sábado, 30 de março de 2013

Complexo de usinas no Noroeste gaúcho deve desalojar 12,6 mil pessoas


Estudos de viabilidade para construção de hidrelétricas podem começar neste mês


Estudo de viabilidade deve começar neste mês<br /><b>Crédito: </b> Vilson Winckler / Divulgação / CP
Estudo de viabilidade deve começar neste mês
Crédito: Vilson Winckler / Divulgação / CP

Devem começar neste mês os estudos de viabilidade para a construção das usinas hidrelétricas Garabi e Panambi, no Noroeste do Estado. As estruturas, que fazem parte de um projeto entre Brasil e Argentina, devem ter capacidade instalada somada de 2.200 MW e desalojar 12,6 mil pessoas.

Se implantadas, as barragens no rio Uruguai alagarão uma área de 73,2 mil hectares. Segundo o Estudo de Inventário do Rio Uruguai no Trecho Compartilhado entre Argentina e Brasil, realizado pelas empresas estatais Ebisa (Argentina) e Eletrobras (Brasil), o barramento de Garabi ficaria no km 863 do rio Uruguai, a cerca de 6 quilômetros a jusante (rio abaixo) dos municípios de Garruchos, que têm mesmo nome tanto no Brasil quanto na Argentina.

A estrutura alagaria as localidades de Garruchos e também Azara, San Javier e Itacaruaré, na Argentina, e Porto Xavier, no Brasil. Estima-se que a população urbana a ser desalojada é de cerca de 2,1 mil pessoas e a rural, 3,8 mil. Além de afetar vias pavimentadas, prejudicará a atividade pecuária, o cultivo de erva-mate, soja, arroz e áreas florestadas. Já a barragem de Panambi ficaria no km 1.016 do rio Uruguai, a aproximadamente 10 quilômetros a montante (rio acima) dos municípios de Panambi (Argentina) e Porto Vera Cruz (Brasil). A usina inundará as cidades de Alba Posse e Porto Mauá. Cerca de 1,3 mil pessoas devem ser atingidas na área urbana e 5,4 mil, na rural.

Os contratos para os estudos e projetos de engenharia, estudos ambientais e plano de comunicação foram assinados em dezembro por representantes do consórcio formado pelas empresas Consular, Engevix, Grupo Consultor Mesopotamico, Iatasa, Intertechne e Latinoconsult.

Uma Porto Alegre e meia alagada
Os técnicos da Ebisa e da Eletrobras estimam que as novas usinas tragam custo ambiental direto de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, conforme informado no Estudo de Inventário do Rio Uruguai no Trecho Compartilhado entre Argentina e Brasil. As barragens alagarão 73,2 mil hectares, área equivalente a cerca de uma Porto Alegre e meia.

Na Garabi, da vegetação nativa serão afetados 44 mil hectares (ha), incluindo o alagamento de áreas do Parque Ruta Costera do Rio Uruguay, da Reserva Privada Santa Rosa, na Argentina, além das Áreas de Importancia para la Conservación de las Aves C. Martires Barra S. María, Azara e Barra Concepción. Do lado brasileiro serão inundados trechos das margens dos rios Uruguai e Ijuí. Já a barragem Panambi alagará 19 mil ha de vegetação nativa. No caso das Unidades de Conservação, o impacto sobre o Parque Estadual do Turvo será de 60 ha; e sobre a Reserva de Biosfera Yabotí (Argentina), 34 ha.

Outros impactos decorrentes da transformação permanente dos ambientes e como eles afetarão os ecossistemas das unidades de conservação ainda requerem estudos específicos. Conforme o professor do departamento de Botânica da Ufrgs Paulo Brack, milhares de hectares de florestas, campos nativos e áreas agrícolas serão destruídos. “Trata-se do principal enclave da Mata Atlântica de interior, com elementos originários também do Sul da Amazônia”, destaca, lembrando que a área abarca mais de 1,5 mil espécies.

Com informações dos repórteres Agostinho Piovesan, Felipe Dorneles e Maria Dal Canton Piovesan

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Fonte: Correio do Povo

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