segunda-feira, 27 de outubro de 2014


Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Água, Energia, Mudanças Climáticas, Povos Indígenas, Política Socioambiental
Ano 14
27/10/2014

 

Água

 
  Reconhecendo a gravidade e complexidade da crise da água em São Paulo, o Instituto Socioambiental retoma suas ações com os mananciais da região por meio do projeto Água@SP -Blog da Água/ISA, 27/10.
  O nível de água do Sistema Cantareira, que abastece um terço dos habitantes da região metropolitana de São Paulo, atingiu 3% mesmo com o uso do chamado volume morto. É certo que o problema chegou a esse ponto devido a uma excepcionalidade. A atual seca é a maior registrada nos últimos 84 anos. Mas especialistas do assunto são quase unânimes em afirmar que a inoperância do poder público durante as últimas décadas, sobretudo nas questões de planejamento e de investimentos em infraestrutura, deixou o Estado despreparado demais para enfrentar um evento extremo. “As ações só foram aceleradas quando chegou a crise”, diz Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental Veja São Paulo, 29/10, p.40 a 58.
  A Sabesp incorporou ao Sistema Cantareira, na sexta-feira (24), 105 bilhões de litros de água da segunda cota do volume morto. Na quinta-feira, o reservatório estava com 3% da capacidade e com a nova reserva o número subiu para 13,6%. Do total, 80 bilhões são do reservatório Jaguari/Jacareí. O restante vem do reservatório de Atibainha OESP, 25/10, Metrópole, p.E3; FSP, 25/10, Cotidiano 1, p.C6.
  No interior de São Paulo, estiagem que afeta os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí prejudica do agronegócio às grandes indústrias. Sem água suficiente para manter a produção, a Cummins, fabricante de motores e geradores em Guarulhos, na Grande São Paulo, apelou para a compra de água que chega duas vezes por dia em caminhão-pipa. O complexo da Rhodia em Paulínia, na região de Campinas, tem feito um rodízio, suspendendo a produção em fábricas alternadas para evitar a escassez. A falta de água que se arrasta há vários meses é um fenômeno inédito para a maioria das empresas do Estado de São Paulo OESP, 26/10, Economia, p.B6 e B7.
  Prevendo a escassez severa de água, empresas que são dependentes do recurso passaram, há cerca de um ano, a direcionar investimentos para regiões fora de São Paulo. As indústrias de bebidas e de papel e celulose intensificaram neste ano o movimento e, com isso, estão conseguindo manter os planos de expansão da produção. Associações desses setores afirmam que as companhias preveem o esgotamento do sistema hídrico paulista há ao menos dois anos e que os planos de abrirem fábricas em outros Estados, principalmente no Sul, foram os meios encontrados para se protegerem de uma possível crise. A partir do segundo semestre de 2013, Coca-Cola e Ambev investiram juntas mais de R$ 2,4 bilhões em plantas no Paraná FSP, 25/10, Mercado, p.B11.
  O governador Geraldo Alckmin (PDSB) afirmou ontem, considerar "ótimo" o fato de o Ministério Público Estadual ter incluído no inquérito que apura a responsabilidade dele na crise hídrica os áudios vazados da Sabesp. Nas gravações, a presidente do órgão, Dilma Pena, diz que recebeu "orientações superiores" para barrar alertas à população sobre a necessidade de economizar água. Em outro áudio, o diretor metropolitano, Paulo Massato, diz aos que participavam de uma reunião da companhia que eles deveriam tomar banho com "água mineral" e que não sabe o que fazer se a situação se prolongar. Os áudios foram divulgados na sexta-feira OESP, 27/10, Metrópole, p.A12; FSP, 25/10, Cotidiano 1, p.C4-C5.
  Geólogos da USP elaboraram um projeto que propõe captar mil litros por segundo do Aquífero Guarani em Itirapina para abastecer até 300 mil pessoas que são atendidas hoje pelo Sistema Cantareira na região de Piracicaba (SP). A proposta serviria para reduzir o estresse sobre o manancial, de onde a Sabesp já capta água da segunda cota do volume morto. O estudo prevê a construção de um campo com 24 poços artesianos na região de afloramento - parte mais rasa - da reserva subterrânea. Eles ficariam distantes 500 metros entre si, para que um não "roube" água do outro, e teriam entre 150 e 300 metros de profundidade OESP, 26/10, Metyrópole, p.D2.
  
 

Energia

 
  O histórico das megausinas em construção nos rios amazônicos, como Belo Monte (Xingu), Jirau e Santo Antônio (Madeira), entre outros projetos, já acumula 50 ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF). A lista é liderada por Belo Monte, que tem 21 ações. Entre as hidrelétricas planejadas ou em construção no complexo do rios Teles Pires e Tapajós, de Mato Grosso ao Pará, outras 17 ações já foram movidas pelo MPF dos dois Estados. Contra os projetos previstos para o Rio Juruena, outras seis ações foram encaminhadas à Justiça. No Rio Madeira, onde as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio já começaram a entregar energia, pelo menos seis ações foram apresentadas pelo Ministério Público OESP, 26/10, Economia, p.B3.
  As previsões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o nível dos reservatórios das usinas e crescimento do consumo de energia em outubro pioraram diante do cenário de estiagem que afeta o País, segundo relatório divulgado sexta-feira. O ONS reduziu a projeção para os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste no fim do mês para 18,4% de armazenamento. A previsão anterior era 19%. As chuvas esperadas para a região neste mês devem ser equivalentes a 62% da média histórica, ante 67% previstos na semana passada. No início do mês, a previsão era de que as afluências fossem de 89% da média OESP, 25/10, Economia, p.B13.
  O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR) colocou em operação comercial na última semana a 15ª turbina da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (RO). A unidade tem 75 megawatts (MW) de potência. Ao todo, a usina terá 50 turbinas, totalizando 3.750 MW de capacidade instaladaValor Econômico, 27/10, Empresas, p.B3.
  
 

Mudanças Climáticas

 
  Ao resumir mais de 800 páginas de constatações sobre a mudança climática, cientistas de todo o mundo definirão nesta semana, em Copenhague, o lastro para as negociações sobre o documento sucessor do Protocolo de Kyoto. As discussões políticas sobre os compromissos de economias desenvolvidas e em desenvolvimento serão retomadas depois em Lima, Peru, em dezembro. Quanto mais o acordo final, a ser assinado em Paris em maio de 2015, responder às constatações dessa síntese do IPCC, menos chances de a temperatura do planeta aumentar 3,7oC, em média, até 2100. O aumento da temperatura da terra já se tornou inevitável, conforme o IPCC constatou em seu relatório de 2013 OESP, 27/10, Metrópole, p.A11.
  À frente do IPCC, Rajendra Kumar Pachauri, comandará a elaboração do relatório-síntese do 5º Relatório de Análise sobre o tema. Pachauri disse, em entrevista, que as principais conclusões do Grupo de Trabalho I do IPCC, de setembro de 2013, são: o aquecimento do sistema climático é inequívoco; a influência humana na mudança climática é clara. A atmosfera e o oceano têm aquecido, a quantidade de neve e gelo tem diminuído, o nível do mar tem aumentado e as concentrações de gases de efeito estufa aumentaram. O Grupo de Trabalho II, lançado em março de 2014, apontou que a mudança climática já está causando danos e que, quanto mais quente o clima, mais riscos vamos enfrentar, incluindo a possibilidade de danos irreversíveis OESP, 27/10, Metrópole, p.A11.
  
 

Geral

 
  Os casos de graves violações de direitos humanos contra povos indígenas durante a ditadura militar no Brasil poderão ganhar uma frente especial de investigações após o encerramento das atividades da Comissão Nacional da Verdade, em dezembro. Um requerimento deve ser encaminhado nesta semana à comissão nacional. Um dos principais argumentos é o de que, embora os índios estejam entre as principais vítimas do período de exceção, a maioria dos casos ocorridos com eles ainda não foi investigada. Se concordar com os termos do requerimento, a Comissão Nacional poderá incluir, no capítulo final do relatório que conterá as recomendações ao governo brasileiro, a proposta de uma comissão especial para os povos indígenas OESP, 27/10, Política, p.A4.
  A falta de chuva já fez com que 1.234 cidades, em 13 estados, decretassem estado de emergência ao longo do ano. O regime de chuvas do Centro-Oeste e do Sudeste está ligado à Amazônia, segundo o ambientalista Carlos Bocuhy, presidente do Proam. Quanto menos árvores, menor é a umidade da floresta, e, como resultado, menor será a quantidade de precipitação. A derrubada de árvores tem outros dois efeitos diretos sobre os reservatórios, segundo Marussia Whately, do Instituto Socioambiental. As plantas protegem os mananciais, de onde saem os rios, diminuindo a velocidade com que a água da chuva chega às represas. Sem a proteção das árvores, aumenta o assoreamento dos reservatórios e a infiltração de água O Globo, 27/10, País, p.14.
 
Reverter o aumento do desmatamento na Amazônia será um dos principais desafios na área ambiental. Especialistas afirmam que o novo governo terá de retomar medidas que, no passado, já demonstraram eficiência no combate ao desmatamento, como a criação e consolidação de Unidades de Conservação. Outra questão que deverá constar da pauta do próximo governo é a água. ONGs ambientalistas enviaram aos candidatos um documento alertando sobre a importância da proteção da Amazônia para manter o regime de chuvas em todo o país. O cabo de guerra entre o Executivo e o Congresso em torno da prerrogativa da demarcação de terras indígenas também deverá constar da temática socioambiental O Globo, 26/10, País, p.14.
  
 
Imagens Socioambientais

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