quarta-feira, 16 de maio de 2018

Projeto de restauração ecológica vai recuperar margens de rios e encostas em propriedades de agricultura familiar no Paraná

Flona de Piraí do Sul
Flona de Piraí do Sul. Foto. ICMBio

Com objetivo de conectar remanescentes de vegetação nativa, o projeto Conexão Araucária vai mapear e restaurar 335 hectares de vegetação, distribuídos na Floresta Nacional de Piraí do Sul e em propriedades privadas

A restauração ecológica de 335 hectares de Floresta com Araucárias é a primeira ação do recém-lançado Projeto Conexão Araucária, em desenvolvimento por meio de parcerias com produtores da agricultura familiar do Sudeste do Paraná. As atividades, realizadas pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) sem qualquer custo aos produtores, devem trazer de volta às áreas espécies nativas deste ecossistema, algumas ameaçadas de extinção. O primeiro município beneficiado será São Mateus do Sul, na sequência outros deverão contar com a presenta do Projeto, a exemplo de São João do Triunfo, Palmeira, Rio Azul, Mallet, Rebouças e Paulo Frontin.
A primeira atividade do Projeto inclui a restauração de 37 hectares de vegetação nativa na Floresta Nacional de Piraí do Sul, unidade de conservação gerenciada pelo ICMBio. Nas propriedades rurais, o Conexão Araucária vai atuar nas Áreas de Preservação Permanente (APP), trechos protegidos por Lei, devido a sua importância para conservação da água e do solo. As APP incluem as matas ciliares – vegetação que margeia rios e nascentes –, topos de morros e encostas. Para definir as áreas prioritárias para restauração, a iniciativa irá avaliar o estado atual da vegetação nativa de cada propriedade.
“Apesar das exigências do novo Código Florestal, grande parte das propriedades rurais tem déficit de vegetação nativa. Há ainda uma significativa invasão de espécies exóticas, como o pinus, e uva do Japão entre tantas outras, que causam desequilíbrio nos ambientes naturais”, explica Maria Vitória Yamada, bióloga da SPVS e coordenadora do Projeto. Segundo ela, “o Conexão Araucária vai contribuir com a manutenção da biodiversidade e dos serviços ambientais na região e, ao mesmo tempo, beneficiar os agricultores familiares”. Cerca de 100 proprietários rurais já manifestaram interesse em ter suas áreas restauradas.
O Conexão Araucária é uma iniciativa da SPVS financiada pelo BNDES e pela empresa JTI. O projeto tem apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Movimentação da economia local
Com a realização das atividades de campo do Conexão Araucária, previstas até 2021, estima-se que seja possível injetar cerca de R$ 1,5 milhão na economia local, entre bens e serviços consumidos nos municípios de enfoque. “É uma preocupação do projeto que o investimento para compra da maioria dos itens para a restauração, por exemplo, seja feito na região”, diz Maria Vitória Yamada. As ações de restauração devem gerar também empregos diretos para os municípios com a capacitação e contratação de mão de obra local, além de criar oportunidades para que estudantes de universidades próximas participem e aprendam sobre as oportunidades da conservação da natureza.
A bióloga destaca ainda que o modelo de restauração adotado pelo projeto pode ser replicado futuramente para recuperar outras áreas naturais públicas e particulares da região, inclusive indo além da área mínima exigida pela legislação. “Com o Conexão Araucária, é possível que mais proprietários percebam a importância de conservar os serviços ambientais. A metodologia do projeto pode ser expandida para outros municípios, conectando os remanescentes de Mata Atlântica”, conclui.

Colaboração de Douglas Maia Rodrigues, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/05/2018


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