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domingo, 8 de novembro de 2015

PORTO ALEGRE,RS : ATIVISTAS PROTESTAM CONTRA EXPOSIÇÃO DE PAPAGAIOS EM OBRA DA BIENAL




Durante 2 horas deste sábado, 7, ativistas ficaram diante da obra “Tropicália”, de Hélio Oiticica (1937 - 1980), instalada no térreo da Usina do Gasômetro, em protesto à exposição de dois papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) em um viveiro.
O objetivo do ato pacífico foi chamar a atenção do público que visitava a 10ª Bienal do Mercosul para a exploração destes animais, comprados como pets. “Além de serem vítimas do tráfico, a exibição das aves como arte não é educativa, principalmente para as crianças, que vão ver os pássaros enjaulados, não voando livres na natureza”, explicou a jornalista Gelcira Teles. 
Originalmente, a obra de 1967, um labirinto “penetrável”, com arquitetura semelhante às favelas e palafitas, e plantas tropicais características, tinha araras. “Se é uma remontagem, poderiam ter usado bichos de pelúcia ou de outro material”, avaliou o artista plástico Juan Curvalán.
Os visitantes apoiaram o protesto, registrando fotos, conversando e até abraçando os ativistas. Um estudante de biologia sugeriu que as aves sejam encaminhadas a um Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) para reabilitação.
Papagaiada
Desde a abertura da Bienal, em 23/10, defensores dos animais e ambientalistas têm mostrado sua discordância com a exposição dos pássaros. No dia 2, a vereadora Lourdes Sprenger ingressou com processo cautelar na 3ª Vara Civil do Foro Central, para que a Bienal retirasse os papagaios. E no dia 3, registrou protocolo para que a Seda (Secretaria Especial dos Direitos Animais) cumprisse o art. 45 da Lei Complementar 694/2012, que proíbe “a exibição de animais silvestres ou exóticos em vias públicas, bem como utilização deles em apresentações artísticas de diversão pública”. Lourdes lembra que há um precedente legal para a retirada dos animais. Em 2010, a Justiça do Rio de Janeiro acatou uma ação da prefeitura da capital fluminense com o argumento de que “a mera exposição dos animais revela-se inadequada, porquanto o meio escolhido impinge sofrimento aos animais, uma vez que permanecerão expostos em ambiente hostil, dada a grande circulação de pessoas no local”. 
Atendendo ao pedido da parlamentar, na sexta-feira, 6, agentes da Seda entregaram intimação à Fundação Bienal do Mercosul, estabelecendo o prazo de 12 horas para a retirada das aves. Tendo se esgotado o prazo, durante todo o ato os papagaios permaneceram lá, com intensa movimentação de público, e enquanto do lado de fora da Usina ocorriam shows de rock. 
“Embora a exposição seja autorizada e os papagaios sejam provenientes de criadouro legalizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a lei municipal proíbe e deve prevalecer para beneficio dos animais”, finalizou Gelcira.
A 10ª Bienal do Mercosul segue até 6 de dezembro.


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