sexta-feira, 24 de julho de 2009

Geoparques: preservação e desenvolvimento local


Geólogos de vários estados brasileiros e do exterior debatem nesta quinta e sexta-feira (23 e 24/07), em seminário realizado pelo Instituto de Geociências da USP, em São Paulo, o conceito de Geoparques, as estratégias para a sua conservação e o papel da educação entre as atividades previstas nesses parques, que se espalham pelo mundo. Participam do evento profissionais das geociências, arquitetos, turismólogos, historiadores, biólogos, ecólogos, geógrafos, entre outros.

O conceito de Geoparque vem se ampliando e se espalhando rapidamente depois da criação da Rede Mundial de Geoparques, pela Unesco em 2004. No entanto, ainda há muitas dúvidas sobre este processo. Eles se distinguem como áreas naturais com elevado valor geológico, alvo de ações estratégicas de desenvolvimento sustentável.

O Geoparque não tem uma legislação específica que o regulamente, mas é legitimado pela Unesco, que a cada dois anos reavalia o título outorgado. “No Brasil, pelas belezas naturais de suas paisagens, em vários pontos do país, seria possível a criação de pelo menos 36 Geoparques”, afirma Carlos de Moura, engenheiro e arquiteto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), participante de mesa redonda realizada nesta quinta-feira, no encontro.

O Geoparque tem um conceito semelhante ao de uma Unidade de Conservação UC. A diferença é que a legislação das UCs prevê a proteção da biodiversidade, enquanto o Geoparque exige o planejamento e a implantação de ações de desenvolvimento local sustentável, além da geoconservação (conservação de rochas, minerais e fósseis existentes).

O Brasil tem, desde 2006, o Geoparque Araripe (foto) integrado à Rede Mundial de Geoparques. O Araripe se estende por seis municípios cearenses e apresenta um vasto patrimônio biológico, geológico e paleontológico. A Unesco concedeu também o título de Geoparque para um parque de Guarulhos (SP), o Ciclo do Ouro, mas, segundo Paulo César Boggiani, professor do Instituto de Geociências, ele pode perder este título, pois até o momento não foi feito uma estrutura para o desenvolvimento local. Boggiani ressalta que não há uma legislação específica sobre Geoparques pois cada lugar tem uma realidade específica, que exige que o conceito seja adaptado.

“O problema não é criar projetos, é manter um Geoparque, pois o papel da Unesco é só o de atribuir o status a um parque implantado e não a projetos”, diz Boggiani. O financiamento dos projetos desenvolvidos dentro dos Geoparques deve ser feito pelo poder público, explica ele. Atualmente, estão em processo adiantado de desenvolvimento três geoparques: o do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais; de Morrrarias, no Pantanal; e de Campo Gerais, no Paraná.
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FONTE : Glória Vasconcelos, da Envolverde (Agência Envolverde)

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