quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Energia renovável contra a mudança climática


A rede elétrica e a geração de eletricidade na Jamaica necessitará expandir-se e melhorar de forma significativa. Foto: Zadie Neufville/IPS
A rede elétrica e a geração de eletricidade na Jamaica necessitará expandir-se e melhorar de forma significativa. Foto: Zadie Neufville/IPS
Por Zadie Neufville, da IPS – 
Kingston, Jamaica, 21/1/2016 – Até o final do ano, a Jamaica acrescentará 115 megawatts (MW) de capacidade à rede elétrica, gerados a partir de fontes renováveis não convencionais, em uma tentativa de reduzir o custo da energia e diversificar 30% de sua matriz energética até 2030.
Nesse país, 90% da geração elétrica ocorre a partir de combustíveis fósseis, mas o governo se comprometeu a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos gases-estufa, aumentando a participação das energias renováveis dos atuais 9% para 15% até 2020.
Uma Política Nacional de Energia guia as ações para reduzir os custos e cumprir os acordos internacionais de redução de emissões contaminantes e causadoras do aquecimento global. Entre as medidas se destacam os planos para reduzir de 90% para 30% a eletricidade gerada a partir de petróleo, afirmou à IPS o ministro de Ciência, Tecnologia, Energia e Mineração, Julian Robinson.
A dependência dos combustíveis fósseis também implica um custo para o país, devido à elevada contaminação local, gasto com saúde e sua contribuição para a mudança climática. De acordo com o segundo informe nacional para a Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC) de 2000, o setor energético representava 86% dos 9.532 gigagramas (Gg) de emissões de CO2, bem acima dos 1.114 Gg registrados em 1994.
Além disso, segundo o setor empresarial, o elevado custo da energia é uma barreira importante para o desenvolvimento econômico desse país caribenho, e é uma das principais causas de sua paralisia. Com custo de US$ 0,40 por quilowatt por hora (KW/hora), a população local paga uma das maiores faturas de eletricidade da região.
Em 2011, a Jamaica destinou US$ 1,48 bilhão, 15% de seu produto interno bruto (PIB), à importação de petróleo. E, mesmo com o atual preço do petróleo abaixo dos US$ 34 o barril, dos menores na história, a queda do dólar jamaicano, o possível aumento do petróleo e as perdas de 22,3% na geração e distribuição (segundo estimativas desse ano) tornam pouco provável que esse país se afaste do curso fixado pela política energética.
As estimativas sugerem que dezfazendas eólicas médias, com capacidade de 60 megawatts (MW) cada uma, poderiam cobrir as necessidades de mais da metade da ilha. Em 2015, o Estado convidou várias empresas a realizarem ofertas para participarem de inciativas do governo para reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis. Foram investidos mais de US$ 200 milhões para lançar uma mescla de projetos eólicos e solares.
O Escritório de Regulamentação de Serviços (OUR), responsável por supervisionar as operações das companhias públicas, aprovou 80 MW de capacidade adicional,com os 36,3 MW produzidos pela fazenda eólica de Blue Mountains Renewables e 24,4 MW adicionais pela Estatal de Wigton.
Para completar os 115 MW estipulados em 2015, foi aprovada a proposta da empresa Content Solar Limited (CSL), subsidiária jamaicana da WRB Enterprises, com sede no Estado norte-americano da Flórida, para construir uma planta de energia solar fotovoltaica de 20 MW que, segundo seu presidente, Robert Blenker, fornecerá eletricidade suficiente para 20 mil residências.
Por último, foram licitados outros 37 MW no final do ano passado, informou Robinson.Segundo o ministro, “o projeto da Content Solar será o maior de seu tipo no Caribe e fornecerá energia renovável limpa e confiável a um preço estável na Jamaica. Também evitará a queima de mais de três milhões de galões (mais de 11 milhões de litros) de combustíveis fósseis por ano”.
Os planos da Content Solar coincidem com os compromissos de baratear a eletricidade e alcançar maior eficiência no fornecimento, como estipula a nova lei, destacou Robinson, explicando que a lei “estabelece um marco para maximizar a eficiência, mediante um distribuidor que levará a fonte mais barata de eletricidade ao consumidor final”.
Além disso, o ministro afirmou que o governo introduziu a possibilidade de os clientes gerarem sua própria energia elétrica e venderem o excedente ao Estado. Também assinalou que “uma redução de 30% no custo dos painéis solares” e maior eficiência nas tecnologias solar e eólica garantirão a continuidade do investimento no setor renovável não convencional, mesmo com o baixo preço do petróleo.
O Mapa do Caminho para a Energia Sustentável na Jamaica, realizado pelo Instituto WorldWatch em 2013, indicava que um número maior de residências com aquecedores de água solares permitiria economizar entre 75 Gg e 100 Gg por hora de eletricidade ao ano. É necessário criar uma “transição suave” para um sistema de energia sustentável e viável do ponto de vista econômico, ressaltou Robinson.
Os especialistas estimam que, mediante um sistema de geração elétrica baseado principalmente em energias renováveis, a Jamaica economizaria cerca de US$ 12,5 bilhões até 2030, que poderiam ser destinados ao gasto público e social em um país que, segundo estimativas de 2012, gasta aproximadamente 54% da arrecadação para pagar sua dívida. Com um uso quase exclusivo de fontes renováveis, a Jamaica poderia reduzir o custo médio da eletricidade em 67% entre 2010 e 2030, destaca o informe do WorldWatch.
A transição permitiria ao país a criação de quatro mil novos empregos e uma redução de suas emissões de gases-estufa no setor elétrico equivalente a 0,7 milhão de toneladas de CO2 ao ano. Para acelerar o processo seria necessário um número elevado de investimentos iniciais, mas até agora a Jamaica está com sorte, pois o grosso dos fundos procedeu do setor privado e de doadores.
O diretor de clima e energia do WorldWatch, Alexander Ochs, afirmou que “a demanda da Jamaica poderia ser totalmente coberta com recursos renováveis” não convencionais, como fontes solar e eólica. O setor público já começou seu próprio programa de estratégias para reduzir o gasto de energia e obter maior eficiência, mediante as quais as agências e os órgãos estatais poderão economizar milhões de dólares.
O Instituto WorldWatch estima que, com investimentos da ordem de US$ 6 bilhões, se poderia elevar a contribuição do setor das energias renováveis para a matriz elétrica jamaicana em até 93% até 2030, e ao mesmo tempo reduzir o custo da energia.Com estudos de viabilidade indicando a possibilidade de se desenvolver a alternativa hidrelétrica em seis rios, Robinson olha parao futuro e aposta na possibilidade de produzir outros 26 MW de energia renovável em um futuro próximo. Envolverde/IPS

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