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quarta-feira, 18 de maio de 2022

"O GRITO DO BICHO" - Boletim Informativo do dia 18.5.2022

Queridos leitores do Blog "O Grito do Bicho” Publicamos matérias superinteressantes e selecionadas que levam vocês a terem conhecimento das questões ligadas aos animais e meio ambiente no mundo todo. Podem ler no nosso blog www.ogritodobicho3.com ou diretamente nos títulos abaixo. • ‘Eu os salvei, mas, em troca, eles me salvaram’: ucraniana que permaneceu em Bucha resgatou centenas de animais • Confiram as ultimas postagens do mês • Projeto sugere criação de canis em presídios para detentos trabalharem cuidando de animais abandonados, no Ceará • Wrinkle the Duck corre outra maratona e desta vez ganha uma medalha • Homem é preso por maus tratos a animais em Porteirinha - MG • Abrigo de mais 2 mil gatos e cachorros, SUIPA pode fechar as portas • STJ suspende aplicação da lei que proíbe fogos de artifício no DF • Megaoperação transfere duas elefantas da Argentina para santuário no Brasil • Guarda compartilhada de pets é realidade em separações e pode dar certo • Com desmate recorde, Amazônia supera mil km2 de destruição em abril pela 1ª vez • Projeto científico junta arte com recifes de coral ameaçados Não deixem de compartilhar nossas publicações. Abração a todos e obrigado pelo carinho com nosso trabalho. sheila moura

EcoDebate - Edição 3.853 de 18 / maio / 2022

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Países em desenvolvimento crescem mais do que os países desenvolvidos A governança global tem muito o que fazer na área econômica, social e ambiental para construir um mundo mais justo e sustentável no século XXI Quatro principais indicadores de mudanças climáticas quebram recordes em 2021 Quatro indicadores-chave de mudança climática – concentrações de gases de efeito estufa, aumento do nível do mar, calor e acidificação dos oceanos – estabeleceram novos recordes em 2021 Declaração de Voto Voto contra a fome / A miséria / O desemprego / O lucro de poucos acima da vida de multidões Mudanças climáticas ameaçam a diversidade funcional das florestas tropicais O desenvolvimento humano e as mudanças climáticas ameaçam a capacidade das florestas de funcionar adequadamente Aquecimento dos oceanos pode levar à extinção de corais Recifes de corais vibrantes repletos de vida marinha estão diminuindo em todo o Caribe à medida que as temperaturas globais aumentam Moratória que inibe uso de botos cor-de-rosa como isca precisa ser mantida Boto-Rosa pode ser extinto caso moratória que proíbe a pesca e comercialização da piracatinga não seja mantida Poluição por metais pesados nos rios pode aumentar a resistência a antibióticos Os cientistas mostraram que níveis elevados de metais pesados nos rios podem levar a níveis mais altos de resistência a antibióticos

Conheça a Arte Indígena do Rio Negro que é Patrimônio do Brasil

James, As cerâmicas produzidas pelos povos indígenas Tukano e Baniwa na Terra Indígena Alto Rio Negro (AM) são uma arte feminina milenar. Da escolha da argila à modelagem, o polimento, a secagem, a queima e o acabamento, o caminho realizado das artesãs tem uma relação profunda com o sagrado e a floresta. O leitor agora pode se sentir mais próximo a essa experiência com o lançamento dos livros de bolso Cerâmica Tukano e Cerâmica Baniwa, elaborados em parceria entre a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e o Instituto Socioambiental (ISA), com apoio da União Europeia, Nia Tero, AMIRT - Associação de Mulheres Indígenas da Região de Taracuã (Cerâmica Tukano) e UMIRA - União das Mulheres Indígenas do Rio Ayari (Cerâmica Baniwa). Polimento de cerâmica com semente de inajá em São Joaquim do Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro (AM). Crédito: Natalia Pimenta/ISA Com conhecimentos sobre a cerâmica Baniwa organizados por Thiago Oliveira e sobre a cerâmica Tukano por Juliana Lins, as obras fazem parte de uma ampla coleção junto aos livros de bolso Arte Baniwa (2001), Pimenta Jiquitaia Baniwa (2016) e Banco Tukano (2015), lançados pelo ISA. Os livros estão disponíveis na loja online do ISA, que envia para todo o Brasil. Clique e garanta o seu: isa.to/livros De forma condensada e plena de informações, o conjunto de livros de bolso revelam as riquezas do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro - reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Para nós, mulheres indígenas, essa cerâmica não é um simples objeto. É uma parte de nós”, conta Larissa Duarte, ceramista e uma das coordenadoras do departamento de mulheres da Foirn. “Esse é nosso modo de lutar, nosso modo de viver. A mulher é muito mais resistente e pensa no bem-estar coletivo, da comunidade, do território.” Junte-se ao ISA! Apoie o trabalho das mulheres indígenas do Rio Negro (AM) Quero me juntar ao ISA! Natália Pimenta Instituto Socioambiental - ISA Mais informações sobre o ISA. Dúvidas ou comentários, ligue ou envie um whatsapp para (11)93500 1149 e fale com Maria Dias ou escreva para relacionamento@socioambiental.org

Como a indústria das apostas afeta a economia

Um dos temas mais falados na atualidade é a possibilidade da legalização das apostas, graças ao Projeto de Lei 442/91, em trâmite no Congresso Nacional. Apesar de não ser um assunto novo, ele vem ganhando bastante espaço na mídia graças à expansão do setor dos jogos eletrônicos nos últimos anos. Para entender como a indústria das apostas afeta a economia, vale a pena analisar o tamanho desta indústria na atualidade, como ela vem atuando no Brasil nos últimos anos e qual a importância da sua regulamentação para os cofres públicos. Qual a situação jurídica atual das apostas? Em 2018, foi sancionada a Lei nº 13756/2018, que permite, em seu artigo 29, a exploração das “apostas de quota fixa”. Com isso, o Brasil legalizou oficialmente as apostas relativas a resultados de eventos esportivos reais (incluindo placares, quantidade de cartões amarelos e vermelhos, autores dos gols, etc.), desde que definido, no momento da aposta, o prêmio a ser pago ao apostador em caso de acerto. De acordo com o texto legal, o direito à exploração desta modalidade passa a ser exclusivo da União. No entanto, apesar do prazo de 4 anos para a devida regulamentação da lei, até o momento ela não foi editada. Deste modo, as empresas estrangeiras continuam atuando em território brasileiro e enviando bilhões de Reais para seus respectivos países, sem precisar pagar qualquer imposto ou taxa. Apesar de isso não ser algo necessariamente ruim para os apostadores, que utilizam sites comparativos como o Odds Shark para escolher as melhores casas de apostas online, significa que uma grande quantia de dinheiro que poderia ser investida no país acaba sendo direcionada sem ônus para o exterior. A Lei nº 14.183/2021 e as mudanças na tributação das apostas de quota fixa Em um novo capítulo desta história, no dia 15 de julho de 2021 foi sancionada a Lei nº 14.183/2021, que altera a Lei nº 13756/2018 no tocante à tributação e à distribuição da arrecadação das apostas de quota fixa, tanto em meios físicos quanto virtuais. De acordo com o novo texto legal, o cálculo dos tributos deve ter como base a diferença entre a arrecadação bruta (Gross Gaming Revenue) e os prêmios pagos aos apostadores. Com isso, o governo pretende “destravar” um mercado que considera promissor e assim aumentar a arrecadação. Como já estava previsto no texto anterior, o total arrecadado servirá para o pagamento dos prêmios, bem como para o investimento em escolas públicas, no Fundo Nacional de Segurança Pública e nos clubes que preencham certos requisitos previstos na lei. O que muda com o PL 442/91 O famoso Projeto de Lei 442/91, que está atualmente em trâmite no Congresso Nacional, prevê a operação de jogos de azar on-line no país, por meio de computadores e celulares. Eles são considerados “jogos de chance”, e diferem dos jogos de quota fixa por dependerem de sorte e por não ser possível saber o valor do prêmio no momento da aposta, já que ele varia de acordo com diferentes parâmetros. Se por um lado é importante a legalização e regulamentação dos jogos, também é necessário analisar o impacto que as restrições legais podem trazer ao setor. Em uma versão anterior do projeto de lei, havia a previsão de inúmeras restrições para a operação de apostas esportivas, que incluíam a necessidade da empresa ter um capital social mínimo de R$ 100 milhões e a limitação da quantidade de operadores no território brasileiro, o que significaria que várias empresas deixariam de operar no país. Para alívio dessas empresas, esta versão não foi aprovada. Por que a regulamentação é importante Os jogos eletrônicos têm movimentado bilhões de dólares ao redor do mundo nos últimos anos, e no Brasil não é diferente. Mesmo assim, ainda há muito espaço para o crescimento deste setor no Brasil, sobretudo após a devida legalização e regulamentação – que vai acabar com qualquer preconceito que ainda exista quanto a este tipo de jogo e aumentar a segurança dos apostadores. Uma coisa é certa – legalmente ou na clandestinidade, os jogos continuarão existindo. Ao negligenciar a indústria das apostas por tanto tempo, o país deixou de arrecadar bilhões de dólares para os cofres públicos, que poderiam ter grande impacto na educação e em outros setores da economia. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/05/2022

Poluição por metais pesados nos rios pode aumentar a resistência a antibióticos

Newcastle University* Pesquisas da Universidade de Newcastle e do Instituto Indiano de Tecnologia de Delhi quantificou a resistência a antibióticos e metais em sedimentos dos rios Ganges e Yamuna na Índia e córregos na bacia do rio Tyne. Os resultados mostram que os metais pesados, que são altos na bacia do rio Tyne devido à mineração histórica e atividade industrial, estão relacionados aos níveis de resistência a antibióticos no rio. O mesmo foi observado nos rios indianos, principalmente em áreas de atividade industrial. Publicando suas descobertas na revista Environmental Pollution, a equipe investigou as relações entre as concentrações de metais pesados, o gene de resistência ao metal (MRG) e a abundância do gene de resistência a antibióticos (ARG). O estudo mostra que as abundâncias de MRG e ARG aumentam onde os níveis de metais são mais altos, sugerindo que alcances com poluição por metais aumentaram a resistência a antibióticos, mesmo quando os antibióticos elevados não são evidentes. Os resultados mostram que a poluição por metais também afeta bactérias residentes, sendo Firmicutes e Bacteroidota os filos mais abundantes em locais com alta poluição por metais. Essas bactérias são comuns em ambientes contaminados por metais e são conhecidas por transportar MRGs e ARGs em grupos em “cassetes de genes”, o que explica por que as exposições a metais podem causar resistência a antibióticos. O estudo mostra que as combinações específicas de metais que promovem as respostas bacterianas mais fortes são o Cobalto mais Níquel e a combinação de Cobalto, Zinco e Cádmio. O coautor do estudo, professor David Graham , da Escola de Engenharia da Universidade de Newcastle , disse: “O trabalho não implica necessariamente um risco à saúde, mas mostra que um rio ou córrego sem poluição por antibióticos ainda pode ter resistência a antibióticos elevada devido a outros poluentes. , como metais. No entanto, em um rio como o Yamuna, que possui alto teor de metais em combinação com muitos outros poluentes, existem maiores preocupações com a disseminação da resistência aos antibióticos”. A principal autora do estudo, Sonia Gupta, do Instituto Indiano de Tecnologia, em Delhi, disse: “A alta exposição ao metal tem o potencial de co-selecionar a resistência a antibióticos em bactérias, tornando-as potencialmente resistentes a vários antibióticos”. Gupta também observou: “Os impactos da resistência a antibióticos induzida por metais pesados são exacerbados quando altos níveis de metais são combinados com outros poluentes, como antibióticos, detergentes e outros produtos químicos, destacando a importância de reduzir a poluição por metais pesados como parte das soluções One Health. para reduzir a transmissão e propagação de ARG.” A resistência aos antibióticos, também chamada de RAM, é um importante problema de saúde pública global que tem implicações no tratamento eficaz de um número crescente de infecções causadas por bactérias, parasitas, vírus e fungos. O uso de antibióticos seleciona cepas de resistência em dejetos humanos e animais, que podem ser liberados no meio ambiente por meio de águas residuais, espalhando ARGs e bactérias AMR pela natureza. Referência: Gupta, S., Graham, D., Sreekrishnan, T., & Ahammad, S. (2022). Effects of heavy metals pollution on the co-selection of metal and antibiotic resistance in urban rivers in UK and India. Environmental Pollution, 119326. doi: 10.1016/j.envpol.2022.119326 Article has an altmetric score of 92 Henrique Cortez *, tradução e edição. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/05/2022

terça-feira, 17 de maio de 2022

"O GRITO DO BICHO" - Boletim Informativo do dia 17.5.2022

Queridos leitores do Blog "O Grito do Bicho” Publicamos matérias superinteressantes e selecionadas que levam vocês a terem conhecimento das questões ligadas aos animais e meio ambiente no mundo todo. Podem ler no nosso blog www.ogritodobicho3.com ou diretamente nos títulos abaixo. • Cachorro é resgatado ferido e nadando sozinho no mar de Vitória (ES) • Polícia encontra 25 animais em situação de maus-tratos em Pato Branco (PR) • Câmera registra homem atirando rojão contra cachorro em Cascavel (PR) • Pele de burro vendida criminosamente em redes sociais • Elefantas que viveram 2 décadas em ecoparque na Argentina chegam ao santuário em MT onde vão viver na natureza • Pets agora “batem ponto” em empresas que incentivam presença de animais no trabalho • Mulher é flagrada chutando cachorrinho e é denunciada em Presidente Figueiredo (AM) • Filhote de onça é resgatado após ser encontrado por morador dentro casa em Tapira (PR) • Família procura por gata idosa levada por casal enquanto descansava em calçada: 'deve estar desesperada' • Girafinha de zoo de San Diego com problema nas pernas ganha aparelho ortopédico especial • Vira-lata ‘mascote’ de emissora de rádio é atacado por pit bull ao defender funcionária grávida • Brasileira na China relata temor de contrair Covid e ser separada dos seus cães e levada para isolamento Não deixem de compartilhar nossas publicações. Abração a todos e obrigado pelo carinho com nosso trabalho. sheila moura

segunda-feira, 16 de maio de 2022

94% das terras indígenas da Amazônia sofreram pressões externas entre 2016 e 2020

Desmatamento, degradação florestal, garimpos, focos de calor ou a existência e construção de estradas são alguns dos fatores que pressionaram essas regiões A análise, que considerou fatores como degradação florestal, garimpos, focos de calor e existência de estradas, mostra que 26 territórios indígenas (7% da Amazônia) apresentaram taxas de desmatamento maiores que a média regional Dos 115 milhões de hectares que as terras indígenas ocupam na Amazônia brasileira, 94% foi submetido, entre 2016 e 2020, a pressões causadas, na maioria das vezes, por agentes externos que vêm colocando em risco os direitos e a coesão social desses territórios. Desmatamento, degradação florestal, garimpos, focos de calor ou a existência e construção de estradas são alguns dos fatores que pressionaram essas regiões, como mostra estudo inédito produzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), desenvolvido a partir da plataforma Timberflow, que reúne dados e oferece maior transparência sobre a cadeia produtiva da madeira no Brasil. Segundo o estudo “Vetores de pressão sobre os territórios indígenas da Amazônia brasileira: situação atual e perspectivas para a governança socioambiental destes territórios”, as áreas mais pressionadas estão localizadas ao longo da nova fronteira madeireira ativa, região historicamente atingida pela degradação ambiental. A pesquisa destacou 26 territórios indígenas, que representam 7% das TI’s da Amazônia e apresentaram alto nível de pressão, com taxas de desmatamento que superaram a taxa média da região. Estima-se que a perda de áreas para o desmatamento, exploração ilegal de madeira e garimpos desses territórios foi de, aproximadamente, 0,9% de sua área total ao ano, quase o triplo do verificado em outras regiões da floresta Amazônica. As unidades de maior pressão de desmatamento foram as terras indígenas de Ituta/Itatá (Pará), Bacurizinho (MA), Paracuhuba (AM) e Turé-Mariquita (PA), com taxas de perda anual superiores a 1% ao ano. De acordo com o estudo, as perdas médias de florestas para o desmatamento e degradação florestal na Amazônia estão estimadas em 0,36% ao ano. “É muito preocupante que quase 30 territórios indígenas tenham apresentado níveis de pressão tão altos, porque esses locais atuam como escudos para proteger os povos indígenas, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos”, afirma a pesquisadora Mayte Benicio Rizek, que liderou o estudo. “Lidar com esse tema é urgente, porque os impactos e perdas são evidentes e se nada for feito a pressão tende a aumentar significativamente também em outros territórios.” Outro vetor de pressão identificado nessa região foi a mineração. O estudo mostra que, desde 2019, processos de pedidos para exploração minerária em territórios indígenas na Amazônia aumentaram 91%. O estudo mapeou pressões nas áreas analisadas e apresentou informações relevantes para o cenário atual, dada a importância do tema de degradação em terras indígenas e perda de direitos dessas populações. A partir dos dados levantados, é possível traçar panoramas futuros, considerados preocupantes pelos pesquisadores caso não sejam tomadas medidas de proteção a esses territórios. Ao fim do estudo, foram apresentadas recomendações para a diminuição da pressão sobre os territórios indígenas da Amazônia, focando em melhorias na governança socioambiental desses territórios para protegê-los de ameaças externas. Dentre as medidas recomendadas estão a inclusão de uma estratégia efetiva de combate ao desmatamento e o ordenamento prioritário das áreas legalmente protegidas. “O estudo é um alerta diante do aumento significativo de invasões a esses territórios, da diminuição de aplicação de multas ambientais e da paralisação dos procedimentos de demarcação”, afirma o coordenador de projetos do Imaflora, Marco Lentini, um dos coautores do estudo. “Para que grande parte das mudanças ocorra, é preciso aumentar o nível de governança, de controle e de fiscalização, especialmente na nova fronteira de desmatamento. Também é crucial avançar em uma agenda de curto prazo que apoie tais populações em sua organização social, fortalecimento das associações representativas e em projetos de valorização de sua cultura, produção e diversidade.” Plataforma Timberflow A plataforma Timberflow foi desenvolvida dentro do projeto “Legalidade e transparência florestal na Amazônia brasileira” do Imaflora, com apoio da Good Energies Foundation, com o objetivo de facilitar a visualização de todas as etapas da produção de madeira da Amazônia, com base nos dados dos sistemas oficiais de controle de produtos florestais. O Timberflow conta com um conjunto de publicações que trazem informação qualificada a respeito da evolução do mercado de madeira e de outros produtos florestais da Amazônia nas últimas décadas, podendo contribuir com o fortalecimento de políticas públicas, iniciativa privada e novos estudos acadêmicos. Sobre o Imaflora O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola — Imaflora — é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais Fonte: Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/04/2022

Para nos alimentarmos, estamos destruindo o planeta

Por Luigi Jorio para o SWI – Bruno Oberle é o diretor-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCNLink externo, na sigla em inglês), sediada na Suíça. A organização é responsável por publicar a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, um inventário do status global da conservação de espécies vegetais e animais. Oberle, de 67 anos, é o primeiro suíço a ocupar o cargo mais alto da IUCN. swissinfo.ch: Você é o chefe da principal organização mundial de conservação da natureza. É uma grande responsabilidade numa época em que os cientistas afirmam que o planeta está enfrentando sua sexta extinção em massa… Bruno Oberle: Sim, de fato é, mas todos nós temos uma grande responsabilidade. Cuidar da natureza e da biodiversidade é fundamental para a humanidade. Nossa existência no planeta e a sobrevivência do nosso modelo de desenvolvimento dependem delas. swissinfo.ch: Quais ecossistemas estão sofrendo a maior perda de biodiversidade? B.O.: Vemos perdas significativas em todos os lugares. O número de espécies ameaçadas é particularmente alto em hotspots de biodiversidade como florestas tropicais. Mas também vemos espécies ameaçadas em ecossistemas um pouco mais inesperados, como, por exemplo, nos maquis do Mediterrâneo. Os ecossistemas de água doce também sofreram declínios particularmente dramáticos. Extinção Mais de 38.500 espécies estão ameaçadas de extinção. Isso representa 28% das quase 140 mil espécies estudadas pela IUCN. Entre as espécies ameaçadas, 26% são mamíferos, 41% anfíbios, 14% aves, 33% corais e 34% coníferas. Nos últimos anos, a situação tem piorado para espécies como o dragão-de-komodo. Tubarões e arraias também estão em declínio devido à pesca intensiva e à crise climática. Em contrapartida, o status de quatro espécies de atum pescadas comercialmente está melhorando, relata a IUCN. Na Suíça, quase 60% das mil espécies de insetos do país estão ameaçadas ou potencialmente ameaçadas, de acordo com o primeiro relatório detalhado sobre insetos feito pelo governo, que foi publicado em 7 de setembro. swissinfo.ch: Urbanização, superexploração, desmatamento e poluição são apenas alguns dos fatores que contribuem para a perda da biodiversidade. Qual destes fatores mais o preocupa? B.O.: É algo dramático de se dizer, mas é a produção de alimentos. Há tantos de nós vivendo na Terra e todos precisamos comer. É por isso que precisamos de uma agricultura de certo tamanho, utilizando grandes áreas. Mas as práticas agrícolas estão mudando fundamentalmente a estrutura das terras. A destruição completa de ecossistemas para dar lugar à agricultura e a influência nociva naqueles que restam têm afetado negativamente a biodiversidade. A fim de nos alimentarmos, estamos destruindo o planeta. bruno oberle Bruno Oberle, 67 anos, é diretor-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), sediada na Suíça. A organização é responsável pela publicação da Lista de Espécies Ameaçadas, um inventário do status global de conservação de espécies vegetais e animais. Oberle, 67 anos, é o primeiro suíço a ocupar o posto. Jo Simoes Mas não precisa ser assim. Podemos imaginar práticas agrícolas e um sistema agroalimentar que forneçam alimentos de qualidade e suficientes para todas as pessoas, e ao mesmo tempo promovam a biodiversidade. swissinfo.ch: Especialistas jurídicos de muitos países gostariam que o Tribunal Penal Internacional de Haia reconhecesse o ecocídio, ou atos ilegais que causam danos ao meio ambiente em larga escala ou a longo prazo, como um crime contra a humanidade. Você concorda com eles? B.O.: Conceitos jurídicos sempre têm um impacto em nosso modo de pensar, então o fato de se debater isso já é bom. Obviamente, qualquer conceito jurídico só se torna operacional quando é transformado em lei. Por enquanto, há poucos países que contemplam o ecocídio em sua legislação. Além do ecocídio, também devemos refletir sobre outro conceito relacionado, que seriam os direitos da natureza, ou o direito de uma espécie ou ecossistema à existência. Em alguns países, esta questão está em pauta ou já se encontra na esfera legislativa. No Equador, o direito da natureza foi incluído na Constituição, enquanto a Nova Zelândia deu direitos legais a alguns rios considerados sagrados por povos indígenas. swissinfo.ch: O aquecimento global já está tendo impactos irreversíveis sobre a natureza, de acordo com um relatório sobre a mudança climática publicado recentemente pela ONU. Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas permite que espécies colonizem novos territórios. Como devemos entender a relação entre a crise climática e a biodiversidade? B.O.: Toda mudança é um fator de estresse para um ecossistema e, portanto, para as espécies que nele vivem. O ecossistema deve mudar ou mover-se para dar lugar a outro tipo de ecossistema. Isso por si só não é problemático, é algo que acontece o tempo todo no planeta. O problema é a velocidade e a escala com que isso ocorre, como no caso do aquecimento global. Na Suíça, o aumento da temperatura está forçando algumas espécies a migrarem para altitudes mais elevadas. As florestas de faia estão se movendo mais para cima e seu lugar no planalto suíço provavelmente será ocupado por carvalhos. Mas serão necessárias décadas para que isso aconteça. O outro aspecto a ser considerado quando falamos sobre a crise climática é a capacidade dos ecossistemas de estabilizar as condições em que se encontram, por exemplo, absorvendo água ou moderando a temperatura. Os ecossistemas e a natureza em geral podem, portanto, nos ajudar a nos adaptarmos às mudanças climáticas. Eles também ajudam a mitigar as mudanças causadas pelo aquecimento global. Isso é muito importante, uma vez que soluções baseadas na natureza podem contribuir com até 30% da mitigação necessária para estabilizar o aquecimento abaixo de 2°C até 2030. swissinfo.ch: Sua organização, a IUCN, estima que são necessários 700 bilhões de dólares por ano para lidar com a perda de espécies animais e vegetais. Onde vamos encontrar todo esse dinheiro? B.O.: Não precisamos necessariamente “encontrar dinheiro”, ou pelo menos não apenas isso. Devemos primeiro pensar em como o estamos utilizando. Todos os anos, cerca de 600 bilhões de dólares (567,6 bilhões de francos suíços) são gastos mundialmente em subsídios para a indústria de energia fóssil. Esses subsídios poderiam ser investidos na biodiversidade. Os subsídios para o setor agrícola também precisam ser revistos. Não se trata de eliminar os subsídios à agricultura, mas de exigir outros benefícios que favoreçam a biodiversidade. Estimamos que, futuramente, cerca de 60 bilhões de dólares terão que ser mobilizados por ano. Os Estados devem chegar a um acordo sobre a repartição de investimentos público-privados. A discussão é semelhante àquela sobre os 100 bilhões de dólares por ano para o clima, com a diferença de que, no campo da biodiversidade, falta um contribuinte importante, a saber, os Estados Unidos, que não ratificaram a Convenção sobre Diversidade Biológica. foresta e terreno agricolo Formosa do Rio Preto, Bahia, Brasil: parte da savana tropical foi destruída para dar lugar à agricultura. AFP swissinfo.ch: Quais países mais estão atuando para proteger as espécies marinhas e terrestres? B.O.: Nos últimos anos, muitos países têm feito progressos palpáveis no aumento da quantidade e da qualidade de áreas protegidas e conservadas. Para citar alguns, Belize, Butão, Seychelles e Zâmbia superaram a meta de AichiLink externo para a proporção de áreas marinhas e terrestres protegidas [meta número 11]. Entretanto, para entender o quão bem as áreas protegidas e conservadas estão alcançando as metas de conservação, não basta olhar para o percentual de cobertura. Também precisamos ver se são as áreas corretas que estão sendo protegidas, a fim de garantir que todas as espécies e tipos de ecossistemas sejam contemplados, e se a proteção está sendo implementada de forma justa e equitativa para as comunidades locais. A Lista Verde de Áreas Protegidas da IUCNLink externo fornece um parâmetro internacional para a conservação eficaz e equitativa. *Crédito da Imagem Destacada: O uso intensivo da terra é uma das principais causas da perda da biodiversidade no mundo. AFP #Envolverde

Quase 50% de todas as espécies de aves do mundo apresentam declínio em suas populações

Por Suzana Camargo para o Conexão Planeta – São aproximadamente 11 mil espécies de aves descritas pela ciência. Os pássaros são certamente uma das áreas da fauna mais estudadas e documentadas, o que permite uma análise mais precisa sobre o impacto do ser humano, o período chamado como Antropoceno, sobre a distribuição e status de conservação no espaço e no tempo desses animais. E infelizmente, um novo levantamento traz à tona números muito alarmantes. Segundo o State of the World’s Birds, 48% de todas as espécies de aves do planeta apresentam declínio de suas populações, ou seja, mais de 5 mil espécies estão em risco de extinção. O monitoramento indica ainda que 39% delas parecem estáveis e apenas 6% mostram indicativos positivos, com aumento de seus números. “Agora estamos testemunhando os primeiros sinais de uma nova onda de extinções de espécies de aves ao longo de todos os continentes. A diversidade aviária atinge o pico global nos trópicos e é lá que também encontramos o maior número de espécies ameaçadas”, diz o autor principal do estudo, Alexander Lees, professor sênior da Manchester Metropolitan University no Reino Unido e também pesquisador associado do Cornell Lab of Ornithology. Além dos trópicos, os cientistas ressaltam que pássaros de regiões montanhosas e de áreas do Ártico têm sido os mais afetados. A análise feita pelo estudo evidencia que a maioria dos hotspots para espécies de aves ameaçadas está nos Andes, sudeste do Brasil, leste do Himalaia, leste de Madagascar e ilhas do sudeste asiático. Assim como para outras espécies de animais enfrentando ameaça de extinção, no caso das aves os principais responsáveis pela diminuição em seus números são a degradação de habitats, mas as mudanças climáticas também são citadas. Para os autores do artigo, as estimativas baseadas nas tendências atuais preveem uma taxa de extinção global seis vezes maior do que aquela a total registrada desde 1500. “Como as aves são indicadores altamente visíveis e sensíveis da saúde ambiental, sabemos que sua perda sinaliza uma perda muito maior de biodiversidade e ameaças à saúde e bem-estar humanos”, lamenta o o biólogo Ken Rosenberg do Cornell Lab of Ornithology. Os especialistas afirmam que a única maneira de conter o atual cenário é limitar a extração madeireira, controlar incêndios florestais e áreas de agropecuária e recuperar habitats. “Felizmente, a rede global de organizações de conservação de aves que participam deste estudo tem as ferramentas para evitar mais perdas de espécies. Da proteção da terra às políticas de apoio ao uso sustentável de recursos, tudo depende da vontade dos governos e da sociedade de viver lado a lado com a natureza em nosso planeta compartilhado”, completa Rosenberg. *Com informações dos sites da Manchester Metropolitan University, Phys.org e Science Alert Leia também: Projeto vai reflorestar 70 hectares entre Pernambuco e Alagoas para salvar aves raras do Nordeste Disco com cantos de aves em risco de extinção bate Taylor Swift, ABBA e Mariah Carey na parada dos mais ouvidos da Austrália Onze aves entram na Lista Vermelha de espécies ameaçadas de extinção no Reino Unido: total chega a 70 Cerca de 48 espécies de mamíferos e aves são salvas da extinção graças a esforços de conservação, entre elas, algumas brasileiras Foto: Ron Knight from Seaford, East Sussex, United Kingdom, CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

domingo, 15 de maio de 2022

"O GRITO DO BICHO" - Boletim Informativo do dia 15.5.2022

Queridos leitores do Blog "O Grito do Bicho” Publicamos matérias superinteressantes e selecionadas que levam vocês a terem conhecimento das questões ligadas aos animais e meio ambiente no mundo todo. Podem ler no nosso blog www.ogritodobicho3.com ou diretamente nos títulos abaixo. • Audiência na OAB/RJ sobre a SUIPA. Compareça porque VOCÊ PODE AJUDAR! • Jumento é chicoteado e espancado em praça pública por carroceiro no Maranhão • Dia das Mães • Justiça proíbe realização de provas com animais em vaquejada no interior de SP • Segurança resgata cachorra abandonada doente dentro de saco de lixo em SP • Conheça 5 mães incríveis do mundo animal • Incrivelmente maravilhoso: tartarugas ajudando a outra em lago • Sonar e explosivo: como golfinhos treinados na Rússia viram arma de guerra • Câmara Municipal de BH proíbe tatuagens e piercings em animais • Após acordo com MP, transferência de urso do Zoológico de Piracicaba para santuário é definida • Elefanta salva antílope após avisar funcionário de zoológico que animal caiu em piscina • ONG resgata cachorro enterrado vivo em Bauru: ‘Cena de terror’, diz voluntária • Mulher é flagrada abandonando filhote de gato e saindo correndo em Curitiba (PR) • Homem usa seus últimos dias de vida para encontrar famílias para seus 11 cachorros • Imagens mostram sapo sendo banhado com álcool durante em Goiânia (GO) • Dona tenta recuperar cachorro desaparecido com ajuda da Justiça • Búfalas de Brotas: Tribunal de Justiça suspende obrigatoriedade de colocação de brincos em filhotes • Capivaras enroscadas em lixo de rio são salvas por projeto de SP • Câmeras de segurança flagram momento que mulher abandona gato em saco de lixo • Abelhas são os únicos animais, além de nós, capazes de entender a diferença entre números pares e ímpares • Monkey Island: o inferno dos macacos e outros animais • Tamanduá dá à luz em centro de reabilitação um dia após ser resgatado em MG • Cão de rua é adotado por funcionários e vira frentista em posto de combustível em MT • Morador do litoral de SP cuida de animais que passam fome nas ruas • Impressora 3D é utilizada para fabricar carne vegetariana • Off topic - O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO TEMPO QUE TE RESTA? • Casinha comunitária para cães em situação de rua é incendiada no DF • Animais e estradas no Brasil: muito mais do que atropelamentos • Moradora ganha na Justiça direito de alimentar gatos em condomínio • STJ julga recurso de homem contra pensão para animais domésticos • Gato é resgatado de prédio bombardeado na cidade de Borodianka, na Ucrânia • ONG de SP ajuda 10 mil animais abandonados por mês • População de botos-cinza no Rio de Janeiro cai mais de 90% em cerca de 40 anos • Mulher casa com gata para não precisar ter que mudar de apartamento • Polícia investiga maus-tratos e morte de gado deixado sem comida e água em fazenda • Cadela atropelada é tratada em unidade de atendimento móvel gratuito em Sorocaba (SP) • Artista plástico instala gaiolas em parques de SP para alertar contra a crueldade com animais • Pantanal: fotógrafo registra regeneração um ano após incêndios históricos • Aumenta o número de resgate de animais silvestres nas áreas urbanas do país • Projeto ajuda a preservar animais marinhos na costa do Espírito Santo • Correios apuram morte de cachorro atropelado por carteiro em Pedregulho (SP) • Preguiça e filhote são resgatados de residência no bairro Mararu, em Santarém (PA) • O humano da imagem disse: "Estou me sentindo culpado pelo bife que comi ontem...." • Urso ameaçado de extinção é preso sob roda de trator e espancado por aldeões • Cão segue dono até unidade de saúde, espera por atendimento médico e o acompanha na volta para casa • Mulher flagrada jogando cachorro no lixo em SC vai responder por maus-tratos • Restrospectiva das matérias publicadas entre 15 a 24/04/2022 • Conheça 8 lugares tomados por cobras, coelhos, porcos e mais • O dingo é geneticamente mais cachorro que lobo, aponta estudo • Instituto de onça da novela 'Pantanal' abriga felinos vítimas de incêndios e violência • Presa por manter 17 gatos em casa cheia de vezes está proibida de ter a guarda de animais pela Justiça • Peixe-leão: espécie invasora venenosa aparece no litoral do brasil e causa preocupação • Os animais que vieram com a pandemia • Tutora 'chama' Conselho Tutelar para cadela parar de morder • STF derruba três decretos do governo Bolsonaro envolvendo o meio ambiente • Soltura de trinca-ferros inicia reforço populacional da ave no Parque Nacional da Tijuca - RJ • Filhotes de onça pintada são flagrados no Parque Nacional do Iguaçu - PR • Falta de abrigos prejudica resgate de cavalos no Rio - RJ • MPF denuncia Ibama e responsáveis por centro de triagem de animais silvestres no RJ: 'maus-tratos a mais de 900 animais' • Cachorro entra em escola, assiste aula de química e vira atração nas redes • Restaurante em Dubai atende só cães e gatos de estimação • Raia manta gigante encalha em praia de SP e mobiliza banhistas • Brasil lidera ranking mundial de desmatamento florestal em 2021 • Rio proíbe venda e utilização de objetos que incomodem animais • Onça-parda que foi atropelada no Paraná se recupera e é solta na natureza • Vídeo mostra momento em que garis resgatam gato abandonado dentro de sacola de lixo • Homem simula 'passeio' com cachorros, mas é flagrado abandonando animais em SP • Animais de zoológico particular são mortos pelo fogo cruzado em Mariupol • Projeto cria abrigos de outdoors reciclados para cães na Tailândia • Após espera na Argentina, elefantas se preparam para vir para Chapada dos Guimarães • Três tigres-de-Sumatra são encontrados mortos em armadilhas na Indonésia • Onça rara é vista após 2 anos em parque ecológico no PR • 'BBB do Pantanal': mais de 100 câmeras em árvores monitoram animais silvestres 24 horas por dia • Conheça 'Algodão', cão gari que trabalha com a dona e faz o maior sucesso • Cães, gatos e tutores em situação de rua “se salvam” com carinho mútuo • Tucano recebe implante de prótese de bico feita em impressora 3D • Cães em abrigos podem sofrer de "estresse crônico", aponta estudo • Cão caramelo é adotado e se torna o melhor 'anjo da guarda' de bebê • Bioparque Pantanal é inaugurado em Campo Grande após 11 anos do início da construção • Onça suçuarana flagrada caminhando por rua do Bairro Granja Marileusa, em Uberlândia - MG • Homem sem-teto dá sua jaqueta para cachorro com frio e repercussão tira os dois das ruas • Toninha é encontrada morta com marcas de rede de pesca em Praia Grande (SP) • Onça-parda é encontrada morta às margens de estrada para Chapada dos Guimarães (MT) • Organizador de rinha de galo é preso e 11 animais feridos são apreendidos em SC • Projeto reabilita cães com deficiência em Curitiba - PR • Ibama ampliou risco de perscrição de multa ambiental • HISTÓRICO E PETIÇÃO: Mutilação de caranguejos mouros na Flórida • PETIÇÃO a favor do elefante Sandro. Assinem e divulguem, por favor! • Presidente da Comissão Nacional de Defesa dos Animais da OAB promove Audiência Pública sobre a SUIPA • Vidraças são o "predador" que mata bilhões de pássaros por ano no mundo • Polícia Ambiental resgata 70 galos que eram utilizados em rinha em SP Não deixem de compartilhar nossas publicações. Abração a todos e obrigado pelo carinho com nosso trabalho. sheila moura

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Por que não discutir os impactos socioambientais dos negócios do vento? artigo de Heitor Scalambrini Costa

Sem o EIA/RIMA para os projetos eólicos a “porteira está aberta” para empreendimentos que não atentam para os cuidados que se deva ter com as questões socioambientais, em todas as fases de implantação dos parques eólicos. A energia eólica, aquela que produz energia elétrica pela força dos ventos, tem crescido em vários países, em particular no Brasil, na região Nordeste. Dos 9 estados, 8 contam com complexos eólicos instalados em seus respectivos territórios, em áreas rurais e costeiras (onshore). Além de vários projetos em fase de licenciamento, para áreas afastadas da costa marítima (offshore). Segundo a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias que congrega os interesses das empresas da cadeia produtiva da energia eólica), a potência instalada em dezembro de 2021 ultrapassou os 20 gigaWatts (GW), com aproximadamente 751 parques eólicos, e mais de 8.800 aerogeradores instalados. O que representa aproximadamente, 11% da matriz elétrica nacional. As estimativas é que no final de 2025 a potência instalada atinja 35 GW, o que corresponderia a 2,5 usinas de Itaipu. O potencial eólico brasileiro é de 500 GW em terra, avaliado na atualização do Atlas Eólico Brasileiro feito em 2017, a partir de levantamentos realizados em 2013. Este valor é um pouco menor que o triplo da atual potência total instalada para geração de energia elétrica, incluindo todas as fontes disponíveis, como hidrelétricas, biomassa, gás natural, óleo, carvão e nuclear. A energia eólica ocupa o quarto lugar na matriz elétrica nacional. Sem dúvida uma das principais fontes de energia elétrica para a transição energética. Todavia, são constatados inúmeros impactos socioambientais diante do crescimento vertiginoso, desordenado, e muitas vezes predatório, respaldados na frouxidão da legislação ambiental, justificada como necessária para atrair os empreendedores dos negócios do vento. A prova da ausência das boas práticas (https://congressoemfoco.uol.com.br/temas/meio-ambiente/geracao-eolica-nao-cumpre-as-boas-pratica-socioambientais/), que respeitem a natureza e as pessoas, são descritas nos vários estudos acadêmicos realizados, principalmente por pesquisadores e cientistas das Universidades Federal de Pernambuco, Federal do Rio Grande do Norte e Federal do Ceará. Além das denúncias frequentes realizadas pelos povos indígenas, agricultores familiares, comunidades pesqueiras, atingidos direta ou indiretamente pelos impactos das instalações dos complexos eólicos de grande porte (https://portal.unicap.br/-/nem-tudo-e-verde-para-a-energia-eolica-em-larga-escala). . Mesmo com este acúmulo de conhecimento científico, de denúncias à sociedade, de provocações realizadas junto ao Ministério Público Federal e Estadual, a Defensoria Pública da União, aos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente; os impactos socioambientais não são considerados, e sua discussão é evitada. Só falta ainda recorrer ao bispo de Itu. Os problemas apontados atingem desde o desmatamento de grandes áreas para a instalação dos aerogeradores e transformadores (em torno de 1 ha/torre), além das vias de acesso com a construção de estradas de até 12 metros de largura. As áreas de plantio e criação de animais são afetadas, e os depoimentos de moradores são categóricos em afirmarem a diminuição da produção de leite, de ovos, abortos de animais prenhes, devido à proximidade das torres eólicas. O movimento das pás, durante o dia e a noite, tem afetado a saúde mental da população do entorno (efeito estroboscópio). Segundo pesquisas, o sombreamento e o ruído intermitente causam incômodo e prejudicam pessoas que sofrem de epilepsia, além de provocar insônia, ansiedade, depressão, perda da audição e dores de cabeça. O grau de sombreamento projetado pelas pás e o ruído causado pelo movimento das pás (mecânico e aerodinâmico), dependem da distância dos aerogeradores até as moradias, e locais de criação de pequenos animais. Quanto mais próxima for a distância, mais relevante é este efeito. Uma tentativa legislativa (Projeto de Lei Ordinária 620/2019) de limitar a distância mínima a 500 metros, entre as torres e as moradias, foi barrada pela Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Assembleia de Pernambuco (ALEPE). Mesmo considerando que a proximidade das torres eólicas também é uma questão de segurança das pessoas. Acidentes nos aerogeradores, mesmo que raros, podem atentar contra a vida de moradores e funcionários das empresas eólicas. Em julho de 2019, no sitio Pau Ferro, em Caetés (245 km de Recife), agreste Pernambuco, a turbina de um dos aerogeradores do complexo eólico Ventos de São Clemente, propriedade da Echoenergia (controlada pela empresa britânica de private equity Actis) desabou, após o rompimento da torre que a sustentava. Em dezembro de 2021, ocorreu outro acidente no complexo eólico da Casa dos Ventos, localizado no sítio Sobradinho, município de Caetés. Uma das pás de um aerogerador quebrou ao meio, precedido de um forte barulho, causando pânico aos moradores. Este complexo pertence a Cubico Sustainable Investments (cujo proprietário são três sócios: Banco Santander, fundo de pensão dos professores de Ontario- Teacher´s Pension Plan, e o administrador de fundos de pensão do Canadá- Public Sector Pension Investment Board). Neste complexo as torres eólicas estão situadas a menos de 150 metros das residências. Acidentes aconteceram em parques eólicos instalados em outros estados nordestinos. No Rio Grande do Norte, no parque eólico Rei do Ventos, em fevereiro de 2021, dois aerogeradores ficaram avariados. Em um deles o rotor da turbina eólica incendiou, e no outro, as pás e os equipamentos de conversão, que ficam no topo da torre de sustentação, despencaram. No parque eólico Arizona, município Rio do Fogo, litoral norte, em janeiro de 2022, uma das torres desabou. No Piauí, em fevereiro de 2020, no parque eólico operado pela Omega Geração, no município de Ilha Grande, pás e rotor despencaram da torre de sustentação, que permaneceu intacta. No Maranhão, em setembro de 2019, no parque eólico Delta 6, município de Paulino Neves, a empresa Omega Geração registrou um acidente em uma turbina eólica que feriu um empregado. Atualmente em Pernambuco, verifica-se o avanço dos negócios do vento sobre os Brejos de Altitude (resquícios da Mata Atlântica), nos municípios de Bonito e Brejo da Madre de Deus, colocando sob ameaça a sua biodiversidade, e a grande quantidade de nascentes existentes, que alimentam aquíferos e vários rios importantes. Também a Terra Indígena Kapinawá é outro território almejado para a instalação de parques eólicos. Os Kapinawás são um grupo indígena que habita a serra do Macaco, nos limites dos municípios de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, todos no estado de Pernambuco. Neste caso, a área abrangida pela empresa Energia de Buíque Ltda é de 3.000 ha, atingindo além de três aldeias indígenas, a parte sul do Parque Nacional do Catimbau, o 20 maior parque arqueológico do Brasil. Com a chancela de que a energia eólica é uma fonte “limpa”, a legislação ambiental considera esta fonte energética de menor impacto (https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/576649-energia-eolica-nao-e-limpa), eximindo assim os empreendedores de apresentarem, para o processo de licenciamento, o Estudo de Impactos Ambiental (EIA) e o Relatório de Impactos do Meio Ambiente (RIMA). Assim, basta o empreendedor apresentar o Relatório Ambiental Simplificado (RAS). Que como o nome indica é “simplificado”. Sem o EIA/RIMA para os projetos eólicos a “porteira está aberta” para empreendimentos que não atentam para os cuidados que se deva ter com as questões socioambientais, em todas as fases de implantação dos parques eólicos. A motivação ao escrever este artigo é o que acontece hoje no Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA/PE), órgão colegiado, consultivo e deliberativo, formado por representantes de entidades governamentais e não governamentais. Diante de uma proposta aprovada de criação de um Grupo de Trabalho para discutir os impactos da energia eólica em Pernambuco, se pode perceber claramente a existência de uma aversão, para que não somente seja discutido este tema, como também uma censura a estudiosos e cientistas para discutirem, e opinarem neste fórum. As pressões exercidas pelos “negócios do vento” são na direção de que não ocorra tal debate, nem que se reconheça os impactos causados, e nem que se acate a legislação vigente, procurando encontrar “brechas” que facilitem as agressões ao meio ambiente e as pessoas, com o apoio de funcionários públicos. A própria direção da Abeeólica tem exercido um forte e poderoso “lobby” para evitar a discussão dos impactos causados e as propostas para minimizar os problemas decorrentes do “mau” uso desta importante fonte energética renovável. Inclusive nas últimas entrevistas da presidenta executiva desta organização tem “alertado/ameaçado” os estados nordestinos que caso ocorra cobranças e exigências a seus filiados, estes poderiam abortar projetos, e ir para outro estado que tenha maior flexibilidade em sua política ambiental com relação as eólicas. (http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/se-o-estado-aplica-uma-meta-restritiva-vai-perder-investimento-diz-presidente-da-abbea-lica/531840) Então, diante de fatos que mostram a negação dos efeitos trágicos que o modelo de expansão das eólicas adotado tem produzido, perguntas que não querem calar vêm à tona “A quem interessa não discutir os impactos socioambientais dos negócios do vento? Por que o poder público nega, dificulta e inibe tal discussão? Heitor Scalambrini Costa Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/05/2022

Negros são 84% dos resgatados em trabalho análogo à escravidão em 2022

Por Murilo Pajolla para o Brasil de Fato – Negros e nordestinos, trabalhando sem quaisquer direitos, em condições precárias e presos a latifúndios de cana-de-açúcar. Uma realidade já repudiada em 1888, quando a escravidão foi abolida na legislação, mas que se repete hoje no agronegócio. Em 2022, 500 trabalhadores foram resgatados em condição análoga à escravidão pela Auditoria Fiscal do Trabalho. Do total, 84% de autodeclararam pretos ou pardos e 57% nasceram no Nordeste. A prevalência de pretos e pardos não é casual, na avaliação do auditor fiscal do trabalho Humberto Monteiro Camazi, coordenador do Projeto de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo da Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais. “Faltam políticas públicas para atenuar os 350 anos de escravização legalizada. O que faz com que essas pessoas, ainda que juridicamente livres, não exerçam essa liberdade no sentido amplo”, afirma. Neste ano, a maioria dos resgatados trabalhava no cultivo de cana-de-açúcar: 299 pessoas. Em seguida, as atividades com maior prevalência dessas condições são a produção de carvão vegetal (54), o cultivo de alho (25) e a criação de bovinos para corte (23). O estado onde ocorreram mais ações de combate à prática foi Minas Gerais. Foram fiscalizados 22 empresários que mantinham 368 trabalhadores escravizados. Goiás e Mato Grosso do Sul vêm na sequência, com 7 e 3 ações fiscais, respectivamente. Em número de trabalhadores vítimas, Goiás ficou em segundo lugar, com 29 pessoas, seguido por Mato Grosso do Sul, com 22. Trabalhador vai da fome à escravidão A maioria das vítimas é recrutada em cidades pobres do interior, principalmente, do Maranhão, Piauí e Pernambuco, onde faltam comida, trabalho, saúde e educação. “Enquanto a fiscalização não for compatibilizada com ações preventivas e de melhoria de vida desses trabalhadores, a gente não vai conseguir grandes avanços”, diz o auditor. Sem perspectivas, as vítimas são atraídas por promessas falsas de registro em carteira, boas condições de trabalho e salário justo. “Para eles, a fome ainda é um fantasma. O trabalho está estritamente relacionado à sobrevivência, sustentar família e esposa. Ainda que ele tenha ciência de que está assumindo um risco de ser submetido a esse tipo de atividade degradante”, afirma Camazi. Os dados divulgados hoje (13) revelam mais sobre as pessoas resgatadas: 95% são homens; 31% têm entre 30 e 39 anos; 49% residem na região Nordeste; 57%; 13% são brancos e 3% indígenas. A baixa escolaridade também predomina: do total, 23% declararam possuir até o 5º ano incompleto; 17% tinham do 6º ao 9º ano incompletos; e 6% eram analfabetos. De janeiro até hoje, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), coordenado pela Auditoria Fiscal do Trabalho, realizou 61 ações fiscais, e em 38 (62%) foi caracterizado trabalhado análogo à escravidão. O “Carandiru” do canavial escravocrata Das 299 pessoas resgatadas do plantio de cana, 273 atuavam em fazendas arrendadas por uma gigante mineira do agronegócio, a WD Agroindustrial, em João Pinheiro (MG). Foi a maior operação de resgate de trabalhadores no Brasil desde 2015 e o 16º maior já registrado nos últimos 27 anos. A maioria das vítimas estava vinculada a um sistema irregular de terceirização, que envolvia duas empresas que intermediavam a mão de obra ilegalmente. 23 vítimas eram totalmente informais, sem registro em carteira de trabalho com a Usina ou com as empresas intermediadoras. Em busca de lucros mais altos, agronegócio reverte mecanização do cultivo da cana / Divulgação/Auditoria Fiscal do Trabalho Eles não tinham nenhum equipamento de proteção individual, nem acesso a materiais de primeiros socorros e sequer instalações sanitárias disponíveis. Viviam em alojamentos superlotados, insalubres, com fornecimento de água inadequado e sem condições mínimas de conforto e de saúde. No interior de um dos dormitórios, onde viviam quatro empregados, havia um fogareiro com botijão de gás. Em função das condições degradantes, outro local foi apelidado pelos trabalhadores de “Carandiru”, em referência à Casa de Detenção onde ocorreu o massacre de 1992. Quando noticiou a operação, o Brasil de Fato fez contatos via telefone e e-mail com a WD Agroindustrial, mas não teve resposta. Caso a empresa mande um posicionamento, o texto será atualizado. Plantio manual é mais lucrativo O aumento de casos de escravidão moderna no plantio de cana de açúcar em Minas Gerais tem espantado os auditores. “Isso pelo volume dos trabalhadores envolvidos e pela fragilidade das condições socioeconômicas dessas pessoas, a maioria oriunda das cidades mais pobres do Maranhão. E também pelos mecanismos engendrados pelas usinas para se desvencilhar totalmente da responsabilidade por essas pessoas”, diz Camazi. “Isso não acontece em uma usina ou outra. Temos identificado que é um problema generalizado. O trabalho escravo na usina é um câncer em metástase”, diz. A indústria sucroalcooleira é uma atividade econômica organizada, extremamente lucrativa, dominada por poucas empresários de grande porte. “Eles têm um poder de mercado muito grande, seus produtos tiveram uma acentuada valorização nos últimos anos”. A lucratividade, no entanto, não se converteu em melhorias nas condições de trabalho de quem está na base da cadeia produtiva. “Muito pelo contrário, o que a gente está percebendo é um recrudescimento da situação. O retorno da mão de obra manual para plantar cana de açúcar”, atesta. O plantio da cana envolve tarefas sazonais e extremamente penosas, para as quais as usinas e produtores não conseguem atrair mão de obra no volume necessário. Para esses empresários, a solução mais conveniente é recrutar trabalhadores negros nas regiões mais pobres do Nordeste, cuja situação os empurra para a situação de escravidão moderna. Mas por que não mecanizar o processo? O plantio manual tem condições de ser muito mais detalhado, valorizando o produto final e aumentando a produtividade do solo. No divisão do trabalho, há os cortadores de mudas; os que carregam as mudas nos caminhões; e os responsáveis por cada uma das etapas do plantio. “Dessa forma o teor de sucralose é maior, e a área cultivada por hectare também. Então houve um estímulo para a retomada do plantio manual, o que infelizmente não foi feito com respeito aos direitos elementares desses trabalhadores”, explica. Terceirização irrestrita As indústrias usam a prerrogativa legal de terceirização irrestrita para mascarar a responsabilidade pelo plantio com trabalho escravo. A estratégia envolve contratos falsos com terceirizadas. “Em muitos casos, a gente identifica até cinco degraus nessa escala de transferência de responsabilidade”, explica Camazi. As usinas permanecem operando o canavial, controlando a quantidade e qualidade da produção. Mantinham a terceirização apenas na contratação do serviço de plantio. “No fim, concluímos que a responsabilidade [pelo trabalho escravo] é das próprias usinas”, diz o auditor. Muitos contratos de terceirização são feitos com empresas menores, que declaram valores fictícios, sem capacidade econômica para arcar com as indenizações trabalhistas ordenadas pela justiça. Morte trágica A morte de um negro escravizado em um canavial de Minas Gerais foi um dos episódios que, neste ano, mais sensibilizaram Camazi. O homem negro de 34 anos fugiu da fome que assolava sua família no interior do Maranhão. Recrutado para trabalhar em um canavial em Minas Gerais, percebeu que havia sido enganado. “Ele encaminhou imagens das condições do alojamento, relatou que foi recrutado com falsas promessas, teve que pagar pelo deslocamento. Quando ele chegou, o alojamento era uma garagem improvisada e ele dormia no chão”, conta o auditor do trabalho. O homem não foi registrado, nem recebeu equipamento de proteção. Para entrar no canavial, teve que comprar uma bota, mas só teve dinheiro para a mais barata. Como ele era pago por produção, teve que trabalhar em um ritmo exaustivo e acabou se ferindo. O pequeno corte no calcanhar direito incomodava, mas ele continuou trabalhando. Não quis voltar para a família de mãos vazias. O ferimento foi ganhando proporções maiores e infeccionou. “Ele ficou 3 ou 4 dias no alojamento, pois não estava dando conta nem de calçar a bota, de tão inchado que o pé estava. Os remédios que deram no postinho não fizeram efeito”, narra Camazi. Os colegas juntaram dinheiro para custear sua volta ao Maranhão. O empregador sequer foi ao alojamento para saber como o trabalhador estava e não arcou com o retorno dele para a cidade natal. De volta para a família, o homem já tinha o pé muito infeccionado. Lá ele procurou um hospital. A infecção, porém, já havia se espalhado pelo corpo. Extramamente fragilizado, o trabalhador morreu. “A falta de direitos trabalhistas básicos, um problema muitas vezes menosprezado, acabou levando esse trabalhador a óbito. Até o momento a esposa não conseguiu uma pensão por morte porque ele estava na informalidade”, conta o auditor. “É uma tragédia achei assustadora pela violência com o ser humano, pela indiferença com uma pessoa que trabalhou tanto e que sequer pode ter um tratamento digno para uma ferida que não era grave”. Edição: Rebeca Cavalcante *Crédito da Imagem Destacada: Comendo no chão sob o sol, vítimas foram atraídas por falsas promessas de boas condições de trabalho – MTP #Envolverde

FOME EM CONTEXTOS SOCIAIS

Por Liliana Peixinho* – Um Brasil no topo da produção de alimentos e em paralelo um país onde 20 milhões passam fome e 14 milhões estão desempregados. No meio desse cenário: gestão desastrosa da pandemia; medidas econômicas, políticas e sociais ineficientes, irresponsáveis, criminosas. Uma crise com repercussões negativas na Saúde, Educação, Segurança, Infraestrutura, Economia. Nessa entrevista à jornalista Liliana Peixinho o professor, engenheiro florestal Oscar Augustín analisa e faz as conexões entre fome e contextos políticos sociais. LP- O Brasil vive cenário de alta violência (roubos, assaltos, fome, mortes, descaso à vida) em manchetes jornalísticas de pavor social. Como observa, analisa, esse cenário? OA- Na verdade o Brasil sempre foi violento e com pouco apego à igualdade e justiça porque conviveu com mais de 300 anos de escravidão. A pandemia apenas escancarou muitos dos problemas que antes eram velados. Como bem nos lembra a prof. Lilia Schwarcz no seu livro “Sobre o autoritarismo no Brasil” (2019), depois de tantos séculos de vigência do sistema escravocrata, fundamentada na violência, que implica a propriedade de uma pessoa por outra, criou-se uma forte hierarquia entre uma elite branca que detinha o mando e o restante da população (negros, índios e mestiços) que deveriam obedecer. Dizer que o Brasil está muito polarizado é, no mínimo, desconhecer a história. O descaso pela vida dos mais miseráveis esteve sempre presente desde a colonização; a Constituição cidadã de 1988 tentou mitigar esses problemas. Mas, após de 30 anos, muitos problemas estruturais não foram resolvidas. Vivemos um cenário de alta violência porque hoje é muito mais registrado pelos diferentes canais de informação. Além disso, por causa das medidas não condizentes com a pandemia, hoje vivemos uma grave crise econômica. Há um empobrecimento de uma parcela significativa da população por causa do desemprego exacerbando a desigualdade. LP- A pandemia expôs feridas abertas pela desigualdade social: Ricos mais ricos, pobres mais pobres. Num mundo onde há sinalizações para uma nova Economia Circular, Sustentável em harmonia com a grande matriz produtora, recursos naturais, como observa o movimento do capital apressado, concentrador, excludente, desumano, criminoso, na exploração da produção à qualquer custo? OA- Sobre a Nova economia circular que seja sustentável, tenho minhas dúvidas. O tema é complexo e mereceria outra reportagem. Atualmente a economia global está consumindo 100 bilhões de toneladas de materiais por ano. Ou seja, retiramos da natureza 100 bilhões de toneladas para transformar em produtos industriais. Uma forma de entender esse impacto é justamente mediante a Economia Circular que mede quantas vezes somos capazes de reciclar os produtos. De todos os minerais, combustíveis fósseis, metais e biomassa que entram na economia a cada ano: em 2018 era 9,1% e apenas 8,6% eram reciclados em 2020. Isso mostra que a circularidade está estagnada: em outras palavras, por mais que tenha aumentado a reciclagem, a quantidade de coisas produzidas foi exacerbadamente maior. Com isso, a percentagem de reciclagem acaba sendo menor (fonte The circularity gap report (2020), disponível em https://www.circle-economy.com/resources/circularity-gap-report-2020). Achar que o sistema atual está dando certo é prova de cegueira mental avançada; dai a necessidade de buscar soluções fora do capitalismo. LP- O que pode falar sobre a relação humana entre desejos X necessidades ? OA-Partimos do princípio das necessidades humanas básicas de sobrevivência e reprodução: alimentação, moradia e vestimentas. O sistema capitalista cria nas pessoas o desejo antes que a necessidade. Daí surgem os conceitos de obsolescência programada (as indústrias produzem mercadorias de vida curta) e a obsolescência perceptiva (a pessoa ‘perceve’ que faltam produtos para estar na moda e/ou ser feliz). O sistema não se preocupa com as necessidades reais das pessoas: procura sempre criar desejos para que haja mais consumo. Todo isso tem que ver com o coração do sistema capitalista que é o consumo, o que faz girar a economia. Isso cria uma carreira desenfreada para trabalhar, comprar e descartar cada vez mais produtos e serviços. Importante mencionar que o capitalismo cria ‘narrativas’ para projetar nas consciências uma imagem invertida de si, de modo que a desordem que produz (produção e consumo desenfreado) surge como ordem natural das coisas. Hoje se fala muito em “correrias”, mas estamos sabendo para onde a humanidade está correndo? O historiador Yuval Noah Harari, em seu livro “Homo deus” (2016) nos fala que, as vezes a gente pode reagir esperando que alguém pise nos freios para desacelerar nesta carreira desenfreada de consumismo. Contudo, ele diz que não podemos pisar nos freios, por 2 motivos principais: Primeiro, ninguém sabe onde os freios estão. Embora alguns especialistas conheçam bem os desenvolvimentos em algum campo, ninguém é especialista em tudo. Ninguém, portanto, é capaz de ligar todos os pontos e enxergar o quadro completo. Como ninguém compreende o sistema na sua totalidade, ninguém pode fazê-lo parar; Segundo, se alguém de algum modo conseguir pisar nos freios, nossa economia e a sociedade vão entrar em colapso. A economia moderna precisa de um crescimento constante e por tempo indefinido para sobreviver. Se o crescimento parar, ela se despedaçará. É por isso que o capitalismo nos incentiva a centralizar nossos desejos no consumo permanente. LP- Em ambientes onde o consumo é estimulado por marketing agressivo e massivo, inconsequente, distante de soluções para os alertas da Crise Climática sobre a vida na Terra, o que o cidadão, a Sociedade, pode fazer para se proteger em princípios de prevenção à saúde integral e coletiva? OA- O aquecimento global está acarretando a Emergência climática, discutida na última COP26 em Glasgow meses atrás. O cidadão tem muitas ações para realizar iniciando com as escolhas alimentares: o que colocamos no prato no cotidiano decide o planeta que queremos viver. Optar por consumir mais alimentos de origem vegetal e limitar (ou até eliminar) o consumo de carne é o primeiro passo. Todas as pessoas precisam diminuir o consumo de bens e serviços, cuidar da água, reciclar, comprar alimentos locais (preferencialmente orgânicos) entre outros. Mas ainda é insuficiente perante a nossa problemática socioambiental. Se queremos salvar o planeta, o voto é muito mais importante comparado com as escolhas individuais. Escolher governantes realmente preocupados com a população e não apenas cuidando do lucro das grandes empresas é o primeiro passo para a emergência climática. Isso porque as mudanças climáticas estão se acelerando muito rapidamente e não vai dar tempo para as adaptações de nossa espécie e muitos outros seres vivos pluricelulares. Por isso, além de sua escolha de alimentos diariamente, nas próximas eleições (país, estado, município) escolha governantes comprometidos com a planeta e não apenas com o lucro das empresas. Chamo a atenção sobre greenwashing, prática de propaganda enganosa de algumas empresas. Essas propagandas induz ao consumidor de que a empresa está comprometida com a sustentabilidade, mas somente é propaganda. PD: tem um vídeo da BBC news “O desafio da Coca-Cola, apontada como maior poluidora por plástico do mundo”, que mostra o exemplo do greenwashing (https://www.youtube.com/watch?v=WaLYUsiuNh8 ) LP- Cidades brasileiras como Salvador, na Bahia, Nordeste e outros, Brasil afora, a violência diária, com roubos, assaltos, agressões domésticas, tem aterrorizado a vida, ruas afora, residencias adentro. Brasil adiante. Como analisa esse cenário diante dos efeitos de Políticas Sociais ineficientes, não preventivas? OA- Por um lado devemos analisar o processo de urbanização descontrolada que houve no Brasil na segunda metade do século XX. A modernização conservadora da agricultura, ou seja, moderniza por um lado e conserva (e até agrava) a estrutura fundiária do país desde 1960 expulsou milhares de famílias do meio rural. Sem fazer uma reforma agrária integral, houve um ‘amontoado’ de famílias nas periferias das grandes cidades. Isso foi relativamente bom no primeiro momento para fornecer mão de obra para a incipiente industrialização. Contudo, o movimento migratório campo-cidade aumentou a população das grandes cidades mesmo vivendo em precárias condições. Houve um momento de auge das Políticas públicas durante a primeira década do século 21 que ajudou a diminuir a pobreza. As duas frentes foram a transferência condicional de renda e a valorização do salário-mínimo ajudando para que o Brasil saísse do Mapa da fome das Nações Unidas em 2014. Mas, os avanços em políticas sociais estão sendo desmontados com retrocessos significativos. Então, se antes as políticas sociais eram ineficientes por problemas estruturais e dimensão territorial, hoje o combate à violência se resume na liberação de armas para a população civil. Resumidamente, somos uma sociedade que luta contra os efeitos e não contra as causas. LP- Planeta afora, que lugares, países, governos, empresas, instituições, pode se observar como exemplo de políticas eficientes, promotoras de igualdade e equilíbrio sociais ? OA- Nesse caso, pelo que conheço pela literatura, o exemplo sobre igualdade e equilíbrio sociais são os países escandinavos (Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia Islândia). O êxito destes países no plano social é que não existem bilionários nesses países, sinal de que realmente o social é importante. Estes países praticam o Welfare State (estado de bem-estar social) um modelo de com forte intervenção do Estado Nacional, com direitos sociais universais dos seus cidadãos. Desconheço políticas sociais eficientes no Brasil e nos países latino-americanos. Pode ser que haja alguns exemplos pontuais, mas que não são significativas. Os exemplos de Uruguai ou da Bolívia podem ser destacados na busca pela equidade social. O que devemos ressaltar é que em todas essas sociedades a desigualdade social ocorre porque as élites econômicas, que buscam apenas lucro, obstaculizam qualquer iniciativa para a equidade. LP- Num país com elevados índices de desigualdade: Moradores de rua X imóveis fechados; Fome X Desperdício; Fartura X Falta; Ostentação X privação; Liberdade X prisão ; Trabalho X emprego… Que futuro, próxima geração, podemos projetar, vislumbrar, desenhar? OA – Com a atual estrutura e funcionamento da sociedade concomitante com a gestão política, vislumbro um futuro muito sombrio. Temos duas situações: una ruim e outra catastrófica; como não estamos fazendo quase nada para evitar a situação ruim, teremos apenas situações calamitosas. Muitos pesquisadores de renome internacional e nacional nos avisam de que, sem ação, o mundo corre o risco de não cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o Acordo de Paris, ambos de 2015. As crianças de hoje herdarão um planeta gravemente degradado por causa do aquecimento global que vai agravar as mudanças climáticas. Um grande parte da população sofrerá cada vez mais desnutrição e doenças evitáveis por causa de um modelo de agricultura industrial que apenas produz mercadorias e está desconectado das questões socioambientais. Para Ladislau Dowbor e vários pesquisadores de primeira linha mundial está se desenhando uma catástrofe em câmera lenta mediante a convergência dos desastres ambientais, da desigualdade explosiva, da deterioração política e do caos financeiro. Falta enfrentar as deformações políticas de como gerimos as nossas economias. O mundo pode acabar em 2100 por causa do desaparecimento da biodiversidade e o desmatamento. Precisamos aprender a trabalhar com a natureza e não contra ela. Para isso precisamos que os líderes internacionais, as empresas e a sociedade civil organizada passem do discurso para a ação efetiva já que temos pouco tempo para atenuar as consequências do aquecimento global e as mudanças climáticas. O problema é que somos muito preguiçosos e estamos muito confortáveis no sistema que temos. É como uma pessoa obesa ganhando cada vez mais peso, sabendo que deve fazer dieta e exercícios, mas prefere não fazer e sua saúde fica prejudicada Sabemos o que temos que fazer, mas não faz.Desculpe não ser otimista. LP- Que estudos, pesquisas, propostas, projetos na área de desigualdade, a Academia e movimentos sociais podem apresentar à Sociedade, na nobre missão de se colocar teoria em prática? OA- Para apresentar propostas e colocar na prática é preciso teorias para entender a realidade; somente assim podemos propor ações. Devo esclarecer que, tanto a desigualdade social como a emergência climática, são caras da mesma moeda. Por isso a importância da debater o colapso socioambiental. A seguir algumas premissas para atenuar o colapso socioambiental (ou para evitar o pior) a partir do livro “Capitalismo e colapso ambiental” (2018) de Luiz Marques: 1o passo: Reconhecer a gravidade extrema da situação atual (extremo, significa prioridade absoluta). Estamos muito próximos de um ponto de bifurcação rumbo a 2ºC, situação que a humanidade nunca experimentou; apenas não sabemos em que momento isso ocorrerá; 2o Passo: O motor fundamental da aceleração do aquecimento global em direção ao colapso é a crescente desigualdade social. Precisamos redefinir o sistema energético e alimentar diminuindo as expectativas de consumo dos 10% mais ricos. Como diz o ex presidente Obama, no seu discurso de despedida na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2016: “um mundo no qual 1% da humanidade controla uma riqueza equivalente à dos 99% nunca será estável”. O problema ambiental não são os pobres nem a quantidade de pessoas que habitam o planeta Terra: o problema são as poucas pessoas que estão no topo da pirâmide social e suas formas de consumo responsáveis pela maior parte das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE). Estamos literalmente destruindo o planeta em proveito de uma minoria. Nosso problema não é de capacidade de produção, e sim de saber o que produzimos, para quem e com que impactos ambientais (Ladislau Dowbor, 2019). 3o Passo: Aprofundamento da democracia, agir para mudar, buscar uma sociedade alternativa. Precisamos que a sociedade defina suas prioridades de investimentos estratégicos de forma democrática: o que vamos a fazer com nossos recursos naturais, como e onde produzir, para quem e com que impactos ambientais. Não há mais como deixar que as grandes corporações decidam sobre o futuro do planeta. O grande desafio é a governança do sistema, desafio que é técnico, mas sobretudo ético e político conforme Ladislau Dowbor. 4o Passo: Compreender que a Economia é um subsistema da Ecologia. Mudar o paradigma predominante de que nós humanos somos ‘superiores’ aos outros seres vivos e que eles estão para nosso serviço. Devemos ter em mente que somos uma espécie que vive em simbiose com milhares de outros seres vivos e nossa sobrevivência na biosfera depende dessa relação de interdependência. Somos uma geração ecocida e suicida. Certamente, dos avanços imediatos em todas essas frentes dependem nossas chances de sobrevivência como sociedade organizada no segundo quarto do século XXI. Uma ampla tomada de consciência pela sociedade de sua situação-limite é o primeiro e decisivo passo para a inadiável redefinição da agenda política brasileira. LP- Como observa o movimento no Brasil e no mundo, de mídias independentes, sem pautas pré produzidas, sem patrão para financiar trabalhos em conceito de pautas livres, via, por exemplo, plataformas crowdfunding, onde o público/leitor é quem é chamado a apoiar grandes pautas mundiais como: fome, pobreza, saneamento, doenças, insegurança alimentar, desperdício; violência … OA-Estes canais de comunicação, que são alternativos, são uma grande força para enfrentar as megacorporações de comunicação. Com isso a população tem outras alternativas de obter informações. Temos um grave problema apenas: como se produzem e circulam informações irrelevantes. Para Marques (2018), o ex presidente dos EUA Trump e Bolsonaro no Brasil utilizam de um novo tipo de interação entre tecnologia e política. Tuítes, fake & hate news disseminados pelas redes sociais servem como armas de desinformação e de embrutecimento emocional e intelectual em massa o que dificulta enormemente o engajamento da sociedade no tema climático e social. Para Yuval Harari, a democracia baseia-se no princípio de Abraham Lincoln de que “é possível enganar todas as pessoas por algum tempo, e algumas pessoas o tempo todo, mas não é possível enganar todas as pessoas o tempo todo”. Se um governo é corrupto e não melhora a vida das pessoas, em algum momento os cidadãos se darão conta disso e substituirão o governo. Mas se o controle da mídia é gerenciada por uma élite conivente com o governo, isso impede que os cidadãos conheçam a verdade. Mediante seu monopólio da mídia, a oligarquia governante pode sempre culpar os outros por suas falhas e desviar a atenção para ameaças externas — reais ou imaginárias. Quando se vive sob tal oligarquia, sempre haverá alguma crise que parece mais importante que o sistema de saúde ou a poluição. Ao fabricar uma torrente interminável de crises, uma oligarquia corrupta pode prolongar seu domínio indefinidamente (qualquer semelhança com o atual cenário do Brasil é pura coincidência). LP- Dados importantes do último ENANI- Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, realizado com 14.558 crianças de até cinco anos, em todo o país, revelam que 14,2% das crianças têm deficiência de vitamina B12. Na região Norte, a deficiência chega a 40%, para crianças até 2 anos. O que revela também que as crianças mais pobres são as mais afetadas. Em um país que está entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, como entender, presenciar, aceitar esta situação? OA- Vários estudos internacionais e nacionais destacam que o problema atual da fome e insegurança alimentar. O mundo produz comida suficiente, mas fome ainda é uma realidade. Concentração da renda e da produção, falta de vontade política e até mesmo desinformação e consolidação de uma cultura alimentar pouco nutritiva são fatores que compõem o cenário da fome e da desnutrição. Para diversos especialistas, a fome atual não se deve à falta de alimentos: ela decorre da falta de acesso a capital tanto para comprar ou produzir alimentos. O principal motivo é a pobreza. A comida não chega a quem precisa porque, na maioria dos casos, as pessoas não têm dinheiro para comprá-la. Seja nos países mais pobres ou nos mais ricos, pessoas têm dificuldades em conseguir alimentos por serem economicamente excluídas, e não porque não tem comida suficiente. Uma criança que vive numa favela de Salvador, por exemplo, está mais suscetível a passar fome e conviver com a insegurança alimentar do que uma outra criança que mora em um condomínio de luxo, a três quarteirões de distância. Se a comida chega para uma, também chega para outra: a diferença é que uma pode comprá-la, mas a outra não. Já não existe fome natural no mundo, hoje temos apenas fome de origem política. Se as pessoas ainda morrem de fome em qualquer parte do mundo é apenas porque alguns governos assim o desejam. Isso pode observar-se atualmente no Brasil onde a insegurança alimentar (situação de quem não tem garantia de acesso a quantidades suficientes de comida) afeta milhões de pessoas. No caso do Brasil é uma grande contradição já que o setor do agronegócio festeja cada ano recordes de produção de grãos e vive concomitantemente com a pobreza e a insegurança alimentar. Em uma publicação de Walter Belik (https://www.ibirapitanga.org.br/wp-content/uploads/2020/10/UmRetratoSistemaAlimentarBrasileiro_%C6%92_14.10.2020.pdf ), se discute temas o sistema agroalimentar: plantio, colheita, transporte, venda e consumo. Muito difícil de definir e mais difícil ainda de explicar o processo, mas esse sistema quem define o que chega — ou não — ao prato dos brasileiros. O sistema alimentar brasileiro é marcado pela exacerbada desigualdade social onde a comida é um dos principais indicadores do abismo que existe entre ricos e pobres. O setor do Agronégocio não produz alimentos, produz mercadorias (commodities) e seus preços são afetados pela flutuação dos mercados internacionais. E nessa situação, o produtor não busca vender no mercado interno porque temos uma parcela significativa da população com baixo poder adquisitivo. Isso afeta todo a segurança alimentar de milhares de famílias, em especial das criançcas. Por isso a importância de políticas públicas como PNAE (Programa Nacional de Alimentação escolar) que, por um lado ajuda a dinamizar a economia local e fornece alimentos de qualidade conforme a cultura alimentar da região. É um processo onde ganha o agricultor local e as crianças que assistem às escolas. Hoje o PNAE está sendo desarticulada dentro da lógica de destruição de direitos básicos que, junto ao contexto da pandemia, exacerba a insegurança alimentar das famílias mais pobres. LP- Perfil, resumo e indicação de trabalhos nessa área. OA- Oscar Agustín Torres Figueredo (atender que é ‘Agustín’ e ‘Figueredo’). Engenheiro Florestal formado pela Universidad Nacional de Asunción (FCA-UNA), Paraguai,1997. Possui Mestrado em Engenharia Florestal e Doutorado em Desenvolvimento Rural. Professor do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) campus Frederico Westphalen (RS). Docente de Sociologia rural (cursos de Agronomia e Engenharia florestal); Extensão e desenvolvimento rural e Sistemas Agroflorestais, e Desafios socioambientais do século 21 (curso de Engenharia Florestal). Professor de Ética, cidadania e educação ambiental (curso de Engenharia Ambiental e Sanitária)..-email: prof.oscar@yahoo.com.br Fontes utilizadas: BREGMAN, R. Humanidade: uma história otimista do homem. São Paulo: Planeta, 2021. Disponível em: https://elivros.love/livro/baixar-livro-humanidade-rutger-bregman-em-epub-pdf-mobi-ou-ler-online acesso 15 de out. 2021. DOWBOR, L. A era do capital improdutivo: por que oito famílias tem mais riqueza do que a metade da população do mundo? São Paulo: Autonomia Literária, 2017. Disponível em https://dowbor.org/wp-content/uploads/2018/11/ Dowbor-_-A-ERA-DO-CAPITAL-IMPRODUTIVO.pdf, acesso 15 de out. 2021. HARARI, Y.N. 21 lições para o século XXI. Tradução Paulo Geiger. São Paulo: Companhia das letras, 2018. Disponível em: https://dagobah.com.br/wp-content/uploads/2019/02/21-licoes-para-o-seculo-21-Yuval-Noah-Harari.pdf acesso 15 de out. 2021. . Homo deus: uma breve história do amanhã. Tradução Paulo Geiger. São Paulo: Companhia das letras, 2016. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5510946/mod_resource/content/1/Homo%20Deus%20-%20Yuval%20Noah%20Harari.pdf acesso 15 de out. 2021. MARQUES, Luiz. Capitalismo e colapso ambiental. 3a ed. Campinas: editora da UNICAMP, 2018. Uma publicação em inglês está disponível em https://unicamp.academia.edu/LuizMarques acesso 04 de out. 2021. *Liliana Peixinho – Jornalista investigativa independente. Faz Imersões Jornalísticas em campo de desafios humanitários. Especialização em Jornalismo Científico e Tecnológico; Mídia, Meio Ambiente, Responsabilidade Social; MBA em Hotelaria e Turismo Sustentável. Ativista direitos humanos. Fundadora de mídias independentes: Movimento AMA- Amigos do Meio Ambiente, Mídia Orgânica, REAJA, Catadora de Sonhos, Cuidar do Cuidador, RAMA- Rede de Articulação e Mobilização Ambiental, O outro no Eu. #Envolverde

Da senzala às periferias, o racismo estrutural continua implacável

Racismo é um processo dinâmico que ocorre nas ações e omissões que moldam a opinião pública − da educação ao entretenimento − e na construção de políticas institucionais IHU “Concluímos que o racismo não é estático, é um processo dinâmico que ocorre nas ações e omissões que moldam a opinião pública − da educação ao entretenimento − e na construção de políticas institucionais. Ele faz com que lidemos com comportamentos racistas que afetam o nosso aparelho psíquico, resultando na baixa autoestima e desencadeando doenças relacionadas à saúde mental. E quando institucionalizado, impacta coletivamente”, escreve Ricardo Corrêa, especialista em Educação Superior e Tecnólogo industrial. Eis o artigo. Os homens e as mulheres da África, e de descendência africana, tem tido uma coisa em comum – uma experiência de discriminação e humilhação imposta sobre eles por causa de sua origem africana. Sua cor foi transformada tanto na marca como na causa de sua pobreza, sua humilhação e sua opressão. − Julius Nyerere No dia 13 de maio de 1888, o Brasil iniciou uma nova etapa da sua história. A princesa regente − Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon e Bragança −, conhecida como Princesa Isabel, assinou a Lei Áurea e aboliu o regime escravagista que durava há quase quatro séculos. E neste mês em que se completa 134 anos da abolição, os negros não têm nada a celebrar. Nós divergimos frontalmente dos discursos que consideram a princesa Isabel como a salvadora dos escravizados, afinal, é abundante a quantidade de questões que não foram resolvidas com a abolição. A Lei Áurea impôs aos ex-escravizados a marginalização social e não disponibilizou mecanismos que assegurassem condições dignas de sobrevivência. Ou seja, foi inaugurado caminhos para a perpetuação da opressão deixando intacto o pensamento que nos consideram menos humanos em comparação aos brancos. Nesse sentido, a reflexão do sociólogo W.E.B. Du Bois (1935) sintetiza o nosso ponto “o escravo libertou-se, ficou ao sol por um breve momento, e então retornou a escravidão”. Aliás, a hierarquização entre brancos e negros, brancos e indígenas, é um dos pontos fundamentais na manutenção do racismo. Na obra “Sociologia do Negro Brasileiro” (1988), o sociólogo Clóvis Moura explica que após o dia 13 de maio foram estabelecidos mecanismos de barragem e hierarquização étnica “o aparelho ideológico de dominação da sociedade escravista gerou um pensamento racista que perdura até hoje. Como a estrutura da sociedade brasileira, na passagem do trabalho escravo para o livre, permaneceu basicamente a mesma, os mecanismos de dominação, inclusive ideológicos, foram mantidos e aperfeiçoados”. Sociologia do Negro BrasileiroSociologia do Negro Brasileiro Ainda que a narrativa oficial sobre a escravidão seja distorcida e romantizada, principalmente nos livros didáticos, temos a certeza de que o passado colonial foi fundado na prática de violências contra os africanos e indígenas. Ocorriam violências profundas que tinham a finalidade de animalizar os escravizados e desmobilizar qualquer insurgência, porém, os colonizadores não conseguiram sucesso. A organização dos escravizados − por meio dos quilombos − foram essenciais no processo de resistência e libertação. E mesmo que estejamos sobrevivendo numa sociedade de classes, a essência daquele período continua presente. Isso se confirma com o racismo estrutural. Da senzala às periferias, os negros detêm compulsoriamente o monopólio do sofrimento, como escreveu a jornalista Ida B. Wells (1895) “na época da escravidão, o negro era mantido subserviente e submisso pela frequência e severidade do açoite, mas, com a liberdade, um novo sistema de intimidação entrou em voga. O negro não foi apenas açoitado e açoitado. Ele é morto”. Com o racismo estrutural, os negros não têm acesso aos mesmos direitos gozados pelos brancos, inclusive o direito à vida − segundo o “Atlas da Violência 2021”, a chance de uma pessoa negra ser assassinada é 2,6 vezes maior que uma não-negra. Esse racismo está enraizado em todos os espaços sociais, opera de maneira complexa e dinâmica em prol de um capitalismo que beneficia a elite econômica. Para se ter uma ideia, a World Inequality Lab (Laboratório das Desigualdades Mundiais) − integrante da Escola de Economia de Paris − divulgou um relatório, em 2021, que apontava o Brasil como um dos países com maior desigualdade social e de renda[1]. Dentro desse contexto, nós sabemos muito bem qual a cor da população que ocupa, majoritariamente, a camada mais pobre e miserável da sociedade brasileira. Diante disso, concluímos que o racismo não é estático, é um processo dinâmico que ocorre nas ações e omissões que moldam a opinião pública − da educação ao entretenimento − e na construção de políticas institucionais. Ele faz com que lidemos com comportamentos racistas que afetam o nosso aparelho psíquico, resultando na baixa autoestima e desencadeando doenças relacionadas à saúde mental. E quando institucionalizado, impacta coletivamente. Existem inúmeras pesquisas apontando que estamos desamparados no sistema de justiça, no acesso a saúde e segurança, habitação, emprego e educação de qualidade, na organização política, econômica e social. Por fim, a luta contra o racismo exige o engajamento das pessoas que sonham com uma sociedade justa e igualitária, caso contrário, jamais considere que estamos em uma democracia. Referências Bibliográficas ALEXANDER, Michelle. A nova segregação: racismo e encarceramento em massa. São Paulo: Boitempo, 2018. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMIA APLICADA (IPEA). Atlas da Violência.Brasília: IPEA, 2021. Disponível aqui. Acesso em: 07 mai. 22. MOURA, Clóvis. Sociologia do Negro Brasileiro. São Paulo: Ática, 1988. SANTOS, Joel Rufino dos. Zumbi. São Paulo: Ed. Moderna, 1985. Nota [1] O novo mapa da desigualdade global. Disponível aqui. Acesso em: 07 mai. 22. (EcoDebate, 11/05/2022) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação. [IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Exposição a incêndios florestais aumenta risco de câncer

Viver perto de regiões propensas a incêndios florestais pode aumentar o risco de desenvolver câncer de pulmão e tumores cerebrais. McGill University* Um novo estudo da Universidade McGill encontra maior incidência de câncer de pulmão e tumores cerebrais em pessoas expostas a incêndios florestais. O estudo, que acompanha mais de dois milhões de canadenses durante um período de 20 anos, é o primeiro a examinar como a proximidade de incêndios florestais pode influenciar o risco de câncer. “Os incêndios florestais tendem a acontecer nos mesmos locais todos os anos, mas sabemos muito pouco sobre os efeitos a longo prazo desses eventos na saúde. Nosso estudo mostra que viver próximo a incêndios florestais pode aumentar o risco de certos tipos de câncer”, diz Scott Weichenthal , professor associado do Departamento de Epidemiologia, Bioestatística e Saúde Ocupacional da Universidade McGill. Publicado no The Lancet Planetary Health , o estudo mostra que as pessoas que vivem a 50 quilômetros de incêndios florestais nos últimos 10 anos tiveram uma incidência 10% maior de tumores cerebrais e 4,9% maior incidência de câncer de pulmão, em comparação com pessoas que vivem mais longe . Impactos das mudanças climáticas na saúde humana Com a mudança climática, prevê-se que os incêndios florestais se tornem mais prevalentes, graves e de maior duração no futuro – e são cada vez mais reconhecidos como um problema de saúde global. “Muitos dos poluentes emitidos por incêndios florestais são carcinógenos humanos conhecidos, sugerindo que a exposição pode aumentar o risco de câncer em humanos”, diz Jill Korsiak, estudante de doutorado no laboratório do professor Weichenthal que liderou a análise. Os incêndios florestais geralmente ocorrem em regiões semelhantes a cada ano e, como resultado, as pessoas que vivem em comunidades próximas podem estar expostas a poluentes cancerígenos de incêndios florestais de forma crônica, alertam os pesquisadores. Poluentes nocivos persistentes Além dos impactos na qualidade do ar, os incêndios florestais também poluem os ambientes aquáticos, do solo e de ambientes internos. Enquanto alguns poluentes retornam às concentrações normais logo após o fogo parar de queimar, outros produtos químicos podem persistir no ambiente por longos períodos de tempo, incluindo metais pesados ??e hidrocarbonetos. “A exposição a poluentes ambientais nocivos pode continuar além do período de queima ativa através de várias vias de exposição”, acrescenta o professor Weichenthal. Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para entender a complexa mistura de poluentes ambientais liberados durante os incêndios florestais, observam os pesquisadores. Eles também observam que é necessário mais trabalho para desenvolver mais estimativas de longo prazo dos efeitos crônicos dos incêndios florestais na saúde. Referência “Long-term exposure to wildfires and cancer incidence in Canada: a population-based observational cohort study” by Jill Korsiak, Lauren Pinault, Tanya Christidis, Richard Burnett, Michal Abrahamowicz, and Scott Weichenthal was published in The Lancet Planetary Health. DOI: https://doi.org/10.1016/S2542-5196(22)00067-5 Article has an altmetric score of 344 Henrique Cortez *, tradução e edição. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/05/2022

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Poluição do ar ligada ao aumento nos sintomas depressivos

Há uma crise de saúde mental se formando entre crianças e adolescentes e novas evidências (https://doi.org/10.1037/dev0001310) sugerem que a exposição à poluição do ar pode ser um dos muitos fatores de risco. Em um estudo recente, os pesquisadores descobriram que os adolescentes que vivem em áreas com níveis relativamente altos de ozônio experimentaram um aumento significativo nos sintomas depressivos, como tristeza, solidão e sentimentos de auto-ódio. Por Krystal Vasquez*, EOS E essa mudança na saúde mental pode ocorrer rapidamente, explicou a principal autora do estudo, Erika Manczak , professora assistente de psicologia da Universidade de Denver. “Uma das coisas que me assusta é que estamos vendo esses efeitos em períodos de 2 e 4 anos.” Talvez ainda mais inesperado: todos os 213 participantes do estudo moravam em bairros onde as concentrações médias de ozônio estavam abaixo dos Padrões Nacionais de Qualidade do Ar Ambiente . “Mesmo que fossem níveis objetivamente baixos de exposição média ao ozônio, ainda estamos vendo esses efeitos”. Para realizar este estudo, Manczak e colegas analisaram dados de saúde mental de crianças entre 9 e 13 anos coletados em vários pontos ao longo de um período de 4 anos. Eles então compararam esses números com dados de monitoramento da qualidade do ar que correspondiam aproximadamente ao endereço residencial de cada participante. Depois de contabilizar uma série de fatores compostos – como idade, sexo e status socioeconômico – os pesquisadores descobriram que mesmo níveis ligeiramente elevados de ozônio correspondiam a um aumento nos sintomas depressivos ao longo do tempo. “Eles foram capazes de mostrar tendências de sintomas lineares realmente claros em pessoas expostas a altos níveis [de ozônio] que estão basicamente ausentes em pessoas não expostas a altos níveis”, disse Aaron Reuben , um estudioso de pós-doutorado em neuropsicologia na Duke University que não esteve envolvido. no estudo. “Para as pessoas preocupadas em entender o risco de depressão dos indivíduos, acho que este artigo agrega muito valor novo.” Os cientistas sabem há muito tempo que a exposição à poluição do ar pode levar a uma série de impactos negativos à saúde, mas “supunha-se por muitos anos que a poluição do ar prejudicava principalmente os pulmões”, explicou Reuben. Ainda hoje, diz-se com frequência que o ozônio contribui para problemas pulmonares como asma e infecções respiratórias, “o que acontece, mas então percebemos: talvez também pudesse prejudicar os sistemas orgânicos intimamente associados aos pulmões”. Isso, ao que parece, inclui o cérebro e o sistema nervoso central. “Parece haver algumas evidências (https://doi.org/10.1016/j.tins.2009.05.009) em modelos animais que sugerem que a exposição ao ozônio e outras formas de poluição podem afetar a atividade de vários neurotransmissores, bem como estimular a expressão de proteínas inflamatórias no cérebro”, explicou Manczak. Todas essas coisas foram separadamente implicadas (https://doi.org/10.1111/jcpp.12537) na formação e desenvolvimento de transtornos mentais, disse Omar Hahad , psicólogo e pesquisador do Centro Médico Universitário Mainz, na Alemanha, que não esteve envolvido no estudo. A pesquisa baseada em animais pode dizer muito aos cientistas. Afinal, a depressão em um rato será muito diferente da depressão em um ser humano. É por isso que essas descobertas são frequentemente usadas em conjunto com estudos observacionais, como o de Manczak, para entender como esses mecanismos fisiológicos podem afetar as pessoas, especialmente populações vulneráveis como crianças. Não é uma ciência perfeita, no entanto. Por um lado, “os humanos são sujeitos confusos”, explicou Reuben. “Quase tudo nos estudos de toxicologia humana será correlacional.” Também pode haver outros fatores em jogo que os pesquisadores não podem controlar facilmente. “Em áreas altamente urbanizadas, é mais provável que existam colocalizações de outros fatores ambientais, como exposição ao ruído, luz ou temperaturas, que sabemos afetar a saúde mental”, explicou Hahad. Tomando medidas de precaução No entanto, a pesquisa de Manczak e colegas aumenta a crescente lista de evidências que destacam o efeito negativo da poluição do ar na saúde mental. “Acho que replicar o estudo em uma amostra muito maior e em diferentes partes do mundo seria realmente um próximo passo importante para nos ajudar a ter um pouco mais de confiança nessas associações”, disse Manczak. Além disso, mais trabalho também é necessário para entender como diferentes misturas de poluentes podem alterar esses efeitos. “Não sabemos se os efeitos desses poluentes do ar são aditivos ou sinérgicos”, disse Hahad. Apesar dessas questões pendentes, o público ainda pode tomar medidas de precaução, disseram os pesquisadores. “Acredito muito em prestar atenção à qualidade do ar local e usar essas informações para informar como você se comporta ao longo do dia”, disse Manczak, seja reprogramar atividades ao ar livre em dias de alta poluição ou usar máscaras N95 (https://doi.org/10.1029/2021GH000482) Dito isto, os esforços individuais só podem nos levar até certo ponto. “O que está realmente faltando [são] as ações políticas para realmente resolver esse problema”, disse Hahad. Rubens concordou. “Fundamentalmente, quando falamos de qualidade do ar, qualidade da água, coisas que influenciam a saúde e a longevidade de todos nós, tem que ser uma resposta da sociedade. Você simplesmente não pode fazer isso sozinho.” — Krystal Vasquez ( @caffeinatedkrys ), Escritora de Ciências Referência: Vasquez, K. (2022), Air pollution linked to adverse mental health effects, Eos, 103, https://doi.org/10.1029/2022EO220229 in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/05/2022

Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Entender a história e a dinâmica das transições que ocorrem no país é essencial para se erguer, no século XXI, uma nação estruturada na concepção de equidade, justiça, prosperidade e felicidade O Brasil completará 200 anos da Independência, no dia 07 de setembro de 2022. Na verdade, ao longo dos séculos, foram muitas as ações em defesa da Independência desenvolvidas por múltiplos atores e, em grande parte, a luta pela Soberania Nacional continua. A data oficial, mais que uma efeméride, será um momento de avaliação, aprendizado e reflexão. independência ou morte Existem fundamentos da nacionalidade brasileira que permanecem ao longo do tempo, assim como há grandes mudanças estruturais na organização da economia e na composição demográfica do país. Muita coisa aconteceu nos dois últimos séculos da história brasileira e é preciso conhecer o passado, para entender o presente e planejar o futuro. O livro “Demografia e economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI” pretende colaborar para a reflexão da história brasileira, dando ênfase para as questões demográficas, o mercado de trabalho, as desigualdades de gênero e os desafios econômicos da nova configuração do país. O Brasil, na época da Independência em 1822, tinha uma economia pequena, agrária e rural, um regime autoritário, patrimonialista, escravista e sexista e uma sociedade de baixa renda com a maior parte da população analfabeta e enfrentando altas taxas de mortalidade e natalidade. Mas com o crescimento da população e da economia o Brasil se tornou uma das 10 maiores nações em termos demográficos e econômicos. As transições urbana e demográfica foram grandes conquistas. A esperança de vida ao nascer que estava em torno de 25 anos no início do século XIX, ultrapassou 75 anos em 2019. O tempo médio de vida foi multiplicado por três vezes. A maior longevidade da população foi essencial para o acúmulo do capital humano e para o aumento da produtividade geral de uma economia urbana, industrial e de serviços. Além da queda da mortalidade, houve uma mudança cultural fundamental que possibilitou a queda da taxa de fecundidade, quando os casais mudaram o investimento na formação das famílias, ao invés da quantidade, passaram a investir na qualidade de vida dos filhos. A transição demográfica é um fenômeno por excelência da modernidade e acontece de maneira sincrônica com o desenvolvimento socioeconômico. Este novo padrão demográfico é, inexoravelmente, acompanhado por uma transição da estrutura etária que, por sua vez, gera uma janela de oportunidade que favorece o desenvolvimento humano e possibilita um salto na qualidade de vida de toda a população. O Brasil é uma nação erguida a partir de diversas conjunturas históricas e que se encontra ainda em processo de construção. No momento da chegada da corte portuguesa, em 1808, não existia unidade entre os vários núcleos coloniais do país, sendo que alguns se comunicavam diretamente com a metrópole em Lisboa. A Independência, em 1822, teve o inegável mérito de internalizar o controle em relação às decisões definidoras sobre os rumos nacionais e consolidar a unificação do território, assim como a edificação de um sentimento de Pátria. Mas a arquitetura social e política brasileira se deu de forma heterogênea e fortemente marcada pela desigualdade. A população brasileira avançou em termos quantitativos e qualitativos, apresentando, progressivamente, melhores indicadores gerais de desenvolvimento humano. Mas nada é permanente e tudo está sujeito a transformações. Passado, presente e futuro estão sempre se interagindo e se autocondicionando. Nas comemorações do bicentenário da Independência o Brasil se debruça sobre uma herança complexa e cheia de elementos contraditórios. Entender a história e a dinâmica das transições que ocorrem no país é essencial para se erguer, no século XXI, uma nação estruturada na concepção de equidade, justiça, prosperidade e felicidade. O livro “Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI”, escrito pelo demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, com a colaboração do engenheiro e consultor econômico na área de seguros, Francisco Galiza, fornece um amplo panorama da realidade demográfica, econômica e social do Brasil com uma visão da dinâmica de longo prazo. O livro será lançado no dia 16 de maio de 2022 e estará disponível on line e com acesso livre, a partir da data do lançamento. José Eustáquio Diniz Alves Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382 demografia e economia nos 200 anos da independência do brasil e cenários para o século xxi Referência: ALVES, JED. Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI, ENS, 2022 (com a colaboração de GALIZA, F). O livro estará disponível, com acesso livre, a partir do dia 16 de maio de 2022 no site da Escola de Negócios e Seguros (ENS) in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/05/2022