sábado, 31 de outubro de 2015

INSPIRAÇÃO : Gatos de cemitérios castrados e monitorados


31 de outubro de 2015 

Por Fátima ChuEcco (da Redação da ANDA)
Cats of Necropolis
Irmãos resgatados pelo Projeto Cats of Necropolis ainda aguardam adoção. Foto: Divulgação
Eles fazem das tumbas frias e corredores sombrios sua morada, mas estão muito vivos e cheios de energia para impedir proliferação de ratos e baratas. E sequer sujam as alamedas ou túmulos, pois, diferente dos cães, gatos buscam locais onde possam enterrar suas fezes. Mas, infelizmente, nem todo mundo entende as vantagens de se controlar a população felina ao invés de exterminá-la. É por isso que os gatos de cemitérios são bastante amados por alguns protetores, mas perseguidos e até mortos por envenenamento ou pauladas por aqueles que os odeiam.
Existe um método de controle populacional conhecido como CED – Captura, Esterilização e Devolução que já é empregado com sucesso em cemitérios do Brasil e Exterior. Deslocar ou matar uma colônia de gatos resulta apenas na formação de uma nova colônia no prazo de poucos meses. No entanto, com o método de CED a população felina fica saudável, castrada e controlada. De quebra, vira até atração turística como ocorre em cemitérios da França e Buenos Aires. A parte difícil é convencer o poder público a apoiar grupos de protetores capacitados para esse método de controle.
Na matéria anterior sobre gatos de cemitério, escrita há duas semanas com exclusividade para a ANDA, foi citado um inspirador exemplo em Piracicaba, Interior de São Paulo, onde parceria entre ONG e prefeitura resultou numa diminuição drástica, porém ética, de gatos no cemitério da cidade. Até câmeras foram instaladas para desmotivar novos abandonos de ninhadas e também para impedir que mais matanças ocorressem – no ano passado 38 gatos foram mortos com requintes de crueldade. Veja amatéria na íntegra.
Gatinha Lunna nasceu no cemitério da Vila Alpina e foi adotada. Foto: Divulgação
Gatinha Lunna nasceu no cemitério da Vila Alpina e foi adotada. Foto: Divulgação
Questionada sobre a implantação de CED, a Diretoria de Cemitérios Municipais de SP, por meio de sua assessoria de imprensa, informou à ANDA que: “Tendo em vista o grande número de gatos e cães abandonados pelos munícipes nas necrópoles paulistanas, esclarecemos que este Serviço Funerário vem tomando as providências cabíveis enquanto gestor dos espaços cemiteriais da cidade, visando preservar a segurança dos visitantes. O fato é que nesta questão de saúde pública, a Diretoria de Cemitérios vem entrando frequentemente em contato com a Zoonoses, órgão ligado à Secretaria de Saúde, que, após o chamado, é responsável por recolher o animal, a fim de castrar, vermifugar e dar banho, devolvendo-o em seguida ao mesmo espaço, pois as organizações sociais de proteção aos animais estão com suas unidades superlotadas, sem condições para abrigar em seus espaços novos animais, que poderiam ser oferecidos para adoção”.
E continua: “Esclarecemos, ainda, que muitos munícipes, à revelia dos administradores dos cemitérios, acabam alimentando esses animais, o que favorece a permanência de cães e gatos, além de pombos, em algumas necrópoles”. Tradução: a Diretoria dos Cemitérios se mostra favorável ao controle por método de CED desde que executado pelo CCZ, porém, o que se vê na grande parte dos cemitérios de SP é um ardiloso e praticamente heroico trabalho isolado de protetores procurando castrar, tratar e doar gatos de cemitério usando para isso recursos próprios.
O projeto Cats of Necropolis é um exemplo disso embora atue em um cemitério da Baixada Santista (SP) e não na capital do Estado: “Ajudo os gatos do cemitério desde 2008. Não identifico o cemitério, nem mesmo a cidade, porque isso aumentaria o número de abandonos no local. Durante vários anos intermediei e custeei castrações dos gatos de lá, com a ajuda de simpatizantes através de doações e campanhas. Também resgatei alguns gatos que foram disponibilizados para adoção”, diz a protetora Patrícia Oliveira.
Ela conta que até hoje foram atendidos 228 gatos sendo que 137 foram adotados e quatro aguardam adoção. Um belo trabalho, mas que não pôde continuar por falta de recursos: “Devido à imensa dificuldade para custear os tratamentos e, principalmente, doar os gatinhos resgatados, tive que diminuir muito a minha atuação. O último resgate foi em novembro de 2014 e, dessa ninhada, dois gatinhos até hoje não foram adotados”, lamenta a protetora que poderia estar executando um trabalho fantástico de controle populacional se tivesse apoio de órgãos públicos, como acontece em Piracicaba.
hope
Hope era morador de cemitério de Santos e hoje tem um lar. Foto: Divulgação
Segundo ela, hoje são mais de 150 gatos sobrevivendo com dificuldades. “Toda a ração doada para o Cats of Necropolis através do Projeto Max em Ação é levada para o cemitério. Infelizmente, a quantidade é insuficiente para todos os gatos. Além disso, é preciso continuar com as castrações, mas não tenho recursos financeiros para isso”. Marta Regina Pozza adotou um gato resgatado por Patrícia: “Eu fiquei encantada com ele e não me importei de ter vindo de um cemitério. A Patrícia ainda entregou castrado e vacinado. Hope é hoje meu amado gato”.
Anna Christina Russo, de Guarulhos (SP), adotou três gatinhas do cemitério da Vila Alpina: Lunna, Helena e Clara: “Uma delas recebeu o nome de Helena em homenagem à protetora da ONG Gatinhos da Vila Prudente que gasta o que tem e o que não tem para ajudar os gatinhos do cemitério e da região. Eu ia ficar com apenas um filhote, mas depois peguei mais dois e não me arrependo”.
No Cemitério da 4ª Parada, zona leste de SP, protetoras se dedicam aos felinos há mais de 30 anos. Muitos deles foram castrados graças a um trabalho de CED realizado por meio da ONG Bicho Brother que também atua no controle populacional de felinos em grandes condomínios de Alphaville. Tem gata castrada com 17 anos de idade vivendo no 4ª Parada, uma “respeitável senhora” que merece proteção. Eduardo Pedroso, do Bicho Brother ressalta: “O CED é sucesso em diversos países do primeiro mundo e pode ser empregado com ótimos resultados no Brasil”.

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