quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

VERA, A GAÚCHA DEFENSORA DOS MANGUES


Ilustradora de clássicos de escritores gaúchos como Mario Quintana e Erico Verissimo, Vera Muccillo, 58 anos, trocou os livros pelos mangues de Florianópolis. Há 15 anos, quando deixou Porto Alegre para levar uma vida mais sossegada, perto do mar, ela foi morar próximo a um manguezal da Capital e sentiu-se tocada pela fauna e flora que habita este ecossistema. Fez algumas ilustrações de mapas para o Ibama, e, a partir daí, dedicou-se ao trabalho nessas áreas, inspirada no Instituto Carijós, da qual já foi presidente.

O Instituto Carijós é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que foi fundado em 1999 e desenvolve projetos para gerir os manguezais de forma sustentável e participativa, para amenizar os impactos da ocupação do solo, na região que abriga as bacias hidrográficas de Ratones e do Saco Grande.

Engajada nos projetos do instituto, Vera desenvolve mapas da Ilha de Santa Catarina, em forma de cartões-postais e pôsteres, e os vende no Largo da Alfândega, há quatro anos. Além de servir de referência para os turistas que visitam a Ilha, o mapa localiza os manguezais.

– Eu queria ajudar a divulgar o instituto e todos os trabalhos ambientais desenvolvidos por ele, por isso resolvi ilustrar esse mapa, indicar a organização e vender na Alfândega, um lugar frequentado por turistas e pelos moradores de Florianópolis.

Os mapas, porém, não são o único trabalho desenvolvido pela ilustradora.

Ela participa, também, de oficinas de educação infantil, e desenvolveu, junto com as crianças que vivem nos entornos dos mangues, um conto infantil.

– Esse conto tem como personagem principal “Clara”, uma arvorezinha que ajuda as crianças a conhecerem esse ecossistema e entenderem como é importante a sua preservação – conta Vera.

Os planos, entretanto, vão além. O conto pode virar livro e peça de teatro, e a conscientização ecológica dar um passo maior.

– Se tudo der certo, o roteiro feito por Antônio Cunha vai ser dirigido por Celso Nunes, um dos maiores diretores do Brasil, e o conto de Clara vai subir os palcos – adianta Vera.

Assim como nos livros de Mario Quintana e Erico Verissimo, Clara poderá despertar a vontade de atingir coisas, possivelmente, inatingíveis.
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FONTE : DC - 26 de fevereiro de 2009, edição N° 8358

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