terça-feira, 25 de novembro de 2014

A volta do pulo do sapo, artigo de Paulo Afonso da Mata Machado


Estação de tratamento para potabilização de esgoto, em Orange County, Califórnia. Foto do NYT


[EcoDebate] A necessidade faz o sapo pular!
Trata-se de um provérbio que se aplica muito bem aos atuais tempos de crise hídrica.
Na crise passada, ocorrida há alguns anos, foi feita a operação Pajé, com o bombardeamento de nuvens para se provocar chuva.
Surgiram, também, algumas ideias que visavam reduzir as perdas de água e diversificar os mananciais, com ênfase na exploração de águas subterrâneas. Falou-se também em incrementar o reúso não potável da água.
As chuvas vieram, acabou-se a crise e tudo voltou como dantes no quartel de Abrantes.
Agora, com a maior seca dos últimos 80 anos na Região Metropolitana de São Paulo, há nova oportunidade de pesquisa de soluções que, no futuro, possam evitar nova crise de falta de água.
Desta vez, a SABESP se propõe a colocar em prática o reúso potável da água.
Vai começar lançando o esgoto tratado na represa Guarapiranga para, em seguida, captar água dessa lagoa que, depois de tratada, será servida à população.
Trata-se de uma ação que, se for levada a termo, representará um grande avanço no abastecimento hídrico da região.
Entretanto, é preciso reconhecer que é, ainda, um passo tímido. Ações mais eficientes têm sido tomadas nos Estados Unidos, em Singapura e, até mesmo, na África, onde existe uma estação de potabilização de esgoto que funciona desde 1968.
Trata-se de um desperdício de energia e de produtos químicos tratar o esgoto, lançá-lo em uma represa e, em seguida, captar água dessa represa para fazer novo tratamento antes de distribuir a água à população. Mais eficiente será captar o esgoto, juntar o volume de água complementar, tratar a ambos conjuntamente e fornecê-lo à população, pois existe tecnologia suficiente para isso.
Será que teremos de esperar nova crise para que o sapo volte a pular?
Artigo de Paulo Afonso da Mata Machado, Engenheiro Civil e Sanitarista.

Publicado no Portal EcoDebate, 25/11/2014

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