quinta-feira, 13 de maio de 2010

Florianópolis cai no ranking do esgoto

ONG aponta que de 56%, em 2007, tratamento caiu para 40%, em 2008

Mais uma pesquisa aponta que a Capital catarinense está mal quando assunto é a coleta e o tratamento de esgoto. O estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, em 81 cidades brasileiras, aponta que Florianópolis está na 30ª posição no ranking de saneamento do país.

O panorama é ainda mais preocupante se comparado ao diagnóstico apresentado pela Associação FloripAmanhã. O estudo aponta que quase metade dos efluentes despejados no mar, rios e no solo está fora dos padrões legais.

Apesar de não constar na lista das 10 piores cidades, nem entre as 10 melhores, a pesquisa do Instituto Trata Brasil indica que em Florianópolis houve redução no tratamento de esgoto. Em dados divulgados em 2007, a Capital declarou tratar 56% do esgoto. Em 2008, apenas 40%.

O superintendente regional metropolitano da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), Carlos Alberto Coutinho, admite piora no sistema de coleta e tratamento nos últimos anos.

Segundo ele, atualmente, apenas metade da população de Florianópolis conta com o serviço. A previsão é ampliar o atendimento para 75% dos moradores até o final de 2012.

– Em sua maioria, as estações atendem a legislação vigente para a emissão de efluente e cumprem as exigências das licenças ambientais. Mas temos estações que foram repassadas e projetadas para atender outras demandas de qualidade. Algumas, como é o caso da Vila Cachoeira, já foram desativadas porque eram deficientes – justifica.

A base de dados consultada para a elaboração do ranking, realizado nas cidades com mais de 300 mil habitantes, foi extraída do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgado pelo Ministério das Cidades, e que reúne informações dos serviços de água e esgoto fornecidas pelas empresas prestadoras dos serviços, entre 2003 e 2008.

Saneamento em análise

O promotor de Justiça Rui Arno Richter, da Coordenadoria de Meio Ambiente de Florianópolis, afirma que a elaboração do Plano Municipal Integrado de Saneamento Básico está em fase final. A previsão é que em junho sejam organizadas audiências públicas sobre os serviços na Capital.

– Esta é uma peça jurídica básica para tratar o assunto de forma organizada – avalia Richter.

Segundo Otávio Ferrari, vice-presidente do Associação FloripaAmanhã e representante do Conselho de Engenharia e Arquitetura (Crea) no Conselho Municipal, cerca de 47,37% das análises de efluentes das estações de tratamento de esgoto apresentam resultados fora dos padrões legais.

– Em quase metade das análises realizadas entre 2002 e 2008, o líquido resultante do tratamento é devolvido ao meio ambiente sem a qualidade adequada. A partir de 2007 aumentou o número de resultados das análises fora dos padrões.
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FONTE : jorn. NANDA GOBBI (Diário Catarinense, 13/maio/2010)

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