sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Acre torna-se referência mundial em políticas socioambientais


Os dois encontros dos quais o governador Binho Marques participou nesta última semana nos Estados Unidos e que reuniram líderes políticos, pesquisadores e estudantes dos cinco continentes, serviram para consolidar a imagem do Acre como uma das referências em políticas socioambientais no mundo, apresentando a concretização de um projeto de desenvolvimento sustentável que une inclusão social, crescimento econômico e valorização dos recursos naturais.

Na Califórnia, durante a 2ª Cúpula Global de Governadores sobre Clima, Marques chamou a atenção dos participantes para a realidade da política ambiental do Acre em sua apresentação no painel “Soluções florestais: protegendo os pulmões do nosso planeta”. O governador começou sua fala destacando como o Acre tem a experiência mais antiga de conservação da floresta, muito antes dos atuais governantes assumirem uma administração pública voltada para a economia florestal.

“O Acre deveria ser um dos estados com desenvolvimento pautado pela pecuária e com uma degradação ambiental em todos os níveis. Mas hoje, o Acre tem orgulho e a satisfação de dizer que tem 88% da sua floresta preservada. E isso não aconteceu por acaso”, afirmou Binho referindo-se à trajetória de movimentos importantes, como o liderado pelo seringueiro Chico Mendes. “O que Chico Mendes nos deixou foi uma sociedade alerta e mobilizada para transformar o sonho de uma vida saudável, justa e equilibrada para todos”. Hoje, garante o governador, o Acre tem orgulho de apresentar índices como a redução de 83% do índice de desmatamento nos últimos três anos, assim como o de focos de calor, que caiu mais de 75% entre 2004 a 2008.

“Não queremos que nos paguem por pagar para preservar nossa floresta. Isso é natural, fazemos por paixão. Queremos sim parceiros porque achamos que isso é bom para o planeta”, disse o governador ao defender que alternativas eficientes precisam ser criadas com apoio de instituições internacionais para manutenção da floresta como mecanismo de redução do gás carbônico na atmosfera.

Em Washington, o cenário positivo do estado apresentado durante a palestra “Sociedade da Floresta e da Florestania na Terra de Chico Mendes”, realizada por Marques no Instituto Brasil do Centro Internacional de Woodrow Wilson, despertou o interesse da plateia de pesquisadores, gestores e lideranças internacionais. O Centro Internacional de Woodrow Wilson para Estudiosos, fundado em 1968, tem como missão fornecer uma ligação entre o mundo de ideias e o mundo de políticas públicas. O centro promove pesquisa, estudos e colaboração entre indivíduos preocupados com políticas públicas no mundo.

No ano de 2006, foi criado o Instituto Brasil dentro do Centro com o papel de promover diálogo sobre assuntos chave de interesse bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos. Nesse contexto, o governador do Acre foi convidado pelo Banco Mundial para falar sobre a gestão ambiental que vem mostrando resultados práticos na redução do desmatamento e, consequentemente, na emissão de CO², contribuindo para o combate ao aquecimento global.

Em sua apresentação, Binho fez uma abordagem ampla sobre as ações do Governo do Estado nos últimos 10 anos, garantindo investimentos em todos os setores, como educação, saúde, saneamento, geração de renda e produção sustentável. E ainda falou sobre o desafio de atingir a meta do Acre que é de reduzir em mais 83% o índice de desmatamento até 2020. Isso, sem diminuir o crescimento econômico e a qualidade de vida de quem vive na e da floresta.

Após a apresentação, Marques respondeu as perguntas dos visitantes do evento, todas ligadas à questão ambiental, segundo o secretário de Meio Ambiente, Eufran Amaral, que participou da comitiva acreana aos Estados Unidos. “Todos ficaram encantados com os números e com a realidade do Acre apresentada. Alguns se disseram felizes por terem tido a oportunidade de conhecer a Amazônia além do que lêem ou assistem na mídia. E viram como é possível dentro da floresta, construir uma realidade de convivência harmoniosa entre o homem e a natureza”.

Em Washington, Banco Mundial amplia possibilidades de parcerias

Ainda em Washignton, Binho Marques se reuniu com o vice-presidente para América Latina do Banco Mundial, Stepan Koeberle, e equipe de técnicos da instituição. O Banco financia hoje o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre (Pró-Acre), cujo investimento na ordem de US$ 150 milhões, sendo US$30 milhões em contrapartida do Governo do Estado, garantirá no prazo de seis anos, a oferta de serviços de saúde, educação e produção sustentável para comunidades isoladas. Projeto considerado modelo pelo órgão financiador, pela capacidade de integração de serviços e abrangência de atuação.

Fundo de carbono - Ainda no Banco Mundial, Binho Marques e a comitiva de secretários e gestores se reuniram com a equipe do Fundo de Carbono da instituição. Na ocasião, foram apresentados a Política de Valorização do Ativo Ambiental e o Projeto Florestas Plantadas.

“O encontro levantou inclusive a possibilidade de o órgão internacional apoiar a elaboração de estratégias e metodologias para o pagamento de serviços ambientais e redução de emissão de gás carbônico no Acre. Isso pelo fato de desenvolvermos aqui uma política integrada de desenvolvimento sustentável, identificando quais as áreas prioritárias e com uma estratégia de trabalho territorial, que nos permite uma atuação muito mais concreta e eficiente”, relata o secretário de Meio Ambiente.

Segundo Eufran Amaral, um dos gerentes do Banco ressaltou como o Acre pode ser o 1ª estado brasileiro a ter o chamado “carbono neutro”: selo Carbono para a identificação pública de produtos, serviços, ações, instalações, eventos, que tiveram seus volumes de emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) neutralizados através de Projetos Ambientais reconhecidos e auditados.

A qualificação atesta que a aquele bem, serviço, atividade ou instalação está “em dia com o planeta” e contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida no planeta. “Um especialista do banco estará vindo ao Acre para estudar esse processo”, garante Eufran.
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FONTE : Mariana Morena, da Agência Acre de Notícias (Envolverde/Mercado Ético)

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