sábado, 3 de dezembro de 2016

Falta de saneamento: um problema crônico no Brasil

Por Katherine Rivas, da Envolverde –
Comunidades da Amazônia são as mais impactadas. Pesquisa revela que 4 milhões de brasileiros não tem banheiro em suas casas.
A campanha “Metade de Nós”, idealiza pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela marca Neve, do grupo Kimberly Clark, está apontando para uma realidade esquecida pelas políticas públicas: a falta de saneamento básico e banheiros na região Amazônica.
Com uma parceria recente entre as instituições, cerca de 300 municípios da Amazônia estão sendo mobilizados para garantir condições de saneamento básico e educação ambiental na região. Segundo uma pesquisa do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 30 milhões de pessoas não tem acesso à água tratada no país. E 4 milhões de brasileiros não tem banheiro nas suas casas. Deste total, 450 mil crianças e adolescentes não tem banheiro na região do Semiárido, em consequência 400 mil pessoas são internadas anualmente com casos de diarreia.
A realidade do Brasil é avaliada por especialistas como crônica. Em ranking internacional, com 200 países, o Brasil ocupa a 112ª posição. Os dados colocam o país num patamar equivalente as cidades subdesenvolvidas na África.
Cerca de 300 municipios da Amazonia carecem de condições adequadas de saneamento basico Foto: Arquivo Neve
Cerca de 300 municipios da Amazonia carecem de condições adequadas de saneamento basico
Foto: Arquivo Neve

Para Unai Sacona, chefe da Plataforma Amazônia da Unicef, o Brasil dá as costas para a Amazônia, local onde moram 7 milhões de crianças e adolescentes. Ele considera que o problema radica da falta de consciência ambiental e conhecimento ecológico, porque a população não foi educada para entender que é um esforço de anos e não de meses. “A situação pode até parecer comum no local, mas é complexa e envolve múltiplas consequências. Uma criança que não tem água nem esgoto na escola pode ficar doente, logo não terá acesso a atendimento de saúde decente, o que vai gerar dificuldade na educação, prejuízo e pobreza. Tudo está interligado. Não adianta instalar banheiros se as pessoas vão vender estes. Precisamos reeducar”, acrescenta.
A Unicef e a Neve pretendem durante os próximos três anos estabelecer diálogos e acordos com os governadores. Sacona afirma que a prioridade não será avaliar dados de indicadores e sim debater com os moradores as necessidades de cada família e município, para criar um plano de ação.  Segundo ele algumas das soluções a esta problemática estão na educação ambiental, não ficando restritos a temática de coleta de lixo.
O pouco entendimento da população e os governos complica o processo. 70% dos brasileiros nunca cobrou por saneamento básico nas eleições, e 50% da população não pagaria por um serviço de saneamento de qualidade. A obrigação dos municípios é elaborar um plano local de saneamento para ter acesso aos recursos federais. A expectativa era que todas as prefeituras brasileiras entreguem este plano, no entanto só 30% das cidades cumpriu com o compromisso e o prazo foi prorrogado até 2024.
Impacto midiático
A campanha Neve-Unicef está sendo divulgada nos produtos em todos os pontos de venda nacional. Foto: Divulgação/ Neve
A campanha Neve-Unicef está sendo divulgada nos produtos em todos os pontos de venda nacional. Foto: Divulgação/ Neve

Fernanda Hermanny, diretora da Family Care da Kimberly-Clark, acredita que o impacto da informação é importante para entender cenários até então desconhecidos. “Quando decidimos abordar a temática de saneamento básico, pensamos no Semiárido e no Cerrado. Porém ficamos surpresos ao ver como esta realidade é crítica na Amazônia. Os brasileiros precisam ter consciência disso”, comenta.
A parceria da Neve com a Unicef surgiu este ano na procura de inovação para um mercado que tem relação com os banheiros e a higiene das pessoas. A campanha acontecerá nos próximos três anos, levando o saneamento e outras questões ambientais críticas à debate em tudo o Brasil. Com o selo “UNICEF Município Aprovado”, a ideia é capacitar e monitorar gestores, técnicos, lideranças comunitárias para melhoria nas comunidades.
“O impacto da aliança permitirá chamar a atenção do público. Se uma marca grande como a Kimberly-Clark, que tem estratégias fortes de alcance digital, está com a gente, o caminho será mais simples”, diz Unai Sacona.
Os produtos da Neve já estão nos pontos de venda com o logo e informações da campanha. Mais de 30 mil pacotes de quatro rolos terão uma carta escrita por uma criança moradora destas localidades.
O vídeo oficial da campanha, alcançou durante as primeiras semanas de lançamento 100 milhões de visualizações. Para interagir com o consumidor, a campanha tem uma plataforma que monta um GIF com a metade dos rostos da cidade de Milagres, no Maranhão, município com menor número de banheiros no país.
A divulgação se realizará pelas redes sociais e canais de TV. Para conhecer mais do projeto visite o site banheirosmudamvidas.com.br. (#Envolverde)

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