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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

DINHEIRO E SANGUE : Caçador revela bastidores da matança de elefantes para extração de marfim


elefantelindo
(Redação da ANDA)
Como resultado da caça desenfreada, alimentada por grande demanda do mercado negro pelas presas de marfim, as populações de elefantes africanos se encontram em dramático declínio. Os elefantes do Quênia estão entre os mais atingidos. No ano passado, cerca de 30 mil desses animais foram mortos em toda a África, um aumento de 35% em relação a 2012 – o que marcou um dos anos mais mortais já registrados. As informações são do site The Dodo: For the Love of Animals.
Por trás disso está o comércio de marfim – uma rede internacional composta por fornecedores, distribuidores e cartéis, incluindo grupos terroristas conhecidos como o Al -Shabaab, ligado à Al -Qaeda, responsável pelo ataque ao shopping em Nairobi (Quênia) em setembro do ano passado. Embora as campanhas globais tenham a intenção de interromper e desmontar estas organizações, a caça ilegal continua aumentando, o que pode resultar na extinção dos elefantes em pouco mais de dez anos.
Entre os membros mais visíveis desta indústria bilionária estão os próprios caçadores.
O jornalista Stephen Messenger, um dos editores do site The Dodo, falou recentemente com John Kaimoi, um homem queniano de 33 anos de idade, que admite ter matado 70 elefantes. Apenas duas semanas após ter cumprido pena de dois anos de prisão por estes crimes, ele concedeu esta entrevista por telefone da região de Kabarnet, no Quênia.
Olhando para trás, como você se sentiu ao tirar a vida de um elefante?
Eu tive que colocar coragem em minha alma. Mas quando eu jogava a minha lança no animal, alguma coisa acontecia no meu interior, uma emoção. Quando eu jogava a lança e ela entrava no animal, que é quando ele grita. E quando ele grita, é como se o paraíso descesse na terra.
Neste momento, me sentia desumano. Isso me surpreendia algumas vezes. Quando chegava para encontrar o animal deitado morto, havia uma dor dentro do meu coração. Mas esta era a minha meta. Então, eu só continuei meu negócio.
O caçador John Kaimoi (Foto: The Dodo)
O caçador John Kaimoi (Foto: The Dodo)
Quantos elefantes você matou?
Eu matei 70 elefantes de 2002 até ser preso.
Você se lembra de ter visto na mídia que era prejudicial? Você entendia como isto era criminoso?
Sim, parecia algo criminoso, mas por causa do tipo de vida que eu tinha até então, eu tinha que arriscar. Eu tinha que arriscar.
Para quem você vendia as presas?
Eu levava as presas para negociantes, cartéis, ao longo da região costeira do Quênia, em uma cidade chamada Mombasa que fica a cerca de 700 km de onde eu os matava.
Quanto dinheiro você ganhava com a venda das presas ?
Com 1 kg destas presas, eu poderia ganhar 5 mil shillings (US$ 58).
(OBS: No mercado negro, o marfim está avaliado em US$ 1.800/kg)
Marfim apreendido por oficiais no Quênia (Foto: aljazeera.com)
Marfim apreendido por oficiais no Quênia (Foto: aljazeera.com)
Será que sua esposa e filhos sabem como você estava ganhando esse dinheiro?
Não, não. Eles não podiam sequer saber. Eu não podia dizer a eles porque era um problema sério. Eles pensavam que eu tinha saído para um trabalho, e depois de algum tempo eu voltava para casa.
Você entende que os elefantes podem ser extintos por culpa da caça? Como você se sente em relação a isso?
É tudo ruim. Os elefantes se extinguirem, é tão ruim, porque o país vai perder o turismo, e não seria bom para os elefantes.
O que você gostaria que as pessoas soubessem de sua experiência de ter matado elefantes e ido para a prisão por isso?
O que gostaria de dizer às outras pessoas no mundo sobre esses elefantes, é que os elefantes são animais importantes. Devemos cuidar deles. O que eu vejo é que os elefantes são um recurso que deve ser cuidado por todos. Através desses animais, o governo pode obter receita por meio do turismo. Isso é o que eu posso dizer sobre esse importante animal.
- Depois da realização desta entrevista, o presidente queniano Uhuru Kenyatta assinou a Lei de Conservação e Gestão da Vida Selvagem, endurecendo a punição para os caçadores que agora são condenados à prisão perpétua.
Nota da Redação: Os elefantes não devem ser explorados pela caça, pelo turismo ou por qualquer outro motivo. Precisam viver livres em seus habitats, sem serem perturbados pelos humanos.

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