sexta-feira, 31 de julho de 2009

Estudo reforça ligação entre aumento do nível do mar e aquecimento global


Segunda a nova pesquisa, que foi publicada nesta semana (31 de julho de 2009) no periódico Nature Geoscience, os oceanos devem subir entre 7 e 82 centímetros neste século, levando em conta um aumento de temperatura variando de 1,1°C a 6,4°C.

Intitulado “Constraints on future sea-level rise from past sea-level change”, o estudo realizado pelo pesquisador Mark Sidall da Universidade de Bristol avaliou corais fossilizados e medidas de núcleos de gelo para calcular a variação dos oceanos nos últimos 22 mil anos.

A pesquisa vem reforçar os alertas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que desde 2007 avisa que os oceanos devem subir de 18 a 59 centímetros até 2100.

O IPCC afirma que o nível do mar vai subir conforme o aumento da temperatura. Portanto, a situação será mais grave se o homem continuar a liberar imensas quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera agravando o aquecimento global.

Países localizados em ilhas ou com baixa altitude, assim como regiões de deltas de rios, deverão enfrentar conseqüências catastróficas se o oceano realmente subir algo próximo aos 50 cm.
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FONTE : Redação do Carbono Brasil (Envolverde/Carbono Brasil)

Egito: O sol pode iluminar o futuro


O Egito está em uma das regiões com maior radiação solar do mundo, mas em lugar de aproveitá-la para gerar energia ainda depende em boa parte dos combustíveis fósseis. “Há muito potencial não aproveitado aqui”, disse Amr Mohsen, presidente e diretor-geral da Lótus Solar Technologies, empresa egípcia especializada em energia solar. “Há muito sol e a região tem tudo que é necessário para produzir o quilowatt/hora mais barato”, acrescentou. O Egito fica no “cinturão solar” da África setentrional, tem uma topografia desértica plana e céu claro durante grande parte do ano.

A concentração anual dos raios solares é, em média, de 2.300 quilowatts por metro quadrado no Egito, cerca de 130% do existente na Alemanha. Mas usa-se menos de 10% de tecnologia solar por habitante nesse país. O Egito depende das escassas reservas de gás e petróleo para cobrir mais de 85% do consumo elétrico. Este país pretende que 20% da demanda sejam atendidos por fontes renováveis até 2020. Mas, nessa proporção, a radiação solar representa apenas 2%, o restante se refere a energia hidrelétrica e eólica.

Os painéis fotovoltáicos, que produzem eletricidade a partir dos raios do sol, são usados para fazer funcionar dispositivos de baixo consumo como estações repetidoras de telecomunicações e cartazes de publicidade na via pública, mas, não se consegue impor iniciativas de uso domestico como os aquecedores solares de água. No Egito, esses dispositivos ocupam “entre 400 mil e 500 mil metros quadrados para uma população de 80 milhões de habitante, mas metade das unidades não funciona”, lamentou Mohsen. “Por outro lado, em Israel cobrem seis milhões de metros quadrados para seis milhões de pessoas”, acrescentou.

A pouca aceitação desses dispositivos obedece a uma variedade de fatores, explicou o especialista, desde o alto custo do investimento inicial, passando pelo medo de riscos até a resistência dos moradores de prédios a compartilhar a pequena área de terraço. “Cerca de 90% das torres residenciais deste país são de cinco andares ou mais, com uma população muito diversa”, disse Mohsen. “O teto é usado principalmente para colocar antenas parabólicas e de televisão”. Um aquecedor solar de água de 360 litros, que cobre o gasto diário de uma família pequena, ocupa seis metros quadrados e custa US$ 1.200. “As pessoas não os compra pelo alto custo inicial e não há incentivos do governo”, disse, por sua vez, Gamil nazir, técnico de vendas do Sistema de Energia Solar do Egito.

A maioria dos aquecedores está instalada em comunidades construídas nos arredores das grandes cidades devido a uma decisão ministerial de meados da década de 80 que impôs sua obrigatoriedade. Foram instaladas cerca de 50 mil unidades, mas estima-se que a maioria não funcione ou esteja desligada, disse Nazir. Foi uma boa decisão, reconheceu Mohsen, mas a má qualidade dos aquecedores desanimou as pessoas. O uso industrial da energia solar continua sendo um de seus grandes potenciais sem explorar. “Mais da metade do combustível fóssil usado no Egito é destinada a aquecer água ou gerar vapor, precisamente a função dos dispositivos solares”, ressaltou Mohsen.

Os aquecedores servem perfeitamente para pasteurizar leite, esterilizar garrafas e fazer funcionar lavadouros em dezenas de milhares de fabricas e empresas. A primeira empresa egípcia que substituiu o óleo combustível das caldeiras geradoras de vapor por aquecedores solares foi um laboratório farmacêutico que começou a operar em 2004. Mas o projeto experimental, com dois mil metros quadrados de painéis refletores, foi frustrado devido à péssima localização determinada pelas autoridades. As filas de espelhos parabólicos foram colocadas dentro de um complexo industrial militar, onde recebiam partículas corrosivas emitidas por uma das fabricas. A caldeira solar gerou vapor e permitiu comprovar a viabilidade do projeto, apesar de não se ter contemplado o delicado revestimento dos refletores.

Salvo por algumas instalações turísticas em áreas distantes deste país, as empresas locais se mostram resistentes a testar a energia solar por questões de espaço e pelo alto custo da tecnologia. Muitas empresas desconhecem os incentivos financeiros estatais para a energia solar. As fábricas que usam fontes de energia limpa podem aspirar receber um subsidio do Centro de Modernização Industrial, que fica no Cairo e que chega a 15% do custo da reconversão. Também podem conseguir financiamento pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e em vigor desde 2005, que permite aos países industrializados investir em projetos de redução de gases estufa no Sul em desenvolvimento em lugar de reduzir emissões em seu território.

A disponibilidade de gás e petróleo subsidiado barato faz com que as empresas não tenham incentivos para mudar para a energia solar, explicou Mohsen. “Com os subsídios, o capital inicial para abandonar o óleo combustível é recuperado em 10 anos, se for gás natural é de seis. Mas se for eliminada a subvenção deste último, o prazo diminui para quatro anos. Nesse caso, as pessoas iriam pensar melhor”, acrescentou. O Egito está redigindo uma nova legislação para regular o setor elétrico que prevê eliminar os subsídios e, pela primeira vez, subvencionar as energias renováveis. Mas o que realmente pode fazer a diferença é reformar as disposições municipais que regem as novas construções.

“As autorizações de construção não devem ser dadas se as novas edificações não preverem aquecedores solar de água nos tetos”, disse o diretor da Agência de Assuntos Ambientais, Hisham El-AGamawy. “Será um incentivo para que os proprietários e construtores pensem verde”, disse. Após uma grande demora começou a construção de uma usina de energia termosolar em Kureimat, 95 quilômetros ao sul do Cairo, que irá gerar eletricidade mediante dois ciclos termodinâmicos coexistentes. A turbina de gás gerará 150 megawatts e a caldeira solar de vapor outros 20. A pouca energia solar empregada não permitirá avaliar a viabilidade comercial do modelo, segundo alguns críticos, mas permitirá adquirir experiência para futuras iniciativas.

Por fim, o Egito é um dos candidatos a participar de um projeto de aproximadamente US$ 550 bilhões para construir usinas termosolares nos desertos da África setentrional para cobrir 15% das necessidades de energia elétrica da Europa até 2020. Os egípcios começam a pensar que, se para os europeus é viável gerar energia solar térmica neste país e levar por milhares de quilômetros até seu território, o modelo pode chegar a ser útil no contexto local.
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FONTE : Cam McGrath, da IPS (Envolverde/IPS)

O QUE FAZER DO LIXO ELETRÔNICO ?


Quando chega o fim da vida útil de artigos eletrônicos, quem deve se responsabilizar pelo descarte adequado desses produtos? Será a população, os fabricantes ou o poder público? Na verdade, todos devem ter sua parcela de comprometimento: os consumidores precisam fazer um uso racional desses equipamentos, empresas têm de orientá-los sobre o destino final, e cabe ao governo regulamentar esse processo de descarte. Essa é a ideia defendida por entidades, grupos da sociedade civil e políticos interessados no assunto. No entanto, esses papéis ainda não estão bem definidos.

Para Rodrigo Baggio, empreendedor social, fundador e diretor-executivo do Comitê para Democratização da Informática (CDI), a solução desse impasse ainda não está pronta. De acordo com ele, é preciso um amplo debate entre todos os segmentos sociais, que devem lidar de modo crítico, atento e responsável. “Em geral, numa sociedade cujos atores e setores ainda não se sentem suficientemente autônomos, uns ficam esperando os outros encontrarem uma solução. Então, ninguém toma a questão para si e dá o primeiro passo”, afirma.

Felipe Andueza, membro do projeto lixoeletrônico.org, também acredita que todos os setores da sociedade devem assumir sua responsabilidade. O grupo criou o Manifesto do Lixo Eletrônico, cuja proposta é incluir esses equipamentos no Projeto de Lei 203/91, em tramitação na Câmara dos Deputados, que obriga a logística reversa e deposição adequada de produtos com potencial de contaminação. Andueza comenta que estudo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estima que apenas 1% dos eletrônicos do mercado formal consumidos no Brasil são reciclados. Dada a gravidade do problema, ele assegura que há muito a ser feito.

“As pessoas, como cidadãs, podem cobrar políticas públicas eficientes. Já como consumidoras, podem pressionar os fabricantes a aceitarem os equipamentos que produziram. As empresas fabricantes de eletrônicos devem se responsabilizar pelo ciclo reverso de seus produtos e, como consumidoras, devem dar o melhor destino a seus descartes tecnológicos. Enquanto o poder público deve regulamentar políticas públicas eficientes na área, consumir eletrônicos com certificação ambiental e promover a reciclagem e a conscientização da população”, considera Andueza.

Consumo e lixo

O deputado estadual de São Paulo, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), autor do Projeto de Lei 33/2008, sancionado pelo governador José Serra em julho de 2009 e que institui normas e procedimentos para a reciclagem, o gerenciamento e a destinação final de lixo tecnológico, entre outras providências, explica que é necessário compatibilizar o avanço produtivo e da tecnologia com a preservação do meio ambiente. “Sabemos do papel estratégico do Brasil como um dos quatro países do mundo, com China, Rússia e Índia, com maior potencial de desenvolvimento econômico nas próximas décadas. E é claro que esse desenvolvimento inclui a questão da ampliação do acesso à tecnologia”, comenta.

De acordo com Barbosa, dados apontam que foram comercializados no Brasil cerca de 12 milhões de computadores somente em 2008, contra os 10 milhões no ano anterior. Ainda em 2007, os brasileiros compraram 1.912 milhão de laptops, o que representou um salto de 183% sobre as vendas de 2006. “Calcula-se que o mercado brasileiro possua 140 milhões de aparelhos celulares em operação. Isso sem contar a venda de televisores, que bate recordes sucessivos todos os anos. O problema é que o tempo atual de obsolescência desses equipamentos é de dois a quatro anos”, pondera.

O consumo exacerbado e a menor vida útil dos artigos eletrônicos implicam o agravamento da situação. “Especialistas das áreas de tecnologia e de meio ambiente preveem que o País deve enfrentar, nos próximos cinco anos, uma enxurrada de lixo tecnológico; situação que já se tornou um problema grave para os Estados Unidos e países europeus. São Paulo, como o maior pólo consumidor desses equipamentos no País, deverá ser o estado mais afetado nos próximos anos pela questão”, salienta.

Para o deputado, os consumidores devem ter conhecimento da composição dos produtos que levam para casa. Isso porque alguns materiais possuem grande concentração de agentes químicos altamente nocivos ao meio ambiente e à saúde da população. “O arsênico presente nos celulares ou o chumbo dos computadores e dos televisores pode causar desde danos ao sistema nervoso até o câncer, por exemplo”, completa.

Falta de regulamentação

Rodrigo Baggio lembra que, no Brasil, não há uma legislação em âmbito federal que trate claramente do papel das empresas no que se refere à fabricação, ao recolhimento e ao descarte desses produtos. “Estamos muito atrasados nessa questão, sobretudo em função da crescente venda de computadores e periféricos e do menor tempo de vida útil dos equipamentos. Mas já existem leis municipais e estaduais, sobretudo em grandes centros de consumo como Rio de Janeiro e São Paulo, que se reportam à responsabilidade das empresas fabricantes”, avalia o fundador do CDI.

O deputado de São Paulo explica que o projeto sancionado em julho pelo governador José Serra prevê que os estabelecimentos comerciais possuam pontos de coleta de equipamentos. “Esse é um arranjo que deve ser estabelecido entre os comerciantes e as empresas e/ou importadores com os quais eles trabalham”, emenda Barbosa. A ideia do projeto é que o consumidor entregue o equipamento usado na loja em que foi adquirido, por exemplo, e o comerciante encaminhe para o produtor. “Nada impede, no entanto, que os fabricantes e importadores disponibilizem números de telefone que o consumidor possa acessar para que o produto seja retirado na residência da pessoa, como algumas empresas já fazem em vários países”, acrescenta.

Apesar de considerar imprescindíveis as leis que atentem empresas e cidadãos para suas responsabilidades com o lixo, Baggio lembra que elas não têm papel educativo, medida crucial para resolver a situação. Para ele, consumidores conscientes têm o poder de escolher melhor e de lutar por condições econômicas, sociais e ambientais mais corretas e justas. “O cidadão comum não tem o direito de jogar seu equipamento velho em qualquer terreno, apenas transferindo o problema de lugar. Por isso, é preciso disponibilizar postos de coleta, formas de recolhimento e, principalmente, informação a respeito do assunto. Afinal, estamos na era do conhecimento, com muito mais facilidade para nos comunicarmos e expressarmos. Devemos usar isso a favor da construção de uma postura mais cidadã e de uma vida com mais qualidade e dignidade”, opina.

Segundo Baggio, o CDI estuda esse tema com apoio de professores e especialistas. O objetivo da entidade é contribuir para aprofundar a qualidade das informações e das discussões. “Estamos distantes de uma solução ideal. Será que é mais conveniente cuidar do lixo aqui ou mandar para fora? As próprias empresas fazerem ou terceirizarem o serviço? Para onde estão enviando o que sobra dos computadores, e quem manipula esses restos? São perguntas a serem respondidas, mas com o apoio do poder público, sem dúvida”, discorre.

Uma notícia publicada pela Agência Estado no domingo, 26 de julho, revela que os Estados Unidos exportam 80% de seus resíduos eletrônicos para países pobres, incluindo o Brasil, com a maior quantidade desembarcando na China. Os números da consultoria suíça Basel Action são ainda mais alarmantes e citam que os chineses ficam com 90% do lixo norte-americano, além de produzirem anualmente 1 milhão de toneladas.

Atuação dos produtores

Marcus Nakagawa, assessor de Sustentabilidade da Philips afirma que a empresa entende a necessidade de se buscar continuamente o melhor aproveitamento dos equipamentos tecnológicos fora de uso. Por isso, a companhia criou o Ciclo Sustentável Philips, um programa destinado a recolher e reciclar os aparelhos eletrônicos da marca que estejam obsoletos. “Os equipamentos entregues nos postos credenciados receberão a correta destinação e, sempre que possível, a reciclagem. O programa visa a minimizar o impacto ambiental e a produção de lixo, promovendo sustentabilidade e bem-estar”, explica, acrescentando que o piloto da iniciativa foi lançado em Manaus (AM), em 2008, e será estendido para o restante do País após a análise dos resultados.

Por intermédio do programa de preservação ambiental, instituído há dez anos para, inicialmente, receber baterias, a Motorola já recolheu 280 toneladas de componentes eletrônicos para reciclagem. Essa é uma iniciativa mundial da companhia para descarte adequado de acessórios e aparelhos fora de uso. De acordo com informações da empresa, foram retiradas 30 toneladas de material nos postos de coleta instalados nas 120 lojas do Serviço Autorizado Motorola de todo o País em 2008. Por considerar o programa um sucesso, a empresa criou o ECOMOTO em 2007. A iniciativa prevê que, após a coleta do material cuja vida útil tenha terminado, os componentes sejam analisados e classificados para o processo de reciclagem e algumas substâncias, como cobre, ouro, bronze e ferro, recuperadas.

A IBM também possui uma política voltada para o descarte adequado dos resíduos de sua produção e também dos equipamentos que ficam nos clientes. Segundo comunicado da empresa, desde 2000 os monitores deixaram de ser enviados para aterros sanitários. A companhia passou a armazenar esses equipamentos até identificar uma tecnologia ambientalmente correta para efetuar a destinação final. Em 2008, 180 toneladas de monitores começaram a ser enviadas para reciclagem. Nesse processo, o vidro, por exemplo, se transforma em bolinhas de gude.

De acordo com Nakagawa, a Philips busca estabelecer uma convergência de forças com fornecedores, clientes, funcionários e parceiros para compreender os dilemas da sustentabilidade. E, nesse processo, a Comunicação Corporativa tem muito a contribuir. “Essa área é de vital importância para a difusão da conscientização tanto do público interno da empresa quanto do público externo a respeito das políticas que visam à sustentabilidade, que é parte integrante de nossos negócios globalmente. Ela impulsiona a criação e o desenvolvimento de soluções e de produtos com maior eficiência energética e responsabilidade socioambiental. A sustentabilidade é a garantia de manutenção de mercados e negócios futuros da empresa”, completa.
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FONTE : Gabriela Bittencourt, do Nós da Comunicação (Envolverde/Revista Plurale)

Mudança climática: Público mundial quer urgência dos governos


Uma média de 60% dos 19 mil entrevistados em 19 países representativos de todo o mundo consideram que a mudança climática é uma alta prioridade, e apenas 18% acreditam que seus governos levam a questão a sério. A pesquisa feita entre abril e começo deste mês pelo WorldPublicOpinion.org, projeto do Programa de Atitudes Políticas Internacionais (Pipa) da Universidade de Maryland (EUA), constatou que maiorias de entrevistados em 16 países analisados querem que seus governos dêem mais atenção ao assunto.

Entre os países onde os pesquisados desejam que as autoridades priorizem a mudança climática estão China, Estados Unidos e Rússia, alguns dos principais emissores de gases causadores do efeito estufa, que, segundo a maioria dos cientistas, são a causa do fenômeno. Os resultados do estudo são conhecidos cinco meses antes da conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Copenhague, convocada para desenhar um acordo sobre redução de emissões de gás estufa para suceder o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Doze por cento dos entrevistados consideram que os governos deveriam minimizar a prioridade que dão à mudança climática, enquanto 18% consideram que o assunto recebe atenção apropriada. “Muitos líderes de governos expressam preocupação porque dizem acreditar que os habitantes de seus países não estão realmente preparados para absorver o custo de lutar contra a mudança climática, mas a maioria do público mundial parece impaciente porque esses mesmos governos não fazem o suficiente para atacar o fenômeno”, disse o diretor do Pipa, Steven Kull.

Uma pesquisa feita com mais de 26 mil entrevistados divulgada esta semana pelo Projeto sobre Atitudes Mundiais Pew constatou que grandes maiorias em cada um dos 25 países analisados consideram o aquecimento global um problema “sério” e “muito sério”. O estudo também confirma que a preocupação com as mudanças nos padrões climáticos mundiais cresceu bastante em muitos dos países desde que foi feita a primeira pesquisa a respeito, no ano passado.

Mas este estudo diz que a preocupação do público dos países que mais gás estufa emitem é menor do que nos demais: 44% dos entrevistados norte-americanos e 30% dos chineses consideram que é um problema “muito sério”, as menores proporções entre os países analisados. Por outro lado, dois terços dos entrevistados na Índia – outro grande emissor – o qualificou de “muito sério”, e os entrevistados no Brasil foram, de longe, os mais preocupados: nove em cada 10 o consideraram “muito sério”. Sessenta e dois por cento dos chineses ouvidos na pesquisa, 56% dos russos e 52% dos norte-americanos querem que seus governos façam mais para combater a mudança climática, segundo o Pipa.

O desenho deste estudo implicava pedir aos entrevistados para situar a importância que davam ao problema em uma escala de zero (para nada prioritário) a 10 (prioridade muito alta). A média mundial foi de 7,3. As maiores pontuações corresponderam a México (9,09), China (8,86), Turquia (8,34) e França (8,03). As menores foram nos Estados Unidos (4,71), Palestina (4,91) e Iraque (5,14). Na maioria das nações predomina a opinião de que os governos devem aumentar a prioridade que dão à mudança climática em suas políticas. Os países onde o público discorda desse ponto de vista foram Iraque, Quênia, Ucrânia e Estados Unidos. Mas, em nenhuma nação houve mais de um em cada três entrevistados para quem este fenômeno deveria ser deixado de lado da lista de prioridades políticas.

Oito em cada 10 entrevistados sul-coreanos, 79% dos mexicanos, 77% dos britânicos e taiwaneses, 76% dos franceses e 70% dos nigerianos querem a mudança climática fique entre as principais prioridades de seus governos. A Alemanha foi a exceção: mais de 8 em cada 10 pessoas ouvidas consideram que para o governo o assunto já é prioritário. Mas, a pesquisa Pew calcula que seis em cada 10 entrevistados nesse país consideram a mudança climática um sério problema e 77% disseram que o governo deve proteger o meio ambiente, embora isso afete o crescimento econômico e cause perdas de empregos.

O estudo Pew não constatou um consenso sobre a disposição do público em paga mais pela energia que consome para combater a mudança climática. Maiorias absolutas ou relativas em 14 das nações analisadas – a maioria européias e asiáticas – concordaram que “as pessoas devem estar dispostas a pagar mais caro para lidar com a mudança climática mundial”. Porém, as maiorias se pronunciaram pela posição contrária em 11 países, especialmente Egito, Jordânia, Indonésia, Argentina e México.
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FONTE : Katie Mattern, da IPS (IPS/Envolverde)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Milho com oito genes diferentes


Berlim, 30/07/2009 – O uso da variedade mais complexa de milho transgênico foi aprovado no Canadá e nos Estados Unidos sem uma investigação sobre seus potenciais riscos para a saúde e o meio ambiente, alertaram ativistas. Nem os funcionários de saúde norte-americanos nem os canadenses avaliaram a segurança do novo milho geneticamente modificado SmartStax, resultado de uma colaboração entre as empresas Monsanto e Dow AgroSciences, diz a Rede Canadense de Ação Biotecnológica (CBNA), uma organização não-governamental com sede em Ottawa. Dow AgroSciences é uma subsidiaria da The Dow Chemical Company. No DNA (ácido desoxirribonucléico) deste milho forma introduzidos oito novos genes, acrescentou.

O Health Canada, o ministério canadense de saúde, “nem mesmo autorizou oficialmente sua liberação no sistema alimentar”, disse à IPS Lucy Sharratt, coordenadora da CBAN. “Estão sendo ignorados os questionamentos sobre os riscos”, acrescentou. Segundo Sharratt, os reguladores canadenses não fizeram as avaliações correspondentes simplesmente porque as oito novas características introduzidas foram aprovadas antes de maneira individual. Embora seja a primeira vez que estejam combinadas em uma variedade de milho, as autoridades conferiram uma espécie de passe livre.

“Isto constitui uma falta crucial de compreensão da biologia e da complexidade da biotecnologia”, disse Sharratt. E também revela uma falha grave no sistema regulatório canadense. “O Health Canada abdicou de sua responsabilidade se omitiu sobre os potenciais riscos sanitários de ingerir em um só milho oito alterações genéticas”, ressaltou. O SmartStax combina, pela primeira vez, genes para tolerar herbicidas (glufosinato e glifosato) e resistentes a insetos em uma única variedade de sementes. Isto permite o mais amplo controle de insetos e das ervas daninhas, segundo comunicado de imprensa divulgado pela Monsanto.

“Este é um passo-chave para ajudar os agricultores a duplicarem seus rendimentos de maneira sustentável até 2030, para atender a crescente demanda por grãos para alimentos e combustível”, disse Robb Fraley, chefe de tecnologia e vice-presidente executivo da Monsanto. O lançamento do produto no próximo ano “representará a maior introdução de uma semente biotecnológica de milho na historia da agricultura”, acrescentou a companhia. Em 2010 poderão ser plantados até 1,6 milhões de hectares com sementes SmartStax no Canadá e nos Estados Unidos.

A CBAN disse que o Canadá deve retirar imediatamente a autorização para a venda da nova semente transgênica, porque a avaliação de segurança dos cultivos com múltiplas características genéticas introduzidas faz parte das normas do Codex Alimentarius, estabelecidas pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e a Alimentação (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Combinar muitos atributos transgênicos de uma vez pode levar a efeitos não desejados e prejudiciais para a saúde, por exemplo, criando novas alergias ou toxinas, ou exacerbando alergias existentes”, disse o especialista Michael Hansen, da Consumer Union, uma organização não-governamental com sede nos Estados Unidos.

“Este cultivo transgênico deveria ter sofrido uma avaliação de segurança, tal com recomenda o Codex”, disse Hansen em uma entrevista, mas, as regulamentações norte-americanas não exigem avaliação alguma em matéria de saúde e segurança porque os cultivos geneticamente modificados são considerados da mesma maneira que os comuns, apesar de combinarem genes novos, explicou. “A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos nem mesmo deu uma olhada no SmartStax”, ressaltou Hansen. Nos Estados Unidos, qualquer estudo sobre segurança e nutrição feito pela Monsanto e pela Dow não tem motivo para ser divulgado nem mostrado aos reguladores, aos quais apenas cabe ver um resumo. Além disso, não podem ser feitos estudos independentes sem permissão das companhias. “É ilegal um agricultor dar sementes aos pesquisadores sem permissão das empresas”, disse Hansen.

Em maio, a Academia Norte-americana de Medicina Ambiental (AAEM) reclamou uma moratória imediata para este tipo de produto. Seu documento conclui que existe “mais do que uma associação casual entre os alimentos geneticamente modificados e os efeitos adversos na saúde”, e que “os alimentos transgênicos representam um sério risco sanitário nas áreas de toxicologia, alergias e função imunológica, saúde reprodutiva e saúde metabólica, fisiológica e genética”. Para Amy Dean, integrante da direção da AAEM, “Multiplos estudos em animais mostram que os alimentos transgênicos causam danos a vários sistemas de órgãos no corpo. Com esta evidência crescente, é imperativo adotar uma suspensão da distribuição de alimentos geneticamente modificados, pela segurança da saúde de nossos pacientes e do público”.

Além do mais, segundo as normas internacionais de intercâmbio, sem uma nova avaliação de segurança para este milho transgênico outros países podem rechaçar a variedade SmartStax sem infringir as regras da Organização Mundial do Comércio, disse Hansen à IPS. Tampouco parece que as autoridades canadenses tenham avaliado o risco ambiental. “Isto confirma que o milho passou por cima dos processos existentes de avaliação científica que já haviam sido considerados insuficientes pelo Painel de Especialistas da Sociedade Real do Canadá em 2001”, disse Sharratt. A coordenadora do CBAN se referia ao painel de cientistas formado pela Sociedade para avaliar a regulamentação e a segurança dos novos produtos transgênicos. Foi a primeira avaliação independente realizada neste país.

Cinco anos depois de os cultivos transgênicos aparecerem no mercado do Canadá, esse informe de 2001 acertou um duro golpe nas autoridades sanitárias e da Agência Canadense de Inspeção Alimentar, que permitiram cultivar variedades geneticamente modificadas. Pouco mudou desde então, e a Agência não pode explicar sua decisão de não impedir avaliações do risco ambiental para o SmartStax, disse Sharratt. “Este escândalo expõe ao mais profundo e perigoso descuidos o Health Canada perante os riscos dos alimentos transgênicos”, concluiu.
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FONTE : Stephen Leahy, da IPS (Envolverde/IPS)

CASTRAÇÃO DE ANIMAIS : DESABAFO



Para todos os meus amigos que adoram seus animais de estimação, para que vejam os absurdos que muitas pets fazem!
Recebi este e-mail da minha amiga jornalista Ana Elizabeth Simões, de Joinville, SC, que me repassa o desabafo de sua amiga CRISTINA NOGUEIRA. Por ser cachorreiro convicto há quase meio século, tenho sensibilidade para entender a morte do animal dela. Transcrevo o desabafo e as fotos do seu bichinho. Que sirva de alerta !
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"OI PESSOAL,

RECEBI O EMAIL "VERDADES E MENTIRAS SOBRE CASTRAÇÃO" DO MEU AMIGO BAGGIO, QUE POR SUA VEZ RECEBEU DA VIVIANE, OLHEI TODOS OS EMAILS EM ANEXO E IMAGINEI QUE TODOS SE IMPORTAVAM COM OS ANIMAIS, OU TALVEZ TIVESSEM ANIMAIS COM OS QUAIS TIVESSEM UM VÍNCULO DE AFETO.

LI O MATERIAL SOBRE CASTRAÇÃO E ME LEMBREI QUE HÁ UMA SEMANA PERDI MINHA CACHORRINHA NA MESA DE OPERAÇAO POR CONTA DE UMA CASTRAÇÃO. SOUBE DE SUA MORTE POR TELEFONE, QUANDO O VETERINÁRIO DISSE QUE TINHA UMA PÉSSIMA NOTÍCIA A ME DAR: MINHA CACHORRA TINHA MORRIDO POR PARADA CARDÍACA. FIQUEI EM CHOQUE, ATÔNITA E LÓGICAMENTE ARRASADA.....SÓ QUEM TEM UM CÃOZINHO, UM GATINHO OU QUALQUER ANIMAL DE ESTIMAÇÃO SABE O AMOR, O CARINHO E O APEGO QUE CONSTRUIMOS. DEPOIS DE UNS 4 DIAS É QUE CONSEGUIA FALAR SOBRE O ASSUNTO SEM CHORAR.

DEPOIS DE UMA SEMANA E DE MUITAS CONVERSAS, DESCOBERTAS E REFLEXÕES SOBRE O ACONTECIDO RESOLVI ESCREVER ESSE EMAIL PARA DIZER QUE O QUE MAIS ME ASSUSTA NÃO É A OPERAÇÃO DE CASTRAÇÃO, MAS "QUEM" É QUE ESTÁ REALMENTE APTO PARA FAZÊ-LA, BEM COMO LEVANTAR UMA QUESTÃO: VOCÊ CONFIA PLENAMENTE NA PET SHOP EM QUE DEIXA SEU CÃOZINHO, OU VAI CONFIAR PLENAMENTE - COMO EU FIZ - PARA OUVIR DO VETERINÁRIO QUE O QUE OCORREU FOI UMA FATALIDADE? FATALIDADE PRA MIM É TROPEÇAR, CAIR E MORRER, O RESTANTE É FALTA DE PROFISSIONALISMO, FALTA DE RESPONSABILIDADE E NEGLIGÊNCIA. DEPOIS DA MORTE DELA DESCOBRI QUE MAIS 4 CACHORROS MORRERAM NA MESMA PET E COMECEI A PERCEBER O ÓBVIO....O ANIMAL NÃO FALA....PORTANTO NÃO PODE DIZER SE ESTÁ OU NÃO GOSTANDO DO "SERVIÇO" RECEBIDO (QUE É PAGO POR NÓS), ELE NÃO DIZ SE FICA PRESO NUM ESPAÇO QUE MAL PODE SE MEXER DPS DO BANHO, ELE NÃO DIZ SE ESTÁ SENDO OU NÃO DOPADO, ELE NÃO DIZ SE HOUVE ERRO MÉDICO, ELE NÃO DIZ SE HOUVE UM PROCEDIMENTO PRÉOPERATÓRIO, ETC...ENFIM....SOMOS REFÉNS DAS PET, DE SEUS FUNCIONÁRIOS E VETERINÁRIOS.

NA PET ONDE MINHA CACHORRA MORREU, PERGUNTEI PARA 3 DIFERENTES VETERINÁRIOS SE ELES NÃO A ACHAVAM PEQUENA DEMAIS E ELES DIZIAM QUE O SHITZU ERA UMA RAÇA QUE CRESCIA LENTAMENTE; POIS BEM... DESCOBRI ESSA SEMANA QUE EXISTE O SHITZU MINI E ELES NUNCA ME FALARAM. PERGUNTEI SE ELA NÃO ERA NOVA DEMAIS E SE ESTAVA FISIOLOGICAMENTE PREPARADA PARA FAZER A CASTRAÇÃO E ELES DIZIAM QUE FAZIAM CASTRAÇÃO EM ANIMAIS AINDA MENORES E QUE O TEMPO NÃO ERA O PROBLEMA.

UMA AMIGA DEIXOU SUA AKITA NUMA OUTRA PET QUE A COLOCOU NUMA GRADE ONDE A MESMA MAL PODIA SE MOVIMENTAR, A CACHORRA FICOU DESESPERADA, PRENDEU SUA PATA E SE AUTOMUTILOU, PARA DESPRENDER-SE DA GRADE, POIS BEM, A PET LIGOU QUASE QUE RECLAMANDO DA CACHORRA E QUERIA COBRAR A SUTURA DA PATINHA. MINHA COLEGA DISSE QUE NÃO PAGARIA E A PET DISSE QUE NÃO DEVOLVERIA A CACHORRA...PODE UM NEGÓCIO DESSE? RESULTADO: BOLETIM DE OCORRÊNCIA E A DEVOLUÇÃO DA CACHORRA. TENHO OUVIDO TANTAS BARBARIDADES NOS ÚLTIMOS DIAS, QUE TIVE QUE ESCREVER ESSE EMAIL.

ACREDITO MUITO QUE JULGAMOS OS OUTROS POR NÓS MESMOS E COMO SEMPRE FAÇO O MELHOR POSSÍVEL EM TUDO QUE ME PROPONHO, SEMPRE ACREDITEI QUE OS OUTROS O FIZESSEM TAMBÉM, MAS LOGICAMENTE HÁ UM ABISMO ENTRE "A VIDA COMO ELA É" E A VIDA "COMO EU GOSTARIA QUE ELA FOSSE". QUE FIQUE CLARO QUE NÃO ESTOU GENERALIZANDO, CREIO QUE DEVEM EXISTIR MUITOS VETERINÁRIOS QUE NÃO OFEREÇAM O SACRIFÍCIO COMO UMA DAS OPÇÕES, SEM ANTES TENTAR FAZER ABSOLUTAMENTE TUDO QUE PODE SER FEITO, ACREDITO QUE MUITOS DOS FUNCIONÁRIOS DAS PET REALMENTE GOSTEM DOS ANIMAIS E OS TRATEM BEM DURANTE SUA PERMANÊNCIA PARA BANHO, CURATIVOS, OPERAÇÕES, ETC, ACREDITO QUE TENHAM PET QUE TENHAM COMO PRIORIDADE O ANIMAL E NÃO O DINHEIRO, ACREDITO QUE MUITOS VETERINÁRIOS FAÇAM PREÇOS ESPECIAIS PARA O ABRIGO ANIMAL, OU MESMO FAÇAM CASTRAÇÕES VOLUNTÁRIAS. MAS HOJE, DA PIOR MANEIRA, SEI QUE TEM MUITOS QUE NÃO SÃO ASSIM.

DIGO UMA COISA A VOCÊS: EU TEREI OUTRA CACHORRA E NÃO SERÁ QUALQUER VETERINÁRIO QUE VAI CUIDAR DELA, MESMO QUE - COMO O ANTERIOR - TENHA UMA CLÍNICA LINDA, EQUIPADA, BEM LOCALIZADA, COM DIREITO A SITE COM PROPAGANDA E TUDO MAIS. VOU PESQUISAR, VISITAR E FAREI UMA VISITA NO LOCAL, QUERO SABER ONDE OS ANIMAIS FICAM DPS DO BANHO, QUERO VER O AMBIENTE E PODEM TER CERTEZA QUE SE NÃO FOREM ADEQUADAS, ASSIM COMO A CLÍNICA ONDE MINHA CACHORRA MORREU, TERÃO UMA PROPAGANDA INTENSA DA MINHA PARTE.

SE SOFRI POR UM ANIMAL, PENSO O QUE UM SER HUMANO NÃO SOFRE COM A PERDA DE UM ENTE QUERIDO, QUE MUITAS VEZES MORRE , POR NEGLIGÊNCIA OU ERRO MÉDICO EM HOSPITAIS PÚBLICOS E PARTICULARES. VOCÊS SABIAM QUE NOS E.U.A. O 5º LUGAR EM ÓBITOS É POR ERRO MÉDICO? LÁ A MEDICINA E A LEI TEM UMA PROXIMIDADE GRANDE, O QUE DEVE GERAR O INDICADOR ACIMA, POIS PARECE QUE OS CIDADÃOS TEM UM EXERCÍCIO DIFERENTE COM RELAÇÃO AOS SEUS DIREITOS. AQUI NÃO TEMOS BASE PARA COLOCAR NINGUÉM NA JUSTIÇA PORQUE NÃO TEMOS PROVA, O QUE DIRÁ QUANDO A VÍTIMA É UM ANIMAL..

AGRADEÇO A COMPREENSÃO PELO MEU DESABAFO (SEGUE EM ANEXO A FOTO DE MINHA CACHORRINHA)"

Cristina Nogueira

FLORIANÓPOLIS : repovoamento com frutíferas


FOTO : mudas de jambolão
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Moradora de Florianópolis, Angelita Aparecida de Jesus, 36 anos, relembra que, quando criança, colhia goiabas e jambolões no pé. Hoje, diz para os filhos que os prédios tomaram o lugar das árvores. Para dar um pouco mais de verde à cidade, a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) está plantando espécies frutíferas em algumas regiões da Capital.

O Programa Bosque das Frutíferas começou há dois anos e meio, no Bairro Agronômica, região central de Florianópolis. No projeto piloto, 100 mudas foram plantadas. Angelita passa pelo menos uma vez por semana no local e ainda não havia percebido os pés de goiaba, acerola, carambola e aroeiras que já estão crescidos.

– Agora vou observar e sou até capaz de pegar goiaba aqui – brincou.

O coordenador da Gerência de Praças, Arborização Pública da Floram, Luiz Pazini, diz que desde o começo do ano foram plantadas 160 mudas de árvores no Bairro Costeira, 120 no Bairro Saco dos Limões e 150 na Via Expressa Sul. O Parque de Coqueiros, região continental, também ganhou 14 mudas.

– Cortamos o mato, limpamos e plantamos. Além disso, procuramos cultivar espécies nativas, que quase não víamos mais, como a cabeludinha.

A comunidade que observar algum matagal ou área verde descuidada, que sirva para o programa, pode entrar em contato com a Floram pelo telefone (48) 3225-0322.
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FONTE : DC, edição de 27/julho/2009.

Limpeza de mangue em Florianópolis


Sapatos, garrafas, sacolas plásticas e até dois vasos sanitários foram recolhidos por voluntários que, no sábado pela manhã, participaram de uma limpeza no manguezal do Itacorubi, em Florianópolis.

Com a ação, o Instituto Mangue Vivo quer chamar a atenção para o descaso com esse importante recurso da natureza.

A atividade marcou o Dia Mundial de Preservação dos Manguezais, comemorado ontem. Também chamou a atenção a carcaça de um computador encontrado no local. O grupo, formado principalmente por estudantes, usou um centena de sacos de lixo, com capacidade para 100 litros, para depositar o material, que posteriormente seria recolhido pela Companhia Melhoramentos da Capital (Comcap).

No mundo existem cerca de 162 mil quilômetros quadrados de manguezais, 25 mil deles no Brasil. Eles ocorrem ao longo do litoral brasileiro, margeando estuários, lagunas e enseadas, desde o Cabo Orange, no Amapá, até o Município de Laguna, em Santa Catarina, estado que concentra 12% dos manguezais brasileiros.

Pela importância, áreas protegidas por lei no Brasil

No Brasil os mangues são protegidos por legislação federal, devido à importância que representam para o ambiente marinho. São fundamentais para a procriação e o crescimento dos filhotes de vários animais, como rota migratória de aves e alimentação de peixes. Além disso, colaboram para o enriquecimento das águas marinhas com sais nutrientes e matéria orgânica.
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FONTE : ÂNGELA BASTOS (DC - Florianópolis)

IMBITUBA, SC : baleias começam a chegar


Uma baleia franca, acompanhada do filhote, permaneceu ontem (29 de julho de 2009), o dia todo, próximo da Praia de Itapirubá, em Imbituba, no Sul do Estado. Mesmo com comportamento discreto, os dois mamíferos foram alvo de olhares curiosos de pescadores locais e alguns turistas.

Como o mar estava bastante calmo, a observação da baleia foi facilitada para quem estava na praia ou no alto do morro que divide as duas praias de Itapirubá. Mãe e filhote apareceram pela manhã e só se afastaram para o alto-mar por volta das 16h, quando uma lancha com seis tripulantes se aproximou demais e afugentou os mamíferos.

De acordo com a bióloga e coordenadora de pesquisa do Projeto Baleia Franca (PBF), Karina Grock, a aproximação da embarcação foi feita de maneira ilegal e poderia ter colocado em risco a segurança das baleias.

– Eles chegaram muito perto e isso é proibido. A observação pode ser feita pelo mar, mas a distância de 100 metros da baleia precisa ser respeitada – explicou Karina.

A temporada de observação das baleias franca foi aberta de maneira oficial na semana passada, embora a presença dos mamíferos ainda seja pouco frequente neste fim de julho.

Segundo Karina, esse movimento tímido é normal e pode ter como explicação possíveis variações no período de alimentação das baleias na região da Antártida e as correntes marítimas até o Brasil.

Apesar das baleias se concentrarem durante o inverno na região entre Torres (RS) e Florianópolis, pode ocorrer a aparição dos mamíferos em áreas mais distantes. Foi o que ocorreu no Rio de Janeiro segunda-feira.

– Até a década de 1970, a população de baleias franca era grande em todo o país. Como a espécie está em fase de recuperação, é normal que algumas delas, eventualmente, sigam para áreas mais distantes como São Paulo e Rio de Janeiro – ressaltou.
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FONTE : MARCELO BECKER (Imbituba)

IGREJA ECOLÓGICA - Tubarão, SC


Um templo de fé e de plástico
Religioso construiu igreja a base de garrafas pet no Sul do Estado

Amigos de Cristo e da natureza. Uma pequena igreja inaugurada no final do ano passado em Tubarão, no Sul do Estado, chama a atenção pelo nome pouco conhecido – Amigos de Cristo – e pelo material com o qual foi construída: mais de 10 mil garrafas pet. O material permite aproveitar a luz do sol, além de uma boa economia na execução. Sem contar o fato de que o plástico que tomou o lugar dos tijolos não virou lixo.

O idealizador do projeto é o eletricista e fundador da Amigos de Cristo na cidade, Jeremias Ferreira, 51 anos. A ideia de utilizar as garrafas pet surgiu durante um culto em uma igreja de outra cidade.

– Foi como uma revelação que surgiu diante de mim. Já era tempo de fazer uma pequena igreja, pois as celebrações aconteciam na garagem de casa e o espaço era pequeno – explica o religioso.

Para juntar o material necessário, Ferreira contou com a ajuda dos 15 companheiros da igreja, vizinhos, donos de bares e lanchonetes e até da criançada do bairro, que recebia uma bala por garrafa pet encontrada. Após quatro meses de trabalho, a igreja ecológica estava pronta.

Alicerce, estrutura e telhado precisaram ser feitos com materiais convencionais, mais resistentes. O que chama a atenção mesmo são as paredes e acabamentos: tudo de material plástico. Para não correr o risco de ver as paredes desmoronarem, as garrafas foram assentadas sobre o cimento, o que deixou tudo bem firme e impediu a passagem do vento e da água da chuva.

–No último vento forte as casas vizinhas perderam algumas telhas, mas aqui nenhuma garrafa saiu do lugar – comemora o pastor.

Cortinas foram feitas de tampinhas

A cobertura com telhado de fibrocimento também é revestida com as garrafas, o que garante uma boa proteção em caso de chuva de granizo. Dentro do pequeno templo as lâmpadas ficam desligadas durante o dia, já que a luz do sol entra pelas paredes.

Alguns acabamentos e enfeites chamam a atenção, como as flores do altar, todas feitas de plásticos das garrafas, e uma cortina, confeccionada a a partir de tampinhas reaproveitadas.

No telhado, alguns pneus velhos ganharam a função de cumieiras. Na porta principal, o paralamas de uma carreta foi transformado em toldo. A igreja custou R$ 2 mil. Se fosse de alvenaria comum, seriam necessários mais de R$ 10 mil.
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FONTE : MARCELO BECKER,Tubarão,SC (diario.com.br)

TAINHA : 3,3 mil toneladas foram capturadas na safra em SC


Cerca de 3,3 mil toneladas de tainha foram capturadas em Santa Catarina durante a safra do peixe em 2009. O período começou em maio e termina em 31 de julho.

Esta é a quarta melhor safra dos últimos 10 anos. Na Ilha de Santa Catarina, o Instituto Costão Social premiou a comunidade da Praia dos Ingleses por ter capturado a maior quantidade do peixe durante a temporada na região. Foram 55 mil tainhas. Em segundo lugar ficou a Praia do Santinho e, em terceiro, a praia da Lagoinha, todas no Norte da Ilha.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mercado precisa de lei que defina crédito de carbono


A CVM declarou na última semana que a Redução Certificada de Emissões não é um valor mobiliário, porém ainda faz falta uma legislação definindo a sua natureza jurídica, o que traria clareza tributária e possibilitaria a criação de políticas de incentivos para projetos de MDL

O Brasil foi o primeiro país do mundo a ter um projeto de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2), dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), aprovado pela ONU em 2004, com as primeiras Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) sendo emitidas no final de 2005, porém de lá para cá a velha questão da natureza jurídica do crédito de carbono continua sem definição no país.

Na semana passada, avançou-se um pouco em relação a este assunto, pelo menos agora já se sabe o que o crédito de carbono não é. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou que ele não deve ser considerado um valor mobiliário. Porém “o que ele é”, do ponto de vista jurídico, continua sendo uma incógnita.

“Esta é uma discussão que já devia ter sido vencida há muito tempo”, alerta o advogado Flávio Menezes, que é diretor jurídico da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (ABEMC) e presidente do comitê de estudos de mercado de carbono da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo.

Somente com estes pontos definidos, explica Menezes, será possível desenvolver políticas de estímulo ao desenvolvimento de projetos de MDL no país. “Agora trabalharemos junto a algumas instituições, como Receita Federal e Ministério de Relações Exteriores, para definirmos a natureza jurídica do crédito de carbono, que só virá com uma lei. Sem essa definição, não conseguimos determinar o modelo de tributação”.

Marco Mazaserro, da Ecopart, espera que uma resolução esteja em prática até o final do ano. “A indefinição é ruim, cria subjetividade. Agora eu também imagino que a Receita haja sob demanda, e o crédito de carbono já é algo real, que gera movimentação financeira. Então é de interesse da própria Receita ter isso definido”, afirma.

Esta regulamentação deve ser discutida com a sociedade, na opinião de Mazaserro. Enquanto ela não existe, as empresas que ficam em dúvida de como declará-lo costumam consultar a Receita Federal. “Nosso modelo de negócio é muito conservador e fazemos consultas para nos certificar”, diz. A Ecopart, que possui hoje cerca de 35 projetos de MDL registrados na ONU, considera o crédito de carbono um ativo financeiro.

Políticas de Incentivo

As consultorias que atuam no mercado de carbono ressaltam o potencial brasileiro para projetos de gases do efeito estufa, o que exige uma discussão do governo com a sociedade de como fazê-lo. Menezes afirma que uma das formas poderia ser algum tipo de isenção fiscal. “No Brasil, as coisas funcionam a base de incentivo tributário. Então precisamos dessa definição do crédito de carbono para, depois, convencer governos estaduais e municipais para darem incentivos a empresas que desenvolvam tais projetos”, explica.

Tanto a OAB/SP quanto a ABEMC já vinham trabalhando junto a CVM para que a autarquia não seguisse a linha da Receita Federal de considerar o crédito de carbono como valor mobiliário. Elas defendem que a definição jurídica seja bem intangível, o que acarretaria na diminuição dos impostos. A ABEMC reúne 25 empresas que atuam no mercado de carbono, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável e a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável.

Menezes afirma que as duas instituições planejam, até Copenhague, promover discussões entre membros do governo e a sociedade civil sobre as regras do MDL, com a facilitação do processo de aprovação de projetos por parte do governo, e a posição brasileira sobre o mecanismo Redução de Emissão do Desmatamento e Degradação (REDD). No próximo dia 3 de agosto, por exemplo, a ABEMC irá se reunir com o assessor do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo.

Imagem: Centro de Tratamento de Resíduos de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, já foi projetado e construído com a metodologia do projeto Nova Gerar, primeiro MDL a ser aprovado na ONU para receber créditos de carbono.
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FONTE : Paula Scheidt, do CarbonoBrasil (Envolverde/CarbonoBrasil)

"A soja não é mais um fator relevante no desmatamento da Amazônia"


A moratória da soja vigorará por mais um ano. A cadeia produtiva vai continuar a coibir a aquisição de grãos produzidos na Amazônia em áreas desmatadas depois de julho de 2006. O anúncio foi feito nesta terça-feira (28), em Brasília, pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O monitoramento do pacto, que abrange 630 polígonos e envolve representantes do Greenpeace, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), registra o cumprimento de 97% do acordo.

"A soja não é mais um fator relevante no desmatamento da Amazônia", comemorou o ministro. Minc esclareceu ainda que o governo está empenhado em promover todas as medidas acordadas. Entre elas estão o cadastramento e licenciamento ambiental das propriedades rurais, o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) nos estados da Amazônia Legal em conjunto com as instâncias estaduais.

Será confeccionado mapa do Bioma Amazônia na escala adequada para o monitoramento das propriedades rurais da região. O Pagamento por Serviços Ambientais, já assinado pelo presidente Lula em 5 de junho, será implementado na região.

Dados do Greenpeace revelam que a moratória poupou a floresta sem afetar negativamente o setor produtivo. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada na Região Norte e no Mato Grosso subiu de 6,19 milhões de hectares, no período 2007/2008, para 6.32 milhões em 2008/2009. Segundo a Abiove, as exportações geraram uma receita de U$11,3 bilhões de dólares em 2007, e em 2008 essa cifra alcançou U$17 bilhões.

O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, reafirmou o propósito dos produtores de não comprarem soja de regiões desmatadas após 2006 e acrescentou que os compradores europeus também estão envolvidos nesta causa.

O pacto freia o desmatamento das florestas tropicais, que no mundo todo é responsável por aproximadamente 20% de todas as emissões de gases do efeito estufa na atmosfera. O número é mais expressivo que o total emitido por todos os aviões, trens e carros do planeta.
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FONTE : Carine Corrêa, do MMA (Envolverde/MMA)
Crédito da imagem: Jefferson Rudy/MMA

terça-feira, 28 de julho de 2009

Consumo mundial crescente de carne é insustentável


Uma campanha propõe um dia vegetariano por semana para frear o maior emissor de CO2: o gado. A ideia bate de frente com uma tendência global de abuso no consumo de carne como sinal de riqueza. A reportagem é de Antía Castedo e está publicada no jornal espanhol El País, 24-07-2009. A tradução é do Cepat.

A ecologia contra a pecuária? Uma nova e surpreendente batalha irrompe no front ambiental: reduzir o consumo de carne nos países ricos seria um método rápido e eficaz para que cada cidadão contribua para frear o aquecimento global. Menos consumo de carne implicaria em menos rebanho e menos emissões. Mas a proposta, apoiada por celebridades como Paul McCartney, bate de frente com a tendência crescente do consumo de carne em todo o mundo, na qual se destacam as regiões emergentes como sinal da riqueza conquistada. Sabia-se que abusar da carne não era saudável. Agora, além disso, não é verde.

A campanha foi posta em prática no Reino Unido com o lema Segunda-feira sem carne. O objetivo: converter-se em vegetariano um dia por semana para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo o ex-Beatle, é uma forma de contribuir individualmente e sem grandes esforços na batalha contra o aquecimento global. A carne pode ser medida em emissões de CO2: consumir um quilo de carne bovina equivale a viajar 250 quilômetros de carro.

O gado está na ponta da mira dos ecologistas não apenas pelo CO2 que emite através de seu sistema digestivo. Também porque para a sua alimentação são desmatadas grandes extensões de florestas. Em defesa do gado comparece o setor pecuário, que abriga nada menos que 1.3 milhão de pessoas no mundo, e a demanda do consumidor, que pede mais filés.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) calculou em 2006 que o setor pecuário emite mais gases de efeito estufa - 18%, medido em seu equivalente em dióxido de carbono - que o setor dos transportes. Dessa porcentagem, boa parte corresponde ao gás metano, com um potencial de acumular calor 23 vezes maior que o CO2. O sistema digestivo dos ruminantes, especialmente do gado bovino, faz com que estes animais emitam metano através de arrotos e flatulências. Além disso, grandes extensões de florestas, sobretudo na América Latina, foram dizimadas para convertê-las em pastos ou produzir forragens para alimentar o gado. E o estrume produz óxido nitroso, com um potencial 296 vezes maior de aquecimento global que o CO2.

“Extensões cada vez maiores de terras são destinadas ao cultivo da soja, com a finalidade de utilizá-la como proteína para as rações, sobretudo na Argentina e no Brasil”, explica Miguel Ángel Soto, especialista em desmatamento do Greenpeace Espanha. “Em 2006, elaboramos um relatório no qual fizemos algumas observações às grandes empresas produtoras de soja e aos maiores importadores europeus, como o McDonald’s. Os frangos dos McNuggets se alimentavam com soja produzida em granjas situadas em áreas de desmatamento. Levamos os diretores da multinacional a esses locais para que o vissem”, explica Soto.

Como decorrência da viagem, a empresa se uniu a uma moratória sobre a compra de soja procedente de áreas de desmatamento recente, em cuja elaboração participou o Governo brasileiro. Segundo o Greenpeace, a intensidade do desmatamento flutua de acordo com os preços da carne e da soja. Quando o preço de ambos os produtos cai nos mercados internacionais, o ritmo do corte de árvores se reduz no ano seguinte.

“90% da soja produzida na América Latina é destinada à alimentação animal nos países ricos. Um filé que se come na Espanha, por exemplo, muito provavelmente terá vindo de um boi europeu alimentado com produtos brasileiros, plantados em terras onde antes havia árvores ou floresta”, explica Lasse Bruun, porta-voz da Compassion in World Farming, uma das ONGs que se somou à iniciativa de McCartney. “Uma mudança de comportamento nos consumidores seria muito importante”, opina Bruun, que também luta para que o tema seja incluído na Cúpula Mundial do Clima que acontecerá em dezembro próximo em Copenhague (Dinamarca). Mesmo que em seguida matize: “Obviamente, é um tema que se entrelaça com valores culturais, com o que se considera ser um bom nível de vida”.

A carne e o leite são símbolos de bem-estar. Os países em desenvolvimento não querem ficar de fora e começam a copiar os hábitos alimentares ocidentais. Na China e na Índia já se toma leite e se come carne bovina. Além disso, o consumo de carne no mundo será multiplicado por dois em meados deste século, segundo a FAO. Pelo lado da oferta, uma drástica redução do consumo seria também problemática: cerca de 1.3 milhão de pessoas subsistem graças ao setor pecuário.

Uma voz de peso apóia a campanha. Trata-se de Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática da ONU e Prêmio Nobel da Paz em 2007. Em uma conferência em Londres, em 2006, o cientista indiano explicou que “um granjeiro pode alimentar 30 pessoas durante um ano com um hectare de terra se produzir vegetais, frutas e cereais. Se a mesma área for utilizada para produzir ovos, leite ou carne, o número cai para entre cinco e 10 pessoas”. Mas a linha da FAO não é a de apoiar uma redução do consumo. Ao menos não como receita para todos os países. “Não é uma boa recomendação em escala global, porque os países pobres devem aumentar o consumo de carne em suas dietas”, defende Pierre Gerber, responsável pelas políticas pecuaristas do organismo.

Nos países ricos, entretanto, come-se muita carne. A Espanha não é uma exceção. Cerca de 120 quilos por ano, segundo a FAO, mais que qualquer outro país europeu. Desde os anos 1960, quando se tem os primeiro dados, o consumo não parou de crescer. “Até 1984, a dieta na Espanha seguia praticamente ao pé da letra os padrões da dieta mediterrânea, da qual estamos nos afastando progressivamente, porque ingerimos menos hidratos de carbono e mais proteínas, ou seja, menos legumes e pão e mais alimentos ricos em proteínas como a carne”, detalha José Manuel Ávila, da Sociedade Espanhola de Nutrição. “Deveríamos adaptar a nossa dieta ao nosso gasto de proteínas, comer de tudo um pouco menos e tratar de substituir parte das proteínas por hidratos de carbono”, aconselha Ávila, que acredita que uma campanha como a de McCartney na Espanha seria boa. “O consumo recomendado [de carne] é de oito vezes ao mês”. Ou seja, duas vezes por semana. “Mesmo que a carne, na sua exata medida, seja muito necessária”, matiza.

O Fórum Mundial de Pesquisa sobre o Câncer, situado no Reino Unido, recomenda limitar o consumo da carne vermelha, como o boi, o suíno ou a ovelha, e evitar por completo as carnes processadas - como o bacon ou o salame. Para reduzir o risco de ter câncer, o consumo não deveria ser superior a meio quilo por semana.

O impacto da pecuária sobre a mudança climática varia de acordo com os sistemas de produção, explica Gerber. Em um sistema extensivo, as emissões do gado são maiores, por quilo de proteína obtida, porque são necessárias mais cabeças de gado para produzir uma mesma quantidade de carne ou leite. Quando a produção é mais intensiva, estas diminuem. No último estágio da produção, uma nova intensificação volta a aumentar as emissões, porque o alimento percorre distâncias bem maiores - muitas vezes vem de áreas desmatadas - ou porque se consome mais energia na exploração.

A poluição não é igual para bovinos, suínos ou frangos. Segundo Gerber, “um quarto das emissões do setor são dos ruminantes, sobretudo dos bois”. “Para cada quilo de proteína de carne bovina, são produzidas entre três e quatro vezes mais gases de efeito estufa do que com a mesma quantidade de proteína de carne de frango, em países da OCDE”, precisa.

Tampouco todas as vacas são iguais quando o assunto é gases de efeito estufa. As vacas leiteiras expulsam o dobro de metano. E as que têm terneiros, ainda mais. “Entre 200 e 250 quilos por ano”, explica Frank Mitloehner, especialista em qualidade do ar do Departamento de Ciência Animal da Universidade da Califórnia. Ele e a sua equipe começaram a estudar o impacto da indústria bovina no ar e na mudança climática porque observaram que a qualidade do ar no lugar em que se encontra a sua Universidade, o Vale de São Joaquim, era das piores de todo os Estados Unidos. E esse mesmo Vale tem uma concentração enorme de fábricas de produção de leite. “Há vacas por todos os lados”, segundo o cientista. Exatamente: dois milhões de vacas leiteiras, a maior concentração do mundo. “Nos perguntamos se ambas as coisas [a presença de muitas vacas e a má qualidade do ar] poderiam estar relacionadas, e constatamos que sim, parcialmente”, relata Mitloehner. O estrume contém amoníaco que, combinado como os gases emitidos pelos carros, “dá lugar a pequenas partículas que poluem o ambiente”.

Mitloehner fechou várias dezenas de vacas em “biobolhas”, uma espécie de estufa de 40 metros de comprimento e 20 de largura, com repartições em que os animais se movem em grupos de 10. “Assim medimos as emissões”, explica. Neste projeto pioneiro, o pesquisador descobriu que “os arrotos das vacas representam mais da metade das emissões” de gases de efeito estufa. O resto provém do estrume.

Os dados do relatório da FAO, argumenta Mitloehner, exigem um matiz fundamental. “A FAO fala de que mundialmente o setor pecuário emite 18% de todos os gases de efeito estufa. Essa cifra, no entanto, esconde que as emissões relacionadas com a pecuária nos países ricos representam apenas 3% do total”. A razão é simples: nos países ricos há uma variedade maior de fontes de emissões, razão pela qual a importância relativa da pecuária é menor. “Em alguns países pobres, a pecuária representa até 60% de todos os gases deste tipo emitidos”.

Isto pode explicar porque na Espanha o setor pecuário representa apenas 3% do total de emissões, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Meio Rural e Marinho, mesmo que nos pastos e granjas haja mais de seis milhões de vacas. “A metade provém da fermentação intestinal, ou seja, dos arrotos e das flatulências das vacas, e a outra metade do estrume”, explica Carlos Escribano, diretor-geral de recursos agrícolas e de pecuária. O Ministério aprovou este ano o Plano Nacional de Biodigestão de Purinas, que inclui ajudas aos pecuaristas para diminuir a emissão de gases de efeito estufa. O orçamento é de 80 milhões de euros para os próximos quatro anos, que será administrado a meia pelo Ministério e as Comunidades Autônomas. O dinheiro será destinado ao transporte do estrume a instalações para a produção de biogás e adubo para a roça. “Para os produtores de gado, desfazer-se dos resíduos é um problema também econômico”, disse Escribano, “o que pretendemos é dar-lhes alternativas”.

“O plano se centra no estrume líquido, o das vacas leiteiras”, aponta Javier López, porta-voz da Associação Espanhola de Produtores de Gado de Corte. López defende que o sistema de produção bovina na Espanha é “muito diferente dos outros países europeus, e inclusive mundial”, o que implica em que as emissões sejam comparativamente menores. “A alimentação a base de grãos faz com que as vacas produzam menos metano e, além disso, na Espanha se consome carne de animais muito jovens. Os bichos são sacrificados quando completam entre 10 e 15 meses, e os estudos científicos dizem que o gado mais jovem produz menos metano”, destaca López.

Em todo o caso, a defesa dos produtores vai além dos dados. Opinam que “o tema está sendo exasperado”. Segundo López, “é ridículo pensar que comer menos carne vai resolver o problema da mudança climática. Tolhe-se as pessoas na sua alimentação, e depois não se questiona o modelo consumista de energia em que vivemos”. E arremata: “É certo que Paul McCartney não se coloca a questão da utilização do ar condicionado, ou das viagens de avião e de jet privado para o outro lado do mundo. Há muita demagogia”.

A cidade de Gante, na Bélgica, foi a primeira a aderir ao clube e declarou as terças-feiras “dia vegetariano”. Vários chefs no Reino Unido apoiaram o projeto de McCartney e criaram receitas vegetarianas para a página da campanha na internet. A receita desta semana é do próprio McCartney: “A salada de Paul para lamber os dedos”. Folhas de espinafre e rúcula, tomates cherry, abacate e queijo.
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FONTE : Antía Castedo, do El País (Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

"O besouro é nosso" - Marina Silva


Li, na semana passada, duas notícias que contam como nossas riquezas naturais continuam sendo ignoradas por nós e apropriadas por outras nações. A primeira dizia que em março o Museu de História Natural de Genebra divulgou sua nova aquisição: o Titanus gigantus, o maior inseto do mundo, conhecido como besouro gigante da Amazônia.

Seu tamanho impressiona -é maior que a mão de um adulto- e certamente fará sucesso entre os visitantes. De acordo com o museu, acredite-se ou não, o besouro teria "viajado por engano na mala de um turista suíço". Assustado, ele teria chamado uma empresa de dedetização, que encaminhou o espécime ao museu.

Outro besouro brasileiro também vem fazendo sucesso, nos Estados Unidos. Pesquisadores da Universidade de Utah acreditam ter encontrado o cristal fotônico ideal na carapaça do besouro Lamprocyphus augustus. Esse cristal é essencial para a construção de circuitos eletrônicos que manipulem dados por meio de luz (fótons), em vez de cargas elétricas (elétrons).
E o curioso é que os cientistas americanos não tiveram trabalho para conseguir o inseto brasileiro. Encomendaram-no a um vendedor da Bélgica, pela internet. Não duvido que, apenas com a tecnologia decorrente das pesquisas com este único besouro, os americanos produzam mais riqueza do que todo o valor anual da exploração ilegal de madeira, da soja e do gado na Amazônia.

Temos a maior porção da maior floresta tropical do planeta. É um tesouro em biodiversidade que precisa ser cuidado e explorado pelo Brasil. Em 2006, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou a falta de controle nas fronteiras como razão da perda anual de US$ 2,4 bilhões, com a saída de animais e plantas que acabam por gerar produtos patenteados no exterior. São muitas as ameaças à biodiversidade brasileira: biopirataria, aquecimento global, desmatamento, tráfico de animais, superexploração de espécies. E a mais terrível parece ser a nossa inoperância diante disso tudo.

Em 1994, o Brasil ratificou a Convenção da Biodiversidade Biológica. Em 1995, apresentei proposta no Senado para disciplinar o acesso aos recursos genéticos no país. O projeto (PL 4.842) foi à Camara dos Deputados em 1998 e lá está até hoje. Outra tentativa foi feita em 2003, por meio do Ministério do Meio Ambiente.

Nova proposta foi negociada por mais de cinco anos, com todos os setores interessados. Novamente deu em nada. Continuamos sem regras. E todo o conhecimento gerado pela biodiversidade continuará sendo apropriado por quem chegar primeiro, sem gerar dividendos para o país.
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FONTE : Marina Silva é senadora (PT-AC) e ex-ministra do meio ambiente. contatomarinasilva@uol.com.br
http://www.senado.gov.br/web/senador/marinasi/default.asp
(Envolverde/Assessoria de Imprensa)

Garoto de 12 anos pede proteção à floresta durante consulta pública em Manaus


Alexandre Lucas Viana Ferreira Souza tem 12 anos. Na manhã de sexta-feira (24/07), foi liberado pela escola e pelos pais para participar de uma atividade pouco comum a crianças de sua idade: a última das seis consultas públicas promovidas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) do governo do Amazonas para a conclusão do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento.

Seu ideal de vida é proteger a Amazônia pela conscientização e seu sonho para o futuro é se tornar ministro do meio ambiente. Articulado, fala sem rodeios sobre a proteção da floresta.

Na segunda metade da consulta pública, pede a palavra. Sem se intimidar com os cerca de 250 adultos que o cercam, com o microfone na mão dirige sua pergunta a André Lima, coordenador de políticas públicas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM): “através deste plano, como o Amazonas vai combater o desmatamento?”. Mais direto impossível. Dispensável comentar a reação dos presentes. “Com vontade política, planejamento, investimento e capacidade de implementação”, responde Lima.

O engajamento de Alexandre despertou reações positivas das autoridades presentes. "Acredito firmemente que a implementação deste plano nasce de fato de participações e contribuições como a do jovem Alexandre, ao dar um grande exemplo de cidadania. Ele poderá no futuro cobrar juntamente com a sociedade a efetivação das ações tratadas nesta consulta pública. A luta contra o desmatamento é um dever de todos", destacou Nádia Ferreira, secretária de meio ambiente e desenvolvimento sustentável do Amazonas.

De acordo com ela, o governo vem implementando ações já previstas no plano desde 2003, com o fomento a atividades produtivas sustentáveis na política ambiental do Amazonas, caso do Programa Zona Franca Verde.

Engajamento

Alexandre Lucas assistiu a uma palestra sobre mudanças climáticas ministrada por profissionais do Centro Estadual de Mudanças Climáticas (CECLIMA) – como parte da implementação do tema “educação ambiental para a sustentabilidade” na grade curricular do ensino público no Amazonas -, a convite da Escola Estadual Luizinha Nascimento, onde estuda, em Manaus. A tarefa dada a todos os alunos foi escrever propostas relativas ao tema. “Eu defendi a conscientização dos meus colegas sobre a proteção e a importância da Amazônia para o Brasil e para o mundo porque sei que eles vão conscientizar outras pessoas”, diz.

Sua proposta o levou a ser escolhido por professores e alunos de sua escola para participar da II Conferência Estadual Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente, que aconteceu em março, em Manaus. Um mês depois, ele e outros 25 alunos de escolas das redes pública e privada foram enviados a Brasília para representar o Amazonas na versão nacional do mesmo evento.

Sua participação nas duas conferências lhe rendeu um convite para integrar um grupo de jovens ambientalistas chamado Coletivo Jovem de Meio Ambiente, criado em 2003 pelo Ministério da Educação, com participação do Ministério do Meio Ambiente. O princípio do grupo é “jovem educa jovem, jovem escolhe jovem e uma geração aprende com a outra”.

“Quando eu era criança, brincava de defender a floresta. Hoje eu quero conscientizar sobre a importância e a beleza da Amazônia para nos ajudar, entendeu?”. Entendi.
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FONTE : Karina Miotto é jornalista em Manaus e palestrante sobre a Amazônia.(Agência Envolverde)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Minc diz que política ambiental teve "avanços" em sua gestão


Pressionado por manifestação de jovens, o ministro se defendeu na mesa redonda Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade durante o VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental.

Para o debate eram esperados o ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, este último, o único que compareceu. Ao sentar à mesa, o ministro foi surpreendido por uma manifestação de jovens pela preservação ambiental. Munidos de cartazes e palavras de ordem, os jovens leram um manifesto pedindo mais esforço do Ministério na implantação de políticas publicas para o meio ambiente.

Após dialogar com o movimento, Minc fez um balanço de sua gestão junto ao ministério e confrontou dados tentando demonstrar que tem tido êxito em suas negociações junto ao Congresso e a presidência. "Estamos no Ministério do Meio Ambiente (MMA) há pouco mais de um ano, e posso dizer que temos sido felizes em nossas exigências", disse.

Carlos Minc citou a criação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o monitoramento dos biomas brasileiros e a diminuição do desmatamento a região amazônica como os grandes triunfos de seu mandato. "Estamos de olho, combatendo e punindo os degradadores. Posso citar a apreensão de 12.000m3 de madeira Amazônica somente na região de Vilhena em Rondônia", afirmou.

O ministro declarou que o país vem sendo mais respeitado internacionalmente devido a implementação de políticas publicas mais enfáticas na repressão aos crimes ambientais. "Demos continuidade ao trabalho da senadora Marina Silva e muita coisa boa vem acontecendo, como a criação do PNMC e principalmente "a maior queda no desmatamento da região amazônica nos últimos 20 anos!", comemorou.

Devido a falta dos outros palestrantes, Carlos Minc fez da mesa redonda, uma espécie de coletiva aos participantes. Continuando suas declarações ele ainda defendeu o sistema de pagamento por serviços ambientais e o fortalecimento da agricultura familiar. "Não basta repreender o agricultor tem que dar alternativa, apoiando o extrativismo e financiando as plantações que agem legalmente".

Mudanças no Código Florestal

Como não podia deixar de ser, o ministro voltou a atacar a bancada ruralista do Congresso Nacional, dessa vez com mais suavidade. "Acabamos de fazer um acordo com o Ministério de Desenvolvimento Agrário que vai fortalecer e expandir a agricultura familiar. É inaceitável que enquanto vários países do mundo estão buscando aprovar leis que protejam seus recursos, uma pequena parcela de grandes agricultores esteja correndo para destruir o nosso Código Florestal. A sociedade tem que combater esse tipo de atitude", ressaltou.

O ministro brasileiro do Meio Ambiente definiu a educação ambiental como a atividade de transformação e sensibilização. Para ele é preciso aprimorar as técnicas e inserir mais conteúdo principalmente nas salas de aula. "É com a educação ambiental que vamos conseguir chamar a sociedade para essa batalha. Programas de uso responsável da água e exigência de cursos de educação ambiental para obter licenciamentos são os próximos passos do governo nesse sentido", prometeu.

Na opinião do ministro é indispensável implantar as técnicas de educação ambiental junto aos planos estaduais e municipais de mudanças climáticas que tenham participação maior da sociedade, e que se utilizem dos meios de comunicação para isso. "Esse poder transformador da educação é que possibilitará uma maior conscientização do povo quanto a importância de se preservar o meio ambiente, pois com certeza existem mais pessoas mais preocupadas em destruir do que em construir", finalizou.
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FONTE : Fabrício Ângelo, da Envolverde

Jovens cobram ações efetivas para a questão ambiental brasileira


Com o intuito de conclamar a sua participação enquanto movimento socioambiental, a Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade, Rejuma, realizou na última sexta-feira (25/07), durante o terceiro dia do VI Fórum de Educação Ambiental, um manifesto para sinalizar a sua insatisfação com a atual situação da política ambiental brasileira.

Em meio à participação do Ministro Calos Minc, Meio Ambiente, na mesa redonda sobre Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade, jovens de diversas regiões do país, que compõem a Rejuma, realizaram uma iniciativa simples e objetiva que chamou a atenção de toda a platéia presente.

O ministro manteve um discurso político, enquanto o manifesto dos jovens apontou para a necessidade e importância de um posicionamento a favor de uma política justa de responsabilidade sobre os danos causados ao Meio Ambiente. “O manifesto é importante porque dá voz a juventude ambientalista brasileira, a partir de um documento construído a várias mãos, por jovens de todas as regiões do país, que acreditam e fazem deste, um mundo melhor”, afirmou. Diogo Damasceno Pires, Coletivo Jovem-GO, da Rejuma.

Para dar continuidade às atividades referente ao mês da Mobilização da Juventude pelo Meio Ambiente, o manifesto apontou para reivindicações ambientais importantes, entre elas: a aprovação do PEC 115/150 (PEC do Cerrado e da Caatinga); não desmantelamento do Código Ambiental Brasileiro; a continuidade da Política Nacional de Educação Ambiental através dos coletivos jovens, coletivos educadores, salas verdades e das Conferências de Meio Ambiental, tanto a adulta como a infanto-juvenil; e, a efetivação do Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente. Para conhecer o documento, acesse o site http://www.rejuma.org.br.
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FONTE : Efraim Neto, para a Envolverde

Brasil e Paraguai assinam acordo sobre energia de Itaipu


O governo brasileiro aceitou que o vizinho e parceiro do Mercosul venda energia diretamente no mercado brasileiro, sem passar pela Eletrobrás.

Assunção (Paraguai) - Depois de quase um ano de negociações, o Brasil e o Paraguai definiram as bases de um acordo sobre a Hidrelétrica Binacional de Itaipu. Em um documento chamado Construindo uma nova etapa na relação bilateral, o Brasil concorda em triplicar a taxa anual de US$ 120 milhões que paga pela cessão da energia não utilizada pelo Paraguai.

O governo brasileiro aceitou que o vizinho e parceiro do Mercosul venda energia diretamente no mercado brasileiro, sem passar pela Eletrobrás, e renova as ofertas de criação de um fundo de desenvolvimento para projetos de integração industrial produtiva e de facilitação de financiamento para obras de infraestrutura no Paraguai.

Nada, porém, tem data para entrar em vigor. Alguns pontos deverão ser submetidos aos Legislativos dos países. Outros ainda serão detalhados por grupos de trabalho. Ainda assim, a assinatura do documento foi considerada um momento histórico pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, que trataram desse e de outros temas durante cerca de três horas na manhã de sexta-feira (25), na capital paraguaia.

O Brasil concordou em aumentar de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões a taxa anual de cessão – o Paraguai queria US$ 800 milhões. Hoje, o país paga US$ 43,8 dólares o megawatt/hora mais US$ 3,17 pela cessão. Essa taxa passará para US$ 9,51.

O aumento ainda será submetido aos Congressos dos dois países e, caso aprovado, não deve refletir na elevação do preço da energia no Brasil. “O presidente Lula não quer ver o consumidor penalizado por uma decisão dessa natureza”, assegurou o embaixador Ênio Cardoso, subsecretário para Assuntos da América do Sul do Itamaraty. “Como será a distribuição [do custo], dependerá de muitos entendimentos e, provavelmente, de várias reuniões entre o presidente e autoridades do setor energético e do setor financeiro e econômico do país”, ponderou.

Com relação à demanda de livre disponibilidade dos 50% da energia produzida por Itaipu a que o Paraguai tem direito, os dois países chegaram a um meio termo: criaram um grupo de trabalho para discutir se essa energia poderia ser vendida diretamente pela Agência Nacional de Energia do Paraguai (Ande), equivalente à Eletrobrás), às distribuidoras no mercado brasileiro. O resultado deve ser apresentado aos presidentes em três meses para depois ser submetido aos parlamentos de cada país.

Também deve ser analisada a viabilidade de que tanto o Brasil quanto o Paraguai possam vender energia a terceiros países a partir de 2023. Nessa data, o Paraguai deve acabar de pagar pela construção da usina e deve querer negociar novas regras para a usina binacional.

O mesmo grupo de trabalho estudará as condições para que a Ande possa vender, no mercado brasileiro, energia da Hidrelétrica de Acaray e da Represa de Yguazú.

Sobre a criação do fundo para investimentos de associação industrial e produtiva, os dois países não falaram em valores. O presidente Lula apenas reiterou a disposição de propor sua criação ao Congresso Nacional. Esse fundo contaria com recursos orçamentários. O presidente também reiterou a oferta de financiamento, “em termos favoráveis”, para obras de infraestrutura no Paraguai com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).

O Paraguai, por sua vez, informou ao Brasil que sua Controladoria está auditando a dívida que o país tem com a Eletrobrás e o Tesouro brasileiro pela construção de Itaipu. O resultado será apresentado ao governo brasileiro.

Ainda ficou acertado que a hidrelétrica arcará com os custos da modernização e uma linha de transmissão entre Itaipu e Villa Hayes, ampliando a capacidade para 500 kv, o que permitirá que o Paraguai disponha de mais energia. Essa linha não será repassada ao Paraguai sem custo.
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FONTE : (Envolverde/Portugal Digital)

Agricultores em Santa Catarina trocam fumo por orgânicos


Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral Santa Catarina, quer faturar este ano R$ 400 mil por mês.

São Paulo - Agricultores da região de Santa Catarina deixaram de uma vez por todas o fumo e adotaram uma vida saudável. A afirmação até parece uma chamada de reportagem sobre como cuidar da saúde. Mas estamos falando de negócios. Na Encosta da Serra Geral, 200 agricultores deixaram as lavouras de fumo que pouco rendiam e causavam sérios danos a saúde para dedicarem-se à agroecologia.

Reunidos desde 1996 na Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), os agricultores produzem hortaliças, frutas e plantas medicinais sem qualquer agrotóxico na região do município de Santa Rosa de Lima.

Os 200 associados despacham mil caixas por semana com 73 itens, como cenoura, alface, couve-flor, tomate-cereja, abóbora, pepino, pimentão, agrião e beterraba. Nove lojas de cinco redes de supermercados da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Sul de Santa Catarina são abastecidas com os chamados "produtos limpos"

Ma a associação não se dedica apenas aos alimentos “in natura”. Os grandes supermercados do país recebem mensalmente os produtos processados, como geléias, conservas de legumes, molhos de tomate, derivados da cana e frutas desidratadas. Eles faturam por mês cerca de R$ 200 mil.

"Uma das principais vantagens foi garantir emprego e salário dos moradores durante todo o ano", ressalta o coordenador-geral da Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), Adilson Maya Lurnardi.

A Agreco, que vende também carnes, leite, queijo e doces caseiros totalmente orgânicos, está participando da 5ª BioBrazil Fair –Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia-, que acontece até o próximo domingo, em São Paulo.

Segundo Lunardi, ainda este ano a Agreco deverá introduzir novos produtos para venda e tentar dobrar o faturamento. “As chuvas de novembro e dezembro em Santa Catarina nos atrapalharam muito. Estamos apostando na nova colheita no segundo semestre”.
Orgânicos na merenda

Em agosto de 2001, a Agreco começou a fornecer produtos para a merenda escolar para a Escola de Educação Básica Lauro Muller, no centro de Florianópolis. O sucesso foi tamanho que, em 2002, a merenda orgânica foi estendida a outras 61 escolas da rede estadual de ensino fundamental, abrangendo outros municípios.

O mercado institucional de merenda orgânica chega a representar 50% do volume de venda da Agreco, durante o período letivo. São cerca de 70 mil crianças, de 7 a 13 anos, atendidas. A substituição de produtos convencionais por orgânicos fez com que diminuísse a evasão escolar.
Agroturismo

A plantação de produtos orgânicos deu tão certo que nasceu uma outra fonte de renda para os agricultores da região: o agroturismo. O turista é acolhido na casa de um agricultor e acompanha todo o processo de cultivo do alimento.

É o Projeto Acolhida na Colônia. Os visitantes também podem aproveitar as vantagens do ecoturismo da região.Só no município de Presidente Getúlio, há 72 cachoeiras no Vale das Cachoeiras. Quem quiser ver neve é só ir no inverno e visitar São Joaquim e Urubici. O turismo terá à disposição um café colonial orgânico com cucas, pães, bolos, geléias, natas, entre outros. Para saber mais é só visitar o site http://www.acolhida.com.br
Serviço:
Agreco – (0xx48) 3654-0038
Agência Sebrae de Notícias – (0xx61) 3348-7138 e 2107-9362
http://www.agenciasebrae.com.br
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FONTE : Beth Matias, da Agência Sebrae (Envolverde/Agência Sebrae)

A terapia dos terraços verdes


FOTO : O terraço verde do Hospital Belisario Dominguez pode ser usado por funcionários e pacientes.
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Um hospital, um jardim de infância e um escritório do governo da capital do México experimentaram, nos últimos dois anos, a instalação de terraços verdes. Agora, trabalhadores e usuários gozam dos benefícios. Há oito meses, foi instalado o primeiro telhado verde no Hospital Belisario Dominguez, em Iztapalapa, município metropolitano da capital mexicana. Com 1,8 milhão de habitantes, a área é a mais densamente povoada do país. Neste hospital de três andares, são dois terraços verdes: o maior fica no primeiro e o menor no terceiro. “Ter contato direto ou visual com uma área verde ajuda muito na recuperação dos pacientes. No Japão, quase todo hospital tem um teto com vegetação”, explicou ao Terramérica Tania Muller, responsável pelo projeto.

Segundo o diretor do Hospital, Osvaldo González La Riviere, “os funcionários desfrutam do espaço. No começo era usado pelos fumantes, mas pudemos controlar isso. Alguns pacientes souberam do terraço e pediram para dar um passeio por ele, com ajuda de seus familiares”. A instalação exige um impermeabilizante que contém um inibidor de raízes, em seguida um material de polietileno chamado dren, para evitar que a água escorra, e um produto geotêxtil que impede que as partículas finas do substrato cheguem ao teto. Finalmente, é colocado o substrato, mistura de materiais pétreos vulcânicos, mais leves do que a terra, e matéria orgânica para nutrir as plantas, que são plantadas em seguida. Não é necessário regá-las.

Uma seção do terraço verde do Hospital fica junto à área de ginecologia e obstetrícia. Para as mulheres que acabam de dar à luz, “é mais agradável ir à janela e ver a natureza, em lugar de um vendedor ambulante ou um caminhão soltando fumaça”, disse a subdiretora médica, Evangelina Sandoval. Além disso, “trabalhar com pacientes e enfrentar a morte causa estresse. Agora, em lugar de utilizar a saída habitual, muitos funcionários usam as saídas de emergência para passar pelo terraço”, acrescentou. No local trabalham mil pessoas.

O telhado verde mede mil metros quadrados, um décimo da superfície do Hospital. De solo de cimento passou a área verde com abelhas, borboletas e pássaros, contrastando com o denso tráfego de veículos e o concreto das redondezas. Foram plantadas três espécies nativas do Vale do México. “Todas são sedums, do gênero das crasuláceas”, explicou Müller, diretora de Reflorestamento Urbano, Parques e Ciclovias da cidade do México. O calor em “um terraço normal pode chegar aos 80 graus, contribuindo para o efeito ilha de calor (o aumento da temperatura em centros urbanos com poucas áreas verdes e muita pavimentação), ainda mais em uma cidade tão urbanizada com esta”, acrescentou.

Com a vegetação, a temperatura no terraço se mantém em 25 graus, muda o microclima, a umidade é devolvida ao ambiente e são retidos o pó e as partículas suspensas que afetam as vias respiratórias, disse a diretora. Além do mais, não é preciso impermeabilizar de novo o teto antes de 80 anos. Por isso, a Secretaria de Saúde deu luz verde para que o governo do Distrito Federal coloque terraços verdes nos 28 hospitais da cidade. Isto “é viável, mas precisamos de recursos. No mundo é preciso reajustar orçamentos, e é o que estamos avaliando”, afirmou Muller.

Semear um terraço custa US$ 95 por metro quadrado, tanto no México como na Europa ou nos Estados Unidos. Os resultados positivos são evidentes. É o caso do Centro de Desenvolvimento Infantil (Cendi), localizado no centro histórico, que atende 400 filhos de funcionárias do metrô da cidade. “Nas ruas próximas se concentra 50% da produção de frangos da cidade, o que causa forte contaminação do solo e do ar. Além disso, há muito tráfego e um alto índice de delitos”, explicou sua diretora, Nadia Tapia.

Ainda assim, deste jardim de infância surgem muitos dos modernos programas que mais tarde serão implementados no país. Por isso, em meados de 2008, o governo municipal inaugurou neste edifício de dois andares um telhado verde de 1.190 metros quadrados. Desde então, ao completarem dois anos, as crianças sobem para conhecê-lo. Os maiores, entre três e seis anos, trabalham em uma pequena horta, onde fazem compostagem (adubo orgânico) e cultivam tomate, batata, salsa, maçã e cactos. As crianças “relaxam, se distraem e ficam mais tranquilas e mais cooperativas no momento de passar à área pedagógica, aumentando sua capacidade de aprendizado”, disse ao Terramérica a pediatra do Cendi, Araceli Becerra.

A diretora explicou que “estas crianças são filhas de mães com baixa renda, 75% delas vivem em apartamentos muito pequenos e, devido à insegurança, não podem ir aos parques”. Ao conhecerem o terraço “se emocionam e querem tocar e observar”, contou a professora Rosa Muñoz. Segundo Muller, os terraços verdes são uma “alternativa de desenvolvimento urbano sustentável, sobretudo em uma cidade como esta, onde já não há lugar para fazer um parque ao nível do chão”.

Nas cidades da América Latina, a média de áreas verdes é de 3,5 metros quadrados por pessoa, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda entre nove e 12 metros quadrados. “Na cidade do México teríamos nove milhões de metros quadrados verdes a mais se colocássemos um metro quadrado verde em cada telhado”, disse Alberto Fabela, responsável pelo terraço da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduvi). Desde abril de 2008, foram destinados para áreas verdes 900 metros quadrados do terraço deste prédio público de seis andares. A técnica usada é a hidroponia, ou cultivo em água.

Até agora, foram produzidas cerca de 21 mil plantas ornamentais, doadas às localidades de Coyoacán e Azcapotzalco, onde enfeitam jardins e eixos centrais de bulevares. Gerânio, cravo de defunto, kalanchoe, petúnia, todas elas são espécies “fortes, que resistem ao estresse de uma área com carros, ruídos, fumaça, gente”, disse Fabela. As plantas são produzidas com a ajuda dos 800 empregados da Seduvi, que têm a opção de dedicar uma hora semanal para manter, plantar e transportar. “Ensinamos a retirar folhas secas, colocar sementes. Obviamente, é um tipo de terapia. Damos uma hora a eles, mas o tempo passa rápido. Os mais receptivos são os jovens de 18 a 25 anos e as mulheres com mais idade”, disse Fabela.

O governo da capital espera que os mais de oito mil metros quadrados de terraços verdes instalados até agora em prédios públicos se convertam em um exemplo a ser seguido pelos empresários. No momento, estuda exigir das empresas que solicitem uma autorização de construção, para que entre 10% e 20% dos telhados sejam verdes, em troca de benefícios fiscais.
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FONTE : Verônica Díaz Favela - Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (http://www.complusalliance.org).
Crédito da imagem: Verônica Díaz Favela/IPS