segunda-feira, 27 de maio de 2013

CENTRO DE ESTUDOS AMBIENTAIS - Boletim de27/maio/2013

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ONGs irão acompanhar cumprimento do Código Florestal
Posted: 27 May 2013 06:33 AM PDT
Organizações da sociedade civil lançaram hoje (24), na capital paulista, a campanha “Cumpra-se”, que tem como objetivo monitorar a implementação do Código Florestal. Umas das estratégias do movimento, encabeçado pela Fundação SOS Mata Atlântica, é formar grupos de trabalho (GT) nas frentes parlamentares ambientalistas das assembleias legislativas para fazer o acompanhamento. Inicialmente, estão sendo formados GTs nos 17 estados que têm reserva de Mata Atlântica. Hoje, São Paulo criou o seu grupo.
“A gente quer retomar o debate [do Código Florestal] com os pontos que precisam ser efetivamente aplicados, como a questão do Cadastro Ambiental Rural [CAR]. A lei que está aí não é nossa [dos ambientalistas], mas com todos os retrocessos, se não tivermos a legislação aplicada, o retrocesso pode ser ainda maior”, explicou Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
A campanha nacional e o GT de acompanhamento da implementação do Código Florestal de São Paulo foram lançados hoje durante a abertura do Encontro Nacional pela Mata Atlântica, conhecido como Viva a Mata. O evento segue até domingo, no Parque Ibirapuera, com debates, atividades interativas e exposições. Ocorre às vésperas do dia 27 de maio, quando é comemorado o Dia Nacional de Mata Atlântica.
De acordo com Mantovani, nove estados, além de São Paulo, criaram seus grupos de acompanhamento: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraná; Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Santa Catarina. “A ideia é que isso se amplie. Participam do grupo, deputados, órgãos ambientais estaduais, representantes do Ministério Público, organizações da sociedade civil e de universidades. Todos para avaliar o que se pode fazer. Evitar, por exemplo, a anistia aos desmatadores”, apontou.
O presidente da Frente Parlamentar Ambientalista de São Paulo, Beto Trícoli, acredita que o trabalho pode sensibilizar os demais deputados para o tema ambiental. “Um problema que as casas legislativas enfrentam é que, quando os projetos chegam, há pouco tempo para o debate com a sociedade civil, que favoreça a participação qualificada dos próprios deputados”, apontou. Ele acredita que os temas ambientais devem ser trabalhados de forma mais perene. “Podemos nos antecipar e fazer o debate no tempo certo”, propôs.
Outra estratégia de acompanhamento do código é o observatório, lançado na última terça-feira (21), que reunirá especialistas de organizações não governamentais (ONGs) para analisar a execução da lei. Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Centro de Vida (ICV) e Instituto Socioambiental (ISA) são algumas das organizações envolvidas.
Para Paulo Guilherme Cabral, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, a campanha não é vista como uma crítica ao governo até porque estão sendo cumpridos os prazos previstos na lei. “A questão do Cadastro Ambiental Rural está sendo assumida pelo ministério de forma prioritária e, por isso, digo que nós estamos tratando de fato do cumprimento do código”, garantiu.
Ele informou que apenas o estado de Mato Grosso ainda não assinou o acordo de cooperação para implantação do CAR, mas que isso deve ser feito nas próximas semanas. “Na verdade, o acordo está estabelecido, o que está faltando, nesse caso, é uma cerimônia protocolar”, esclareceu. A parceria permite que os estados recebam do ministério imagens de satélite que vão confrontar as informações declaradas pelos proprietários rurais no cadastro online com a condição geográfica fotografada.
A meta do ministério é que a implantação do cadastro seja finalizada em 2014. De acordo com o órgão, são pelo menos 5 milhões de propriedades rurais no país. O CAR é um dos instrumentos previsto do novo código, que vai orientar a execução do Programa de Regularização Ambiental (PRA).
Governo gaúcho recebe documento em defesa do milho crioulo e da biodiversidade
Posted: 26 May 2013 07:23 PM PDT
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Em Porto Alegre, Marcha contra Monsanto leva carta ao governo gaúcho Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Entidades ambientalistas pedem a não distribuição das sementes transgênicas pelo Troca-Troca e o investimento em Bancos de Sementes para garantir a soberania alimentar e nutricional dos gaúchos
Por Eliege Fante – especial para a EcoAgência
Os representantes de entidades ambientalistas e estudantes que realizaram a Marcha contra a Monsanto hoje (25), em Porto Alegre (RS), entregaram um documento ao Secretário Executivo do Gabinete do Governador, Itiberê Borba, e também ao ex-presidente da Agapan e coordenador do Programa de Sustentabilidade do Governo, Francisco Milanez. No Salão dos Espelhos do Palácio Piratini, eles receberam uma cesta com variedades de milho crioulo, ofertadas pelo agricultor da Associação Agroecológica, Vilmar Menegat, provenientes do banco de sementes crioulas com grande biodiversidade que ele mantém.
O documento descreve os problemas vigentes gerados pela multinacional Monsanto nos países onde comercializa os transgênicos e os agrotóxicos, como a ameaça às sementes nativas e a biodiversidade local, o uso crescente de venenos para combater a manifestação da biodiversidade visando garantir a sua monocultura de grãos. O Brasil está prestes a conquistar em 2013, pela sexta vez consecutiva, o título de campeão no consumo de venenos, o que significa que a agricultura brasileira utiliza 20% do volume de agrotóxicos produzidos por empresas multinacionais, principalmente, a Monsanto. A ameaça à saúde é imediata e não apenas através da alimentação, mas da manipulação dessas substâncias pelo agricultor, porque a contaminação acontece pelo contato, pelo ar e pela água. Atualmente, 24 ingredientes ativos de agrotóxicos que estão entre os mais utilizados no país, já foram banidos nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa e em outros países. Catorze estão sendo reavaliados e, dos dois proibidos somente o Endosulfan não poderá ser comercializado no Brasil a partir de 31 de julho de 2013. Mas, os outros onze seguem eliminando a biodiversidade, como as plantas que “dão por si”, são conhecidas dos povos tradicionais e das pessoas mais velhas devido o potencial medicinal, fitoterápico, alimentício, e muitos outros, como é o caso das Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANC’s).
Os ativistas presentes requereram um posicionamento do Estado sobre a decisão do Conselho Administrativo do Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Empreendimentos Rurais (Feaper), do Estado do Rio Grande do Sul (RS), no dia 23 de abril, de reintroduzir o produto transgênico da Monsanto no programa Troca-Troca de Sementes de Milho na próxima safra 2013/2014. Em 2010, entidades como o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e o Fórum de Agricultura Familiar da Região Sul do RS, conseguiram reverter a decisão e possibilitaram a doação de cerca de 30 toneladas de milho crioulo a seis mil famílias de agricultores familiares. O pedido das entidades ambientalistas é para que o Governo impeça a introdução das sementes transgênicas nos campos da agricultura familiar pelo Troca-Troca e adote em seu Programa de Sustentabilidade o investimento em Bancos de Sementes Crioulas de modo a garantir a soberania alimentar e nutricional dos gaúchos.
O Secretário Executivo do Gabinete do Governador disse que Tarso Genro vai ter acesso ao documento e, também, à cesta que representa a biodiversidade do milho crioulo gaúcho. Itiberê Borba garantiu que o documento vai ser avaliado pelo Governo do Estado. Francisco Milanez parabenizou os ativistas e os estudantes que manifestaram-se pelas ruas de Porto Alegre contra o modelo de homogeneização da economia e da cultura pelo agronegócio, na Marcha contra a Monsanto. “A contaminação das lavouras por transgênicos é uma tragédia. Precisamos garantir o direito dos agricultores de cultivar as espécies nativas antes que a contaminação seja total e de preservar este patrimônio genético que pertence à humanidade,” disse.
O documento foi assinado pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), pela Associação Agroecológica, pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, pela Fundação Gaia – Legado Lutezenberger, pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), pela ong IGRÉ Amigos da Água, pelo Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), pela Fundação Estadual de Proteção ao Ambiente Natural Luís Henrique Roessler (Fepam), pelo Centro de Estudos Ambientais (CEA) e pela ONG Pachamama.
Marcha Internacional Contra a Monsanto – carta entregue ao Governo do Estado do RS
Posted: 26 May 2013 06:32 PM PDT
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CARTA AO GOVERNADOR
Porto Alegre, 25 de maio de 2013
Neste sábado, 25 de maio, milhões de cidadãos ao redor do planeta protestamna Marcha Mundial Contra a Monsanto, respondendo unificada e ativamente aos problemas sociais, econômicos e de saúde relacionados ao consumo e ao cultivo de alimentos transgênicos. Seguido ao protesto, o movimento no Rio Grande do Sul traz duas propostas de desenvolvimento sustentável para o estado: o investimento estatalmaciço em Bancos de Sementes Crioulas e a retirada imediata das sementes transgênicas do Programa Troca-Troca de Sementes da EMATER.
Por estes motivos encaminhamos hoje o presente documento, fruto de organização democrática e popular, ao Governador do RS, Tarso Genro, por intermédio do chefe do Gabinete do Governador, Ricardo Zamora; da coordenadora de educação ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Gislaine Pacheco; e do responsável pelo Plano de Sustentabilidade do Estado, Francisco Milanez.
  1. PROBLEMAS
A Monsanto é uma empresa de agricultura e biotecnologia que lucra vendendo organismos geneticamente modificados (OGM) e agrotóxicos e cobrando royalties sobre o uso de seus produtos patenteados. Entre as principais sementes produzidas e comercializadas ao redor do mundo estão milho, soja, trigo e algodão – commodities indispensáveis para a produção de alimentos em larga escala. Além da participação no agronegócio em latifúndios, a companhia também é fornecedora de insumos para a pecuária (respondendo pela criação do hormônio de crescimento bovino recombinante) e para a fabricação de comida industrializada (inventando o adoçante artificial sacarina e posteriormente comprando a criadora do aditivo alimentar aspartame).
Posto que fornece subsídios para a produção do que hoje se tornou a base alimentar do planeta,a implantação de campos de sementes transgênicas concentra para a Monsanto os benefícios da produção agrícola ao redor do mundo. Hoje, a transnacional está atrelada a 90% da produção de transgênicos no planeta e líder no mercado de sementes. Esse patamar foi adquirido com a práticas ilegais (ou legais em países com legislações frágeis) e política monopolista no fornecimento de alimentos em todo o mundo, conforme detalhado a seguir.
As sementes a que hoje temos acesso são fruto da biodiversidade de frutas, verduras, legumes e grãos criados espontaneamente pelo desenvolvimento milenar e natural dos organismos vivos. Retirando genes de outros organismos animais ou vegetais e implantando-os em sementes alimentícias, a Monsanto registra a patente deste novo gênero alimentício. Com a ajuda da monocultura, os campos substituíram espécies alimentícias locais pela lista de produtos aceitos pela indústria alimentícia internacional – e a frondosa variedadeda qual goza o território brasileiro sucumbe pouco a pouco.
Os agricultores de todo o mundo que adquirem sementes transgênicas assinam um contrato em que se comprometem a repassar para a companhia uma porcentagem do lucro de sua lavoura. O comprometimento está justificado pelo controle exclusivo sobre as sementes feito pela Monsanto, que produz e adquireas patentes das sementes geneticamente modificadas. Há suspeitas de que o suicídio de centenas de agricultores na Índia esteja relacionado à impossibilidade de saírem do endividamento com a companhia, causado pelos altos custos das sementes e dos insumos químicos necessários à plantação.
Recentemente, a empresa foi processada por centenas de produtores rurais brasileiros que requisitaram a nulidade da cobrança de porcentagem no lucro sobre a plantação de OGM. No entanto, o término do pagamento de royalties não é o único problema em questão. Pois, independente do repasse financeiro, a Monsanto se beneficia contínua e crescentemente das produções agrícolas locais por dois motivos: a dependência do campo e o enfraquecimento do solo.
Para resguardar sua fatia de mercado, a Monsanto tem adquirido recentemente bancos de sementes nativas numa estratégia preventiva frente às constantes investidas populares contrárias à cobrança de royalties pela empresa.Um movimento mundial organiza ativistas para pressionarem os representantes do governo a adicionarem dispositivos às constituições federais, visando preencher “buracos na legislação” que permitem a essas grandes empresas patentearem as variedades de plantas e os métodos tradicionais de produção de alimentos. Proteção legislativa é o método democrático para garantir a segurança da saúde de consumidores e produtores e da economia da produção agrícola local.
A Monsanto iniciou estudos de sementes terminator(não-germináveis), isto é, que não podem se reproduzir espontaneamente – o que deixaria o produtor rural dependente da encomenda de uma nova leva de sementes a cada nova safra. Segundo Carta Aberta do CEO da Monsanto Robert B. Shapiro, a companhia não pretende e nunca comercializou sementes estéreis. Mas o depoimento de agricultores de todo o país aos movimentos sociais e a contínua encomenda de novas remessas de sementes denuncia que alguma parte desta tecnologia pode ter chegado aos campos brasileiros.
Ainda há que se dize que a transgenia ameaças as espécies nativas. Algumas espécies de plantas têm cruzamento polinizado, o que significa que o pólen fértil de GMOs pode fecundar outras plantas distantes, transformando plantações próximas também em áreas transgênicas.
Adicionalmente, os agricultores que utilizam suas sementes e se negam a repassar parte de seus lucros, além de serem criminalizados pelos prejuízos financeiros causados à transnacional, contaminam a terra com o cultivo. Isso porque o cultivo de transgênicos está ligado ao uso intensivo de agrotóxicos. O uso de agrotóxicos – que está incluído no “pacote” da plantação de OGM – altera os ciclos naturais do solo e impacta negativamente na retroalimentação mantida pela própria produção de matéria orgânica, responsável pela fertilidade do solo. Mesmo assim, o Brasil é o campeão mundial na importação e no uso de agrotóxicos para o cultivo de alimentos. 85% da soja produzida no país é geneticamente modificada. Hoje, a soja transgênica está presente em 17 estados do Brasil, e a maior produção está no Mato Grosso do Sul, no Paraná e no Rio Grande do Sul.
São dezenas as pesquisas que indicam que consumo de OGM causa doenças. Essa combinação, segundo pesquisas científicas,provoca, em longo prazo (por isso dificilmente mapeáveis), infecções, tumores, câncer, infertilidade, destruição do sistema imunológico, resistência a antibióticos e mutação da flora intestinal.
A informação é pouca divulgada devido à intensa produção de testes patrocinados pela própria Monsanto e à imposição de barreiras a estudos que revelem os impactos dos transgênicos. As pesquisas, em geral, são de curta duração, não registrado impactos negativos nos organismos e influenciando os critérios de biossegurança dos países importadores de sementes OGM.Faltam pesquisas independentes que acompanhem os efeitos a longo prazo dos transgênicos nos organismos vivos. Os poucos estudos que conseguem ser publicados desvencilhando-se da opressão contínua da companhia de biotecnologia sobre os laboratórios de pesquisa ganham pouca visibilidade pela falta de discussão pública sobre o assunto.
Em setembro de 2012, uma pesquisa do francês Gilles-Eric Séralini foi publicada na revista científica FoodandChemicalToxicology, Este foi o estudo mais prolongado até o momento sobre os efeitos da ingestão de milho transgênico da Monsanto NK603, com e sem glifosato (um dos herbicidas mais utilizados no mundo). Os ratos de laboratório alimentados com OGM indicaram propensão radicalmente maioramortalidade, infertilidade, desenvolvimento de tumores mamários e problemas hipofisários e renais em comparação aos outros animais. O estudo foi fortemente combatido pela companhia com forte resposta à imprensa acerca da falta de credibilidade na equipe de Séralini. Pouco tempo depois, foi admitido no comitê editorial da revista para um cargo recém criado Richard E. Goodman, que trabalhou para a empresa entre 1997 e 2004.
A empresa ainda trabalha contra a rotulagem de alimentos transgênicos. O direito de informação aos consumidores na exigência de discriminação na embalagem de produtos contendo OGM, segundo texto publicado no site da Monsanto no Brasil, “pode prejudicar a confiança dos consumidores” e adicionar um grande ônus às agências regulatórias.
Uma série de estudos já revela que o problema da fome está relacionado à má distribuição de alimentos ao redor do mundo – uma consequência da especulação sobre terras e do paradigma econômico sobrepor-se ao bem-estar da população de países com menos condições financeiras. A maior prova de que a biotecnologia não diminuiu o problema, pelo contrário, só dificultou ainda mais o acesso às condições nutritivas mínimas é de que o número de famintos no mundo aumentou. Segundo a FAO, hoje mais de 1 bilhão de pessoas não têm garantido o mínimo de carboidratos necessários à boa nutrição diariamente. Desses, 65% estavam em na Índia, China, República Democrática do Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia – países localizados em regiões produtoras de grandes estoques de alimentos transgênicos, destinados, principalmente para a engorda de rebanhos bovinos.
O uso de alimentos transgênicos atende um modelo agrícola da monocultura levando, por consequência, ao desmatamento e à contaminação das águas por agrotóxicos. Os latifúndios produtores de um único gênero alimentício têm o solo empobrecimento por desvincularem-no de outrasespécies companheiras que poderiam suprir suas necessidades nutritivas. A intensificação da mecanização no campo (forte argumento do agronegócio de grande escala) tem sido uma das principais responsáveis pela fuga da mão-de-obra do campo no país.
Ao redor do mundo, Alemanha, França, Hungria, Rússia, República Tcheca e outros países já se posicionaram contrários à Monsanto e à exploração econômica dos campos por parte de outras multinacionais da biotecnologia.Movimento campesino no Haiti recusou a doação de sementes da Monsanto, depois do terremoto que abalou o país.Frente à forte oposição ativista em países da Europa, a estratégica da companhia norte-americana foi transferir o investimento em países, frágeis financeira e legislativamente, deficitários em qualificação técnica no campo e com abundância de água e de terra para desenvolvimento de latifúndios, tais como China, Índia e os latino-americanos Argentina e Brasil.
Enquanto o estado permanece calado, deixando de promover educação ambiental, melhoria da vida no campo e formação agroecológica, as grandes companhias de biotecnologia investem pesados recursos em meios de comunicação brasileiros, que são demandados para produzirem conteúdo publicitário e favorável ao uso de sementes transgênicas. Os argumentos da Monsanto são de que as sementes de OGM são mais duradouras e independentes de insumos – o que faria da transgenia uma opção sustentável – e que o lucro da propriedade rural é intensificado e o problema da fome diminuído pelo aumento da produção. Como já visto, os argumentos são falsos: os campos ficam dependentes; os seres humanos e animais, contaminados pela ingestão de alimentos geneticamente modificados; a riqueza e biodiversidade, comprometida; e os produtores rurais, reféns da empresa que fornece sementes.
Lutando contra a Monsanto, estamos lutando pela nossa comida. Ao lado dessa, outras empresas compartilham a estratégia antes descrita: Cargill, Syngenta, Bayer e suas filiais no Brasil e no mundo. Muitos agricultores, consumidores e políticos já são contra a lógica econômica dessas organizações. Uma mudança política pode reverter o quadro e colocar novamente a soberania alimentar e a garantia de um meio ambiente sadio, direitos inalienáveis dos cidadãos, acima dos interesses econômicos de uma empresa de fins privados.
  1. PROPOSTAS
Como sabido, a inclusão de sementes no programa Troca-Troca da EMATER foi uma medida proposta pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) e aprovada pelo conselho do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (FEAPER). Conforme alertado anteriormente, variados problemas estão relacionados à introdução dos transgênicos nos campos. Os movimentos sociais aqui presentes requerem um posicionamento do estado que possa emitir nova sugestão e retirar as sementes dos campos da agricultura familiar – e, possivelmente, da agricultura de todo o estado.
Para alimentar a população de maneira independente, manter a produção agrícola diversificada e a mão-de-obra no campo,a reposta é investir na soberania alimentar.Nesse sentido, pedimos que o estado adote em seu Plano Estatal de Sustentabilidade o investimento em Bancos de Sementes Crioulas, que valorizem e protejam a biodiversidade local e as alternativas naturais de alimentação.
Neste sábado nos concentramos contra a Monsanto, contra o desnecessário investimento em biotecnologia frente à riqueza nutritiva e econômica natural que nossas sementes crioulas já nos oferecem. No entanto, o desejo e a implantação da transição agroecológica radical acontece todos os dias.
Na confiança de um posicionamento firme e pioneiro de nosso governo e no aguardo de respostas imediatas às duas pautas previamente apresentadas, assinam este documento:
Associação Agroecológica;
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida;
IGRÉAmigos da Água;
InGá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais;
FEPAM;
Fundação Gaia – Legado Lutzenberger;
NEJ/RS –Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul;
ONG CEA – Centro de Estudos Ambientais;
ONG Pachamama;
E demais ambientalistas, ativistas e movimentos sociais presentes.
Fonte: Sul21
Hungria destrói plantações com sementes transgênicas da Monsanto
Posted: 26 May 2013 06:18 PM PDT
A Hungria decidiu eliminar todas as plantações feitas com sementes transgênicas da Monsanto. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Rural, Lajos Bognar, foram queimados nesta semana cerca de 500 hectares das lavouras de milho – equivalente a cinco milhões de metros quadrados. A intenção é que o país não tenha nenhum fruto com origem de material geneticamente modificado.
Segundo informações do portal Real Pharmacy divulgadas nesta quinta-feira (23/05), as plantações de milho destruídas estavam espalhadas pelo território húngaro e haviam sido plantadas recentemente. Assim, o pólen venenoso do milho ainda não estava a ponto de ser dispersado no ar, não oferecendo, então, perigo à população.
Os húngaros são os primeiros a tomar uma posição contundente na União Europeia em relação ao uso de sementes transgênicas. Durante os últimos anos, o governo da Hungria vem destruindo diversas plantações oriundas dos materiais da Monsanto. O ministro Bognar afirma que os produtores do país são obrigados a certificarem que não usam sementes geneticamente modificadas.
A União Europeia tem uma política de livre trânsito de produtos dentro dos países que compõem o bloco. Assim as autoridades húngaras não podem investigar como as sementes chegam ao seu território. No entanto, afirma Lajos Bognar, “isso não impede que investiguemos a fundo a utilização dessas sementes em nosso território”.
De acordo com a imprensa húngara, o país ainda tem milhares de hectares nestas condições. Ainda de acordo com o portal Portugal Mundial, os agricultores defenderam-se da acusação da utilização de material geneticamente modificado. Eles afirmam que não sabiam tratar-se de sementes da Monsanto.
Como o período fértil para plantações já está na metade, é tarde demais para serem plantadas novas sementes. Dessa forma, a colheita deste ano foi completamente perdida. E, para piorar o cenário aos agricultores, a companhia que distribuiu as sementes geneticamente modificadas abriu falência – o que impede que recebam compensação.
Fonte: OperaMundi
TROCA-TROCA de sementes ou DE FAVORES?
Posted: 26 May 2013 06:17 PM PDT

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por João Rockett*
Por mais incrível que possa parecer, mesmo depois de sabermos o que representou a perda das variedades dos milhos crioulos, com a introdução do híbrido no Brasil e no mundo, vamos repetir a façanha com uma ação mais danosa ainda, incluir no “Troca-Troca de Sementes” para pequenos agricultores, o milho transgênico.
Neste dia 23 de abril, um dia depois do Dia da Terra, o Conselho do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper/RS) acabou votando favoravelmente, à distribuição de sementes transgênicas de milho no Troca-Troca para a safra 2013-2014.
O programa que é desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) do Governo do Rio Grande do Sul, tem por objetivo disponibilizar sementes para a formação das lavouras dos pequenos produtores rurais.
O que mais podemos esperar dos governantes, se estivéssemos em guerra não venderiam informações? Sim, essa é a resposta, esse indivíduos piores que vendilhões da pátria são na verdade vendilhões do patrimônio ambiental da humanidade. Parece que ainda não entenderam o que representa a palavra “extinção”, está em jogo a perda definitiva de milhares variedades de milho, uma planta de polinização aberta.
Uma vez um pesquisador perguntou à um índio da Amazônia porque ele plantava mais de 20 variedades de mandioca ao invés de plantar a melhor delas, o índio respondeu: “não tem melhor, todas são boas, essa aqui quando chove muito dá melhor, depende do tempo sempre tem uma que dá e a gente sempre tem mandioca”.
Imaginem colocarmos a nossa segurança alimentar em cima de uma única semente, de uma empresa que não é Santa”! Os 25 ou 30 milhões que serão destinados ao programa chamado de Troca- Troca, serão usados de maneira profana para apoiar empresas majoritárias no mercado de sementes, é realmente uma falta profunda de responsabilidade, de conhecimento, e respeito pela vida, por parte destes que foram “eleitos” pelo povo.Com esse recurso poderíamos criar um mega projeto de manutenção e estudo não só das variedades de milhos mas de todo o patrimônio genético das plantas comerciais do país, para se ter uma ideia, o Projeto das Sementes Ecológicas BioNatur, comecei com o irrisório valor de R$ 100,000.00, imaginem que plataforma de governo em nível de resgate de sementes, multiplicação, e difusão de variedades poderíamos organizar, com todo esse valor e quanto ainda temos por saber sobre a bromatologia de todas essas variedades antigas, quanto ainda temos a descobrir e mesmo sem termos essas informações, partimos para uma ação irreversível.
A justificativa de aprovarem essa “distribuição” de sementes transgênicas, é aumento de produção, imaginem o quanto teríamos realmente de fazer ao invés de introduzir um transgênico, temos que melhorar condições de solos, melhorar o sistema de adubação, rotação de culturas, curvas de nível, irrigação, etc, mas não eles decidem simplesmente “distribuir” transgênicos por todos os rincões, nós já não vimos esse filme? Um Troca-Troca de sementes transgênicas representa um verdadeiro descaso com a inteligência, é o retorno às transferências de tecnologias que já sabemos os resultados. Só que agora fazendo isso com plantas transgênicas de polinização aberta, essa ação não tem retorno. Esse futuro que está sendo desenhado os trás dependência, perda de cultura, gente doente, e obviamente mais veneno na nossa mesa. Tudo isso para contentar a “mão santa”, digo, Monsanto, com seus padrinhos do governo.
*João Rockett é diretor do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Pampa
Fonte: IPEP
Governo dos EUA ajuda Monsanto a vender sementes no exterior
Posted: 26 May 2013 06:09 PM PDT
Quase duas décadas depois de sua estreia nos campos norte-americanos nos anos 90, as sementes transgênicas estão cada vez menos promissoras. Os produtos da indústria aumentam o lucro das colheitas? A Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Preocupados) pesquisou a questão detalhadamente em um estudo de 2009. Indo direto ao ponto: aumentam marginalmente, se é que aumentam. As sementes transgênicas levam à redução do uso de pesticidas? Não; na verdade, acontece o oposto.
E por que elas reduziriam, se as três ou quatro companhias que dominam as sementes transgênicas (Monsanto, DuPont, Syngenta, Dow) estão também entre as maiores produtoras globais de pesticidas?
As sementes Roundup Ready, da Monsanto, deram início a uma onda de super-sementes resistentes a herbicidas e a uma enxurrada de herbicidas, já que os insetos estão se mostrando resistentes às culturas que contêm pesticidas biotecnológicos e fazendo com que os agricultores aumentem o uso de inseticidas. E as plantações maravilhosas que iriam ser fabricadas geneticamente para resistir à seca e que requerem menos fertilizantes nitrogenados? Até agora elas não apareceram – e há pouca evidência de que um dia o farão.
Ainda assim, mesmo apesar desses problemas, o Departamento de Estado dos EUA tem agido essencialmente como um braço do marketing da indústria agrícola de biotecnologia, completado com figuras de tão alto escalão como a antiga Secretária de Estado Hillary Clinton, declamando pontos de discussão da indústria como se fossem um evangelho, conforme descobriu uma nova análise de documentos internos feita pela organização FWW (Food & Water Watch ou Observatório dos Alimentos & Água, na sigla em inglês).
Usaid/Reprodução

A então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em viagem ao Quênia, em 2009
O relatório do FWW é baseado na análise de telegramas diplomáticos, escritos entre 2005 e 2009 e lançados no grande vazamento de documentos do Wikileaks em 2010. O FWW conclui: “Uma estratégia conjunta para promover a biotecnologia agrícola no exterior força os países a importarem culturas e alimentos biotecnológicos que eles não querem, e faz lobby para que os governos estrangeiros – especialmente nos países em desenvolvimento – adotem políticas para abrir caminho para cultivar plantações biotecnológicas”.
O relatório transborda de exemplos do governo norte-americano promovendo a indústria biotecnológica no exterior. Aqui estão alguns:
O Departamento de Estado encorajou as embaixadas a trazerem visitantes – especialmente repórteres – aos Estados Unidos, já que isso “provou ser uma maneira eficiente de dissipar preocupações sobre [as plantações] biotecnológicas”.
O Departamento de Estado organizou e patrocinou 28 entrevistas de 17 países entre 2005 e 2009. Em 2008, quando a embaixada dos Estados Unidos estava tentando impedir a Polônia de promover uma proibição de rações biotecnológicas para animais, o Departamento de Estado trouxe uma delegação de oficiais de agrícolas de alto-nível do governo polonês para se encontrar com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Washington, fazer um tour plena Universidade Estadual de Michigan e visitar o Chicago Board of Trade.
O Departamento de Agricultura patrocinou uma viagem para que o Ministro de Agricultura e Pecuária de El Salvador visitasse as instalações da Pioneer Hi-Bred, em Iowa, e para que ele se encontrasse com o secretário do Departamento de Agricultura, Tom Vilsack, que deveria “pagar ricos dividendos ajudando [o Ministro] a claramente defender posições políticas sobre os nossos interesses bilaterais mútuos.”
Outro exemplo: este telegrama de 2009, ao qual o relatório do FWW se refere, mostra uma funcionária do Departamento de Estado casualmente solicitando fundos dos contribuintes norte-americanos para combater o esforço popular que exigia a identificação por etiquetas dos alimentos transgênicos em Hong Kong – e vangloriando-se de haver feito isso com sucesso no passado. Por que se concentrar na política de transgênicos de uma cidade quase independente? A rejeição de uma política de obrigação de etiquetagem “poderia ter influências colaterais na região, incluindo Taiwan, a China e o sudoeste da Ásia”, escreve a funcionária, acrescentando que o seu consulado tinha “intencionalmente projetado programas [contra a etiquetagem] que outras embaixadas e consulados” podiam usar.
O relatório também mostra como o Departamento de Estado forçou os transgênicos em nações africanas de baixa renda – na cara da oposição popular. Em um telegrama de 2009, mostra o FWW, a embaixada norte-americana na Nigéria gabou-se “do apoio do governo norte-americano na redação de uma legislação [pró-biotecnologia], assim como a sensibilização das peças-chave através de um programa de alcance público” tinha ajudado a passar uma lei amigável à indústria. Trabalhando com a Usaid (Agência dos Estados Unidos Para o Desenvolvimento Internacional, na sigla em inglês), o Departamento de Estado forçou ações similares no Quênia e em Gana, como mostra o FWW.
Ainda assim, como aponta o FWW, ao tão agressivamente forçar as soluções biotecnológicas no exterior, o Departamento de Estado está contrariando o consenso de especialistas em desenvolvimento agrícola expressado na IAASTD (Avaliação Internacional sobre Ciência e Tecnologia Agrícola para o Desenvolvimento, na sigla em inglês), de 2009, um projeto de três anos, convocado pelo Banco Mundial e pelas Nações Unidas e completado em 2008, para aferir quais formas de agricultura seriam melhores para as necessidades mundiais em tempos de rápidas mudanças climáticas. A IAASTD teve uma visão tão cética da biotecnologia desregulada como uma cura para os desafios dos alimentos no mundo, que a Croplife America, um dos grupos de lobby principais da indústria, achou pertinente denunciá-la. O governo norte-americano apoiou o lobby da biotecnologia neste caso – apenas 3 dos 61 governos participantes se recusaram a assinar a IASSTD: os Estados Unidos sob comando de Bush filho, o Canadá e a Austrália.
Então por que nossos corpos diplomáticos estão se comportando como se eles respondessem aos acionistas da Monsanto em se tratando de políticas agrícolas? Meu palpite é que a tecnologia de sementes transgênicas, dominada pela Monsanto, bem como nossas elevadas colheitas de soja e milho (que são neste ponto quase completamente feitas de sementes transgênicas), são duas das poucas áreas do comércio global nas quais os Estados Unidos ainda geram um superávit comercial.
O site da Divisão de Políticas de Comércio Têxtil e de Biotecnologia explica assim: “Em 2013, os Estados Unidos preveem exportar US$ 145 bilhões em produtos agrícolas, US$ 9,2 bilhões acima das exportações de 2012, e ter um superávit comercial de US$ 30 bilhões no nosso setor agrícola.”
Meu palpite é que os presidentes dos Estados Unidos, tanto democráticos quanto republicanos, estão se debruçando em preservar e expandir esse superávit. O presidente Obama alterou bastante a política exterior dos Estados Unidos quando assumiu a presidência depois de Bush, em 2009, mas não parece ter mudado nada em relação a forçar a biotecnologia mundialmente. E esse impulso não está confinado ao Departamento de Estado. Em 2009, quando Obama precisava apontar alguém para liderar as negociações agrícolas na Secretaria de Comércio dos Estados Unidos, ele foi diretamente à indústria de biotecnologia, chamar o vice-presidente de ciências e assuntos regulatórios na CropLife America, Islam A. Siddiqui, que continua no posto até hoje.
Enquanto isso, o Departamento de Estado opera uma Divisão de Políticas de Comércio Têxtil e de Biotecnologia, que existe em parte para “manter mercados abertos para os produtos norte-americanos derivados da moderna biotecnologia” e para “promover aceitabilidade dessa tecnologia promissora”. A página de biotecnologia do departamento está entremeada de uma linguagem que parece feita de clichês de materiais promocionais da Monsanto. “A biotecnologia agrícola ajuda os agricultores a aumentar seus lucros, permitindo que eles produzam mais alimentos por acre enquanto reduz as necessidades de químicos, pesticidas, água e cultivo. Isso traz benefícios para o meio-ambiente assim como para a saúde e subsistência dos agricultores.”
* Tom Philpott é o blogueiro de alimentos e agricultura do Mother Jones.
Fonte: OperaMundi
Defesa Publica das Árvores II – Manifestação de 23 de Maio 2013
Posted: 26 May 2013 04:41 PM PDT
Defesa Publica das Árvores II. Foto: Cíntia Barenho/CEA

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