhar um ofício ao Ibama no qual contabilizava 28 impactos sobre os povos indígenas OESP, 23/8, Economia, p.B7.
  A taxa de degradação florestal na Amazônia Legal caiu por dois anos consecutivos, de acordo com levantamento divulgado sexta-feira pelo Inpe. A área em degradação passou de 24.650 km2, em 2011, para 8.634 km2 em 2012 e 5.434 km2 em 2013. O levantamento foi feito pelo projeto Degrad, sistema do Inpe que mapeia áreas que estão expostas à degradação florestal progressiva - pela exploração predatória de madeira, com ou sem uso de fogo -, mas que ainda não foram completamente desmatadas. Os número positivos, no entanto, devem ser encarados com cautela, de acordo com Dalton Valeriano, coordenador do Programa Amazônia do Inpe. "Tivemos dois anos seguidos excepcionalmente úmidos. Por isso, não podemos afirmar que os baixos índices de degradação em 2013 sejam necessariamente efeito de um controle das queimadas", afirmou OESP, 23/8, Metrópole, p.E10; FSP, 23/8, Ciência, p.7.
  A riqueza natural da Amazônia contrasta com sua população empobrecida e sem acesso a vários direitos básicos, como saneamento, moradia, saúde e bem-estar, entre outros. E, se comparada com o resto do Brasil, a situação da região amazônica é ainda mais preocupante. A conclusão é de um relatório publicado pelo Imazon. O documento se baseia num índice que dá um passo além do IDH. O Índice de Progresso Social (IPS) foi criado para avaliar o desenvolvimento social global, incluindo mais 50 indicadores, como por exemplo saúde, moradia, segurança pessoal, acesso à informação, saneamento básico e sustentabilidade. A Amazônia Legal tem um IPS de 57,31, inferior ao da média nacional, de 67,73 O Globo, 24/8, Sociedade, p.50.
  
 

Água

 
  Levantamento da ANA mostra que seis das principais bacias hidrográficas brasileiras enfrentam problemas com a seca, ameaçando moradores de nove estados e do Distrito Federal. São cerca de 40 milhões de pessoas afetadas - o equivalente a 20% da população brasileira. Os principais rios atingidos têm, em comum, a dependência das chuvas que caem em Minas Gerais. Os rios São Francisco, Grande, Doce, Paraíba do Sul, Paraná e Jequitinhonha enfrentam problemas em maior ou menor grau. Em geral, chove cerca de 1.400 milímetros na Região Sudeste durante o ano hidrológico, que termina em setembro. Até agora, choveu metade disso. Segundo dados da NOAA, as chuvas que caíram no Brasil foram 20% menores do que a média. No Sul de Minas e no Oeste paulista, choveu 60% menos O Globo, 24/8, País, p.12 e 13.
  Com mais de 2 milhões de pessoas sob racionamento oficial e rios cada vez mais secos, o interior de São Paulo vive agora uma corrida por poços artesianos -que começa a alcançar também a região metropolitana. Os poços são uma alternativa viável de abastecimento de água, segundo especialistas, mas a expansão enfrenta dificuldades, como alto custo, excesso de demanda e lentidão na análise de licenças. A procura pelo serviço aumentou, segundo as empresas, e a espera por um poço pode chegar a 45 dias FSP, 25/8, Cotidiano, p.C1 e C3.
  Decorridos 20 anos do maior programa de saneamento da Baía de Guanabara (RJ), apenas um quarto do esgoto gerado por moradores da região passa por tratamento em estações. A cada segundo, chegam ao mar aproximadamente 18.400 litros de esgoto doméstico sem qualquer tratamento. O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) consumiu R$ 2,79 bilhões de dinheiro público sem que nenhuma meta fosse cumprida, nem de percentual de esgoto, nem de abastecimento de água ou de gestão de lixo. A principal delas era tratar 58% do esgoto lançado na baía em 1999. Hoje, as estações que deveriam aliviar o mar da carga orgânica operam, em média, com metade da capacidade projetada O Globo, 24/8, Rio, p.15 e 16.
  A Bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece cerca de 15 milhões de pessoas em São Paulo, Rio e Minas Gerais, vive em 2014 uma das piores secas de sua história. O déficit diário no volume de armazenamento dos quatro reservatórios do sistema, que chega a superar os 10 bilhões de litros, já consumiu 1,37 trilhão de litros desde janeiro. É como se, a cada mês, uma Represa do Guarapiranga cheia (171 bilhões de litros) desaparecesse do Paraíba do Sul. Como a estiagem deve perdurar ao menos até meados do próximo mês, a Bacia do Paraíba do Sul deve continuar liberando mais água do que recebendo para as cidades do Vale do Paraíba, em São Paulo, e para a Região Metropolitana do Rio OESP, 24/8, Metrópole, p.A33.
  Mais de três anos após a remoção das famílias que ocupavam seu território, a Represa Taiaçupeba, em Suzano (SP), ainda opera com 35% a menos da capacidade de armazenamento. A área onde cabem 46,9 bilhões de litros adicionais para a produção de água do Sistema Alto Tietê está tomada de mato e cortada por uma estrada. Se o reservatório tivesse sido inundado desde 2011, o segundo maior manancial que abastece a Região Metropolitana poderia estar hoje com um volume disponível 9% maior. Sabesp diz que área tem alagamento previsto para 2015 OESP, 24/8, Metrópole, p.A32.
  O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Mauro Arce, afirma que será preciso manter ao longo de 2015 as medidas já adotadas contra a crise de falta de água se não chover acima da média. Entre elas está a política de bônus -um desconto na conta para incentivar a redução do consumo de água. Meteorologistas já divulgaram previsões de uma temporada seca, com poucas chuvas, no próximo verão FSP, 23/8, Cotidiano, p.B10.
  O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Mauro Arce, criticou, em entrevista, a baixa redução do consumo de água pelo Rio de Janeiro. Ele também negou que tenha havido falta de planejamento no Estado e diz que a economia tem que continuar OESP, 23/8, Cotidiano 1, p.C4.
  "O que ficou patente é que o país não trata os recursos hídricos com a seriedade e a responsabilidade que a questão exige. O Brasil tem a ganhar se aproveitar as pressões da atual crise, ainda localizada, mas com reflexos em todo o país, pelas consequências na economia de uma região onde há a maior concentração do PIB nacional. Deve-se pelo menos discutir alternativas como a criação de uma instância federal de gestão hídrica compartilhada, com agenda única e perfil técnico - à maneira das Autorithys americanas, com poder de cuidar de conflitos, como os que envolvem Rio e São Paulo, e futuros. Programas de governo precisam contemplar, como prioridade, questões relacionadas ao tema", editorial O Globo, 24/8, Opinião, p.18.
  
 

Geral

 
  São cerca de 130 mil hectares com mais de mil grupos de pinturas rupestres, além de sítios com resquícios de aldeias pré-históricas ou até mesmo de importância paleontológica. O Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, reúne uma das maiores concentrações de tesouros arqueológicos do mundo. Mas está seriamente ameaçado. Por escassez de recursos, centenas de funcionários encarregados de preservação tiveram que ser demitidos. Guaritas de observação estão vazias e depenadas, trilhas foram bloqueadas por árvores tombadas e desenhos pré-históricos já começam a sofrer com as intempéries e a ação de animais. Além disso, espécies como onças e tatus-bola tornaram-se alvos fáceis para caçadores O Globo, 24/8, Sociedade, p.47.
  No momento em que o governo foi obrigado a acionar a pleno vapor as usinas termoelétricas para enfrentar uma das piores secas da história, o planejamento estratégico para a expansão dessa fonte de energia para os próximos dez anos sofreu uma reviravolta. O governo decidiu quintuplicar a expectativa de expansão de energia proveniente de térmicas na próxima década, segundo o novo Plano Decenal de Energia para 2014-2023. A projeção para o crescimento da matriz termoelétrica passou de 1,5 mil MW, como constava do último plano, para 7,5 mil MW. Na contramão das térmicas e eólicas, a participação de hidrelétricas deve cair de 69% para 61% no período. O uso das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) ficará estável em 4% OESP, 24/8, Economia, p.B8.
  "O Brasil está próximo de aprovar uma lei avançada sobre patrimônio genético. Isso é fundamental para que o país possa participar e defender seus interesses no Protocolo de Nagoya, que depende da ratificação pelo Congresso. Espera-se que o governo e o Congresso aprovem uma lei equilibrada, que promova o conhecimento e a conservação da biodiversidade brasileira, sem criar custos desnecessários para a produção de alimentos e energias renováveis", artigo de Rodrigo Lima O Globo, 24/8, Opinião, p.19.
  
 
Imagens Socioambientais

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