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Energia
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Ao prestar depoimento em delação premiada, o diretor-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, vai informar que a empresa pagou pouco mais de R$ 100 milhões em propina para obter contratos de obras na usina de Belo Monte. Avancini pretende esmiuçar aos procuradores do Ministério Público Federal que o valor foi repassado para o PT e o PMDB. Cada um dos partidos abocanhou 1% do valor do contrato firmado na usina. Em números absolutos, a empresa repassou R$ 51,2 milhões para cada uma das legendas - O Globo, 7/3, O País, p.8. |
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"Quem se interpôs entre a presidente Dilma e a sua vontade férrea de fazer a hidrelétrica de Belo Monte perdeu o cargo ou ficou falando sozinho. Para que saísse a licença ambiental, foram despachadas ordens diretas do Palácio do Planalto. Ponderações dos técnicos foram ignoradas. O Ibama foi atropelado. Relatórios de especialistas do próprio governo foram deixados de lado. Confissão de propina era só o que faltava para tornar ainda mais obscuro o projeto de Belo Monte", coluna de Míriam Leitão - O Globo, 7/3, Economia, p.26. |
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Por questões ambientais, duas usinas da Gerdau -São João, com 60 MW, e Cachoeirinha, de 45 MW-, previstas para serem construídas no Rio Chopim, no oeste do Paraná, levaram mais de uma década para conseguir a licença prévia. Em agosto do ano passado, já com a licença prévia dos projetos, o grupo siderúrgico recorreu à Aneel para pedir o reequilíbrio financeiro dos contratos das usinas, com o argumento de que perdeu mais de um terço do prazo da concessão. Na prática, a empresa pediu que o prazo de contagem da concessão seja reconsiderado, o que deve ser negado pela Aneel - OESP, 7/3, Economia, p.B11. |
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Biodiversidade
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O Ministério da Pesca e Aquicultura quer impedir que várias espécies de importância comercial tenham sua pesca proibida a partir de junho. Para isso, está propondo ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) mudanças nas regras de implementação da nova lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção, numa tentativa de solucionar o impasse criado com o setor pesqueiro sobre o tema. As demandas incluem adiamento do prazo para elaboração de planos de gestão para espécies "vulneráveis" - de seis meses para um ano - e reavaliação da situação de algumas espécies-chave classificadas como "em perigo" ou "criticamente em perigo". O MMA sinalizou que o prazo pode ser prolongado - OESP, 8/3, Metrópole, p.A23. |
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A decisão de proibir a pesca de espécies ameaçadas não é questionada apenas por pescadores. Ambientalistas e cientistas com experiência em gestão pesqueira concordam que a proibição, por si só, não é necessariamente a melhor estratégia de conservação, dada a falta de informações e de monitoramento da atividade pesqueira no País. "Temos uma lacuna muito grande de conhecimento sobre o que é pescado e consumido no Brasil", diz Cristiano Vilardo, da ONG Conservação Internacional. Melhor do que uma moratória, segundo ele, seria desenvolver planos de gestão pesqueira específicos para cada espécie, com monitoramento e geração de dados essenciais para a recuperação de seus estoques - OESP, 8/3, Metrópole, p.A23. |
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Amazônia
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Entre 2006 e 2014, Ezequiel Castanha foi autuado 16 vezes pelo Ibama. Somadas, as multas chegam a R$ 40 milhões. Castanha foi responsável por invadir e destruir 5.621 hectares de florestas nacionais e terras de assentamento em Novo Progresso, Altamira e Itaituba, no Pará, para então negociá-las. O prejuízo ambiental é estimado em R$ 500 milhões. A Polícia Federal o considera líder de uma organização criminosa que incluía gerentes (com a função de contratar mão de obra para transformar terras públicas em pastos) e até corretores de imóveis para negociar as áreas da União. Os compradores dos lotes estão no Sul e no Sudeste. Castanha foi preso no último dia 21 de fevereiro - FSP, 8/3, Poder, p.A11. |
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Mudanças Climáticas
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Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, uma rede de 35 ONGs que tem por objetivo promover o debate sobre negociações internacionais, diz que o Brasil se senta à mesa de discussão pensando que já fez muito pela questão climática. Apesar de otimista com relação ao manejo do desmatamento e da questão energética do país, ele diz, em entrevista, que é necessário mudar a mentalidade e que reduzir emissões de CO2 é investimento e não gasto. Em 2015, ano em que haverá a conferência de Paris, onde serão costurados acordos de gestão da questão climática, o país ainda precisa decidir que posição vai assumir na hora da negociação - FSP, 9/3, Entrevista da 2a, p.A12. |
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Poluição do Ar
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"Teria a poluição um efeito negativo sobre os alunos de escolas localizadas em ruas com tráfego intenso? Tal foi a pergunta feita pelo grupo de Jordi Sunyer no Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental de Barcelona, que chegou a resultados preocupantes, expostos terça-feira (3) em artigo no periódico científico PLoS Medicine. É difícil encontrar um exemplo mais acabado de injustiça ambiental, até porque não tem relação direta com o suspeito habitual, a pobreza. Bairros ricos também têm poluição atmosférica. Seria bom pensar duas vezes, daqui para a frente, antes de construir escolas em vias de tráfego intenso", artigo de Marcelo Leite - FSP, 8/3, Ciência, p.C15. |
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Água
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Quase metade da água destinada aos grandes consumidores da Grande São Paulo sai do Sistema Cantareira. Dos cerca de 1,8 bilhão de litros que abasteceram, em janeiro, os 526 clientes da Sabesp que têm contratos de fidelidade, com tarifas vantajosas, 851 milhões (46,5%) deixaram o manancial que está em situação mais crítica. Esse volume, contudo, já foi maior. Levantamento feito pela Sabesp mostra que o consumo de água dos clientes fidelizados atendidos pelo Cantareira, como os condomínios comerciais da Avenida Paulista, caiu 25% em janeiro deste ano na comparação com fevereiro de 2014, primeiro mês da crise declarada no sistema, quando o gasto foi de 1,1 bilhão de litros - OESP, 9/3, Metrópole, p.A11. |
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A Sabesp ainda faz bombardeamento de nuvens para tentar induzir chuvas na região das represas, mas com um método diferente do adotado nos anos 1960. Em vez de gelo seco, a nova técnica é com gotículas de água. A estatal mantém contrato de R$ 4,48 milhões com a empresa Modclima para a semeadura de nuvens na região dos sistemas Cantareira e Alto Tietê. Os últimos voos foram feitos em fevereiro. De acordo com Carlos Augusto Morales, professor de física das nuvens da USP, tanto gelo seco como gotículas de água são processos sérios, mas cuja eficácia está associada à ocorrência de nuvens e ao tipo delas - FSP, 8/3, Cotidiano, p.C5. |
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Pela primeira vez desde que sua família começou a cultivar arroz, há três gerações, o produtor Rodolfo Kopel, de Guaratinguetá (São Paulo), pode ser impedido de plantar o cereal na próxima safra. O motivo: falta de água. Segundo ele e a Cooperativa dos Produtores de Arroz do Vale do Paraíba do Sul, o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica, do governo do Estado) avisou os agricultores daquela região que, se não chover, o órgão vai bloquear o uso da água. São Paulo não é um dos principais polos produtores de arroz do país - FSP, 7/3, Mercado 2, p.6. |
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"Da mesma forma que esvaziar o volume morto terá custos no longo prazo, essas obras emergenciais, que nada mais são do que a construção de um verdadeiro Aquanel em torno da cidade de São Paulo, têm o potencial de serem tão ou mais nefastas que a dilapidação dos volumes mortos. As obras do Aquanel vão permitir que a água da Billings seja transferida para outros sistemas e, portanto, adicionada ao suprimento de água potável da cidade. O problema é que faz quase meio século que grande parte da Billings foi transformada em um enorme esgoto a céu aberto. Com o novo Aquanel, essa água poluída vai ser transferida para os outros reservatórios (ainda limpos) que abastecem a cidade", artigo de Fernando Reinach - OESP, 7/3, Metrópole, p.E3. |
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"Taxar o desperdício ou cobrar a mais por quem tem necessidade de consumo maior é uma medida a ser seriamente estudada, de olho na oferta hídrica futura. Entretanto, os valores arrecadados não podem se perder nos labirintos do Estado. Deveria haver legislação que criminalizasse gestores públicos que não cumprissem metas para o saneamento básico, área que seria muito mais bem atendida se a iniciativa privada substituísse as companhias ligadas aos municípios. O consumo agrícola de água no Brasil, segundo a Embrapa, está de acordo com a média mundial, em torno de 55%. A irrigação - apontada como a maior responsável pelo uso da água na agricultura - ocupa apenas 8% da área plantada". artigo de Gustavo Junqueira - OESP, 7/3, Economia, p.B2. |
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Crise da água faz repensar valores
"A falta de investimentos em longo prazo; o otimismo exagerado dos políticos e gestores que conhecem a realidade, mas preferem apostar na sorte; a cultura do desperdício; a dificuldade em ouvir e colocar em prática os dados das ciências; a incredulidade nos sinais de alerta dados pelas mudanças climáticas; e a teimosia em apoiar de maneira exagerada na matriz hidrelétrica, deixando em segundo plano outras matrizes energéticas, resultaram nesta crise hídrica que hoje vivemos no Brasil, sobretudo nas regiões mais populosas", artigo de Josafá Carlos de Siqueira - O Globo, 8/3, Opinião, p.19. |
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