quinta-feira, 21 de maio de 2015

O drama do desmatamento em três escalas



Imagem captada por drone revela o drama do Cantareira: rio seco, reservatório exaurido e o ponto exato da captação do Volume Morto (canto inferior esquerdo). Foto: © Zé Gabriel/Greenpeace
Imagem captada por drone revela o drama do Cantareira: rio seco, reservatório exaurido e o ponto exato da captação do Volume Morto (canto inferior esquerdo). Foto: © Zé Gabriel/Greenpeace
Como a destruição de matas ciliares, bacias hidrográficas e da Amazônia compromete a quantidade e qualidade da água que precisamos para viver –
Por Cristiane Mazzetti, do Greenpeace Brasil 
“Nossas preciosas matas vão desaparecendo, vítimas do fogo e do machado destruidor, da ignorância e do egoísmo. Com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes que favorecem a vegetação e alimentam nossas fontes e rios”.
Essas palavras podem soar atuais, dada a situação vivida por muitos brasileiros neste momento, mas foram ditadas há quase 200 anos por José Bonifácio de Andrada e Silva, em 1825.
Naquela época, o estadista e naturalista brasileiro já tinha uma boa ideia do que poderia acontecer caso continuássemos encarando o Brasil meramente como uma terra a ser explorada, tal como fazia Portugal. Agora, graças a fartos estudos científicos, temos provas de que as florestas são realmente essenciais não apenas para o equilíbrio do clima, mas também para a formação de chuvas e, consequentemente, para a produção de alimentos. As florestas também têm relação direta com a existência de nascentes e com a preservação de rios.
Isso ficou evidente durante expedição que realizamos há poucas semanas por alguns dos principais – e mais exauridos – mananciais da região Sudeste. Sem floresta em suas bacias e margens, estes reservatórios estão morrendo. Com eles, nosso futuro está ameaçado. Saiba mais sobre a expedição Sem Floresta Não Tem Água aqui e assista o vídeo sobre a segunda etapa da viagem: o Sistema Cantareira.

Mas ignoramos os alertas de José Bonifácio, e da Ciência, e insistimos no erro de desmatar. A Mata Atlântica foi saqueada até quase se esgotar, restando atualmente apenas 8,5% de sua floresta original, e já consumimos mais de 19% da Amazônia, que continua perdendo sua cobertura florestal em proporções significativas (cerca de 5 mil km²/ano) .
O resultado disso já pode ser sentido na pele. Ou melhor, nas torneiras, onde o precioso líquido já começou a faltar. Apesar da crise da água no Sudeste ter diversas causas, sua raiz está no desmatamento, seja ele realizado em escala local, em matas ciliares, ou em grande escala, ao longo de bacias hidrográficas e na maior porção de floresta remanescente do país – a Amazônia.
No caso das matas ciliares, que são as porções de floresta localizadas nas beiras de rios e nascentes, a existência de árvores impede a erosão do solo e o assoreamento dos cursos de água. Essas áreas compõem as chamadas Áreas de Preservação Permanente (APP) , que devem ser conservadas de acordo com o Código Florestal.
O desmatamento das APPs impacta diretamente a qualidade e quantidade de água que chega nos rios e reservatórios. Um estudo da fundação SOS Mata Atlântica mostrou que 76,5% dos rios que compõem o Sistema Cantareira estão sem suas matas ciliares.
Em uma escala um pouco maior, há o desmatamento das bacias hidrográficas, que exerce impacto no clima local. A vegetação armazena água no solo e a transpiração do líquido para a atmosfera ajuda a resfriar o ambiente, favorecendo a formação de chuvas. Além disso, as matas equilibram a quantidade de água da chuva que segue para os rios, que evapora ou que infiltra no solo para abastecer os lençóis freáticos.
Desmatar estas áreas afeta severamente o clima na região da bacia, causando o aumento de temperatura e mudanças na distribuição de chuvas. As bacias hidrográficas que compõem o Sistema Cantareira apresentam apenas 15% de floresta remanescente .
Na base dessa pirâmide climática está a Amazônia, onde o desmatamento tem reflexos em escala continental. A destruição da maior porção de floresta do país pode afetar os padrões hidrológicos não só da Amazônia, mas de toda a América do Sul, inclusive da área agrícola no centro-sul do Brasil e nordeste da Argentina.
A floresta amazônica desempenha um papel único e altamente especializado: ela contribui para a formação de chuvas que abastecem o continente, atua na regulação do clima, na distribuição dos ventos e ainda previne contra eventos climáticos e atmosféricos catastróficos, como furacões. Ao desmatar a Amazônia enfraquecemos seus serviços ambientais essenciais, que beneficiam o país e o mundo.
Diante da atual crise hídrica, e da perspectiva de um futuro ainda mais árido, as medidas emergenciais tomadas até o momento ainda não compreendem compromissos robustos para zerar o desmatamento e recompor florestas nativas em larga escala nas áreas cruciais para o abastecimento das grandes cidades. Faz-se necessário ir além de soluções de curto prazo e garantir a integridade deste valioso bem para amenizar os efeitos das mudanças climáticas: a floresta. É hora de abandonar o vício e fazer a reabilitação.
“Virá então este dia (dia terrível e fatal) em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos”, previu Bonifácio. Se a mudança não começar agora, é possível que estas frases também acabem por virar rotina. A crise da água no Sudeste brasileiro é a prova mais atual. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.

A realidade das Unidades de Conservação

O conservacionista e navegador brasileiro João Lara Mesquita está realizando o sonho de muitos que são ligados ao meio ambiente: visitar as 63 Unidades de Conservação (UCs) federais da costa brasileira. A realidade dessas áreas protegidas, porém, está longe do ideal. 
Por Maria Luiza Campos – 
A situação das 30 UCs visitadas por Mesquita até agora mostra que o quadro de conservação é preocupante. “Estou apreensivo com o que vi, porque a maioria das UCs marinhas não cumpre o seu papel de modo efetivo, que é proteger a biodiversidade”, afirma Mesquita.
Os problemas identificados incluem recursos humanos escassos, infraestrutura limitada e ausência de planos estratégicos para gestão das unidades de conservação. Entre as que apresentam um quadro preocupante, Mesquita cita a Área de Preservação Ambiental (APA) do Cairuçu, localizada em Paraty – litoral Sul do Rio de Janeiro – e o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia. A primeira UC, segundo ele, engloba 63 ilhas e carece de pessoal para fiscalização, além de sofrer com a especulação imobiliária. A segunda, de acordo com Mesquita, tem apenas um barco para fiscalizar uma área de 90 mil hectares, frequentada por aproximadamente dois mil barcos pesqueiros. “São situações preocupantes e no mínimo desiguais, uma luta de um contra dois mil”, afirma.
Nas visitas realizadas até agora, uma surpresa positiva: o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (RJ) – localizado entre os municípios de Quissamã, Macaé e Carapebus – e aberto à visitação pública em dezembro do ano passado. “É um exemplo de boa gestão e de parceria com a comunidade do entorno”, ressalta. A unidade de conservação tem plano de manejo desenvolvido pelo chefe do parque, Marcelo Pessanha, em gestão compartilhada com a população do entorno, e mantém equipamentos e profissionais capacitados para garantir a fiscalização da unidade, com barcos, quadriciclos e veículos 4×4. Toda a viagem e as impressões registradas estão sendo documentadas no programa Mar Sem Fim, transmitido pela TV Cultura.
Compartilhando conhecimento
João Lara Mesquita foi convidado a participar da oitava edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (VIII CBUC), evento realizado periodicamente desde 1997 e considerado um dos mais importantes da América Latina sobre o tema. Em Setembro, durante o Congresso, o conservacionista compartilhará essa experiência dentro do simpósio ‘Quem conhece, conserva: como a comunicação pode mobilizar a sociedade em prol da natureza’. Segundo ele, a participação da população na temática ambiental é fundamental para a efetiva conservação da natureza. “A proteção de qualquer Unidade de Conservação não precisa ser responsabilidade única do poder público. É importante que a sociedade se engaje, pois todos se beneficiam com serviços ambientais que áreas protegidas fornecem”, explica Mesquita.
Nos próximos meses, ele visitará as UCs marinhas federais localizadas entre a Bahia e o Amapá, onde encerrará a expedição Mar sem Fim, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, organização não governamental que também é a realizadora do VIII CBUC. Todo o material coletado servirá de base para um livro que mostrará o Raio X da conservação nas 63 UCs marinhas federais.
Serviço
VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação
Quando: 21 a 25 de Setembro de 2015
Onde: Curitiba
(Eco21/ #Envolverde)
* Publicado originalmente na edição 222 da Eco21.

Tom Hardy, de ‘Mad Max’, tem lado solidário e acolhe cães abandonados

21 de maio de 2015 

Tom Hardy e seu cachorro, Woodstok, em campanha sobre adoção (Foto: Divulgação/Peta)
Tom Hardy e seu cachorro, Woodstok, em campanha sobre adoção (Foto: Divulgação/Peta)
Tom Hardy invadiu os cinemas do mundo como o protagonista do filme “Mad Max: Estrada da fúria”, sequência do filme de George Miller, em maio. No longa – em que assume o protagonista eternizado por Mel Gibson -, ele fala pouco, mas encara cenas de ação de deixar muito super-herói no chinelo. O ator britânico, que ganhou fama mundial em “A origem”, é conhecido pelos papéis mais agressivos como o vilão Bane, de “Batma – O cavaleiro das trevas ressurge”, e o boxeador Tommy Conlon, de “Guerreiro”.
Mas o que pouca gente sabe é que ele tem um lado bem mais fofo e um passado de luta contra as drogas. Em entrevista à revista “Essentials”, ele falou abertamente sobre o vício em drogas, que o levou para uma clínica de reabilitação em 2003.
“Tenho sorte de estar de vivo. Me disseram claramente: ‘Tom, se você for por esse caminho, você não voltará mais’. E esta mensagem ficou comigo pelo resto dos meus dias”, disse ele, que está sóbrio desde então, mas admitiu que seu problema era sério. “Teria vendido minha mãe por crack”, declarou à publicação.
Sobre a fama de “durão”, ele se diz bem diferente do que é visto nas telas: “Não sou um lutador. Sou apenas um garotinho burguês de Londres. As pessoas só começaram a me notar quando comecei a ganhar peso, chutar pessoas e ser agressivo”. O ator ainda criticou a indústria do cinema por perpetuar a fama: “O problema de Hollywood é que eles querem que você seja algo e aí eles acham que você é aquilo que eles querem”.
Mostrando que tem mesmo um lado fofo, ele posou para uma campanha de adoção de cachorros realizada pelo grupo Peta (sigla que em português significa: Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), organização que luta pelos direitos dos animais. As fotos do ator foram feitas ao lado de Woodstock, seu cachorro, que ele resgatou das ruas após encontrar o animal enquanto filmava o longa “Os infratores” em 2011.
Hardy, aliás, costuma pegar cães que encontra nas ruas e levá-los para casa. Ele é dono de dois cachorros resgatados e atualmente ajuda outros a encontrarem um lar.
“Eu amo cães e eu me vejo como um cão de muitas maneiras – esse é o jeito que eu sou. Eu lato muito e posso morder, mas eu realmente não o faço. Eu tenho uma afinidade com cachorros. Sou muito, muito leal, mas, você sabe… eu vou mijar no tapete (risos). Eu vou mastigar seu tênis! E às vezes eu olho como se eu fosse morder, mas, na verdade, se você me conhece, eu não sou assim. Mas vou dizer, de forma inequívoca, os cães são as criaturas mais surpreendentemente fiéis, que vão sentar e olhar a parede com você durante todo o dia se é isso que você está fazendo, e isso é legal, desde que eles se sintam parte da equipe e que são úteis. E eu me sinto dessa forma também”, disse ele ao site “Vulture”.
Fonte: EGO

    DALVA LINA DA SILVA : Revelados detalhes do julgamento da matadora de animais ocorrido hoje

    Por Fátima Chuecco (da Redação da ANDA)
    Se já era doloroso imaginar o horror vivido pelos 37 animais encontrados mortos em 2012 na frente da casa de Dalva Lina da Silva conhecida como “a matadora de animais” da Vila Mariana (SP), com o julgamento de hoje foi descoberto um cenário ainda mais chocante e revoltante. O laudo cadavérico apontou que os animais foram amarrados (ou imobilizados) numa provável posição de crucificação, com pernas unidas e braços abertos para que Dalva pudesse injetar no peito deles um pré-anestésico indicado apenas para animais de grande porte e não para morte induzida. E isso não é o pior.
    Em frente à casa de Dalva ativistas deixaram homenagem aos animais assassinados
    Em frente à casa de Dalva ativistas deixaram homenagem aos animais assassinados
    Todos os 37 cães e gatos tinham várias perfurações no peito numa tentativa insana de se localizar o coração deles. A cadelinha entregue nas mãos de Dalva, horas antes de ser morta, tinha 18 perfurações. Por conta desse método aplicado por uma pessoa completamente leiga em medicina veterinária, os animais sucumbiram por hemorragia interna. E como as agulhas usadas eram finas, a morte pode ter levado de 15 a 30 minutos absolutamente dolorosos e angustiantes. A droga de uso controlado, injetada por Dalva no corpo dos animais, ainda potencializou o sofrimento.
    O laudo foi apresentado por um mestre no assunto, o doutor Paulo Cesar Mayorca, professor do departamento de patologia da faculdade de medicina veterinária da USP. Ele constatou também que os animais não foram mortos todos na mesma noite, mas em dias diferentes. Isso sugere que Dalva foi acumulando os corpos antes de descartá-los todos juntos. Outra constatação também choca: nenhum dos animais apresentava doença terminal ou lesão que comprometesse a saúde deles. Eles eram saudáveis e alguns, inclusive, castrados e prontos para adoção.
    Dalva confessou seis mortes
    Segundo o advogado de acusação, Rodrigo Barbosa Carneiro, contratado pela ONG Adote um Gatinho, que é a entidade que move a ação, Dalva se manteve fria o tempo todo, sem esboçar nenhum arrependimento e confessou ter matado seis dos animais alegando que estavam doentes, em estado terminal. Na audiência anterior ela negou ter matado qualquer animal, mas no julgamento de hoje assumiu a morte de seis e disse que não sabe como os demais foram parar na sua porta. No entanto, tantos os animais que ela confessou ter matado quanto os demais, estavam embalados em jornal e ensacados juntos.
    Estima-se que milhares de gatos tenham sido mortos pela Dalva. (Foto: Reprodução/ Folha)
    Estima-se que milhares de gatos tenham sido mortos pela Dalva. (Foto: Reprodução/ Folha)
    Condenação
    A juíza do caso solicitou um prazo para dar a sentença. Rodrigo acredita que saia dentro de 15 a 20 dias. Ele disse também que, embora Dalva seja ré primária, nesse caso não cabe mais pagamento de cesta básica. Dalva está sendo julgada por crimes contra a fauna com o agravante da morte dos animais e também por uso de medicamentos controlados que ela alega ter recebido de “veterinário amigo de amiga”. Diz também que “aprendeu a usar as drogas com veterinário amigo da família”. Mas não se lembra do nome de mais ninguém.
    Dalva vendeu a casa onde residia na Vila Mariana (SP) e hoje se divide entre uma casa na cidade de Agudos do Sul (PR) e um apartamento na Aclimação (SP). Um tempo atrás, em entrevista concedida à TV Record, no Paraná, ela disse que “ama os animais” e até se tornou vegetariana por causa deles. Cada uma daquelas “vidinhas”, largadas no asfalto depois de serem cruelmente mortas, foi testemunha disso que Dalva chama de “amor”.
    Motivação
    Estudos feitos pelo FBI apontam que uma esmagadora parcela de psicopatas (mais de 85%) começa sua trajetória torturando e matando animais, às vezes na adolescência ou até mesmo na infância. É uma espécie de “treino” antes de migrarem para vítimas humanas. Por conta disso e para garantir maior segurança de pessoas e de animais, a partir do próximo ano, quem maltratar e matar animais nos EUA terá um julgamento igual ao de qualquer outro criminoso.
    Os psicopatas podem praticar assassinato em série (ao longo de semanas, meses ou anos – conhecidos como serial killers) ou em massa (quando muitas mortes são cometidas ao mesmo tempo). Caso Dalva venha praticando esses crimes há anos, ela se encontra nas duas categorias. Mas essa pode nem ser a pior notícia. A pior é: psicopatas não têm cura. O prazer sádico de matar acompanha os psicopatas por toda a vida.
    Revolta
    “Nunca tinha ouvido falar de um caso desse nível. Acredito que ela fazia isso por maldade. Uma pessoa dessas não tem conserto”, diz Roseli Albuquerque, professora aposentada. Maria José Ferreira, conhecida como Zezé Protetora dos Animais, acompanha o caso desde o começo: “Nunca perdi a Dalva de vista. Foi feita uma estimativa que ela pode estar fazendo isso há dez anos, o que resultaria na morte de milhares de animais de uma forma muito trágica e dolorosa. Uma vez psicopata, sempre psicopata. Isso faz parte do ritual de vida dela”.
    A professora Daniele Fragoso diz que ficou muito chocada com o caso: “A frieza da Dalva, o descaso com que as leis tratam episódios desse tipo, o comportamento de uma pessoa capaz de chegar a um crime desse tamanho, tudo isso me chocou. Na minha opinião, a solução seria mudar as leis para privá-la de ter acesso aos animais porque a mentalidade dela não vai mudar, isso não vai acontecer nunca”.
    Quer acompanhar o inquérito 018/2012 em detalhes? Acesse o link.
    E veja as matérias anteriores, incluindo entrevista com o advogado de acusação e detalhes do caso em:



    Resumo diário de notícias selecionadas
    dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
    além de informações e análises direto do ISA
     
     
    HOJE:
    Água, Amazônia, Biodiversidade, Energia, Ferrovias, Mudanças Climáticas
    Ano 15
    21/05/2015

     

    Biodiversidade

     
      A presidente Dilma Rousseff sancionou ontem o Marco da Biodiversidade, que regulamenta o acesso ao patrimônio genético de plantas e animais do país, além de conhecimentos indígenas e tradicionais associados. O objetivo das novas regras é desburocratizar a pesquisa, especialmente na indústria farmacêutica e de cosméticos. A lei prevê a divisão de benefícios com povos indígenas e comunidades locais no valor de 1% da receita líquida obtida com produtos desenvolvidos a partir de seu conhecimento tradicional. O texto anistia multas de mais de R$ 200 milhões de empresas e pesquisadores que desrespeitaram a legislação anterior. O benefício fica restrito àqueles que se comprometerem a se adequar às novas regras FSP, 21/5, Ciência, p.B9; OESP, 21/5, Metrópole, p.A19.
      
     

    Amazônia

     
      A linha de transmissão que escoará energia da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, para os centros consumidores das regiões Sudeste e Centro-Oeste recebeu sinal verde do Ibama. O órgão deu licença prévia ao empreendimento, que receberá investimentos de R$ 5 bilhões e terá quase 2,1 mil quilômetros de extensão. A licença atesta a viabilidade do projeto e foi assinada ontem pela presidente da autarquia, Marilene Ramos, com 11 condicionantes que precisam ser cumpridas pelo consórcio IE Belo Monte. Previsto para ter até 15 mil funcionários no pico das obras, o empreendimento vai abrir pelo menos nove canteiros, com até 100 mil metros quadrados cada umValor Econômico, 21/3, Economia, p.B3.
      A Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, vai ter de buscar rotas alternativas para escoar a sua energia no início do ano que vem, por conta de atrasos em obras de linhas de transmissão que deveriam apoiar a usina. Serão pelo menos oito meses de atraso. O chamado "linhão pré-Belo Monte", que levaria a geração da hidrelétrica para Estados da Região Nordeste, projeto de 1.854 km de extensão, estimado em R$ 1,3 bilhão, foi vencido no fim de 2012 pela empresa espanhola Abengoa. A empresa assumiu o compromisso de entregar a rede em operação em fevereiro de 2016. Porém, fiscalizações feitas pela Aneel indicam que a malha só estará à disposição em outubro de 2016 OESP, 21/5, Economia, p.B13.
      Os rios da Bacia do Amazonas ainda são pouco impactados pela poluição, mas a maior bacia fluvial do mundo, com mais de sete mil afluentes, está ameaçada. Estudo da Wildlife Conservation Society Brazil aponta que a construção de barragens para a produção de energia em hidrelétricas pode provocar impactos profundos na fauna aquática, com consequências aos milhares de moradores de comunidades ribeirinhas. Já as mudanças climáticas podem alterar o regime de chuvas, provocando um desbalanceamento na dinâmica dos rios e na cobertura vegetal. O estudo reúne análises biológicas, climáticas e socioeconômicas, com modelagens que geram informações importantes para subsidiar políticas públicas na região O Globo, 21/5, Sociedade, p.28.
      A Odebrecht Defesa e Tecnologia será parceira das chinesas China Electronics Corporation e Industrial and Commercial Bank of China no desenvolvimento do Programa de Integração da Amazônia Legal (Pial), que prevê uma evolução nos atuais sistemas de monitoramento e vigilância da região, considerada estratégica para o Brasil. O investimento previsto no projeto, de US$ 3 bilhões, virá através de um fundo de investimento que os governos chinês e brasileiro estão criando para aplicar em projetos de infraestrutura e defesa. Segundo informou a Odebrecht, o Pial vai fortalecer a vigilância exercida pelo Ibama, assim como apoiará o monitoramento climático, contribuindo para a melhoria das previsões meteorológicas feitas hoje no país Valor Econômico, 21/5, Empresas, p.B4.
      
     

    Mudanças Climáticas

     
      A Casa Branca quer colocar o combate à mudança climática no centro da visita que a presidente Dilma Rousseff fará a Washington no dia 30 de junho, com uma declaração que evidencie o compromisso dos dois países com o sucesso da conferência de Paris (a COP-21), em dezembro. O eventual acordo seria uma maneira de alinhar o encontro com as prioridades de Barack Obama. A questão ambiental ocupa peso crescente na agenda do líder americano, que em novembro fechou um pacto de redução de emissões com a China. O objetivo de Washington agora é buscar um anúncio de impacto com o Brasil. Ainda não está claro se os dois lados chegarão a um acordo, mas há disposição de ambas as partes OESP, 21/5, Metrópole, p.A19.
      O presidente dos EUA, Barack Obama, definiu a mudança climática como uma "questão de segurança nacional" para seu país. Em relatório divulgado ontem, a Casa Branca anunciou que a mudança no clima funcionaria como "acelerador das instabilidades em todo o mundo", causando escassez de água e de comida que poderia resultar em aumento das tensões mundiais, gerando uma superpopulação. O documento também aponta que a elevação nas temperaturas "mudaria a forma das missões militares dos Estados Unidos", aumentando a demanda por recursos no Ártico e outras regiões costeiras que seriam afetadas pela elevação do nível do mar, e resultaria em crises humanitárias maiores e cada vez mais frequentes FSP, 21/5, Mundo, p.A10.
      Ainda sem apresentar ao mundo sua "contribuição nacional" para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o governo brasileiro vê com otimismo as chances de um acordo climático na 21ª Conferência do Clima (COP-21) das Nações Unidas, que começa no dia 30 de novembro, em Paris. A avaliação foi feita pelo secretário nacional de Mudanças Climáticas, Carlos Klink, que participou do Diálogo de Petersberg, em Berlim. "Notei claramente um engajamento muito forte. Havia 35 ministros de vários países, incluindo os pequenos, no encontro. Pela primeira vez vimos uma convergência muito forte para a impressão de que de Paris pode sair um bom resultado" OESP, 21/5, Metrópole, p.A19.
      
     

    Geral

     
      Especialistas veem a ligação ferroviária entre Brasil e Peru com ceticismo devido, principalmente, ao desafio de engenharia que o projeto representa. Para cruzar o cerrado brasileiro, onde se concentra o agronegócio, e chegar ao litoral peruano, a ferrovia terá de atravessar regiões de pântano, floresta tropical e os Andes. Na avaliação de Renato Pavan, da consultoria Macrologística, esses obstáculos naturais elevam o custo do transporte. A soja transportada por ferrovia do Mato Grosso até o Peru e de lá para a China teria o mais elevado custo logístico: R$ 325 por tonelada. A opção mais barata (R$ 135/tonelada) seria levar o grão até Vila do Conde (PA) e de lá para a China, via Canal do Panamá O Globo, 21/5, Economia, p.25.
      O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) desmentiu ontem o diretor econômico financeiro da Sabesp, Rui Affonso, que disse, no dia anterior, que a redução de investimentos seria ainda maior que a prevista para 2015. Alckmin afirmou que, neste ano, a companhia teria "investimento recorde"OESP, 21/5, Metrópole, p.A14.
      
     
    Imagens Socioambientais