sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Caça de baleias pode voltar, denuncia o Greenpeace


Integrantes da Comissão Internacional da Baleia (CIB) preparam uma nova emboscada contra as baleias e golfinhos do mundo.

Um documento oficial, divulgado nesta terça-feira (23/02), abre uma perigosa brecha que pode permitir a volta da caça comercial das baleias, suspensa desde 1982 para controlar a matança que ameaçava diversas espécies desses animais em todo o mundo.

Nesta quarta-feira, representantes do Greenpeace e de outras organizações da sociedade civil questionaram o governo brasileiro, diretamente envolvido na formulação desse documento. A reunião foi com o ministro FábioVaz Pitaluga, representante do país na CIB, no Itamaraty.


Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos, esteve na reunião. Estiveram presentes também representantes do Ministério do Meio Ambiente, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Instituto Baleia Jubarte, Baleia Franca, Centro de Conservacion Cetacea-Brasil, Sociedade Protetora dos Animais (WSPA), Instituto Justiça Ambiental e entre outros.

Segundo o parecer de Brasília, não há nenhum acordo fechado sobre o tema, que ainda será debatido pelos membros da Comissão nas próximas reuniões. Para Pitaluga, apesar dos apelos de países conservacionistas membros do CIB, não há garantias de que a decisão final será favorável às baleias. “Essa é uma pressão política exercida pelo Japão, que não aceita abrir mão da caça ilimitada de baleias sob o argumento de pesquisa científica”, revela Leandra.

Apesar da previsão de briga no ar, Leandra voltou satisfeita do encontro: “O discurso brasileiro é bom, favorável à conservação”. A próxima reunião do CIB acontece de 02 a 04 de março, na Flórida.


O documento que ameaça a proteção das baleias foi elaborado por um grupo de trabalho da CIB formado por 12 países, entre eles o Brasil, e é um retrocesso à Moratória da Caça Comercial de Baleias de 1982. O texto maquia a CIB como avançada, pois proíbe a caça para fins científicos, desculpa usada pelo Japão para na prática caçar baleias para consumo.

A contrapartida acachapante é a liberação da caça comercial com cotas. “O acordo beneficia claramente o Japão, pois coloca na legalidade uma prática que eles já realizam ilegalmente”, explica Leandra. “Pior ainda: as cotas serão propostas com justificativa duvidosa, a caça científica.”

A proposta é colocar a caça de grandes baleias sob o controle da CIB em dez anos, período em que serão estabelecidos seus limites e cotas, assim como um programa internacional de observação. Porém, o documento está coalhado de buracos, pois não apresenta nenhuma sugestão de quanto essas cotas poderão vir a ser. E a ausência, nesses casos, é a cama do Diabo.

“O texto traz uma tabela de limites de caça para cada um dos próximos dez anos, com as cotas previstas para a Antártida sob o rótulo de ‘a ser decidido’. O único número que deveria ser decidido é zero”, diz John Frizell, coordenador da campanha de baleias no Greenpeace.

Contradições internas

Formada em 1946 por 15 países interessados em fortalecer a indústria baleeira, a comissão passou a controlar a caça na década de 1980 pois, se mantida fosse, baleias já teriam sido extintas da face da Terra. Desde então, países com sanha caçadora, capitaneados pelo Japão, pressionam a CIB para regredir seu pensamento em 60 anos e abdicar de suas posturas ambientais.

Dois santuários de proteção de cetáceos foram criados, o do Oceano Índico, em 1970, e o do Oceano Antártico, em 1994. O grupo conservacionista da CIB hoje é composto por 42 países. Os baleeiros são 33 países e, apesar de minoria, conseguem manter o desrespeito permanente da moratória da caça praticada pelo Japão, que mata usando o disfarce de “fins científicos”. A mentira foi exposta por ativistas do Greenpeace no Japão, Junichi Sato e Toru Suzuki, que passam atualmente por um julgamento de cunho puramente político e correm o risco de passar mais de 10 anos na cadeia.

Como são necessários ¾ dos votos para qualquer nova aprovação, o duelo de forças dentro da comissão impede que o debate avance. Enquanto isso, há dez anos o Japão pratica a compra de votos de países menores, com o objetivo de ganhar força dentro da comissão. “A CIB é uma organização que vive todo ano o mesmo impasse. Nada consegue ser aprovado. Apenas as baleias saem perdendo”, afirma Leandra.
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FONTE :(Envolverde/Greenpeace)

Um comentário:

Suziley disse...

Não à caça das baleias; não a atribuição de culpa à baleia Orca Tilikum no acidente ocorrido, nesta semana, no SeaWorld, em Orlando na Flórida (USA); não a todo tipo de violência contra elas, as baleias. A Tilikum elaborei um texto poético. Publiquei no blog http://arslitterayelizus.blogspot.com Vamos dizer NÃO a todo tipo de exploração dos animais!
Um grande abraço, :)
Suziley.