terça-feira, 11 de agosto de 2009

Brasil lidera uso mundial de agrotóxicos


O Brasil, segundo estudo da consultoria alemã Kleffmann Group, é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. O levantamento foi encomendado pela Associação Nacional de Defesa de Vegetal (Andef), que representa os fabricantes, e mostra que essa indústria movimentou no ano passado US$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões do segundo colocado, os Estados Unidos. Em 2007, a indústria nacional girou US$ 5,4 bilhões, segundo Lars Schobinger, presidente da Kleffmann Group no Brasil. O consumo cresceu no País, apesar de a área plantada ter encolhido 2% no ano passado.

Apesar do grande volume de recursos movimentados pela indústria no mercado brasileiro, o consumo por hectare ainda é pequeno em relação a outros países. De acordo com o levantamento, o gasto do produtor brasileiro com agrotóxico ainda é pequeno, se comparado a outros países. Em 2007, gastou-se US$ 87,83 por hectare. Na França, os produtores desembolsaram US$ 196,79 por hectare, enquanto no Japão a despesa foi de US$ 851,04. Por esse motivo, o presidente da consultoria acredita que a tendência nos próximos anos é que o Brasil se estabilize na primeira colocação no consumo de agrotóxico.

O Brasil leva vantagem na pesquisa por se tratar de um país com grande área cultivada e também pelo tamanho da produção que sai do campo. "O País é o grande produtor de alimentos do mundo, lidera praticamente em todos os produtos agropecuários", comenta Ademar Silva, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

Para Schobinger, o aumento do consumo de agrotóxico traz vantagens ao País. "Dessa forma, é possível aumentar o ganho de produtividade. O uso desses produtos facilita o controle de pragas a que estamos mais expostos por sermos um país tropical", explica.

NOVAS PRAGAS

Em parte, o aumento do uso de agrotóxico tem a ver com o surgimento de pragas. Até seis anos atrás, cita o executivo da Kleffmann, não se falava, no Brasil, da ferrugem da soja. Para combater as pragas, a indústria corre atrás de pesquisas e lança produtos no mercado.

"O aumento tem a ver também com o crescente uso de tecnologias no campo. Quanto mais avançado o sistema produtivo, maior o consumo de agrotóxico. Neste momento é importante fazer um balanço da relação entre risco e benefícios do seu uso", diz Luís Rangel, coordenador de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura.

Segundo Schobinger, há evolução não apenas no combate a novas pragas, mas nas diferentes formas de usar o agrotóxico. No Brasil, tem crescido ano a ano a utilização nas sementes, em substituição à pulverização das lavouras, o que costuma causar mais danos aos trabalhadores e ao ambiente.

Apesar do uso crescente de agrotóxicos no País, a relação com os produtores continua difícil, segundo o presidente da Famato. "Os preços só caíram cerca de 30% na safra de verão porque os Estados Unidos, grande mercado para essa indústria, estão em crise e é preciso desovar a produção. Além disso, tivemos duas safras muito ruins por aqui nos últimos anos e a situação do produtor ficou mais delicada", diz Silva.

Ele acredita que a lua de mel deve durar pouco. "Basta o mercado internacional se recuperar para os preços subirem novamente. A indústria tem esse poder. É ela quem faz o preço."

Na opinião de Luiz Cláudio Meirelles, gerente geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a liderança brasileira preocupa. "São substâncias tóxicas que são objeto de ação regulatória no mundo. No Brasil, temos dificuldade de ação de controle, falta de recursos humanos e falta de laboratórios, enquanto a velocidade de consumo avança", detalha. Atualmente, há cerca de 450 ativos usados na produção de agrotóxicos registrados na Anvisa e os pedidos para a concessão de mais licenças não param de chegar.

No início da semana, representantes de 64 indústrias asiáticas, a maioria chinesa, se reuniu em São Paulo para conhecer melhor as regras do mercado interno. Foi a terceira edição da feira China-Brazil AgroChemShow.

A segunda maior fabricante de glifosato do mundo, a chinesa Fuhua, planeja mandar para o Brasil 30% das suas exportações a partir do ano que vem, quando espera já ter os registros da Anvisa para três produtos .

Preço em queda reduz mercado de agrotóxicos

De São Paulo - Jornal Valor, 07.08.2009

A indústria brasileira de defensivos passou à liderança mundial do setor em 2008, superando os Estados Unidos, mas a posição não deverá ser mantida neste ano, de acordo com dados apurados pela consultoria alemã Kleffmann, especializada em agronegócio. As quedas de preços do insumo devem reduzir a receita do setor.

Em 2008, segundo a consultoria, o mercado brasileiro de defensivos movimentou US$ 7 bilhões, acima dos US$ 6,6 bilhões registrados nos EUA. A queda esperada para o Brasil é de 10%, de acordo com Lars Schobinger, presidente da Kleffmann no Brasil. Um recuo também é esperado no mercado americano, embora não na mesma intensidade.

Esse desempenho não é necessariamente uma má notícia para as indústrias, avalia ele. "As perspectivas eram bem piores. Falava-se em queda de 20%. O impacto da crise foi superestimado", diz Schobinger. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal (Sindag), o faturamento do setor no país em 2008 foi de US$ 7,125 bilhões.

O recuo dos preços não é fenômeno restrito ao Brasil. O custo dos defensivos tem caído desde 2008, na esteira do barateamento das commodities minerais que são matéria-prima para a fabricação do insumo - o glifosato, por exemplo, herbicida largamente utilizado na agricultura brasileira, tem o fósforo como matéria-prima básica.

Na comparação com outros países, contudo, a adoção da transgenia ainda é pequena no mercado brasileiro, o que faz com que agrotóxicos que não são adotados em outros países o sejam no Brasil - e, em consequência, levem a uma queda maior na receita. O plantio comercial de milho transgênico, por exemplo, passou a valer apenas na safra 2008/09 no país. Segundo a Kleffmann, 5% da área do milho da safra de verão foi ocupada pela variedade geneticamente modificada. Na safrinha, o número passou a 14%. Nos EUA, a fatia é superior a 90%.

A diminuição da receita não significa um encolhimento do mercado, avalia Schobinger. "Por estar localizado em uma região tropical, o Brasil tem mais desafios no controle de pragas e doenças que outros grandes mercados, como França, Japão e EUA", diz. "O potencial de crescimento da indústria é muito grande".

Em seu estudo sobre o avanço do uso dos defensivos nos principais mercados mundiais, a Kleffmann cruzou os dados do crescimento da produção e do volume consumido do insumo entre 2004 e 2007. Na relação entre defensivo utilizado por tonelada produzida, o crescimento no Brasil foi de apenas 1%, bastante inferior ao avanço registrado em países como Argentina (49%), China (25%) e França (28%). Entre os mercados avaliados, houve queda apenas no Japão e nos EUA.

Segundo o estudo, 80% das embalagens de agrotóxicos colocadas no mercado brasileiro são recolhidas em programas de destinação, desempenho superior ao dos alemães (60%), Austrália (50%), França (45%) e EUA (20%). (PC)
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Fonte: MST (Envolverde/Jornal do Meio Ambiente)

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