segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Arte nas plantações de arroz do Japão








Com a chegada do verão algumas plantações de arroz no Japão ganham um colorido todo especial. A comunidade de agricultores de Inakadate, na província de Aomori é uma das mais conhecidas por produzir os trabalhos mais impressionantes desta combinação de arte e agricultura.

Esse resultado é conseguido plantando mudas de folhas de cores diferentes que vistas a partir de uma determinada altura, transformam-se em lindos quadros nas plantações de arroz.

Veja as fotos da safra 2009 em Inakadate.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

COP-15: as propostas do governo e as do Brasil


Os empresários da indústria paulista (Fiesp), reunidos em sua elegante e moderníssima sede na av. Paulista, em São Paulo (SP), debateram, desde a terça-feira (25/08), as questões ambientais e os desafios das empresas para os próximos anos na luta contra as causas do aquecimento global. Em debate específico sobre as propostas do Brasil para a COP-15, no encontro que terminou nesta quinta-feira, os empresários ouviram do embaixador brasileiro para as mudanças do clima, Sergio Serra, que o Brasil vai levar a Copenhague uma “posição de governo, não uma posição do Itamarati”.

Ele explicou que o núcleo do processo decisório para a conferência do clima, no caso brasileiro, é formado por três ministérios: do Meio Ambiente (MMA), de Ciência e Tecnologia (MCT) e o Itamarti. Mas ressaltou que o processo teve um universo de consulta bastante maior, que incluiu o setor empresarial e outros da sociedade civil. E resumiu dizendo que o país espera da COP-15 “um resultado ambicioso que se oriente pelas recomendações da ciência”.

De acordo com os especialistas, para manter o aquecimento abaixo de dois graus centígrados até o final do século, é necessário que os países desenvolvidos apresentem uma proposta de redução de emissões entre 25% a 40%, a médio prazo, (até 2020) e, no caso de países em desenvolvimento, uma redução da conta de emissões, ou seja, uma redução da curva de crescimento dessas emissões.

No caso do Brasil, segundo o embaixador, “há um fator negativo gerado por uma série de ações do governo que levam ao aumento das emissões, como o programa luz para todos e o ainda incógnito programa de exploração de petróleo na faixa do pré-sal”. Mesmo assim, ele é otimista e acredita que o país tenha condições de reduzir bastante essa curva de crescimento. Ele ratificou o que já foi declarado pelo ministro Celso Amorim, "que o país tem condições de levar números a Copenhague”. Mas ressaltou que “esse ainda é um trabalho em construção”.

Disse que espera levar para a próxima reunião de negociações, que acontece entre o final de setembro e início de outubro em Bangcoc, na Tailândia, um documento compilado, e com um texto mais trabalhado, de cerca de 60 páginas, baseado no que foi apresentado em Bonn, que era muito extenso, de cerca de 200 páginas.

O embaixador destacou os avanços ocorridos em Bonn, há alguns dias, nas negociações do grupo que envolve os países desenvolvidos, formado a partir de Bali, em 2007. Negociações essas que, como explicou, “estavam empacadas por conta da indefinição norte-americana”. Em Bonn, além da adesão dos EUA, os principais países do Anexo I, exceto a Rússia, apresentaram propostas de redução de emissões “O aspecto positivo disso é que as negociações começaram a andar, com a apresentação de números claros, embora muitos desses números tenham sido modestos e, em alguns casos, até pífios”, disse.

Sergio Serra, apesar de se mostrar otimista quanto a um bom acordo em Copenhague, falou dos problemas que restam, como os entendimentos sobre as ações a serem desenvolvidas pelos países participantes, cujas características são muito diversas, a questão das inversões de recursos e tecnologias para os países não desenvolvidos e a configuração jurídica que os acordos terão pós-conferência. São questões que, segundo ele, podem tornar as negociações intermináveis e, se não forem bem definidas, podem dificultar a ratificação das decisões por parte dos países.

A fala do embaixador foi replicada pelo diretor da Fiesp, César Luis Godoy, que discordou da sua afirmação de que o Itamarati levará a Copenhague uma proposta do governo. Para Godoy, é preciso levar uma proposta do Brasil, da sociedade em conjunto com o governo.

Como representante empresarial, ele assegurou que “há muita coisa que a indústria pode fazer”, citando o exemplo das empresas de infra-estrutura, especialmente nas áreas de geração de gás e energia. Nessas áreas, segundo ele, o Brasil tem condições de entrar nas negociações dos créditos de carbono, procurando reforçar as propostas da instituição, que preconiza a apresentação de projetos de geradores de crédito de carbono em diversas áreas.

Também para o deputado Fábio Feldman, que foi um dos oradores no mesmo encontro, o cenário é otimista. Ele destacou o avanço das negociações em Bonn, com a adesão dos EUA, e disse acretidar que “o Brasil tem todas as condições de competir e de protagonizar, como fez no protocolo de Quioto e que, de maneira geral tem feito muito bem”.
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FONTE : Celso Dobes Bacarji (Envolverde)

Novo e maior inimigo do ozônio


Não regulada pelo Protocolo de Montreal, a emissão de óxido nitroso por atividades humanas supera a de CFCs como a mais danosa à camada de ozônio.

O óxido nitroso (N2O) é conhecido como gás do riso (ou hilariante), devido à capacidade de provocar contrações musculares involuntárias na face. Mas uma nova notícia sobre esse gás está longe de provocar bom humor.

Segundo uma pesquisa feita por cientistas da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (NOAA), nos Estados Unidos, o óxido nitroso se tornou, entre todas as substâncias emitidas por atividades humanas, a que mais danos provoca na camada de ozônio.

O estudo, publicado na edição esta sexta-feira (28/8) da revista Science, afirma que essa liderança nefasta se manterá por todo o século.

O óxido nitroso superou os clorofluorcarbonetos (CFCs), cuja emissão na atmosfera tem diminuído seguidamente por causa de acordos internacionais conduzidos com essa finalidade. Hoje, de acordo com a pesquisa, as emissões de N2O já são duas vezes maiores do que as de CFCs.

O óxido nitroso é emitido por fontes naturais (bactérias no solo e oceanos, por exemplo) e como um subproduto dos métodos de fertilização na agricultura, da combustão, do tratamento de esgoto e de diversos processos industriais. Atualmente, um terço da emissão do gás deriva de atividades humanas.

Ao calcular o efeito dessa emissão na camada de ozônio atualmente e estimar o mesmo para o futuro próximo, os autores da pesquisa observaram que os danos à camada de ozônio são grandes e continuarão elevados por muitas décadas se nada for feito para reduzir as emissões.

“A grande redução nos CFCs nos últimos 20 anos é uma história ambiental de sucesso. Entretanto, o óxido nitroso produzido pelo homem é agora o elefante na sala entre as substâncias que destroem o ozônio atmosférico”, disse Akkihebbal Ravishankara, diretor da Divisão de Ciências Químicas do Laboratório de Pesquisas do Sistema Terrestre da NOAA, principal autor do estudo.

A camada de ozônio protege plantas, animais e pessoas do excesso de radiação ultravioleta emitida pelo Sol. A diminuição da camada faz com que mais radiação do tipo atinja a superfície terrestre, prejudicando a vida no planeta.

Apesar de o papel do óxido nitroso na destruição do ozônio ser conhecido há décadas, o novo estudo é o primeiro a calcular sua importância por meio do uso de métodos semelhantes aos usados na análise de CFCs e de outras emissões antrópicas.

Diferentemente dos CFCs e de outros desses gases, a emissão de óxido nitroso não é regulada pelo Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio, adotado em 1987 por 46 países.

Segundo os pesquisadores, como o óxido nitroso também é um gás de efeito estufa, a redução de suas emissões por atividades humanas seria uma boa medida tanto para a camada de ozônio como para o clima.

O artigo Nitrous oxide (N2O): The dominant ozone depleting substance emitted in the 21st century, de A.R. Ravishankara e outros, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org.
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FONTE : Redação da agência Fapesp (Envolverde/Agência Fapesp)
Crédito da imagem: Nasa

Professora usa sucata para atrair interesse dos alunos


Professora há mais de 15 anos, Kátia Leite Campos, do Rio de Janeiro, criou um projeto que utiliza recursos encontrados no lixo para trabalhar com estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem. É o Projeto Ábaco, que integra conceitos filosóficos e socioeducacionais, pautados no desenvolvimento sustentável, ao processo de desenvolvimento do aluno.

Palitos de churrasco, tampinhas e argolas de garrafas plásticas e potinhos variados são alguns dos materiais usados. “Com caixas de ovos, papéis velhos em forma de bolinhas e jornais, com marcação de território, temos um jogo matemático que interdisciplinariza com geografia e história”, explica a professora, que dá aulas no Ciep (centro integrado de educação pública) Marechal Henrique Teixeira Lott, escola de ensino fundamental no bairro de Realengo, na Zona Oeste do Rio. Com licenciatura plena em matemática, ela é professora concursada do município desde 2001.

O projeto foi desenvolvido, inicialmente, com 28 estudantes do período final do primeiro ciclo que não sabiam somar, nem ler e escrever. Os alunos foram acompanhados durante dois anos, no período de 2006 e 2007. “Como essas crianças já haviam passado por vários métodos, procurei outras formas e acabei desenvolvendo uma metodologia com recursos vindos do lixo”, diz Kátia. Em sua opinião, os jogos proporcionaram mais astúcia e raciocínio lógico aos estudantes. Além disso, como algumas etapas exigiam a interpretação e a escrita em forma de registros, os alunos passaram a escrever espontaneamente. “Os alunos saíram do não-saber para o saber, do não-poder para o poder, do não-capaz para o capaz. Passaram a apreciar e gostar de aprender matemática. A assimilação ficou descomplicada”, destaca a professora.

Em 2008, o projeto teve a participação de 34 alunos. Este ano, são 33 os participantes. Para atender as necessidades dos alunos, Kátia fez algumas adaptações para criar níveis mais difíceis de desenvolvimento. Hoje, são 12 jogos, feitos com materiais recicláveis, aplicados na faixa etária dos cinco aos 12 anos.

Pesquisadora autônoma, ela considera como seus maiores desafios, hoje, nas pesquisas de campo, o desenvolvimento e a dinamização da metodologia e a divulgação e aplicação dos jogos. Ou seja, plantar a idéia e a metodologia a longo prazo e realizar mais estudos. Ela tem participado de palestras e congressos e recebido muitos pedidos de professores para realizar oficinas.

Outros projetos — Em 2000, quando dava aulas em Santo Antônio de Pádua, no interior do estado, Kátia aliou cantigas de roda à recreação para melhorar o desempenho de uma turma com dificuldades. Ela tocava as músicas e pedia aos alunos que escrevessem as letras no quadro-negro. Depois, passava as letras para a forma de notas musicais e atribuía valores. Os alunos tinham de combinar os valores e acertar as letras das músicas. “Chegamos a formar expressões numéricas e, nesse nível, eles já se desdobravam com facilidade e bom desempenho”, salienta.

Idealista, Kátia pretende continuar lecionando no ensino fundamental. “Quero ser uma professora graduada e pós-graduada em matemática, atuando na base da educação e dizendo a meus alunos: ‘Não tenha receio, vamos tirar de letra. Matemática não é nada complicada!’”

Para ela, é preciso mudar a forma pela qual a matemática é transmitida aos alunos, a fim de passar um sentimento de natural, simples e descomplicado. “Quando se diz que algo é difícil, cria-se um obstáculo.”
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FONTE : Fátima Schenini, do MEC (Envolverde/MEC)

A linha aérea para bichos de estimação

PetAirways é a primeira companhia do mundo neste segmento

Alheia às turbulências da crise global, nasceu a PetAirways, uma nova companhia aérea americana cujos aviões acolhem somente 50 passageiros, com a peculiaridade de serem, todos, animais de estimação.

A PetAirways, a primeira companhia aérea do mundo unicamente para animais de estimação, começou a voar entre várias cidades americanas no dia 14 de julho e promete se transformar em um negócio de sucesso.

Em vez de viajar em um compartimento separado, como ocorre na maioria das linhas aéreas regulares, os passageiros da PetAirways voam confortavelmente nas cabines de seus aviões Beech 1900, que foram especificamente adaptadas para transportar animais de estimação.

Os comissários de bordo da companhia receberam formação especial para cuidar dos animais, que são controlados a cada 15 minutos e retirados regularmente de seus compartimentos para que vão ao banheiro.

As tarifas oscilam entre US$ 300 e US$ 500, para trechos de ida e volta, e os serviços da PetAirways incluem também o cuidado do animal de estimação durante a espera antes de embarcar e até que seu dono recolha o animal no destino final.

A única coisa que não há nestes aviões são bebidas ou aperitivos, e não é para economizar em custos, já que os veterinários recomendam que os animais não comam ou bebam durante o voo para evitar enjoos.

Voos lotados nos próximos dois meses

Alysa Binder, co-fundadora da PetAirways junto com o marido, Dan Wiesel, assegura que todos os assentos estão vendidos para os próximos dois meses. A companhia opera nos aeroportos de Nova York, Chicago, Denver, Washington e Los Angeles, mas espera oferecer em breve os seus serviços em um total de 25 cidades dos EUA e, em breve, voos internacionais.

Na site http://petairways.com, as reservas online podem ser feitas como em qualquer linha aérea. A diferença é que o usuário deve incluir na reserva a raça, a altura, o peso e o tipo de animal de estimação, como cachorro, gato e, em breve, réptil, pássaro ou porco.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Empresários debatem o Código Florestal


Mantovani diz que Stephanes utiliza discurso terrorista contra a lei de florestas do Brasil

As tentativas de alterações do Código Florestal criaram um clima de guerra entre instituições ambientalistas e o setor do agronegócio. Com a justificativa de que a legislação ambiental brasileira trava o desenvolvimento econômico do país, a bancada ruralista da Câmara Federal vem atacando fortemente diversas conquistas que ajudam a preservar um pouco do que resta dos biomas brasileiros.
E o maior vilão dessa história tem sido o Ministro da Agricultura, Reinold Stephanes, segundo o diretor da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani. "Esse senhor utiliza de um discurso terrorista para incitar a população contra o Código Florestal", disse ele, falando aos empresários da indústria paulista, nesta quarta-feira (26/08), em São Paulo.
Para Mantovani, o que os deputados que defendem os interesses do agronegócio querem é violentar leis ambientais que são exemplo para o mundo."Vivemos uma agricultura de commodities, e são esses poucos grandes produtores que tem interesse em violentar nossa legislação", afirmou.
A sociedade está cansada da forma como se faz política no Brasil, por meio de lobistas e interesses econômicos, de acordo com Mario Mantovani. "Todos estamos cansados desse discurso antiquado de que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento. Estamos resistindo ao máximo esse tipo de chantagem, vinda principalmente do Ministério da Agricultura", disse.
O diretor da SOS Mata Atlântica denunciou que a questão deixou de ser o Código Florestal passando para um debate sobre toda a legislação. "Eles (ruralistas) querem desmontar todas a leis que lutamos para implementar, na Câmara já foram apresentados mais de 450 projetos de lei em sua maioria tentando acabar com as APP´s e a reserva legal. Esses coronéis tem que entender que a terra é patrimônio da população", ressaltou.
A pecuária é um dos maiores obstáculos a preservação ambiental no país, com uma produtividade pífia, uma cabeça de gado para 2 a 3 hectares, gasta-se mais para combater assoreamento em áreas degradadas por pasto do que em saneamento. "A sociedade já compreendeu que é possível preservação e desenvolvimento andarem juntos, mas alguns poucos insistem em destruir para aumentar seus lucros", falou.
Mantovani citou a Lei da Mata Atlântica, regulamentada em 2008, como um dos maiores avanços na legislação ambiental brasileira. "Essa lei mostra que é perfeitamente compatível um produtor trabalhar em sua terra sem degradá-la ao extremo. Também posso citar a péssima gestão de políticas voltadas ao turismo no país, que poderíamos aproveitar com todas essas riquezas naturais que ainda possuímos, mas ninguém pensa nisso, só que saber de PAC", afirmou.
É também preciso vontade política dos governos, incentivando os produtores a manterem a floresta em pé, mas parece que é mais fácil destruir do que avançar. "Em vez de ficar subsidiando o agronegócio incansavelmente, seria muito mais vantajoso estimular incentivos tributários como ICMS verde ou pagamento por serviços florestais. A economia que surge é a do baixo carbono, e quem não se adaptar está fadado ao insucesso", analisou.
Não há dúvida de que existe a necessidade de uma reformulação do Código Florestal brasileiro, mas que busque um avanço nas relações e não retrocessos. Foi o que disse o presidente da comissão de meio ambiente da OAB/SP, Carlos Sanseverino.
De acordo com Sanseverino é preciso regionalizar a legislação, senão continuará sendo muito bonito no papel, mas dificilmente aplicado. "O que vemos são leis que não são respeitadas, e há uma falha do poder publico para fiscalizar", afirmou.
A vontade política também foi citada pelo advogado. "Se a sociedade não cobrar o governo muitas coisas ficarão paradas. Cito o exemplo da compensação ambiental, que não é fiscalizada e muitas vezes é remanejada para outras pastas que não de meio ambiente", alertou.
Carlos Sanseverino voltou a solicitar uma visão micro das leis ambientais. "Cada estado tem suas peculiaridades e necessidades, e é assim que o Código Florestal deve ser olhado".
O presidente do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp, Walter Lazzarini, também criticou a forma agressiva com que alguns deputados querem imprimir reformas incoerentes a legislação ambiental. "O código é antigo, mas é o que salvou muito de nossos biomas, apesar de poucos realmente o respeitarem. É preciso achar um consenso construtivo entre as questões agrícola e ambiental. Não é o meio ambiente o vilão do desenvolvimento, e sim a falta de investimentos em políticas publicas que nos tornem competitivos ante as tarifas e subsídios dos países importadores", finalizou.
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FONTE : Fabrício Ângelo, da Envolverde (Envolverde/Envolverde)

Biólogos de jardim ajudam a catalogar espécies


Uxbridge (Canadá), 27/08/2009 – Se os seres viventes forem protegidos, o entorno físico será salvo automaticamente, segundo Edward Osborne Wilson, prestigiado biólogo e pai da Enciclopédia da Vida, que se propõe criar uma pagina na Internet para cada uma das mais de 1,8 milhão de espécies conhecidas. O clima e a água são partes do entorno físico que dependem do vivente (árvores, insetos, outros animais) para se manterem limpos, saudáveis e equilibrados. Mas o público não compreende bem essa realidade fundamental, e há poucos avanços na hora de prevenir a destruição de ecossistemas e espécies, disse Wilson à revista britânica New Scientist. Por isso que em 2003 este cientista propôs criar na Internet uma Enciclopédia da vida, interativa e acessível para o público.

Lançada em 2008, a Enciclopédia cresce rapidamente, com 170 mil inclusões de dados, cerca de 30 mil imagens fixas e vídeos, alguns fornecidos pelo público. “Queremos comprometer o público. Com a Enciclopédia da Vida podem ser pesquisadas espécies que encontram em seus quintais e bairros e informar suas descobertas”, disse James Edwards, diretor-executivo deste projeto, que tem sede no Instituto Smithsoniano, em Washington. “Nos encantaria que todos se convertessem em ‘biólogos de campo’ e apresentassem o que encontrassem”, acrescentou. A compreensão e o apoio da sociedade são cruciais para reduzir e reverter a perda de ecossistemas e espécies, disse Edwards à IPS, ressaltando que “se não pudermos fazer isso, todos estaremos em graves problemas”.

Os dados e imagens incluídos por observadores de aves, biólogos em seus quintais, estudantes e amantes da natureza em geral serão publicados nas páginas com um fundo amarelo, o que indicará que a precisão do conteúdo não foi verificada por nenhum especialista. Depois os cientistas avaliarão a informação, farão algumas perguntas e, se os dados forem corretos, o fundo amarelo será eliminado, explicou Edwards. A Enciclopédia da Vida convida para o envio de comentários e permite aos usuários escrever suas próprias etiquetas que identifiquem temas relacionados ao que publicaram, aos efeitos de tornar mais fáceis as buscas de conteúdos, sendo que estas também podem ser feitas por meio de palavras-chave.

Estão sendo criadas versões regionais da Enciclopédia da Vida para proporcionar um serviço melhor aos usuários que não falam inglês. Nas áreas rurais da Costa Rica, estudantes secundários treinados por especialistas do Instituto Nacional de Biodiversidade publicarão seus dados em espanhol, em uma versão centro-americana do projeto. “Coletaram informações muito boas sobre os pássaros e macacos existentes nos arredores de sua escola”, disse Edwards. Os estudantes do ensino superior na América do Norte já têm várias centenas de paginas na Enciclopédia, devidamente examinadas por especialistas, sobre fungos, sapos e salamandras. Também estão em debate projetos-piloto para universitários do Quênia e de alguns países sul-americanos, acrescentou. “Buscamos aproveitar os olhos e a capacidade intelectual coletiva de centenas de milhares de usuários para descobrir informação nova e intrigante, bem como para compartilhar observações”, explicou Edwards.

Os especialistas também estão usando a Enciclopédia de maneiras surpreendentes e engenhosas. Por exemplo, realizam buscas para encontrar características unidas dentro das espécies, com sua expectativa de vida, para saber porque algumas espécies estreitamente relacionadas vivem mais do que outras, abrindo novos caminhos de pesquisa sobre o envelhecimento humano. Algumas borboletas que se alimentam de frutos vivem mais tempo do que outras espécies relacionadas, o que leva a novas pesquisas sobre o papel dos genes, dos aminoácidos e das fontes alimentares no processo de envelhecimento.

O ciclo vital de um morcego latino-americano é curiosamente longo, se comparado com roedores de tamanho semelhante, talvez pela capacidade de um corpo de manter uma condição fisiológica mais estável, reduzindo a deterioração celular normal. “A maioria das espécies não foi estudada de modo medicamente relevante”, disse Holly Miller, especialista em biologia do envelhecimento no Laboratório Biológico Marinho de Woods Hole, no Estado norte-americano de Massachusetts.

“A Enciclopédia da Vida está simplificando essas pesquisas por meio da criação de uma referência acessível para os nomes científicos e comuns das espécies, o tamanho do corpo, idade de reprodução, habitat, localização geográfica, temperatura e muito mais, tudo o que pode ser relevante para revelar os segredos da longevidade”, disse Miller em um comunicado. Como os cartazes de “procurado” nas agências dos correios, a Enciclopédia da Vida facilitará o reconhecimento público e a criação de consciência sobre essas espécies invasoras através de descrições detalhadas e mapas, ajudando a reduzir sua propagação mundial e a implementar medidas de mitigação mais rápidas e efetivas.

Uma dessas espécies invasoras é a traça Cameraria Ohridella, procedente dos Balcãs e que agora devasta castanheiras da Índia, populares em parques e jardins de toda Europa. “Como se tivesse sido aberta uma caixa de Pandora, esta traça descoberta em 1984 na Macedônia se propagou como fogo após uma provável liberação acidental ocorrida em 1989 perto de viena”, disse David Lees, do Museu de História Natural de Londres e do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França, em Paris. “Agora, está mais ou menos perto da Europa e representa uma ameaça aos ecossistemas do sudeste da Ásia, América do Norte e outras partes, onde houver as belas castanheiras da Índia”, acrescentou.

Completar toda a Enciclopédia da Vida consumirá 10 anos e até US$ 100 milhões. “Estamos um pouco atrasados, mas o projeto vai acelerando”, disse Edwards. Embora o mundo esteja se conscientizando dos perigos que representa a mudança climática, o público corre o risco de perder o planeta, algo que compreende escassamente, alertou Wilson. No mundo há “pequenas criaturas sobre as quais a maioria das pessoas não ouviu falar; 99% dos organismos da Terra são extremamente pequenos”. A Enciclopédia da Vida se tornou uma base maravilhosa a partir da qual se pode pesquisar sobre milhares de espécies que não conhecemos”, acrescentou.
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FONTE : Stephen Leahy, da IPS (Envolverde/IPS)

Pirarucu, o cobiçado bacalhau da Amazônia


Manejo de pirarucus em lagos é a nova aposta para o desenvolvimento econômico de comunidades indígenas e pescadores.

RIO BRANCO – Silêncio no lago Orelha, na Terra Indígena Kaxinawá, em Feijó (AC). Apenas os ruídos dos remos rasgando as águas calmas. Paciência é a virtude essencial para a pesca do pirarucu, peixe considerado o bacalhau da Amazônia, que chega a pesar mais de 200 quilos, e é esperto. Muito esperto. Não gosta de barulho e percebe fácil a intenção daquele arpão apontado para ele. Do pescador, além da calma em esperar, são exigidas também a força, habilidade com arpão e o pleno conhecimento da rotina do peixe: quanto tempo leva para respirar, onde se esconde, e suas estratégias de sobrevivência.

A pesca manejada em lagos acreanos é algo novo, mas que se apresenta como alternativa econômica para populações tradicionais da floresta, incluindo os índios Kaxinawá, que iniciaram o manejo em lagos ao longo do rio Envira este ano.

O manejo é novo. Mas a cultura do consumo da carne do pirarucu, a existência dele nos lagos e o conflito entre os pescadores e a lei ambiental são hábitos velhos. O que o manejo muda então? A resposta vem do consultor da WWF que acompanha o processo no Acre: "Muda a consciência do pescador. Antes havia um conflito entre pescadores e ribeirinhos sobre a pesca do peixe, que é proibida por lei a não ser em unidades de conservação e uso sustentável e áreas com acordo de pesca", explica Marcelo Crossa.

O projeto de manejo de pesca de pirarucu é realizado em uma parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Extrativismo e Produção Familiar, a Ong WWF, as colônias de pescadores e as prefeituras. Os acordos de pesca são um passo importante. Neles os pescadores assumem o compromisso de respeitar os limites da natureza em troca da garantia perenidade.

O manejo, aliado aos acordos, garantem a proteção da área, que fica fechada até a avaliação de técnica – a etapa de contagem dos peixes – para que sejam relatados quantos animais o lago possui e quantos podem ser pescados de forma a respeitar a legislação. Pela lei, apenas os peixes com mais de 1,5 metro inteiros ou 1,2 metro de manta podem ser retirados da água e comercializados. Cada peixe leva, em média, seis anos para atingir a média para comercialização. Em geral são pescados 30% da população adulta de cada lago.
acre270809e "A comunidade faz parte do processo, pois fica responsável por limitar o acesso às áreas de manejo, garantindo a preservação dos espaços e dos peixes"

"A questão do manejo não é apenas para recuperação dos recursos naturais – um ganho que ele traz. Há um benefício social por trás. A ideia é retirar os pescadores da informalidade e colocá-los em grupos de manejo. Em Feijó já somam dez grupos e seis lagos manejados. O trabalho também é realizado em Manoel Urbano, município pioneiro, e está chegando a Tarauacá", acrescenta o consultor.

Além da questão da renda, o manejo também é importante por mudar a consciência ambiental das comunidades envolvidas. "Antes o pirarucu era pescado ainda filhote, capturavam a cria. Hoje ele é pescado de forma adequada, respeitando a legislação sobre o tamanho dos peixes", explica Crossa.

O coordenador da Seção de Manejo de Lagos da Secretaria de Extrativismo e Produção Familiar (Seaprof), Carlos Leopoldo, ressalta que o objetivo do Governo do Estado, principal investidor do projeto de manejo de pirarucu, é melhorar a qualidade de vida dos pescadores profissionais, gerando melhoria na renda das famílias.

As primeiras duas toneladas de peixe pescado nos seis lagos manejados em Feijó foram consumidas no Festival do Açaí. A estimativa é de que sejam pescadas seis toneladas no município. O manejo do peixe também abasteceu o Festival do Pirarucu, em Manoel Urbano.

União que faz a diferença

Outra proposta do manejo é recuperar a população de pirarucus nos rios, oferecendo uso racional do recurso. "Ganha a natureza e ganha a comunidade. O pirarucu é uma alternativa econômica para os pescadores e indígenas que oferece um grau de controle diferente de outras espécies de peixe. É como um gado, você pode contar, saber quantos vai pescar, que tamanho estão", explica Crossa.

O tamanho dos peixes acreanos também chama atenção. Chegam a medir 2,6 m, o que não é visto em outros estados. Segundo o consultor do WWF, o fato pode ser explicado pela falta de pressão da pesca.

O manejo do pirarucu no Acre tem chamado a atenção do consultor do WWF, que mora no Uruguai e presta consultoria para vários estados brasileiros, incluindo Amazonas e Amapá.

"O nível de entrosamento entre o Governo do Estado, através da Seaprof, e os demais atores envolvidos no processo é algo que faz a coisa fluir e falta em outros estados. A união entre Governo, colônias de pescadores, WWF, prefeitura de Feijó vai fazer diferença na hora de medir os resultados", disse Crossa.

Mudança de hábitos

Para introduzir o manejo foram necessárias algumas medidas. Os pescadores não tinham o conhecimento sobre as técnicas de pesca do pirarucu - contagem dos peixes, uso do arpão. "Nós não tínhamos experiência, usávamos malhadeiras erradas, perdíamos o peixe. Agora nossa intenção é atender a legislação e preservar os lagos para ter sempre o recurso disponível. O mais difícil é o deslocamento até a cidade", comenta o pescador Raimundo Rodrigues Costa, que tem 28 anos de profissão.

Para introduzir as novas técnicas de pesca do pirarucu o WWF e a Seaprof trouxeram de Santarém dois pescadores profissionais com bastante experiência no manejo do peixe. O intercambio entre os pescadores também foi realizado em Manoel Urbano. “A pesca não é difícil, basta prestar atenção nos hábitos do peixe e ter paciência. O pirarucu é como um cachorrinho, quando ele está no arpão você leva para onde quiser”, disse Francisco da Silva, o Groti, um dos pescadores de fora.

Também foram repassados aos pescadores as técnicas para o tratamento do peixe, que inclui o salgamento e o transporte. As escamas também podem ser aproveitadas para o artesanato, realidade mais consolidada em Manoel Urbano, onde o projeto iniciou.

Segurança alimentar nas aldeias e áreas tradicionais

Um termo que vem sendo bastante empregado e que virou política de governo é a segurança alimentar. O manejo de pirarucus em lagos também integra o Programa de Segurança Alimentar desenvolvido pelo Governo do Estado, à medida que garante proteína animal na dieta alimentar de índios, pescadores e ribeirinhos.

Faz parte do programa, desenvolvido principalmente em Zonas de Atendimento Prioritário (ZAPs) desenvolver com as comunidades roçados sustentáveis de grãos e mandioca em áreas cultivadas com o uso aliado da mucuna, uma leguminosa que traz inúmeros benefícios ambientais.

"Há muito mais por trás do manejo do pirarucu. A idéia é trazer a proteína animal do peixe, aliada a hortaliças e grãos para garantir variedade e qualidade nutricional. Com isto temos a segurança alimentar, que é, na verdade uma alimentação saudável", explica o Secretário de Extrativismo e Produção Familiar, Nilton Cosson.

O programa começou a ser desenvolvido em áreas de difícil acesso, de incidência das estradas ou rios. Entre as comunidades a idéia é garantir, além da agricultura de subsistência com os roçados sustentáveis, um pequeno excedente que possa ser comercializado e garanta fonte de renda extra.

Já na área indígena em que o pirarucu é manejado, houve um processo de inclusão em que foi discutida com a comunidade quais processos produtivos seriam desenvolvidos.

Houve todo um cuidado para que eles pudessem ser inseridos na questão do manejo do programa de segurança alimentar, com respeito à cultura deles. Os roçados são uma garantia alimentar, uma prática milenar entre eles, e o manejo nos lagos é uma alternativa que não vem para agredir, vem para somar e respeitar. "Queríamos que eles se sentissem, desde o início, parte do processo, porque são eles que vão tocar o projeto e precisam caminhar com as próprias pernas a partir de um determinado momento", acrescenta Cosson.

Jogo do ganha-ganha

Com o manejo do pirarucu em lagos todos saem ganhando: a natureza, que tem sua fauna preservada e a comunidade, que encontra mais uma fonte de renda.

"O manejo garante o monitoramento da espécie, a conscientização da comunidade – que aprende a respeitar a época certa para a pesca. A cultura do consumo da carne já existia, mas não havia um controle" avalia o prefeito de Feijó, um dos grandes incentivadores do manejo como alternativa de renda para o município, que tem menos de 40 mil habitantes.
Outra vantagem trazida pelo manejo é o lucro para o pescador, que vai melhorar, pois a figura do atravessador será extinta. É o explica o oceanógrafo Marcelo Crossa. A associação de pescadores, que assina o acordo de pesca, se encarrega de abastecer restaurantes e vender o excedente da produção.

O território dos Kaxinawá abriga menos de 600 índios, divididos em várias aldeias. As duas principais fazem parte do manejo e oito índios estão envolvidos. Na comunidade, as tarefas são divididas, e o lucro obtido numa atividade produtiva beneficia a todos da aldeia.

"O projeto foi discutido na comunidade, que achou importante e aceitou o desafio. É uma fonte de renda que vai ajudar nosso povo. Antes o pirarucu não era pescado, não havia conhecimento para pescar nem o equipamento necessário", disse o cacique Gilberto Kaxinawá.

Uma das vantagens do manejo em terras indígenas é a proteção dos lagos, garantida pelos próprios indígenas, que vigiam as áreas para não permitir a entrada de pescadores.

Nas duas comunidades indígenas Kaxinawá em que o manejo vem sendo desenvolvido os índios estão aprendendo novas técnicas para a pesca do pirarucu. No lugar das malhadeiras, os arpões. E não é só manejar o instrumento. É preciso aprender a diferenciar os peixes pelo tamanho, pelo ronco, pelas escamas. Com o tempo saberão, de olho, qual o tamanho do animal, se está de acordo com o permitido pela legislação, onde o peixe se esconde, como bóia para respirar se souber que está sendo expiado.

São técnicas que o pescador vai adquirir com o tempo. E para melhorar o aprendizado, preocupado em introduzir a nova atividade na rotina da aldeia, o cacique Manoel Kaxinawá decidiu trocar as crianças de lugar. Ao invés da sala de aula, a beira do lago. Todas foram observar o ritual da pesca. A iniciativa faz parte da educação escolar indígena e do currículo diferenciado que é utilizado nas aldeias. Também faz parte do ensino a cultura, a língua, rituais e costumes do povo e as aulas acontecem assim: nas caçadas, fabricação de artesanatos, pinturas corporais.

"O currículo escolar da educação indígena é diferenciado. Faz parte da grade também o dia-a-dia nas aldeias, nossos costumes, o artesanato, a caça. É importante que eles aprendam desde já sobre o pirarucu", enfatizou.

Bacalhau da Amazônia

O pirarucu (Arapaima gigas) é um peixe endêmico da região amazônica. De grande porte, é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Pode crescer até três metros e pesar 250 quilos. A origem de seu nome é indígena: pira, "peixe" e urucum, "vermelho", devido a cor de sua cauda. O peixe vive em lagos e rios e águas calmas.

Na mitologia indígena, Pirarucu era um índio que pertencia a tribo dos uaiás, que habitava as planícies do Sudoeste da Amazônia. Ele era um bravo guerreiro, mas tinha um coração perverso, mesmo sendo filho de Pindarô, um homem de bom coração e também chefe da tribo.

Pirarucu era cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Um dia, enquanto seu pai fazia uma visita amigável a tribos vizinhas, Pirarucu se aproveitou da ocasião para tomar como refém índios da aldeia e executá-los sem nenhum motivo.
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FONTE : Tatiana Campos, da Agência Amazonia (Envolverde/Agência Amazônia)
Crédito da imagem: Ângela Peres

ATÉ QUANDO, SANTA MARIA?


FOTO : Claudio Vaz (DSM)
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Os taxistas plantaram árvores há anos no seu ponto, à rua Dr. Bozano, em frente ao "Elegância Shopping". As mesmas estão lindas, floridas, dão sombra tanto aos passantes como aos próprios taxistas, já que o calor é infernal nos meses de verão em Santa Maria, RS.
Mas dois ou três comerciantes, alegando que as placas publicitárias de suas lojas ficavam escondidas pelos galhos das árvores solicitaram a derrubada das árvores à Prefeitura Municipal. E sem consultar os taxistas prontamente os funcionários foram lá para executar a antiecológica tarefa. Só não conseguiram derrubá-las porque os taxistas protestaram e impediram. O problema está sendo reavaliado pela Prefeitura.
Numa cidade que tem pouca cobertura vegetal em suas avenidas e ruas, pretender derrubar as poucas que existem é algo inacreditável ! A cidade tem sete universidades, mas age como se fosse dominada por uma mentalidade provinciana e ignorante !
Acorda, Santa Maria !!!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Florianópolis 'exporta' programa de castração para cães




Cidade realizou 20 mil cirurgias em quatro anos e meio.
Programa que mantém média diária de atendimentos virou referência.

Florianópolis esteriliza 25 animais por dia e tem 1,5 mil outros na fila de espera para o procedimento. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, 20 mil procedimentos foram realizados como estratégia de controle da superpopulação de cães desde 2005, quando o programa de esterilização canina começou na cidade.

O sucesso da ação levou a coordenadora do projeto Bem Estar Animal, Maria das Graças Dutra, a receber representantes de outras cidades do país para conhecer de perto o programa. "As pessoas não sabem como resolver o problema da superpoluação de cães em suas cidades. A nossa forma de controlar a população canina virou modelo para outras administrações municipais. Já estive em Santa Maria (RS), Canoas (RS), Porto Alegre, Niterói (RJ), Jundiaí (SP) e Juiz de Fora (MG) apresentando o projeto."

Na semana passada, o prefeito Herótodo Bento de Mello, de Nova Friburgo (RJ),

visitou a cidade de Florianópolis para conhecer o projeto Bem Estar Animal. "Este é um bom exemplo de como resolver esta questão de forma correta e respeitando a vida. Estou aqui para aprender e copiar", disse o administrador carioca.

O secretário de Saúde de Florianópolis, João Candido da Silva, afirmou que a cidade optou por não exterminar os animais vivos. "O foco passou a ser o controle da população de cães por meio de cirurgias gratuitas de castração, além da realização de campanha de educação de jovens sobre o assunto, nas escolas."

Maria das Graças disse que um casal fértil de cães é capaz de gerar 67 mil descentes em seis anos (período médio considerado como produtivo) e 60 filhotes diretos. Ela citou dados da World Society for the Protection of Animals(WSPA), segundo a qual são registrados 15 nascimentos de cães e 30 de gatos para cada humano no mundo.

"O programa catarinense atende donos de cães de baixa renda e o animal é retirado de casa e levado de volta, sem custo. Até mesmo o número de acidentes com cães, seja atropelamentos ou até mesmo ataques contra as pessoas, foi reduzido após o trabalho de castração", disse ela.

Sem preconceito
"Quebramos o tabu de que castração é ruim para o cachorro. O que fazemos em Florianópolis agrega a sociedade. Fazemos controle de zoonose com esterilização e o segredo do nosso sucesso é que isso é feito em ritmo constante", afirmou Maria das Graças.

Segundo ela, a média de 25 cirurgias por dia é o número de procedimentos indicado para uma população de 400 mil de habitantes. "Pretendemos aplicar microchip em todos os cães da cidade em até três anos e meio. Para isso, contamos com cerca de 400 voluntários, que cadastram os animais da cidade."

Maria das Graças disse que não exagera quando diz que vai esterilizar todos os cães da cidade. "Temos uma fila de espera de 1,5 mil cães para a esterilização. E essa fila nunca diminui. Antes, nós que procurávamos os donos de cães para esse tipo de trabalho. Hoje, são eles que nos procuram."

Ela afirmou que a população está consciente da importância do controle de zoonoses. "Os cães que circulam na cidade têm donos e são identificados."
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FONTE : Glauco Araújo Do G1 (em São Paulo)

É hora de tomar atitudes


Lideranças empresariais e governo debateram compromissos e propostas do Brasil para as discussões da Conferência de Copenhague, em dezembro. E lançaram a "Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas".

O Fórum Amazônia Sustentável (FAS), o Instituto Ethos e a Vale vêm liderando um esforço para definir um posicionamento conjunto, representativo do setor privado brasileiro, tendo em vista as discussões que ocorrerão em dezembro, em Copenhague, durante a 15ª edição da Conferência das Partes (COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, quando representantes dos setores público e privado dos países desenvolvidos e em desenvolvimento terão o desafio de firmar novos compromissos e incentivos para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Como parte das atividades desse grupo de representantes empresariais, foi realizado em São Paulo, nesta terça-feira, o seminário “Brasil e as Mudanças Climáticas: Oportunidades para uma Economia de Baixo Carbono”, organizado pelo jornal Valor Econômico e pela Globonews, com apoio do Instituto Ethos.

Falando no evento, o presidente do Ethos, Ricardo Young, disse que vem se abrindo atualmente um novo nicho para as empresas que estão na vanguarda de projetos sociais. De acordo com Young, "a visão da sociedade está mudando e vem exigindo mais responsabilidade social dos empresários, principalmente na questão das mudanças climáticas”. Para ele, as empresas precisam agir rápido para se enquadrar no novo modelo que surge.

Young salientou que governo e empresariado devem ser os protagonistas na busca pelo desenvolvimento sustentável. Na opinião do presidente do Ethos, embora "a questão seja essencial, está longe de ser resolvida”, citando, como exemplo, as comemorações em torno do potencial do pré-sal brasileiro “num momento em que precisamos reduzir emissões de gases efeito estufa”.

Para Ricardo Young, a exploração do pré-sal deve ser condicionada à destinação de parte de seus lucros para investimentos em tecnologias mitigatórias e adaptativas. "É mais que justo, especialmente porque o país tem avançado muito em aplicação de ações sustentáveis, entre elas as dos setores elétrico e bancário", explicou.

O presidente do Ethos lembrou também que em poucos anos a competitividade entre as empresas estará muito mais acirrada, "colocando anos-luz na frente aquelas que estiverem agindo de maneira a proteger os recursos naturais e amenizar o aquecimento global". Para ele, o melhor caminho a trilhar é o de uma sociedade mais igualitária.

Falando também no seminário, o copresidente do conselho administrativo da Natura, Guilherme Leal, foi mais longe, enfatizando que o modelo de produção e consumo do século 20 já está esgotado e que a sociedade, empresários e governo precisam, juntos, construir uma nova realidade. "Não há mais tempo para pensar. É preciso tomar atitudes já e o posicionamento do governo é essencial, pois o processo de mudança é complexo, cheio de dúvidas e incertezas", disse.

Leal acredita que a crise econômica internacional foi uma oportunidade para que todos os setores da economia parassem para pensar: "Estamos de ressaca e agora é hora de melhorar, não de tomar outro porre fazendo tudo igual", disse.

O Brasil tem avançado muito, principalmente o setor privado, no que diz respeito à sustentabilidade, apesar de algumas falhas, apontou Guilherme Leal, destacando que a postura tomada até 2020 será decisiva para o futuro do ser humano. "A sustentabilidade já entrou na agenda política mundial, por isso as empresas estão assumindo esse compromisso público com o governo federal", afirmou.

Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL, uma empresa do setor elétrico com atuação em vários Estados brasileiros, disse no encontro que as ações do consumidor também fazem parte de um plano de economia de baixo carbono: "O consumo consciente é uma das ferramentas mais importantes para a diminuição de emissões e utilização dos recursos naturais. Não há mais espaço para esse estilo de comportamento que considera o consumo desenfreado como sinônimo de qualidade de vida".

Outro ponto defendido por Ferreira Junior foi a pressão da sociedade para que os governos sejam mais arrojados em seus planos relacionados às mudanças climáticas. "A população deve cobrar de seus políticos mais ações sustentáveis", disse.

O papel do governo federal

Questionado sobre metas e idéias que o país levará para Copenhague em dezembro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o Brasil avançou, em relação a políticas passadas, instituindo metas voluntárias, lançando o Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e o Fundo Amazonas. "Durante a COP 14, na Polônia, nossas ideias foram elogiadas, inclusive pela ONU", destacou.

Ainda de acordo com Minc, uma meta mais audaciosa depende de vários fatores, principalmente da participação popular. "Em junho de 2010, iremos revisar o PNMC e quem sabe conseguiremos apoio para metas ousadas. Para isso contamos com o apoio de todos os setores, inclusive dos mais reticentes, como o da pecuária", disse.

O último inventário sobre emissões de CO2 no Brasil é de 1994, o que sempre foi criticado pelas instituições ambientalistas. Mas, de acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, um novo inventário, com dados de 2004, está a caminho e será apresentado em Copenhague. "Um inventário depende de uma série de dados muitas vezes difíceis de apurar e por isso demora um pouco para ficar pronto", ressaltou, já adiantando que o seguinte, com dados até 2009, deverá ser concluído em 2011, em uma parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Hoje já temos tecnologia para apressarmos a seleção desses dados, o que demonstra a vontade do governo brasileiro em melhorar suas ações diante das mudanças climáticas", disse.

Para o embaixador Luiz Figueiredo Machado, o principal negociador brasileiro para a discussão das mudanças climáticas nos eventos da ONU, essa crise requer uma resposta imediata não apenas do Brasil, mas de todo o mundo, principalmente dos países desenvolvidos. "É preciso lembrar que o Protocolo de Kyoto não acaba em Copenhague, como muitos dizem. Além disso, o Brasil chega à COP 15 com muitas idéias e exige o mesmo dos outros países", enfatizou.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que, apesar de ser difícil convencer alguns empresários a mudar de atitude em relação à sustentabilidade, é evidente que o planeta está partindo para uma economia verde. "O consumidor tem exigido isso e o setor que não se adaptar será expulso da economia em vários países", falou.

Agnelli destacou que o passivo ambiental não é algo que desaparece. "Ele fica para a vida toda e traz lembranças. Em sua opinião, “o mundo está mudando e é hora de todos, independentemente da camada da sociedade em que se inserem, agirem e assumirem compromissos", finalizou.

Carta aberta

Ao final do evento, foi lida e entregue aos representantes do governo federal presentes a Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas, assinada por 22 empresas. Uma iniciativa da Vale, juntamente com o Fórum Amazônia Sustentável e o Instituto Ethos, o documento traz uma série de compromissos voluntários das empresas signatárias com os esforços para a redução dos impactos das mudanças climáticas. Apresenta também várias propostas ao governo federal relacionadas à sua posição na COP 15 e ao estabelecimento, em âmbito nacional, de “um sistema estável e previsível de governança para as questões de mudanças climáticas”.

Veja a seguir a íntegra do documento:

CARTA ABERTA AO BRASIL SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Nossa visão

As mudanças climáticas constituem um dos maiores desafios de nosso tempo. O 4o. relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) indica que um aumento de temperatura acima de 2o C em relação ao início da era industrial traria consequências desastrosas para a economia dos países e o bem-estar da humanidade, em termos de saúde, segurança alimentar, habitabilidade e meio ambiente, comprometendo de forma irreversível o desenvolvimento sustentável.

No Brasil, um aumento de temperatura desta magnitude traria graves reflexos sobre a produção agrícola, a integridade das florestas e da biodiversidade, a segurança das zonas costeiras e a disponibilidade hídrica, e energética. Implicaria, portanto, em retrocesso no combate à pobreza e na qualidade de vida da sociedade.

Reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) representa um grande desafio. Para que o aumento da temperatura se estabilize abaixo de 2o C, o IPCC aponta a necessidade de limitar a concentração de CO2e na atmosfera em até 450 ppm (partes por milhão). Para isso, a emissão total de GEE durante este século não deve ultrapassar, em média, cerca de 18 Gt CO2e/ano (bilhões de toneladas de GEE expressos em CO2 equivalente por ano). As emissões globais atualmente ultrapassam 40 Gt CO2e/ano. Mesmo que os países desenvolvidos reduzissem imediatamente a zero suas emissões, não seria possível alcançar a meta global de redução sem uma participação das economias emergentes, entre elas o Brasil.

Vivemos uma oportunidade única de construir um novo modelo de desenvolvimento, baseado numa economia de baixo carbono, que deverá mobilizar empresas, governos e a sociedade civil. Acreditamos que o Brasil, mais do que qualquer outro país no mundo, reúne as condições de liderar a agenda desta nova economia. A meta de redução do desmatamento em 80% até 2020, preconizada pelo Plano Nacional de Mudanças Climáticas, dará significativa contribuição para a redução das emissões globais. O país tem experiências positivas em outros setores, a exemplo da produção de biocombustíveis, que demonstram a nossa capacidade de atingir esse objetivo.

Estamos certos de que as empresas brasileiras podem dar uma contribuição decisiva para que o país lidere a transição para uma economia de baixo carbono, aproveite novas oportunidades de negócios e aumente sua competitividade. Nesta Carta ao governo e à sociedade brasileira, assumimos compromissos em relação à agenda de mudanças climáticas e propomos ações para o poder público.

Nossos compromissos

Como contribuição aos esforços globais de redução dos impactos das mudanças climáticas, nos comprometemos a:
A. Publicar anualmente o inventário das emissões de gases de efeito estufa (GEE) de nossas empresas, bem como as ações para mitigação de emissões e adaptação às mudanças climáticas.
B. Incluir como orientação estratégica no processo decisório de investimentos a escolha de opções que promovam a redução das emissões de GEE nos nossos processos, produtos e serviços.
C. Buscar a redução contínua de emissões específicas de GEE e do balanço líquido de emissões de CO2 de nossas empresas por meio de ações de redução direta das emissões em nossos processos de produção, investimentos em captura e sequestro de carbono e/ou apoio às ações de redução de emissões por desmatamento e degradação.
D. Atuar junto à cadeia de suprimentos, visando a redução de emissões de fornecedores e clientes.
E. Engajar-nos junto ao governo, à sociedade civil e aos nossos setores de atuação, no esforço de compreensão dos impactos das mudanças climáticas nas regiões onde atuamos e das respectivas ações de adaptação.

Propostas ao governo brasileiro

Em dezembro deste ano, em Copenhague, ocorrerá a COP 15 – a 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Na oportunidade serão discutidos por representantes de cerca de 200 países novos compromissos e incentivos para a redução das emissões de GEE, para a adaptação aos efeitos das emissões históricas e para o desenvolvimento, o financiamento e a cooperação tecnológica que promovam a redução das emissões globais e a estabilidade climática.

Para que o Brasil possa avançar na agenda da economia de baixo carbono e seja possível às empresas se planejarem para atuar neste novo contexto, é fundamental que se estruture um sistema previsível e estável de governança para as questões de mudanças climáticas. Para tanto, sugerimos ao Governo, no âmbito da participação do Brasil na COP-15:
A. Assumir posição de liderança nas negociações para a definição de metas claras de redução global das emissões de GEE, garantindo a aplicação do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
B. Defender a simplificação e a agilidade da implementação do MDL, passando a ter como critério central de elegibilidade a sua comprovada redução de emissões, eliminando os conceitos de adicionalidade financeira e regulatória, e a caracterização dos créditos florestais como temporários.
C. Apoiar a criação de um mecanismo de incentivos para a redução das emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD), incluindo a conservação e o manejo florestal sustentável. Tal mecanismo deve considerar recursos de diferentes fontes, incluindo contribuições voluntárias, como o Fundo Amazônia, e outras formas de captação advindas de instrumentos de mercado.

E, no âmbito nacional:
D. Produzir e publicar Estimativas Anuais de Emissões de GEE no Brasil e, a cada três anos, o Inventário Brasileiro de Emissões de GEE.
E. Estabelecer um Sistema Nacional de Controle de Emissões, incluindo mecanismos de consulta e participação da sociedade, e a definição de uma instância reguladora independente para o tema.
F. Priorizar a redução das emissões de GEE nas políticas e investimentos públicos, para consolidar o posicionamento do país numa economia de baixo carbono.
G. Promover a simplificação do processo de avaliação de projetos MDL no Brasil.
H. Definir e implementar uma política de apoio aos povos da floresta, produtores rurais, empresas e instituições, para as ações de conservação e manejo sustentável das florestas que promovam a redução das emissões de desmatamento e degradação florestal (REDD).
I. Estabelecer e implantar uma estratégia de adaptação do país às mudanças climáticas.

Signatárias:
Vale
Grupo Pão de Açúcar – Companhia Brasileira de Distribuição
Suzano Papel e Celulose
Votorantim Industrial
Aracruz Celulose
Votorantim Celulose e Papel
Light
Natura Cosméticos
CPFL Energia
Camargo Corrêa
Andrade Gutierrez
Construtora OAS
Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM)
Coamo Agroindustrial Cooperativa
Polimix Concreto
Aflopar Participações
Estre Ambiental
Odebrecht Engenharia e Construção
Grupo Orsa
Samarco Mineração
Nutrimental
União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica)

Apoio:
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Fórum Amazônia Sustentável
Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SindiExtra)
Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)
Wal-Mart Brasil


Legenda da foto: Da esquerda para a direita, Luiz Figueiredo Machado, do Ministério das Relações Exteriores, ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, jornalista Daniela Chiaretti, do Valor Econômico, ministro Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, e Roger Agnelli, presidente da Vale.
Crédito da imagem: Betina Sarue


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Marina Silva comenta o evento

Por Betina Sarue, do Instituto Ethos

A senadora pelo Acre Marina Silva estava na plateia e, na saída, comentou alguns pontos do debate. A ex-ministra afirmou que as empresas estão se colocando à frente do governo, algo que a academia e os movimentos sociais há muito tempo já fizeram. Ela critica justamente a ausência de uma afirmação do governo, colocando-se como líder do processo interna e externamente.

Para ela, “a sustentabilidade ambiental é o desafio deste século, e não uma discussão de verde pelo verde, como dizem aqueles mais desinformados. É discutir a economia, que se traduz na agricultura, no transporte, na geração de energia, na saúde, na educação, no conhecimento, na inovação tecnológica. Isso leva a novas oportunidades de emprego e a uma nova economia”.

A senadora observou que, ao assumir metas, as empresas se colocam à frente do governo. E acha que ainda mais importante é que essas metas passem a ser tomadas em níveis setoriais. “Espero que os setores se comprometam com metas. Estes que estão se colocando aqui estão fazendo, inclusive, algo muito racional e pragmático. Estão se posicionando em termos de mercado. Já existe um mapa do caminho para a economia verde e as pessoas estão se antecipando. Agora quem precisa se antecipar são os líderes, o Congresso, que está atrasado anos-luz em relação a este debate. Lá as pessoas estão discutindo como retroceder na legislação ambiental, quando, na verdade, o que precisamos é nos posicionar estrategicamente com a vantagem diferencial que temos.”

Marina Silva anunciou que no próximo domingo (30/08) haverá a sua transição oficial para o PV, após afirmar que o partido está criando mecanismos importantes para viabilizar sua revisão programática e reestruturação. Ela comentou sobre sua primeira reunião no partido, na qual afirmou que houve um avanço significativo na agenda de transição.

A ex-ministra do Meio Ambiente declarou que o seu discurso é compatível com os anseios da sociedade e com as necessidades do planeta, e que o PV está sendo pioneiro em reelaborar o seu programa à luz dessas questões estratégicas. A senadora afirmou que, em lugar de criar esse embate dentro do PT, optou por fazer o encontro com aqueles que se dispõem a realizar essas mudanças.
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FONTE : Fabrício Ângelo, da Envolverde - especial para o Instituto Ethos

Campanha Por um Brasil Livre de Transgênico completa 10 anos


O debate sobre os organismos geneticamente modificados é cada vez mais urgente. Na sociedade movida pelo consumo e pautada, agora, nas questões de soberania alimentar e produção sustentável e de qualidade, as consequências da indústria transgênica estão bastante presentes no dia a dia do brasileiro.

Basta dizer simplesmente que não há estudos científicos que tratem firmemente dos efeitos desses elementos. Por outro lado, movimentos sociais organizados apontam urgentemente os danos, cada vez maiores, nas populações agrícolas, na contaminação das águas, na contaminação em espécies não transgênicas.

Para difundir essas informações e alertar a população sobre a alimentação que está em sua mesa ou no grão que será plantado pelo (a) agricultor (a), há 10 anos foi lançada a campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos.

A Adital conversou durante o Seminário sobre Proteção da Agrobiodiversidade e Direito dos Agricultores - Propostas para enfrentar a contaminação transgênica do milho, que aconteceu nesta terça-feira (25), em Curitiba (PR).

Adital - Que avaliação você faz desses 10 anos da campanha? Houve avanços?

Gabriel Fernandes - Nesses dez anos, a gente não pode avaliar os sucessos, os resultados só pensando na quantidade de espécies transgênicas que foram liberadas e estão sendo cultivadas no Brasil. A gente tem que pensar na campanha como um processo político, de mobilização. Desse ponto de vista, conseguimos resultados bastante importantes.

Se a gente imagina, por exemplo, que há 10 ou 15 anos, as empresas de biotecnologia tinham um plano de introduzir os transgênicos na nossa agricultura e na nossa alimentação sem que ninguém soubesse do que se tratava, sem que houvesse tempo para que os movimentos de resistência pudessem se organizar.

Com certeza, esse plano original das empresas deu errado. Como resultado da campanha, há um debate público e as empresas, por mais que tenham apoio do governo, têm certas dificuldades de conseguir implementar o projeto de transformar a agricultura numa atividade industrial onde todos os insumos são fornecidos por meia dúzia de grandes empresas.

O fato de esse movimento existir, de forma articulada, há 10 anos, e cada vez atraindo novos atores, é um indicador de que a luta tem conseguido seus passos.

Adital - Como se dá a articulação da campanha?

Gabriel Fernandes - No dia a dia, nós temos um núcleo animador da campanha que está em contato permanente. Estamos constantemente debatendo as estratégias, pensando ações, intervenção no campo jurídico, pensando ações de mobilização e comunicação.

Esse grupo também tem o papel de acionar um conjunto maior de organizações, numa forma mais ampliada. Pessoas que apóiam o movimento e têm pontos em comum com a iniciativa, e ajuda a difundir as informações sobre quais são os efeitos dos transgênicos e quais as alternativas que construímos no dia a dia.

Adital - A questão dos efeitos dos agrotóxicos ainda é pouco trabalhada. Podemos dizer que, ao longo desses 10 anos, as pessoas estão mais informadas sobre o assunto?

Gabriel Fernandes - A comunicação continua sendo um grande tema. E é um tema em disputa. Da mesma forma que a gente quer comunicar, explicar para a população o que são os transgênicos, a situação do meio ambienta, quem ganha com isso, as grandes empresas de biotecnologia elas também investem muito na comunicação. Evidentemente, elas têm mais recursos para isso, têm mais acesso a grande mídia. A gente entende que é um tema que está em disputa. Por isso, valorizamos cada vez mais os canais alternativos de comunicação, e aqueles canais de informação que as organizações dos agricultores, dos camponeses estão utilizando. Sabemos que estamos no caminho certo.

Para conhecer mais a campanha: http://www.aspta.org.br
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FONTE : (Envolverde/Adital)

3º Congresso de Jornalismo Ambiental


Inscrições já estão abertas e se encerram em 15 de setembro.

Já estão abertas as inscrições para o 3º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental que acontecerá entre os dias 9 e 11 de outubro no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Dentre os objetivos contribuir para o debate entre desenvolvimento e meio ambiente, qualificação profissional na construção de pautas sobre a temática ambiental, apuração de informações e produção de conteúdos jornalísticos; estimular o diálogo entre imprensa, empresas, governos, organizações não-governamentais e movimentos sociais frente a questões ambientais. Na programação mesas-redondas, oficinas, mostra de vídeos e apresentação de trabalhos científicos. Jornalistas, estudantes e afins englobam o público-alvo.

Segundo a comissão organizadora, a expectativa é trazer entre 300 e 500 congressistas, divididos entre jornalistas de diferentes regiões do país e da América Latina, que atuam na grande imprensa, assessorias, imprensa especializada, a imprensa alternativa, do terceiro setor, produtores independentes e academia. A participação de profissionais de comunicação, stakeholders e líderes de ongs e movimentos sociais está sendo estimulada não somente em oficinas e mostras fotográficas e de vídeo como também nas principais discussões, visando garantir um debate aprofundado entre a imprensa e o intercâmbio de experiências.

Na realização Núcleo de Ecomunicadores dos Matos (NEM) e Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA). Apoio: Sindicato de Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor – MT), Instituto Centro de Vida (ICV), Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA) e Envolverde.

Informações: atendimento@cbja2009.org.br ou pelo telefone: (65) 3621-1314 ou site: http://www.cbja2009.org.br.
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FONTE : (Envolverde/Pauta Social)

Presença militar na Amazônia aumentou após guerra fria


Nas últimas décadas, as forças armadas brasileiras têm intensificado sua presença na Amazônia. “De acordo com os militares, há tempos que a região é fruto da cobiça internacional por suas riquezas e recursos naturais”, diz a cientista política Adriana A. Marques. Em sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a pesquisadora analisou o que a região representa aos militares brasileiros e a forma de intensificação da presença militar. Segundo ela, a partir da década de 1990, fica nítida a preocupação do Brasil com as fronteiras da Amazônia e com os países vizinhos localizados ao norte.

Adriana lembra que a presença das forças armadas na região ficaram mais nítidas principalmente após o final da Guerra Fria, quando a grande ameaça era o comunismo, e o período inicial da redemocratização no Brasil. “Com final do antagonismo entre os Estados Unidos e a então União Soviética, os militares brasileiros passaram a dar mais atenção ao seu entorno regional, à América do Sul”, descreve a cientista política. Foi justamente nesse momento que a presença das forças armadas ficaram mais evidentes. “Vários outros eventos, como a Guerra das Malvinas, fizeram com que políticos e militares passassem a olhar com mais atenção para os países vizinhos. Entre Brasil e Argentina, por exemplo, houve algumas rivalidades”, conta, lembrando que, mais recentemente, “as atitudes dos governantes dos países fronteiriços daquela região também despertaram mais ainda a atenção para a Amazônia.”

Mais unidades

A pesquisadora ressalta também que programas governamentais passaram a evidenciar a maior atenção à região. Ela cita como exemplo o Projeto Calha Norte. Idealizado em 1985 durante o governo Sarney, a iniciativa já previa a ocupação militar de uma faixa do território nacional situada ao norte da Calha do Rio Solimões e do Rio Amazonas. “Desde então, a transferência de unidades militares para a região tem sido constante. E há ainda planos de novas transferências”, conta Adriana. Ela lembra também do Projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), na década de 1990, que foi elaborado com a finalidade de monitorar o espaço aéreo da Amazônia.

Além destas estratégias e projetos, Adriana conta que houve as transferências de unidades militares para a região. “Até o final de minha pesquisa, em 2007, haviam cinco brigadas de infantaria de selva. Destas, três vieram transferidas de outras regiões do País”, conta. Ela reforça que as transferências ainda continuam e fazem parte dos planos militares de ocupação da região.

Técnicas de guerrilha

Além dos projetos e planos governamentais, os militares marcam sua presença na Amazônia utilizando-se de estratégias de resistência. “Essas estratégias são baseadas em técnicas de guerrilha. Ou seja, o maior conhecimento da região permite que um possível inimigo seja derrotado pela persistência. Podemos tomar como exemplo claro disso a guerra do Vietnã, onde os soldados vietnamitas conseguiram derrotar o poderio norte-americano pela resistência”, compara a pesquisadora.

Para realizar sua pesquisa, Adriana recorreu a uma extensa bibliografia militar e a monografias de cursos de academias militares, bem como a discursos de oficiais. Seu trabalho envolveu as três forças armadas: exército, marinha e aeronáutica. Como conta a pesquisadora, o exército tem uma presença mais forte em relação às outras forças. A marinha, mesmo tendo na região um distrito naval desde 1933, somente no ano de 2005 inauguraram o 9º Distrito Naval. O estudo de Adriana, apresentado na FFLCH no final de 2007, foi orientado pelo professor Rafael Antonio Duarte Villa.
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FONTE : Antonio Carlos Quinto, Agência USP de Notícias (Envolverde/Agência USP de Notícias)

Brasil ganha novo Parque Eólico



No ultimo dia 20 de agosto, o Brasil ganhou um novo Parque Eólico, localizado no Ceará. O empreendimento é fruto da aliança entre dois grandes líderes no setor energético na América Latina: Cemig e IMPSA. Com 325 hectares e 19 aerogeradores, o Parque Eólico de Praias de Parajuru é o primeiro de três usinas a serem construídas no estado. Ainda serão instaladas as centrais: Praia do Morgado e Volta do Rio, no município de Acaraú. Juntas, terão capacidade para gerar 99,6 MW. A intenção é que nos próximos 20 anos esta energia gerada seja comercializada para a Eletrobrás.

Limpa e renovável. Assim é a fonte eólica, considerada a mais natural do planeta. Essa alternativa é gerada em parques que concentram vários aerogeradores – turbinas em forma de cata-vento ou moinho instaladas em regiões de ventos fortes. É utilizada para substituir combustíveis naturais (não renováveis e sujeitos a escassez), como o carvão, petróleo e gás natural, auxiliando na redução do efeito estufa e, consequentemente, no combate ao aquecimento global.

Pioneira na operação de usina eólica no País, ao construir a Usina Morro do Camelinho, em 1994, a Cemig tem mais de 90% de fontes limpas. O presidente da Companhia, Djalma Bastos de Morais, destaca que a participação nos parques eólicos está em conformidade com a estratégia da empresa e do Governo de Minas que é de “crescer de forma sustentável, econômica, social e ambiental.”

Líder latino-americana em energias renováveis, a IMPSA considera o Brasil um mercado chave. A empresa argentina está trabalhando na implantação de mais outros 10 parques eólicos no País, na região de Santa Catarina. “Pretendemos desenvolver uma matriz energética mais equilibrada e limpa no País”, diz o representante da IMPSA no Brasil, Luis Pescarmona.

Os parques eólicos fazem parte do Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), desenvolvido pelo Governo Federal, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME). A iniciativa visa fomentar o desenvolvimento das fontes renováveis como as eólicas, biomassas, solares, e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s).
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Jovens fazem comícios para definir acordo climático


Encontro de jovens na Coreia do Sul encerrou com a promessa de mobilização para um acordo na Conferência sobre Mudança Climática, em dezembro; participantes dizem que medidas adotadas hoje pelos governos vão definir o futuro dos jovens e do mundo no qual irão viver.

Jovens de todos o mundo vão organizar comícios em 100 cidades para exigir que os governos firmem um acordo decisivo para reduzir a emissão de gases que causam o efeito estufa durante a Conferência sobre Mudança Climática marcada para dezembro, em Copenhague, na Dinamarca.

Uma nota do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, indica que a decisão reflete o compromisso dos 800 participantes da Conferência Juvenil Internacional Tunza sobre o Meio Ambiente, que foi encerrada neste domingo em Daejeon, na Coreia do Sul.

Juventude em Ação

Durante o encontro, foram escolhidos 13 representantes da conferência que irão formar o Conselho Juvenil do Pnuma.
Segundo o diretor-executivo do órgão, Achim Steiner, se a paixão, dedicação e as idéias dos jovens forem adotadas pelos governos nas próximas semanas, será possível obter um acordo para reduzir as emissões de gás carbono, e ainda implementar uma economia verde eficiente.

Os participantes afirmaram, numa declaração conjunta feita no dia 20 de agosto, que as medidas adotadas hoje pelos governos irão definir o futuro dos jovens e do mundo no qual irão viver.

Pressão

Na declaração, eles pediram ainda aos governos que se comprometam com a implementação do Protocolo de Kyoto e pressionem empresas e instituições governamentais a produzirem produtos compatíveis com o meio ambiente.

O encontro promovido pela ONU reuniu jovens de 10 a 24 anos que representaram mais de 3 bilhões de pessoas no mundo todo.

Para ouvira esta notícia clique em http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2009/0908245i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/168650.html
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FONTE : Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York (Envolverde/Rádio ONU)

Pesca de arrasto não!


Relatório da ONU mostra que é preciso fazer muito mais do que foi feito até agora para proteger as águas profundas

A ONU lançou, no último dia 21, uma revisão do relatório das diretrizes destinadas à proteção da vida em águas profundas. O relatório mostra que os países tomaram medidas muito aquém de seus compromissos e uma das práticas mais devastadoras, a pesca de arrasto, continua a ser praticada.

O Greenpeace vem alertando os governos para a necessidade de acabar imediatamente com atividades destrutivas para águas profundas. "É ultrajante que quase três anos depois das diretrizes propostas pelas Nações Unidas, os países tenham feito muito pouco – ou quase nada - para realmente impedir a pesca de arrasto regulamentada em alto mar", disse Farah Obaidullah, da campanha de oceanos do Greenpeace Internacional.

A resolução do ano de 2006 da ONU estabeleceu medidas a serem implementadas pelos Estados-membros, a fim de proteger a vida em alto mar em águas internacionais. Tais determinações incluem também a realização de avaliações de impacto ambiental, identificando as regiões mais vulneráveis e garantindo a não utilização da pesca de arrasto. As medidas valeriam a partir de 31 de dezembro de 2008.

Apesar disso, em junho de 2009, o Coalizão pela Conservação de Águas Profundas publicou a sua própria análise, que concluiu que, em todos os oceanos, os Estados-membros e organizações regionais de pesca (ORP) estão longe de viver de acordo com os compromissos assumidos em 2006. Mesmo nos poucos lugares onde as avaliações de impacto foram realizadas, eles só foram parcialmente concluídas ou não foram conclusivas. Muitas áreas onde os ecossistemas marinhos vulneráveis são reconhecidos ou prováveis de ocorrer, permanecem abertas à pesca de fundo com poucas ou nenhuma limitação. Finalmente, onde foram tomadas medidas, estas são muitas vezes fracas e oferecem pouca proteção à vida marinha.

Durante anos a comunidade científica, governos e as organizações ambientalistas em todo o mundo, têm alertado para os impactos devastadores da pesca de arrasto a longo prazo. A prática acaba com a vida de vastas extensões de mar, incluindo os frágeis ecossistemas de águas profundas e os corais que podem viver milhares de anos.

"Se continuarmos no ritmo atual de destruição, em poucas décadas os habitats mais profundos e misteriosos do nosso planeta vão desaparecer para sempre. Se os países que pescam não podem ou não vão cumprir com o que prometeram, é melhor que parem de pescar.", concluiu Obaidullah. O Greenpeace cobrará à Assembleia Geral da ONU que peça um fim imediato à pesca de arrasto adotada pela Assembleia Geral em 2006.
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FONTE : Amsterdam, Holanda (Envolverde/Greenpeace)

Da escravidão à consciência ambiental


O mundo da imagem está soterrado de ações “para inglês ver”. Lembremos das origens da expressão. A Inglaterra pressionava o Brasil para a abolição da escravatura - o interesse dela era formar, com base nos negros recém-libertos, uma massa de consumidores para os seus produtos -, e a Corte Portuguesa tomou várias medidas para mostrar aos ingleses que o Brasil iniciara um processo de emancipação dos escravos. Uma delas: Lei do Sexagenário, em 1885. Os escravos que chegassem aos 60 anos estariam livres. Marketing social fajuto, raramente algum escravo alcançava seis décadas, em regime de trabalho forçado, entremeado por confrontos com feitores e chibatadas.

Numa terra onde os senhores do engenho sustentavam o Império, permitir o fim da escravidão seria ferir a base econômica do País e decretar, finalmente, a República. A proximidade de datas não foi uma coincidência: em 1888, a abolição da escravatura, 1889, a república proclamada. Todos os negros, desde então, tornaram-se livres para se refugiar em favelas, libertos para vender a própria força de trabalho em troca de ninharias. Às vésperas dessa “revolução”, os pequenos atos do governo apontaram, ironicamente, para uma direção contrária à mudança. Esta é a lição das “atitudes” para inglês ver: aparentar preocupação com os grandes problemas da sociedade é contribuir, de fato, com a manutenção das coisas como elas são.

Na contemporaneidade, a liberdade dos atuais cativos está inteiramente ligada à sua capacidade de entender os jogos comunicativos do mundo globalizado, ou seja, migrar da informação para a técnica, talvez até para o conhecimento, buscando-os em fontes confiáveis.

Vivemos em uma rede que se auto-proclamou Sociedade do Conhecimento, mas que não consegue distinguir as ações efetivas dos truques circenses. Há informação demais, certamente, em diversas mídias, mas como ter certeza da transparência e neutralidade de nossas fontes? Até que ponto as supostas soluções para os grandes problemas de nossa civilização, e que ganham força ao serem comunicadas, não são medidas para inglês ver?

Entre as atitudes das organizações e das pessoas, temos aquelas que as tornam responsáveis para com o mundo à sua volta. Para ser socialmente responsável, muitos têm se concentrado no tratamento do lixo, o que não deixa de ser uma ação real pelo meio ambiente. No entanto, remamos contra um fluxo cada vez mais forte: a destruição do meio ambiente, a confecção de produtos, o acúmulo de sucata. Não são simplesmente as ações do cidadão de fechar a torneira e jogar o lixo na lixeira - como querem que pensemos - os remédios mais eficazes para a produção acelerada. Pensar assim seria atribuir apenas à caridade a missão de acabar com os problemas sociais. Eles devem ser resolvidos pela raiz, não por meio de atitudes de efeito curativo. Num mundo à beira de colapsos naturais, já está em tempo de pensar no sistema econômico que nos permite viver em sociedade, em suas mazelas e perigos.

Tratar o lixo, plantar uma árvore, usar papel reciclado, buscar combustíveis renováveis é sensato, mas pouco ainda perto do consumo que projeta a produção de mercadorias para uma escala infinita - cultura do logro e do desperdício.

Numa tarde de caminhada no Parque Ecológico de certa cidade, deparei-me com uma placa afixada pela Empresa X: “Você viu a árvore que tinha aqui? Um incendiário viu primeiro”. Num outro dia, andando pelas ruínas de um distrito, deu-me vontade de cravar na terra uma placa: “Você viu o ecossistema que tinha aqui? A Empresa X viu primeiro”.

A sociedade global, agrupamento humano onde se enquadram todos nós, precisa se libertar das ações para inglês, americano, igrejas e organizações ambientais verem (mesmo que isso envolva a luta contra os senhores de engenho de hoje). A salvação do nosso mundo - em suas dimensões materiais, biológicas e culturais - requer intervenções profundas na realidade.
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FONTE : Eduardo Sabino é escritor e redator. Lança, em outubro, pela editora Novo Século, o livro de contos “Ideias Noturnas sobre a Grandeza dos Dias”. É editor e colaborador da revista eletrônica Caos e Letras (Envolverde/Revista Plurale)

'Enquanto não houver uma valorização econômica da floresta, não vamos reduzir o desmatamento'


No final dos anos 1990, já despontando como grande produtor rural do país, o Estado do Mato Grosso começou a investir em programas de regularização de seus proprietários rurais perante as regras ambientais. O principal vetor desta política foi o programa intitulado Sistema de Licenciamento Ambiental de Propriedade Rural (SLAPR), que trazia as ações de desmate de suas propriedades cadastradas em operações legalizadas.

Quase 10 anos depois de sua implantação, vê-se que o sistema, criado para supostamente trazer um bem-estar ambiental, foi usado somente como forma de legitimação da degradação do Estado, sem efetivas medidas para a contenção do modelo de substituição da floresta.

Buscando compreender quais foram os erros e os méritos do sistema e como ele poderia se transformar em uma ferramenta poderosa de gestão, a pesquisadora Andréa Aguiar Azevedo realizou a tese de doutorado "Legitimação da Sustentabilidade". No tratado, Andréa destrincha todo o processo histórico e estatístico do programa.

Em entrevista exclusiva para o site Amazônia.org.br a pesquisadora comenta os resultados de sua pesquisa, os problemas de governança que o Mato Grosso enfrenta e a possibilidade de instaurar políticas ambientais em um Estado tão arraigado com as questões rurais. Leia abaixo na íntegra.

Amazônia.org.br - Atualmente, os mecanismos de legalização do Mato Grosso são mecanismos que prezam o meio ambiente ou são catalisadores da degradação?

Andrea Azevedo - Eu não poderia dizer que são catalisadores de degradação porque não existe, por exemplo, só o SLAPR. Eu acho que o Mato Grosso, por ser o primeiro Estado da Amazônia legal que cria um sistema como o SLAPR, acaba se tornando bastante suscetível a falhas.

De qualquer forma, eu não diria que as políticas são um modelo de degradação. Nós temos que entender quais são os objetivos da política florestal no Estado. Quando foi implementado o SLAPR no final da década de 1990, a discussão era de legitimar a produção do Estado. O Estado estava produzindo muito e se consolidando como produtor de grãos, e havia uma crítica muito grande em cima do Mato Grosso, que sempre teve altos índices de desmatamento ilegal. No inicio a idéia é que não houvesse ilegalidade, ou seja, que todo desmatamento estivesse no aval do Estado. Então quando a gente observa no panorama geral, há mais desmatamento nas propriedades cadastradas no SLAPR do que as que estão fora do sistema. O programa não inibiu o desmate, mas o objetivo não era inibir.

O que chama atenção atualmente no SLAPR é que ele não está mais exercendo a função inicial da legalização. Em 2002 a gente teve 71% de desmatamento acima de 200 hectares com autorização. Este valor cai para 4% em 2007. Desta forma o instrumento de legalização também foi perdido.

Podemos inferir então que a governança foi muito influenciada pela questão política. A partir de 2003, não necessariamente por conta da eleição do Blairo Maggi como governador, houve uma série de interrupções de input no sistema que fizeram que ele não mais operasse na maneira inicial. Hoje existe dentro do sistema o cadastro de 45% das propriedades produtivas. Ter quase a metade das propriedades cadastradas é algo significativo, já seria possível fazer uma gestão razoável, que não é o que acontece.

Amazônia.org.br - O SLAPR tornou-se uma forma de legalizar desmate ilegal?

Andrea - Um dado que eu achei interessante do meu trabalho, quando eu comparei desmate de reserva legal dentro do SLAPR e fora em área de floresta, descobri que há um desmate muito maior fora do sistema. Uma das hipóteses para isso é que as pessoas não aceitam os 80% de reserva legal. Já é sabido que este valor não tem legitimidade. Desta forma, os produtores desmatam antes de entrar no sistema, aderem ao SLAPR e então legalizam a situação. Hoje uma das formas de legalizar a reserva legal é compensando fora da área de sua propriedade, em uma unidade de conservação. Essa forma deixa muito mais barato a compensação ambiental.

Então o proprietário que não concorda com os 80% de reserva legal desmata ilegalmente, adere ao SLAPR para legalizar sua situação por meio de uma compensação fora da propriedade, barateando o processo.

Amazônia.org.br - Este mecanismo de compensação pode ser considerado uma falha do sistema?

Andrea - Este é um assunto muito controverso. De uma perspectiva mais conservacionista, ele não cumpre com a função dele, pois as unidades de conservação já existem e a reserva legal é outro tipo de categoria de área protegida. Se você está compensando seu desmate em outro lugar, que já é uma área protegida, a reserva legal não tem função real.

O olhar do governo sobre isso, e de algumas ONGs, é que primeiro seria muito caro fazer o reflorestamento na própria área legal do proprietário e o Estado iria perder área de produção. Dessa forma existe uma ajuda do governo para legalizar a questão fundiária dentro das áreas de conservação. Além disso, existem municípios que possuem cerca de 96% de área desmatada dentro da floresta, então é uma área com tanta ocupação humana que se torna inviável fazer o reflorestamento.

O que falta no sistema em termos de gestão hoje é uma espécie de zoneamento, que não é o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), mas sim um planejamento do SLAPR para as futuras entradas, verificando locais aonde poderia ocorrer esta compensação e de onde não. Deveria haver um desenho de corredores de biodiversidade em lugares onde há uma falta maior de vegetação e, para suprir esta falta de ligação entre os biomas, o proprietário compensaria parte de seus passivos dentro da propriedade um pouco em áreas estratégicas para corredores. O instrumento serviria tanto para monitorar essa redução como para conservação da biodiversidade.

Só que isso não existe hoje. Se o produtor quiser compensar toda a reserva fora de sua propriedade, ele pode. O governo não usa o instrumento para fazer o planejamento da paisagem e isso é uma das subutilizações mais graves do sistema. Principalmente porque a existência desse planejamento foi uma das justificativas para conseguir fundos para a existência do SLAPR, e isso nunca foi feito dentro do sistema. Vemos agora que foi uma justificativa unicamente retórica.

Amazônia.org.br - Com a existência destes desenhos e planejamentos de paisagem, o SLAPR poderia se tornar um sistema que inibe o desmate?

Andrea - Não, seria só uma melhora na questão da conservação da biodiversidade. O que deveria ser feito para inibir desmatamento é cadastrar mais propriedades no sistema. O produtor precisa que o sistema seja atraente, na medida em que se ofereçam algumas vantagens econômicas.

O que mais está falhando para este fim hoje são a fiscalização e a responsabilização. A responsabilização está muito emperrada. Não estão dando multa para quem está no SLAPR para não espantar quem está fora e quer entrar. No caso da fiscalização o instrumento seria reforçado se você tivesse um sistema de monitoramento mais eficaz com imagens mais freqüentes.

Para reduzir desmatamento não há alternativa que não uma fiscalização mais próxima do ato e uma responsabilização melhor. Praticamente 5% do que é cobrado pelas multas ambientais hoje no Estado é recebido. Afinal, o SLAPR é um instrumento de comando e controle, maquiado com uma tecnologia que o faz ficar melhor. As pessoas têm dificuldades de entrar no sistema porque sabem que serão monitoradas. Então entra quem está com a situação legalizada ou quem precisa de algum financiamento.

Amazônia.org.br - O SLAPR pode se transformar em um sistema melhor para a área ambiental?

Andrea - Eu acredito que sim, só que o SLAPR não é nenhuma panacéia, não é como o banco mundial tenta frisar: não é implementando o SLAPR na Amazônia legal que vamos reduzir o desmate, pelo contrário. Mas ele é um instrumento poderoso para a gestão, que ajuda muito, desde que a gestão seja séria e comprometida com a redução do desmate.

Mas há uma série de problemas de sustentabilidade institucional dentro da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema), como por exemplo troca de gestores com muita freqüência. De 2003 a 2007 foram sete gestores do projeto. Ainda há uma interferência política muito grande neste caso. Se você não tem ali um controle grande da sociedade civil, é muito difícil manter o sistema funcionando, pois a transparência da Sema ainda é muito precária. A ingerência política fica mais fácil.

É preciso tirar estes espaços de interferência política e dar input para melhorar o sistema e desfazer a ideia de que isso vai resolver a questão do desmate. Isto é uma das ferramentas, que deve ser melhorada e é preciso estar aliado a um mecanismo como de Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação (REDD), por exemplo.

Amazônia.org.br - Em um Estado com presença ruralista tão acentuada, existe estrutura democrática para legitimar novas práticas ambientais?

Andrea - Existe no Mato Grosso um conflito muito grande: há um movimento ruralista que tem ficado muito forte de uns cinco anos para cá. Eles começaram a se organizar e isso interfere nas políticas públicas. Eles, inclusive, estão fazendo este enfrentamento mesmo diante da legislação ambiental.

Um governo ligado à questão rural vai sempre tentar resolver a questão dos produtores. O Blairo Maggi sempre se coloca como representante dos produtores. É muito difícil a gente saber até que ponto há ou não um beneficiamento desta classe.

Um exemplo mais claro disso é o MT Legal, que foi implementado recentemente. O programa nada mais é do que dividir o SLAPR em duas partes. Na primeira você só precisa arrumar as áreas de proteção permanente (APP). A partir de então, quem aderir ao programa tem de um a três anos para arrumar a reserva legal. Desta forma, adiaram a questão da reserva legal porque é uma questão espinhosa: muitos produtores não concordam com os 80% de reserva legal e esperam que haja uma mudança por meio do Congresso. Além disso, é uma entrada mais facilitada para o empréstimo que é amarrado ao licenciamento ambiental, então você não precisa mexer com reserva legal para receber financiamento. Tendo o cadastro você pode pegar o dinheiro.

O MT legal pode até vir a ser um sistema bastante importante, mas ele foi bem providencial para uma série de produtores que precisavam do financiamento e não tinham licenciamento.

Talvez essa política em um Estado rural se reflita por meio de projetos com esta tendência de legitimar a produção. O MT legal não só legitima a produção, mas também a forma de ocupação do Estado, pois o produtor pode aderir ao programa e regularizar sua reserva legal em até três anos e ainda fazer total compensação em local diferente.

Não há como desvincular a imagem do Blairo Maggi com a ideia de proteção do poder produtivo, mas ele já viu que tem que fazer isso com a melhor legalidade possível, senão há o risco de interferir na comercialização da produção do Estado. Atualmente ele está muito cauteloso, mudou muito seu discurso em relação à questão ambiental. Mas há uma frouxidão institucional contrapondo este discurso. Há problemas sérios de monitoramento, fiscalização, alocação de verba para a Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema).

O mais interessante é que os produtores não reparam neste descompasso. Entrevistei diversos ruralistas em um evento recentemente. Perguntei o que eles achavam da gestão do governador na área ambiental e todos falaram que era muito boa, mas quando perguntava sua opinião sobre a Sema, achavam que era o pior órgão público, ficando atrás somente do Ibama. Eles desassociam o órgão do governo Maggi.

Amazônia.org.br - Na sua opinião, uma legitimação do modelo mato-grossense de ocupação pode tornar-se um risco para os demais Estados da Amazônia Legal?

Andrea - O Mato Grosso tem que servir de modelo para não copiar os erros. Se vemos que há problema acontecendo no sistema do Mato Grosso, temos que tentar sanar estes problemas. Se o objetivo dos demais Estados for esta legitimação da forma de produção, com certeza pode voltar a acontecer os mesmos erros. Resta dimensionar estes objetivos e eu acredito neste redimensionamento, justamente pelas notícias que a ciência nos tem dado e pelo prognóstico que a gente tem de REDD. Com essas novidades, o Estado começa a se interessar mais em redução do desmate.

Acredito que o Mato Grosso é um modelo e um exemplo. É preciso pegar o que não deu certo e não usar o sistema para legitimar uma ocupação. É necessário mudar a forma de ocupação e também a forma de produção. Isso é uma coisa que depende de política pública de base. Enquanto não houver uma valorização econômica da floresta, não vai mudar. Ninguém desiste de desmatar, pois os habitantes colonizaram o Estado com o intuito de substituir a floresta, o pensamento é esse, estamos numa transição cultural. E nunca será só um instrumento que dará conta disso, pois o desmate é um fruto de uma história, de um contexto.
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FONTE : Flávio Bonanome, do Amazonia.org.br (Envolverde/Amazônia.org.br)