segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014




Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
HOJE:
Água, Amazônia, Biotecnologia, Energia, Questão Agrária, Zona Costeira
Ano 13
24/02/2014

Amazônia

Depois de amargar a divulgação, no fim de 2013, de que o desmatamento anual da Amazônia havia subido 28% de agosto de 2012 a julho de 2013, na comparação com o mesmo período do ano anterior, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou sexta-feira uma tendência de redução do problema. No acumulado de agosto passado até janeiro, houve uma redução de 18,6% nos alertas de desmatamento. Os alertas, fornecidos pelo sistema Deter, do Inpe, não medem o desmatamento real. Exatamente por isso, a ministra não garantiu que isso indique uma diminuição nas taxas de desmatamento da área. Desde agosto, só não houve redução nos alertas mensais no primeiro mês deste ano. Janeiro teve alertas de 75,41 km², ante 9,26 km² em janeiro de 2013 - um aumento de 714% OESP, 22/2, Metrópole, p.A28; FSP, 22/2, Ciência, p.7.

O nível do Rio Madeira chegou sexta-feira à marca histórica de 18 metros. Com isso, a BR-364, que liga Rondônia ao Acre, foi totalmente interditada pela Polícia Rodoviária Federal e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), inclusive para carretas que transportam alimentos, gás de cozinha e combustíveis para o Acre. O fechamento da estrada pode causar desabastecimento no estado O Globo, 22/2, País, p.13.
"A boa notícia é que o desmatamento na Amazônia parece ter voltado a cair. A má notícia é que a boa notícia não vale para Mato Grosso, onde o controle do desmate se encontra em franco retrocesso. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, no período agosto-janeiro 375 km² foram derrubados ali, a maior cifra estadual (dados provisórios do sistema Deter). O último dado anual (2012-13) registrou 1.149 km² em Mato Grosso, o que representou um crescimento de 52% sobre o período anterior (2011-12). O Estado-símbolo do agronegócio está destruindo, junto com o mato fechado que lhe dá nome, a reputação de inovador e responsável em matéria ambiental", artigo de Marcelo Leite FSP, 23/2, Ciência, p.C13.
"Acabou a polêmica, os dados dos satélites concordam com os dados obtidos pelos pesquisadores em terra. O fator limitante para o crescimento da floresta é sempre a quantidade de água e não a quantidade de luz. Isso significa que, caso as mudanças climáticas diminuam as chuvas, a Floresta Amazônica vai crescer menos e produzir mais gás carbônico", artigo de Fernando Reinach. Mais informações: Amazon forests maintain consistente canopy structure and greenness during the dry season. Nature vol. 506 pag 221. 2014 OESP, 22/2, Metrópole, p.A28.

Água

O Castanhão, o maior açude do Brasil, localizado no Ceará, é tão grande que pode ser visto do espaço. Armazena 6,7 bilhões de metros cúbicos de água. É sete vezes maior do que o sistema da Cantareira, o reservatório da região metropolitana de São Paulo. Ao entrar em seu terceiro ano, a seca que castiga o Nordeste chega a esse oásis. Pela primeira vez desde a inauguração, em 2002, o Castanhão está com 38% da capacidade. Para preservar sua água, duas grandes áreas agrícolas irrigadas por ele, Tabuleiro das Russas e Chapada do Apodi, não podem, a partir de 2014, expandir a área de plantio. Se a água baixar mais, os piscicultores terão de reduzir a produção. Tanta tensão não existiria tivesse a transposição do Rio São Francisco sido concluída em 2010, como previu o presidente Lula OESP, 23/2, Economia, p.B8 e B9.
Agricultores perderam suas safras e ficam à espera de um caminhão-pipa da prefeitura, famílias convivem com cheiro de esgoto, poços e minas estão secos e hoje há mato e pedras onde antes havia represas e cachoeiras. Quatro anos após as enchentes que obrigaram mais de 6 mil pessoas a deixar suas casas na região do Circuito das Águas, no interior paulista, a pior estiagem em 50 anos mudou a vida da população às margens dos principais mananciais do Estado, que normalmente estariam transbordando nesta época do ano OESP, 23/2, Metrópole, p.A22.
Por causa da falta de chuvas nos últimos meses, um centro de pesquisa em aquicultura, ligado ao Instituto Chico Mendes, pediu aos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente a ampliação da proibição da pesca, que termina no dia 28, por mais um mês nos rios Pardo, Mogi Guaçu, Sapucaí-Mirim e parte do rio Grande. Os rios passam por municípios de São Paulo e Minas Gerais. O pedido tem como objetivo evitar uma mortandade maior de peixes. Com os baixos níveis dos rios, os peixes podem ser capturados com mais facilidade. A falta de chuvas também prejudicou a reprodução dos peixes FSP, 24/2, Ciência, p.C7.
"Se estivéssemos um pouco mais atentos, minimamente de olhos abertos, deveríamos estar comprometidos até o último fio de cabelo com as campanhas de desmatamento zero e os projetos de recuperação de mata ciliar, áreas de nascentes e recursos hídricos. Não vi os fazendeiros da soja, cana ou gado refletindo sobre esse problema, que vai arruinar o negócio deles quando o oceano de nuvens que desce da Amazônia parar de dar as caras. Não seria prudente para a sobrevivência da nossa espécie adotarmos imediatamente uma política de desmatamento zero? Ou vamos permitir que essa tragédia anunciada seja o futuro dos nossos filhos?", artigo de Luiz Bolognesi FSP, 24/2, Tendências/Debates, p.A3.

Energia

A Hidrelétrica de Jirau, a segunda usina do Complexo do Rio Madeira, leiloada em 2008, está atrasada em mais de um ano e o volume de investimento quase dobrou, de cerca de R$ 9 bilhões para R$ 17,4 bilhões. Essa diferença, de R$ 8,4 bilhões, comprometeu de forma expressiva o retorno do empreendimento. Logo após o leilão, os vencedores da disputa haviam prometido economizar R$ 1 bilhão e antecipar sua operação em um ano. A principal explicação para o descumprimento do cronograma foram os conflitos no canteiro de obras, ocorridos em 2011 e 2012 OESP, 24/2, Economia, p.B8.

A gigante chinesa State Grid deu mais um passo para cumprir o ambicioso plano de investir R$ 10 bilhões no Brasil até 2015. Há duas semanas, a estatal ganhou em parceria como grupo Eletrobrás a concessão da primeira linha do sistema de transmissão da hidrelétrica Belo Monte (PA), que vai de Xingu (PA) até Estreito (MG), cujo investimento é estimado em R$ 4,5 bilhões. O consórcio State Grid/Eletrobrás é o favorito para vencer a segunda linha que compõe o sistema de transmissão da usina. Esse segundo projeto consiste também em uma linha de 800 kV, partindo de Xingu até Nova Iguaçu (RJ). A expectativa do governo é licitar essa linha até o fim do ano OESP, 22/2, Economia, p.B18.
O País não corre o risco de enfrentar um novo racionamento de energia elétrica, assegura o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. "Mesmo se não cair mais uma gota de chuva este ano, não teremos racionamento", declarou o ministro, em entrevista. Ele reiterou que o abastecimento está garantido, defendeu o uso das usinas térmicas e minimizou o custo adicional dessa energia OESP, 22/2, Economia, p.B8.

Biotecnologia

Por falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos, o Brasil pode perder a chance de liderar uma nova onda de crescimento mundial. Depois da fase de expansão da tecnologia digital, a indústria se prepara para a etapa da biotecnologia. Como o país detém um terço da biodiversidade do planeta, poderia capitanear o processo. No entanto, falta dinheiro para esses investimentos. O BNDES investiu R$ 5,2 bilhões, que representam menos de 3% do total emprestado em 2013. Além disso, a demanda por recursos é muito maior. Os editais abertos do programa governamental Inova Empresa destinaram R$ 9,2 bi para projetos. A procura foi de R$ 17,4 bilhões O Globo, 23/2, Economia, p.38.

Zona Costeira

Pelo menos 60 pessoas apresentaram sintomas de intoxicação após frequentar a Praia da Tartaruga, em Búzios, na Região dos Lagos fluminense, nesta semana. A água tinha uma mancha de um produto químico ainda desconhecido. A suspeita é de que um navio tenha despejado na água uma substância para diminuir o mau cheiro de banheiros químicos. A prefeitura interditou a praia na manhã de sexta-feira OESP, 22/2, Metrópole, p.A28; O Globo, 22/2, Rio, p.18.
Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) constataram uma nova mancha em uma praia de Búzios, na Região dos Lagos (RJ), na manhã de sábado. Segundo Inea, a nova mancha está localizada perto de dois transatlânticos na Praia da Armação. Agentes do Inea, Secretaria do Ambiente e Capitania dos Portos fiscalizaram as embarcações, mas não encontraram irregularidades O Globo, 23/2, Rio, p.14.

Questão Agrária

Decisão do Supremo Tribunal Federal do início de fevereiro colocou fim ao mais longo conflito de terra para a reforma agrária no país, que durava 60 anos, e envolvia a Fazenda Antas, de 503 hectares, em Sapé, no interior da Paraíba. A disputa gerou conflitos, ameaças, ações de jagunços, despejos e assassinatos de líderes camponeses, como João Pedro Teixeira, assassinado numa emboscada em abril de 1962, naquela região. Sua história virou o documentário "Cabra marcado para morrer", de Eduardo Coutinho. Na comunidade Barra de Antas, próxima à propriedade rural, as poucas famílias de camponeses que restaram na área comemoram a decisão O Globo, 23/2, País, p.10.
Após assentar 1,2 milhão de famílias em sucessivos programas de reforma agrária, o Brasil agora enfrenta o desafio cada vez maior de segurá-las na terra. A nova realidade agrária do País, com a crescente valorização do preço da terra, ao lado das persistentes dificuldades dos assentados para elevar o seu nível de renda, torna cada vez mais atraente a venda do lote obtido com a reforma. O Incra vive às voltas com outro problema mais imeditado: a venda irregular. De acordo com denúncias do Ministério Público Federal, essa tem sido uma razão decisiva da reconcentração de terra OESP, 23/2, Política, p.A12.
Imagens Socioambientais

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