sábado, 31 de maio de 2014

Autoridades de Marrocos defendem extermínio de animais em situação de rua

31 de maio de 2014


(da Redação da ANDA)
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Enquanto Marrocos passa por mudanças cruciais e progressos consideráveis ​​com relação aos direitos humanos, os animais estão enfrentando todo tipo de abusos no país. Ao contrário dos humanos, essas criaturas estão sofrendo em silêncio, e as suas circunstâncias parecem estar piorando ultimamente quando até mesmo o Poder Judiciário – suposto para garantir o seu direito a uma vida pacífica – parece estar contra eles. Vozes marroquinas humanitárias têm surgido, no entanto, em várias cidades do país; vozes fortes, determinadas e insistentes para ajudar a criar um futuro melhor para os animais em Marrocos. As informações são do Morocco World News.
Segundo a reportagem, objetos inanimados infelizmente recebem mais proteção que os animais. Por exemplo, o dano ao patrimônio público pode resultar em multa e restituição, mas as lesões a um animal são, em grande parte, ignoradas. Os animais em Marrocos têm pouca ou nenhuma proteção sob a lei. Prova disso é uma nova lei nº 56-12, que foi votada no ano passado pela Câmara dos Deputados em Marrocos, permitindo o extermínio das chamadas raças de cães “perigosas”.
Com o Festival Mawazine prestes a acontecer, e a vinda de multidões de turistas, as autoridades estão determinadas a “limpar” a cidade de animais em situação de abandono. Thomas, morador de Ouarzazate, afirmou: “Hoje em dia, me deparo com as carcaças de cães mortos em decomposição em locais onde o veneno foi deixado para os animais. Eu deixei meus cães correrem sem guia por um momento quando eu caminhava com eles e um deles acaba de morrer de envenenamento. É o segundo cão que eu perdi”. Um outro morador afirma ter encontrado as autoridades andando pelos jardins da Hassan Avenue, lançando uma campanha de intoxicação massiva para impedir a proliferação de gatos em situação de rua.
Muitos cidadãos marroquinos estão dedicando seu tempo e dinheiro para ajudar os animais e para apoiar as poucas associações criadas para essa causa. Recentemente, essas pessoas decidiram sair de suas casas, manifestar sua indignação e realizar protestos.
A primeira manifestação pelos direitos animais aconteceu em 27 de Abril, em frente ao Parlamento em Rabat. Afaf Harmouch, gerente de eventos e comunicação que dirigiu o ato, disse: “Quando soubemos da campanha de extermínio de cães em Tetouan, no dia 19 de Abril, ficamos horrorizados! Não havia nenhuma possibilidade de ficarmos parados e aceitarmos isso”.
Hatshi, um cão em situação de rua encontrado em Derb Ghellef Casablanca. Foto: Morocco World News
Hatshi, um cão em situação de rua encontrado em Derb Ghellef Casablanca. Foto: Morocco World News
O primeiro protesto foi seguido por outro no dia 4 de Maio próximo ao Zoológico de Casablanca; dessa vez, conduzido por Khady Raiss, com a participação de Afaf Harmouch e Hannane Abdel Moutalib, que têm um abrigo de animais em Casablanca, e vários outros cidadãos. Em entrevista à Radio+, Khady Raiss, declarou: “O Zoológico de Ain Sebaa fechou as suas portas e os animais do local foram postos em quarentena, e quando lemos no L’économiste que alguns seriam soltos na natureza e outros teriam morte induzida, ficamos indignados. Nós não podemos tolerar a morte de animais. Nós estamos pedindo que todos os animais sejam bem tratados e insistimos em uma garantia do seu bem-estar até que a nova reserva esteja pronta”.
O terceiro protesto ocorreu em Marrakesh no dia 18 de Maio e foi considerado um sucesso, uma vez que recebeu o apoio da mídia nacional, que levou ao ar o evento em canais da televisão marroquina. No canal 2M, o pedido de apoio da ativista Afaf Harmouch chegou aos ouvidos de muitos cidadãos e Hanane Ben Mansour destacou a importância de se ensinar o respeito e a proteção aos animais às crianças.
Afaf Harmouch disse: “Nós, os seres humanos, não podemos possuir dois corações, um para o homem e um para os animais. Ou temos coração para ambos, ou não temos nenhum. O governo deveria atender ao apelo pela proteção legal contra as crueldades e injustiças que essas criaturas que não podem falar estão enfrentando”.

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