domingo, 8 de novembro de 2015

RECONHECIMENTO : Senadora defende atuação de ativistas de direitos animais na Austrália

08 de novembro de 2015 

(da Redação da ANDA)
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
A senadora Lee Rhiannon do Partido Greens de New South Wales (Austrália) está sendo acusada de parcialidade por defender ativistas que invadiram uma fazenda de criação de porcos para conseguirem filmagens usadas em campanhas contra a crueldade animal na pecuária. As informações são do The Land.
A senadora publicou uma declaração após a polícia ter revelado que dois ativistas foram acusados de terem cometido 22 crimes no total, relacionados à entrada na fazenda sem permissão e implantação de equipamento de vídeo para filmagem secreta.
A declaração diz que um homem de Ryde e uma mulher de Adelaide deverão ser julgados no Tribunal local de Cootamundra no dia 7 de dezembro deste ano, para responder às numerosas acusações.
“Em 2013, uma fazenda de criação de porcos em Young reportou uma invasão”, disse o documento.
“O assunto foi investigado e a uma força tarefa foi criada pelas autoridades após a descoberta de que outras fazendas, predominantemente no sul do estado, também foram vítimas”, continua o relatório.
Em junho de 2015, a polícia executou uma busca extra territorial em Adelaide e simultaneamente outra foi executada no subúrbio de Ryde, em Sydney.
A equipe, liderada pelo investigador de crimes rurais de Cootamundra Paul Clancy, examinou uma grande quantidade de evidências que culminaram na imputação do homem com 17 infrações, e da mulher, com cinco.
Segundo a reportagem, a polícia alega que os dois ativistas invadiram os locais e instalaram dispositivos eletrônicos em contravenção à lei ‘Surveillance Devices Act’.
Mas a senadora Rhiannon disse que acusar os dois ativistas de direitos animais por terem entrado nas fazendas em 2013 foi “outro exemplo de punições equivocadas impostas contra aqueles que buscam expor o abuso sistêmico cometido contra os animais”.
“Mais uma vez, aqueles que procuram expor a crueldade contra os animais são punidos, enquanto as indústrias e os indivíduos culpados pelos atos maldosos continuam livres”, disse ela. “Ativistas e pessoas que denunciam não se sentiriam compelidos a realizar invasões e a se engajar em outras atividades ilegais se houvesse um monitoramento adequado do governo sobre estas indústrias”, complementou ela.
No entanto, o Senador Matt Canavan questionou as prioridades de Rhiannon sobre a questão e também acusou-a de estar empregando “dois pesos e duas medidas”.
“Eu me pergunto como a Senadora Rhiannon se sentiria se pessoas entrassem em sua propriedade apenas para checar se ela está obedecendo a lei”, disse ele, acrescentando que a atitude da senadora em defender os ativistas tem uma inclinação comunista, e sugerindo que o caso deveria ser resolvido apenas pelos tribunais e pela polícia, para implemento da lei.
Outros veículos da mídia reportaram que o homem envolvido no incidente criou um site que contém imagens e vídeos de aproximadamente 40 fazendas de criação de porcos em toda a região de New South Wales. Essas imagens estariam ajudando nas buscas aos ativistas.
Em junho de 2013, a Fairfax Agricultural Media divulgou que duas fazendas foram alvo de invasão de ativistas para coleta de imagens que seriam usadas em campanhas contra a pecuária.
O incidente foi seguido por uma série de atos similares em outras fazendas, resultando no aumento de preocupações de governos federais e estaduais. A questão também resultou em mudanças nas leis, através da imposição de penalidades mais duras para esse tipo de infração – ou seja, na criação de leis “ag gag”, também denominadas “leis da mordaça”, que punem quaisquer atos que venham a expor práticas da indústria envolvendo exploração de animais para consumo humano.
Mas a Senadora Rhiannon disse que tais leis são “uma tentativa flagrante de obstruir o processo de transparência, e tirar a atenção da crueldade cometida pela indústria em geral”.
“Nós devemos parar de proteger as indústrias e os indivíduos que lucram a partir do abuso aos animais”, disse ela.
“Se não fosse pelos esforços corajosos dos ativistas de direitos animais e dos denunciadores, nós estaríamos cegos para o abuso sistêmico cometido por essas indústrias”.
“Eu parabenizo a todos os que se comprometeram a documentar a desnecessária crueldade perpetrada contra os animais na ausência do devido monitoramento e regulamentação pelos governantes”, concluiu a senadora.

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