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quarta-feira, 18 de maio de 2022

EcoDebate - Edição 3.853 de 18 / maio / 2022

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Países em desenvolvimento crescem mais do que os países desenvolvidos A governança global tem muito o que fazer na área econômica, social e ambiental para construir um mundo mais justo e sustentável no século XXI Quatro principais indicadores de mudanças climáticas quebram recordes em 2021 Quatro indicadores-chave de mudança climática – concentrações de gases de efeito estufa, aumento do nível do mar, calor e acidificação dos oceanos – estabeleceram novos recordes em 2021 Declaração de Voto Voto contra a fome / A miséria / O desemprego / O lucro de poucos acima da vida de multidões Mudanças climáticas ameaçam a diversidade funcional das florestas tropicais O desenvolvimento humano e as mudanças climáticas ameaçam a capacidade das florestas de funcionar adequadamente Aquecimento dos oceanos pode levar à extinção de corais Recifes de corais vibrantes repletos de vida marinha estão diminuindo em todo o Caribe à medida que as temperaturas globais aumentam Moratória que inibe uso de botos cor-de-rosa como isca precisa ser mantida Boto-Rosa pode ser extinto caso moratória que proíbe a pesca e comercialização da piracatinga não seja mantida Poluição por metais pesados nos rios pode aumentar a resistência a antibióticos Os cientistas mostraram que níveis elevados de metais pesados nos rios podem levar a níveis mais altos de resistência a antibióticos

Conheça a Arte Indígena do Rio Negro que é Patrimônio do Brasil

James, As cerâmicas produzidas pelos povos indígenas Tukano e Baniwa na Terra Indígena Alto Rio Negro (AM) são uma arte feminina milenar. Da escolha da argila à modelagem, o polimento, a secagem, a queima e o acabamento, o caminho realizado das artesãs tem uma relação profunda com o sagrado e a floresta. O leitor agora pode se sentir mais próximo a essa experiência com o lançamento dos livros de bolso Cerâmica Tukano e Cerâmica Baniwa, elaborados em parceria entre a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e o Instituto Socioambiental (ISA), com apoio da União Europeia, Nia Tero, AMIRT - Associação de Mulheres Indígenas da Região de Taracuã (Cerâmica Tukano) e UMIRA - União das Mulheres Indígenas do Rio Ayari (Cerâmica Baniwa). Polimento de cerâmica com semente de inajá em São Joaquim do Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro (AM). Crédito: Natalia Pimenta/ISA Com conhecimentos sobre a cerâmica Baniwa organizados por Thiago Oliveira e sobre a cerâmica Tukano por Juliana Lins, as obras fazem parte de uma ampla coleção junto aos livros de bolso Arte Baniwa (2001), Pimenta Jiquitaia Baniwa (2016) e Banco Tukano (2015), lançados pelo ISA. Os livros estão disponíveis na loja online do ISA, que envia para todo o Brasil. Clique e garanta o seu: isa.to/livros De forma condensada e plena de informações, o conjunto de livros de bolso revelam as riquezas do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro - reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Para nós, mulheres indígenas, essa cerâmica não é um simples objeto. É uma parte de nós”, conta Larissa Duarte, ceramista e uma das coordenadoras do departamento de mulheres da Foirn. “Esse é nosso modo de lutar, nosso modo de viver. A mulher é muito mais resistente e pensa no bem-estar coletivo, da comunidade, do território.” Junte-se ao ISA! Apoie o trabalho das mulheres indígenas do Rio Negro (AM) Quero me juntar ao ISA! Natália Pimenta Instituto Socioambiental - ISA Mais informações sobre o ISA. Dúvidas ou comentários, ligue ou envie um whatsapp para (11)93500 1149 e fale com Maria Dias ou escreva para relacionamento@socioambiental.org

Como a indústria das apostas afeta a economia

Um dos temas mais falados na atualidade é a possibilidade da legalização das apostas, graças ao Projeto de Lei 442/91, em trâmite no Congresso Nacional. Apesar de não ser um assunto novo, ele vem ganhando bastante espaço na mídia graças à expansão do setor dos jogos eletrônicos nos últimos anos. Para entender como a indústria das apostas afeta a economia, vale a pena analisar o tamanho desta indústria na atualidade, como ela vem atuando no Brasil nos últimos anos e qual a importância da sua regulamentação para os cofres públicos. Qual a situação jurídica atual das apostas? Em 2018, foi sancionada a Lei nº 13756/2018, que permite, em seu artigo 29, a exploração das “apostas de quota fixa”. Com isso, o Brasil legalizou oficialmente as apostas relativas a resultados de eventos esportivos reais (incluindo placares, quantidade de cartões amarelos e vermelhos, autores dos gols, etc.), desde que definido, no momento da aposta, o prêmio a ser pago ao apostador em caso de acerto. De acordo com o texto legal, o direito à exploração desta modalidade passa a ser exclusivo da União. No entanto, apesar do prazo de 4 anos para a devida regulamentação da lei, até o momento ela não foi editada. Deste modo, as empresas estrangeiras continuam atuando em território brasileiro e enviando bilhões de Reais para seus respectivos países, sem precisar pagar qualquer imposto ou taxa. Apesar de isso não ser algo necessariamente ruim para os apostadores, que utilizam sites comparativos como o Odds Shark para escolher as melhores casas de apostas online, significa que uma grande quantia de dinheiro que poderia ser investida no país acaba sendo direcionada sem ônus para o exterior. A Lei nº 14.183/2021 e as mudanças na tributação das apostas de quota fixa Em um novo capítulo desta história, no dia 15 de julho de 2021 foi sancionada a Lei nº 14.183/2021, que altera a Lei nº 13756/2018 no tocante à tributação e à distribuição da arrecadação das apostas de quota fixa, tanto em meios físicos quanto virtuais. De acordo com o novo texto legal, o cálculo dos tributos deve ter como base a diferença entre a arrecadação bruta (Gross Gaming Revenue) e os prêmios pagos aos apostadores. Com isso, o governo pretende “destravar” um mercado que considera promissor e assim aumentar a arrecadação. Como já estava previsto no texto anterior, o total arrecadado servirá para o pagamento dos prêmios, bem como para o investimento em escolas públicas, no Fundo Nacional de Segurança Pública e nos clubes que preencham certos requisitos previstos na lei. O que muda com o PL 442/91 O famoso Projeto de Lei 442/91, que está atualmente em trâmite no Congresso Nacional, prevê a operação de jogos de azar on-line no país, por meio de computadores e celulares. Eles são considerados “jogos de chance”, e diferem dos jogos de quota fixa por dependerem de sorte e por não ser possível saber o valor do prêmio no momento da aposta, já que ele varia de acordo com diferentes parâmetros. Se por um lado é importante a legalização e regulamentação dos jogos, também é necessário analisar o impacto que as restrições legais podem trazer ao setor. Em uma versão anterior do projeto de lei, havia a previsão de inúmeras restrições para a operação de apostas esportivas, que incluíam a necessidade da empresa ter um capital social mínimo de R$ 100 milhões e a limitação da quantidade de operadores no território brasileiro, o que significaria que várias empresas deixariam de operar no país. Para alívio dessas empresas, esta versão não foi aprovada. Por que a regulamentação é importante Os jogos eletrônicos têm movimentado bilhões de dólares ao redor do mundo nos últimos anos, e no Brasil não é diferente. Mesmo assim, ainda há muito espaço para o crescimento deste setor no Brasil, sobretudo após a devida legalização e regulamentação – que vai acabar com qualquer preconceito que ainda exista quanto a este tipo de jogo e aumentar a segurança dos apostadores. Uma coisa é certa – legalmente ou na clandestinidade, os jogos continuarão existindo. Ao negligenciar a indústria das apostas por tanto tempo, o país deixou de arrecadar bilhões de dólares para os cofres públicos, que poderiam ter grande impacto na educação e em outros setores da economia. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/05/2022

Poluição por metais pesados nos rios pode aumentar a resistência a antibióticos

Newcastle University* Pesquisas da Universidade de Newcastle e do Instituto Indiano de Tecnologia de Delhi quantificou a resistência a antibióticos e metais em sedimentos dos rios Ganges e Yamuna na Índia e córregos na bacia do rio Tyne. Os resultados mostram que os metais pesados, que são altos na bacia do rio Tyne devido à mineração histórica e atividade industrial, estão relacionados aos níveis de resistência a antibióticos no rio. O mesmo foi observado nos rios indianos, principalmente em áreas de atividade industrial. Publicando suas descobertas na revista Environmental Pollution, a equipe investigou as relações entre as concentrações de metais pesados, o gene de resistência ao metal (MRG) e a abundância do gene de resistência a antibióticos (ARG). O estudo mostra que as abundâncias de MRG e ARG aumentam onde os níveis de metais são mais altos, sugerindo que alcances com poluição por metais aumentaram a resistência a antibióticos, mesmo quando os antibióticos elevados não são evidentes. Os resultados mostram que a poluição por metais também afeta bactérias residentes, sendo Firmicutes e Bacteroidota os filos mais abundantes em locais com alta poluição por metais. Essas bactérias são comuns em ambientes contaminados por metais e são conhecidas por transportar MRGs e ARGs em grupos em “cassetes de genes”, o que explica por que as exposições a metais podem causar resistência a antibióticos. O estudo mostra que as combinações específicas de metais que promovem as respostas bacterianas mais fortes são o Cobalto mais Níquel e a combinação de Cobalto, Zinco e Cádmio. O coautor do estudo, professor David Graham , da Escola de Engenharia da Universidade de Newcastle , disse: “O trabalho não implica necessariamente um risco à saúde, mas mostra que um rio ou córrego sem poluição por antibióticos ainda pode ter resistência a antibióticos elevada devido a outros poluentes. , como metais. No entanto, em um rio como o Yamuna, que possui alto teor de metais em combinação com muitos outros poluentes, existem maiores preocupações com a disseminação da resistência aos antibióticos”. A principal autora do estudo, Sonia Gupta, do Instituto Indiano de Tecnologia, em Delhi, disse: “A alta exposição ao metal tem o potencial de co-selecionar a resistência a antibióticos em bactérias, tornando-as potencialmente resistentes a vários antibióticos”. Gupta também observou: “Os impactos da resistência a antibióticos induzida por metais pesados são exacerbados quando altos níveis de metais são combinados com outros poluentes, como antibióticos, detergentes e outros produtos químicos, destacando a importância de reduzir a poluição por metais pesados como parte das soluções One Health. para reduzir a transmissão e propagação de ARG.” A resistência aos antibióticos, também chamada de RAM, é um importante problema de saúde pública global que tem implicações no tratamento eficaz de um número crescente de infecções causadas por bactérias, parasitas, vírus e fungos. O uso de antibióticos seleciona cepas de resistência em dejetos humanos e animais, que podem ser liberados no meio ambiente por meio de águas residuais, espalhando ARGs e bactérias AMR pela natureza. Referência: Gupta, S., Graham, D., Sreekrishnan, T., & Ahammad, S. (2022). Effects of heavy metals pollution on the co-selection of metal and antibiotic resistance in urban rivers in UK and India. Environmental Pollution, 119326. doi: 10.1016/j.envpol.2022.119326 Article has an altmetric score of 92 Henrique Cortez *, tradução e edição. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/05/2022

terça-feira, 17 de maio de 2022

"O GRITO DO BICHO" - Boletim Informativo do dia 17.5.2022

Queridos leitores do Blog "O Grito do Bicho” Publicamos matérias superinteressantes e selecionadas que levam vocês a terem conhecimento das questões ligadas aos animais e meio ambiente no mundo todo. Podem ler no nosso blog www.ogritodobicho3.com ou diretamente nos títulos abaixo. • Cachorro é resgatado ferido e nadando sozinho no mar de Vitória (ES) • Polícia encontra 25 animais em situação de maus-tratos em Pato Branco (PR) • Câmera registra homem atirando rojão contra cachorro em Cascavel (PR) • Pele de burro vendida criminosamente em redes sociais • Elefantas que viveram 2 décadas em ecoparque na Argentina chegam ao santuário em MT onde vão viver na natureza • Pets agora “batem ponto” em empresas que incentivam presença de animais no trabalho • Mulher é flagrada chutando cachorrinho e é denunciada em Presidente Figueiredo (AM) • Filhote de onça é resgatado após ser encontrado por morador dentro casa em Tapira (PR) • Família procura por gata idosa levada por casal enquanto descansava em calçada: 'deve estar desesperada' • Girafinha de zoo de San Diego com problema nas pernas ganha aparelho ortopédico especial • Vira-lata ‘mascote’ de emissora de rádio é atacado por pit bull ao defender funcionária grávida • Brasileira na China relata temor de contrair Covid e ser separada dos seus cães e levada para isolamento Não deixem de compartilhar nossas publicações. Abração a todos e obrigado pelo carinho com nosso trabalho. sheila moura

segunda-feira, 16 de maio de 2022

94% das terras indígenas da Amazônia sofreram pressões externas entre 2016 e 2020

Desmatamento, degradação florestal, garimpos, focos de calor ou a existência e construção de estradas são alguns dos fatores que pressionaram essas regiões A análise, que considerou fatores como degradação florestal, garimpos, focos de calor e existência de estradas, mostra que 26 territórios indígenas (7% da Amazônia) apresentaram taxas de desmatamento maiores que a média regional Dos 115 milhões de hectares que as terras indígenas ocupam na Amazônia brasileira, 94% foi submetido, entre 2016 e 2020, a pressões causadas, na maioria das vezes, por agentes externos que vêm colocando em risco os direitos e a coesão social desses territórios. Desmatamento, degradação florestal, garimpos, focos de calor ou a existência e construção de estradas são alguns dos fatores que pressionaram essas regiões, como mostra estudo inédito produzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), desenvolvido a partir da plataforma Timberflow, que reúne dados e oferece maior transparência sobre a cadeia produtiva da madeira no Brasil. Segundo o estudo “Vetores de pressão sobre os territórios indígenas da Amazônia brasileira: situação atual e perspectivas para a governança socioambiental destes territórios”, as áreas mais pressionadas estão localizadas ao longo da nova fronteira madeireira ativa, região historicamente atingida pela degradação ambiental. A pesquisa destacou 26 territórios indígenas, que representam 7% das TI’s da Amazônia e apresentaram alto nível de pressão, com taxas de desmatamento que superaram a taxa média da região. Estima-se que a perda de áreas para o desmatamento, exploração ilegal de madeira e garimpos desses territórios foi de, aproximadamente, 0,9% de sua área total ao ano, quase o triplo do verificado em outras regiões da floresta Amazônica. As unidades de maior pressão de desmatamento foram as terras indígenas de Ituta/Itatá (Pará), Bacurizinho (MA), Paracuhuba (AM) e Turé-Mariquita (PA), com taxas de perda anual superiores a 1% ao ano. De acordo com o estudo, as perdas médias de florestas para o desmatamento e degradação florestal na Amazônia estão estimadas em 0,36% ao ano. “É muito preocupante que quase 30 territórios indígenas tenham apresentado níveis de pressão tão altos, porque esses locais atuam como escudos para proteger os povos indígenas, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos”, afirma a pesquisadora Mayte Benicio Rizek, que liderou o estudo. “Lidar com esse tema é urgente, porque os impactos e perdas são evidentes e se nada for feito a pressão tende a aumentar significativamente também em outros territórios.” Outro vetor de pressão identificado nessa região foi a mineração. O estudo mostra que, desde 2019, processos de pedidos para exploração minerária em territórios indígenas na Amazônia aumentaram 91%. O estudo mapeou pressões nas áreas analisadas e apresentou informações relevantes para o cenário atual, dada a importância do tema de degradação em terras indígenas e perda de direitos dessas populações. A partir dos dados levantados, é possível traçar panoramas futuros, considerados preocupantes pelos pesquisadores caso não sejam tomadas medidas de proteção a esses territórios. Ao fim do estudo, foram apresentadas recomendações para a diminuição da pressão sobre os territórios indígenas da Amazônia, focando em melhorias na governança socioambiental desses territórios para protegê-los de ameaças externas. Dentre as medidas recomendadas estão a inclusão de uma estratégia efetiva de combate ao desmatamento e o ordenamento prioritário das áreas legalmente protegidas. “O estudo é um alerta diante do aumento significativo de invasões a esses territórios, da diminuição de aplicação de multas ambientais e da paralisação dos procedimentos de demarcação”, afirma o coordenador de projetos do Imaflora, Marco Lentini, um dos coautores do estudo. “Para que grande parte das mudanças ocorra, é preciso aumentar o nível de governança, de controle e de fiscalização, especialmente na nova fronteira de desmatamento. Também é crucial avançar em uma agenda de curto prazo que apoie tais populações em sua organização social, fortalecimento das associações representativas e em projetos de valorização de sua cultura, produção e diversidade.” Plataforma Timberflow A plataforma Timberflow foi desenvolvida dentro do projeto “Legalidade e transparência florestal na Amazônia brasileira” do Imaflora, com apoio da Good Energies Foundation, com o objetivo de facilitar a visualização de todas as etapas da produção de madeira da Amazônia, com base nos dados dos sistemas oficiais de controle de produtos florestais. O Timberflow conta com um conjunto de publicações que trazem informação qualificada a respeito da evolução do mercado de madeira e de outros produtos florestais da Amazônia nas últimas décadas, podendo contribuir com o fortalecimento de políticas públicas, iniciativa privada e novos estudos acadêmicos. Sobre o Imaflora O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola — Imaflora — é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais Fonte: Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/04/2022

Para nos alimentarmos, estamos destruindo o planeta

Por Luigi Jorio para o SWI – Bruno Oberle é o diretor-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCNLink externo, na sigla em inglês), sediada na Suíça. A organização é responsável por publicar a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, um inventário do status global da conservação de espécies vegetais e animais. Oberle, de 67 anos, é o primeiro suíço a ocupar o cargo mais alto da IUCN. swissinfo.ch: Você é o chefe da principal organização mundial de conservação da natureza. É uma grande responsabilidade numa época em que os cientistas afirmam que o planeta está enfrentando sua sexta extinção em massa… Bruno Oberle: Sim, de fato é, mas todos nós temos uma grande responsabilidade. Cuidar da natureza e da biodiversidade é fundamental para a humanidade. Nossa existência no planeta e a sobrevivência do nosso modelo de desenvolvimento dependem delas. swissinfo.ch: Quais ecossistemas estão sofrendo a maior perda de biodiversidade? B.O.: Vemos perdas significativas em todos os lugares. O número de espécies ameaçadas é particularmente alto em hotspots de biodiversidade como florestas tropicais. Mas também vemos espécies ameaçadas em ecossistemas um pouco mais inesperados, como, por exemplo, nos maquis do Mediterrâneo. Os ecossistemas de água doce também sofreram declínios particularmente dramáticos. Extinção Mais de 38.500 espécies estão ameaçadas de extinção. Isso representa 28% das quase 140 mil espécies estudadas pela IUCN. Entre as espécies ameaçadas, 26% são mamíferos, 41% anfíbios, 14% aves, 33% corais e 34% coníferas. Nos últimos anos, a situação tem piorado para espécies como o dragão-de-komodo. Tubarões e arraias também estão em declínio devido à pesca intensiva e à crise climática. Em contrapartida, o status de quatro espécies de atum pescadas comercialmente está melhorando, relata a IUCN. Na Suíça, quase 60% das mil espécies de insetos do país estão ameaçadas ou potencialmente ameaçadas, de acordo com o primeiro relatório detalhado sobre insetos feito pelo governo, que foi publicado em 7 de setembro. swissinfo.ch: Urbanização, superexploração, desmatamento e poluição são apenas alguns dos fatores que contribuem para a perda da biodiversidade. Qual destes fatores mais o preocupa? B.O.: É algo dramático de se dizer, mas é a produção de alimentos. Há tantos de nós vivendo na Terra e todos precisamos comer. É por isso que precisamos de uma agricultura de certo tamanho, utilizando grandes áreas. Mas as práticas agrícolas estão mudando fundamentalmente a estrutura das terras. A destruição completa de ecossistemas para dar lugar à agricultura e a influência nociva naqueles que restam têm afetado negativamente a biodiversidade. A fim de nos alimentarmos, estamos destruindo o planeta. bruno oberle Bruno Oberle, 67 anos, é diretor-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), sediada na Suíça. A organização é responsável pela publicação da Lista de Espécies Ameaçadas, um inventário do status global de conservação de espécies vegetais e animais. Oberle, 67 anos, é o primeiro suíço a ocupar o posto. Jo Simoes Mas não precisa ser assim. Podemos imaginar práticas agrícolas e um sistema agroalimentar que forneçam alimentos de qualidade e suficientes para todas as pessoas, e ao mesmo tempo promovam a biodiversidade. swissinfo.ch: Especialistas jurídicos de muitos países gostariam que o Tribunal Penal Internacional de Haia reconhecesse o ecocídio, ou atos ilegais que causam danos ao meio ambiente em larga escala ou a longo prazo, como um crime contra a humanidade. Você concorda com eles? B.O.: Conceitos jurídicos sempre têm um impacto em nosso modo de pensar, então o fato de se debater isso já é bom. Obviamente, qualquer conceito jurídico só se torna operacional quando é transformado em lei. Por enquanto, há poucos países que contemplam o ecocídio em sua legislação. Além do ecocídio, também devemos refletir sobre outro conceito relacionado, que seriam os direitos da natureza, ou o direito de uma espécie ou ecossistema à existência. Em alguns países, esta questão está em pauta ou já se encontra na esfera legislativa. No Equador, o direito da natureza foi incluído na Constituição, enquanto a Nova Zelândia deu direitos legais a alguns rios considerados sagrados por povos indígenas. swissinfo.ch: O aquecimento global já está tendo impactos irreversíveis sobre a natureza, de acordo com um relatório sobre a mudança climática publicado recentemente pela ONU. Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas permite que espécies colonizem novos territórios. Como devemos entender a relação entre a crise climática e a biodiversidade? B.O.: Toda mudança é um fator de estresse para um ecossistema e, portanto, para as espécies que nele vivem. O ecossistema deve mudar ou mover-se para dar lugar a outro tipo de ecossistema. Isso por si só não é problemático, é algo que acontece o tempo todo no planeta. O problema é a velocidade e a escala com que isso ocorre, como no caso do aquecimento global. Na Suíça, o aumento da temperatura está forçando algumas espécies a migrarem para altitudes mais elevadas. As florestas de faia estão se movendo mais para cima e seu lugar no planalto suíço provavelmente será ocupado por carvalhos. Mas serão necessárias décadas para que isso aconteça. O outro aspecto a ser considerado quando falamos sobre a crise climática é a capacidade dos ecossistemas de estabilizar as condições em que se encontram, por exemplo, absorvendo água ou moderando a temperatura. Os ecossistemas e a natureza em geral podem, portanto, nos ajudar a nos adaptarmos às mudanças climáticas. Eles também ajudam a mitigar as mudanças causadas pelo aquecimento global. Isso é muito importante, uma vez que soluções baseadas na natureza podem contribuir com até 30% da mitigação necessária para estabilizar o aquecimento abaixo de 2°C até 2030. swissinfo.ch: Sua organização, a IUCN, estima que são necessários 700 bilhões de dólares por ano para lidar com a perda de espécies animais e vegetais. Onde vamos encontrar todo esse dinheiro? B.O.: Não precisamos necessariamente “encontrar dinheiro”, ou pelo menos não apenas isso. Devemos primeiro pensar em como o estamos utilizando. Todos os anos, cerca de 600 bilhões de dólares (567,6 bilhões de francos suíços) são gastos mundialmente em subsídios para a indústria de energia fóssil. Esses subsídios poderiam ser investidos na biodiversidade. Os subsídios para o setor agrícola também precisam ser revistos. Não se trata de eliminar os subsídios à agricultura, mas de exigir outros benefícios que favoreçam a biodiversidade. Estimamos que, futuramente, cerca de 60 bilhões de dólares terão que ser mobilizados por ano. Os Estados devem chegar a um acordo sobre a repartição de investimentos público-privados. A discussão é semelhante àquela sobre os 100 bilhões de dólares por ano para o clima, com a diferença de que, no campo da biodiversidade, falta um contribuinte importante, a saber, os Estados Unidos, que não ratificaram a Convenção sobre Diversidade Biológica. foresta e terreno agricolo Formosa do Rio Preto, Bahia, Brasil: parte da savana tropical foi destruída para dar lugar à agricultura. AFP swissinfo.ch: Quais países mais estão atuando para proteger as espécies marinhas e terrestres? B.O.: Nos últimos anos, muitos países têm feito progressos palpáveis no aumento da quantidade e da qualidade de áreas protegidas e conservadas. Para citar alguns, Belize, Butão, Seychelles e Zâmbia superaram a meta de AichiLink externo para a proporção de áreas marinhas e terrestres protegidas [meta número 11]. Entretanto, para entender o quão bem as áreas protegidas e conservadas estão alcançando as metas de conservação, não basta olhar para o percentual de cobertura. Também precisamos ver se são as áreas corretas que estão sendo protegidas, a fim de garantir que todas as espécies e tipos de ecossistemas sejam contemplados, e se a proteção está sendo implementada de forma justa e equitativa para as comunidades locais. A Lista Verde de Áreas Protegidas da IUCNLink externo fornece um parâmetro internacional para a conservação eficaz e equitativa. *Crédito da Imagem Destacada: O uso intensivo da terra é uma das principais causas da perda da biodiversidade no mundo. AFP #Envolverde