quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Após retirada de base fiscalização, desmatamento explode no Xingu

James, “A nossa área virou um balcão de negócios. Todo mundo vive da nossa área, do roubo de madeira, da venda de terra, e da pesquisa de ouro”, conta o cacique Mobu Odo Arara, da Terra Indígena Cachoeira Seca (PA). Em apenas quatro meses, entre setembro e dezembro de 2020, mais de 1,7 mil hectares foram desmatados na TI, a terceira mais desmatada na bacia do Xingu em 2020. Essa TI, morada dos Arara, povo de recente contato, carrega o recorde negativo de ser uma das mais desmatadas no país nos últimos seis anos por conta de invasões, roubo de madeira, avanço da pecuária e grilagem. Com as operações de combate ao desmatamento e principalmente à instalação de uma base permanente de fiscalização do Ibama na região em 2020, o desmatamento recuou. Isso não durou por muito tempo... Em setembro a base foi retirada e o desmatamento voltou a aumentar. A taxa de desmatamento nos últimos quatro meses do ano é quase quatro vezes maior do que o total detectado entre janeiro e agosto. Leia mais aqui. É difícil entender porque a base do Ibama foi retirada da TI Cachoeira Seca quando as ameaças ao território ainda não cessaram e o processo de retirada de invasores não foi concluído. O efeito das fiscalizações no início do ano de 2020 mostra a efetividade de ações integrais e permanentes de proteção nos territórios que estão sob contínua pressão de atividades ilegais Essas e outras informações estão no 22º boletim Sirad X, do Observatório De Olho no Xingu da Rede Xingu + articulação de indígenas, ribeirinhos e organizações da sociedade civil para a proteção da bacia do Xingu.

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