quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Coelhos são uma salvação no Zimbábue


Cada vez mais pessoas no Zimbábue se dedicam à criação de coelhos, atividade que permitiu melhorar a economia de muitas famílias, como a de Tichaona Muzariri, que se dedica à cunicultura em Chivhu, 143 quilômetros ao sul de Harare,capital do país. Foto: Jeffrey Moyo/IPS
Cada vez mais pessoas no Zimbábue se dedicam à criação de coelhos, atividade que permitiu melhorar a economia de muitas famílias, como a de Tichaona Muzariri, que se dedica à cunicultura em Chivhu, 143 quilômetros ao sul de Harare,capital do país. Foto: Jeffrey Moyo/IPS
Por Jeffrey Moyo, da IPS – 

Chivhu, Zimbábue, 3/2/2016 – Em 2009, Tichaona Muzariri deixou seu trabalho de professor no povoado de Range, na localidade de Chivhu, 143 quilômetros ao sul de Harare, a capital do Zimbábue, para se dedicar à criação de coelhos, com apenas três fêmeas e um macho. Com capital de US$ 30, aos 44 anos iniciou seu pequeno empreendimento e hoje cria quase três mil coelhos por ano e sacrifica cerca de 120 por semana para venda a varejistas, restaurantes e hotéis.
A cunicultura foi uma salvação para ele, pois um quilo de carne de coelho custa entre US$ 8 e US$ 10 no Zimbábue.“Pensando no começo, é difícil acreditar que estou ganhando milhares de dólares com a criação de coelhos”, descreveu Muzariri à IPS. Um de seus coelhos custa aproximadamente US$ 6. O negócio floresce porque o custo de criação é de um dólar por animal.
“Não posso me queixar. O negócio vai de vento em popa, agora que a carne de coelho é considerada um manjar, do qual alguns não podem prescindir”, afirmou o produtor.Como ele, prosperam muitos criadores de coelho. Cada fêmea pode chegar a ter até 40 filhotes por ano, pois a gestação demora de 30 a 33 dias. Graças à curta gestação, a cunicultura está no auge no Zimbábue e muitos criadores encontram nichos de mercado para a carne.
Segundo a Associação de Produtores de Coelho (RPAZ), há mais de dois mil criadores nesse país da África austral. A entidade cuida de coordenar, administrar e promover tanto a criação comercial quanto doméstica, a produção e a venda dos animais, além de fixar padrões de qualidade. Muitas camponesas também se incorporaram com entusiasmo ao frenesi gerado por essa atividade.
Mavis Gonbo, de 32 anos e originária de Marondera, na província de Mashonalandia, 72 quilômetros a leste de Harare, é uma das mulheres que se dedicam à cunicultura, que está principalmente nas mãos dos homens no país. “A carne dos meus coelhos atrai visitantes de diferentes lugares, inclusive turistas estrangeiros, o que fez o negócio crescer bastante”, contou à IPS.
Os hotéis e os grandes comércios se tornaram grandes compradores de carne de coelho devido à grande demanda gerada por seu alto valor nutritivo e sua fama de ser um manjar. “Acumulamos uma grande clientela de amantes da carne de coelhointeressada em seu elevado valor nutritivo”, pontuou à IPS o hoteleiro Gideon Humure, de Chivhu.
Mas foi sobretudo a rapidez com que os animais se reproduzem o que interessou os criadores. Segundo a RPAZ, depois de nascer, crescem muito rapidamente e chegam à maturidade e ao tamanho requerido pelo mercado em menos de seis meses. E não apenas a carne é aproveitada. “Também se vende o esterco de coelho como fertilizante e meio para cultivo de minhocas”, explicou à IPS Agrippa Machingura, funcionário de extensão agrícola.
Além disso, são atribuídas propriedades medicinais à carne de coelho, que tem elevado conteúdo de proteínas de fácil digestão, e também é uma das de menor quantidade de calorias e gorduras, tem menos sódio, maior proporção de carne em relação aos ossos e possui pouco colesterol, considerado responsável por problemas cardíacos
A vida não é a mesma para Muzariri e Gono desde que passaram a se dedicar à cunicultura. Muzariri disse que vende milhares de coelhos para os restaurantes em Harare e outras cidades vizinhas. “As pessoas não sabem, mas minha vida mudou graças à demanda de produtos derivados, posso economizar mais de US$ 900 por mês e pagar escola particular para meus filhos”, destacou.
Por sua vez, Gono pôde comprar uma propriedade de quase cinco hectares nos arredores de Harare, que dedicará completamente à criação de coelhos. “Não perco nada aumentando o número de animais, pois sobrevivem em qualquer condição climática, mesmo com nosso clima inóspito e não exigem muitos alimentos caros, como os frangos”, explicou.
“A cunicultura não requer muito espaço como a criação de outros animais. Por isso, os coelhos podem ser criados em qualquer lugar, mesmo pequenos”, afirmou o especialista Trynos Gambiza. Também “é uma atividade que não exige muito trabalho, ao contrário da pecuária ou da avicultura, pois é fácil alimentar os coelhos e eles não precisam de muitos cuidados”, ressaltou.
Por fim, os coelhos produzem mais carne com menos insumos. Segundo a associação dos criadores, um único coelho fornece cerca de dois quilos de carne com a mesma quantidade de alimento e água com que uma vaca produz meio quilo.
Com a grande incidência de enfermidades como hipertensão, que são um problema cada vez maior no Zimbábue, cunicultores como Muzariri oferecem soluções para o problema. “Os coelhos que criamos são uma panaceia para as doenças associadas a certo nível de vida e que afetam muitas pessoas atualmente”, enfatizou. Envolverde/IPS

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