sexta-feira, 14 de agosto de 2020

A relação entre o meio ambiente e a saúde em tempos de pandemia

O surgimento do novo coronavírus tem ligação direta com os problemas ambientais que o mundo enfrenta. O intenso avanço urbano, em conjunto com utilização desenfreada dos recursos naturais e a exploração dos biomas favorece muito o surgimento de doenças zoonóticas, aquelas transferidas de animais para humanos. Talvez esse seja o maior exemplo dos tempos atuais de como a ação ambiental tem papel fundamental na saúde pública. Ainda assim, são poucas esperanças de que a lição sirva para mostrar a relação próxima entre saúde e meio ambiente. Pelo contrário: a pandemia da Covid-19 tem causado outros problemas ambientais que também geram grandes ameaças à saúde. O foco total voltado à Covid-19 contribuiu para que o governo “passasse a boiada”, revertendo importantes medidas que ajudavam a proteger o meio ambiente brasileiro. Enquanto isso, a população, em isolamento social, sente mais do que nunca a falta que o contato com a natureza faz. Sofia Vargas, editora do Guia de Bem Estar, ressalta as diversas pesquisas que relacionam a proximidade com a natureza e a amenização de transtornos mentais, como o estresse e a ansiedade: “Na pandemia, a preocupação com a saúde mental cresceu exponencialmente, por conta do contexto favorável ao surgimento de transtornos. A falta do contato com a natureza, por conta do isolamento, ajuda a mostrar para a população e para o poder público como a manutenção de áreas verdes é uma questão de saúde pública e bem estar social”. Outra consequência da pandemia para o meio ambiente que vai de encontro direto com a saúde da população é o aumento de resíduos. A falta de preparação de quase metade dos municípios brasileiros para lidar corretamente com o lixo se torna ainda mais perigosa em um período em que a população, por passar maior parte do tempo em casa, gera muito mais detritos. A consequente contaminação do solo e das águas tende a ser um ponto determinante no surgimento e disseminação de novas doenças. Em longo prazo, as consequências ambientais da pandemia podem ser ainda mais desastrosas para a saúde pública. Devido à enorme recessão econômica, a tendência é que a atividade industrial volte com muita força, visando recuperar o tempo perdido, aumentando a emissão de poluentes e contribuindo para as diversas doenças causadas por este processo. Com todas as atenções voltadas ao enfrentamento da Covid-19, e com a retomada econômica ficando em segundo plano, a exploração ambiental, que é a raiz do problema, acaba ficando ofuscada, perdendo espaço nas pesquisas. O desenvolvimento de tecnologias sociais eficazes também fica esquecido. Com isso, o ciclo se renova e o mundo todo continua constantemente com a saúde ameaçada, na iminência de uma nova pandemia. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2020

No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos

Quase 40% das escolas brasileiras não têm estruturas básicas para lavagem de mãos No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos, segundo dados de Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Além disso, de acordo com o Censo Escolar 2018, 26% das escolas brasileiras não têm acesso a abastecimento público de água. Quase metade (49%) das escolas brasileiras não tem acesso à rede pública de esgoto. O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo dez ações imediatas e listas de verificação de segurança. As diretrizes incluem protocolos relacionados com água, saneamento e higiene, uso de equipamento de proteção individual, limpeza e desinfecção, bem como acesso a água limpa, estações de lavagem das mãos com sabão e banheiros seguros. ONU Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão Enquanto as escolas em todo o mundo estão discutindo sua reabertura, os dados mais recentes do Programa Conjunto de Monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para Saneamento e Higiene revelam que 43% das escolas em todo o mundo não tinham instalações básicas para lavagem das mãos com água e sabão em 2019 – uma condição fundamental para que sejam capazes de operar com segurança em meio à pandemia de COVID-19. “O fechamento global de escolas desde o início da pandemia de COVID-19 apresentou um desafio sem precedentes para a educação e o bem-estar das crianças”, disse Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF. “Devemos priorizar o aprendizado das crianças. Isso significa garantir que as escolas sejam seguras para reabrir – incluindo acesso à higiene das mãos, à água potável limpa e ao saneamento seguro.” De acordo com o relatório, cerca de 818 milhões de crianças não têm instalações básicas para lavar as mãos em suas escolas, o que as coloca em maior risco de contrair COVID-19 e outras doenças transmissíveis. Mais de um terço dessas crianças (295 milhões) estão na África ao sul do Saara. Nos países menos desenvolvidos, sete em cada dez escolas carecem de instalações básicas para lavagem das mãos e metade das escolas carecem de saneamento básico e serviços de água. O relatório enfatiza que os governos que buscam controlar a disseminação da COVID-19 devem equilibrar a necessidade de implementação de medidas de saúde pública e os impactos sociais e econômicos associados às medidas de quarentena/lockdown. As evidências dos impactos negativos do fechamento prolongado de escolas na segurança, no bem-estar e no aprendizado das crianças estão bem documentadas, afirma o relatório. “O acesso a serviços de água, saneamento e higiene é essencial para a prevenção e o controle eficazes de infecções em todos os ambientes, incluindo escolas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Deve ser o foco principal das estratégias governamentais para reabertura e operação seguras de escolas durante esta pandemia de COVID-19”. Outras descobertas importantes do relatório incluem: Das 818 milhões de crianças que não tinham um serviço básico de lavagem das mãos na escola, 355 milhões foram para escolas que tinham instalações com água, mas não tinham sabão, e 462 milhões para escolas que não tinham nenhuma instalação ou água disponível para lavar as mãos. Nos 60 países com maior risco de crises de saúde e humanitárias devido à COVID-19, três em cada quatro crianças não tinham serviço básico de lavagem das mãos na escola no início do surto; metade de todas as crianças não tinha serviço básico de água; e mais da metade não tinha serviço de saneamento básico. Uma em cada três escolas em todo o mundo tinha serviço limitado de água potável ou nenhum serviço de água potável. 698 milhões de crianças não tinham serviço de saneamento básico na escola. O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo 10 ações imediatas e listas de verificação de segurança. O documento se baseia nas diretrizes sobre a reabertura segura de escolas publicadas por Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), UNICEF, Programa Mundial de Alimentos (WFP) e Banco Mundial. Há conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais sobre como se preparar para a reabertura segura e como manter as crianças seguras quando retornarem à escola. O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo dez ações imediatas e listas de verificação de segurança. As diretrizes incluem protocolos relacionados com água, saneamento e higiene, uso de equipamento de proteção individual, limpeza e desinfecção, bem como acesso a água limpa, estações de lavagem das mãos com sabão e banheiros seguros. UNICEF e OMS estão empenhados em alcançar o acesso equitativo a serviços de água, saneamento e higiene adequados em todo o mundo. As agências lançaram recentemente uma iniciativa conjunta, Hand Hygiene for All (Higiene das Mãos para Todos – disponível somente em inglês), para apoiar as comunidades mais vulneráveis com os meios para proteger sua saúde e meio ambiente. Reúne parceiros internacionais, governos nacionais, setores público e privado e sociedade civil para garantir que produtos e serviços acessíveis estejam disponíveis, especialmente em áreas desfavorecidas. No Brasil Nota técnica lançada pelo UNICEF, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Internacional de Águas de Estocolmo (SIWI) mostra a situação de água e saneamento no Brasil, apresentando uma análise das ações implementadas no país e recomendações para uma resposta mais eficaz e equitativa à crise da COVID-19. No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos, segundo dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP). Além disso, de acordo com o Censo Escolar 2018, 26% das escolas brasileiras não têm acesso a abastecimento público de água. Quase metade (49%) das escolas brasileiras não tem acesso à rede pública de esgoto. Confira a nota técnica. Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2020

Covid-19: CPT denuncia contaminação em massa das trabalhadoras e trabalhadores do setor agroindustrial

denúncia A Diretoria e a Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT vêm a público denunciar o aumento exponencial dos casos de Covid-19 registrados entre trabalhadoras e trabalhadores do setor agroindustrial e de outros que utilizam mão-de-obra no campo, afetando também comunidades camponesas e povos tradicionais. Frigoríficos, construtoras e mineradoras, principalmente, têm contribuído para a interiorização da tragédia sanitária e social que atinge a população brasileira. A irresponsabilidade com os protocolos de segurança por parte de empresas desses setores, aliada às políticas equivocadas em nível nacional, estadual e municipal no combate à pandemia, influenciam determinantemente no aumento das infecções e dos óbitos por todo o país. Daí resulta que passamos de 104.500 mil mortos em decorrência da pandemia do novo coronavírus e assumimos a vanguarda macabra mundial. Os conflitos e violências no campo brasileiro continuam mesmo durante a pandemia. Fazendeiros, grileiros de terra, escravagistas, madeireiros, mineradoras, empresas de energia considerada “limpa” etc. não fazem quarentena! A situação tem piorado também em consequência das medidas do Governo Federal que incentivam o uso de agrotóxicos e o desmatamento, restringem os direitos territoriais e ambientais e desautorizam as instâncias de fiscalização trabalhista e ambiental. Estas medidas favorecem a dinâmica predatória da produção de grãos, de minérios, de madeira e de energia, jogando na invisibilidade os mais graves crimes contra a pessoa e contra o meio ambiente. Por conta da vigilância da sociedade civil organizada e da louvável teimosia de agentes públicos, casos graves de trabalho escravo continuaram sendo flagrados, por último em Santa Catarina, vitimizando trabalhadores aliciados no Maranhão e no Ceará, entre outros. A produção, distribuição, comercialização e entrega de alimentos são atividades consideradas essenciais, não podendo ser interrompidas durante a pandemia. A necessidade de alimentação da população, no entanto, não veio acompanhada dos cuidados com a vida daqueles que a garantem. Os números mostram que o setor não se preparou para seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no enfrentamento da pandemia. Comprovam também que isso contribuiu para espalhar o vírus em comunidades e municípios do interior do país onde atuam. A Portaria Conjunta 19/2020 dos Ministérios da Agricultura, Saúde e Economia, que dispõe sobre as normas de prevenção para a indústria frigorífica, mostrou-se pouco efetiva: os casos de contaminação não cessam no setor. A Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (CONTAC) estima que foram infectados pelo menos 200 mil dos aproximadamente 800 mil funcionários e funcionárias do setor. Segundo a entidade, entre 25% e 50% desses trabalhadores e trabalhadoras foram infectados em decorrência das atividades nas cadeias produtivas de aves, suínos e bovinos. Denúncias vêm sendo feitas desde junho, sem resultar em medidas de prevenção à altura da gravidade do problema. Até 07 de julho, o Ministério Público do Trabalho (MPT) tinha aberto processos na Justiça para interdição de 11 frigoríficos em seis estados, após as denúncias de contaminação de funcionários. Seis deles chegaram a ser fechados, depois reabertos, mediante Termos de Ajustamento de Conduta – TACs. Outras 213 investigações estavam em curso em 22 estados para apurar denúncias semelhantes no setor. O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu 213 investigações em 22 estados para apurar denúncias neste setor, após o surto da contaminação entre funcionários. Destas, o Rio Grande do Sul concentra o maior número de investigações em frigoríficos: em 23 municípios do estado, empresas apresentaram trabalhadores infectados, desde o início da pandemia. A JBS, maior empresa do ramo e também a de maior contaminação, veio a agir paliativamente, depois de intervenções do MPT, e desencadeou intensa propaganda de suas ações. Em Passo Fundo – RS, entre 400 empregados testados, 180 tinham a doença; mesma situação em outras duas unidades neste estado. Em Goiás, foram em torno de 700 contaminados na unidade de Rio Verde. Em todo o município, um ícone do agronegócio, somam 9.751 casos, com 140 óbitos, até 06/08/2020. Em Rondônia, 60% dos casos de Covid-19 em São Miguel do Guaporé são de funcionários da JBS; entre eles, dois quilombolas, que levaram a doença para sua comunidade. A infecção comunitária é um problema em vários Estados, e vem se agravando principalmente em pequenas comunidades e nos povos originários e tradicionais. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) afirma que até o dia 13 de agosto foram registrados 667 óbitos entre os 146 povos afetados. Segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), foram registrados até 12 de agosto 152 óbitos de quilombolas em 15 estados. As comunidades do campo têm sido contaminadas também pela atuação do setor da construção civil. Na Bahia, trabalhadores foram contaminados em canteiros de obras da Andrade Gutierrez, que ali constrói linhas de transmissão de energia: 34 em Nova Holanda, no município de Pilão Arcado, e 28 em Angico, município de Campo Alegre de Lourdes; neste, o alojamento dos trabalhadores contaminados foi incendiado por moradores. Empresas construtoras de parques eólicos são focos principais de contaminação dos mais de 100 casos ocorridos em Pindaí e Palmas de Monte Alto, também na Bahia. Em Minas Gerais, trabalhadores da empreiteira Cobra Brasil, em Jaboticatubas, a 60 km de Belo Horizonte, estavam contaminados. A empresa que pertencente ao Consórcio Mantiqueira Transmissora de Energia S/A, do grupo Brookfield, instala linhas de transmissão por vários municípios do estado, inclusive o Vale das Cancelas, distrito de Grão Mogol, no norte do estado, local em que os direitos territoriais tradicionais da comunidade geraizeira não estão sendo respeitados. Na mineração, o quadro não é diferente. Números oficiais falam em 20.362 casos confirmados e 152 mortes por Covid-19 em Parauapebas – PA até 05/08/2020, números superiores aos de muitas capitais. A cidade, que se formou e cresceu em função da mineradora Vale, enfrenta um colapso no sistema de saúde que torna ainda pior o quadro. A Vale, uma das três maiores mineradoras do mundo, campeã de doações para combate à Covid-19 no Brasil, em competentes ações de marketing, não dispõe de outra forma de apoio aos municípios que perderam valores da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM. Num protesto de rua, em maio, na cidade de Brumadinho – MG, local da tragédia criminosa do rompimento da barragem de rejeitos da empresa, em janeiro de 2019, que levou à morte 259 moradores e 11 desaparecidos, dizia-se: “A covid-19 mata e Vale também, lutem contra esses males”. No final daquele mês, o complexo minerador da Vale em Itabira – MG, a 105 km de Belo Horizonte, foi interditado após fiscais do trabalho terem identificado 200 trabalhadores infectados – 10% do total de funcionários que atuam na empresa. Constatamos também que os impactos e efeitos da Covid-19 têm diferenças de classe, de etnia e de modos de vida. A forma com que o vírus vem se espalhando na sociedade brasileira evidencia os problemas estruturais oriundos da exploração secular do capitalismo agrário, neocolonial, agroindustrial, financeiro. Diante disso, a CPT vem alertar a sociedade brasileira para a gravidade dessa situação que atinge trabalhadores, trabalhadoras e as comunidades onde vivem, de responsabilidade das empresas e com omissão ou conivência das autoridades. Para a CPT essa situação alarmante deve ser denunciada aos órgãos nacionais e internacionais de Direitos Humanos. Juntamo-nos às denúncias em curso no âmbito nacional e internacional sobre o assunto e, de modo especial, saudamos a postura corajosa e profética da Carta ao Povo de Deus assinada por 152 bispos da Igreja Católica, divulgada no dia 26/07/2020 e apoiada por 1.543 sacerdotes em 05/08/2020. A carta afirma que o Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, fruto da “combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança.” Completam os bispos que “não cabe omissão, inércia e nem conivência diante dos desmandos do Governo Federal”. No momento atual, até por razões humanitárias, os esforços do Estado, das empresas e de toda a sociedade devem priorizar a solidariedade concreta com os cidadãos e cidadãs, famílias, comunidades e povos em situação de vulnerabilidade social, alimentar e sanitária. Ao cabo, porém, impõe-se inexorável a questão: até quando nossa sociedade vai suportar a tragédia em andamento sem agir à altura exigida para uma mudança real? Goiânia, 13 de agosto de 2020. Diretoria e Coordenação Nacional Executiva da CPT. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/08/2020

EcoDebate - Edição 3.494 de 14/ agosto / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Decrescimento demoeconômico com prosperidade e regeneração ecológica Aquecimento global ameaça o carbono ‘estocado’ em solos de florestas tropicais Redução da camada de gelo da Groenlândia passa do ponto sem volta Pesquisa propõe fotossíntese artificial para geração de energia alternativa A relação entre o meio ambiente e a saúde em tempos de pandemia No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos Covid-19: CPT denuncia contaminação em massa das trabalhadoras e trabalhadores do setor agroindustrial “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Vacina para a Covid-19, o que precisamos saber

Artigo de Vinícius Bednarczuk de Oliveira [EcoDebate] O assunto mais abordado atualmente em todas as mídias é a vacina para a Covid-19. Temos visto que diversos países possuem empresas com estudos avançados, o Brasil, devido ao descontrole da disseminação do vírus, está participando de diversos, pois é interessante estudar a vacina onde ainda não se tem controle dos casos. Toda essa situação acaba gerando algumas perguntas. Por que os pesquisadores estão em busca de uma vacina e não de um medicamento? Por que uma vacina demora para ser produzida? Para conseguirmos combater e proteger a população contra a infecção pelo novo coronavírus, a forma mais eficaz de se imunizar é através da vacina. Apenas a vacinação em massa será capaz de estimular em cada indivíduo a produção de anticorpos contra o vírus, e desta forma, evitar que a pessoa vacinada venha a contrair a doença quando em contato com o microorganismo. Um medicamento com ação antiviral precisa atuar de forma muito específica no ciclo do vírus, ou seja, a procura dos medicamentos para a Covid-19 busca amenizar os sintomas causados pela doença. Mas, se a forma mais eficaz de se combater este novo vírus é através da vacinação, porque demora tanto para produzir essa vacina, já que tantas empresas parecem estar avançadas nos estudos? Para respondermos esta pergunta precisamos entender as fases de desenvolvimento de uma vacina. Algumas das empresas que a estão desenvolvendo têm seus estudos já em fase 3, isso significa que a vacina é capaz de produzir os anticorpos e está sendo testada em diversos centros de pesquisas ao redor do mundo para garantir segurança e eficácia. Após esta fase, com os dados obtidos, é possível solicitar o registro e aprovação para uso comercial às autoridades sanitárias competentes, no caso do Brasil é a ANVISA. Nos últimos dias, a Rússia surgiu como uma nova promessa em busca da tão esperada vacina, porém essa notícia deixou a comunidade científica desconfiada, devido a falta de dados científicos de fase 1, que garantem a segurança, e de fase II, que demonstram a produção suficiente de anticorpos. Qualquer notícia sobre a produção das vacinas contra a Covid-19 sempre deixa a população mundial esperançosa, mas antes que ela chegue amplamente à população, é necessário garantir que seja um produto seguro e eficaz para ser utilizado. Sabemos que o desenvolvimento é demorado, mas é nossa esperança na busca do convívio em sociedade novamente. Vinícius Bednarczuk de Oliveira, farmacêutico e coordenador dos cursos de Farmácia e Práticas Integrativas e Complementares do Centro Universitário Internacional Uninter. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/08/2020

Casos de síndrome respiratória aguda grave podem indicar subnotificação da Covid-19

Aumento do número de casos da síndrome entre pessoas de baixa renda indica que notificação da covid-19 pode estar subestimada no Brasil, diz estudo publicado na Nature Por Júlio Bernardes, do Jornal da USP No Brasil, a covid-19 se espalhou mais rapidamente que na Europa no primeiro mês de epidemia, e o aumento do número de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre pessoas de baixa renda indica uma possível subnotificação da doença no País. As conclusões são de um estudo que analisou as características epidemiológicas e demográficas da epidemia, coordenado pelo Centro Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE). Os resultados da pesquisa, que teve a participação de pesquisadores da USP e de outras instituições de pesquisa brasileiras e britânicas, são apresentados em artigo publicado na Nature Human Behaviour. “O estudo avaliou três bases de dados oficiais de notificação de casos de covid-19 durante os três primeiros meses da epidemia no Brasil, entre março e maio”, afirma o pesquisador William Marciel de Souza, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, primeiro autor do artigo. “Com estas bases de dados buscou-se analisar possíveis fatores que possam ter contribuído para que o Brasil se tornasse o segundo país no mundo com maior número de casos e mortes confirmados.” Com base no histórico de viagens dos pacientes no primeiro mês de epidemia, a pesquisa mostra que os casos importados foram adquiridos principalmente nos Estados Unidos (28,6%), Itália (24,4%), Reino Unido (10,5%) e Espanha (8,3%). “As primeiras notificações da covid-19 foram registradas nos maiores centros populacionais do País, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que possuem aeroportos internacionais, que foram provavelmente a porta de entrada do vírus por aqui”, explica o pesquisador. “Em seguida, observou-se a disseminação da doença para municípios do interior do Brasil.” Os pesquisadores também calcularam o número básico de reprodução, também conhecido como R0, usado para descrever a transmissibilidade de um determinado patógeno no início da epidemia. “Com base nesse cálculo, foi comparado o R0 para o Brasil e outros países muito afetados pela covid-19, como Espanha, França, Reino Unido e Itália”, afirma Marciel de Souza. “Observou-se que, no Brasil, duas pessoas infectadas transmitiam o vírus para outras seis, e nos países europeus, duas pessoas transmitiam para outras cinco. Este resultado indica que a epidemia no Brasil foi mais acelerada no primeiro mês.” Possível subnotificação O estudo mostra um aumento de 2,3 vezes nos casos de SRAG com origem desconhecida, em comparação com os casos confirmados de covid-19 desde a introdução do vírus no Brasil. “Em seguida, avaliou-se se as diferenças socioeconômicas estavam relacionadas com este resultado”, relata o pesquisador. “Para isso, foi feita uma análise geoespacial na região metropolitana de São Paulo, que incluiu a geolocalização dos casos de covid-19 e comparou com a renda média das pessoas de acordo com sua região censitária (do censo demográfico).” Os pesquisadores observaram que as pessoas que recebem diagnóstico de covid-19 vivem em regiões censitárias com renda mais elevada que as diagnosticadas apenas com SRAG no primeiro mês da epidemia no Brasil. “O resultado sugere que o número de casos notificados pode estar substancialmente subestimado, particularmente em regiões de menor nível socioeconômico”, ressalta Marciel de Souza. síndrome respiratória aguda grave Gráfico mostra crescimento dos casos de síndrome respiratória aguda grave com causa desconhecida (linha contínua em vermelho), o que pode apontar para uma notificação subestimada dos casos de covid-19 (linha tracejada em vermelho), especialmente em regiões de menor nível socioeconômico – Imagem: Reprodução/Revista Nature De acordo com o pesquisador da FMRP, o estudo fornece informações sobre as características epidemiológicas e demográficas da covid-19 no Brasil. “Estas informações podem ser subsídios importantes para a tomada de decisões dos responsáveis de saúde pública”, aponta. “A pesquisa mostra uma necessidade urgente de diagnóstico universal, rastreamento dos contactantes e medidas coordenadas de distanciamento social para conter a transmissão de vírus.” A pesquisa é uma iniciativa do CADDE e contou com um equipe multidisciplinar de virologistas, epidemiologistas, clínicos, sociólogos e estatísticos de instituições brasileiras (USP, Ipea, UFMG, Fiocruz, UFGD, Famerp) e estrangeiras, como a Universidade de Oxford e o Imperial College London (Reino Unido). O trabalho foi desenvolvido com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e apoio das agências de financiamento internacional britânicas MRC e Wellcome Trust. Os resultados do estudo são descritos no artigo Epidemiological and clinical characteristics of the COVID-19 epidemic in Brazil, publicado na Nature Human Behaviour em 31 de julho. Do Jornal da USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/08/2020

EcoDebate - Edição 3.493 de 13/ agosto / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Os resultados da pandemia na redução de gases de efeito estufa na atmosfera O Trabalho no Lar e a Pandemia da Covid-19 Covid-19 e a vacina russa Vacina para a Covid-19, o que precisamos saber Novo estudo apoia as previsões de que o Ártico poderá ficar livre do gelo marinho em 2035 A new study supports predictions that the Arctic could be free of sea ice by 2035 Desmatamento na Amazônia é 66% menor em terras indígenas Casos de síndrome respiratória aguda grave podem indicar subnotificação da Covid-19 “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]