segunda-feira, 18 de janeiro de 2016


Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Água, Amazônia, Biodiversidade, Clima, Energia, Mineração, Povos Indígenas, UCs
Ano 15
18/01/2016

 

Mineração

 
  O Ministério Público de Minas Gerais investiga como a Samarco conseguiu autorização do governo estadual para a construção da barragem de Fundão sem apresentar informações consideradas essenciais para a realização do empreendimento. A licença prévia para a obra foi concedida sem que a mineradora apresentasse o projeto executivo, que reúne todas as informações de uma intervenção deste porte. O MP afirma ainda que técnicos do governo solicitaram a realização de um estudo sobre o escoamento da água. A barragem é vizinha à pilha de estéril - materiais descartados durante a mineração - da Vale, uma das donas da Samarco. Havia a preocupação de que, com a ampliação da barragem, as duas estruturas pudessem se encontrar. O estudo também não foi apresentado O Globo, 18/1, País, p.4.
  Um ano antes de a barragem de Fundão, da Samarco, se romper em Mariana (MG), o engenheiro projetista da estrutura alertou a mineradora sobre um "princípio de ruptura" na margem esquerda do reservatório, devido ao aparecimento de uma trinca. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que a situação observada era "severa" e "necessitava de uma providência maior do que a que Samarco estava tomando". As informações foram prestadas pelo engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila em dezembro passado. Além de projetista, ele também era responsável oficial pela barragem ao menos até 2012 FSP, 16/1, Cotidiano, p.B1; O Globo, 17/1, Metrópole, p.A15.
  O Ministério Público de Minas emitiu sexta-feira parecer considerando insuficiente o plano de emergência apresentado pela Samarco à Justiça para a hipótese de rompimento das barragens que continuam de pé em Mariana. O plano já havia sido entregue com um dia de atraso. O material enviado à Justiça tem informações sobre o volume de rejeitos que seriam lançados no meio ambiente e a altura da onda de lama que se formaria, mas não apresenta quais medidas seriam tomadas em relação à segurança da população a ser atingida por um novo rompimento de estruturas OESP, 16/1, Metrópole, p.A16.
  No gelo da Antártica, cientistas brasileiros encontraram sinais claros do melhor e do pior da "era dos homens", o Antropoceno. O gelo antártico, que nunca derrete, funciona como uma cápsula do tempo. Guarda bolhas do ar que circulou há séculos. E foi ao examinar o que se chama de "testemunho de gelo" que eles encontraram sinais do surgimento, do auge e do ocaso da poluição por arsênio vinda de minas do Chile, a cerca de 4 mil quilômetros de distância. Marcas do homem registradas na história do planeta O Globo, 18/1, Sociedade, p.19.
  
 

Energia

 
  No próximo mês, completa-se um ano de atraso do início da operação da hidrelétrica de Belo Monte em relação à data prevista no leilão de 2010. Em outubro de 2015, a Norte Energia, responsável pela obra, afirmou que queria ligar a usina em fevereiro - mas a decisão da Justiça Federal no Pará, na segunda-feira, de suspender a licença ambiental de operação colocou a previsão em xeque. Até ontem, governo e Norte Energia ainda não haviam sido notificados sobre a decisão. Enquanto isso, continua o processo de enchimento do lago para a geração inicial de energia pela usina do Rio Xingu O Globo, 16/1, Economia, p.23.
  Plataforma virtual lançada pelo Greenpeace mapeia projetos de energia solar no Brasil. O webdocumentário "Sol de Norte a Sul" (Soldenorteasul.org.br) apresenta vídeos, textos, infográficos e fotos que traçam um panorama da energia solar fotovoltaica no Brasil. A plataforma virtual conta com um espaço para receber indicações de internautas sobre outras iniciativas espalhadas pelo país e no mundo. A meta do Greenpeace é criar um mapa localizando os pontos de geração de energia solar. O projeto mostra ainda as vantagens dessa fonte energética e discute como os impostos e a escassez de financiamento para quem quer gerar sua própria energia dificultam a disseminação desse sistema no Brasil O Globo, 16/1, Sociedade, p.24.
  Apesar da recuperação da situação hídrica do país, três dos principais projetos no setor elétrico - Belo Monte, Jirau e Santo Antônio - ainda estão passando por problemas financeiros. No caso das duas últimas, as restrições de caixa afetam inclusive a capacidade de quitarem os montantes devidos referentes à exposição ao risco hidrológico em 2015. Na sexta-feira, a Energia Sustentável do Brasil, controladora da hidrelétrica de Jirau, apresentou o pedido de repactuação do risco hidrológico. Ao mesmo tempo, a companhia solicitou à Aneel o parcelamento dos R$ 375 milhões devidos Valor Econômico, 18/1, Empresas, p.B3.
  "Na contramão do que se verifica no mundo, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal, afirmou que o Acordo de Paris 'não afetará a expansão prevista da produção brasileira de petróleo, principalmente na camada de pré-sal'. As previsões da EPE são de que a produção de petróleo do pré-sal atinja 5,1 milhões de barris por dia, dos quais cerca de 3 milhões seriam exportados. Segundo ele, 'só é possível retirar o petróleo (da matriz energética), se houver uma massa de carros elétricos. Isto virá, mas não antes de 2050". Essa visão equivocada do cenário mundial do futuro do petróleo só vai agravar os problema que o Brasil enfrenta hoje. Insistir em produzir petróleo no pré-sal, cujo barril custa cerca de US$ 50, e vendê-lo a US$ 35 parece insensato", artigo de José Goldemberg OESP, 18/1, Espaço Aberto, p.A2.
  
 

Água

 
  O racionamento de água feito pela Sabesp na região metropolitana de São Paulo poupou o equivalente a 27% da capacidade do Sistema Cantareira em 2015, ano em que a redução da pressão na rede foi intensificada, provocando longos cortes no abastecimento à população. O racionamento resultou em uma economia média de 8,6 mil litros por segundo, o que corresponde a 271 bilhões de litros no ano. Embora a Sabesp destaque a adesão da população ao programa de bônus como um grande trunfo para evitar o colapso no abastecimento em 2015, o volume economizado com o racionamento foi 41% maior do que o obtido por meio da economia espontânea feita pelos consumidores, que chegou a 192 bilhões de litros no ano passado OESP, 18/1, Metrópole, p.A14.
  Após dois dias seguidos de chuvas intensas, o Sistema Cantareira registrou ontem a maior alta desde o início da crise hídrica. O nível do manancial subiu 1,3 ponto porcentual e atingiu 35,2% da capacidade, ainda considerando as duas cotas do volume morto das represas. Em 24 horas, o Cantareira recebeu 14 bilhões de litros de água da chuva e de seus afluentes, quase metade do que entrou durante todo o mês de janeiro de 2015, o mais seco da história do manancial. O volume é suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de pessoas por dez dias OESP, 16/1, Metrópole, p.A17.
  A Sabesp decidiu suspender algumas de suas principais obras de coleta e tratamento de esgoto para priorizar o investimento em abastecimento de água. Entre os contratos adiados, estão três de despoluição do rio Tietê. Empresas que executavam os projetos foram informadas que os contratos serão retomados, mas as datas não foram comunicadas. A estatal afirma, em nota, ter feito "investimentos significativos" em esgoto na região metropolitana de São Paulo nos últimos 20 anos, "o que permitiu o alcance dos atuais níveis de coleta (87%) e tratamento (68%)" FSP, 18/1, Coluna de Mônica Bergamo, p.C2.
  
 

Clima

 
  "Até recentemente, o consenso entre especialistas em macroeconomia era de que as flutuações a curto prazo do clima não afetavam significativamente a atividade econômica. No entanto, estudos econômicos recentes, estimulados por um El Niño singularmente forte, sugerem que se repense essa visão. Os ensinamentos deixados por ocorrências passadas do El Niño sugerem que o atual tende a ter um impacto significativo no crescimento econômico global, apoiando a recuperação econômica nos EUA e na Europa, e colocando mais pressão nos já combalidos mercados emergentes. Ainda não se trata do aquecimento global, mas é um evento crucial economicamente - e, talvez, apenas um sinal do que está por vir", artigo de Kenneth Rogoff O Globo, 17/1, Opinião, p.19.
  
 

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