quarta-feira, 31 de agosto de 2016

PESCADOS RASTREADOS

Walmart é o único varejista no país a ter cerca de 80% do volume de pescados comercializados já rastreados.
Walmart é o único varejista no país a ter cerca de 80% do volume de pescados comercializados já rastreados.
Por Redação da Envolverde*
Walmart é o único varejista no país a ter cerca de 80% do volume de pescados comercializados já rastreados. Empresa apresenta primeiros resultados do sistema de monitoramento da cadeia de pescado, como principais espécies comercializadas e áreas com maior risco de sobrepesca.
Pioneira ao lançar um programa de monitoramento da cadeia de pescado no país, o Walmart Brasil é o único varejista no país a ter cerca de 80% do volume de pescados comercializados, nas lojas Big, Bompreço, Nacional, Mercadorama, TodoDia e Walmart, já rastreados. Este resultado faz parte do projeto lançado há 18 meses, em parceria com a ONG Sustainable Fisheries Partnership (SFP).
De acordo com a empresa, o objetivo é comercializar pescados de origem mais sustentável, contribuindo para a preservação da biodiversidade aquática e marinha, apoiar e promover ações que fomentem a responsabilidade social na cadeia. “Com este programa, reforçamos o nosso compromisso de fornecer aos nossos clientes pescado e frutos do mar de qualidade e oriundos de formas de manejo mais sustentáveis, que promovam também a inclusão social e o desenvolvimento das comunidades”, afirma Carlos Dante Proveti, diretor comercial do Walmart Brasil.
O programa de monitoramento da cadeia de pescado do Walmart Brasil já conta com a participação dos 16 maiores fornecedores de pescados congelados, seis deles acabam de ser inseridos no programa. Empresas como Frescatto, DellMare, Pioneira da Costa, West Norway já estão utilizando o sistema há um ano e inseriram informações relativas as principais espécies e áreas de pesca. Atualmente, o programa já mapeou 26 pescarias – definido por espécie, zona de pesca e arte de pesca. “Com o sistema, conseguimos avaliar o grau de risco associado à sustentabilidade das pescarias e rastrear de onde vêm os pescados que comercializamos. Com base nisso, definimos as espécies prioritárias a serem trabalhadas com o objetivo de promover práticas sustentáveis no setor junto aos nossos fornecedores”, explica Tatiana Trevisan, gerente de Sustentabilidade do Walmart Brasil.
Hoje, o Walmart tem um diagnóstico do risco ambiental e social das 21 espécies de peixes congelados mais vendidas em suas lojas. “Após o diagnóstico, desenhamos o plano de ação para cada espécie e seus respectivos fornecedores. Essas 21 espécies representam cerca de 80% do volume comercializado no país”, revela Trevisan.
“Temos interesse em atuar em conjunto com nossos parceiros de varejo e abastecimento. Em última instância, queremos que todas as fontes de frutos do mar sejam mais sustentáveis. Começamos a trabalhar com o Walmart dos Estados Unidos há mais de uma década, e então começamos a trabalhar com a Asda no Reino Unido e Walmart no Canadá. Cada novo parceiro aumenta as chances de sucesso em nível global e estamos muito entusiasmados em trabalhar com o Walmart Brasil neste esforço”, afirma Jim Cannon, CEO da Sustainable Fisheries Partnership.
O trabalho da SFP consiste em gerar informação, ferramentas e metodologias que permite aos varejistas engajar diretamente seus fornecedores, e todos os elos da cadeia de pescado. O SFP trabalha por meio de dois princípios: Informação e melhoria contínua. Em informação, a ONG criou um banco de dados online, chamado FishSource (fishsource.com), acessível a todos, que contém as análises da sustentabilidade e as necessidades de melhoria das pescarias. Este banco de dados está ligado com um software chamado Sistema Metrics que informa aos varejistas o estado de sustentabilidade das pescarias, que eles comercializam. Uma vez que o Walmart Brasil identifica quais são as espécies prioritárias e os desafios associados a elas, pode trabalhar ao longo da sua cadeia de valor para motivar o desenvolvimento de projetos de melhora pesqueira e aquícola.
“O compromisso do Walmart Brasil tem sido fundamental para definir um marco de ação concreto, que permitirá informar e incentivar aos fornecedores para a criação de projetos de melhora pesqueira e aquicola, sabendo que seus esforços serão reconhecidos por seus principais clientes. Isto gera um círculo virtuoso, que permite alinhar varejistas, fornecedores e produtores, construindo sinergias necessárias para avançar na sustentabilidade das pescarias brasileiras e ao redor do mundo” Elisa Martinez, SFP Buyer Engagement Director, Latin América.
Sobre a cadeia de pescado
Segundo estimativa da organização não governamental SeaFish, 75% das pescarias no mundo podem ter atingido ou superado seus limites sustentáveis. Em-quanto isso, estima-se que 1 bilhão de pessoas dependam do pescado como sua principal fonte de proteína, e outros 200 milhões dependam da indústria como sua principal fonte de renda (www.seafish.org).
A pesca acima dos limites de reposição natural dos estoques de peixes no Brasil e as práticas de aquicultura extrativa e não sustentável na cadeia de suprimentos de pescado e frutos do mar ameaçam a disponibilidade desses recursos para as gerações presentes e futuras.
O Walmart Brasil valoriza o relacionamento com a indústria de pescado, uma vez que trabalha para fornecer a mais alta qualidade e segurança alimentar, por meio de práticas que promovam a sustentabilidade das pescarias, assim como melhor qualidade de vida para pescadores e demais trabalhadores da cadeia produtiva de pescado.(#Envolverde)
* Com informações do Walmart.

60 mudas de árvores plantadas serão monitoradas por QR Code

A atividade será realizada no próximo dia 2 de setembro na mata do Ribeirão das Pedras, ao lado do Colégio Rio Branco, de Campinas.
Por Redação da Envolverde*
Uma compensação ambiental pela retirada de cinco árvores, que corriam o risco de cair, faz o Colégio Rio Branco de Campinas transformar a ação em aprendizado para os alunos do programa RB+, que oferece atividades no contra período. No dia 2 de setembro, às 15h, 55 crianças de 3  a 11 anos vão plantar 60 mudas de árvores na mata do Ribeirão das Pedras, localizado ao lado da escola. A novidade é que cada muda vai ganhar uma identificação digital, uma etiqueta com QR Code e terá uma página exclusiva na internet contendo o nome do aluno e a foto no momento do plantio. Essas mudas serão monitoradas  por, no mínimo, dois anos com um aplicativo baixado em smartphones e tablets.
“Aproveitamos esta ação para aplicar aos alunos ensinamentos sobre o ciclo de vida das plantas, a importância de se realizar a remoção de árvores da maneira correta e principalmente, de plantar novas mudas para compensar as que foram retiradas, enriquecendo, com isso, nossas propostas socioambientais”, afirma Sandra Dedeschi, orientadora educacional do Ensino Fundamental I.
O sistema de identificação digital das mudas foi desenvolvido pela empresa Anubz e permite que os alunos e professores tenham acesso a todas as informações, que são atualizadas em tempo real em um banco de dados, sobre a futura planta, seus frutos, local onde está localizada e seu desenvolvimento. A empresa ainda vai realizar uma série de palestras com os alunos do RB+ sobre: ambiente, reflorestamento, espécies e cuidados. (#Envolverde)
* Com informações do Colégio Rio Branco.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO EM MEIOS URBANOS

Pedro Menezes, idealizador da Trilha Transcarioca, primeira trilha ecológica de longa duração do Rio, abordará alguns exemplos de sucesso em palestra no Museu do Amanhã.
Por Redação da Envolverde* 
Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2016 – Já imaginou caminhar por mais de 170 quilômetros em meio a uma natureza exuberante no meio de uma cidade com mais de 6 milhões de habitantes? Isso é possível. Um dos melhores exemplos é a Trilha Transcarioca, projeto idealizado por um dos maiores estudiosos das unidades de conservação no Brasil e no mundo, o diplomata Pedro Menezes. O pesquisador, que também é membro da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), é o convidado do Museu do Amanhã para falar sobre “Trilhas de longo curso: o despertar dos parques ao ecoturismo”, palestra que será realizada no dia 1º de setembro (quinta-feira), às 15h, no Observatório do Amanhã. A inscrição é gratuita e pode ser feita pelo site.
Desde a trilha Apalache até o Caminho de Santiago, passando pelas trilhas de longo curso europeias e australianas, Pedro Menezes falará sobre os aspectos relacionados ao uso público dos parques como forma de dar visibilidade e de garantir a proteção desses espaços. O papel das trilhas de longo curso como conectores ecológicos também será destacado, assim como a Transcarioca, que já tem 110 quilômetros sinalizados.
IMPRENSA: O credenciamento de imprensa deve ser feito pelo e-mail:imprensa@museudoamanha.org.br.
Serviço: 
“Trilhas de longo curso: o despertar dos parques ao ecoturismo”
Data: 01/09, quinta-feira
Horário: às 15h
Local: Observatório do Amanhã
Endereço: Praça Mauá, nº 1, Centro – Museu do Amanhã
Inscrição gratuita pelo site: https://www.museudoamanha.org.br/pt-br/trilhas-de-longo-curso-o-despertar-dos-parques-ao-ecoturismo
* A participação no evento não garante visita às exposições do Museu.
(#Envolverde) 

Energia Solar será a eletricidade mais barata em 2020

Por Katherine Rivas, da Envolverde – 
Os investimentos em energia solar quadruplicaram nos últimos anos, mas ainda sofrem com a falta de incentivos e políticas públicas mais amigáveis.
Com seu crescimento quadruplicado nos dois últimos anos e 110 projetos de usinas fotovoltaicas em construção, o Brasil hoje tem 3.981 conexões de energia solar. Estes são sinais de um futuro com foco nas energias renováveis.
As capitais de Belém, Fortaleza, e Rio de Janeiro, Recife e Goiânia hoje têm o melhor retorno dos projetos de baixa tensão realizados em pequenos negócios, condomínios, hospitais, shopping centers e residências. Estima-se que em 2020 a energia solar será a forma mais barata de produzir eletricidade, este preço diminuirá em 60% até 2040.
Marcel Haratz, diretor da Comerc Solar, gestora de energia, acredita que é necessário apostar em energia limpa, renovável e que contribuirá com um desenvolvimento da indústria local. Para ele a energia fotovoltaica vive um boom no Brasil e no mundo, no entanto o domínio do mercado é uma estratégia de passos curtos. “A vantagem da energia solar frente a outras iniciativas sustentáveis tais como veículos elétricos é que não vamos mudar radicalmente as práticas existentes. A energia solar vem para agregar e com o decorrer dos anos se transformará na melhor alternativa econômica e ambiental” diz.
“O mercado da energia solar caminha a passos firmes e curtos” diz Marcel Haratz. Foto:Comerc
“O mercado da energia solar caminha a passos firmes e curtos” diz Marcel Haratz. Foto:Comerc
Entre as vantagens Haratz menciona a fácil instalação, o fato de ser uma energia renovável e abundante, a previsibilidade nos custos e a redução da dependência das distribuidoras locais. Outras alternativas são a durabilidade (de 20 a 25 anos nas placas) e a capacidade de chegar em áreas remotas.
O especialista considera como dificuldades o desconhecimento da tecnologia (fotovoltaica x aquecimento), financiamento dos projetos e o imediatismo da sociedade brasileira por mudanças.
Na visão de Haratz hoje não existe um apoio abrangente por parte do poder público, no entanto afirma que iniciativas como o Sistema de Compensação de Energia Elétrica com as Condições Gerais de Fornecimento (Resolução Normativa nº 414/2010) já são um ótimo começo.
O Sistema entrou em vigor em março deste ano e permite o uso das fontes renováveis para a micro geração de energia. Quando a quantidade de energia gerada durante um mês for superior à consumida as pessoas recebem créditos que podem ser utilizados para diminuir o valor das faturas dos próximos meses.“O Brasil é um território muito rico para o mercado de energias renováveis, mas ainda falta conhecimento por parte da população. Consciência ambiental e educação” defende Haratz
No 2015 a energia solar representava 0,01% da matriz elétrica Brasileira, a Eólica 3,5% e de Gás Natural 12,9% segundo dados do Ministério de Minas e Energia.
A expectativa é que até 2024 a energia solar chegue a 8300 MW de capacidade instalada. Em 2050, 18% dos domicílios dever usar geração fotovoltaica (13% da demanda elétrica de todo o Brasil).
Mais empregos e energia renovável
A energia fotovoltaica é fonte de novos empregos no mercado. Dados da Agência Internacional de Energias Renováveis revelam que 8,1 milhões de pessoas fazem parte da indústria global de energia renovável e 2,8 milhões estão no setor de energia solar.
Os países líderes nesta modalidade são China, Brasil e Índia. Até 2018 o setor fotovoltaico vai gerar até 90 mil empregos.
“ O Brasil está atravessando uma crise econômica, mas a prioridade ainda é energia solar e outras renováveis. Isso terá um impacto na taxa de emprego se o país estabelecer uma cadeia de valor robusta no setor. Há muitas oportunidades para jovens engenheiros, trabalhadores experientes e especialistas” reforça Florian Wessendorf, diretor da Solar Promotion Internacional.
Contexto Internacional
Na feira Intersolar South América, que aconteceu em São Paulo do 23 ao 25 de agosto, palestrantes do mundo todo apresentaram em workshops a realidade do mercado de energia fotovoltaica em outros países.
Bruce Douglas, diretor de Operações da Solar Power em Europa, apresentouum estudo dos países que mais investem em energia solar no continente. Sendo estes Reino Unido (35% da produção), Alemanha (27%) e França com (13%).
O estudo revela que a energia solar na Europa tem suporte nas plataformas de energia solar britânica e que o autoconsumo é o maior incentivo para a geração distribuída. Porém a Europa está perdendo mercado frente a Ásia e América.
Frank Haugwitz, diretor da Ásia Europe Clean Energy, demonstrou que nos últimos anos o mercado asiático atravessou uma transformação radical em relação a energia renovável “Considero que teve muito a ver com a contaminação ambiental. Os governos e a população desacreditavam na energia solar e hoje tem um interesse muito forte na aplicação desta eles mudaram o pensamento” explica.
Para as empresas do setor nos próximos anos a China será o epicentro da energia solar incentivando a criação de políticas para desenvolver a produção doméstica em países como Índia, Vietnam, Indonésia, Paquistão e Irã.
Economias prósperas, crescente demanda de energia, processo de urbanização, sistemas de eletrificação rural e iniciativas de mudanças climáticas fazem parte do processo de desenvolvimento da economia solar nos próximos anos.
Feira Intersolar contou com 180 expositores   Foto: Katherine Rivas
Feira Intersolar contou com 180 expositores   Foto: Katherine Rivas
Feira Intersolar
Com 25 anos de história, aconteceu do 23 ao 25 de agosto a feira Intersolar South América na Expo Center Norte de São Paulo.
Com 180 expositores de 12 países e 800 congressistas a feira apresentou tecnologias em cédulas e módulos fotovoltaicos de silício cristalino e filmes finos, componentes do sistema FV, tecnologias de baterias, rastreamento solar.
O evento teve workshops com especialistas da área e um fórum de empregos e carreiras com funcionários de RH e plataformas de treinamento e formação.
A Feira Intersolar acontece todos os anos em Munique, São Francisco, Mumbai, Pequim e São Paulo. (#Envolverde)

Por que lutam os ribeirinhos atingidos por Belo Monte?

Por Isabel Harari, do ISA –
Moradores das Reservas Extrativistas da Terra do Meio (PA) exigem ter voz nas tomadas de decisão sobre os investimentos dos recursos de projetos de mitigação dos danos causados pela hidrelétrica na pesca.
Após serem reconhecidas como populações impactadas pelas obras de Belo Monte, as comunidades extrativistas da Terra do Meio, no Pará, exigem participar da formulação dos projetos de mitigação dos efeitos da obra e elaboraram uma proposta inicial. Nesta semana, representantes das Reservas Extrativistas (Resex) Riozinho do Anfrísio, Rio Iriri e Rio Xingu, entregaram uma carta à Norte Energia, Ibama, ICMBio e Ministério Público Federal, com uma proposta concreta para orientar a implementação dos recursos que serão destinados para a recuperação da pesca, fortemente atingida pela usina hidrelétrica.
Sr. Francisco Castro, o Chico Caroço, pesca no Riozinho do Anfrísio
Sr. Francisco Castro, o Chico Caroço, pesca no Riozinho do Anfrísio

Ainda que não sejam totalmente mensuráveis, os impactos na pesca já são sentidos pelas comunidades que utilizam o peixe como uma das principais fontes de alimentação e de renda. O reconhecimento da existência de impactos nas Resexs, que culminou com a inserção de uma condicionante a Licença de Operação em novembro do ano passado, obrigando a Norte Energia a compensar os danos que a instalação de Belo Monte provocou na atividade pesqueira da região. Essa condicionante, motivada por denúncias sistemáticas dos ribeirinhos e organizações parceiras, entra no bojo da condicionante geral de assistência técnica de pesca, uma série de ações para compensar os pescadores da região. A medida prevê, como forma de compensação para os ribeirinhos, a execução de assistência técnica de pesca nas Resex da Terra do Meio. “O peixe é considerado uma das maiores fontes de alimento, além de ser uma fonte de renda. Estamos vendo que tá diminuindo, então precisamos nos mobilizar”, alerta Edileno de Oliveira, presidente da Associação dos Moradores do Riozinho do Anfrísio (Amora).
Ribeirinhos entregam a carta aos representantes da Norte Energia
Ribeirinhos entregam a carta aos representantes da Norte Energia

As comunidades, por meio das associações, escreveram uma carta com propostas para a aplicação do recurso da condicionante, e esperam iniciar um diálogo com a Norte Energia para que a empresa leve em consideração as especificidades das comunidades da região e que as ações definidas dialoguem de fato com o modo de vida dos beiradeiros. “Nós nos antecipamos, antes que chegue a Norte Energia com um projeto pronto, batendo na nossa porta, e apresentamos uma proposta. Somos nós que temos que levar as nossas demandas pra eles, não eles pra nós”, aponta Herculano de Oliveira, da Resex Riozinho do Anfrísio. “Os moradores se organizaram para discutir as ações ligadas diretamente à atividade da pesca e que vão ajudar a compensar os impactos que acontecem no território. Isso vai no sentido de evitar que a empresa, unilateralmente, decida o que é ou não é assistência técnica de pesca para os extrativistas e que as ações sejam efetivas para mitigar o dano causado”, atenta Carolina Reis, advogada do ISA.
“Isso mostra o amadurecimento das instituições. Queremos que a gestão seja cada vez mais comunitária e participativa”, analisa Bruna De Vita, coordenadora geral de populações tradicionais do ICMBio. O órgão se comprometeu a analisar o conteúdo da carta para que as propostas resultem no cumprimento da condicionante prevista na Licença de Operação e para “trazer um resultado prático e efetivo para aquelas áreas, para a manutenção da vida dessas pessoas e para a conservação das unidades”, de acordo com Bruna.
As demandas, amplamente discutidas em espaços participativos, têm como prerrogativa o respeito ao modo de vida dos beiradeiros e o diálogo com iniciativas já em curso nas Resexs, como as miniusinas e cantinas (saiba mais sobre essas iniciativas). “Tendo em vista a nossa forma de organização, prioridades, infraestrutura e atividades que vêm acontecendo na Terra do Meio, gostaríamos de solicitar que o processo de definição sobre a implementação da condicionante seja feito de forma totalmente participativa com as associações e nossas comunidades, desde o princípio, que é a fase de definição das ações que deverão ser executadas”, diz um trecho da carta. Leia a carta na íntegra.
Representantes das associações das Resex se reúnem na casa de apoio para falar sobre a carta
Representantes das associações das Resex se reúnem na casa de apoio para falar sobre a carta

A diminuição do pescado é uma preocupação das comunidades da Terra do Meio. Os ribeirinhos têm denunciado sistematicamente a entrada de pescadores de outras regiões em suas áreas tradicionais de pesca. Com a construção da usina, a população da cidade de Altamira – e o consumo de pescado – aumentou exponencialmente, fazendo com que um grande número de pescadores busque áreas mais distantes, como as do Rio Iriri, para suprir essa nova demanda.
Muitos desses pescadores utilizam técnicas de pesca que impactam de forma violenta o pescado – descartam peixes menores ou que não tem valor comercial expressivo, gerando poluição e desequilibrando o ecossistema da região. Além disso, a escassez do peixe faz com que os pescadores tenham que permanecer mais tempo por pescaria, reduzindo o tempo empregado em outras atividades importantes para a subsistência, como a roça, produção de farinha e a coleta de produtos da floresta – como a castanha, o babaçu e a copaíba. Saiba mais sobre os impactos de Belo Monte na pesca.
As medidas propostas na carta visam conservar o pescado para melhorar a segurança alimentar e fortalecer a agregação de valor da pesca e das demais cadeias produtivas dentro das Resexs, como o manejo da castanha e do babaçu, para evitar a pesca excessiva.
Um ponto importante da proposta é a constituição de um fundo para a manutenção da estrutura básica das associações e para o monitoramento independente da pesca no território, somando esforços com os órgãos governamentais em coibir crimes e melhorar o ordenamento da atividade pesqueira na região.
A Norte Energia já sinalizou que vai analisar as propostas e participará de uma reunião no próximo mês para discutir com mais detalhes seu conteúdo e seguir com encaminhamentos para implantação da condicionante. “Não sabemos o que vai acontecer, não temos nenhuma garantia, mas pra comunidade já é uma resolução boa, porque a gente já viu que foi considerado. Pra quem está há dez anos brigando por isso, saber que está sendo considerado, mesmo sem saber de que forma vai ser, já é uma esperança”, diz Edileno.
O corredor de diversidade do Xingu
A Terra do Meio é um mosaico de áreas protegidas localizada entre os rios Xingu e Iriri que abriga uma enorme diversidade socioambiental. A região faz parte do Corredor de Diversidade Socioambiental do Xingu, com 28 milhões de hectares de extensão, incluindo 21 Terras Indígenas e dez Unidades de Conservação contíguas, ocupados por centenas de famílias ribeirinhas e 26 povos indígenas.
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(ISA/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site ISA.

TESOURO DESCONHECIDO

Por Sérgio Adeodato, da Página 22 –
Sob pressão do agronegócio, a Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, prepara-se para receber visitantes como estratégia de conservação e desenvolvimento.
Rio Perdido. O nome por si só excita a imaginação de quem se aventura na beleza selvagem e desconhecida da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul. O manancial banha os vales situados no ponto mais oeste da Mata Atlântica, bordejada pelo Cerrado e pelo Pantanal. Marcado pelo isolamento, com montanhas de difícil acesso, o lugar recebeu recente expedição integrada por ONGs ambientalistas, pesquisadores e lideranças empresariais, com o objetivo de desbravar atrativos naturais úteis ao desenvolvimento local. Após quase quatro horas de trilha por entre capinzal e floresta e nove quilômetros de canoagem em percurso paradisíaco de corredeiras e cachoeiras, uma pergunta: o que fazer para aquele patrimônio ser visitado, gerar renda e assim se tornar mais valorizado e protegido contra o desmatamento e demais ameaças do entorno?
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A urgência faz sentido: em cinco anos, a área ocupada pela soja triplicou de 10 mil para 30 mil hectares, em lugar da pecuária, ao pé do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. O impacto começa a ser percebido nos rios que sustentam as atividades de ecoturismo de Bonito (MS), próximo à área protegida. A qualidade dos ativos está em risco. Além dos efeitos dos agrotóxicos, as águas, antes cristalinas, ficam turvas, pois fazendeiros fazem drenagem para secar banhados e expandir a agricultura.
“Cresce a pressão sobre a unidade de conservação, que precisa demostrar não ser empecilho, mas fonte de emprego e oportunidades”, ressalta Felipe Dias, diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal, integrante da expedição. Para o empresário Roberto Klabin, presidente da ONG, o escudo contra as ameaças é “fortalecer a gestão do parque e torná-lo conhecido”.
Entre as remadas no Rio Perdido, o grupo viu de perto a maior barreira: o conflito fundiário. Apenas 18,3% das terras privadas lá existentes foram desapropriadas e transferidas para a União. O ordenamento turístico fica prejudicado porque a maioria dos atrativos está em áreas particulares. Mas uma nova perspectiva surgiu depois que a Justiça extinguiu, em julho, uma ação movida desde 2006 pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, que dificultava o parque nacional de funcionar com as atividades previstas no plano de manejo.
“O objetivo é atrair investimentos para receber o público”, conta Sandro Pereira, chefe do parque, criado em 2000 com 77 mil hectares, morada de espécies raras, como a harpia (ou gavião-real). Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, realça: “Trata-se de uma das regiões mais selvagens e desconhecidas do bioma”. Diante do cenário, a Bodoquena será beneficiada pelo fundo financeiro mantido pela ONG com a estratégia de repassar recursos para despesas básicas das unidades de conservação e, ao mesmo tempo, concentrar esforços para captação de investimentos de longo prazo. O Rio Perdido, percorrido pela diretora na aventura da canoagem, precisa de pelo menos R$ 1 milhão para receber visitantes interessados em conhecer o fenômeno do “sumidouro” e da “ressurgência”, em que a água “desaparece” nas rochas e ressurge na superfície, quilômetros à frente.
Os desafios da Bodoquena para ser conhecida e valorizada como ativo ambiental refletem a realidade de muitos parques nacionais. Dos 72 existentes no País, somente 9 têm maior infraestrutura, com centro de visitantes e serviços de alimentação ou hospedagem. Outros 13 possuem trilhas e instalações simples, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Apesar das limitações, a visitação aumentou 45% entre 2010 e 2015, somando 7,1 milhões de pessoas, dos quais 3 milhões foram recebidos pelo Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mas os números estão longe do potencial. Nos Estados Unidos, 305 milhões de pessoas visitaram os parques nacionais em 2015, com injeção de US$ 16,9 bilhões nas economias locais. Enquanto o investimento brasileiro nas unidades de conservação é de R$ 4,4 por hectare, o americano chega a R$ 156, conforme dados de 2010 levantados por Carlos Eduardo Young, professor associado do Instituto de Economia da UFRJ. A recente visita do presidente americano Barack Obama ao parque nacional de Yosemite, na Califórnia, para falar de mudança climática, simboliza o valor dado às áreas protegidas por lá. No Brasil, iniciativas do gênero limitam-se ao terceiro escalão. Mas há soluções em vista. A começar pelo Rio Perdido e seu potencial de ser um grande “achado”. (Página 22/ #Envolverde)
* Publicado originalmente na edição 103 da Página 22.

PECUÁRIA, AMEAÇA E OPORTUNIDADE

A América Latina produz 23% da carne bovina do mundo, que é a ponteira da próspera pecuária regional, embora a atividade ameace sua sustentabilidade. Na foto, um pequeno rebanho busca abrigo em torno da única árvore no pasto, noPampa argentino. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
A América Latina produz 23% da carne bovina do mundo, que é a ponteira da próspera pecuária regional, embora a atividade ameace sua sustentabilidade. Na foto, um pequeno rebanho busca abrigo em torno da única árvore no pasto, noPampa argentino. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
A pecuária proporciona multimilionários dividendos à América Latina, mas também um amplo e variado impacto ambiental que torna urgente sua transformação em uma atividade sustentável que seja ecologicamente amigável, socialmente aceita e economicamente rentável.
Por Orlando Milesi, da IPS – 
Santiago, Chile, 31/8/2016 – “A América Latina não pode continuar ignorando, do ponto de vista de suas políticas públicas, os desafios de uma pecuária que seja sustentável”, opinou à IPS o biólogo Javier Simonetti, acadêmico do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade do Chile.
A pecuária tem vários custos na região, “mas estes são sanáveis e redutíveis na hierarquia de mitigação. Sou razoavelmente otimista”, afirmou Simonetti.A pecuária latino-americana é um setor estratégico para a segurança alimentar da região e do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 25% das calorias e 15% das proteínas consumidas pelos latino-americanos são de origem animal.
O setor pecuário contribui com 46% do produto interno bruto (PIB) agrícola da região, embora se trate de uma atividade concentrada em cinco países(Brasil, Uruguai, Paraguai, México e Argentina, pela ordem), que detêm 75% da produção. Aproximadamente 80% dos produtores de carne da região são pequenos agricultores familiares, que desenvolvem uma tradição pecuária extensiva e rural.
No entanto, o aumento crescente da demanda mundial por produtos de origem animal gerou importante impacto ambiental, que pode se agravar caso se concretizem os prognósticos segundo os quais a demanda mundial aumentará em até 70%até 2050. “O processo de expansão da pecuária que vivem os países da América Latina representa tanto uma oportunidade como uma ameaça para o desenvolvimento sustentável da região”, apontou à IPS a oficial de Saúde e Proteção Animal da FAO, Deyanira Barrero.
“Por um lado, é uma oportunidade para gerar riqueza e mitigar a pobreza se forem tomadas as decisões políticas adequadas e promovidos sistemas de produção pecuária sustentáveis e amigáveis com o ambiente. Por outro lado, é uma ameaça, se a expansão da atividade continuar sem considerar custos ambientais e potenciais efeitos de marginalização dos pequenos produtores”, advertiu Barrero.
A América Latina, com apenas 13,5% da população do planeta, produz pouco mais de 23% da carne bovina e de búfalo e 21,4% da carne de ave do mundo, sendo o maior exportador desses produtos, enquanto também se mantém como importante produtor e exportador de carne de porco e lácteos. Mas o lado negativo dessa expansão é que 70% das pastagens da região apresentam nível moderado ou severo de degradação.
Barrero pontuou, na sede regional da FAO, em Santiago, que os principais custos ambientais associados à pecuária na América Latina estão relacionados com os níveis de desmatamento, degradação dos solos e das pradarias, perda de biodiversidade, redução do recurso hídrico e emissões de gases de efeito estufa (GEI).
Segundo números da FAO, o setor pecuário incide de maneira importante na mudança climática, com emissões estimadas em 7,1 giga toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, que representam 14,5% das emissões de GEI induzidas pelo ser humano. A produção de carne e leite de vaca responde pela maioria das emissões, pois contribui com 41% e 29%, respectivamente.
Na América Latina, as áreas mais suscetíveis à ampliação da fronteira agrícola e pecuária correspondem a ecossistemas da Amazônia no Brasil, o Chaco americano na Argentina, Paraguai e Bolívia, e as zonas áridas e semiáridas de Argentina e Chile. Por isso, afirmam os especialistas, devem ser adotadas ações decididas para que o crescimento do setor seja feito de modo ambientalmente sustentável e que contribua, ao mesmo tempo, para a mitigação da mudança climática, da pobreza e para melhorar a saúde humana.
Nessa linha, os pequenos produtores são fundamentais para atenuar as ameaças, disse Barreto. “Os produtores pecuários familiares estão mais expostos aos riscos da mudança climática, mas são atores essenciais na sua mitigação toda vez que se presume que algumas práticas mais comuns entre estes poderiam ser favoráveis à proteção do ambiente, acrescentou.Por essa razão, são necessárias políticas de apoio, marcos institucionais e incentivos adequados, e uma governança mais proativa para se alcançar sua integração e evitar a marginalização.
Simonetti alertou que “a pecuária gera um conjunto de problemas ambientais e sociais que não são devidamente incorporados em nenhuma política pública. Com alguns incentivos ou orientações, ou mesmo restrições, poderiam perfeitamente deixar de ser um problema para serem, pelo menos, neutros”, destacou.O especialista recordou que no Chile, por exemplo, são gastos cerca de 15 mil litros de água para cada quilo de carne produzido, e ressaltou que, “se não modificarmos esse enorme gasto com água, iremos mal não só como país, mas como mundo inteiro. Por isso, todos precisam sentar e conversar”.
Atendendo à urgência, em junho, durante a Sexta Reunião da Agenda Global da Pecuária Sustentável, realizada no Panamá, os governos da região destacaram a necessidade de se articular suas políticas pecuárias com as de desenvolvimento rural, social e ambiental, para alcançar a sustentabilidade nessa atividade.Também acordaram garantir a participação ativa da região na formulação e execução dos planos de trabalho da Agenda Global, a partir das prioridades definidas pelos países na Comissão de Desenvolvimento Pecuário para a América Latina e o Caribe, cuja secretaria técnica é exercida pela FAO.
Para os especialistas, o conhecimento local e a diversidade dos sistemas produtivos familiares são as principais ferramentas para diminuir os riscos associados à mudança climática e aos desastres naturais.
“As políticas de adaptação à mudança climática devem considerar a relação entre vulnerabilidade agroclimática e segurança alimentar e também impulsionar programas específicos de adaptação à mudança climática em zonas rurais”, indicou Barrero. Isso deve acontecer “valorizando-se o uso de raças locais adaptadas que foram conservadas pelos pequenos produtores, bem como o uso sustentável de cultivos agrícolas locais tolerantes à seca e que servem de fonte para alimentação humana e animal”, enfatizou.
A especialista da FAO destacou que essa é uma responsabilidade de todos os atores da sociedade. “A mudança climática é uma questão mundial e as cadeias de suprimento na pecuária estão cada vez mais conectadas em nível internacional. Para serem eficazes e justas, as medidas de mitigação também devem ser globais”, concluiu.
Integrantes de uma pequena cooperativa avícola em El Salvador, que gera renda para o grupo de mulheres que promoveu a iniciativa e para suas famílias. A América Latina é o maior exportador mundial de carne de ave. Foto: Edgardo Ayala/IPS
Integrantes de uma pequena cooperativa avícola em El Salvador, que gera renda para o grupo de mulheres que promoveu a iniciativa e para suas famílias. A América Latina é o maior exportador mundial de carne de ave. Foto: Edgardo Ayala/IPS
Iniciativas para a sustentabilidade
Na América Latina existem alternativas animadoras, dos setores público e privado, para encarar a sustentabilidade do setor pecuário.Na Costa Rica e no Uruguai, por exemplo, o trabalho intersetorial entre os ministérios de Agricultura e do Ambiente permitiu implantar algumas estratégias com a elaboração das Ações Nacionais de Mitigação Apropriadas.
O biólogo Javier Simonetti também mencionou o caso da Argentina, onde um grupo liderado por David Bilenca, pesquisador e acadêmico da Universidade de Buenos Aires, trabalha noPampa modificando as rotações e a carga animal.Isso gerou pastos com diferentes alturas, que permitem manter uma enorme riqueza de aves nativas. “Eles estão usando as aves como indicador de biodiversidade, e conseguiram modificar o efeito da pecuária tradicional sobre a avifauna”, destacou.
No sul do Chile, pecuaristas começaram a fazer mudanças no manejo das rotações para conseguir o mesmo: manter a qualidade das pastagens e reduzir o impacto da diversidade biológica. Christian Hepp, coordenador de Sistemas Pecuários, do governamental Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Chile, disse à IPS que,no país, ao contrário de outros da região, as limitações de superfície produtiva promoveram a intensificação dos sistemas pecuários mais do que sua expansão territorial.
“Trata-se de otimizar o uso da superfície disponível, já que essa atividade compete com outros setores produtivos, como a agricultura, o setor florestal e o imobiliário”, explicou Hepp, destacando que, embora existam no Chile muitos tipos e sistemas de produção, “uma visão de futuro necessariamente deve considerar os aspectos ambientais e sociais, além da viabilidade técnico-econômica”.
Para Hepp, na América Latina, “a sociedade está cada vez mais exigente quanto aos produtos de origem animal atenderem as condições de não serem nocivos, apresentarem boas práticas produtivas e atenção a temáticas novas, como o bem-estar animal”.E acrescentou que “as estratégias devem, provavelmente, se focar em uma forte capacitação com programas de extensão e transferência tecnológica, modelos de produção pecuária limpa, terrenos certificados em termos sanitários, sistemas de rastreamento completo e aplicação de boas práticas pecuárias”.Envolverde/IPS

Anda
31/08/2016EDIÇÃO 872
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Um amor puro
"Os animais são seres completamente indefesos e a única voz que eles têm é a nossa. A ajuda de cada um de nós, por menor que seja, faz muita diferença na..."
Karina Howlett
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Estudo Mostra Falha Que Causou Tragédia Na Barragem Da Samarco, Em Mariana


Barragem da mineradora Samarco se rompeu em Mariana e inundou a região

O rompimento da barragem ocorreu em novembro de 2015, deixou 19 mortos, poluiu a bacia do Rio Doce e inundou o distrito de Bento Rodrigues. Foto: Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

Quase dez meses após a maior tragédia socioambiental do país, a mineradora Samarco apresentou, no dia 29, o resultado de um estudo encomendado sobre as causas que levaram ao rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em novembro do ano passado no distrito de Bento Rodrigues, no município Mariana (MG). De acordo com a pesquisa, problemas de drenagem ocorriam desde 2009. Entre as tentativas de reparo, teria sido feita uma ampliação da barragem sobre base instável.
O estudo foi encomendado pela Samarco e pelas suas acionistas Vale e BHP Billiton ao escritório de advocacia dos Estados Unidos, Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP. A apresentação do relatório final foi feita por um dos quatro especialistas responsáveis, Norbert Morgenster, professor emérito de engenharia civil pela Universidade de Alberta, no Canadá.
Segundo ele, é possível que pequenos abalos sísmicos ocorridos antes da tragédia tenham sido o estopim para conclusão do processo de rompimento da barragem, que já estava avançado.

Mariana (MG) - barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais (Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação)
Foi estimado em R$ 20 bilhões o custo para recuperação dos danos socioambientais provocados pela tragédia. Foto: Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

Algumas das conclusões estão de acordo com o constatado pela Polícia Civil de Minas Gerais em investigação concluída em fevereiro. Entre elas, o estudo confirma que o rompimento ocorreu na lateral esquerda da barragem. Nesse local, um recuo da estrutura foi construído apoiado em lama, que estava ali por erros na drenagem. Sobre uma base instável, a obra foi se deteriorando até a consumação da tragédia.
O episódio, que ocorreu em 5 de novembro de 2015, deixou 19 mortos, poluiu a bacia do Rio Doce e destruiu grandes áreas de vegetação nativa. Em fevereiro, a Polícia Civil indiciou sete pessoas, entre elas o ex-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi.
Em nota, a Samarco destacou que o escritório responsável pelo estudo foi contratado sob premissa de absoluta independência. A mineradora acrescentou que colaborou plenamente com a pesquisa e que está tendo acesso aos resultados juntamente com a imprensa.
“Trata-se de um trabalho técnico complexo e detalhado, que será estudado para que comentários possam ser feitos. Qualquer manifestação nesse momento é precipitada”, finalizou o texto.
Licenças suspensas
Há duas semanas, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a suspensão temporária de todas as licenças ambientais do Complexo de Germano, pertencente à Samarco. Além da barragem rompida de Fundão, o complexo é formado pelas barragens de Germano e de Santarém, todas elas em distritos do município de Mariana.
Na mesma semana, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região anulou a homologação do acordo firmado entre União, os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, a empresa Samarco e as acionistas Vale e BHP Billiton.
As estimativas em torno do acordo apontavam para um gasto de R$ 20 bilhões ao longo de aproximadamente 15 anos para recuperação dos danos socioambientais que a tragédia provocou na bacia do Rio Doce.
A anulação da homologação havia sido pedida pelo Ministério Público Federal (MPF), que não concorda com os termos. Em maio, o órgão apresentou uma ação civil pública estimando em R$155 bilhões os prejuízos alcançados.
Por Leo Rodrigues, da Agência Brasil, in EcoDebate, 31/08/2016

EcoDebate - Edição 2.600 de 30/ agosto / 2016

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

terça-feira, 30 de agosto de 2016

DIVERSIDADE FAZ AMAZÔNIA RESISTIR AO CLIMA

Por Camila Faria, do OC –
Floresta com tipos diferentes de planta se recupera melhor após ser submetida a aquecimento moderado, conclui pesquisa, que amplia entendimento da importância da biodiversidade.
Um grupo internacional de cientistas pôde, pela primeira vez, demonstrar em larga escala que florestas com maior diversidade de características e funcionalidades de plantas têm também maior potencial de adaptação a mudanças no clima, utilizando a Amazônia como estudo de caso. O estudo, publicado no periódico Nature Climate Change nesta segunda-feira (29), reforça a importância da preservação da biodiversidade como instrumento de políticas públicas contra o agravamento da crise climática.
“É nítido que a biodiversidade não é um benefício adicional, e sim um aspecto fundamental para a sobrevivência a longo prazo das grandes reservas de biomassa da Terra, como a floresta amazônica”, afirmou Boris Sakschewski, do Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam, que liderou o trabalho. “A diversidade vegetal pode permitir que o maior ecossistema tropical do mundo se ajuste a certo nível de mudança climática – árvores que hoje são espécies dominantes, por exemplo, poderiam dar lugar a outras que seriam mais adaptadas às novas condições.”
Para estudar como a diversidade funcional de plantas contribui para a resiliência de florestas tropicais, o grupo primeiro investigou uma pequena área de floresta no Equador, com base em sua resposta, realizou simulações em computador para toda a bacia amazônica. “É um modelo bastante interessante e que traz a mensagem de que, além da diversidade de espécies numa floresta, devemos olhar para a diversidade de características e funcionalidades das plantas para a manutenção do serviço cumprido por elas”, afirma o ecólogo Daniel Piotto, da Universidade Federal do Sul da Bahia.
O modelo biogeoquímico desenvolvido, que simula ambientes florestais diversos, mostrou que essa diversidade pode permitir que a floresta se ajuste a novas condições climáticas e mantenha seu potencial de sumidouro de carbono: enquanto árvores acima de 30 m, atuais maiores contribuintes para a biomassa do ambiente, seriam reduzidas no médio prazo, a vegetação do sub-bosque, de tamanho médio e árvores mais jovens, teria oportunidade de receber mais luz e se regenerar para as novas condições. No modelo, essa mudança melhorou o equilíbrio de carbono e a taxa de sobrevivência das árvores, o que causou recuperação de biomassa e estrutura para as espécies.
A notícia, porém, não representa um alívio de preocupações: enquanto, num cenário de cumprimento das metas do Acordo de Paris e emissões moderadas, a taxa de recuperação seria em torno de 84% após alguns séculos, o dano causado por emissões em massa, sem respeito ao acordo ou aumento de ambição das propostas sobre a mesa, permitiria que apenas 13%. da área se recuperasse pelas mesmas condições.
O novo estudo é mais um de uma série de trabalhos recentes mostrando relações importantes entre biodiversidade florestal e clima. Desde o ano passado, por exemplo, pesquisas chefiadas pelo ecólogo paraense Carlos Peres, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), e pelo biólogo Mauro Galetti, da Unesp de Rio Claro, têm mostrado, entre outras coisas, que a caça de mamíferos como queixadas e antas ajuda a reduzir a dispersão de árvores grandes, diminuindo a fixação de carbono pelas matas na Amazônia. (Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

Honda amplia o uso de energia limpa em suas operações

Escritório da empresa no bairro do Morumbi, em São Paulo, passará a operar com o uso de energia elétrica advinda do Parque Eólico da Honda Energy.
Por Redação da Envolverde*
A Honda Energy do Brasil, subsidiária da Honda Automóveis do Brasil, avança em seu compromisso ambiental e anuncia que irá suprir, a partir de novembro deste ano, toda a demanda de energia elétrica do escritório da marca localizado no bairro do Morumbi, capital paulista. O edifício de 26.000 m2 possui seis pavimentos e dois níveis de subsolo e é a sede da Honda Serviços Financeiros (HSF) – operação que congrega o Banco Honda, o Consórcio Honda e Seguros Honda -, além de abrigar as áreas relacionadas às vendas de motocicletas e produtos de força.
Desde novembro de 2014, o parque eólico da Honda, situado em Xangri-Lá (RS), fornece energia limpa e renovável para o complexo de Sumaré, interior de São Paulo, onde se localizam a sede administrativa da marca na América do Sul, o centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda na região, além da fábrica de automóveis, que opera, atualmente, em sua capacidade produtiva plena de 120 mil veículos ao ano.
A expansão do fornecimento de energia para a operação do Morumbi evidencia a posição de destaque da subsidiária brasileira no grupo Honda. Em 2011, a matriz estabeleceu a meta de reduzir em 30% as emissões de CO2 de seus automóveis, motocicletas, produtos de força e também de seus processos produtivos em todo o mundo. Em uma iniciativa inédita no grupo e no setor automotivo nacional, a filial brasileira propôs a criação do parque eólico e já em 2015, conseguiu reduzir mais de 50% das emissões, atingindo assim o resultado cinco anos antes do prazo estipulado.
“A construção do Parque Eólico Honda Energy representa o comprometimento da Honda com um futuro sustentável para as próximas gerações. Foi um salto inovador que possibilitou minimizar os impactos ambientais de nossas operações. A expansão do fornecimento de energia elétrica para o escritório do Morumbi comprova a solidez desse projeto e coloca a marca mais próxima da autossuficiência em energia limpa e renovável”, afirma Carlos Eigi, presidente da Honda Energy do Brasil.
O anúncio vem acompanhado de um importante marco na trajetória da empresa. Em um ano e meio de operações, a geração acumulada do parque atingiu mais de 100.000 MW, possibilitando a incorporação da energia limpa e renovável ao processo produtivo de 215 mil automóveis da marca. Com o desempenho, 12.866 toneladas de CO2 deixaram de ser emitidos na atmosfera.
Brazil Wind Power 2016
A Honda irá ceder, pelo segundo ano, certificados de energia renovável ao Brazil Wind Power. Com isso, a principal feira de Energia Eólica da América Latina, que acontece de 30 de agosto a 1º de setembro na cidade do Rio de Janeiro, será concebida com energia de fonte renovável, neutralizando eventuais impactos ambientais envolvidos na realização do evento.
A Honda é a única empresa do setor automotivo nacional autossuficiente em energia renovável e também a obter o Certificado de Energia Renovável, cedido pela ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) e pela Abragel (Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa). Apenas empresas certificadas têm direito à posse do Selo de Energia Renovável.
O selo atesta a utilização de energia renovável nas operações da empresa, ratificando seu compromisso com a sustentabilidade. Desde o início de 2015, os automóveis da Honda são produzidos a partir de energia 100% renovável. (#Envolverde)
* Com informações da Honda.