quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

COM CÂNCER DE PELE NÃO SE BRINCA


saúde

[EcoDebate] O que é envelhecer? A palavra leva a uma discussão ampla que resulta em várias definições sob pontos de vista variados. A Medicina, provavelmente, exaltaria as alterações da funcionalidade do organismo. Já um poeta, sem dúvida, diria que envelhecer é alcançar a maturidade em sua plenitude. E você, o que pensa sobre o envelhecimento?
O assunto tem levado a reflexões constantes. E não é para menos. A realidade do país tem mudado. Em 2014, eram 26,1 milhões de pessoas com mais de 60 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Organização Mundial da Saúde calcula que em 2025 esse número, no Brasil, chegue a 32 milhões. Outro dado relevante é sobre a expectativa de vida do brasileiro, que, segundo o último levantamento do IBGE, subiu para 75,2 anos, em 2014.
Conclusão: aumenta o número de pessoas na Terceira Idade ao mesmo tempo em que elas estão vivendo mais do que antes. Isso requer mais qualidade de vida. Esta reportagem foi especialmente preparada para você que já está na chamada Melhor Idade ou conhece alguém que já chegou a essa fase e está em busca de uma pele bonita e saudável. A dermatologista, Dra. Darleny Costa Daher, escolheu algumas informações muito úteis e curiosas, além de dicas simples e de extrema importância. Confira.
Por que a pele envelhece?
São dois os principais motivos. O primeiro processo é chamado de intrínseco ou cronológico, provocado pela degeneração natural do corpo, na qual as células da pele, com o passar do tempo, perdem a capacidade de regeneração. Na prática, isso significa perda de fibras de colágeno e elastina. Essas duas substâncias naturais do organismo são responsáveis por dar firmeza e tonicidade à pele, que fica esticadinha.
Com a produção reduzida, os efeitos são inevitáveis: áreas de atrofia, rugas e flacidez.
Há quem reclame de que a pele fica sem brilho e mais seca. Isso porque as glândulas sudoríparas começam a reduzir o ritmo de trabalho, bem como a microcirculação, o que resulta numa pele com menos vitalidade.
O segundo processo recebe o nome de extrínseco e ocorre por influência de fatores externos, que aceleram e potencializam o envelhecimento. A exposição excessiva ao sol é um dos mais comuns. Na sequência, pode-se listar o uso do tabaco, do álcool e até mesmo a má alimentação. Daí a explicação porque há situações em que, ao observarmos a pele de uma pessoa, imaginemos que ela aparenta muito mais idade do que realmente tem.
Quais os principais problemas de pele na Melhor Idade?
Se a exposição excessiva aos raios ultravioletas é um dos principais fatores que aceleram o processo de envelhecimento, vale a pena destacar as principais consequências que ela provoca.
1) Melanose: também conhecida como mancha senil, porque é mais comum em pessoas com mais idade. É escura e pequena. Pode aparecer no rosto, na parte de cima das mãos, nos braços e nos ombros, áreas muito expostas ao sol. As pessoas mais claras são mais sujeitas a ter.
2) Leucodermia Solar: pequenas manchas brancas, principalmente, nos braços e pernas. A quantidade varia. Há quem tem poucas, outros têm muitas. Alguns pacientes confundem a leucodermia solar com vitiligo.
3) Ceratoses Actínicas: essas são manchas avermelhadas e frequentes nos ombros, braços, antebraços, parte superior das mãos, lábios e orelhas. É possível percebê-las num simples toque. O perigo das ceratoses é que podem evoluir para o câncer.
4) Rugas: são linhas resultantes dos movimentos e do trabalho da musculatura, ao longo dos anos. Elas são bem visíveis, principalmente no rosto. A ação direta do sol nas rugas pode torná-las ainda mais profundas.
5) Cânceres de pele: há três tipos mais comuns: o Carcinoma Basocelular, o Carcinoma Espinocelular e o Melanoma. O primeiro é o que tem maior ocorrência. Todos eles atingem, principalmente, as áreas mais expostas ao sol, como face, orelha, pescoço, couro cabeludo e costas.
Há outras alterações na pele não necessariamente resultantes da exposição solar. Seguem algumas:
1) Xerose Cutânea: caracteriza-se pela secura e aspereza, aspectos comuns na terceira idade por conta da dificuldade de reter a hidratação da pele.
2) Eczema Asteatótico: manchas escamosas que oferecem aparência de rachaduras. São mais comuns na parte inferior das pernas.
3) Eczema Numular: caracteriza-se pelo ressecamento excessivo da pele. O paciente observa lesões avermelhadas. Coça muito.
Existem ainda alguns tipos de infecções provocadas por fungos e vírus.
Há como tratar esses problemas?
O tratamento varia de caso a caso. O mais comum está relacionado à hidratação e higienização. As rugas, a flacidez e as manchas apresentam bons resultados com peelings, lasers, preenchimentos, toxina botulínica, além do uso regular e contínuo do fotoprotetor.
“Vale destacar que esses procedimentos, quando bem indicados e realizados por um dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, podem trazer excelentes resultados, com melhora da autoestima e da qualidade de vida dos pacientes”, explica a Dra. Darleny.
Como evitar os danos provocados pelo envelhecimento na pele?
Há quem ignore a importância dos cuidados básicos. O que parece bobagem faz toda diferença na pele. Veja alguns:
a) Hidratar-se é um bom começo para eliminar as toxinas, que aceleram o envelhecimento. Beba, pelo menos, 2 litros de água por dia.
b) Não demore durante o banho e evite uso de buchas.
c) Dê preferência aos sabonetes neutros.
d) Hidratantes devem fazer parte do dia a dia. Use os hipoalergênicos.
e) Faça dos óculos escuros, chapéus e protetores solares grandes aliados.
Prevenção é a palavra-chave quando se quer garantir uma pele saudável e com boa aparência por toda a vida. E isso é feito a partir desses cuidados que parecem bobos e sem efeito. “A proteção deve ser diária. O uso de protetor é necessário também quando o tempo está chuvoso. A falta de cuidados com a pele nessa fase da vida leva ao surgimento de algumas das lesões citadas ao longo da reportagem ou à piora daquelas já existentes. Outro detalhe fundamental é manter uma ida com frequência ao dermatologista. Só o especialista pode apresentar diagnósticos corretos e precisos, orientar de forma segura e optar pelo tratamento mais adequado. Preocupar-se com a pele é também garantir uma vida mais longa com qualidade”, conclui a dermatologista Dra. Darleny Costa Daher.
Dra. Darleny Costa Daher
Formou-se na Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), em 2006. Fez Residência Médica em Dermatologia, de 2008 a 2011, no Hospital Federal dos Servidores do Rio de Janeiro. Fez estágio opcional no Instituto de Dermatologia Prof. Rubem David Azulay da Santa da Misericórdia do Rio de Janeiro/RJ (2006) e estágio supervisionado no Ambulatório Souza Araújo, Laboratório de Hanseníase – IOC/FIOCRUZ (2010) e no Ambulatório de Esporotricose do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas/FIOCRUZ (2010). A Dra. Darleny Costa Daher é, atualmente, médica dermatologista da Clínica Costa Daher.

in EcoDebate, 22/12/2016
"Com câncer de pele não se brinca," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/12/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/12/22/com-cancer-de-pele-nao-se-brinca/.

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