quinta-feira, 25 de setembro de 2014



Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Água, Desmatamento, Mudanças Climáticas
Ano 14
24/09/2014

 

Mudanças Climáticas

 
  No momento em que se intensificam as negociações internacionais sobre a mudança do clima, o Brasil retoma a velha diplomacia defensiva, se recusa a renovar compromissos com a redução do desmatamento e aumenta as suas emissões de gases do efeito estufa em 2013, após um período de sete anos em que havia conseguido reduzi-las Blog do ISA, 24/9.
  País que possui a maior floresta tropical do mundo, o Brasil se recusou a assinar um acordo de combate ao desmatamento apresentado durante a Cúpula do Clima, em Nova York, sob o argumento de que o texto contraria a legislação nacional. O documento propõe reduzir pela metade o corte de florestas até 2020 e zerá-lo na década seguinte. Com esta medida, entre 4,5 bilhões e 8,8 bilhões de toneladas de CO2 deixariam de ser liberadas para a atmosfera. A Declaração de Nova York sobre Florestas, um dos principais resultados da Cúpula do Clima, foi endossado por 32 países - entre eles EUA, Canadá, Noruega, Inglaterra, França, Alemanha, Peru, Colômbia, Guiana e Indonésia. A exemplo do Brasil, China e Índia, que também estão entre os maiores desmatadores do mundo, rejeitaram o documento OESP, 24/9, Metrópole, p.A16; O Globo, 24/9, Sociedade, p.26; FSP, 24/9, Ciência, p.C9.
  Como parte da ofensiva para conter o desmatamento, os governos europeus se comprometeram a transferir pelo menos US$ 1 bilhão a países pobres que preservem ou restaurem suas florestas. Além de países, a Declaração de Nova York sobre Florestas foi endossada por 39 empresas, incluindo Cargill, Kellogg's, Procter & Gamble, Unilever e L'Oreal. "Nós compartilhamos a visão de desacelerar, parar e reverter a perda florestal global, aprimorando simultaneamente a segurança alimentar para todos", diz a declaração, que conclama os países a restaurar mais de 350 milhões de hectares de florestas o que "poderia trazer benefícios climáticos consideráveis e diminuir a pressão sobre as florestas primárias", segundo o texto OESP, 24/9, Metrópole, p.A16.
  Durante a Cúpula do Clima, governos e instituições financeiras anunciaram que mobilizarão US$ 200 bilhões até o fim de 2015 para o Fundo Verde para o Clima, criado para incentivar programas de baixa emissão de carbono dos países em desenvolvimento. O valor, no entanto, resulta de uma salada com dezenas de compromissos e intenções de governos, empresas e organizações. Entraram desde doações e linhas de crédito para iniciativas verdes até a descarbonização de investimentos (não financiar atividades econômicas que contribuam para o aquecimento global) -OESP, 24/9, Metrópole, p.A18; FSP, 24/9, Ciência, p.C9.
  A política ambiental do governo foi tema de novo embate entre as candidatas Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PSB) ontem. Em Nova York, a presidente Dilma afirmou que Marina mente ao afirmar que a atual política ambiental representa um retrocesso e que o desmatamento na Amazônia aumentou em seu governo. Os indicadores não só melhoraram, disse a presidente, como os dados brasileiros, na comparação internacional, "são excepcionais". No domingo, Marina afirmou que a criação de unidades de conservação travou e que o desmatamento da Amazônia "voltou a crescer após quase dez anos de redução". Ontem, Marina classificou como "lamentável" o fato de o Brasil não ter aderido à Declaração de Nova York. "O Brasil é um dos maiores países em floresta, com cerca de 60% de seu território coberto por florestas, e não assinou a carta", disse Marina O Globo, 24/9, País, p.6; FSP, 24/9, Ciência, p.C9; OESP, 24/9, Política, p.A6.
  "Embora as taxas de desmatamento da Amazônia sejam as mais baixas da História, a derrubada aumentou 29% no ano passado e, diferentemente do que informou a presidente Dilma, dados registrados diariamente pelos satélites do Inpe já indicam uma tendência de continuidade do aumento este ano. Com uma taxa anual de desmatamento na Amazônia de 5.891 km², o Brasil é o primeiro do ranking mundial no desmatamento de florestas tropicais. O desmatamento de florestas nativas continua a ser a principal fonte das emissões de gases estufa no país. Ambientalistas apontam que o problema no Cerrado é ainda mais grave. Nesse bioma que engloba todo o Brasil central, o desmatamento não é monitorado", artigo de Catarina Alencastro O Globo, 24/9, País, p.6.
  "Não tenho a menor dúvida de que a ausência do Brasil enfraquece o acordo. Mas a posição do governo brasileiro foi coerente com a nossa realidade. O acordo fala em 'desmatamento zero' e o Brasil tem um Código Florestal que prevê, em alguns casos, a permissão para o desmatamento legal. Essa legislação não pode ser desconsiderada. Mesmo na Floresta Amazônica, o nosso Código Florestal permite, por exemplo, que o proprietário desmate legalmente até 20% de suas terras. Por isso, assinar um documento que estabelece obrigatoriamente o desmatamento zero implicaria revogação de direitos. Ficaríamos em uma situação complicada até do ponto de vista judicial", artigo de Maria Cecília Wey de Brito OESP, 24/9, Metrópole, p.A16.
  "É óbvio que devemos nos orgulhar de termos reduzido o desmatamento da Amazônia em 70% na última década, mas é preciso projetar ir além, sabendo que ainda somos o país que mais desmata em todo o mundo. A cúpula era o momento para afirmar novos compromissos do país, como o fim da perda de cobertura florestal e/ou a retomada da participação das energias renováveis na matriz energética. Mas nossa agenda interna não permite. Nos dois últimos anos o desmatamento voltou a crescer na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. A participação das fontes renováveis na matriz energética caiu de 45% para 41% nos últimos cinco anos e o governo hipoteca o futuro do país aos investimentos em petróleo", artigo de Tasso Azevedo O Globo, 24/9, Opinião, p.19.
  "Candidatos à Presidência precisam explicar como vão enfrentar o tema do clima, que já deixou de ser ameaça e se tornou realidade A atual conjuntura climática é inédita: os 13 anos deste século estão entre os 14 mais quentes desde que se mede a temperatura de forma sistemática. Da Califórnia, nos EUA, ao Brasil, estiagens inusitadas geram escassez no abastecimento de água, queda na produção agrícola, picos nos preços na energia. Contabilidade e planejamento -tanto no setor público como no privado- não incorporam tais variáveis como corriqueiras. Mas o que era excepcional se tornou normal e os seguros não protegem a economia dos novos riscos", artigo de Roberto Smeraldi FSP, 24/9, Tendências/Debates, p.A3.
  
 

Água

 
  A nascente do Rio São Francisco, que fica dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG), secou. Se não chover até o fim de outubro, um trecho de 40 quilômetros do rio, entre a Usina Hidrelétrica de Três Marias e o primeiro afluente, o Rio Abaeté, poderá ficar sem água. "É a primeira vez que isso acontece. Isso é emblemático, pois o São Francisco é o rio mais importante do Brasil. A Serra da Canastra tem centenas de nascentes, perenes e intermitentes, e a maioria já secou", diz Vicente Faria, analista ambiental do parque O Globo, 24/9, Sociedade, p.26; FSP, 24/9, Cotidiano, p.C7; OESP, 24/9, Metrópole, p.A19.
  O diretor-presidente da ANA criticou a falta de clareza da Sabesp em comunicar à população o que pretende fazer para abastecer a Grande São Paulo caso se esgotem as reservas do sistema Cantareira -cujo nível ontem era de apenas 7,8%. "O impacto sobre a vida das pessoas e o de São Paulo sobre o resto do país são muito grandes para serem tratados sem que essas informações sejam as mais honestas possíveis", disse Vicente Andreu Grillo. O secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Arce, que diz que o abastecimento está garantido até março, rebateu as críticas. "O que que é comunicar? É falar: Olha, não tem água'? Todo mundo sabe disso. Não estamos escondendo nada de ninguém", afirmou Arce FSP, 24/9, Cotidiano, p.C6; OESP, 24/9, Metrópole, p.A19.
 
O diretor do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), Alceu Segamarchi, disse ontem que acha "saudável" a construção de poços artesianos pela Prefeitura de São Paulo para suprir uma possível falta de água em escolas e postos de saúde, mas ponderou que a capital paulista possui inúmeras áreas com restrição de perfuração por causa da contaminação do lençol freático OESP, 24/9, Metrópole, p.A19.
  "O governo paulista parece orientar-se mais pelo cronograma eleitoral do que pelo calendário das chuvas. Não se discute, por exemplo, a aplicação de multas por desperdício de água nem se avança numa ampla campanha de conscientização da população. A mesma lógica leva o Palácio dos Bandeirantes a fugir da palavra 'racionamento'. Com a nova cota, o sistema ganhará sobrevida até fevereiro; o governador sustenta que as águas alcançarão março. Mesmo que as expectativas oficiais se confirmem, estará desenhado um quadro hídrico alarmante para o próximo ano. Não se trata simplesmente de garantir o abastecimento até março de 2015. Mesmo que isso esteja assegurado, convém perguntar: e depois?", editorial FSP, 24/9, Editoriais, p.A2.
  
 
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