segunda-feira, 19 de abril de 2010

PUXADA DE CAVALOS : manifestantes são agredidos


Grupo que protestava contra disputa que mede a força dos animais levou socos, ovos e pedradas de participantes do evento

Enrolada no corpo, a faixa de protesto contra a puxada de cavalos era o único escudo que protegia Heike Weege de uma chuva de ovos e pedras. Em vão. Sob gritos de incentivo da plateia, cerca de 30 participantes da puxada partiram para cima dos 14 manifestantes que criticavam a promoção do evento.

A haste da faixa virou a própria arma com que Heike foi agredida nos braços, aos gritos de súplica para que parassem. Com a câmera fotográfica na mão, Bárbara Lebrecht não conseguia decidir se corria ou ajudava a companheira, quando foi empurrada. Caiu e fraturou o fêmur. Ao mesmo tempo, outra manifestante, Patrícia Luz, se desesperava com o sangue que descia pelo rosto, ao ter a testa perfurada.

Sem reação, os manifestantes procuravam entrar nos automóveis e fugir da legião que, aos gritos, tentava expulsá-los do local, quando um caminhão e uma comitiva de motos tentaram bloquear a saída da rua.

Qualquer um que estivesse por perto poderia ser alvo das agressões. O cinegrafista da TVBV Luiz Deluca se esquivava nos muros de uma casa para se proteger de socos e tapas que levava de três homens. Ao que lhe ofereceram carona, na escolha de fugir ou proteger o equipamento, correu para o veículo e quase foi atingido nas costas pela câmera, que se destruiu ao chão.

A selvageria foi a resposta ao protesto que começou pacificamente cinco minutos antes, em frente a um terreno da Rua Ribeirão Souto, que servia de arena improvisada para a puxada de cavalos.

Integrantes das Associação de proteção aos Animais de Blumenau (Aprablu), das Associação dos Melhores Amigos dos Bichos (AMA Bichos), Oba Floripa e Ecosul criticavam o uso de cavalos em provas que medem a força do animal. Para isso, os cavalos são forçados a arrastar sacos de areia de até duas toneladas sobre um arado por 10 metros em uma pista de terra. Desde a manhã de ontem, quando os primeiros participantes chegaram, os manifestantes estenderam faixas e cartazes com inscrições de repúdio.

Antes da reação, o clima era tranquilo. Mesmo com o sol forte perto das 13h, 200 pessoas – entre agricultores, empresários e famílias inteiras – disputavam o melhor lugar à sombra para assistir à quinta rodada do evento, organizado pelo Clube do Cavalo. Havia 25 participantes, de Pomerode e oito municípios vizinhos, que levaram 60 animais para a disputa de força e resistência.

Presidente do clube não quis se manifestar

A reportagem tentou entrar em contato com o presidente do Clube do Cavalo, Miro Just, mas familiares disseram que ele estava dormindo e que não tinha condições de atender ao telefone nem de responder pelas agressões da tarde de domingo.
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FONTE : jorn. Cristian Weiss, Diário Catarinense, 19/abril/2010

Um comentário:

Jaques Hercilio Rosa disse...

É inadimissivel uma crueldade dessas. Culpa do poder público que regulamentou a puxada pensando em poder contar com os votos destes agressores sem caráter. Vamos ficar de olho para ver se essas pessoas serão realmente punidas com o rigor que o caso merece. Estou envergonhado por ser visinho desta cidade chamada pomerode.( assim mesmo como escrevi pomerode com letras minúsculas)