terça-feira, 5 de maio de 2009

É preciso construir o futuro, não sustentar o passado

Para o Greenpeace, líderes mundiais precisam adotar medidas sustentáveis para salvar a economia e o planeta “ao-mesmo-tempo-agora”.

Os líderes dos G20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo, se reúnem em Londres amanhã para discutir a crise financeira global. No entanto, esta não é a única – e nem a mais importante – crise a assombrar o planeta. Só que, pior do que não falar, é não fazer nada para combater as mudanças climáticas. “O G20 têm uma oportunidade única de resolver a crise econômica e a crise climática simultaneamente: basta investir na construção de uma economia sem carbono”, disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, no Rio de Janeiro

Trinta ativistas abriram hoje uma faixa de 50m x 30m no vão principal da ponte Rio-Niterói para enviar uma mensagem clara ao G20: “Líderes mundiais: o clima e as pessoas em primeiro lugar”.

Para o Greenpeace, as nações do G20 devem comprometer pelo menos 1% de seu PIB em medidas econômicas sustentáveis, além de abandonarem os subsídios e outros incentivos econômicos que contribuem com as mudanças climáticas. Os demais países devem fazer tudo o que tiver ao seu alcance para sair do modelo de desenvolvimento baseado em carbono por um futuro de energias renováveis. Além de reduzir emissões, tais iniciativas vão fortalecer os esforços em direção a um acordo global forte e efetivo na Convenção de Clima que acontece em Copenhague, em dezembro.
O Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa principalmente por causa do desmatamento na Amazônia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 70 milhões de hectares de floresta amazônica já desmatados na Amazônia Brasileira, cerca de 29 milhões de hectares foram destruídos depois da criação da Convenção de Clima da ONU em 1992, liberando 8 Giga tons de CO2 na atmosfera no período (1992-2009). Isso é mais do que as emissões anuais dos Estados Unidos em 2000 (6,6 Gt) e da China (5,1 Gt) e quase quatro vezes mais que o total emitido pelo Brasil (2,2 Gt) naquele ano.

“Zerar o desmatamento da Amazônia é a maior contribuição que o Brasil pode fazer na luta contra as mudanças climáticas. O Brasil deve ainda assumir a liderança apoiando o estabelecimento de um mecanismo financeiro global para acabar com o desmatamento e, consequentemente, com as emissões provenientes da destruição florestal”, disse Adario.

A ciência tem apresentado evidências claras de que as mudanças climáticas estão acontecendo em um ritmo muito mais acelerado do que se esperava e que há uma forte relação entre a sobrevivência econômica e climática do planeta. Estima-se que uma crise climática a todo o vapor resultaria no deslocamento de milhões de pessoas, ondas de fome, extinções em massa, com pobreza permanente em países em desenvolvimento e estrangulamento do crescimento econômico nos países desenvolvidos.

Os países do G20 representam 75% PIB global, 75% do consumo de energia e 75% das emissões de carbono. Mas, até agora eles parecem não entender que a contínua prosperidade de seus países não é conflitante com a preservação do meio ambiente, mas dependente dela. No longo prazo, a escolha que teremos de fazer não será entre empregos verdes e trabalho sujo, e sim entre empregos sustentáveis versus o colapso ecológico e social. “Até que as mudanças climáticas sejam a prioridade das comunicações do G20 e estejam no centro do seu raciocínio, o grupo não será apenas ignorante do ponto de vista científico, mas também do ponto de vista econômico”, disse John Sauven, diretor-executivo do Greenpeace na Inglaterra.
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