sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A SATÂNICA BOATE KISS - James Pizarro






A Satânica Boate Kiss
(*) James Pizarro – Ilustração de Flamarion Trevisan
Nunca mais a catedral de Santa Maria baterá duas horas da madrugada
sem que a cidade,
Na hora do espanto,
Rememore tudo para a eternidade.
Nunca mais a cidade terá a mesma alegria
Porque a ganância de uns
E a irresponsabilidade de outros
Prepararam ardilosamente,
Sob a desgraçada signa do cifrão,
O porão negro da morte.
Uma câmara escura de gás letal
Que faria inveja a Hitler
Levou para sempre
Futuros médicos, advogados, agrônomos, zootecnistas,
Além de socorristas voluntários e soldados.
Mais de 240 corpos achados.
Dois namorados abraçados, entre eles.
Com os corpos colados,
Carnes soldadas para sempre pela combustão
Como num pacto de amor eterno
O derradeiro carinho do amor que nunca acontecerá.
Naquela esquina maldita,
Em tempos idos, dois incêndios já produziram horror.
Escola Hugo Taylor e Escola Riachuelo já tinham ardido,
Mas os prejuízos foram apenas materiais.
Mas desta vez foi carne humana,
Sangue, esperança e juventude.
Este punhal ficará cravado em nossas almas para sempre.
Ódio à insensatez dos homens.
Misericórdia aos pais e avós
Que nunca mais ouvirão a voz e a alegria de seus filhos e netos.
Esquina da rua dos Andradas com Avenida Rio Branco.
Queima, desgraça dos homens!
Arde, tristeza das mães!
Fede, algoz de pais e avós!
Mas jamais – esquina do Diabo –
Me peças que eu te ame.

(*) James Pizarro é gaúcho de Santa Maria. Professor aposentado de Ecologia da Universidade Federal de Santa Maria (FSM), é agrônomo, ecologista, radialista, articulista e conferencista.

(*) Flamarion Trevisan, gaúcho de Santa Maria, é um dos destacados e renomados artistas plásticos do Rio Grande do Sul.

Um comentário:

Eva Gal disse...

A Esquina do Diabo é outra... um palacete rosa onde habita um reizinho sarcástico que diz nada ter a ver com este assassinato em massa e não não quis pagar enterro pra rico...