segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Grandes marcos de acidentes ambientais - Roberto Naime

Os grandes acidentes ambientais da história tiveram a importância de despertar a humanidade para a urgência e relevância da questão ambiental. Sua principal importância é esta e não somente os efeitos catastróficos que causaram.

Na década de 50, o primeiro marco foi o acidente ambiental da cidade de Minamata no sul do Japão. A indústria Chisso, liberando efluentes com alto teor de Mercúrio e sem tratamento causou uma doença conhecida como mal de Minamata cujos reflexos se estenderam por muitos anos.

Neste momento a humanidade desperta para a questão ambiental, se formam os primeiro movimentos ambientalistas, e na década de 70 ocorrem as primeiras iniciativas governamentais para proteção ambiental.

Em 1.962, o livro de Rachel Carson chamado “Silent Spring” (Primavera silenciosa), explicitando os efeitos do recém descoberto DDT (dichloro-diphenyl-trichloroethane), que posteriormente foi largamente utilizado na Guerra do Vietnã, vendeu 6 milhões de exemplares.

Acidentes com petróleo se tornaram comuns. No final da década de 60, um grande derramamento de óleo na costa oeste da Inglaterra chocou o mundo. Muitos animais morreram e praias foram contaminadas.

Em dezembro de 1.984, o super-petroleiro Exxon Valdez colide em um rochedo deixando vazar 40 milhões de litros de petróleo, contaminando uma área de 250 km2. Este caso ficou famoso como um exemplo de má administração da crise. A empresa divulgou notícias de que o acidente tinha causado poucos danos, estava controlado e o presidente da empresa se negou a dar entrevistas para a TV alegando que “não tinha tempo para estas coisas”. A empresa fez lobby para a não aprovação de uma lei criada em decorrência do acidente. Resultado: prejuízos superiores a 4 bilhões de dólares somente em ações de despoluição e indenizações.

Ainda em 1.984, em Bhopal na Índia, a Union Carbide, uma das maiores indústrias químicas do mundo, descarregou no ar 25 mil toneladas de isocianato de metila, um gás letal, provocando a morte imediata de 3.400 pessoas.

Em 1986, em Chernobyl na Rússia houve a explosão de um dos quatro reatores da usina nuclear soviética de Chernobyl, lançando na atmosfera uma nuvem radioativa. A incidência de câncer aumentou bruscamente em Bielorússia, Ucrânia e Rússia. Entre 1990 e 2000, houve um aumento de 40% em todos os cânceres na Bielorússia e um aumento de 52% na região de Gomel.

Na Ucrânia, houve um aumento de 12% nos casos, e na região de Zhytomir, a morbidade aumentou quase três vezes. Na região russa de Bryansk, a incidência de câncer cresceu 2,7 vezes. Cerca de 7 mil cânceres de tireóide a mais foram identificados até 2004. Um recente estudo mostrou que a doença em crianças aumentou 88,5 vezes, em adolescentes, 12,9 vezes e, em adultos, 4,6 vezes. Estima-se que entre 14 mil e 31,4 mil cânceres adicionais de tireóide aconteçam em 70 anos.

No ano 2.000, no Rio de Janeiro, a Petrobrás foi responsável pelo derramamento de mais de 1 milhão de litros de petróleo na Baia de Guanabara. Em julho do mesmo ano, mais um acidente. Desta vez, cerca de 4 milhões de litros de óleo cru vazam de refinaria em Araucária (PR). Em 2.002 na Espanha, o Navio Prestige, das Bahamas afundou a 250 quilômetros da região da Galícia e cerca de 15 mil pássaros foram afetados.

O homem deve fazer constante avaliação de sua experiência e continuar descobrindo, inventando, criando e progredindo. Hoje em dia, a capacidade do homem de transformar o que o cerca, utilizada com discernimento, pode levar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e oferecer-lhes a oportunidade de enobrecer sua existência.

Aplicado errônea e imprudentemente, o mesmo poder pode causar danos incalculáveis ao ser humano e a seu meio ambiente. Em nosso redor vemos multiplicar-se as provas do dano causado pelo homem em muitas regiões da terra.

Níveis perigosos de poluição da água, do ar, da terra e dos seres vivos e grandes transtornos de equilíbrio ecológico da biosfera são relatados, assim como a destruição e esgotamento de recursos insubstituíveis.
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FONTE : Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS. (EcoDebate, 13/09/2010).

Um comentário:

Anônimo disse...

Obrigada ajudou bastante para um trabalho na faculdade. =D