terça-feira, 26 de março de 2013

MANCHETES SOCIOAMBIENTAIS -- 26/março/2013

Amazônia

Força Nacional reforça tropa em Belo Monte

O governo federal decidiu reforçar a presença da Força Nacional de Segurança Pública na usina de Belo Monte, no Pará, depois do agravamento dos distúrbios com índios, operários e agricultores. Por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial da União, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, autorizou o envio de tropas por 90 dias, prorrogáveis pelo tempo que for necessário. A medida foi requerida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o objetivo básico, conforme a portaria, é evitar a paralisação das obras, coibir os piquetes que impedem a entrada de funcionários e reprimir o bloqueio de estradas próximas aos canteiros. Os policiais vão também combater o tráfico de mulheres para prostituição, que se intensificou perto de Belo Monte e de outras hidrelétricas na Amazônia - OESP, 26/3, Economia, p.B3.

BR-163, uma 'revolução' adiada durante 30 anos

A BR-163, também conhecida como rodovia Cuiabá-Santarém, poderia revolucionar o escoamento de cargas do país ao deslocar grande parte da safra de grãos do Mato Grosso para a região Norte do Brasil. A conclusão dessa estrada, no entanto, é uma promessa que está completando 30 anos. E que nunca se cumpriu. Do lado mato-grossense, a estrada de pista simples e asfalto castigado sofre com o movimento intenso dos caminhões. No Pará, a BR-163 permanece como sempre foi: uma arriscada estrada de terra. Dificuldades com regularização de terras e licenciamento ambiental, omissão do poder público e corrupção minaram o potencial da rodovia - Valor Econômico, 26/3, Especial, p.A16.

Lições ambientais escavadas no passado da Amazônia

Em entrevista, o arqueólogo Eduardo Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, fala sobre a diversidade biológica da Amazônia e a complexidade das civilizações que ali viveram no passado. Para ele, diversidade oposta ao que é proposto hoje, citando a monocultura, criação extensiva de gado, geração de energia e exploração mineral com grandes impactos ambientais - O Globo, 26/3, Amanhã, p.18 e 19.

Pecuária

MP e supermercados fazem acordo contra carne ilegal

Um acordo assinado ontem entre o Ministério Público Federal e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) promete combater o consumo de carne bovina proveniente de áreas desmatadas na Amazônia ou outra origem que desrespeite leis socioambientais. O termo de cooperação técnica ainda prevê incentivos para que seja divulgado, nos locais de venda, a procedência dos produtos. O objetivo principal é mobilizar as mais de 82 mil lojas associadas à Abras em todo o País para a valorização de fornecedores que adotem práticas sustentáveis na produção. Além da exploração ilegal na Amazônia, o termo tem como alvo fazendas onde foram constatadas irregularidades, como invasão de terras públicas ou exploração de trabalho escravo - OESP, 26/3, Vida, p.A13.

Carne sem culpa

"Imagine uma carne que chegue à sua mesa com a garantia de que não vem de uma fazenda que praticou trabalho escravo ou grilou terra em unidade de conservação e área indígena. Ou seja, quando seu garfo e sua faca se cruzarem cortando o filé ou o assado você não terá o amargo sabor de estar participando da velha cadeia de crimes que sempre existiu na pecuária brasileira", coluna de Míriam Leitão - O Globo, 26/3, Economia, p.36.

Povos Indígenas

Governo faz obra em abrigo para índios

O governo do Estado do Rio iniciou ontem obras para evitar alagamentos no alojamento provisório dos 12 índios que deixaram, na sexta-feira, o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, zona norte do Rio, ocupado desde 2006. Com britadeiras, os funcionários abriram buracos na estrutura para a instalação de canaletas que vão escoar a água da chuva. Poças que se acumulavam também foram removidas. O alojamento temporário foi construído em uma área dentro do Hospital Curupaiti, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade - OESP, 26/3, Metrópole, p.C5.

Em livro, as lições globais do cacique do pioneirismo

Almir Narayamoga Suruí motivou manchetes pelo mundo ao convencer a Google, em 2007, a lhe prover ferramentas para mapear a cultura dos povos que vivem na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO). A trajetória de Almir está prestes a virar livro, em autobiografia escrita com ajuda do americano Steve Zwick, editor do site EcosystemMarketplace e ex-repórter da Time. Almir e Zwick se conheceram há quatro anos, em Copenhague, na Conferência do Clima da ONU. As intervenções do índio despertaram o interesse do americano, pela desenvoltura com que retrucava perguntas duras sobre iniciativas como o projeto de crédito de carbono que tenta implementar - O Globo, 26/3, Amanhã, p.16 e 17.

Mudanças Climáticas

Rio emite, Amazônia compensa

O Rio de Janeiro vai apostar na floresta amazônica do Acre para compensar as emissões de gases de efeito estufa de indústrias fluminense. Um Termo de Cooperação Técnica assinado pelos governos do Rio de Janeiro e do Acre, além do BNDES, pretende estimular iniciativas de Redução de emissões por desmatamento e Degradação (REDD). O Rio já possui um mercado de carbono, idealizado pela subsecretaria de economia verde, subordinada à Secretaria estadual do Ambiente. Falta ainda, porém, que a lei seja regulamentada, o que pode ocorrer em breve. O Acre aparece como parceiro em potencial, pois possui razoável percentual de floresta amazônica preservada. Na prática, indústrias fluminenses poderiam, em vez de reduzir suas emissões, comprar créditos de carbono de projetos de lá voltados para a conservação da floresta de pé - O Globo, 26/3, Amanhã, p.9.

"Precisamos ser resilientes, e não sustentáveis"

Em entrevista, Andrew Zolli, criador da rede virtual Poptech, que apoia projetos voltados para a solução de problemas ambientais e sociais nas mais diferentes partes do globo, traz uma proposta polêmica. Em vez de apostar na sustentabilidade, imaginando que um dia as populações habitantes da Terra possam encontrar um equilíbrio saudável, ele acredita que a saída seja outra. É o que Zolli chama de resiliência. Autor do livro Resilience: Why things bounce back, recém lançado pela Elsevier no Brasil sob o título Adapte-se: resiliência - Como pessoas, sociedades e organizações podem enfrentar mudanças e adaptar-se a elas, ele afirma que não há mais tempo de evitar mudanças. Por isso, propõe que os investimentos sejam canalizados para preparar as pessoas para sobreviverem e até prosperarem em condições ruins, em meio ao desequilíbrio do planeta - O Globo, 26/3, Amanhã, p.12 a 13.

Geral

PT teme pressão ruralista contra penas ao trabalho escravo e precipita fim de CPI

"Encerro esta CPI porque não sou conivente com ações que vão prejudicar o trabalhador brasileiro. A postura da bancada ruralista vai de encontro aos princípios que levaram à convocação da CPI, que constatou a existência de trabalho no país", disse Cláudio Puty (PT-PA), presidente da CPI do Trabalho Escravo, em 16 de março. A intenção da Frente Parlamentar da Agropecuária era aprovar um relatório que flexibilizasse o conceito de trabalho escravo. O setor queria retirar a jornada exaustiva e o trabalho degradante da definição de trabalho escravo, além de sugerir outras alterações na legislação trabalhista infraconstitucional - Valor Econômico, 26/3, Política, p.A11.

Lei de Crimes Ambientais completa 15 anos

"A Lei nº 9.605, de fevereiro de 1998, completou 15 anos. Como adolescente, cresceu, ocupou muito espaço, mas ainda não amadureceu. De fato, em rápida olhada na trajetória dessa lei, observa-se pouca evolução, especialmente no que diz respeito à sua contribuição para a valorização da questão ambiental", artigo de Walter José Senise - Valor Econômico, 26/3, Legislação, p.E2.

Água para o desenvolvimento

"Recentemente, a ONU divulgou que o mundo atingiria, até 2015, o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável. No entanto, o planeta enfrenta enormes desequilíbrios entre regiões e países no que diz respeito ao acesso à água de qualidade, e dificilmente atingirá a meta global de saneamento. Quase 40 milhões de pessoas ainda carecem de acesso à água de qualidade, e 120 milhões não têm instalações sanitárias apropriadas, sendo a maior parte delas pobres de zonas rurais em países menos desenvolvidos", artigo de Lucien Muñoz - O Globo, 26/3, Opinião, p.17.

OUTRAS NOTÍCIAS

Um pouco de piedade para a Serra e suas cavernas
http://www.oeco.com.br/adriano-gambarini-lista/27022-um-pouco-de-piedade-para-a-serra-e-suas-cavernas?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+siteoeco+%28O+Eco%29
MPF e Incra vão assinar acordo para impedir desmatamentos ilegais na região amazônica
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-25/mpf-e-incra-vao-assinar-acordo-para-impedir-desmatamentos-ilegais-na-regiao-amazonica
Mudanças climáticas beneficiam multiplicação de corais moles, prejudicando a vida marinha
http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mudancas_climaticas1/noticia=733515
WWF lista os pecados ambientais de Belo Monte
http://www.oeco.com.br/noticias/27024-wwf-lista-os-pecados-ambientais-de-belo-monte?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+siteoeco+%28O+Eco%29
Governo do Rio anuncia unidades de Proteção Comunitária na região serrana
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-25/governo-do-rio-anuncia-unidades-de-protecao-comunitaria-na-regiao-serrana
Florestas artificiais ameaçam biodiversidade do Pampa
http://agencia.fapesp.br/17032
Em isolamento voluntário
http://envolverde.com.br/ambiente/terramerica-em-isolamento-voluntario/

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