sexta-feira, 30 de outubro de 2020

EcoDebate - Edição 3.544 de 30 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Relatório sobre o Estado dos Serviços Climáticos de 2020 Preço Sustentável O movimento “Too good to go”, contra o desperdício de comida O setor de energia é causa, mas é vulnerável às mudanças climáticas Tragédia de Mariana, 5 anos depois, população ainda aguarda reparações Reciclagem é um tema importante na escola Confirmado La Niña, de moderado a forte, em 2020/2021; Veja os impactos estimados “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Ministra Rosa Weber, do STF, suspende decisão do Conama criada por Ricar...

Ricardo Salles exclui conta no Twitter após ofensa a Rodrigo Maia

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Perda atual de espécies afeta diretamente a vida dos humanos

Isso é confirmado pelo Jena Experiment, um dos maiores experimentos sobre biodiversidade em que cientistas do Karlsruhe Institute of Technology (KIT) estiveram envolvidos. Karlsruhe Institute of Technology (KIT) O consórcio Jena agora relata na Nature Ecology & Evolution que as funções do ecossistema não podem apenas ser previstas a partir das propriedades das plantas, mas que toda a complexidade das interações bióticas e abióticas deve ser considerada. (DOI: 10.1038 / s41559-020-01316-9) A biodiversidade na Terra, incluindo a diversidade de espécies, a diversidade genética dentro das espécies e a diversidade dos ecossistemas, é a base da vida de todos os organismos, incluindo os humanos. Os processos fundamentais dependem da biodiversidade, como o crescimento das plantas e a estabilidade dos ciclos materiais. No entanto, a diversidade biológica está diminuindo continuamente. Segundo os pesquisadores, essa perda atingiu, entretanto, uma extensão alarmante. Por esse motivo, inúmeros estudos e experimentos científicos abordam a importância da biodiversidade para o funcionamento dos ecossistemas e seu uso pelo homem. A perda de espécies tem consequências diretas para os humanos Um dos maiores e mais longos projetos sobre biodiversidade é o Experimento Jena, que foi financiado pela Fundação de Pesquisa Alemã de 2002 a 2019 (DFG; grupos de pesquisa FOR 456 e FOR 1451) e coordenado pela Universidade Jena. No experimento, pesquisadores de diferentes instituições científicas estudaram os efeitos da biodiversidade nas pastagens. Por meio da quantificação abrangente dos ciclos dos principais elementos químicos e da investigação dos processos acima do solo e subterrâneos, eles determinaram os mecanismos básicos. O professor Wolfgang Wilcke, chefe do Grupo de Geomorfologia e Ciência do Solo do Instituto de Geografia e Geoecologia do KIT (IFGG), e a Dra. Sophia Leimer, cientista e membro deste grupo, participaram do experimento e estudaram a relação entre a diversidade de plantas e o nitrogênio e ciclo do fósforo. “As descobertas do Experimento Jena confirmam que a perda atual de espécies tem consequências diretas para a humanidade”, diz Wilcke. “Como resultado, funções da natureza que aparentemente podem ser consideradas óbvias são interrompidas.” Segundo o geoecólogo, exemplos são a produção de biomassa para alimentos, tecidos, materiais de construção e combustíveis, além dos ciclos de água e nutrientes. Suas mudanças têm impactos graves, como inundações, secas ou poluição das águas subterrâneas. “Para interromper esse desenvolvimento e proteger a diversidade de espécies, são necessárias mais pesquisas e medidas práticas em todos os níveis, desde o consumidor individual até governos nacionais e organismos internacionais”, continua Wilcke. A importância da biodiversidade só pode ser determinada por pesquisa interdisciplinar Em uma série de três publicações na Nature Ecology & Evolution, o consórcio Jena publicou os principais resultados entre 2018 e 2020: Quanto mais funções do ecossistema, como um ciclo fechado de nutrientes, e os serviços do ecossistema resultantes (por exemplo, produção de biomassa) forem alcançados, mais espécies de plantas são necessárias, dizem os cientistas. Junto com o Experimento BioDIV nos EUA, o consórcio Jena descobriu que os resultados de experimentos artificiais, nos quais misturas de espécies de plantas eram geralmente compostas de forma aleatória, são estáveis ​​e podem ser transferidos para o mundo natural. Em sua publicação mais recente, o Experimento Jena conclui que as funções e serviços do ecossistema não podem ser previstos apenas a partir das propriedades das plantas. É mais necessário considerar toda a complexidade das interações bióticas e abióticas de um ecossistema, ou seja, todas as interações na natureza viva e não viva. Publicações Meyer, S.T., R. Ptacnik, H. Hillebrand, H. Bessler, N. Buchmann, A. Ebeling, N. Eisenhauer, C. Engels, M. Fischer, S. Halle, A.-M. Klein, Y. Oelmann, C. Roscher, T. Rottstock, C. Scherber, S. Scheu, B. Schmid, E.-D. Schulze, V.M. Temperton, T. Tscharntke, W. Voigt, A. Weigelt, W. Wilcke, and W.W. Weisser (2018): Biodiversity-multifunctionality relationships depend on identity and number of measured functions. Nat Ecol Evol 2, 44-49, published online on November 27, 2017, DOI: 10.1038/s41559-017-0391-4 Jochum, M., M. Fischer, F. Isbell, C. Roscher, F. van der Plas, S. Boch, G. Boenisch, N. Buchmann, J.A. Catford, J. Cavender-Bares, A. Ebeling, N. Eisenhauer, G. Gleixner, N. Hölzel, J. Kattge, V.H. Klaus, T. Kleinebecker, M. Lange, G. Le Provost, S.T. Meyer, R. Molina-Venegas, L. Mommer, Y. Oelmann, C. Penone, D. Prati, P.B. Reich, A. Rindisbacher, D. Schäfer, S. Scheu, B. Schmid, D. Tilman, T. Tscharntke, A. Vogel, C. Wagg, A. Weigelt, W.W. Weisser, W. Wilcke, and P. Manning (2020): The results of biodiversity-ecosystem functioning experiments are realistic. Nat Ecol Evol, published online on August 24, 2020, DOI: 10.1038/s41559-020-1280-9 van der Plas, F., T. Schröder-Georgi, A. Weigelt, K. Barry, S.T.Meyer, A. Alzate, R.L. Barnard, N. Buchmann, H. de Kroon, A. Ebeling, N. Eisenhauer, C. Engels, M. Fischer, G. Gleixner, A. Hildebrandt, E. Koller-France, S. Leimer, A. Milcu, L. Mommer, P.A. Niklaus, Y. Oelmann, C. Roscher, C. Scherber, M. Scherer-Lorenzen, S. Scheu, B. Schmid, E.-D. Schulze, V. Temperton, T. Tscharntke, W. Voigt, W.W. Weisser, W. Wilcke, and C. Wirth (2020): Plant traits alone are poor predictors of ecosystem properties and long-term ecosystem functioning. Nat Ecol Evol, published online on October 05, 2020, DOI: 10.1038/s41559-020-01316-9 Para a última publicação: https://www.nature.com/articles/s41559-020-01316-9 Mais informações sobre o Experimento Jena: http://the-jena-experiment.de Mais sobre o KIT Climate and Environment Center: http://www.klima-umwelt.kit.edu/english in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/10/2020

EcoDebate - Edição 3.541 de 28 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura O Antropoceno tem início com o grande crescimento demoeconômico pós-1950 Efeitos das cinzas das queimadas sobre os ecossistemas aquáticos O negacionismo no poder Microplásticos na água subterrânea apresentam risco desconhecido Consumo sustentável: a venda de automóveis elétricos aumentou 221% com respeito ao ano passado Perda atual de espécies afeta diretamente a vida dos humanos Entenda a evolução da tecnologia de celulares até a 5G “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Como descartar medicamentos corretamente

ABr Após dez anos em discussão, o sistema de logística reversa de medicamentos domiciliares foi regulamentado no âmbito federal em junho deste ano, por meio do Decreto nº 10.388/2020. O descarte ambientalmente correto desses produtos está previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, mas ainda dependia de acordo com o setor produtivo.Como descartar medicamentos corretamente, medicamentos, como descartar medicamentos, remédios vencidos, medicamentos vencidos, risco de medicamentos vencidosComo descartar medicamentos corretamente, medicamentos, como descartar medicamentos, remédios vencidos, medicamentos vencidos, risco de medicamentos vencidos As medidas entrarão em vigor a partir de dezembro deste ano. A primeira fase é a de estruturação do grupo de acompanhamento do sistema, que contará com entidades representativas de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de medicamentos domiciliares, em âmbito nacional. Já a implementação do sistema de logística reversa, propriamente dita, deve começar no segundo semestre do ano que vem. A partir daí, será dever dos consumidores efetuar o descarte dos medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso, incluindo as embalagens, nos pontos de coleta, sejam eles drogarias, farmácias ou outros pontos definidos pelos comerciantes. As drogarias e as farmácias terão de disponibilizar e manter em seus estabelecimentos pelo menos um ponto fixo de recebimento a cada 10 mil habitantes. Esses recipientes serão padronizados e não poderão permitir a retirada dos produtos pelos consumidores, apenas a colocação. Estão previstas também campanhas educativas para informar o usuário sobre a implementação da política. Pelo decreto, no prazo de dois anos, todas as capitais do Brasil e os municípios com população superior a 500 mil habitantes deverão contar com os pontos de coleta de medicamentos. Esse prazo será de até cinco anos para os municípios com população superior a 100 mil moradores. E caberá às indústrias fabricantes e às empresas distribuidoras os processos de recolhimento e descarte final desses produtos. Os custos serão compartilhados por toda a cadeia farmacêutica. O destino deve ser um empreendimento licenciado por órgãos ambientais, seguindo a seguinte ordem de prioridade: incineradores, coprocessadores e, como última opção, aterros sanitários específicos para produtos perigosos. O não cumprimento das regras de descarte, por qualquer ente da cadeira, pode ser considerado crime ambiental. Algumas localidades, entretanto, já contam com legislações específicas em vigor, como é o caso do Distrito Federal. As leis distritais nº 5.092/2013 e nº 5.591/2015 tratam sobre a obrigatoriedade de hospitais e estabelecimentos de saúde, como farmácias e drogarias, receberem medicamentos vencidos ou em desuso, como medida de proteção ao meio ambiente e à saúde pública. Os medicamentos liberam resíduos químicos que contaminam o solo, os rios, córregos e até mesmo a água que bebemos. Cada quilo de medicamento descartado incorretamente pode contaminar até 450 mil litros de água. Como descartar A gerente de Medicamentos e Correlatos da Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Renata Moreira Ferreira, explicou à Agência Brasil como deve ser feito esse descarte pelos consumidores. As orientações são tanto para medicamentos vencidos quanto para aqueles que não serão mais utilizados pelo paciente, bem como suas embalagens vazias. O consumidor não deve retirar o produto da embalagem primária, que é aquela que fica em contato direto com o medicamento. No caso de líquidos, a embalagem primária é o frasco de vidro ou plástico; no comprimido, é o blister de alumínio. “O consumidor deve levar os produtos aos estabelecimentos da forma que está, não deve descaracterizar o medicamento”, disse. De acordo com Renata, o estabelecimento precisa saber qual é o medicamento para direcionar corretamente para o descarte. Algumas substâncias, segundo ela, precisam ser neutralizadas antes de serem incineradas. As bulas e as embalagens secundárias, que são as caixas de papelão, também podem ser descartadas junto com os medicamentos nos pontos de coleta. Mas, segundo Renata, como não são materiais que tiveram contato direto com o medicamento, podem ainda ser encaminhadas para a reciclagem ou coleta seletiva, como outros produtos de papel. No caso dos perfurocortantes, como seringas e agulhas, as legislações não preveem o recolhimento por farmácias e drogarias. Caso o paciente faça uso domiciliar desses produtos, eles devem ser entregues em hospitais ou postos de saúde. A sugestão é armazená-los em garrafas pet com tampa, para evitar acidentes. A gerente ressalta ainda que não se deve descartar medicamentos em lixo comum, nem derramar em pias ou vasos sanitários, pois podem contaminar o solo e os rios ou ainda serem encontrados no lixo e utilizados de forma indevida. Além disso, ela alerta que também não é recomendado fazer doações ou troca de medicamentos entre pessoas, pois isso é muito perigoso do ponto de vista sanitário. “Se quer fazer doação de medicamentos que ainda estão dentro da validade, a pessoa pode procurar um estabelecimento de saúde. Não recomendamos doar ou reutilizar em outras pessoas porque o que serviu para um não necessariamente vai servir para outros. O medicamento também pode gerar eventos adversos e efeitos colaterais”, explicou. Números de descarte O diretor executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sergio Mena Barreto, explicou que o setor está adiantado à regulamentação e o grupo que vai acompanhar a implementação da logística reversa já está em funcionamento, reunindo 19 entidades do setor. Além disso, ao longo dos anos, diversos acordos e programas de recolhimento voluntários foram colocados em funcionamento, disse. “O interessante do decreto é que ele estabelece uma regra nacional. Como temos mais de 5 mil municípios no Brasil, imagine o que seria seguir mais de 5 mil legislações diferentes e cada uma com suas regras. Isso no final fica impossível de ser cumprido”, disse. “Esse decreto foi muito bem pensado, foi discutido com todas partes, foram cobertos todos os pontos possíveis de questionamento. Nosso desafio agora é colocar em pé e que as pessoas respeitem essa legislação”, completou. Estabelecimentos em diversos estados já participam, por exemplo, do programa Descarte Consciente, e recebem as embalagens de medicamentos vencidos ou em desuso. Agora, essas cadeias devem se adequar ao decreto. No DF, por exemplo, são 63 pontos de coleta em várias localidades. Para saber onde ficam, basta acessar o site do programa. Em 2019, apenas nas redes da Abrafarma, que representam 43,7% do mercado total de medicamentos, foram recolhidos 130 toneladas de resíduos de medicamentos e embalagens. Desse total, 93% foram incinerados e 7% foram para aterros sanitários. Em 2012, quando a entidade iniciou a contabilização de recolhimentos voluntários, foram 11,3 toneladas recolhidos. Para dimensionar esses números, Barreto citou dados de Portugal. Em 2000, quando o país implementou sua política de logística reversa, foram recolhidos 98 toneladas; atualmente, esse volume passa de 1,2 mil toneladas. “E estamos falando de um país pequeno, com apenas 10 milhões de habitantes com 2,9 mil farmácias. No Brasil temos 80 mil farmácias e 250 milhões de habitantes”, disse, sobre o volume que ainda pode ser destinado corretamente no Brasil. Barreto alerta, entretanto, que na maioria dos municípios brasileiros não há incineradores ou aterros sanitários especiais, que são de responsabilidade do poder público. “Por isso o decreto começa abrangendo capitais e cidades acima de 500 mil habitantes. Teoricamente, é onde há estrutura adequada para fazer o descarte. Depois de 2023, vem as cidades menores, mas é uma grande incógnita o que vamos fazer com esses locais que não tem aterro sanitário adequado ou não tem incineração”, disse. De acordo com o diretor executivo da Abrafarma, no Brasil a legislação não prevê reciclagem do que é recolhido, sendo a incineração a destinação prioritária. Citando novamente Portugal, Sergio disse que no país europeu é feito o reaproveitamento das embalagens secundárias, bulas e alguns tipos de blister, sendo 60% descartado e 40% reciclado. Do ponto de vista de reutilização de materiais, no Brasil bulas e caixas podem ser destinadas diretamente pelos consumidores para a reciclagem. “E não tem nenhum risco, papel é papel”, disse Barreto, reforçando que blister, tubos e frascos deverão ser destinados no sistema que será montado ou naqueles que já existem. Além da logística reversa estabelecida por acordos setoriais, entre poder público e setor empresarial, como é o caso de medicamentos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê os sistemas de recolhimento de agrotóxicos, pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e produtos eletroeletrônicos e seus componentes. Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/10/2020

Impactos das mudanças climáticas na economia brasileira

Especialistas explicam como as mudanças climáticas podem trazer prejuízos na agricultura, pecuária, geração de energia e, consequentemente, ao Produto Interno Bruto aquecimento global Reduzir a emissão de poluentes na atmosfera, diminuir os impactos à biodiversidade e ao clima e intensificar ações de preservação ambiental para garantir que a economia brasileira prospere nas próximas décadas. Esse é o caminho apontado por pesquisadores da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. Sem essa preocupação estratégica, tudo indica que haverá impacto da produção agropecuária e industrial, com produtos ainda mais caros para a população. É possível, contudo, adotar medidas para que as consequências do aquecimento global não prejudiquem o setor econômico do país. O climatologista Carlos Nobre, doutor pelo Massachusetts Institute of Technology e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, alerta que caso o Acordo de Paris, que visa frear as emissões de gases de efeito estufa no contexto do desenvolvimento sustentável, não seja cumprido, o Brasil deixaria em pouco tempo de ser a potência agrícola que é hoje. “Se a temperatura subir entre 3°C e 4°C, o Brasil não terá mais condições de manter uma expressiva produção agrícola. Talvez apenas a Região Sul tenha alguma condição. A pecuária também vai cair muito”, afirma Nobre. O Brasil sofreria, portanto, impactos significativos na produção de alimentos e, por consequência, nas exportações. O secretário-executivo do Observatório do Clima e membro da Rede de Especialistas, Carlos Rittl, ressalta que pode ocorrer uma mudança na geografia agrícola do país pela perda de aptidão de solos agrícolas a determinadas culturas devido às mudanças nos padrões de temperatura e pluviosidade a geográfica agrícola brasileira. “Algumas regiões terão perda de aptidão para diferentes culturas, gerando até a inviabilidade de produção. Há casos de produtores de café em Minas Gerais que já estão migrando para outros cultivos”, relata. Com a agricultura e a pecuária sofrendo os impactos decorrentes do aquecimento global, o PIB brasileiro também será afetado. O agronegócio representa cerca de 23% do PIB nacional. Seria, portanto, um círculo vicioso que afetará toda a sociedade. Como consequência da escassez de produção agrícola, os preços das mercadorias em supermercados e feiras deverão se tornar mais caros para o consumidor final e perda de competitividade nos mercados internacionais. A alteração climática gerará ainda outros impactos. Um deles é que terá maior tendência em aumentar o fluxo migratório de pessoas que deixarão o interior para morar em capitais. Afinal, com a produção agrícola em queda, as pessoas buscarão outras fontes de renda. “Este êxodo rural tem uma série de implicações, inclusive para a capacidade das cidades de oferecer serviços públicos adequados para aqueles que fogem das regiões cujo clima se tornou impróprio para a subsistência das famílias”, ressalta Rittl. Ainda conforme Rittl, a possibilidade de escassez de água é outro efeito que merece atenção. “Além de afetar diretamente a população, a falta de água impacta setores econômicos importantes, como a produção de alimentos e a geração de energia. A agricultura brasileira consome cerca de 2/3 da água produzida no país. E as hidrelétricas dependem das chuvas que abastecem os rios que movem as turbinas. Em determinados cenários, há rios da Amazônia, onde se planeja a construção de grandes hidrelétricas que podem perder 30% ou mais da vazão pela perda de chuvas em suas bacias. Isto torna os empreendimentos inviáveis”, ressalta. Para compensar os baixos reservatórios, usinas termoelétricas serão mais acionadas, gerando mais poluentes e mais caras para operar. “Hoje, quando os reservatórios das hidrelétricas, estão em baixa, são acionadas termelétricas que emitem gases de efeito estufa, agravando o problema do aquecimento global, e que têm um custo elevado para as famílias e para a economia” completa o especialista. Saúde A saúde é outra área que terá impacto decorrente da mudança climática e ambiental. Quanto mais emissão de poluentes, mais pessoas ficarão doentes, especialmente crianças e idosos. “Temperaturas muito elevadas podem gerar graves problemas de saúde para a população, em especial os mais idosos e bebês, em especial doenças cardiorrespiratórias. Mas as doenças transmitidas por mosquitos, como zika, dengue, Chikungunya, febre amarela e malária, entre outras, podem ter sua área de ocorrência ampliada e levar a muito mais casos. Além disso, a falta ou o excesso de chuvas leva ao consumo de água impropria ou contaminada pela população, o que aumenta os riscos de outras doenças. Além do impacto para a saúde do ser humano, os custos para a saúde pública também irão aumentar”, afirma Rittl. Adaptação A mudança climática já é uma realidade. Para isso, é necessário que haja um processo de adaptação. Uma das estratégias, como explana Nobre, é a restauração florestal. “As árvores são essenciais para retirar o excesso de gás carbônico que produz o aquecimento global pelo efeito estufa da atmosfera”, afirma. Além disso, estudos recentes confirmam que a restauração florestal em bacias hidrográficas é uma estratégia para garantir a segurança hídrica e reduzir os custos com o tratamento da água. Nesse caminho, é fundamental o Brasil cessar o processo de desmatamento. Outro ponto que Nobre ressalta é a necessidade de uma redução na emissão de poluentes na atmosfera. Para tanto, a matriz energética e o transporte devem ser revistos. “Para o transporte a saída é utilizar carros, caminhões e ônibus movidos à eletricidade. O Brasil está atrasado neste sentido. Mas isso irá acontecer no país”, afirma. Atualmente, a maioria dos meios de transporte no Brasil usa gasolina ou diesel, que emitem gás carbônico e vários poluentes que impactam a saúde. Ele também acredita ser fundamental apostar em fontes de energia renováveis, como a solar e a eólica. “O Brasil tem potencial para isso. As usinas hidrelétricas existentes funcionariam como uma espécie de enorme bateria que seria acionada quando necessário. É preciso apostar nisso até chegar a condição que todas as pessoas tenham uma pequena usina em casa, gerando sua própria energia elétrica”, aponta Nobre. Isso já é realidade para cerca de 40 mil brasileiros, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/10/2020

Dialogos na USP - Inteligencia Artificial (Bloco 1)

Diálogos na USP - Política e Meio Ambiente (Bloco 2)

As mudanças climáticas estão acontecendo agora

“Diálogos na USP” discute as mudanças climáticas e possíveis soluções – Especialistas garantem que a solução passaria por medidas de Estado Por Andre Arias, Rádio USP A Organização das Nações Unidas vem alertando que a meta do Acordo de Paris, assinado em 2015, de limitar o aumento da temperatura média global “abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais”, corre o sério risco de não ser alcançada. Isso porque as principais economias, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, estão aquém de suas promessas. O planeta está agora quase um grau mais quente do que estava antes do processo de industrialização, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Os 20 anos mais quentes da história foram registrados nos últimos 22 anos, sendo que os anos de 2015 a 2018 ocupam os quatro primeiros lugares do ranking, diz a OMM. O ano passado, por exemplo, bateu todos os recordes. Se essa tendência continuar, as temperaturas poderão subir de 3 a 5 graus até 2100. Mas, afinal, o quão quente o planeta ficou e o que podemos fazer em relação a isso? Para falar sobre mudanças climáticas e as possíveis soluções, o Diálogos na USP recebeu os professores Emerson Galvani, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, presidente da Associação Brasileira de Climatologia entre 2008 e 2010, e Marcelo Marini Pereira de Souza, titular da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Avaliação de Impacto. Marcelo Marini alerta para o fato de que as mudanças climáticas já estão ocorrendo, não é algo que ocorrerá no futuro. “Não é um clique para daqui a pouco, esse clique já aconteceu”, comenta. Segundo o professor, os problemas não têm apenas viés econômico, mas também um grande impacto ambiental, sendo que “o grande problema ambiental hoje é a perda de biodiversidade”, causada principalmente pela ação humana e por essas mudanças no clima. “O ser humano insiste em contribuir com esse processo e não atender às questões globais, atendendo apenas aos interesses econômicos”, afirma. Emerson Galvani destaca que não há mais dúvidas de que o planeta está esquentando: “Hoje já é consenso que a temperatura está aumentando, tanto em áreas urbanizadas quanto não urbanizadas”. De acordo com o professor, a causa seria “uma força natural, associada aos ciclos geológicos, e uma força humana”. Ele cita como exemplo de força humana os veículos que utilizamos no dia a dia e que liberam gases estufa. A solução passaria por medidas de Estado, não apenas de um governo, comenta Galvani. “Uma política pública, continuada, independentemente do partido que esteja no poder”, complementa. O professor destaca mudanças ocorridas no Brasil nos últimos governos, apontando para a mudança no Ministério do Meio Ambiente, “que perdeu grande parte das suas funções e está atrelado aos grandes latifúndios”. Isso tudo pode ser prejudicial para ambos os lados, “gerando uma desorganização das atividades do agronegócio e das atividades de preservação e conservação ambiental”. Já Marini atenta para o fato de a sustentabilidade só ter entrado em pauta por ter se tornado algo importante para a economia mundial: “O mercado internacional passou a considerar o meio ambiente, porque senão o investidor perde reputação”. Porém, o professor acredita que “a questão ambiental não pode estar a reboque das questões econômicas, ela tem a sua roupagem”. Essa sobreposição dos interesses financeiros estaria contribuindo para a perda das questões da área ambiental. Emerson Galvani e Marcelo Marini Pereira de Souza Emerson Galvani e Marcelo Marini Pereira de Souza – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens Da Rádio USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/10/2020

EcoDebate - Edição 3.540 de 27 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Produtos Inovadores Sustentáveis Pantanal em chamas e a inércia do Sistema de Gestão Ambiental estatal Aumento do CO2 atmosférico e o futuro incerto dos oceanos As mudanças climáticas estão acontecendo agora Impactos das mudanças climáticas na economia brasileira Como descartar medicamentos corretamente “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Covid-19 – Os impactos da pandemia sobre a sustentabilidade

Por Fernanda Glinka A pandemia transformou a rotina de diversas pessoas ao redor do mundo, principalmente em relação à sustentabilidade. Dentro de casa, aumentou a percepção quanto a importância de modelos de consumo mais conscientes e responsáveis, como a escolha de produtos mais duráveis e que geram menos resíduos. No entanto, a transformação mais significativa, que deveria vir por parte das empresas, ainda é relativamente tímida. De acordo com Mariana Schuchovski, professora de Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios, a disseminação do vírus é resultado do atual modelo de desenvolvimento, que fomenta o uso irracional de recursos naturais e a destruição de habitats, como florestas e outras áreas, fazendo com que animais, forçados a mudar seus hábitos de vida, contraiam e transmitam doenças que não existiriam em situações normais. “Situações de desequilíbrio ambiental, causadas principalmente por desmatamento e mudanças de clima, aumentam ainda mais a probabilidade de que zoonoses, ou seja, doenças de origem animal, nos atinjam e alcancem o patamar de epidemias e pandemias”, explica a especialista. A especialista aponta que todos nós, indivíduos, sociedade e empresas, precisamos entender e refletir sobre os impactos desta pandemia no meio ambiente e na sustentabilidade. Mas, principalmente, na sua relação inversa: o impacto da (in)sustentabilidade dos nosso modelo de produção e consumo como causador desta pandemia. “Toda escolha que fazemos pode ser para apoiar ou não a sustentabilidade”, diz Mariana. Por outro lado, para que possamos fazer melhores escolhas e praticar o verdadeiro ‘consumo consciente’, é necessário que, em primeiro lugar, as empresas realizem a ‘produção consciente’, assumindo sua verdadeira responsabilidade sobre os impactos que causam. Entretanto, as grandes corporações, que dominam o mercado mundial e que possuem faturamentos maiores do que o PIB de muitas nações, ainda não colocaram em prática as inúmeras possibilidades de produção consciente existentes, como a busca por matérias-primas renováveis e de origem não fóssil ou o desenvolvimento de embalagens que substituam o plástico. “Não há limites para o que as empresas poderiam realizar se realmente fossem comprometidas. No entanto, apesar dos recursos financeiros abundantes e da grande capacidade de influência para realizar estas mudanças, as empresas ainda se encontram em um estado inexplicável de comodismo, transferindo integralmente suas responsabilidades ao consumidor”, afirma ela. A pergunta que fica é: como será o pós-pandemia? Ou melhor, como queremos ser após esta pandemia? Segundo a especialista, o pós-2020 vai depender, principalmente, das nossas escolhas. “Precisamos reestabelecer os valores humanos, como ética e respeito, e encontrar o caminho correto para a (re)construção da sociedade com a ajuda das novas gerações”, diz. “Esta pandemia é um verdadeiro lembrete sobre como devemos pensar no equilíbrio da nossa relação com as pessoas, o meio ambiente e os recursos financeiros. Mas também é um convite à transformação”, complementa Mariana Schuchovski. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/10/2020

EcoDebate - Edição 3.539 de 26 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Países enfrentam a 2ª onda e a 3ª onda da Covid-19 Vacinação Covid-19: Obrigatória ou Voluntária? Artigo fundamental para definir o início do Antropoceno Em 70 anos, consumimos mais energia do que nos 12 mil anos anteriores Os mangues estão entre os sistemas naturais mais ameaçados do planeta Entenda como é o diagnóstico da alergia alimentar Covid-19 – Os impactos da pandemia sobre a sustentabilidade “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Encuentro con Takumã Kuikuro. Incendios en Xingu (Brasil) y las brigadas...

Cineasta Takumã Cuicuru registra incêndios no Xingu

Indígenas do Xingu lutam contra desmatamento e incêndios

James, Você sabe o que o desmatamento tem a ver com os incêndios na Amazônia? No Território Indígena do Xingu, Mato Grosso, o avanço da destruição no entorno da área protegida provoca o ressecamento da floresta, o aumento de temperaturas e, como consequência, incêndios. Só em setembro, mais de 7,5 mil focos de calor foram detectados, um aumento de 174% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em setembro, imagens de densas nuvens de fumaça sobre a aldeia Ipatse circularam nas redes sociais, e na TI Wawi, o rio Wawi secou pela primeira vez. Relatos como esses são cada vez mais comuns. Até pouco tempo atrás não se tinha registro de incêndios descontrolados no Xingu. De uma média de 82 focos de calor por ano entre 1995 e 2000 no TIX, passaram a ser registrados 1,9 mil focos de calor, em 2020 o número já passa de 2,1 mil focos de calor. Nas cabeceiras do rio Xingu, no entorno do TIX, 40% das nascentes foram destruídas. Ali, os indígenas assistiram a uma mudança brutal em seu entorno: nos últimos 30 anos, aproximadamente 66% das florestas nas adjacências da terra indígena foram desmatadas. Fazendas de gado deram lugar a grandes monoculturas de grãos. Por conta dessas mudanças, o cotidiano no TIX agora vive a imprevisibilidade das chuvas e incêndios descontrolados. Saiba mais aqui. Com a derrubada da floresta, o solo fica exposto, absorvendo e emitindo mais calor, o que provoca uma perda do serviço de resfriamento. Impacta, ainda, os processos de evapotranspiração da floresta, responsável pelas chuvas. O resultado? A floresta fica mais inflamável e suscetível aos incêndios. Agora os indígenas têm que responder a uma condição que não foi gerada por eles. Dizer que eles são os provocadores dos incêndios é muito tacanho. Essas populações estão tendo que dar conta de enfrentar invasões, tentativas de tomadas de seus territórios, e ainda controlar o fogo. Frente a isso, os indígenas têm trabalhado na construção de acordos comunitários para os trabalhos que envolvem o uso e manejo do fogo, promovendo ações de prevenção aos incêndios junto às aldeias e monitoramento dos focos de calor dentro do território. A floresta é necessária para a vida dos indígenas e eles não querem colocar em risco aquele ambiente porque sua vida está pautada naquela floresta. Seus conhecimentos e forma de viver estão ali. Eles estão fazendo o seu esforço de adaptar-se a essa nova condição. Por isso é tão importante que apoiemos os povos xinguanos no combate aos incêndios, desmatamento e, para que eles permaneçam vivos, com saúde e a floresta permaneça de pé. Junte-se ao ISA! Faça parte da luta contra os incêndios e desmatamento no Xingu. Quero me juntar ao ISA! Katia Ono Instituto Socioambiental - ISA Mais informações sobre o ISA. Dúvidas ou comentários, ligue ou envie um whatsapp para (11) 93500 1149 e fale com Mariana Barros ou escreva para relacionamento@socioambiental.org

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Dietas saudáveis evitariam mais de 2/3 das mortes por doenças cardíacas

A má alimentação é a principal causa de mortes por doenças cardíacas em todo o mundo European Society of Cardiology (ESC)* Mais de dois terços das mortes por doenças cardíacas em todo o mundo poderiam ser evitadas com dietas mais saudáveis. Essa é a descoberta de um estudo publicado hoje no European Heart Journal – Quality of Care and Clinical Outcomes, um jornal da European Society of Cardiology (ESC) As descobertas foram feitas no Dia Mundial da Alimentação , que destaca a importância de dietas saudáveis a preços acessíveis e sustentáveis para todos. “Nossa análise mostra que dietas não saudáveis, pressão alta e colesterol sérico alto são os três principais contribuintes para mortes por ataques cardíacos e angina – chamadas coletivamente de doença isquêmica do coração”, disse o autor do estudo, Dr. Xinyao Liu, da Central South University, Changsha, China. “Isso foi consistente tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.” “Mais de seis milhões de mortes poderiam ser evitadas reduzindo a ingestão de alimentos processados, bebidas açucaradas, gorduras trans e saturadas e adição de sal e açúcar, aumentando a ingestão de peixes, frutas, vegetais, nozes e grãos inteiros. Idealmente, devemos comer 200 a 300 mg de ácidos graxos ômega 3 de frutos do mar todos os dias. Além disso, todos os dias devemos ter como objetivo 200 a 300 gramas de frutas, 290 a 430 gramas de vegetais, 16 a 25 gramas de nozes e 100 a 150 gramas de grãos inteiros ”, acrescentou. O estudo analisou dados fornecidos pelo Global Burden of Disease Study 2017, que foi realizado em 195 países entre 1990 e 2017 (2). Em 2017, havia 126,5 milhões de indivíduos portadores de doença isquêmica do coração e 10,6 milhões de novos diagnósticos da doença. A doença isquêmica do coração causou 8,9 milhões de mortes em 2017, o que equivale a 16% de todas as mortes, em comparação com 12,6% de todas as mortes em 1990. Entre 1990 e 2017, a prevalência, incidência e mortalidade padronizadas por idade por 100.000 pessoas diminuíram 11,8 %, 27,4% e 30%, respectivamente. Mas os números absolutos quase dobraram. O Dr. Liu disse: “Embora tenha havido progresso na prevenção de doenças cardíacas e na melhoria da sobrevida, especialmente em países desenvolvidos, o número de pessoas afetadas continua a aumentar devido ao crescimento e envelhecimento populacional”. Os pesquisadores calcularam o impacto de 11 fatores de risco na morte por doença isquêmica do coração. Estes eram dieta, pressão alta, colesterol alto sérico de lipoproteína de baixa densidade (LDL), glicose plasmática elevada, uso de tabaco, índice de massa corporal (IMC) alto, poluição do ar, baixa atividade física, função renal prejudicada, exposição ao chumbo e álcool usar. Especificamente, eles estimaram a proporção de mortes que poderiam ser interrompidas eliminando esse fator de risco. Assumindo que todos os outros fatores de risco permaneceram inalterados, 69,2% das mortes por doenças isquêmicas do coração em todo o mundo poderiam ser evitadas se dietas mais saudáveis fossem adotadas. Enquanto isso, 54,4% dessas mortes poderiam ser evitadas se a pressão arterial sistólica fosse mantida em 110-115 mmHg, enquanto 41,9% das mortes poderiam ser interrompidas se o LDL sérico fosse mantido em 0,7-1,3 mmol / L. Cerca de um quarto das mortes (25,5%) poderiam ser evitadas se a glicemia de jejum sérica fosse mantida em 4,8-5,4 mmol / L, enquanto a erradicação do tabagismo e do fumo passivo poderia interromper um quinto (20,6%) das mortes por doença cardíaca isquêmica . Notavelmente, o uso do tabaco foi classificado como o quarto maior contribuinte para mortes por doença isquêmica do coração em homens, mas apenas o sétimo em mulheres. Entre 1990 e 2017, a prevalência global do tabagismo diminuiu 28,4% nos homens e 34,4% nas mulheres. O IMC elevado foi o quinto maior contribuinte para mortes por doença isquêmica do coração em mulheres e o sexto em homens. Para as mulheres, 18,3% das mortes por doença isquêmica do coração poderiam ser evitadas se o IMC fosse mantido em 20-25 kg / m2. Em ambos os sexos, as contribuições percentuais de poluição do ar e exposição ao chumbo para mortes por doença cardíaca isquêmica padronizada por idade aumentaram conforme o país de residência se tornou menos desenvolvido. O Dr. Liu disse: “A doença isquêmica do coração pode ser amplamente evitada com comportamentos saudáveis e os indivíduos devem tomar a iniciativa de melhorar seus hábitos. Além disso, são necessárias estratégias geograficamente adaptadas – por exemplo, programas para reduzir a ingestão de sal podem ter o maior benefício em regiões onde o consumo é alto (por exemplo, China ou Ásia Central). ” Referências: 1 Dai H, Much AA, Maor E, et al. Global, regional, and national burden of ischaemic heart disease and its attributable risk factors, 1990–2017: results from the Global Burden of Disease Study 2017. Eur Heart J Qual Care Clin Outcomes. 2020. doi:10.1093/ehjqcco/qcaa076. 2 GBD 2017 Diet Collaborators. Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2019;393:1958–1972. * Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

Mais de 3 mil plantas não convencionais podem ser usadas na alimentação. Conheça as PANCs

Existem mais de três mil plantas alimentícias não convencionais catalogadas no Brasil – ricas em nutrientes e com alto teor de proteína – e que podem ser incluídas em nossa alimentação, mas ainda não são conhecidas pela população. Por Andreza Rossini As PANC, acrônimo para Plantas Alimentícias Não Convencionais, estão em quase todo lugar: nas pracinhas, em terrenos, no jardim, horta ou em canteiros de rua e são consideradas apenas um ‘matinho’ para quem não sabe sobre essa possibilidade alimentar. De acordo com o biólogo amazonense e criador da sigla PANC, Valdely Ferreira Kinupp, esses vegetais são espécies espontâneas ou silvestres, orgânicos pela própria essência, e com grande variedade de nutrientes que melhoram as funções do corpo e ajudam a prevenir várias doenças. “Consumir Pancs é uma forma de valorizar a biodiversidade, reestabelecer a saúde e experimentar novos sabores. Além disso, é possível aumentar o repertório alimentar com incontáveis pratos da culinária brasileira não convencional”, explica Valdely, que esteve em Curitiba, à convite do Centro Europeu e em parceria com o Festival Sustentável Curitiba Santé, para participar de uma aula especial do curso de especialização em Cuisine Santé. De acordo com o diretor acadêmico do Centro Europeu, Rogério Gobbi, a vinda do Valdely a sede de gastronomia demonstra, mais uma vez, que a escola prioriza a inovação e o fortalecimento do conceito da gastronomia saudável e sustentável em seus cursos de formação. “Buscamos trazer para os nossos alunos os profissionais com maior conhecimento técnico, científico e inovador que fará toda a diferença na sua formação profissional”, afirma Rogério. Durante sua passagem por Curitiba Valdely gravou na sede de gastronomia do Centro europeu, – ao lado do chef Renhard Pfeiffer – a receita de um Baião de PANCs (confira receita abaixo). Sustentabilidade e nutrição Incluir as PANCs no dia a dia também é uma iniciativa sustentável. Isso porque, segundo Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), somente 30 espécies de plantas fornecem 95% da demanda humana por comida, em um universo de incríveis 30 mil variedades. Valdely destaca os benefícios diretos e indiretos de incluir as PANCs na alimentação. “Entre os benefícios diretos estão uma alimentação mais orgânica e saudável, que pode ser produzida em pequenas áreas em casa residenciais. Já o benefício indireto é uma contribuição para o planeta, tendo em vista que estamos falando de alimentos sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos”, completa. Outra dica do biólogo é para que as pessoas busquem informações sobre como identificar as PANCs indicadas para a alimentação humana. “Elas não são convencionais, não estão na merenda ou nas feiras, as pessoas leigas devem fazer cursos e se qualificar para identificar as PANC. O que pode ser feito é ir às feiras orgânicas e começar a encomendar plantas do agricultor, como ortiga, picão branco, preto ou uma fruta diferente”, orienta Valdely. Entre as espécies de PANCs estão a ora-pro-nóbis, também chamada como carne-de-pobre, possui alto teor de proteína,a é rica em vitaminas do complexo B, A e C, fibras e fósforo. As folhas são sua parte comestível, podendo ser consumidas secas ou frescas, cruas ou cozidas, e até acrescentada a massas de pães. Já a bertalha também é trepadeira com folhas e caules verdes, carnosos e suculentos, com aparência similar à do espinafre. É rica em vitamina A, vitamina C, cálcio e ferro. As folhas e os ramos novos devem ser consumidos logo após a colheita, refogados ou em substituição ao espinafre e à couve, ou em omeletes, quiches e tortas. Crua, pode ser ingerida junto a saladas verdes. Festival Curitiba de Cozinha Santé O Festival Curitiba de Cozinha Santé – que este ano será diferente e tem o lançamento previsto para 20 de outubro pelo site curitibasante.com.br – contará com uma aula específica sobre PANCs. Reinhard Pfeiffer , um dos idealizadores do evento, explica que o objetivo desta edição é entrar na casa das pessoas levando consciência através de receitas saudáveis e saborosas. Outra surpresa para esta edição é o lançamento de um e-book com mais de 40 receitas ‘plant based’ e fotos autorais que o público ao adquirir as aulas/palestras irá receber. O valor do vídeo + o ebook custará r$ 79,90 através do ecommerce curitibasante.com.br. CONFIRA A RECEITA DE BAIÃO DE PANCs BAIÃO DE PANC (Chef Reinhard Pfeiffer) Tempo: 50min (+5min de descanso) Rendimento: 6 porções Dificuldade: fácil Ingredientes • 2 xícaras (chá) de arroz vermelho (cozido) • 2 colheres (sopa) de gengibre ralado • 5 colheres sopa de manteiga de garrafa • ½ xícara de tofu defumado picado (substituto do bacon) • 1 cebola roxa picada • 1 pimenta dedo de moça picada • 1 pimentão vermelho picado • 1 xícara de cogumelos portobelo (laminados) • 3 dentes de alho picados • Cominho (despertar no fogo antes) • 2 xícaras (chá) de feijão-de-corda ou carioca cozido al dente (salgar quente após cocção) • 4 e 1/2 xícaras (chá) de caldo de legumes (salsão, cenoura, tomate, cebola, ervas) • Sal e pimenta-do-reino a gosto • 1 xícara (chá) de queijo coalho em cubos (grelhar antes) • 2 colheres de coentro picado • Páprica defumada • 1 xícara de PANC picadas • 1 xícara de tomate cereja confitado • Manteiga de garrafa (para finalizar) Modo de preparo: – Aqueça a manteiga (1 c sopa) com o gengibre fresco até começar a fritar. – Acrescente o arroz vermelho e refogue demoradamente. – Junte o caldo de legumes fervente e o sal. Quando o caldo retomar à fervura, abaixe o fogo, tampe a panela e cozinhe por cerca de 35 minutos. – Destampe e cozinhe por mais 10 minutos ou até a água secar. Desligue o fogo e mantenha o arroz por 5 minutos em panela tampada para finalização do cozimento. Reserve. – Numa frigideira, doure os cogumelos na manteiga de garrafa , o tofu defumado e a pimenta dedo de moça, salgue, tempere com pimenta e acrescente o feijão, o arroz e o queijo coalho . Tempere com pimenta, páprica, coentro e finalize com as Panc e os tomates confitados. – Acrescente mais manteiga para dar um brilho. Desligue o fogo e transfira para uma travessa. RECEITA DE BAIÃO DE PANCs in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

Pecuária é causa de desmatamento na Amazônia, diz relatório

Relatório evidencia desmatamento causado pela pecuária na Amazônia Legal brasileira Levantamento da ONG Mercy For Animals aponta relação entre o aumento da área de pastagem e a perda da cobertura natural em região dominada comercialmente por grandes frigoríficos como JBS, Minerva e Marfrig Por Mauricio Sacramento Um relatório inédito produzido pela ONG Mercy For Animals evidencia a relação direta entre o desmatamento da Floresta Amazônica e a abertura de novas áreas de pastagem para a pecuária em municípios do Pará e Rondônia. O relatório, que combina análise de dados e imagens de satélite de alta resolução, aponta que, dos 25 municípios com maior área desmatada na Amazônia Legal em 2019, 10 estão entre os 50 municípios com a maior população de bovinos do país. Juntos, esses 10 municípios foram responsáveis por quase 30% da área desmatada na região em 2019 — uma escala equivalente a uma vez e meia o tamanho da cidade de São Paulo — e por 22,5% das queimadas. Apesar de representarem apenas 1,2% do total de 772 municípios da Amazônia Legal, esses 10 municípios abrigam 9,8% da população de bovinos existente no território e 12,5% das pastagens localizadas no bioma amazônico. Todos estão situados na zona de compra de matadouros pertencentes às três gigantes do setor frigorífico no Brasil — JBS, Minerva e Marfrig. Dos 66 matadouros com inspeção federal (SIF) em operação na Amazônia Legal em 2019, 38 (57,5%) pertenciam à JBS (26), Marfrig (8) e Minerva (4). Juntas, essas três empresas são responsáveis por aproximadamente 70% dos abates de bovinos criados na Amazônia. “De janeiro a junho deste ano, o desmatamento aumentou 25% em comparação com o mesmo período em 2019, e a pecuária continua sendo a principal causa dessa destruição” afirma Sandra Lopes, diretora-executiva da Mercy For Animals no Brasil. “É muito preocupante que algumas das maiores empresas alimentícias do Brasil como JBS, Minerva e Marfrig estejam direta ou indiretamente associadas ao desmatamento da Floresta Amazônica. A Amazônia é fundamental para o nosso planeta e para o clima. É urgente que empresas, governos e pessoas atuem para protegê-la, ou o nosso futuro estará em risco”. A Mercy For Animals convidou a ativista vegana Nina Rosa para narrar o vídeo que apresenta os resultados da investigação e retomou a campanha Por Trás do Fogo. Lançada em 2019 para conscientizar a população sobre a conexão entre a pecuária e o desmatamento, a campanha contou com a participação de diversas celebridades. **Clique aqui para acessar o relatório completo e o vídeo da campanha Por Trás do Fogo Maiores índices de desmatamento e maiores populações de bovinos do país Dos três municípios com as maiores taxas de desmatamento na Amazônia em 2019, São Félix do Xingu e Porto Velho — 2º e 3º colocados no ranking nacional de desmatamento, respectivamente — exibiram uma correlação particularmente forte entre o tamanho da população de bovinos e a extensão do desmatamento no período de 2008 a 2018. Nesse período, a taxa de conversão de floresta em pastagem em Porto Velho e São Félix do Xingu foi consideravelmente superior à da Amazônia. Enquanto no bioma a área de pastagem aumentou em média 8,7%, em Porto Velho e São Félix do Xingu o aumento foi de 43,3% e 25,5%, respectivamente. Levantamentos indicam que, no período, 2.716 km2 de floresta em Porto Velho e outros 3.590 km2 em São Félix do Xingu foram desmatados, enquanto a população de bovinos nesses municípios aumentou 71,4% e 24,4%, respectivamente. JBS, Minerva e Marfrig De 2015 a 2017, o Brasil exportou 1,3 milhões de toneladas de carne bovina proveniente da região amazônica. As três maiores empresas brasileiras do setor frigorífico, JBS, Minerva e Marfrig, foram responsáveis por 69,5% do total das exportações. Porto Velho e São Félix do Xingu desempenharam um papel proeminente nesses números. No mesmo período, estiveram entre os cinco maiores fornecedores de carne para exportação da Amazônia e representaram 6,3% do total de exportações de carne bovina do bioma. Juntas, JBS, Minerva e Marfrig foram responsáveis por 49,8% das exportações de carne oriunda de Porto Velho e 74,5% das de São Félix do Xingu. Só a JBS exportou 47,8% da carne bovina proveniente de Porto Velho, enquanto a Marfrig ocupou o primeiro lugar nas exportações de São Félix do Xingu, enviando para fora do país 40% da carne produzida no município para o mercado internacional. Histórico Em meio século, de 1970 a 2019, 718.918 km2 da Floresta Amazônica foram destruídos, ou cerca de 17% da cobertura florestal anterior a 1970, o equivalente a uma área maior que a França continental, a Inglaterra e a Bélgica juntas. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de 1990 a 2005, mais de 80% da área desmatada na Amazônia brasileira foi transformada em pastagem. No mesmo período, a população de bovinos do Brasil aumentou 40%, e o país tornou-se o maior exportador de carne bovina do mundo. A expansão da pecuária nos estados amazônicos foi responsável por 80% de tal crescimento. Em 2018, havia 86,6 milhões de bovinos na região. Naquele mesmo ano, o pasto ocupava 534.317 km2 da paisagem Amazônica, o equivalente a 75,5% da área desmatada. Em 2019, a taxa de desmatamento da Amazônia brasileira aumentou drasticamente, atingindo proporções não registradas em mais de 10 anos. Foi desmatada uma área de 7.701 km2 de floresta primária, o equivalente a cinco cidades de São Paulo ou 713.100 campos de futebol, a maior parte sem autorização das autoridades competentes. Em 2020, o dano ambiental deverá ser ainda mais grave. De janeiro a junho, a taxa de desmatamento aumentou 25% em comparação com o mesmo período em 2019. Junho de 2020 foi o 14º mês de aumento ininterrupto das taxas de desmatamento e o pior mês de junho desde 2015. A indústria da carne brasileira estima que, nos próximos 10 anos, o consumo, a produção e a exportação de carne aumentarão. Em 2029, a produção brasileira de carne bovina poderá atingir 12,9 milhões de toneladas, um aumento de 18,7% em 10 anos. Por sua vez, em 2029, o consumo interno poderá ser 11,8% maior do que em 2019. No entanto, espera-se que as exportações sejam o principal motor do crescimento, com um aumento de 36,3%. Para satisfazer os mercados nacional e global de carne, o Brasil terá que abater 52,6 milhões de bovinos em 2029, um aumento de 17,7% em relação a 2019. Nos atuais níveis de produtividade, isso exigiria ainda mais desmatamento para pastagem, o que teria um efeito devastador sobre a Amazônia, assim como sobre o Pantanal e o Cerrado, outros dois biomas em perigo por conta da expansão da atividade pecuária. Neste cenário, as proteínas vegetais aparecem como uma solução para atender à crescente demanda por proteínas de maneira sustentável. A categoria de produtos plant-based é impulsionada não só pelos consumidores vegetarianos, que já representam 14% da população no Brasil, de acordo com o IBOPE Inteligência (2018), mas também, e principalmente, pelos consumidores flexitarianos, que buscam produtos inovadores para reduzir o consumo de alimentos de origem animal. Atualmente, de acordo com pesquisa da DuPont (2019), 67% dos brasileiros declara ter um alto interesse em consumir mais alimentos plant-based. Saúde, sustentabilidade e ética são alguns dos principais fatores que influenciam essa mudança de comportamento. Segundo estudo publicado pela Lux Research (2015), as proteínas vegetais deverão representar um terço do mercado global de proteínas até 2054. Para mais informações sobre a Mercy For Animals, acesse www.mercyforanimals.org.br in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

Recuperação econômica após a pandemia pode impulsionar os esforços climáticos

Os planos de estímulo global para a recuperação econômica após a pandemia poderiam facilmente cobrir políticas favoráveis ao clima, sugere um novo estudo Pelo Imperial College London* Governos em todo o mundo estão planejando pacotes de estímulo para impulsionar a economia após as perturbações causadas pela pandemia COVID-19. Até agora, mais de US $ 12 trilhões de dólares foram prometidos em tais pacotes. Essa resposta é três vezes maior do que os gastos de recuperação da crise financeira global de 2008-2009 e representa cerca de 15% do produto interno bruto (PIB) global. Uma nova análise publicada na Science , liderada por pesquisadores do Imperial College London, Climate Analytics em Berlin e do Electric Power Research Institute dos Estados Unidos, mostra que se apenas um décimo desse dinheiro fosse investido a cada ano nos próximos cinco anos nos planos de recuperação positivos para o clima para o sistema energético global, o mundo poderia ser colocado no caminho para cumprir as metas do Acordo de Paris. O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura média global neste século para bem abaixo de 2 ° C acima das temperaturas pré-industriais e buscar esforços para mantê-la em 1,5 ° C. Isso exigirá uma redução no uso de combustíveis fósseis, uma mudança para fontes renováveis ??de baixo carbono, como a energia solar e eólica, e grandes melhorias na eficiência energética. No entanto, os esforços atuais dos governos em todo o mundo são insuficientes para atingir as metas do Acordo de Paris. Em vez disso, as políticas de hoje estão nos levando a um mundo 3 ° C acima das médias pré-industriais. Essas temperaturas mais altas trarão maiores riscos e impactos mais severos, como secas, inundações e tempestades. A nova análise mostra que um caminho ambicioso para um mundo de 1,5 ° C está bem ao nosso alcance se apenas uma fração do financiamento COVID-19 for investido em uma recuperação “positiva para o clima”, com o duplo objetivo de estimular a economia global e acelerar o implantação de fontes de baixo carbono e medidas de eficiência energética. Isso poderia ser alcançado, por exemplo, por meio de estímulos diretos e investimentos, bem como por meio de políticas de apoio, como incentivos e descontos. O autor sênior Dr. Joeri Rogelj, do Grantham Institute — Climate Change and the Environment at Imperial, disse: “Nossas descobertas mostram que investir em soluções para limitar o aquecimento a 1,5 ° C está dentro do orçamento. Na verdade, o aumento de Os investimentos em energia de carbono necessários nos próximos cinco anos para colocar o mundo no caminho certo para cumprir as metas do Acordo de Paris são cerca de oito vezes menores do que o estímulo total do COVID-19 ”. A primeira autora, Marina Andrijevic, da Climate Analytics and Humboldt University, disse: “Se apenas uma fração desse dinheiro fosse investido em planos de recuperação positivos para o clima, o mundo poderia alcançar energia de carbono zero líquido em meados do século. Não se trata de desviar dinheiro do estímulo COVID-19 ou outros investimentos de baixo carbono na indústria, pesquisa e desenvolvimento, mas proporcionando a solução ganha-ganha de uma economia impulsionada que simultaneamente ajuda nossos esforços para deter as mudanças climáticas. ” Poucos países declararam em detalhes completos para que usarão seus pacotes de recuperação, mas as prioridades imediatas provavelmente serão apoiar os sistemas de saúde, preservar meios de subsistência e estabilizar o emprego. Além disso, os governos buscarão investimentos que possam fomentar a recuperação econômica no longo prazo. Vários relatórios, incluindo uma pesquisa com mais de 230 especialistas em todo o mundo, mostraram como uma recuperação verde pode apoiar esse objetivo, fornecendo benefícios de curto e longo prazo, incluindo criação de empregos e redução do risco de investimento em tecnologias verdes. O Dr. Rogelj acrescentou: “Os pacotes de recuperação positiva para o clima fornecem muitos benefícios que os governos procuram para sair desta crise: eles podem aumentar o emprego e estimular a inovação, acelerando assim o desenvolvimento de tecnologias necessárias para uma transformação global de baixo carbono.” A análise da equipe mostra que uma recuperação positiva para o clima também precisa de um forte foco de curto prazo em evitar ativamente uma recuperação poluente, como pacotes de estímulo que salvam os combustíveis fósseis. Os investimentos nesses setores devem continuar nos próximos anos, mas há fortes evidências para redirecionar esse financiamento para uma recuperação positiva para o clima e para apoiar a transição por outros meios, como a requalificação de funcionários. A análise mostra que isso será mais fácil para alguns países do que para outros. Os EUA e a União Européia foram os que mais prometeram na recuperação pós-pandemia e também precisam investir o menos proporcionalmente em energia de baixo carbono para estar no caminho para atingir as metas do Acordo de Paris. Enquanto isso, economias emergentes como a Índia propuseram menos financiamento para a recuperação da pandemia, mas exigem proporcionalmente mais investimentos para fornecer às suas populações energia confiável, limpa e acessível . O coautor Dr. David McCollum, do Electric Power Research Institute e da University of Tennessee, disse: “As diferentes situações entre as economias desenvolvidas e emergentes nestes tempos de crise nos lembram da necessidade de olhar além das fronteiras e colaborar internacionalmente. que uma recuperação positiva para o clima beneficia a todos, em todos os lugares. ” COVID-19 recovery funds dwarf clean energy investment needs BY MARINA ANDRIJEVIC, CARL-FRIEDRICH SCHLEUSSNER, MATTHEW J. GIDDEN, DAVID L. MCCOLLUM, JOERI ROGELJ SCIENCE16 OCT 2020 : 298-300Science (2020). DOI: 10.1126/science.abc9697 https://science.sciencemag.org/content/370/6514/298 * Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/10/2020

EcoDebate - Edição 3.534 de 16 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Dia Mundial da Alimentação 2020: aumenta a fome no mundo Design de Produto Sustentável Secas mais severas ameaçam os pântanos em todo mundo Pecuária é causa de desmatamento na Amazônia, diz relatório Recuperação econômica após a pandemia pode impulsionar os esforços climáticos Dietas saudáveis evitariam mais de 2/3 das mortes por doenças cardíacas Mais de 3 mil plantas não convencionais podem ser usadas na alimentação. Conheça as PANCs “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

NA AMAZÔNIA DESTRUÍMOS O QUE NÃO ENTENDEMOS

Carta da Amazônia: destruímos o que não entendemos IHU “Provavelmente vocês não estejam acostumados que uma mulher indígena os chame de ignorantes, e menos ainda num cenário como este. Mas para os povos indígenas uma coisa é clara: quanto menos você sabe sobre algo, menos valor isso tem para você ― e, portanto, mais fácil será de destruir”, escreve Nemonte Nenquimo, cofundadora da organização sem fins lucrativos dirigida pelos indígenas Ceibo Alliance, primeira presidenta da organização waorani da província de Pastaza (Equador) e eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes de 2020, em carta publicada por El Pais, 12-10-2020. Segundo ela, “em cada uma das centenas de línguas diferentes da Amazônia, temos uma palavra para vocês, os estranhos. No meu idioma, o waotededo, essa palavra é “cowori”. E não tem por que ser um insulto, mas vocês a transformaram nisso. Para nós, essa palavra (e, de uma forma terrível, sua sociedade), significa: o homem branco que sabe muito pouco para o poder que exerce e o dano que causa”. Eis a carta. Aos senhores presidentes dos nove países da Amazônia e a todos os líderes mundiais que dividem a responsabilidade pelo saque de nossa floresta: Meu nome é Nemonte Nenquimo. Sou uma mulher waorani, mãe e líder do meu povo, e a Amazônia é minha casa. Escrevo esta carta porque os incêndios continuam queimando nossa floresta. Porque as empresas estão despejando petróleo em nossos rios. Porque os mineiros estão roubando ouro (como têm feito durante os últimos 500 anos), deixando para trás crateras e toxinas. Porque os invasores e extrativistas de terras estão derrubando mata virgem para que seu gado possa pastar, suas plantações possam crescer e o homem branco possa comer. Porque nossos anciãos estão morrendo de coronavírus e, enquanto isso, vocês planejam seus próximos movimentos para explorar nossas terras e estimular uma economia que nunca nos beneficiou. Porque, como povos indígenas, estamos lutando para proteger o que amamos: nossa forma de vida, nossos rios, os animais, nossas florestas, a vida na Terra. E é hora de que nos ouçam. O homem branco que sabe muito pouco para o poder que exerce e o dano que causa – Nemonte Nenquimo Em cada uma das centenas de línguas diferentes da Amazônia, temos uma palavra para vocês, os estranhos. No meu idioma, o waotededo, essa palavra é “cowori”. E não tem por que ser um insulto, mas vocês a transformaram nisso. Para nós, essa palavra (e, de uma forma terrível, sua sociedade), significa: o homem branco que sabe muito pouco para o poder que exerce e o dano que causa. Provavelmente vocês não estejam acostumados que uma mulher indígena os chame de ignorantes, e menos ainda num cenário como este. Mas para os povos indígenas uma coisa é clara: quanto menos você sabe sobre algo, menos valor isso tem para você ― e, portanto, mais fácil será de destruir. Com “fácil”, quero dizer sem culpa, sem remorso, sem se sentir estúpido e, inclusive, com todo direito. E isso é exatamente o que vocês estão fazendo conosco como povos indígenas, com nossos territórios de floresta tropical e com o clima do nosso planeta. Levamos milhares de anos para conhecer a floresta da Amazônia. Entender suas formas, seus segredos, aprender a sobreviver e a prosperar com ela. Mas meu povo, o waorani, só conhece vocês há 70 anos (fomos “contatados” na década de cinquenta pelos missionários evangélicos americanos). Mas aprendemos rápido, e vocês não são tão complexos quanto a floresta. Levamos milhares de anos para conhecer a floresta da Amazônia. Mas meu povo, o waorani, só conhece vocês há 70 anos. Mas aprendemos rápido, e vocês não são tão complexos quanto a floresta – Nemonte Nenquimo Quando vocês dizem que as empresas petroleiras têm maravilhosas e inovadoras tecnologias que podem extrair petróleo debaixo de nossas terras como os colibris sugam o néctar de uma flor, sabemos que estão mentindo porque vivemos rio abaixo dos derramamentos. Quando dizem que a Amazônia não está queimando, não precisamos de imagens de satélite para provar que estão errados: estamos inalando a fumaça das árvores frutíferas que nossos antepassados semearam há séculos. Vocês formaram sua civilização sobre a nossa, e vejam agora onde estamos: pandemia global, crise climática, extinção de espécies e, guiando isso tudo, uma pobreza espiritual generalizada – Nemonte Nenquimo Quando vocês dizem que estão buscando urgentemente soluções climáticas, mas continuam construindo uma economia mundial baseada no extrativismo e na poluição, sabemos que estão mentindo porque somos os mais próximos da terra e os primeiros a escutar seu choro. Quando vocês dizem que estão buscando urgentemente soluções climáticas, mas continuam construindo uma economia mundial baseada no extrativismo e na poluição, sabemos que estão mentindo porque somos os mais próximos da terra e os primeiros a escutar seu choro – Nemonte Nenquimo Nunca tive a oportunidade de ir à universidade e me tornar médica, advogada, política ou cientista. Meus “pikenani” (autoridades tradicionais, anciãos sábios) são meus mestres. A floresta é minha professora. E aprendi o suficiente (e falo de mãos dadas com meus irmãos e irmãs indígenas do mundo todo) para saber que vocês perderam o rumo, que têm um problema (embora ainda não o entendam completamente) e que seu problema é uma ameaça para toda forma de vida na Terra. Aprendi o suficiente para saber que vocês perderam o rumo, que têm um problema (embora ainda não o entendam completamente) e que seu problema é uma ameaça para toda forma de vida na Terra – Nemonte Nenquimo Vocês formaram sua civilização sobre a nossa, e vejam agora onde estamos: pandemia global, crise climática, extinção de espécies e, guiando isso tudo, uma pobreza espiritual generalizada. Em todos esses anos vocês nos expulsaram, expulsaram e expulsaram das nossas terras e não tiveram a coragem, a curiosidade ou o respeito suficientes para nos conhecer. Para entender como vemos, pensamos e sentimos, e o que sabemos sobre a vida nesta terra. Também não posso ensinar a vocês agora com esta carta. Mas o que posso contar tem a ver com milhares e milhares de anos de amor por esta floresta, por este lugar. Amor no sentido mais profundo da palavra: respeito. Esta floresta nos ensinou a caminhar com rapidez, e, como a escutamos, como aprendemos com ela e a defendemos, ela nos deu tudo: água, ar limpo, alimentos, remédios, felicidade, espiritualidade. E vocês estão tirando tudo isso de nós. Não apenas de nós, mas também de todas as pessoas do planeta e das gerações futuras. Aproveito para dizer a todos vocês: “A Terra não espera que a salvem, espera que a respeitem. E nós, como povos indígenas, esperamos o mesmo – Nemonte Nenquimo É madrugada na Amazônia, justo antes do amanhecer: um momento que consideramos propício para compartilhar nossos sonhos e nossos pensamentos mais profundos. De modo que aproveito para dizer a todos vocês: “A Terra não espera que a salvem, espera que a respeitem. E nós, como povos indígenas, esperamos o mesmo.” (EcoDebate, 15/10/2020) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação. [IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]
Eventos climáticos extremos aumentaram em frequência, intensidade e gravidade Nos últimos 50 anos, mais de 11.000 desastres foram atribuídos a riscos relacionados ao clima, ao clima e à água, envolvendo 2 milhões de mortes e US $ 3,6 trilhões em perdas econômicas. Enquanto o número médio de mortes registradas para cada desastre caiu em um terço durante este período, o número de desastres registrados aumentou cinco vezes e as perdas econômicas aumentaram por um fator de sete, de acordo com um novo relatório de várias agências. Os eventos climáticos e meteorológicos extremos aumentaram em frequência, intensidade e gravidade como resultado das mudanças climáticas e atingiram comunidades vulneráveis ​​de forma desproporcional. No entanto, uma em cada três pessoas ainda não está adequadamente coberta por sistemas de alerta precoce, de acordo com o relatório do Estado dos Serviços Climáticos de 2020 divulgado no Dia Internacional para Redução do Risco de Desastres em 13 de outubro. Em 2018, globalmente, cerca de 108 milhões de pessoas precisaram da ajuda do sistema humanitário internacional em decorrência de tempestades, inundações, secas e incêndios florestais. Em 2030, estima-se que esse número possa aumentar em quase 50% a um custo de cerca de US $ 20 bilhões por ano, diz. O relatório, produzido por 16 agências internacionais e instituições financeiras, identifica onde e como os governos podem investir em sistemas eficazes de alerta precoce que fortaleçam a resiliência dos países a vários riscos relacionados ao clima, clima e água e fornece exemplos de sucesso. Ele enfatiza a necessidade de mudar para a previsão baseada no impacto – uma evolução de “como será o tempo” para “o que o tempo fará” para que as pessoas e as empresas possam agir antecipadamente com base nos avisos. O relatório de 2020 sobre os serviços climáticos O relatório 2020 State of Climate Services contém 16 estudos de caso diferentes sobre sistemas de alerta precoce bem-sucedidos para perigos, incluindo ciclones tropicais e furacões, inundações, secas, ondas de calor, incêndios florestais, tempestades de areia e poeira, gafanhotos do deserto, invernos severos e erupções de lagos glaciais. “Os sistemas de alerta precoce (EWS) constituem um pré-requisito para uma redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares ”, disse o Secretário-Geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Professor Petteri Taalas. “Embora a COVID-19 tenha gerado uma grande crise econômica e de saúde internacional da qual levará anos para se recuperar, é crucial lembrar que as mudanças climáticas continuarão a representar uma ameaça contínua e crescente para vidas humanas, ecossistemas, economias e sociedades nos próximos séculos ”, disse ele. “A recuperação da pandemia COVID-19 é uma oportunidade para avançar em um caminho mais sustentável em direção à resiliência e adaptação à luz da mudança climática antropogênica”, disse o professor Taalas em um prefácio ao relatório. O relatório de 2020 sobre o estado dos serviços climáticos fornece uma base para a compreensão de como fortalecer a proteção para os mais vulneráveis, inclusive por meio de mecanismos como a iniciativa Sistemas de Risco Climático e Alerta Precoce (CREWS), que junto com a Agence Française de Développement, forneceu financiamento para o relatório. O relatório foi coordenado pela OMM e contém contribuições de 16 organizações internacionais diferentes: l’Agence Francaise de Développement; Fundo de Adaptação; Iniciativa de Política Climática; Iniciativa de Sistemas de Risco Climático e Alerta Precoce; Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura; Grupo de Observações da Terra; Fundo Verde para o Clima; Global Environment Facility; Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho; Parceria de ação precoce informada sobre riscos; Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres; Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas; Grupo Banco Mundial e seu Fundo Global para Redução e Recuperação de Desastres; Programa Mundial de Alimentos; a Organização Mundial da Saúde – Organização Meteorológica Mundial do Clima e Escritório de Saúde e WMO. Lacunas de capacidade Quase 90 por cento dos Países Menos Desenvolvidos e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento identificaram os sistemas de alerta precoce como uma prioridade principal em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas sobre a mudança climática. No entanto, muitos deles não têm a capacidade necessária e o investimento financeiro nem sempre está fluindo para as áreas onde o investimento é mais necessário. A situação é particularmente aguda nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS) e nos países menos desenvolvidos (LDCs). Desde 1970, os SIDS perderam US $ 153 bilhões devido a riscos relacionados ao clima, ao clima e à água – uma quantia significativa, visto que o PIB médio dos SIDS é de US $ 13,7 bilhões. Enquanto isso, 1,4 milhão de pessoas (70% do total de mortes) nos PMDs perderam a vida devido a riscos relacionados ao clima, ao clima e à água naquele período. Os dados fornecidos por 138 membros da OMM mostram que apenas 40% deles possuem Sistemas de Alerta Rápido de Riscos Múltiplos (MHEWS). Isso significa que, globalmente, em média, uma em cada três pessoas ainda não está coberta pelos alertas antecipados. Atualmente, apenas 75 membros da OMM (39%) indicaram que fornecem serviços de previsão de impacto. A disseminação de alertas é fraca em muitos países em desenvolvimento, e os avanços nas tecnologias de comunicação não estão sendo totalmente explorados para chegar às pessoas em risco, especialmente nos PMDs. Não há capacidade mundial suficiente para traduzir o aviso prévio em ação antecipada – especialmente nos PMDs. A África enfrenta as maiores lacunas de capacidade. Em todo este vasto continente, embora a capacidade seja boa em termos de conhecimento e previsão de riscos, apenas 44.000 pessoas em 100.000 são cobertas por alertas antecipados, em países onde há dados disponíveis. Todos os serviços meteorológicos e climáticos dependem de dados de observações sistemáticas. No entanto, as redes de observação são frequentemente inadequadas, particularmente em toda a África onde, em 2019, apenas 26% das estações cumpriam os requisitos de relatórios da OMM. É necessário mais Um aumento nos desastres relacionados ao clima indica que é necessário aumentar o investimento em adaptação em todas as áreas, incluindo especificamente na redução dos riscos climáticos por meio de investimentos na melhoria do acesso às informações de risco e aprimoramento dos sistemas de alerta precoce multirriscos. A boa notícia é que o financiamento do clima atingiu níveis recordes, ultrapassando a marca de US $ meio trilhão pela primeira vez em 2017-18. Porém, a ação ainda está muito aquém do que é necessário em um cenário de 1,5 ,C. As estimativas incluem que US $ 180 bilhões serão necessários anualmente para o período 2020-2030, conforme sugerido pela Comissão Global de Adaptação. E apesar do financiamento climático anual monitorado atingir a marca de meio trilhão de dólares pela primeira vez em 2018, o financiamento da adaptação é apenas uma fração muito pequena (5%) e o financiamento para informações de risco e sistemas de alerta precoce é apenas uma fração disso. Recomendações Estratégicas O relatório faz seis recomendações estratégicas para melhorar a implementação e eficácia dos sistemas de alerta precoce em todo o mundo: Investir para preencher as lacunas de capacidade dos sistemas de alerta precoce, particularmente nos PMDs e SIDS africanos. Concentre o investimento em transformar informações de alerta precoce em ação antecipada. Garantir o financiamento sustentável do sistema de observação global que sustenta os alertas antecipados. Rastreie os fluxos financeiros para melhorar a compreensão de onde esses recursos estão sendo alocados em relação às necessidades de implementação do EWS e que impacto isso está tendo. Desenvolva mais consistência no monitoramento e avaliação para determinar melhor a eficácia dos sistemas de alerta precoce. Preencha as lacunas de dados, principalmente em SIDS. O relatório de 2020 sobre os serviços climáticos Mensagens Informe da World Meteorological Organizationin – WMO, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/10/2020
Estudo confirma relação entre diabetes e prejuízo da memória em idosos diabetes Estudo com 1.944 participantes de todo o país encontrou associação entre glicemia elevada e dificuldade de memorização; pesquisadores alertam que diagnóstico precoce é fundamental para evitar piora do quadro. Foto: Jason Taix/Pixabay André Julião | Agência FAPESP Estudo publicado no Journal of Diabetes por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Belo Horizonte, mostrou a relação direta entre diabetes e prejuízo da memória em pessoas com mais de 50 anos. Os dados que permitiram as conclusões são um recorte do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). Financiado pelos ministérios da Saúde (MS) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o ELSI-Brasil é coordenado por Maria Fernanda Lima-Costa, pesquisadora do Instituto René Rachou da Fiocruz, em Belo Horizonte. No trabalho, foram entrevistadas 9.412 pessoas com mais de 50 anos de idade, em 70 municípios das cinco regiões do Brasil, para avaliar o estado de saúde dessa população. Para o estudo de diabetes e cognição, foram analisadas as informações de 1.944 participantes do ELSI-Brasil. O trabalho foi coordenado por Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia (DGero) da UFSCar, onde coordena o Laboratório de Epidemiologia e Envelhecimento (Lepen). O trabalho integra um projeto financiado pela FAPESP. “O ELSI-Brasil é representativo da população idosa do Brasil e segue os protocolos de estudos longitudinais realizados em outros países. Dos quase 10 mil participantes, cerca de 4 mil fizeram o teste de hemoglobina glicada, que auxilia no diagnóstico do diabetes mellitus tipo 2, o mais comum. Nosso olhar foi voltado para uma parte dessa amostragem, a fim de entender a relação da doença com o declínio cognitivo”, explica Alexandre, que orienta pesquisa de mestrado de Natália Cochar-Soares, primeira autora do artigo. Além do exame que auxilia na detecção do diabetes, os participantes escolhidos fizeram ainda testes de memória, função executiva e linguagem, respondendo a uma série de questões que detectam maior ou menor prejuízo nessas funções. Os participantes foram divididos em três grupos: não diabéticos, cujos níveis de hemoglobina glicada estavam abaixo da taxa que caracteriza a doença; diabéticos diagnosticados, que já tinham recebido diagnóstico anteriormente por um profissional de saúde e relataram esse fato na entrevista; e diabéticos não diagnosticados, que afirmaram nunca terem recebido diagnóstico, mas cujo exame feito durante o estudo indicou diabetes. Nos três grupos, os resultados não foram significativos para perda de fluência verbal e função executiva. Nos testes de memória, porém, o grupo dos diabéticos mostrou uma ocorrência 49% maior de prejuízo do que o dos não diabéticos, como era esperado. Estudos de outros grupos vêm mostrando, há anos, a associação entre as duas condições. Quando somados os diabéticos com os não diagnosticados, a relação diminuiu para 38%, ainda significativo. Segundo o pesquisador, isso pode se dar pelo fato de os não diagnosticados estarem há menos tempo expostos à doença e, por isso, ainda não sofrerem tanto suas consequências. “No começo, os sintomas ainda não se manifestaram a ponto de fazer as pessoas procurarem ajuda médica. Provavelmente esse é um dos fatores pelos quais elas ainda não tinham sido diagnosticadas”, diz Alexandre. Quando somados os diabéticos não diagnosticados com os não diabéticos, a associação com o prejuízo da memória foi de 46%. “Quando se considera apenas o autorrelato, é como se não houvesse associação da doença com o prejuízo da memória, uma vez que até então eles eram classificados como não diabéticos. É um erro de classificação dos indivíduos. O impacto do diabetes não diagnosticado nessa associação era desconhecido antes da pesquisa”, esclarece o pesquisador. Declínio gradual A hiperglicemia (excesso de glicose no sangue) causada pelo diabetes provoca alterações vasculares, que com o tempo geram microlesões no córtex cerebral. Além disso, pode formar placas nos vasos sanguíneos, comprometendo a circulação no cérebro e causando inflamações. Por sua vez, a hipoglicemia (baixa taxa de glicose no sangue), que também é uma consequência do diabetes, pode ter como consequência a morte celular, devido à baixa quantidade de energia disponível para as células do sistema nervoso central. Uma alteração específica de diabéticos é a diminuição do hipocampo, área do cérebro onde são formadas as memórias. Por fim, o diabetes diminui a chamada transmissão colinérgica, importante na formação da memória. “Não encontramos associação com a perda de função executiva e a linguagem. Outros estudos mostram que, em geral, primeiro vem o declínio da memória e depois o da linguagem e da função executiva. Daí a importância de diagnosticar precocemente os indivíduos que têm diabetes. Dessa forma, eles não ficam expostos por muito tempo a altas glicemias e, consequentemente, consegue-se prevenir que tenham prejuízo da memória”, avalia. O trabalho também chama a atenção para a necessidade de classificar corretamente os participantes de estudos desse tipo. Normalmente identificados como portadores da condição com base apenas no relato pessoal, muitas vezes podem ser diabéticos que ainda não foram diagnosticados. Alexandre coordena o International Collaboration of Longitudinal Studies of Aging (InterCoLAging), consórcio de estudos longitudinais que, além do ELSI-Brasil, envolve o ELSA Study, da Inglaterra, e o Mexican Health and Aging Study, do México. A ideia agora é comparar os resultados brasileiros com os de outros países. O artigo Does undiagnosed diabetes mitigate the association between diabetes and cognitive impairment? Findings from the ELSI-Brazil study pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1753-0407.13074. Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/10/2020

EcoDebate - Edição 3.533 de 15 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura Restaurar 30% dos ecossistemas do mundo poderia evitar mais de 70% das extinções Aquecimento do oceano Atlântico é sem precedentes em quase 3.000 anos Sob Bolsonaro, desmatamento dobra de patamar Na Amazônia destruímos o que não entendemos Eventos climáticos extremos aumentaram em frequência, intensidade e gravidade Estudo confirma relação entre diabetes e prejuízo da memória em idosos “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Pescadores da Baía de Guanabara pescam lixo para voltar a pescar peixes

Em colaboração com ONG alemã One Earth One Ocean (OEOO), membros da colônia Z-10 recolhem quase três toneladas de resíduos em uma semana Por Lygia Freitas A poluição da Baía de Guanabara é um problema enfrentado há anos por pescadores artesanais. É por isso que a ONG Alemã One Earth One Ocean desembarcou no Rio de Janeiro para realizar um projeto piloto ao lado de pescadores da colônia Z-10, na Ilha do Governador, primeiro passo para ações contínuas em diversas áreas. Nos primeiros sete dias de trabalho, foram retiradas mais de duas toneladas de resíduos em um raio de cerca de 5 km no entorno da colônia. Entre os principais materiais retirados das águas de uma das paisagens mais bonitas do Rio de Janeiro estão plásticos de diversos tipos, pneus, materiais de pesca, equipamentos eletrônicos, vidro e metais. “A poluição traz inúmeros efeitos negativos. Os dez pescadores que participaram do projeto piloto relataram ter tido perda de renda pela ausência e qualidade dos peixes. Além disso, é inegável o dano que todos esses resíduos trazem para os oceanos, por isso precisa ser um trabalho contínuo”, conta Laura Kita Kejuo, diretora-presidente da OEOO Rio. A partir de agora, os dados coletados serão analisados e os resultados serão usados para as próximas etapas do projeto, incluindo o uso de tecnologia inédita no Brasil, que será o primeiro país da América Latina a receber o SeeElefant (Elefante do Mar), barco que abriga uma usina de processamento de plástico em sua estrutura. Em construção na Alemanha, a embarcação vai contar com equipamentos capazes de fazer a coleta, a separação e a conversão do plástico em combustível, material para reciclagem ou em geração de energia. A expectativa é de que o “Elefante” comece a navegar em 2021. Além disso, no Rio de Janeiro, serão construídos os barcos chamados de SeeKuh (Vaca do Mar), embarcação permitindo a coleta de resíduos marítimos em até um metro de profundidade, com o uso de correias ajustáveis, minimizando assim o risco de capturar animais, em comparação com as redes. Todo o material será transferido para uma esteira e levado para grandes bolsas de armazenamento, que ficarão depositadas na embarcação até serem carregadas para a terra e encaminhadas para reciclagem. O navio é modular, completamente desmontável e pode ser acondicionado em quatro contêineres: assim sendo, ele pode navegar em diferentes locais para uso regional sem restrições. Os brasileiros também conhecerão o SeeHamster (Hamster do Mar), em uso desde 2011 para limpar rios e lagos em países asiáticos, como Camboja e Indonésia. Essa embarcação, que também será fabricada no Rio de Janeiro, conta com uma rampa perfurada. Devido à velocidade de coleta relativamente alta e contrapressão da água, os resíduos sólidos são empurrados para cima pela rampa e podem ser armazenados manualmente em grandes bolsas. Em paralelo ao trabalho de despoluição das águas, a equipe da OEOO Rio pretende desenvolver ações de educação ambiental, além de buscar parcerias com outras ONGs e institutos de pesquisa da região. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/10/2020

Agricultura é a principal fonte de aumento do óxido nitroso atmosférico

Gases de efeito estufa de longa duração podem prejudicar as metas climáticas internacionais, dizem os pesquisadores University of California, Irvine* Uma equipe internacional de pesquisadores – incluindo cientistas do sistema terrestre na Universidade da Califórnia, Irvine – concluiu recentemente a mais completa revisão do óxido nitroso desde a emissão até a destruição na atmosfera do planeta. Além de confirmar que o aumento de 20% na quantidade do gás de efeito estufa desde o início da Revolução Industrial pode ser totalmente atribuído ao homem, a equipe expressou dúvidas sobre a capacidade de reduzir as emissões ou mitigar seus impactos futuros. Em um estudo publicado esta semana na Nature , os pesquisadores documentam os detalhes das emissões de N2O de origem humana e como elas se intensificaram em 30 por cento nas últimas quatro décadas, a parte dominante vindo de fertilizantes de nitrogênio sintético e esterco animal usado na agricultura . O jornal observa que as economias emergentes – especialmente Brasil, China e Índia – estão se tornando os principais emissores do gás à medida que aumentam sua produção de alimentos. Uma vez liberado no ar, o óxido nitroso permanece por cerca de 116 anos. O acúmulo de N 2 O, que é gerado naturalmente, bem como por meio de atividades humanas e também é conhecido por empobrecer o ozônio estratosférico, cria um dilema para as nações que trabalham para travar as mudanças climáticas descontroladas, de acordo com o co-autor Michael Prather , ilustre Professor de ciência do sistema terrestre na UCI. “As emissões de óxido nitroso estão aumentando mais rápido do que qualquer cenário considerado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – tão rápido que, se não for verificado, junto com o dióxido de carbono vai empurrar o aumento da temperatura média global para bem acima de 2 graus Celsius dos níveis pré-industriais , a meta nominal do acordo climático de Paris ”, disse ele. Os cientistas estimam que, para atingir esse objetivo do fim do século, as emissões cumulativas de CO 2 não devem ultrapassar cerca de 700 gigatoneladas nos próximos 80 anos; para limitar o aquecimento global a ainda mais ambiciosos 1,5 grau, essa soma cai para 500 gigatoneladas.orçamento global de N2O “Há um certo otimismo cauteloso de que essas metas serão alcançáveis ​​se pudermos reduzir as emissões de combustíveis fósseis e tomar medidas para remover ativamente o CO 2 da atmosfera”, observou Prather. O óxido nitroso é um gás de efeito estufa consideravelmente mais persistente, entretanto. O estudo constatou que essas emissões sempre excederam as expectativas e, com o uso de nitrogênio vinculado à produção de alimentos, parece haver formas limitadas de mitigar significativamente a liberação do gás. Além disso, ao contrário do CO 2 , o N 2 O não é fotossintetizado pelas plantas, nem é quimicamente reativo o suficiente para ser sequestrado por métodos de geoengenharia. Prather disse que o caminho para controlar as emissões de N 2 O é por meio do uso mais eficiente de fertilizantes e da terra onde o gado é criado. Segundo ele, se as atuais emissões de óxido nitroso continuarem, elas serão equivalentes a cerca de 230 gigatoneladas de emissões cumulativas de CO 2 até o final do século – quase metade das emissões totais de CO 2 permitidas permanecer dentro de um aumento de temperatura global de 1,5 grau . “Os cenários mais otimistas exigem que as emissões de N 2 O sejam reduzidas para o equivalente a 178 gigatoneladas de CO 2 ”, disse Prather. “Mas nosso trabalho mostra que isso será difícil de alcançar porque as emissões de N 2 O não estão ligadas ao setor de carbono, mas à agricultura, que deve continuar a se expandir com o crescimento da população e do produto interno bruto.” Ele disse que o estudo é um passo importante para enfrentar o desafio apresentado por este gás de efeito estufa não cooperativo. “Em comparação com o entendimento bem estabelecido das contribuições do dióxido de carbono e do metano para a mudança climática, o óxido nitroso há muito era considerado o mais ‘incerto’ dos gases de efeito estufa”, disse Prather. “Com este documento, podemos confirmar que as fontes e sumidouros de N 2 O agora estão bem definidos e atribuídos, portanto, lidar com a tarefa de reduzir as emissões pode ser acompanhado por verificações e procedimentos de validação adequados.” Ele disse que o terceiro e mais importante gás de efeito estufa, freqüentemente esquecido, pode se tornar uma ameaça de longo prazo ao controle das mudanças climáticas. O projeto foi apoiado pela NASA, a Fundação Nacional de Ciência, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional e a divisão de Ciência Rural e Ambiental e Serviços Analíticos da Escócia. Referência: Tian, H., Xu, R., Canadell, J.G. et al. A comprehensive quantification of global nitrous oxide sources and sinks. Nature 586, 248–256 (2020). https://doi.org/10.1038/s41586-020-2780-0 * Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/10/2020

Relatório revela aumento de emergências climáticas em 20 anos

Desastres nas últimas duas décadas também causaram US$ 2,97 trilhões em perdas para a economia global; nações mais pobres tiveram taxas de mortalidade mais de quatro vezes superiores às mais ricas. ONU Os primeiros 20 anos do século 21 foram marcados por um aumento “impressionante” dos desastres climáticos, segundo um novo relatório do Escritório da ONU sobre Redução de Risco de Desastres. De acordo com a pesquisa, as nações ricas pouco fizeram para reduzir as emissões associadas a ameaças climáticas responsáveis pela maior parte desses eventos. Vista aérea das áreas em Moçambique que foram afetadas pelo ciclone Idai., by PMA Vista aérea das áreas em Moçambique que foram afetadas pelo ciclone Idai., by PMA Consequências De acordo com o relatório, houve 7.348 desastres em todo o mundo nas últimas duas décadas. Aproximadamente 1,23 milhão de pessoas morreram, cerca de 60 mil por ano. Além disso, mais de 4 bilhões de pessoas foram afetadas. Essas duas décadas causaram US$ 2,97 trilhões em perdas para a economia global. Os dados mostram que as nações mais pobres tiveram taxas de mortalidade mais de quatro vezes superiores às economias mais ricas. Em comparação, o período anterior de 20 anos, de 1980 a 1999, teve 4.212 desastres relacionados com desastres naturais. Estes eventos causaram 1,19 milhão de mortes e perdas econômicas de US$ 1,63 trilhão. Mais de 3 bilhões de pessoas foram afetadas. Aumento Um melhor registro explica a diferença nas últimas duas décadas, mas o aumento das emergências relacionadas ao clima foi a principal razão para o crescimento. Para os autores do relatório, “esta é uma prova clara de que em um mundo onde a temperatura média global em 2019 era 1,1º C acima do período pré-industrial, os impactos estão sendo sentidos.” Segundo eles, isso é evidente na maior frequência de ondas de calor, secas, inundações, tempestades de inverno, furacões e incêndios florestais. As inundações foram responsáveis ​​por mais de 40% dos desastres, afetando 1,65 bilhão de pessoas, seguidas por tempestades, terremotos, e temperaturas extremas As inundações foram responsáveis ​​por mais de 40% dos desastres, afetando 1,65 bilhão de pessoas, seguidas por tempestades, 28%, terremotos, 8%, e temperaturas extremas, 6%. Esforços Em comunicado, a representante especial do secretário-geral para Redução de Risco de Desastres, Mami Mizutori, disse que “as agências de gestão de desastres conseguiram salvar muitas vidas com uma melhor preparação e a dedicação de funcionários e voluntários.” Apesar disso, Mizutori afirmou que “as probabilidades continuam sendo adversas, em particular devido a nações industrializadas que estão falhando miseravelmente na redução das emissões de gases de efeito estufa.” Para a representante, é “desconcertante” que as nações continuem, de forma consciente, a plantar as sementes da sua destruição, apesar da ciência e das provas de que estão transformando sua única casa em um inferno inabitável para milhões de pessoas.” Seca em Angola deixou famílias desesperadas e crianças sem tempo para educação, Unicef Angola/2019/Carlos César Seca em Angola deixou famílias desesperadas e crianças sem tempo para educação, Unicef Angola/2019/Carlos César Pandemia O relatório também destaca a pandemia de Covid-19, dizendo que a situação “expôs muitas deficiências na gestão de risco de desastres, apesar de avisos repetidos.” A pesquisa recomenda ação urgente para melhor gerenciar fatores de risco, como pobreza, poluição do ar, crescimento populacional em locais perigosos, urbanização descontrolada e perda de biodiversidade. O estudo aponta riscos climáticos que se tornaram permanentes nas últimas décadas, afirmando que devem ser o foco de medidas de preparação nacional. A mudança nos padrões de chuva, por exemplo, representa um risco para 70% da agricultura global e para 1,3 bilhão de pessoas que dependem da degradação de terras agrícolas. Apesar destes eventos climáticos se terem tornado mais frequentes nos últimos 20 anos, apenas 93 países implementaram estratégias em nível nacional. o mundo está a caminho de um aumento de temperatura de 3,2º C ou mais, a menos que os países industrializados consigam reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelo menos 7,2% ao ano Mami Mizutori disse que a resposta a este problema “depende da liderança política acima de tudo.” Para ela, a Covid-19 “é apenas a prova mais recente de que os políticos e líderes empresariais ainda não estão em sintonia com o mundo ao seu redor.” O relatório destaca algum sucesso na proteção de comunidades vulneráveis, graças a sistemas de alerta precoce, preparação e resposta, mas realça que aumentos da temperatura em nível global devem tornar essas melhorias obsoletas em muitos países. Dia Mundial Neste 13 de outubro é marcado o Dia Internacional para Redução de Riscos de Desastres. Em mensagem sobre o dia, o secretário-geral da ONU afirma que “uma boa gestão do risco destes eventos significa agir com base na ciência e em provas.” Para António Guterres, “isso requer compromisso político ao mais alto nível para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Convenção-Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Desastres.” Atualmente, o mundo está a caminho de um aumento de temperatura de 3,2º C ou mais, a menos que os países industrializados consigam reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelo menos 7,2% ao ano na próxima década. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/10/2020

EcoDebate - Edição 3.531 de 13 / outubro / 2020

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura O Irã vive uma terceira onda da Covid-19 e com aumento de vítimas fatais Importância da biodiversidade na medicina tradicional O calor tem um efeito mais forte na saúde em cidades menos desenvolvidas Relatório revela aumento de emergências climáticas em 20 anos Agricultura é a principal fonte de aumento do óxido nitroso atmosférico Pescadores da Baía de Guanabara pescam lixo para voltar a pescar peixes Como identificar uma relação abusiva Agravamento de bruxismo tem relação com alterações emocionais “Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Qual seria o melhor presente do "Dia das Crianças" ?

Olá, JAMESPIZARRO, tudo bem? Dar presentes é sempre uma alegria, principalmente quando são para as crianças. Só o sorriso que recebemos é gratificante! Hoje celebramos o Dia das Crianças e, diante de tudo o que estamos vivendo, acreditamos que o melhor presente para elas é garantir que tenham um futuro seguro, próspero e saudável. Vivemos uma emergência climática que está se agravando. Do calor excessivo que causa secas e intensifica as queimadas no Brasil, até as chuvas torrenciais que inundam as cidades, cada vida do planeta é impactada pelo aquecimento global. A elevação de temperatura média do planeta é causada pela queima de combustíveis como carvão e petróleo e pela destruição de nossas florestas. Precisamos pensar nas futuras gerações, e não só as humanas, mas de toda e qualquer espécie do planeta. Quantos animais perderam a vida queimados pelo fogo sem controle no Pantanal? Esse cenário pode se repetir nos próximos anos e piorar. Desviar o olhar da emergência climática é adiar um problema implacável, que ficará pior para nossos filhos, sobrinhos, netos. É justo que eles paguem pela nossa irresponsabilidade atual com o meio ambiente? Por isso, nosso presente para as crianças é o presente, o agir agora. O Greenpeace atua há 28 anos no Brasil por um mundo mais verde e justo, e parte do nosso trabalho é enfrentar a emergência climática combatendo o desmatamento ilegal na Amazônia, pois sua destruição tem impacto para todo o planeta. Você pode nos ajudar a dar este presente para nossas crianças. Torne-se um doador e garanta um futuro melhor, com mais verde e no qual a emergência climática seja amenizada e controlada. Como você já sabe, o Greenpeace Brasil trabalha investigando, denunciando e expondo crimes ambientais que contribuem para a emergência climática que estamos vivendo. Cobramos a responsabilidade de governos e boas práticas de empresas para que cuidem do nosso meio ambiente. E sem pessoas como você nosso trabalho não seria possível. Você pode ajudar na continuidade de todos os nossos projetos. Faça parte hoje mesmo do nosso time de doadores, clique e doe agora! Greenpeace Brasil PS: JAMESPIZARRO, como você já sabe, o Greenpeace Brasil trabalha denunciando crimes ambientais, cobrando o governo e empresas para que cuidem do nosso meio ambiente com responsabilidade. Sem a ajuda de pessoas como você nosso trabalho não seria possível. E você pode ajudar ainda na continuidade do nosso trabalho. Faça hoje mesmo uma doação, clique aqui *A doação é realizada de forma espontânea e irrestrita. Os valores e condições são sugestivos e exemplificam o trabalho que a organização faz diariamente. Todo apoio financeiro de pessoas físicas é aplicado nas campanhas do Greenpeace e na manutenção da estrutura da organização.