quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Iniciativa de remoção de micos no Rio ganha prêmio internacional


Mico-leão-dourado. Foto: Haroldo Palo Jr/Fundação Grupo Boticário
Projeto desenvolvido pelo Instituto Pri-Matas com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza conquistou o primeiro lugar pelo trabalho realizado com a comunidade de Niterói.
Por Redação da Fundação Grupo Boticário – 
O projeto de remoção dos micos-leões-da-cara-dourada das matas do Rio de Janeiro acaba de receber o prêmio Contação de Histórias, da Primate Education Network (Rede de Educação sobre Primatas, em tradução livre). A iniciativa, realizada pelo Instituto Pri-Matas com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, conquistou o primeiro lugar na América Latina.
O PEN’s Storytelling Contest é um prêmio internacional concedido às instituições que desenvolvem ações de sucesso aplicando a storytelling (contação de histórias) para disseminar positivamente conhecimento e influenciar atitudes em países com ocorrência de primatas. A Primate Education Network é uma organização dedicada a conectar e empoderar educadores conservacionistas de primatas.
O projeto de remoção dos micos-leões-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) invasores do Rio de Janeiro foi iniciado em 2011 para evitar uma interferência nas populações de mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). O Rio de Janeiro é habitat natural dessa última espécie de mico, mas não da primeira. O encontro seria prejudicial para as duas espécies, ambas ameaçadas de extinção.
Os micos-leões-da-cara-dourada conquistaram a simpatia dos moradores do entorno do Parque Estadual da Serra da Tiririca e do Parque Municipal Darcy Ribeiro, em Niterói, acostumados a interagir com os animais. Para conseguir a aceitação da população para a importância da remoção, a equipe do projeto, composta por Aline Oliveira Santos e Susie Rodrigues Pinto, investiu na contação de histórias, por meio de técnicas simples e lúdicas, que explicaram como o mico-leão-de-cara-dourada chegou à área, problema que poderia causar para o mico-leão-dourado, o porquê de não alimentar os animais e os riscos que esse contato muito próximo com as pessoas traz para ambos.
“A interação com a comunidade local foi uma etapa essencial do projeto para que a remoção dos micos-leões-da-cara-dourada tivesse êxito. Esse prêmio é o reconhecimento de um grande esforço. Somos em poucos, mas trabalhamos intensamente, com motivação e paixão por esses animais”, afirmou Maria Cecilia Kierulff, coordenadora da iniciativa.
Já foram removidos mais de 760 micos-leões-da-cara-dourada das florestas do Rio, sendo que a expectativa é que faltem menos de 20 indivíduos para serem retirados. Esses micos foram trazidos da Bahia por traficantes de animais, sendo considerados espécies exóticas no Rio, isto é, que não estão na sua área de ocorrência natural. Espécies exóticas se tornam invasoras quando ameaçam as espécies nativas e no caso do mico-leão-de-cara-dourada ele compete com o mico-leão-dourado pois usa os mesmos locais de dormida e os mesmos alimentos. Dessa forma, espécies exóticas invasoras são grande problema para a conservação da biodiversidade, precisando ser retiradas dos ambientes naturais. (#Envolverde)

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